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Joinville recebe oficina sobre imigrantes e refugiados

 
Vai ser realizada, nos dias 22 e 23 de março, em Joinville, Santa Catarina, mais uma oficina Imigrantes e Refugiados – Desafios da Casa Comum. O evento, que já está com as inscrições abertas, será sediado na Católica de Santa Catarina: rua Visconde de Taunay, 427, bairro centro – Auditório H 18.
 
O objetivo é sensibilizar igrejas e comunidades de fé para a situação das pessoas imigrantes e refugiadas, procurando ampliar a rede de acolhida; criar espaços de escuta e diálogo com pessoas imigrantes e refugiadas a fim de identificar as principais dificuldades enfrentadas por elas no Brasil e, finalmente, aumentar a ação de incidência pública com o objetivo de denunciar violações de direitos e propor estratégias para ampliar os mecanismos de proteção.
 
Mesa e Programação
 
No dia 22 de março, com início às 18 horas para credenciamento, a mesa será composta por Valéria Vilhena, fundadora das Evangélicas pela Igualdade de Gênero, teóloga, mestre em Ciências da Religião e doutora em Educação e História Cultural. Desde 2007 envolvida em pesquisas com violências domésticas entre mulheres evangélicas. Henrique Vieira também fará parte da mesa de abertura: professor, cientista social, historiador, teólogo, pastor e ator. Vieira acredita num cristianismo humanista, libertário e inclusivo. A mediação ficará por conta da secretária-geral do CONIC, Romi Benke.
 
No dia 23 de março, pela manhã, acontecerá um estudo sobre a Nova Lei de Migração A assessoria é por conta Emanuely Gestal da Silva, agente de proteção no Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante em Santa Catariana (Crai). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuou na área da imigração na Defensoria Pública da União/SC de 2016 a 2018. Participou do projeto de extensão “Cátedra Sérgio Vieira Mello: Ações de Capacitação em Direitos Humanos e Proteção aos Refugiados”, em Florianópolis/SC. Hoje ela realiza pesquisas no grupo EIRENÉ – Centro de Pesquisas e Práticas Pós-coloniais e Decoloniais aplicadas às Relações Internacionais e ao Direito Internacional. 
 
No período da tarde haverá o “jogo” Imigrantes e Refugiados – Desafios da Casa Comum, que irá propor uma imersão nas realidades experimentadas por imigrantes e refugiados. 
 
Vagas limitadas
 
O encontro terá espaços para plenárias e encaminhamentos de atividades. Para a palestra de abertura há 100 vagas. Para o segundo dia, 60 vagas.
 
 
A situação do Imigrante em Joinville
 
Os imigrantes que chegam a Joinville notam logo de início o descaso do poder público. A maior cidade do estado não possui casa de passagem e tampouco um local que possa receber pessoas de outros países e que passam por necessidades. A única forma de apoio do poder público é pelo Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) como porta de entrada para os programas sociais, porém, esse trabalho não é tão simples, já que os imigrantes sofrem com a falta de profissionais que falem no mínimo o Inglês para facilitar a comunicação. 
 
Uma discussão foi aprofundada pelo Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Braz (CDH), um dos principais defensores de medidas que acolhesse quem chega à cidade. Outras instituições e organizações populares também fazem trabalhos pontuais, como aulas de Língua Portuguesa, cursos profissionalizantes, assistencial e emergencial. 
 
“Muitas vezes, o serviço público encaminha os imigrantes para estas organizações, uma vez que não dá conta do atendimento por falta de políticas públicas”, relata a jornalista Lizandra Carpes, do Centro dos Direitos Humanos. 
 
Na cidade, um dos projetos realizados com os imigrantes é do Exército da Salvação (ES). Atualmente, eles dão aulas e assessoramento às famílias no Centro Integrado João de Paula. A Assistente Social do ES, Damaris Alves, explica que os cursos e o assessoramento são semanais. “O assessoramento, a defesa e garantia de direitos acontecem todos os sábados, durante todo o dia, por meio de cursos. Pela manhã, são ensinados o português básico e o intermediário, com duas horas de duração, e cursos de corte e costura, panificação, com duas horas e meia, além de inclusão digital”, conta. 
 
Os imigrantes que participam das atividades no Exército da Salvação recebem almoços gratuitos. Além disso, para quem tem filhos, há um espaço específico onde voluntários cuidam das crianças.
 
O trabalho do Exército da Salvação tem em sua essência o trabalho social sem discriminação, seja pela raça, cor, religião ou orientação sexual. Atualmente, também desenvolvem um trabalho em Roraima. “Temos o trabalho com nossos irmãos haitianos aqui e, da mesma forma, estamos lá em Boa Vista (RR) trabalhando com os venezuelanos. Além das necessidades básicas, levamos um pouco de alento, amor e esperança para aqueles que deixaram tudo para trás buscando uma vida melhor”, afirma a tenente de ES, Josiane Rodrigues. 
 
Um dos principais motivos para o CONIC desenvolver trabalhos de conscientização em Joinville é porque o município é muito visado por imigrantes. 
 
“Percebemos que um número significativo de imigrantes opta pelas regiões Sudeste e Sul por causa da possibilidade de trabalho em empresas e indústrias”, pontua Romi. Para a pastora, é importante desenvolver o tema, pois, o Brasil sempre foi visto como um país hospitaleiro. “Quando olhamos para as dificuldades enfrentadas por imigrantes e refugiadas em nosso país, percebemos que o espírito de hospitalidade não é tão real conforme propagado”, afirma. Romi acredita que o país é hospitaleiro dependendo do imigrante. “Somos bastante hostis com a pessoa estrangeira que vem para o país em busca de melhores condições de vida. A hostilidade aumenta quando estas pessoas vêm de países africanos”, explica.
 
Serviço:
 
Imigrantes e Refugiados – Desafios da Casa Comum
 
Oficina Imigrantes e Refugiados – Desafios da Casa Comum
Onde: Centro Universitário - Católica de Santa Catarina – Auditório H 18
Rua: Visconde de Taunay, 427, Centro.
Data: 22 e 23 de março
Horário: Das 18h às 22 horas – 22 de março
Das 8h às 17h – 23 de março
 
 
Com informações de Lizandra Carpes
Imagem: Reprodução / Mirian Reis