Supremo Tribunal do Paquistão absolve Asia Bibi

 
 
Na última terça-feira, 30/10, o Supremo Tribunal do Paquistão declarou inocente Asia Bibi, presa em 2009 e condenada à morte em 2010 por suposta blasfêmia. A corte ordenou a libertação imediata. 
 
A mulher foi presa na aldeia de Ittanwali, província de Punjab, após ter sido denunciada por outras mulheres. Ela teria, segundo as denunciantes, proferido ofensas contra Maomé durante uma discussão.
 
Saif ul Malook, advogado de Asia Bibi, afirmou nesta quinta-feira (01/11) que sua cliente deve deixar o país por questões de segurança, já que teme por sua vida.
 
“Ela não está segura no Paquistão e terá que deixar o país”, disse Malook, que informou que Asia ainda não foi libertada da prisão de Multam, onde está detida, já que o processo para a soltura demora vários dias.
 
“Não sei para onde iria”, reconheceu Malook, a respeito de uma possível busca de asilo político para sua cliente em outro país. O próprio advogado teme por sua vida, apesar de contar com a proteção de dois guarda-costas.
 
Grupos protestam contra a absolvição
 
Integrantes do partido radical Tehreek-e-Labbaik Pakistan (TLP) protestaram. Estradas em cidades como Lahore, Carachi e Islamabad foram fechadas, apesar da advertência feita pelo primeiro-ministro, Imran Khan, que não entrem em confronto com o Estado.
 
Cerca de 250 manifestantes fecharam uma das principais entradas para a capital, na via que une Islamabad com Rawalpindi, disse à Efe o porta-voz da polícia da capital, Abdul Rehman.
 
Os líderes do TLP apelaram à demissão do novo primeiro-ministro Imran Khan e à morte de Nasir e dos outros dois juízes que reverteram a sentença. "O líder do TLP, Muhammad Afzal Qadri, emitiu um édito que afirma que o juiz e todos os que ordenaram a libertação de Asia merecem a morte", afirmou o porta-voz do partido, Ezra Ashrafi. 
 
Decisão histórica
 
A acusação e condenação à morte por enforcamento de Asia Bibi, a primeira a ser assim condenada à morte sob as leis de blasfêmia do Paquistão, revoltou comunidades cristãs em todo o mundo e dividiu o país. Dois políticos que lutaram pela sua libertação, um deles o ministro para as minorias, que também era cristão, foram assassinados. Por isso mesmo, a decisão é considerada histórica.
 
Sob a lei de blasfêmia, insultar o profeta Maomé é punível com morte. Atualmente, as acusações de blasfêmia provocam uma tal resposta emocional por parte da sociedade que é quase impossível alguém defender-se contra elas. A lei não é precisa quanto às situações em que se pode ocorrer e a produção de prova é escassa por receio de ser cometida nova ofensa. Muitos acusados acabam assassinados por turbas enfurecidas antes sequer dos tribunais poderem apreciar o caso.
 
Foto: Associated Press