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Conselho Mundial de Igrejas saúda participantes da XVIII Assembleia do CONIC

O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) enviou uma carta de saudação para os participantes da XVIII Assembleia Geral do CONIC. O documento, que cita alguns desafios contextuais a nível de Brasil, foi assinado pelo secretário geral do CMI, Olav Fykse Tveit (foto abaixo). Confira a carta na íntegra.
 
 
Genebra, 28 de maio de 2019
 
Caros irmãos e irmãs presentes na 18ª assembleia geral do CONIC,
 
Saudações da sede do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra, Suíça. Saúdo-vos, nesta ocasião especial, com as palavras do salmista, que nos lembra que “bem-aventurados são os que agem com justiça, que fazem sempre o bem” (Salmos 106: 3).
 
Estou orando para que possam ter um bom encontro, com reflexões e deliberações sobre uma série de questões importantes que surgem em um momento muito desafiador para o seu país.
 
Tenho acompanhado cuidadosamente as últimas notícias do Brasil. É preocupante perceber que as vozes e os direitos dos povos indígenas, das mulheres, dos estudantes e da sociedade civil em geral estão sendo ameaçados por líderes que deveriam governar pelo bem-estar de todos os cidadãos. Além disso, a nova abordagem que o governo brasileiro está dando aos cuidados com o meio ambiente no país é motivo de grande preocupação.
 
Tendo em mente que tanto o CONIC como o Conselho Mundial de Igrejas foram fundados nos princípios fundamentais da busca da unidade cristã e da promoção da justiça e da paz, acredito que é hora de unirmos esforços novamente e explorarmos como podemos complementar os papéis proféticos um do outro. A Secretária Geral do CONIC, Rev. Romi Bencke, pode atualizá-los sobre como estamos preparando uma cooperação mais próxima com as igrejas no Brasil para avaliar os desafios atuais. Temos discutido várias alternativas e acreditamos que estamos perto de promover um espaço sólido na arena internacional para as igrejas no Brasil expressarem suas preocupações e receberem apoio em seu trabalho.
 
Em 2021, a comunhão de 350 igrejas que formam o Conselho Mundial de Igrejas celebrará sua 11ª Assembleia, em Karlsruhe, Alemanha. O tema da Assembleia será “O amor de Cristo leva o mundo à reconciliação e à unidade”, uma formulação que tem grande potencial para comunicar nossos objetivos e metas em qualquer esforço que façamos como igrejas em todo o mundo.
 
Numa recente reflexão sobre o tema da Assembleia, formulei duas perguntas que poderiam nos ajudar a explorar algumas de suas dimensões também para o nosso trabalho de incidência pública: “O que as igrejas querem dizer hoje em dia? O que é que o mundo precisa agora?”
 
Talvez vocês podem também formular uma pergunta semelhante, inspirada em seu contexto nacional: o que o Brasil precisa agora?
 
Pode ser interessante explorar o que as igrejas têm a dizer sobre esse assunto.
 
 Às vezes, mesmo as comunidades da fé cristã podem se tornar autocentradas e fechadas em si mesmas - o que causa divisão e até de conflitos, com efeitos negativos muito além de seus próprios círculos.
 
Vivemos numa época em que a religião é um dos fatores de divisão no mundo, ou pelo menos é usada para dividir ou para outros propósitos além da motivação estritamente religiosa.
 
É hora de voltarmos ao básico. A mensagem de Jesus Cristo é exclusiva no sentido de que, numa igreja cristã, nada mais pode definir o que a igreja é senão o amor.
 
Como poderia o movimento ecumênico, tentando unir as igrejas neste chamado e trazer os sinais do reino de Deus (justiça, paz e alegria) para este mundo - como este movimento poderia ser algo diferente de um movimento de amor?
 
No movimento ecumênico, insistimos em que não há paz real sem justiça, que não há transformação real e boa do mundo sem justiça. E que também não há amor real sem justiça. Portanto, quando lidamos com a realidade de que o Brasil enfrenta ameaças à integridade de seu meio ambiente e aos direitos humanos básicos de seu povo, tenhamos em mente essa dimensão de justiça trazida pelo Salmista e o urgente chamado de amor que inflama nossas congregações, paróquias e comunidades em todo o mundo.
 
Afinal, é esse amor de Cristo que nos move (2Co 5:14).
 
Desejo-lhe todas as bênçãos nas suas deliberações e aguardo com expectativa os resultados.
 
Seu, em Cristo
 
Rev. Dr. Olav Fykse Tveit
Secretário Geral
Conselho Mundial de Igrejas
 
Foto: CMI