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21 de janeiro, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

 
Celebramos hoje, 21 de janeiro, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A Lei Federal 11.635/07, que cria o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, surgiu como uma homenagem à Iyalorixá Gildásia dos Santos – a Mãe Gilda. A religiosa morreu em 21 de janeiro de 2000 vítima de complicações de um infarto após ter sua foto publicada na matéria "Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes", do jornal Folha Universal. A casa onde ela residia foi invadida, seu esposo foi ofendido e agredido e o Terreiro depredado.
 
Mas o Brasil é um Estado Laico. Se é laico, não possui religião oficial ou uma crença que mereça privilégios em detrimento de outras. Em um país laico, todas as expressões religiosas devem ser igualmente respeitadas e atendidas em suas diferentes demandas - sobretudo protegidas! Por isso, é papel do Estado garantir liberdade de culto não apenas às igrejas cristãs, mas também às mesquitas, sinagogas, templos budistas, casas de umbanda, terreiros de candomblé, centros espíritas, etc.
 
Cabe lembrar - sempre é bom lembrar - que a intolerância religiosa é CRIME, vide artigo 20 da Lei 7.716/89. Induzir ou incitar discriminação e preconceito em razão da religião prevê pena de 1 a 3 anos, além de multa. Assim, se você não concorda ou não gosta da fé praticada pelo seu amigo, por sua vizinha ou pelo coleguinha de trabalho, tem esse direito. Mas deixe que eles sigam em paz... e como diz um ditado popular, “o seu direito acaba onde começa o dos outros”.
 
Uma denúncia a cada 15 horas
 
O Brasil registra uma denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas. Os adeptos de religiões de matriz africana estão entre os principais alvos. Casos recentes, como os ataques nas redes sociais contra a imagem, o legado e a memória de mãe Stela de Oxóssi, no fim do ano passado, e os ataques a terreiros em comunidades do Rio, deixam claro que muita coisa precisa mudar.
 
Nem tudo está perdido
 
No Paraná, religiosos se reunirão para dizer NÃO à intolerância. Estarão lá diversas lideranças cristãs, representantes das religiões de matriz africana e indígenas, judeus, muçulmanos, bahá'ís, messiânicos, gnósticos, entre outros. Uma das presenças confirmadas é a do primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), dom Naudal Alves. A IEAB é igreja-membro do CONIC. Outra atividade vai ser em Brasília, no Templo da Boa Vontade. Por lá, lideranças e praticantes de diversas religiões também estarão reunidos para tratar do assunto. A secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, confirmou presença.
 
Para Romi, ter uma data lembrando o combate à intolerância religiosa é muito importante. "Nosso país já prevê a separação entre religião e Estado na Constituição, além da liberdade religiosa, mas ter um dia especial para reafirmar que a intolerância religiosa não pode ser aceita é fundamental para lembrarmos que somos um país não apenas de  uma religião, mas com muitas religiões e, também, com pessoas que optam em não ter religião. Infelizmente, os casos de intolerância religiosa têm crescido. Talvez uma das razões para isso seja a necessidade de reafirmação das identidades religiosas. Quanto mais me fecho em minhas verdades, menos tolerância e respeito tenho pelo outro. Neste sentido, a proposta ecumênica torna-se pedagógica, porque afirma que a diversidade religiosa é expressão da graça de Deus", afirmou.
 
O que fazer?
 
Reúna amigos da igreja, da escola ou do seu bairro para debaterem o tema. Conversar sobre o assunto já é um bom sinal. Tente propor reflexões no sentido de "se colocar no lugar do outro". E não esqueça: você não é obrigado a praticar “minha religião”, mas precisa cultivar o respeito. 
 
CONIC com informações de: Brasil de Fato, Bem Paraná, Portal Vermelho
Imagem: Ateliê15 / CONIC