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Amós: o agropecuarista que denunciou a injustiça social

 
O dia 20 de fevereiro foi instituído pela ONU como o Dia Mundial da Justiça Social. A instituição da data tem como objetivo reconhecer e consolidar os esforços no domínio da erradicação da pobreza e no que se refere a promover o pleno emprego e o trabalho digno, a igualdade de gênero e o acesso ao bem-estar social e à justiça para todos. A campanha Renovar Nosso Mundo tem como fundamento bíblico viver na justiça e procurar a justiça. Acreditamos que é preciso renovar o jeito do mundo funcionar para que nenhuma pessoa mais seja oprimida pela pobreza. É preciso renovar a criação para que ela continue a cuidar da gente e renovar a esperança de cada pessoa para que elas também possam ter o suficiente.
 
Confira, a seguir, o artigo do pastor Elben César sobre a atuação profética de Amós – o agropecuarista que abriu o verbo contra a injustiça social praticada em Israel. Suas denúncias são precisas e frontais.
 
Agropecuarista põe a boca no trombone
 
Na metade do século sétimo antes de Cristo, um agropecuarista chamado Amós, nascido perto da cidade de Belém, abriu o verbo contra a berrante injustiça social que era praticada em Israel na época do rei Jeroboão (do ano 793 a 753 a.C.). Suas denúncias são precisas e frontais:
 
Vocês “vendem por prata o justo, e por um par de sandálias o pobre” (Am 2.6).1 Em outras palavras: Vocês recebem dinheiro por fora (suborno) para condenar o inocente e estão vendendo os pobres como escravos por não terem eles como pagar a dívida irrisória (“um par de sandálias”).
 
Vocês “pisam a cabeça dos necessitados como pisam o pó da terra, e negam a justiça ao oprimido” (Am 2.7).
 
Vocês “não sabem agir com retidão” e “acumulam em seus palácios o que roubaram e saquearam” (Am 3.10).
 
“Vocês estão transformando o direito em amargura e atirando a justiça ao chão” (Am 5.7). Em outras palavras: Vocês estão corrompendo os tribunais, transformando-os em instrumento da injustiça.
 
“Vocês odeiam aquele que defende a justiça no tribunal e detestam aquele que fala a verdade” (Am 5.10). Em outras palavras: Vocês não se conformam com o trabalho dos reformadores sociais nem com o testemunho daquele que não faz uso da mentira.
 
“Vocês oprimem o pobre e o forçam a dar-lhes o trigo” (Am 5.11). Em outras palavras: Vocês fazem o que Faraó fez com seus pais — retiram dos trabalhadores braçais certos benefícios e exigem a mesma produção (Êx 5.6-9).
 
“Vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais” (Am 5.12). Em outras palavras: Vocês mesmos não praticam justiça nem deixam praticar aqueles que gostariam de fazê-lo (Mt 23.13).
 
“Vocês bebem vinho em grandes taças e se ungem com os mais finos óleos, mas não se entristecem com a ruína de José” (Am 6.6). Em outras palavras: Vocês usufruem do bom e do melhor, têm cada vez mais, e os outros passam fome e têm cada vez menos.
 
“Vocês transformaram o direito em veneno, e o fruto da justiça em amargura” (Am 6.12). Em outras palavras: Vocês estão de tal modo corrompidos que são capazes de fazer coisas absurdas, como lavrar os rochedos com uma junta de bois e transformar o fruto da justiça (paz, tranquilidade e confiança, segundo Isaías 32.17) em amargura. É o mesmo que transformar pão em pedra, vinho em água, ovo em serpente, santidade em perversão.
 
Vocês comercializam o trigo, “diminuindo a medida, aumentando o preço, enganando com balanças desonestas e… vendendo até palha com o trigo” (Am 8.5,6).
 
 
Nota: Conteúdo publicado originalmente na Revista Ultimato,
sob o título “Agropecuarista põe a boca no trombone”.
 
Foto: Reprodução