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Por Mirticeli Medeiros*
 
Se a Igreja condena a indústria das armas, como é possível pensar que ela seja a favor do porte de armas por parte de civis? Querer tratar a erradicação de violência, incentivando o armamento das famílias, é como querer tratar um câncer com um paliativo. Muitos dizem: “Ah, mas se fizermos assim, os bandidos terão medo de nós”. Se fosse assim, nenhum policial, atirador experiente, seria vítima de um atentado sequer. E a quantidade de juízes, aos quais o porte de armas é concedido, que são assassinados, aos montes, desde o período colonial? A violência, uma chaga brasileira que aterroriza os estrangeiros pelo mundo afora, precisa muito mais que um discurso de virilidade para ser exterminada.
 
Tais argumentos vazios, difundidos por líderes demagogos e populistas (inclusive muitos religiosos!), tiram dos governantes a responsabilidade de atuar na melhoria da segurança pública, no investimento em programas de inclusão social e faz com que eles continuem a fechar os olhos para a corrupção dos militares e dos políticos, os maiores facilitadores do trabalho das facções criminosas.
 
Anestesiando a consciência do pai de família, iludido pela falsa propaganda de que, dessa forma, estará protegendo os que ama e sua propriedade, a indústria de armas, a verdadeira responsável pelas maiores crises da atualidade, continua a agregar aliados e a gerar vítimas.
 
O cristão, por excelência, é chamado a atuar com discernimento e a identificar a raiz dos problemas que assolam a sociedade. E é o que papa Francisco vem fazendo. Mais uma vez, nos deparamos com um pontificado que não tem medo da profecia e difunde uma teologia não alheia aos tantos desastres sociais, com toda a força do termo. Como diz Bento XVI, o profeta não é alguém que prevê o futuro, mas que identifica os problemas do presente, visando o futuro.
 
Esta semana, em um vídeo publicado em espanhol por ocasião do dia mundial do migrante e do refugiado, o pontífice chamou de hipócritas a todos aqueles que incentivam a venda de armas. Mais uma vez, Francisco levanta uma questão que inflama os debates entre os católicos, muitos dos quais instrumentalizadores do ensinamento da Igreja para fins políticos. Desta vez, ele denunciou, com coragem, que a crise migratória é fruto de um espírito bélico que se alastrou pelo mundo. Sem dúvida, o discurso mais direto e mais forte a respeito dessa indústria contra a qual ele fala com clareza e coerência, chamando-a de assassina.
 
“Os países em desenvolvimento continuam esgotando seus melhores recursos naturais e humanos em benefício de alguns mercados privilegiados. As guerras afetam somente algumas regiões do mundo. No entanto, a fabricação de armas e a sua venda acontecem em outras regiões, as quais não querem assumir os refugiados; não os querem, não os aceitam: eles não aceitam os refugiados que os próprios conflitos bélicos geram. Muitas vezes se fala de paz, porém se vendem armas. Podemos falar de uma hipocrisia neste tipo linguagem? Quem padece as consequências são sempre os pequenos, os pobres, os mais vulneráveis, aqueles os quais são impedidos de sentarem-se à mesa; a eles são dadas somente as migalhas do banquete”.
 
*Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre primordialmente o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália, sendo uma das poucas jornalistas brasileiras credenciadas como vaticanista junto à Sala de Imprensa da Santa Sé.
 
Fonte: Dom Total
Foto: Tiziana Fabi/ AFP

 
A Edições CNBB, editora da Conferência do episcopado brasileiro, lança os primeiros títulos em formato digital para facilitar o acesso do leitor. Integram a iniciativa uma série publicações transformadas em e-books (livros digitais), entre elas duas obras da coleção Subsídios Doutrinais, o número 8 que trata do tema: “Ensino da filosofia na formação presbiteral” e o número 9 cujo título é “Exorcismo: reflexões teológicas e Orientações”.
 
Dois números da série Documentos da CNBB também foram publicados no formato digital. São eles o número 02, cujo título é “Sou católico, vivo minha fé” e o número 107 “Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários”, texto consolidado pelos bispos do Brasil em sua 56ª Assembleia Geral, em 2017.
 
Com a iniciativa, a Edições da CNBB sintoniza-se com os desafios colocados para as editoras católicas no mundo aprofundados nas Jornadas Internacionais da Editoria Católica que aconteceram em Roma, no Vaticano, de 26 a 29 de junho passado, evento do qual participou o diretor geral da Edições CNBB, monsenhor Jamil Alves de Souza.
 
Novos lançamentos – Em entrevista ao Portal da CNBB, o monsenhor Jamil disse que a Edições CNBB trabalhará com e-book no formato PDF com seguranças anti-impressão e anticópia. Além disso, o e-book também terá uma navegação agradável e adaptável a qualquer dispositivo móvel (celulares, tablets, notebooks) e PCs. Dentro em breve a editora lançará mais 10 títulos digitais.
 
A Edições CNBB, reforçou o monsenhor Jamil, está presente “em todas as dioceses do Brasil com livros, publicações e livros digitais”. A missão da editora, disse, é uma só e está bem expressa, tanto digital quanto no papel: “a nossa missão é evangelizar”, disse.
 
No Brasil, o Censo do Livro Digital – uma pesquisa realizada em conjunto pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) – mostrou que menos da metade das editoras entrevistadas está investindo no segmento, e que o livro impresso ainda é responsável por 98,91% das vendas no país.
 
Monsenhor reforça que o livro em formato digital é historicamente recém-nascido se comparado com o tempo em que o livro “paira” sobre a humanidade. “Por isso, não se sabe ainda como o mercado reagirá a essa nova demanda dos consumidores”, disse. Segundo o diretor geral da Edições CNBB, depois do “boom” do mercado de e-books, hoje é possível ver uma luz sobre o mercado e uma certa estabilização. “Os leitores ainda estão divididos, mas é possível notar uma crescente e lenta evolução do mercado de livros digitais”, analisou.
 
A Edições CNBB está trabalhando com as principais plataformas de vendas. A princípio, os e-books estão sendo disponibilizados no site da editora, no Google Play, na App Store, na Amazon kindle, no Kobo, na livraria Cultura e na livraria Saraiva. Para ter acesso aos e-books, o leitor precisa ter um dispositivo eletrônico de leitura de textos. Vários modelos são ofertados no mercado.
 
Saiba mais aqui: www.edicoescnbb.com.br
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução

 
O Ministério das Antiguidades do Egito elaborou um fascículo ilustrado, em inglês e árabe, sobre o "Caminho da Sagrada Família”, um itinerário que une os locais pelos quais, segundo tradições milenares, Maria, José e o Menino Jesus passaram ao buscarem refúgio no Egito fugindo da violência de Herodes.
 
O dossiê intitulado "Estações da viagem da Sagrada Família" faz parte das iniciativas colocadas em prática pelas autoridades egípcias, para inserir o "Caminho" da Sagrada Família na lista de locais reconhecidos como "Patrimônio Mundial" da UNESCO.
 
O fascículo contém documentação e fotos dos vários lugares que fazem parte do itinerário, como os Mosteiros de Wadi Natrun, chamado de "Árvore de Maria" em el Matariya (subúrbio do Cairo), a Igreja da Virgem Maria em Jabal al-Tayr (Província de Minya) e o Mosteiro de Deir al Muharraq, na Província de Assiut, onde a Sagrada Família, segundo tradições locais, se estabeleceu por mais de seis meses em uma gruta, posteriormente incorporada na antiga Igreja da Virgem.
 
Khaled al Anani, ministro egípcio das Antiguidades, sublinhou a relevância histórica e eclesial da permanência da Sagrada Família em território egípcio, relançando as hipóteses históricas segundo as quais a Virgem Maria, São José e o Menino Jesus permaneceram no Egito por anos, retornando à Palestina somente após a morte de Herodes. São pelo menos 25 os locais que reivindicam terem sido tocados pela Sagrada Família, durante a sua fuga ao Egito.
 
Já há algum tempo, as autoridades egípcias estão empenhadas em promover o "Caminho da Sagrada Família" no Egito, também em vista do turismo religioso. No dia 4 de outubro de 2017 o Papa Francisco, no contexto da Audiência Geral das quartas-feiras, saudou uma grande delegação egípcia vinda a Roma para promover peregrinações ao longo do "Caminho da Sagrada Família".
 
Fonte: Vatican News com Agência Fides
Imagem: Reprodução

 
Os árabes estão dizendo que são cada vez mais menos religiosos, de acordo com a maior e mais profunda pesquisa realizada no Oriente Médio e Norte da África. Esta é uma das constatações do levantamento sobre como os árabes se sentem em relação a uma série de questões - incluindo direito das mulheres, migração, segurança e sexualidade.
 
Mais de 25 mil pessoas foram entrevistadas para o estudo - conduzido pela rede de pesquisa Arab Barometer a pedido da BBC News Arabic, serviço árabe da BBC - em 10 países e territórios palestinos entre o fim de 2018 e a primavera de 2019.
 
Confira abaixo os principais resultados:
 
Religiosos
 
Desde 2013, o número de pessoas em toda a região que se identifica como "não religiosa" subiu de 8% para 13%. O aumento é maior entre aqueles que têm menos de 30 anos, entre os quais 18% se identificam como não-religiosos, de acordo com a pesquisa. Apenas o Iêmen apresentou queda nessa categoria.
 
 
Mulheres
 
A maioria das pessoas da região apoia o direito de uma mulher se tornar primeira-ministra ou presidente. A exceção foi a Argélia, onde menos de 50% dos entrevistados concordaram que era aceitável ter uma mulher chefe de Estado.
 
Mas quando se trata da vida doméstica, a maioria - incluindo a maior parte das mulheres - acredita que os maridos devem ter sempre a palavra final nas decisões familiares. Apenas no Marrocos menos da metade da população acha que o marido deve tomar sempre a decisão final.
 
A aceitação da homossexualidade varia, mas é baixa ou extremamente baixa em toda a região. Mesmo no Líbano, que tem a reputação de ser mais socialmente liberal do que os países vizinhos, esse percentual é de 6%.
 
O assassinato pela honra é quando os parentes matam um membro da família, geralmente uma mulher, por ter supostamente manchado a honra da família.
 
Líderes
 
Todas as regiões pesquisadas avaliaram as políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, no Oriente Médio como menos positiva do que a de seus homólogos russo, Vladimir Putin, e turco, Recep Tayyip Erdogan.
 
Em contrapartida, em sete dos 11 locais pesquisados, pelo menos metade da população aprovava a abordagem de Erdogan.
 
Já o Líbano, a Líbia e o Egito classificaram as políticas de Putin como melhores do que as de Erdogan.
 
Maior ameaça
 
A segurança continua sendo uma preocupação para muitos no Oriente Médio e no Norte da África. Quando questionados sobre que países representam a maior ameaça à sua estabilidade e segurança nacional, depois de Israel, os EUA foram identificados como a segunda maior ameaça na região como um todo, e o Irã ficou em terceiro lugar.
 
Os totais de cada país nem sempre somam 100 porque "não sei" e "se recusaram a responder" não foram incluídos.
 
 
Migração
 
Em todas as regiões pesquisadas, o estudo sugere que pelo menos uma em cada cinco pessoas estava pensando em emigrar. No Sudão, esse percentual correspondia à metade da população.
 
Razões de natureza econômica foram predominantemente citadas como fator determinante.
 
Os entrevistados podiam escolher mais de uma opção. Se você não conseguir visualizar o gráfico acima, clique aqui para iniciar o conteúdo interativo.
 
O número de pessoas que consideram partir para a América do Norte aumentou e, embora a Europa seja menos popular do que era, continua sendo a melhor opção para quem pensa em deixar a região.
 
Metodologia
 
O estudo foi realizado pela rede de pesquisa Arab Barometer, que entrevistou 25.407 pessoas pessoalmente em 10 países e territórios palestinos. O Arab Barometer é uma rede de pesquisa baseada na Universidade de Princeton, nos EUA. O instituto realiza pesquisas como esta desde 2006.
 
Com duração de 45 minutos, as entrevistas, realizadas em grande parte com tablets, foram conduzidas pelos pesquisadores em espaços privados.
 
A pesquisa é sobre a opinião do mundo árabe, então não inclui o Irã ou Israel, embora contemple os territórios palestinos. A maioria dos países da região está incluída, mas vários governos do Golfo Pérsico se recusaram a dar acesso total e imparcial à pesquisa. Os resultados do Kuwait chegaram tarde demais para serem incluídos na cobertura da BBC em árabe. A Síria não pôde ser incluída devido à dificuldade de acesso.
 
Por razões legais e culturais, alguns países pediram para pular algumas perguntas. Essas exclusões são levadas em conta na hora de expressar os resultados, com as limitações claramente apresentadas.
 
Você pode encontrar mais detalhes sobre a metodologia no site do Arab Barometer.
 
Fonte: Arab Barometer/BBC
Imagens: Reprodução

 
Na conhecida cidade de Belém (Bethlehem), Cisjordânia, uma reforma estrutural revelou uma pia de batismo bizantina na Igreja da Natividade.
 
Autoridades palestinas sugerem que a descoberta será muito útil nos estudos sobre o local de nascimento de Jesus. Isso porque a Igreja foi construída sobre uma caverna em que a tradição cristã marca como o lugar de nascimento de Cristo.
 
O comitê responsável pela reforma da Igreja é liderado or Ziad al-Bandak, que confirmou que especialistas internacionais irão se reunir na cidade para examinar o receptáculo. Segundo o palestino, trata-se de uma descoberta magnífica que estava encoberta.
 
A descoberta é relevante não somente aos cristãos, mas também para os muçulmanos, que enxergam Jesus um dos grandes profetas do Islamismo.
 
A Igreja da Natividade está em reforma desde 2013, quando a UNESCO a declarou Patrimônio da Humanidade.
 
Com informações da Aventuras na História
Foto: Reprodução

 
No Brasil, muitas pessoas associam o nome de João Ferreira de Almeida à Bíblia. Afinal, é dele uma das traduções mais usadas e apreciadas por aqui. Se a tradução de Almeida é amplamente conhecida, o mesmo não se pode dizer a respeito do próprio Almeida. Pouco, ou quase nada, se tem falado e escrito a respeito dele. Almeida nasceu por volta de 1628, em Torre de Tavares, Portugal, e morreu em 1691, na cidade de Batávia (hoje Jacarta, na ilha de Java, Indonésia).
 
O que se conhece da vida de Almeida está registrado na “Dedicatória” de um de seus livros e nas atas dos presbitérios de Igrejas Reformadas (calvinistas) do Sudeste da Ásia, para as quais trabalhou como pastor, missionário e tradutor, durante a segunda metade do século XVII.
 
Primeiros Ensaios de Tradução
 
Quando já se encontrava no Sudeste da Ásia, mais especificamente em Málaca (na Malásia), em 1644, então com 16 anos de idade, Almeida começou a traduzir para o português uma parte dos Evangelhos e das Cartas do Novo Testamento. A tradução, feita do espanhol, foi terminada em 1645, mas nunca publicada. Cabe acrescentar que, no tempo de Almeida, o português era a língua de contato e comércio na rota para o Oriente.
 
Pastor no Sudeste da Ásia
 
Almeida ficou em Málaca até 1651, quando se transferiu para Batávia, uma pequena povoação na ilha de Java. Depois de passar por um exame preparatório e de ter sido aceito como candidato ao pastorado, acumulou novas tarefas: dava aulas de português a pastores, traduzia livros e ensinava catecismo a professores de escolas primárias. 
 
 
Em 1656, ordenado pastor, Almeida foi indicado para o Presbitério do Ceilão. Ao que tudo indica, esse foi o período mais agitado da vida do tradutor. A passagem de Almeida por Tuticorin (Sul da Índia), onde também foi pastor por cerca de um ano, mais uma vez parece não ter sido das mais tranquilas, sobretudo em função de conflitos com povos nativos.
 
Família
 
Foi também durante sua permanência no Ceilão que, ao que tudo indica, Almeida conheceu a mulher com a qual viria a se casar. Ela chamava-se Lucretia Valcoa de Lemmes (ou Lucrécia de Lemos). Mais tarde, a família cresceu com o nascimento de um menino e de uma menina.
 
Pastor e Tradutor em Batávia
 
A partir de 1663 (dos 35 anos de idade em diante), Almeida trabalhou na congregação de fala portuguesa da cidade de Batávia, onde ficou até o final da vida, em 1691. Nesta nova fase, teve uma intensa atividade como pastor. Ao mesmo tempo, retomou o trabalho de tradução da Bíblia, iniciado na juventude. Em 1676, comunicou ao presbitério que o Novo Testamento estava pronto. Aí começou a batalha do tradutor para ver o texto publicado – ele sabia que o presbitério não recomendaria a impressão do trabalho sem que fosse aprovado por revisores indicados pelo próprio presbitério. E, também que, sem essa recomendação, não conseguiria outras permissões indispensáveis para que o fato se concretizasse: a do Governo de Batávia e a da Companhia das Índias Orientais, na Holanda.
 
A Publicação do Novo Testamento em Português
 
Escolhidos os revisores, o trabalho começou e foi sendo desenvolvido vagarosamente. Quatro anos depois, irritado com a demora, Almeida resolveu não esperar mais: mandou o manuscrito para a Holanda por conta própria, para ser impresso. Mas o presbitério conseguiu fazer com que a impressão fosse interrompida. Passados alguns meses, depois de algumas discussões, quando o tradutor parecia estar quase desistindo de apressar a publicação de seu texto, cartas vindas da Holanda trouxeram a notícia de que o manuscrito havia sido revisado e estava sendo impresso naquele país.
 
Em 1681, a primeira edição do Novo Testamento de Almeida finalmente saiu da gráfica. Um ano depois, ela chegou à Batávia, mas apresentava erros de tradução e revisão. O fato foi comunicado às autoridades da Holanda e todos os exemplares que ainda não haviam saído de lá foram destruídos, por ordem da Companhia das Índias Orientais. As autoridades holandesas determinaram que se fizesse o mesmo com os volumes que já estavam na Batávia. Pediram também que se começasse, o mais rápido possível, uma nova e cuidadosa revisão do texto.
 
Apesar das ordens recebidas da Holanda, nem todos os exemplares recebidos na Batávia foram destruídos. Alguns deles foram corrigidos à mão e enviados às congregações da região (alguns exemplares dessa edição corrigida foram preservados). Isto se deu em 1683. Logo em seguida começou o trabalho de revisão e correção do Novo Testamento, que durou dez longos anos. Somente após a morte de Almeida, em 1693, é que essa segunda edição foi impressa, na própria Batávia, onde também foi distribuída. A terceira edição viria a ser publicada em 1712.
 
A Tradução do Antigo Testamento
 
Enquanto progredia a revisão do Novo Testamento, Almeida começou a traduzir o Antigo Testamento. Em 1683, ele completou a tradução do Pentateuco. Iniciou-se, então, a revisão desse texto, e a situação que havia acontecido na época da revisão do Novo Testamento, com muita demora e discussão, acabou se repetindo. Já com a saúde prejudicada – pelo menos desde 1670, segundo os registros –, Almeida teve sua carga de trabalho na congregação diminuída e pôde dedicar mais tempo à tradução. Mesmo assim, não conseguiu acabar a obra à qual havia dedicado a vida inteira. Em 1691, no mês de outubro, Almeida veio a falecer. Nessa ocasião, ele havia chegado até Ezequiel 48.21.
 
A Conclusão da Obra
 
A tradução do Antigo Testamento foi completada em 1694 por Jacobus op den Akker, pastor holandês, colega de Almeida. O texto do Antigo Testamento completo só viria a ser impresso em 1751. A Bíblia completa em um único volume só foi publicada em 1819. A edição de 1898, feita na Europa, viria a ser conhecida como “Revista e Corrigida”. Em meados do século XX, no Brasil, o texto de Almeida foi revisto e atualizado e essa edição é conhecida como “Revista e Atualizada”.
 
Com informações da Sociedade Bíblica do Brasil
Imagens: Reprodução