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Entrevista de Tatiane Duarte a Elineide Ferreira Oliveira, reverenda da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, coordenadora e assistente social da Casa Noeli dos Santos e presidente do Conselho da Mulher de Ariquemes, em Rondônia. Confira a íntegra a seguir (conteúdo publicado originalmente em ALC Notícias):
 
Tatiane: Na entrevista que fizemos em novembro de 2015, você colocou que o enfrentamento das violências domésticas era não apenas responsabilidade da sociedade, mas também “um trabalho da igreja”, por isso, “a igreja não poderia tapar os olhos e nem cruzar os braços”. Você poderia falar mais sobre a importância das igrejas especialmente através de ações concretas de enfrentamento das violências contra as mulheres?
 
A cada caso de mulheres que acolhemos [na Casa Noeli] vemos a interferência negativa que muitos líderes religiosos fazem, sem refletir o quão toxico é a violência de gênero. Muitos desses líderes com pensamento machista pedem para a mulher orar mais, esperar que é apenas mais uma provação, que ela deve relevar mais uma vez, pois homem é assim mesmo, que quem edifica o lar é a mulher.
 
Essas orientações que dão a conotação de que é cedendo sempre e sendo submissa não só ao seu companheiro agressor, mas ao machismo, alimenta uma ideia do casamento longo e duradouro, porém totalmente toxico e adoecido, sem companheirismo, parceria, amor, afeto e respeito. O que afeta não apenas a mulher mais toda família e quem por perto estiver. Ai que entra o x da questão: as lideranças religiosas representantes da Igreja de Deus ainda não perceberam que estarão cumprindo seu papel quando começar a capacitar seus líderes e ser uma Igreja que não encobre violência vestida de machismo, que sabe que as crenças religiosas não podem justificar casos de violências contra as mulheres e meninas, que deveriam saber como encaminhar aos órgãos competentes os casos e que seus líderes religiosos devem e têm a obrigação ética e moral, dentro dos princípios dos ensinamentos de Deus, de afirmar que o amor é não violência e que o Deus de Amor quer que o casal viva em nível igual, ombro a ombro, e que em lares onde é identificado a violência que seja orientado ambas as partes sobre seus direitos e quais punições devem arcar seja a nível eclesial ou judicial.
 
E por fim, as Igrejas precisam se capacitar e trabalhar o tema, pois a demanda bate a porto sempre para não dizer todos os dias, e o que tem sido feito até agora? Tem se jogado as violências contra as mulheres, inclusive as cristãs, para debaixo do tapete e as igrejas continuam a fingir que naquela comunidade esse tipo de coisa não acontece!
 
Tatiane: Agora, gostaria que você falasse brevemente sobre o surgimento da Casa Noeli, como ela se organiza, inclusive financeiramente, e se há algum convênio com o governo local.
 
A Casa Noeli surgiu de uma demanda do município de se ter um local seguro e acolhedor para as mulheres e seus filhos após denunciarem a violência sofrida em suas casas, por seus companheiros. Assim a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil assumiu esse desfio e há 10 anos fundou esta casa de acolhimento a mulheres em situação de violência, que é uma instituição filantrópica que se mantém com recurso próprio, doações, parcerias nacionais e internacionais a através de convenio com a prefeitura. Esta semana no qual celebramos o 8 de março completamos 10 anos de existência, e comemoramos nossa credibilidade como serviço sério, relevante, necessário e referência para a cidade. Mas, um longo caminho ainda precisa ser trilhado e muitos direitos das mulheres precisam ainda ser garantidos, mas seguimos com nossa luta diária pela equidade de gênero e pelo fim da violência contra as mulheres.
 
Tatiane: E agora durante a pandemia do novo coronavírus? Como a casa funcionou? Acolheu muitas mulheres? Parou seu atendimento?
 
O número de mulheres acolhidas aumentou, tivemos que adotar de forma emergencial procedimento fora da nossa rotina: usar máscara todo o tempo, álcool em gel por todo ambiente, limpeza do ambiente com maior frequência com produtos de higiene devido a rotatividade de mulheres e crianças. Todo esse novo protocolo fez aumentar as nossas despesas e a tramitação dos casos tem levado mais tempo para resolver e encaminhar aos órgãos da rede de atendimento e enfrentamento. Além disso, tivemos muita procura de mulheres egressas do serviço por cestas básicas, orientação ao auxílio emergencial[1] e demais dúvidas em relação a pandemia. Apesar da situação financeira da Casa e do gerenciamento caótica da pandemia no Brasil, mantivemos o serviço em pleno funcionamento ininterruptamente.
 
Tatiane: No Encontro Ecumênico de Mulheres, organizado pelo CONIC em novembro de 2016, Glória Ulloa, presidente do Conselho para a América Latina e o Caribe do Conselho Mundial de Igrejas/CMI, foi categórica: “Toda violência contra a mulher é pecado”.  Diante de números alarmantes de violências e de feminicídios, qual a importância de um lugar seguro como a Casa Noeli para as mulheres? E quais os desafios às igrejas e à sociedade visto que nossas irmãs ainda não têm vida em abundância?
 
Se antes era necessário e imprescindível um serviço como o que fazemos, a pandemia tem demonstrado um aumento alarmante do número de feminicídios e das violências domésticas no Brasil[2]. Temos visto que a dificuldade de as mulheres buscarem e ter ajuda do Estado, elas ficam refém do seu agressor em sua própria casa.  E se quando essa mulher conseguir pedir ajuda, ela não tem para onde ir? ou se tem não é um lugar seguro? Devemos abrir os olhos como Igrejas e fazer nossa parte como cidadãos responsáveis e cristãos que se importam com a vida de todas as pessoas!
 
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Tatiane Duarte é doutora em Antropologia Social pela Universidade de Brasília, Brasil, feminista, militante, cientista e mãe do Dante. Pesquisadora das relações entre grupos religiosos cristãos, espaço público, política e Estado no Brasil com foco nos direitos das mulheres, fundamentalismos teológicos e religiosos e avanço conservador no Brasil.
 
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[1] Após muita pressão de movimentos sociais, o auxílio emergencial foi aprovado para garantir uma renda mínima aos brasileiros em situação mais vulnerável durante a pandemia do Covid-19 (novo coronavírus), já que muitas atividades econômicas foram gravemente afetadas pela crise. Especialmente, contemplando trabalhadores informais, que perderam empregos e que possuíssem renda familiar mensal total de até três salários-mínimos (3.135 reais) e aquelas que recebem o benefício Bolsa Família. Foi pago até dezembro de 2020 e no início de 2021, diante do aumento dos casos, internações e mortes, fruto da ineficácia do governo federal brasileiro na gestão da pandemia (compra e distribuição de vacinas, apoio a lockdown e as medidas sanitárias) bem como comprometimento com a vida das populações mais desfavoráveis através do auxílio emergencial e apoio financeiro aos setores econômicos mais atingidos, novamente tem sido objeto de barganha política.
 
[2] O ano de 2020 foi marcado pelo grande incremento do número de feminicídios e dos casos de violências domésticas e de gênero em todas as regiões do Brasil. Cenário desafiador para a execução de políticas voltadas para as mulheres, especialmente as de enfrentamento às violências domésticas, diante de um Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que vem descentralizando a categoria de gênero e as mulheres como grupo de destinação de suas políticas das formulações de suas políticas e, quiçá, da agenda governamental do Estado brasileiro.
 

 
Pensando em seus amplos públicos na região e no movimento permanente de ações na América Latina e no Caribe, a ALC Noticias agregou a seus serviços habituais o App ALC Noticias.
 
A ideia é melhorar a experiência do público para que este possa compartilhar informações mais facilmente com suas redes de trabalho, familiares e amigos. O App ALC Noticias também permitirá que você leia as notícias sem ter uma conexão com a internet, para facilitar leitura de onde você estiver.
 
Assim como no website ALC Noticias, o aplicativo possui três idiomas (espanhol, português e inglês) e, junto com isso, oferece temas “claros” e “escuros”.
 
 
Fonte: ALC Notícias
Imagem: Pixabay

 
ALC Comunicación/CREAS - La publicación de autoría de Humberto Shikiya, Vicepresidente de CREAS, surge del interés de diferentes iglesias metodistas de la región, por profundizar en la metodología y la teología de Mesas Redondas de Misión, como eje central de relaciones, mutualidad, reciprocidad y compañerismo en misión a nivel global.
 
“La comprensión teológica central para las mesas redondas, como una metodología para fortalecer la mutualidad en misión, deriva de un compromiso con la reciprocidad entre todos los socios en la misión. Mutualidad significa la búsqueda de relaciones orientadas por objetivos, de perspectiva estratégica, de compartir una visión de la misión de Dios y su reino entre todas las personas, y de la creación como un todo.” Expresa en la presentación de este libro, el Rev. Luis Cardoso de la Oficina Regional de Ministerios Globales para América Latina y el Caribe.
 
En la publicación se recogen experiencias y aprendizajes de la realización de 31 mesas redondas, desarrolladas en los útimos 15 años, hasta 2018, en Argentina, Bolivia, Chile, Colombia, Ecuador, Perú y Venezuela.
 
Se espera que este libro sea una herramienta teórica y práctica que permita generar conocimiento sobre la evolución de las mesas redondas de misión en América del Sur y que contribuya al fortalecemiento de las relaciones de cooperación misionera entre las entidades compañeras en misión y las iglesias metodistas en América Latina y Caribe a través de la metodología de mesa redonda.
 
Esta iniciativa de investigación ha sido auspiciada por Ministerios Globales, Connexio, Iglesia Metodista Britanica y la Iglesia Unida de Canadá.
 
Podrás descargar el libro en español e inglés aquí.
 

 
ALC Comunicación/CIC - Las Iglesias agrupadas en el Consejo de Iglesias de Cuba (CIC) se unieron esta semana a las conmemoraciones por el Día Internacional por la NO violencia hacia las mujeres y las niñas. Luego del Día de la No Violencia, muchas iglesias se mantienen en la campaña alrededor de esta fecha, con actividades promovidas por el CIC.
 
En la Iglesia de Dios en el Diezmero, en La Habana, las promotoras y los promotores de género de la localidad dedicaron su encuentro mensual para celebrar la fecha. La planificación fue realizada con anterioridad, cuando se hizo un diagnóstico de los principales problemas relacionados con la violencia en esta comunidad. Una vez identificados, los equipos pudieron trabajar con cada una de las familias más afectadas, en temáticas como relaciones conflictivas entre padres e hijos, la violencia durante el noviazgo, la educación de niñas y niños de familias disfuncionales, la convivencia generacional, entre otras problemáticas.
 
Durante el encuentro se compartieron las acciones realizadas para aportar posibles soluciones a cada situación y el compromiso de continuar con el acompañamiento a las personas afectadas. También se dialogó sobre la importancia de reconocer cada acto de violencia para poder actuar en consecuencia.
 
El grupo de trabajo dio testimonio del cambio para bien que este trabajo les ha supuesto, así como la gratitud a los diversos programas del Consejo de Iglesias de Cuba por la capacitación en temáticas de género y trabajo comunitario.
 
También en el templo de “El Naranjal”, de la Fraternidad de Iglesias Bautistas, en Matanzas, tuvo lugar un encuentro para conmemorar la jornada de No Violencia hacia las mujeres y las niñas.
 
En la iglesia Amigos Cuáqueros en la Habana estuvieron presentes miembros de la Iglesia Iglesia Bautista Ebenezer de Marianao, el sábado 21, contando con la presencia de Midiam Lobaina, coordinadora del Programa de Mujer y Género del CIC.
 
“Hermoso tiempo de resiliencia donde compartimos risas, llanto, testimonios de vida y la alegría de sabernos acuerpadas por el Dios de paz que niega y denuncia cualquier tipo de violencia. Reconocimos las ataduras que hasta hoy nos limitan sueños, palabras, cuerpos, esperanzas. Quemamos aquello que sobraba y encendimos el fuego de la oportunidad y el tiempo nuevo”, cuentan quienes participaron.
 
En tanto el viernes 20 de noviembre se reunió un grupo de mujeres cristianas en la Primera Iglesia Presbiteriana-Reformada de la Habana. Midiam Lobaina dio una panorámica de la situación actual y las iniciativas que se han estado desarrollando durante todo la jornada para promover la No Violencia. El devocional fue coordinado por la PP. Izzet Samá Hernández.
 

 
ALC Comunicación - Tenemos la alegría de anunciar el nacimiento de REDHEL, una articulación, llamada Red Ecuménica por los Derechos Humanos y el Estado Laico (REDHEL), del que somos parte como ALC Noticias junto a 16 organizaciones más.
 
Vivimos en un momento donde las voces religiosas están cobrando una presencia pública cada vez más notoria dentro del espacio público latinoamericano. Voces tan variadas como la misma diversidad que compone a las iglesias, sin embargo, las neoconservadoras son las que más resonancia adquieren. Algunos grupos religiosos están resistiendo la obtención de derechos reclamados históricamente dentro de la sociedad civil y el campo de las políticas públicas. ¿Contamos realmente con un estado que brinde igual oportunidades a las diferentes creencias de la región? ¿Se construye a partir de aquellas cuestiones en común antes que las diferencias? ¿Cuáles son los límites y posibilidades de las iglesias con relación a los debates públicos? ¿Puede la idea de libertad de conciencia ser instrumentalizada para el privilegio de ciertos sectores, y en detrimento de las luchas ganadas por muchos grupos sociales? 
 
Es en este contexto que un conjunto de organizaciones ecuménicas de la región, se articularon con el propósito de promover el acuerdo de las diferentes creencias en el espacio público desde una visión inclusiva, diversa y profética. Un espacio de encuentro, reflexión e incidencia de organizaciones sociales, iglesias, medios de comunicación, espacios académicos y redes de la sociedad civil en América Latina y el Caribe, que comparten el objetivo de la promoción de los derechos humanos, la defensa de la libertad religiosa y la afirmación del Estado Laico como el espacio compartido entre las diferentes creencias. 
 
Esta articulación, llamada Red Ecuménica por los Derechos Humanos y el Estado Laico (REDHEL), tiene como objetivos:
 
  • Promover espacios de diálogo e incidencia para la defensa del Estado Laico y la plena democracia como garantía del respeto y la inclusión de todas las personas sin distinción de su religión, género o filosofía/ideología, 
  • Visibilizar, articular y potenciar la capacidad de comunicación, trabajo conjunto e impacto de las acciones desarrolladas por los miembros de la red que acompañen la defensa del Estado laico y los derechos humanos y 
  • Desarrollar instancias de reflexión y producción académica (tanto socio-política como teológica) con el propósito de problematizar y disputar discursos religiosos contrarios a los derechos humanos, promoviendo posicionamientos que valoren la dignidad de todas las personas.
 
REDHEL invita a sumarse a todas aquellas personas y organizaciones comprometidas a encarnar el mensaje de liberación de Cristo a través de la colaboración mutua, el respeto por las diferencias y un fuerte compromiso por la dignidad de las personas. Escribanos a Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 
ALC Comunicación/Comunicaciones FLM - En febrero de 2020 la Federación Luterana Mundial (FLM) abrió una nueva sede en la ciudad de San José del Guaviare, desde donde se coordinará el trabajo para los departamentos de Meta y Guaviare.Este trabajo territorial se hace en el marco del proyecto “Desarrollo Rural Integral para el Fomento de una Paz Sostenible” financiado por la Unión Europea en el marco del Fondo Europeo para la Paz.
 
La construcción de paz en Colombia va más allá de la dejación de armas de un grupo armado ilegal. Para iniciar una fase de posconflicto deben existir garantías, pactadas en el Acuerdo Final de Paz firmado por la antigua guerrilla de las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia – Ejército del Pueblo (FARC-EP), y el Gobierno Nacional en 2016, que responda a la transformación en los territorios y a un cambio en la calidad de vida de los sectores rurales y en situación de vulnerabilidad.
 
Tras cuatro años de la firma del Acuerdo Final de Paz hay dificultades para la efectiva implementación: el componente de Desarrollo Rural Integral no ha tenido grandes avances, a lo que se suman las preocupaciones por el aumento en asesinatos de población reincorporada, líderes y lideresas sociales, así como la presencia de grupos armados ilegales en los territorios. En este contexto, y con el ánimo de promover la construcción de paz territorial y la implementación del Acuerdo, el grupo de Organizaciones de la Sociedad Civil Sueca en Colombia, liderado en esta ocasión por Forum Syd, y en coordinación con We Effect, Diakonia, SweFOR, Act Iglesia Sueca y la Federación Luterana Mundial, con el apoyo financiero del Fondo Europeo para la Paz de la Unión Europea, ha decidido emprender esta apuesta territorial con el proyecto Desarrollo Rural Integral para el Fomento de una Paz Sostenible.
 
Esta propuesta busca que las comunidades rurales y población reincorporada en zonas afectadas por el conflicto armado, puedan mejorar su calidad de vida tras la firma del Acuerdo Final de Paz, contribuyendo a la implementación de los puntos uno, dos, tres y cuatro. Esta apuesta se desarrollará en 31 municipios[1] de Colombia -14 priorizados para la implementación de PDET[2]-, promoviendo procesos de desarrollo rural local ambientalmente sostenible por medio del diseño e implementación de proyectos productivos, y a su vez, generando un sentido de pertenencia y arraigo en las zonas rurales para contribuir la sostenibilidad de la paz territorial.
 
Una de las organizaciones beneficiarias de la implementación de este proyecto es la Cooperativa Multiactiva JE, iniciativa de economía social y solidaria que recoge los sueños y expectativas de un grupo de hombres, mujeres y familias de población reincorporada. El 28 de agosto de 2017 se trasladaron desde el ETCR[3] Jaime Pardo Leal, ubicado en la vereda Colinas del municipio de San José del Guaviare (Guaviare), hasta la vereda La Pista, del corregimiento de La Julia, en el municipio de Uribe (Meta).
 
Esta Cooperativa como alternativa económica quiere entrelazar manos, construir sueños y forjar un mejor futuro para todas las personas afiliadas y las comunidades de la región que habitan. Las áreas de trabajo de la Cooperativa Multiactiva JE le apuestan a la transformación y comercialización de productos agrícolas orgánicos, turismo comunitario y a la ganadería semiestabulada y silvopastoril.
 
Juan de Jesús Monroy, representante legal de la Cooperativa, estuvo en diálogo con la Federación Luterana Mundial, y explicó cómo viven en su comunidad actualmente, cuáles son los grandes retos de trabajar en apuestas de desarrollo rural y qué le solicitan al Gobierno colombiano.
 
¿Qué hace la Cooperativa Multiactiva JE?
 
Nosotros como población en reincorporación hicimos un plan, un acuerdo con el Estado colombiano de que íbamos a trabajar el proceso de reincorporación económica, política y social, a través de una Cooperativa, y de acuerdo a eso íbamos a avanzar en la formulación y ejecución de proyectos del proceso de reincorporación. Esta Cooperativa a futuro, en unos dos o tres años, iniciará el proceso de vinculación de las comunidades de la zona al desarrollo de proyectos productivos y procesos de reconciliación, articulando la población reincorporada con las comunidades aledañas, organizaciones sociales, comunidades indígenas y entes territoriales.
 
¿Quiénes conforman la Cooperativa?
 
Por ahora somos 143 afiliados de la Cooperativa Multiactiva JE, y en el área de Reincorporación Darío Gutiérrez hay aproximadamente 35 personas, familiares de excombatientes, que, aunque no están inscritos a la Cooperativa, si se benefician de ella. Por cuestiones de la implementación del Acuerdo Final de Paz, y lo que tiene que ver con la reincorporación económica de los excombatientes, nosotros aún no hemos abierto la Cooperativa para afiliar a personas externas, familiares ni personas de la comunidad.
 
¿Cómo han sido sus días después del proceso de paz y después de su llegada al municipio de Uribe?
 
Nosotros, al igual que toda la comunidad y población en reincorporación, sentimos frustraciones que es necesario remarcar. La falta de cumplimiento del Acuerdo de La Habana, específicamente el acuerdo integral, nos ha generado desconfianza en la militancia ‘fariana’, pero también, ha llevado a que algunas personas se hayan retirado del Acuerdo y eso ha traído complejidades en la implementación del mismo. Les hemos dado argumentos desde la misma firma del Acuerdo Final de Paz, para que cumplan lo pactado, sin embargo, la gente estará allí, y a pesar de todo, nosotros seguimos resistiendo.
 
Y frente al tema de seguridad ¿cómo lo han manejado al interior de la Cooperativa?
 
Una de las preocupaciones más grandes es el tema de la seguridad física y jurídica. El Gobierno nacional apunta a quitarle recursos a la Jurisdicción Especial para la Paz para debilitar nuestros procesos jurídicos y, en la parte física, no se toman medidas serias y responsables en el sentido de brindar la seguridad a nuestros guerrilleros excombatientes que viven en los espacios territoriales y en las áreas de reincorporación. Nosotros no somos la excepción, estamos en una zona donde todavía se vive el conflicto.
 
Estamos en constante amenaza porque no hay seguridad, y esa seguridad parte del mismo Acuerdo Final de Paz. Si se estuviera cumpliendo, nosotros estaríamos trabajando en la implementación del Acuerdo con mayor facilidad, y hoy le estaríamos cumpliendo al pueblo colombiano y al Gobierno nacional. Estaríamos dándole frente a todo, pero la inseguridad llega por el mismo incumplimiento del Gobierno, empezando por la gente que se ha ido a tomar las armas nuevamente, y las comunidades ya no creen en él porque siempre demuestra que no va a cumplir. Eso genera desconcierto e inseguridad.
 
Sin embargo, nosotros seguimos apostándole a lo pactado. Las personas, a pesar de la cuarentena, siguen tratando de cuidar y crear su hábitat, con esfuerzo propio. Sólo hemos recibido ayuda con zinc y cemento, pero de resto estamos prácticamente a puro pulso, si hubiera un gobierno comprometido con la paz, le aseguro que no estaríamos pasando por eso en este momento.
 
¿Cómo vivieron la cuarentena en La Julia, tienen abastecimiento suficiente?
 
Aquí se cumple con aislamiento social en las viviendas y en las familias, pero se está trabajando fuerte en la parte agraria y seguimos impulsando la producción agrícola individual. Nosotros como agricultores y productores tomamos las medidas sanitarias y producimos. Tenemos prohibida la entrada de particulares y hemos recibido orientaciones en la realización de prácticas de higiene como el lavado de manos para evitar el contagio, cuando se necesitan verduras o comida, se envía una persona al pueblo con las medidas de precaución.
 
Hoy cada familia tiene su finca y se abastece de lo que siembra, el plátano queremos venderlo en Bogotá y en Villavicencio, y la leche a las queseras. En el futuro pensamos en la transformación de quesos y yogures, esperamos que el proyecto avance. La propuesta es tener un punto de venta en Bogotá, pero lo que hoy producen y cultivan los muchachos, es para autoconsumo.
 
¿Han tenido brigadas de salud o reporte de casos de contagio por Covid-19?
 
Nosotros no hemos tenido brigadas de salud, llevamos tres años y hasta ahora no hemos visto la primera brigada ni de la Alcaldía, Gobernación, Gobierno nacional, ni de reincorporación, y eso es difícil porque para poder acceder a la EPS nos corresponde ir hasta el municipio de Granada que nos queda a seis horas en carro. Nosotros hoy no tenemos autoabastecimiento suficiente, solo tenemos unos pocos cultivos de plátano y yuca. Estamos en un proceso de construcción de vivienda, pero con nuestros propios recursos.
 
¿Qué expectativa tiene usted frente a este nuevo proyecto de desarrollo rural y cómo están dispuestos a aportar?
 
Nosotros somos afines y la idea es trabajar en colectividad. En la parte productiva, tenemos un fondo rotatorio de ganadería para el mejoramiento del hato ganadero doble propósito (carne y leche), de semillas y de pie de cría. También haremos mejoramientos de potreros, con capacitaciones y arreglos y ampliación de cercado de los potreros y una caseta para elaboración de biopreparados como parte del mejoramiento de bancos proteicos.
 
También tendremos un mejoramiento de establos para ordeño, para que la leche nos deje el recurso para administrar el proyecto y en lo que compete el fortalecimiento administrativo, ustedes nos darán la posibilidad de mantener un equipo financiero que nos apoye[4]. Queremos trabajar con la cooperación y que nos puedan fortalecer en este y nuevos proyectos.
 
¿Después de casi cuatro años de firmado el Acuerdo Final de Paz, qué le quiere decir al gobierno nacional y al país?
 
El mensaje es que nosotros desde la firma del Acuerdo venimos cumpliéndole al pueblo colombiano y al Gobierno nacional en la construcción de paz y en lo pactado en La Habana. No tenemos reciprocidad por parte de ellos y como estamos ubicados en área de reincorporación, no nos reconocen ni nos apoya en tierras para nuestros proyectos productivos, tampoco nos apoyan con recursos para construcción de vivienda, no nos apoyan con salud, ni nos apoyan con servicios básicos. Nosotros firmamos el Acuerdo Final de Paz y en él quedó la firma plasmada de más de 13.000 excombatientes, y el compromiso del Gobierno y de la comunidad internacional es que no sólo se le cumpla a 26 puntos de ETCR, sino a todo el conjunto de la población ‘fariana’ que está en proceso de reincorporación.
 
Los servicios de salud no se ven, nos toca construir nuestros propios ranchos para poder salir de las carpas donde llevamos viviendo por más de dos años y medio. El Acuerdo de Paz se firmó entre un colectivo que se llamaba FARC y el Gobierno nacional, más no entre los ETCR y el Gobierno. Así como llegan recursos para los espacios territoriales y hay propuestas de resolver la problemática allí dentro, se deben reconocer las áreas de reincorporación y deben ser incluidas dentro de los planes de desarrollo nacional, departamental y municipal, pero también que se puedan trabajar las problemáticas de estas comunidades que también le apostaron a la paz y siguen trabajando por ella. Nuestro compromiso de paz es absoluto, pero necesitamos reciprocidad por parte del Estado colombiano.
 
Queremos que se implementen los acuerdos de La Habana, no solo para los excombatientes sino para toda la población. Queremos seguridad para líderes, lideresas y excombatientes, pero los recursos se los dan al Ministerio de Defensa para envenenar la tierra y el agua con glifosato. Nosotros estamos convencidos de que este proceso tiene que fortalecer los cambios estructurales del país. Queremos que se respete el Acuerdo Final de Paz para que se le cierre la vía a la violencia y se pueda hacer política por medio de las palabras. Nuestro empeño es construir paz y es lo que continuaremos haciendo, pero para ello es necesario que el Estado colombiano, en cabeza del presidente Duque, le cumpla al pueblo colombiano con la implementación del Acuerdo y que se pueda avanzar en eso.
 
*La entrevista a Juan de Jesús Monroy la realizó el equipo de comunicaciones de la Federación Luterana Mundial a través de medios digitales, respetando todos los protocolos de aislamiento social y emergencia sanitaria nacional.
 
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[1] Se incluirán más municipios con población reincorporada
[2] PDET: Programas de Desarrollo con Enfoque Territorial
[3] ETCR: Espacio Territorial de Capacitación y Reincorporación
[4] Estos apoyos financieros permiten destinar el 30% del monto total financiado a costos administrativos y de personal
 
Foto: Multiactiva JE
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