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Igreja encerra culto de 3 meses após família conseguir asilo na Holanda

 
Após 96 dias de serviços religiosos ininterruptos, teve fim, na última quarta-feira (30/01), o rodízio feito por protestantes de uma igreja da Holanda que impediam a deportação de uma família de armênios. O governo concordou em abrir uma exceção nas regras imigratórias e abrigar os estrangeiros.
 
Sasun Tamrazyan, sua esposa Anousche e seus três filhos estavam confinados dentro da Igreja de Bethel, na cidade holandesa de Haia, desde outubro do ano passado. Uma lei holandesa proíbe a polícia de entrar em templos durante serviços religiosos e, em razão disso, centenas de pastores se revezaram, durante esse tempo, em sucessivas celebrações.
 
O acordo, estabelecido pelo Parlamento holandês na última terça-feira, garantiu a permanência da família armênia e de outras famílias — com crianças nascidas ou criadas na Holanda — que tiveram seus pedidos de asilo negados.
 
O grupo engloba cerca de 700 crianças e a expectativa é de que, após a revisão dos pedidos de asilo por parte do governo, pelo menos 90% delas possam ficar. Como os pais não podem mais ser deportados, o total chegará a 1.300 crianças e adultos.
 
Para evitar que outras famílias sem nenhuma outra perspectiva de se qualificar para a residência permanente tenham raízes na Holanda, o governo também tentará acelerar os procedimentos de asilo.
 
— Nós estamos incrivelmente gratos que centenas de famílias refugiadas terão um futuro seguro na Holanda — disse o porta-voz da Igreja de Bethel, Theo Hettema, nesta quarta-feira.
 
Apesar de tudo, Hettema disse que a Igreja estava preocupada sobre as consequências das futuras políticas de imigração.
 
A luta pelo "perdão das crianças" pressiona o governo de centro-direita do primeiro-ministro Mark Rutte, que tem maioria de um assento na Câmara dos Deputados e parece estar prestes a perder a maioria do Senado nas eleições de 20 de março.
 
O Partido Liberal de Rutte está tentando apresentar uma postura dura em relação à imigração para evitar perder terreno para partidos da oposição, como o Partido da Liberdade, de política anti-imigratória e liderado pelo político Geert Wilders.
 
Embora a decisão de terça-feira tenha sido uma boa notícia para os Tamrazyans, chegou tarde demais para outra família, os Grigoryans. Essa família de cinco pessoas, com crianças de 3 a 8 anos, foi deportada para a Armênia no início da semana passada, quando o gabinete começou a deliberar sobre o assunto.
 
— Isso é injusto e muito doloroso — disse o advogado deles à agência de notícias holandesa ANP na quarta-feira. — Se a deportação deles tivesse sido adiada por alguns dias, a família teria permissão para ficar.
 
O governo também anunciou que, à medida que o novo acordo permite que mais pessoas permaneçam na Holanda, o país irá receber apenas 500 pessoas por ano, em vez de 750, dos campos de refugiados administrados pela ONU em zonas de guerra.
 
Foto: Peter Wassing