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Injustiça e Desigualdades no Brasil hoje: Desafios Teológicos e Respostas de Fé. Este foi o tema de um seminário promovido pela Christian Aid, dias 5 e 6 de setembro, em São Paulo, e que contou com a participação do CONIC, representado pela secretária-geral Romi Bencke. 
 
O objetivo era promover debates entre teólogas/os e diferentes atores da sociedade civil (movimentos sociais, organizações baseadas na fé, ONG´s, Igrejas) para a inovação de respostas ecumênicas ao retrocesso de direitos e controle dos recursos naturais em nosso país.
 
 
Contextualização
 
O trabalho de igrejas e organizações baseadas na fé por justiça social é reforçado por formulações teológicas que oferecem respostas aos desafios de cada contexto. É nesse sentido que Christian Aid organizou o Seminário com movimentos sociais, teólogos e teólogas, igrejas e organizações da sociedade civil, afinal, precisávamos debater temas como aumento da violência e do autoritarismo, desigualdade no acesso aos recursos naturais e a atuação de setores religiosos fundamentalistas foram alguns dos temas discutidos.
 
Debatedores
 
O evento iniciou com Doris Vasconcelos, representando a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), apresentando quem são as vozes proféticas na Amazônia e como a Igreja Católica vem trabalhando para defender as forças vivas na região e para promover sua presença como um sinal de esperança para os povos. 
 
Ivanei Dalla Costa, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), mostrou os desafios enfrentados pelo MAB em suas lutas cotidianas de resistência junto às pessoas que tiveram sua existência desrespeitada e atropelada pelos megaprojetos e interesses de empresas privadas. 
 
Pedro Abramovay, diretor para América Latina e Caribe da Open Society Foundations, apontou para o papel estratégico do Brasil na disputa entre discursos religiosos dicotômicos, e alertou para os perigos da associação entre atores religiosos e setores corruptos da sociedade latinoamericana. 
 
Para Nancy Cardoso, teóloga da Christian Aid, a cooptação de discursos religiosos por atores que se beneficiam das injustiças é um sintoma do que Walter Benjamin chamou de parasitismo da religião pelo capitalismo: “A Bíblia nunca foi tão importante, e a Bíblia não quer dizer nada”. Nancy afirmou que uma interpretação radical do Evangelho nos permite ver que toda riqueza e concentração de recursos de parábolas é negativa. Através como Ezequiel e O Jovem Rico, fica claro que o desvelamento dos mecanismos de reprodução da desigualdade é uma condição para esperança e salvação. 
 
Segunda etapa
 
A seguinte mesa explorou os desafios relacionados à apropriação dos recursos naturais. O representante do MAB apresentou dados sobre as riquezas naturais do Brasil e por que o país está na mira dos interesses geopolíticos internacionais. A Sempreviva Organização Feminista (SOF) trouxe casos relacionados à organização de comunidades por seus recursos e direitos, e provocou o grupo a pensar em como manter formas de vida em comunidades que vivem em comunhão com a natureza. 
 
O teólogo Fabio Py conduziu o público por uma reflexão sobre o movimento de Jesus, que foi um movimento de trabalhadores pobres, de camadas excluídas da população, contra a subjugação do império Romano. Para Fabio, esse Jesus permanecerá para sempre fora da historiografia oficial, e é o papel daqueles comprometidos com a justiça desenvolver uma narrativa alternativa que complemente seu legado.
 
Terceiro tempo
 
Seguindo a mesma estrutura, a terceira mesa trouxe experiências de MST e Koinonia no enfrentamento à violência e ao retrocesso em direitos fundamentais. Suas falas convocaram à elaboração de alternativas, mas não teóricas – em termos práticos, quais são os elementos que nos levam a uma boa vida? Nesse sentido torna-se urgente construir novas pontes entre diferentes grupos culturais e lutas específicas. 
 
 
O teólogo Fellipe dos Anjos conduziu uma reflexão sobre como a teologia pode ajudar nessa tarefa – mas somente se deixamos de lado as visões que colocam a religião como lugar do passado. Para Fellipe, a teologia é uma linguagem viva que legitima alguns valores e formas de vida em detrimento de outras, e a tarefa é produzir novas teologias e reafirmar novos valores. 
 
Última mesa
 
Na última mesa, a reflexão teológica esteve no centro no debate e refletiu os elementos levantados anteriormente. Yuri Orozco (pelo CONIC) apresentou uma síntese das reflexões anteriores e enfatizou a necessidade de buscar novas formas de teologia que reflitam o ser humano como sujeito coletivo. 
 
A teóloga anglicana Bianca Daebs refletiu sobre o papel privilegiado da teologia com o potencial de trazer novos sujeitos do discurso para o centro da arena. 
 
O pastor Ricardo Gondim compartilhou sua experiência como pastor enfrentando os desafios de defender a justiça em um contexto que em as pessoas buscam saídas fáceis pela religião. “Nossa missão não é que as pessoas se sintam bem nos cultos, mas sim que sejam chamados carvalhos de justiça, plantio do Senhor, para manifestação da sua glória”, concluiu.
 
 
 
CONIC com informações da Christian Aid (Sheila Tanaka - Assessora do Programa Brasil)
Fotos: Natália Blanco / Christian Aid
 

 
O Conselho das Igrejas do Oriente Médio (Middle East Council of Churches, MECC), apresentou, no fim de agosto, o novo site da organização: https://www.mecc.org. Com visual moderno, responsivo (adaptável aos dispositivos móveis) e uma navegabilidade bastante amigável, o espaço certamente se tornará um importante ponto de troca de informações relevantes para cristãos e cristãs residentes na região. 
 
O Conselho das Igrejas do Oriente Médio foi fundado em 1974, em Nicósia, e atualmente é sediado em Beirute, Líbano. Tem por objetivo facilitar a convergência das comunidades cristãs do Oriente Médio em temas de comum interesse e favorecer a superação de contraposições de natureza confessional.
 
A seguir, confira a matéria publicada pela Agência Fides:
 
“Em meio aos conflitos de nosso tempo, permanecem os sinais de esperança, e nós, como Igrejas, comunidades e fiéis, homens e mulheres, vemos a esperança e a vida que abrem caminho entre os seres humanos e as sociedades”.
 
Com essas palavras, a professora secretária geral do Conselho de Igrejas (Middle East Council of Churches, MECC), Souraya Bechealany, introduziu a apresentação do novo site (https://www.mecc.org/) desse organismo ecumênico intra-eclesial, indicado como um instrumento voltado a destacar "Espaços de fé e esperança".
 
As páginas que trazem notícias sobre as Igrejas do Oriente Médio e as iniciativas dos quatro departamentos em que o Conselho está articulado, dão testemunho "do belíssimo patrimônio do passado", abrindo-se assim às urgências do tempo presente.
 
A professora Souraya Bechealany, cristã maronita, ensina Teologia na Universidade Saint-Joseph de Beirute. Ela foi eleita secretária-geral do MECC em janeiro de 2018 e, juntamente com seus colaboradores, deu início a um processo de reestruturação dos departamentos do corpo eclesial.

 
Milhares de pessoas foram às ruas de todos os estados neste sábado (7). A 25ª edição do Grito dos Excluídos criticou as ações do atual governo contra a educação pública e a soberania nacional e denunciou o desmatamento na Amazônia. Entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) se somaram aos atos na maior parte das capitais, em mais uma edição do chamado Tsunami da Educação.
 
Segundo a Central dos Movimentos Populares (CMP), 132 cidades participaram do Grito. O lema das mobilizações deste ano foi "Este sistema não vale: lutamos por justiça, direitos e liberdade".
 
Para além das denúncias tradicionais, como a desigualdade social, o desemprego e a restrição de direitos à maioria da população brasileira, as manifestações deste ano ganharam o apoio dos estudantes contra os desmontes educacionais.
 
O MEC divulgou esta semana que, em 2020, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) só terá metade do orçamento de 2019. Na proposta de orçamento para o ano que vem, a perda prevista para a pasta é de 9%. "O Estado precisa de ciência e de desenvolvimento para que toda sua população esteja bem, com dignidade", disse a pesquisadora Thamiris Oliveira, da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
 
Nicolas Nascimento, de 20 anos, participou do Grito dos Excluídos pela primeira vez. Para ele, as manifestações precisam barrar a retirada de direitos em curso no país. “Este 7 de setembro é um marco pra eles, que defendem tanto a bandeira do Brasil, mas, na verdade, só querem entregar as riquezas nacionais. O mais importante é, neste momento, a gente se mobilizar contra o governo, que está tirando cada vez mais direitos”, afirmou.
 
Outro assunto abordado na mobilização desse ano foi o desmatamento da Amazônia. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de queimadas na região triplicou em relação a agosto do ano passado, passando de 10.421 em 2018 para 30.901 em 2019.
 
CONIC 
 
A vice-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), Anita Wright, participou das mobilizações no Espírito Santo. Juntamente com movimentos sociais, representantes das juventudes e religiosos de Cariacica (ES), ela reforçou o coro daqueles e daquelas que, apesar de tudo, insistem em não perder a esperança... #GritoDosExcluídos2019
 
 
Com informações do Brasil de Fato
Foto1: Levante Popular da Juventude
Foto2 (montagem): Acervo pessoal / Anita Wright

 
Uma conjunção de forças populares lotou, nesta quarta-feira (4), o maior auditório da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), na abertura do Seminário em Defesa da Soberania Nacional e Popular. Organizado pelas Frentes Brasil Popular (FBP) e Povo sem Medo, o evento, com programação durante todo o dia, marca o lançamento da Frente Popular e Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional, que congrega múltiplos atores, entre deputados, senadores, partidos políticos, movimentos populares, igrejas, ONG e outras instituições.
 
Com a participação de mais de 300 pessoas, entre elas a vice-presidente do CONIC, Anita Wright (foto acima), o lançamento teve como ponto alto a apresentação de um manifesto coletivo pela soberania nacional. O documento diz que "a nação está de joelhos" e reforça o combate ao neoliberalismo endossado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e à política externa da gestão, marcada pela aproximação crescente entre Brasil e Estados Unidos, país comandado pelo líder de extrema direita Donald Trump.
 
O manifesto também ressalta a defesa do patrimônio nacional, com destaque para a Amazônia, os bancos públicos e estatais como Petrobras, Eletrobras e Casa da Moeda, hoje na mira do ministro da Economia, Paulo Guedes, e aliados.  
 
“Um Brasil soberano exige a garantia de proteção social à população. É o contrário do que assistimos hoje com a revogação dos direitos trabalhistas, a redução sistemática do salário real e a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados que vai destruir o regime público de aposentadoria. Seremos verdadeiramente soberanos com a implementação de políticas públicas que gerem renda e emprego, combatam as desigualdades sociais e regionais e permitam um futuro melhor para toda a nação”, argumentou o ex-senador Roberto Requião, ao ler o documento.
 
Temas como inclusão social, preservação do meio ambiente, autodeterminação dos povos e fortalecimento da democracia também estão entre os interesses traçados pela nova frente, que pretende abraçar uma agenda de atividades junto a estados, municípios, escolas, igrejas e outros espaços para capilarizar o debate sobre os pontos que compõem o roteiro de lutas do grupo.
 
Os participantes também lembraram a valorização dos recursos naturais. Makota Celinha, representante das religiões de matriz africana, destacou que tais elementos ajudam a sustentar a vida do povo brasileiro e se relacionam diretamente com a temática da soberania.
 
“Solo é vida, água é vida, e precisamos compartilhar tudo isso para sermos cidadãos. Defender isso é defender a democracia e um Estado forte. Precisamos organizar a resistência em torno disso. Queremos um país com novos sistemas sociais, onde democracia seja uma realidade, liberdade um direito e equidade um fato”, bradou.
 
Articulação
 
Surgida em meio ao contexto de turbulência política que cerca o governo Bolsonaro, o movimento em defesa da soberania nacional resulta de uma costura que envolve lideranças políticas e populares nacionais do campo progressista.
 
Os presidentes partidários Gleisi Hoffmann (PT) e Carlos Lupi (PDT); o porta-voz nacional da Rede, Pedro Ivo; o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB); e o líder do MTST Guilherme Boulos (Psol) celebraram a iniciativa e sublinharam que a aproximação seria mais um avanço na aglutinação das forças do campo.
 
“Isso é um bom caminho. O que pode mudar o curso da história que estamos vivendo é o povo na rua, e a proposta aqui é que possamos fazer atos nas ruas com o povo em cada uma das 27 unidades da Federação a partir de agora”, complementou o governador do Piauí, Wellington Dias (PT).
 
O lançamento atraiu também atores políticos como o senador Renan Calheiros (MDB-AL), a ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), petroleiros, professores, além de um leque de entidades que compõem as frentes organizadoras ou atuam como parcerias. Entre elas, estão CUT, FUP, MST, MTST, Cimi, Apib, Fenaj, MAB e MAM.
 
 
Horizonte
 
Como desdobramento do evento desta quarta, as entidades e lideranças envolvidas na Frente Popular e Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional já articulam um calendário de ações para divulgar as pautas que envolvem o movimento.
 
A composição de forças de diferentes matizes políticas que se aglutinam em torno da iniciativa é apontada pelos participantes do seminário desta quarta como o combustível necessário à continuidade da luta popular no Brasil.
 
“Nosso compromisso aqui é o de não perdermos a esperança”, ressaltou Anita Wright, vice-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
 
Com informações do Brasil de Fato
Foto1: Divulgação - Jandira Feghali
Foto2: Reprodução da Rede Brasil Atual / Lula Marques