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Mudança e a praça pública... por Sheryl Haw

 
Em algumas das minhas conversas com pastores e líderes ao redor do mundo, eu ouço comentários a respeito de como “a situação do mundo está terrível e como as coisas estão piorando, mas tudo isso deve acontecer como sinal do fim dos tempos…!” Esse tipo de comentário sempre me perturba. Eu elevo essa indagação a Deus em minhas orações: Senhor, é possível que realmente haja mudança? É possível que sociedades e nações mudem?
 
Quando eu penso no meu próprio testemunho ou leio o testemunho de outras pessoas, eu fico maravilhada com o nível de mudança que é possível. Às vezes de forma lenta ao longo do tempo, e outras vezes de forma dramática e imediata.
 
Na série de webinars que fizemos com o Chris Wright há pouco tempo, ele falou sobre a história do Êxodo dos Israelitas do Egito e conversamos sobre a salvação coletiva. Imagina se Deus tivesse que resgatar uma pessoa por vez na hora de cruzar o Mar Vermelho! Também temos a história no Novo Testamento sobre um encontro com Jesus que levou a um lar inteiro escolhendo seguir a Cristo.
 
Todos concordamos que a mudança pessoal e a transformação pessoal é uma possibilidade e uma realidade. A pergunta é: nós acreditamos que a sociedade pode mudar?
 
Eu me lembro de uma questão levantada por uma das Expressões Nacionais da Miqueias, quando nós publicamos pela primeira vez a nossa declaração de visão, que diz: “Comunidades vivendo a vida em toda sua plenitude, livre da pobreza, da injustiça e do conflito.” Eles me desafiaram dizendo que essa declaração era muito utópica. De certo modo, eu concordo: a sociedade nunca será perfeita até que Cristo volte. A nossa visão nos aponta para essa esperança a fim de que possamos focar as nossas energias na construção dessa realidade. A pergunta é: as coisas podem mudar hoje e se tornarem melhores do que elas são? Os nossos esforços fazem alguma diferença e vale a pena dedicar a nossa vida para isso?
 
Para responder de forma simples, sim. Por que? Porque é a vontade e o propósito de Deus. A Bíblia claramente nos chama para demonstrar o novo Reino, a nova humanidade – e sermos os modelos dela, testemunhas dela e vivermos ela. Deus descreve uma comunidade transformada e nos chama para sermos embaixadores e sacerdotes desse Reino, para que o mundo veja, conheça e siga a Cristo. A história nos mostra pessoas que fizeram isso e conquistaram mudanças incríveis (Wilbeforce, Martin Luther King, Wangari Muaathai e Florence Nightingale são alguns exemplos).
 
Mateus 5:13-16 é aquela passagem conhecida onde Jesus fala que devemos ser sal da terra e luz do mundo. Isto é um chamado para sermos instrumentos de mudança no mundo, e não fora do mundo. Sal é usado para limpar e preservar; luz é usada para afastar as trevas. Isso só pode acontecer no mundo, e não fora do mundo; só pode acontecer na praça pública. Sermos sal e luz é um mandamento dado por Jesus para sermos um povo que influencia a sociedade em direção à boa mudança. O nosso estilo de vida distinto deve mostrar um claro contraste para que as pessoas saibam a diferença que Jesus faz na vida de uma pessoa.
 
Quando eu penso sobre as questões que afligem o mundo, em nossos países e comunidades, eu não consigo fugir da pergunta: será que igreja tem sido sal e luz no mundo, na comunidade, na praça pública, de modo que afasta a escuridão e permite que o sal limpe trate do apodrecimento de nossos valores nacionais e das nossas abordagens?
 
Oremos para que Deus nos capacite para manifestar esse novo Reino que Jesus inaugurou, não apenas em nossos ambientes eclesiásticos, mas também na praça pública. Sejamos ousados o suficiente para sermos o sal e a luz que influência os nossos sistemas de saúde, educação e justiça, e os setores de segurança alimentar. Juntos vamos acreditar na possibilidade de acabar com o desemprego e com a pobreza. Sejamos pessoas de paz e de reconciliação, e sejamos pioneiros no cuidado com a criação. Por que? Porque isso é a vontade de Deus.
 
Sheryl Haw é diretora Internacional da Miqueias Global
Imagem: Reprodução (Renas)