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Refletindo sobre a SOUC: o Supermercado Brasil e a Casa Comum

 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), formado pela Aliança Batista do Brasil (ABB), Igreja Católica Apostólica Romana (CNBB), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), realiza, anualmente, a Semana de Oração pela Unidade Cristã.
 
Na carta escrita por lideranças das igrejas-membro, lemos que “a Semana de Oração pela Unidade de 2019 foi preparada pelas igrejas da Indonésia, um país multirreligioso e com uma diversidade étnica surpreendente. No entanto, a pluralidade ao invés de ser motivo de alegria e celebração, tem sido em algumas situações, causa de divisões e agressões. Assim como no Brasil, na Indonésia, o fundamentalismo religioso ou a supremacia de um grupo étnico sobre outro, tem significado forte divisão no país, que também é caracterizada por acentuada desigualdade econômica”.
 
“As igrejas da Indonésia nos convidam a refletir sobre a justiça a partir da unidade na diversidade, conceito importante para o ecumenismo. A justiça precisa garantir a dignidade e a integridade de todas as expressões culturais e religiosas e precisa zelar pela Criação de Deus”, diz outro trecho do documento.
 
O Brasil está passando por contínuo processo de polarização prolongada, desde a disputa eleitoral de 2014, impeachment da ex-presidente Dilma e eleições de 2018. Feridas abertas e não cicatrizadas, discurso de ódio para todos os lados.
 
De que lado você está, vermelho ou azul? Pobres ou ricos? Burro ou inteligente? Capitalista ou socialista? Brancos ou negros? Periferia ou asfalto? Qual a tua religião? Palestina ou Israel? Com muro ou sem muro? Contra ou a favor das migrações?  
 
O marketing do ódio também utiliza os 4Ps, do marketing tradicional, Preço, Produto, Promoção e Ponto de venda e, no centro, estamos nós distribuindo de alguma forma reflexos do ódio, e sendo segmentados. Podemos imaginar um Supermercado chamado Brasil, com gôndolas, e brasileiros separados como produtos, mercadorias, marionetes, que são posicionadas de acordo com interesses de poder nos seguimentos da política, religião, justiça, empresarial e manutenção de influência nos altos escalões da república.
 
Técnicas de marketing e propaganda política premeditadas, orgânicas, que acabam por dividir de forma perversa a sociedade brasileira, o clássico NÓS contra ELES, estimulado e turbinado cegamente nas redes sociais. Quem de nós não tem um relato pra contar? Sem falar no festival fake news.
 
Temos muitos problemas pretéritos e presentes, estamos cada vez mais segmentados, separados, e o número de gôndolas aumenta na velocidade da complexidade dos problemas e no grau de ódio. Isto não significa, que precisamos desesperadamente de “propensas divindades”, salvadores da pátria, populistas, super-togas e super-heróis nas cores verde-oliva. “Procurarás a justiça, nada além da justiça” (cf. Dt 16, 18-20).
 
Vamos lembrar que, desde há muito, e ainda hoje, práticas do submundo da república tentam a todo o momento enfraquecer os três poderes, pilares da república, alicerces da democracia. Nossa democracia exige, mais do que nunca, especialmente os mais de 14 milhões de desempregados, unidade e ações eficazes que tenham impacto no nosso cotidiano.   
 
O que foi e será revelado pela luz da justiça é válido também para todos nós que somos igreja, independente de hierarquias, denominações e crenças, mas que buscamos na nossa diversidade promover o bem comum, fortalecidos na comunhão, unidos na construção da pacificação e respeito às diferenças tão presentes nas “gôndolas” do Supermercado Brasil.
 
“Que todos nós que acreditamos em Deus; Saibamos viver em paz e dialogar; Que todos nós que cremos que deus é pai; Saibamos nos respeitar e nos abraçar; Filhos do universo; Filhos do mesmo amor; Saibamos amar uns aos outros; Ouvir o que o outro nos tem à dizer; E sem combater; Sem desmerecer; Primeiro escutar; Depois discordar; Por fim, celebrar e orar; E adorar e servir a Deus; E ajudar e ajudar as pessoas; E respeitar os ateus”. (Canção Ecumênica, padre Zezinho).
 
 
Texto: Dado Galvão, cineasta documentarista, Bacharel em Administração em Marketing pela FTC, Especialista em Fotografia pela UNIARA, estudante de Teologia Católica pela UNITER, agente da Pastoral Carcerária da Diocese de Jequié/BA, idealizador da missão cultural e humanitária Ushuaia, Venezuela.
 
Imagem: Reprodução / Dado Galvão