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Uma história sobre o perdão: Houve dor, mas não ódio - por James Faust

 
Nas belas montanhas da Pensilvânia, um grupo de cristãos leva uma vida simples, sem automóveis, eletricidade ou máquinas modernas. São trabalhadores e levam uma vida pacífica e tranquila, separados do mundo. A maior parte do alimento que consomem provém do cultivo em suas próprias fazendas. Eles são conhecidos como o povo Amish.
 
Um motorista de caminhão de leite, de 32 anos, morava com sua família na comunidade de Nickel Mines. Ele não era Amish, mas sua rota de trabalho passava por muitas fazendas leiteiras Amish. Em outubro de 2006, ele subitamente perdeu toda a razão e controle. Em sua mente atormentada, culpou a Deus pela morte de seu primeiro filho e por algumas lembranças incertas. Invadiu uma escola Amish sem qualquer provocação, libertou os meninos e os adultos, e amarrou as 10 meninas. Atirou nelas, matando cinco e ferindo cinco. Depois, tirou a própria vida.
 
Essa violência chocante causou grande angústia entre os Amish, mas não raiva. Houve dor, mas não ódio. Seu perdão foi imediato. Coletivamente, eles começaram a procurar ajudar a família aflita do leiteiro. Quando a família do leiteiro se reuniu em casa no dia seguinte à tragédia, um vizinho Amish se aproximou, abraçou o pai do atirador morto e disse: “Perdoamos vocês”. Os líderes Amish visitaram a esposa e os filhos do leiteiro e expressaram seu pesar e perdão, e ofereceram ajuda e amor. Quase metade dos presentes no funeral do leiteiro eram Amish. Por sua vez, os Amish convidaram a família do leiteiro para assistir ao funeral das meninas que foram mortas. Uma extraordinária paz se espalhou pela comunidade Amish, com sua fé dando-lhes amparo naquele momento de crise.
 
Um residente local resumiu de modo muito eloquente as consequências daquela tragédia, dizendo: “Estávamos falando a mesma língua, não apenas inglês, mas a linguagem da solicitude, a linguagem da comunidade e a linguagem do serviço. E, sim, a linguagem do perdão”. Foi uma admirável manifestação da plena fé que eles tinham nos ensinamentos do Senhor no Sermão da Montanha: “Fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam”.
 
A família do leiteiro a seguinte declaração pública:
 
“Para nossos amigos, vizinhos e a comunidade Amish local,
 
Nossa família deseja que cada um de vocês saiba que estamos profundamente tocados por seu perdão, graça e misericórdia para conosco. Seu amor por nossa família ajudou a promover a cura de que tão desesperadamente precisávamos. As orações, flores, cartões e presentes que vocês nos deram tocaram nosso coração a tal ponto que não há palavras para expressar. Sua compaixão estendeu-se além de nossa família, além de nossa comunidade, e está mudando o nosso mundo, e agradecemos sinceramente por isso.
 
Saibam que sentimos profundamente por tudo o que aconteceu. Estamos cheios de pesar por todos os nossos vizinhos Amish, a quem amamos e continuaremos a amar. Sabemos que ainda haverá muitos dias difíceis para todas as famílias que perderam algum ente querido, por isso continuamos a depositar nossa esperança e confiança em Deus, a fonte de todo o consolo, enquanto todos procuramos reconstruir nossa vida”.
 
Como foi que toda a comunidade Amish conseguiu manifestar tamanho perdão? Foi devido à fé em Deus e à confiança na Sua palavra, que já fazem parte de seu ser. Eles se consideram discípulos [e discípulas] de Cristo e querem seguir Seu exemplo.
 
Ao saberem dessa tragédia, muitas pessoas enviaram dinheiro aos Amish para pagar as despesas do tratamento médico das cinco meninas sobreviventes e do sepultamento das cinco que foram mortas. Os Amish, outra vez, demonstraram ser discípulos [e discípulas] de Cristo ao decidirem compartilhar esse dinheiro com a viúva do leiteiro e seus três filhos, porque eles também foram vítimas daquela terrível tragédia.
 
James E. Faust (1920 – 2007) foi um advogado americano, membro do Comitê de Advogados pelos Direitos Civis e Conflitos Raciais
Artigo publicado originalmente por LDS.org