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O ecumenismo quer formar uma única e Toda Poderosa Igreja?

 
Algumas lideranças cristãs e membros de comunidades “torcem o nariz” quando ouvem o termo Ecumenismo. Na visão deles, o Ecumenismo tem por objetivo juntar as igrejas e, no fim, formar uma Única Igreja, mesclando ritos, costumes, hinos, diaconias e tudo mais, de modo que não exista mais tantas denominações cristãs como hoje, mas sim uma única e Toda Poderosa Igreja.
 
Quem pensa assim precisa urgentemente rever os conceitos.
 
Dentro do movimento ecumênico não há qualquer interesse parecido com isso. Muito pelo contrário! Enfatiza-se que as diferenças enriquecem a prática cristã do diálogo. Por exemplo: se na sua igreja as pessoas cantam mais animadamente e na minha tudo é mais formal, a ideia não é criarmos um “meio termo” para juntar ambas; mas sim que você compreenda que Deus está tanto nas “coisas formais”, quanto nas “coisas mais animadas”. E assim caminhamos – ecumenicamente – com a consciência de que Deus se manifesta nessa diversidade.
 
Para criticar o ecumenismo, alguns citam documentos antigos, muitas vezes escritos por um grupo de religiosos que não falavam em nome de toda a denominação, nos quais defendiam que o objetivo do ecumenismo era “promover conversões para a religião dominante”.
 
Além de equivocado, esse argumento está ultrapassado. 
 
No movimento ecumênico, a ideia é que católicos, evangélicos, protestantes, ortodoxos, anglicanos e muitos outros grupos cristãos se sentem à mesa para debater sobre temas que a eles são comuns, por exemplo: o testemunho cristão em terras distantes; os trabalhos sociais que se podem fazer juntos; a produção acadêmica; liberdade religiosa; entre outros.
 
Tendo um pouco de boa vontade, fica fácil perceber que todo cristão pode – e deve – praticar mais o diálogo ecumênico. O objetivo nunca será “mostrar que a sua igreja está mais certa do que a minha”. Se começar assim, é melhor nem começar! O objetivo primaz do diálogo ecumênico é ver “o que temos em comum” e, a partir disso, caminhar lado a lado em questões que podem envolver desde temas teológicos até serviços voluntários.
 
Maior é o que nos une do que aquilo que nos separa – diz um adágio popular. 
 
Jesus nos une em torno de uma certeza: “eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10:10). E essa certeza é comum a todos os grupos cristãos, do Oriente ao Ocidente. De Norte a Sul. Sem exceções! Portanto, aqueles argumentos de que “não podemos nos sentar com eles” em função de pontos secundários da fé cristã pode, em última análise, ser um pouco de vaidade. Ou medo de perder “mercado”. Sim, pois enquanto as igrejas se comportarem como “concorrentes” umas das outras, daí realmente será difícil estabelecer diálogos.
 
Tem uma passagem bíblica que fala sobre isso. Ela é muito significativa e deveria ser melhor estudada, compreendida e vivida dentro das igrejas. Trata-se de Marcos 9:38-41:
 
38 - Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue.
 
39 - Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.
 
40 - Porque quem não é contra nós, é por nós.
 
41 - Porquanto, qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão.
 
Veja a sutileza com que Jesus lida com a situação! 
 
Trazendo para os dias de hoje, podemos fazer um exercício rápido e transformar o texto da seguinte maneira:
 
38 - Jesus, vimos um que em teu nome um pastor/padre/reverendo expulsava demônios, mas esse líder religioso não é da nossa igreja; e nós lho proibimos, porque não frequenta nosso templo, não canta nossos hinos, não comunga como nós.
 
Qual seria a resposta de Jesus? 
 
Não lho proibais, “porque quem não é contra nós, é por nós”.
 
Muitas vezes, o diálogo cristão (ecumenismo) não acontece porque os grupos tendem a querer fazer valer suas verdades (práticas e doutrinas) em detrimento das verdades do outro. Quando compreendemos que o mais importante é o nosso testemunho seja UNO (João 17:21), daí podemos dar um passo a mais para “caminhar a segunda milha” com aquele meu irmão e com aquela minha irmã que pensa diferente de mim, canta e cultua diferente de mim, mas dá o mesmo testemunho do que eu: porque Deus amou o mundo de tal maneira... (João 3:16).
 
A caminhada ecumênica (de unidade cristã) não quer, nem nunca quis, formar uma Supra-Religião. É engano daqueles que não compreenderam o ecumenismo. O ecumenismo pressupõe que você permaneça na sua igreja e eu na minha. Mas que possamos, juntos, caminhar no testemunho de Cristo e fazer com que esse testemunho se transforme em algo de útil para a sociedade.
 
Imagine, por exemplo, católicos e evangélicos organizando juntos grandes campanhas de doação de sangue? Ou realizando momentos de reflexão e diálogo sobre fé e caridade? Imagine o poder que isso não teria frente aos desafios que um país como o Brasil tem? Poderia ser transformador. Mas para isso – repito – as igrejas precisam se despir da ideia de “concorrência”. Atividades como a citada acima já até ocorrem, mas ainda bastante timidamente.
 
No último ano, 2018, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) em Divinópolis reuniu membros da Igreja Quadrangular e da Igreja Católica local. O bispo diocesano, dom José Carlos, proferiu sermão na Quadrangular e, depois, assistiu a um belíssimo culto com louvores e adorações a Deus. Foi lindo. Entre os membros de ambas as igrejas prevaleceu a cordialidade. Nada de proselitismos ou apontamentos. O amor cristão deu o tom da comemoração. No último dia da SOUC, o grupo de louvor da Quadrangular foi na sede de uma comunidade católica e “tirou todo mundo do chão” com hinos pra lá de animados. Mais uma vez, prevaleceu a harmonia.
 
 
E depois? Os membros da Quadrangular continuaram na Quadrangular. E os membros da Igreja Católica continuaram na Igreja Católica. Sabe o que mudou? É que a partir daquele momento todos passaram a se olhar com muito mais carinho e respeito, tal como irmãos e irmãs.
 
Isso é ecumenismo.