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O ano de 2017 se abre à sombra de um novo massacre. Os acontecimentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, são mais uma bomba que estoura por acumulo de desumanidade. Estamos cultivando sementes envenenadas de violência.

“Quando a sociedade – local, nacional ou mundial – abandona na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos, nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade. Isto não acontece apenas porque a desigualdade social provoca a reação violenta de quantos são excluídos do sistema, mas porque o sistema social e econômico é injusto na sua raiz. Assim como o bem tende a difundir-se, assim também o mal consentido, que é a injustiça, tende a expandir a sua força nociva e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social, por mais sólido que pareça. Se cada ação tem consequências, um mal embrenhado nas estruturas duma sociedade sempre contém um potencial de dissolução e de morte” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 59).

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Somos missionários que fazem, no dia a dia, a escolha dessas periferias. Alguns de nós trabalham diretamente ao lado dos encarcerados, de suas famílias e das famílias das suas vítimas.

Outros nos bairros à margem das grandes cidades, também em Manaus, tentam conjugar o Evangelho com a defesa dos direitos humanos e propostas de esperança para pessoas que a sociedade já está encaminhando para o descarte.

Promover a justiça, socorrer a vítima, recuperar o preso é proteger a sociedade.

Defender privilégios, alimentar a sede de vingança e segregar os condenados em contextos alienantes e desumanos é envenenar nosso próprio futuro.

Condenamos a barbárie das facções que encomendaram mais essa chacina. O primeiro apelo à não violência é para cada pessoa privada de liberdade: mesmo se amontoada nessas “fábricas de tortura que criam monstros” (Pe. Valdir Silveira), cada pessoa encarcerada tem ainda o dever de optar pela vida, gritar com dignidade e sem violência por justiça e respeito, preparar na conversão seu futuro.

Repudiamos a hipocrisia do Estado que descarrega suas responsabilidades sobre a guerra entre clãs rivais. O Brasil já foi denunciado à Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) por superlotação e denúncias de maus-tratos nas cadeias.

Há meses estava se vislumbrando a ascensão dessa onda de violência no norte do País, mas o poder público foi totalmente omisso a respeito.

Temos a quarta população carcerária do mundo e, se continuarmos nesses ritmos, em pouco mais de 50 anos um em cada 10 brasileiros estará atrás das grades. O encarceramento em massa não pode ser a solução contra a violência de nossa sociedade!

Apoiamos a Pastoral Carcerária e sua Agenda Nacional pelo Desencarceramento, com metas claras para a redução da população prisional e para fortalecer as práticas comunitárias de resolução pacífica de conflitos.

Apelamos à sociedade inteira, e aos cristãos em particular por sua missão de testemunhas da misericórdia: não vamos cair nós também na banalidade da violência, na espiral da vingança injetada pelo medo. Não sejamos cúmplices de soluções fáceis, que continuarão replicando essas cenas de morte.

“Hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus significa também aderir à sua proposta de não-violência. Esta, como afirmou Bento XVI, «é realista pois considera que no mundo existe demasiada violência, demasiada injustiça e, portanto, não se pode superar esta situação, exceto se lhe contrapuser algo mais de amor, algo mais de bondade. Este “algo mais” vem de Deus». E acrescentava sem hesitação: «a não-violência para os cristãos não é um mero comportamento tático, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da “revolução cristã”»” (papa Francisco).

Cabe a nós uma palavra nova, corajosa, capaz de reconciliar essa sociedade a partir de estruturas mais justas e inclusivas!

Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

Pesquisa do Datafolha mostra que a fé dos brasileiros vem mudando, e em ritmo acelerado. Cresce no país o número de pessoas que praticam ritos religiosos, mas não se identificam com alguma instituição. Segundo o levantamento, 14% da população não tem religião definida. Em 2010, o índice era de 6%.

Professor do curso de pós-graduação de Ciências da Religião da PUC-Minas, Flavio Senra estuda especificamente o comportamento das pessoas que autoafirmam não ter religião.

Para o especialista, as pessoas querem ter liberdade de crença e de compromissos, sem ter que lidar com as obrigações relacionadas às religiões. “Mesmo sem frequentar uma igreja, muitas vezes a pessoa continua a ter uma relação com elementos mágicos. Ela acende velas ou vai a um centro (de umbanda) tomar um passe, por exemplo”, completa.

Admiração

O professor de História Gilmar Rodrigues, de 29 anos, é um caso entre milhões de brasileiros que foram criados em um ambiente católico, mas deixaram de seguir a religião na fase adulta. Na pesquisa do Datafolha, 50% dos entrevistados disseram ser católicos. Eram 63% no levantamento anterior (2014).

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Gilmar foi batizado, catequizado, crismado, mas não se sentia satisfeito com o que a Igreja Católica oferecia. Trafegou, então, por outras religiões, mas não se sentiu acolhido em nenhuma. “Em todas, me decepcionei com a mesma coisa. Via pessoas que pregavam coisas muito bonitas, mas na vida real não praticavam o que estavam dizendo”, afirma Gilmar.

O professor continua a acreditar em Deus e, hoje, demonstra uma admiração pela pluralidade de religiões existentes no Brasil e no mundo. Tanto que, dentro de casa, ele guarda ícones de várias religiões, como catolicismo, judaísmo e hinduísmo. As imagens de São Jorge revelam a admiração de Gilmar pelo sincretismo brasileiro. “Gosto muito de símbolos e rituais religiosos. Entendo que a religião está presente em muitos momentos de nossas vidas”, afirma.

Decepção

A garçonete Mariana Lustosa, de 30 anos, teve um contato muito intenso com o catolicismo durante a infância e adolescência. Quando morava em Brasília, ia a missa duas vezes por semana e era uma admiradora da linha carismática. Após sua mudança para Belo Horizonte, o contato com a instituição se transformou.

Em outra cidade, aprendeu a olhar o mundo por uma ótica diferente. “Fui frequentando outros lugares, conhecendo novas pessoas, saindo um pouco do meu círculo de amizades”, lembra. “Eu rezo, faço minhas orações, sinto que eu e Deus somos melhores amigos. Aprendi que a igreja nos faz sentir medo e acredito que Deus não quer isso”, completa.

Assim como ela, o músico Luiz Ramos, de 33 anos, também deixou de ter uma religião depois de um contato intenso com uma instituição. Por influência da mãe, frequentou semanalmente uma igreja evangélica até a adolescência. Fazia orações, lia a Bíblia e seguia os preceitos da religião.
Passou a sentir uma incompatibilidade após viajar para uma colônia de férias da igreja. “Via uma incoerência no discurso das pessoas, que falavam de amor, mas eram intolerantes com outras religiões”, conta o músico.

Atualmente, Luiz busca compreender a própria espiritualidade por meio da leitura de obras sobre religiões e diferentes correntes filosóficas.

Comunidade

Para Rodrigo Coppe Caldeira, professor de Ciências da Religião da PUC-Minas, o declínio do número de fiéis nas igrejas atrapalha a vivência em comunidade que as religiões proporcionam. “Mais do que experiências religiosas, nas igrejas as pessoas têm experiências em comunidade. Fica mais complicada a transmissão da religião e de valores, além da transmissão da tradição”, afirma o professor. “Num mundo de capitalismo avançado, as religiões passam a ser produtos que podem ser consumidos como cada um quiser. A religião se adapta ao gosto das pessoas, e não o contrário, como acontecia antes”.

Crer sem pertencer

Não é difícil encontrar evangélicos que afirmam participar do movimento internacional “Crer sem Pertencer”, trafegando por diferentes igrejas, sem se ligar oficialmente a alguma delas. Como a dona de casa Marisa Ribeiro, de 37 anos, que já foi a igrejas como Universal do Reino de Deus e Quadrangular, mas não escolheu nenhuma para frequentar com assiduidade. “Às vezes tenho vontade de voltar a ir, pretendo fazer isso no futuro”.

Esse comportamento tem sido cada vez mais crescente entre os evangélicos, segundo Flávio Senra. “Pude acompanhar discursos de alguns pastores e observei a afirmação de que ali, no culto, não havia uma religião. Não é uma recusa, mas um discurso que faz com que as pessoas se sintam mais integrantes de um grupo, de uma família, do que membro de uma igreja”, afirma.

Mobilidade

A mobilidade entre religiões é um fenômeno com que o catolicismo sempre teve de lidar no Brasil. É muito comum por aqui encontrar pessoas que transitam entre a Igreja Católica, a umbanda, o candomblé e o espiritismo. “O tecido social brasileiro é ainda muito católico e é um catolicismo muito popular e particular. Houve uma mescla entre a cultura ibérica e as crenças indígenas e africanas”, explica Senra.

Religião tem um papel fundamental nas comunidades mais carentes

A produtora de cinema Débora Lucas, de 28 anos, não segue nenhuma religião hoje, mas acredita que a formação católica recebida na infância e juventude foi muito importante para seu crescimento pessoal – chegou até a atuar como catequista. Para ela, a religião tem um papel fundamental nos bairros mais carentes de equipamentos culturais e esportivos. “Na periferia, ou você se envolve nas atividades da igreja ou não tem atividade nenhuma, especialmente na adolescência. A igreja era quase uma proteção para as famílias envolverem os filhos, por meio da catequese e dos grupos de jovens. Era isso ou engravidar aos 14 anos, como aconteceu com muitas amigas”, afirma Débora, que prefere acreditar em Deus de uma maneira própria, bem diferente do que aprendeu.

Ateus

Embora o número de pessoas sem religião cresça muito, a pesquisa do Datafolha indica que não houve crescimento no número de ateus (representam 1% dos 2.828 entrevistados).

Com informações do Hoje Em Dia
Texto original, sem edição, confira em: http://hoje.vc/u8j2
Foto: Reprodução

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Uma emissora de TV do Marrocos exibiu um tutorial de maquiagem para disfarçar sinais de agressão doméstica. O programa diário "Sabahiyat" mostrou uma profissional maquiando uma modelo com hematomas falsos no rosto (foto abaixo). A atração, transmitida em novembro, gerou revolta nas mulheres do país e repercutiu em outras partes do mundo. “Nós esperamos que essas dicas de beleza ajudem vocês a seguir o seu dia a dia”, afirmou a apresentadora. A reação negativa dos telespectadores foi imediata. Nas redes sociais, milhares de pessoas criticaram o programa por incentivar as mulheres a acreditarem que a violência é aceitável em um relacionamento.

Está circulando no país uma petição online exigindo penalidades contra a emissora e um pedido formal de desculpas. No documento, mais de 2 mil pessoas pedem que a “normalização da violência contra a mulher” seja denunciada. “Não cubram a violência doméstica com maquiagem, denunciem o agressor”, diz o documento.

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O canal 2M removeu o vídeo polêmico de sua página na internet e emitiu um comunicado dizendo que o tema exibido foi inapropriado. Em seguida, publicou um vídeo no Facebook se desculpando mais uma vez. “Nós sempre colocamos as mulheres no centro de nossos debates e defendemos seus direitos com todo coração”. Dada a gravidade da violência de gênero, “pedimos desculpas por exibir o quadro, que foi um erro de julgamento de nossa parte, e imploramos por sua compreensão”.

O programa foi exibido dois dias antes do Dia Internacional da Luta pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, no dia 25 de novembro.

Em 2015, um estudo mostrou que cerca de 62,8% das mulheres entre 18 e 65 anos sofreram agressão física, psicológica, sexual ou econômica, no Marrocos. O mesmo levantamento descobriu que apenas 3% dessas mulheres denunciaram seus agressores. Violência doméstica não é um problema apenas naquele país. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 70% das mulheres no mundo são vítimas de violência em algum momento da sua vida.

Esforço de todos

Há muitos fatores que contribuem para a banalização da violência doméstica. Entre eles está a maneira como o tema é tratado em filmes, novelas, músicas e propagandas. Na maioria das vezes, a violência é abordada de maneira preconceituosa e generalizante. Ao longo dos anos, ocorreram muitas polêmicas envolvendo personalidades da mídia e comerciais, acusados de promover o crime contra a mulher. O episódio ocorrido no "Sabahiyat" é mais um exemplo de que há muito a se fazer para combater esse problema. Em vez de ensinar a esconder as agressões, as mulheres precisam que toda a sociedade se posicione contra a violência de gênero.

Por Débora Vieira / F. Universal
Foto: Fotolia / Reprodução
Obs.: o título foi adaptado

Um estudo publicado pelo Center for the Study of Global Christianity de South Hamilton (Massachussetts), dirigido por Todd M. Johnson, mostra o aumento da religiosidade no mundo, motivado, especialmente, pelo crescimento do cristianismo na África e na Ásia. Nesses continentes, o cristianismo cresce em dobro com relação ao crescimento da população em geral. De acordo com o estudo, o número de pessoas que se declaram religiosas no mundo aumentou de 82% em 1970, a 88% em 2013, e poderá chegar a 90% em 2020.

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O relatório, intitulado “Cristandade em seu contexto global, 1970-2010″, oferece uma série de estatísticas atualizadas em 2013 e uma projeção até 2020. Ele também aponta que a Europa tem se tornado menos religiosa, e que a América permanece estável nos números observados. Um dos indicativos dessa tendência apontado pelo relatório é a escola de um papa argentino que, segundo os responsáveis pelo estudo, mostra um claro deslocamento do centro da vida religiosa e cristã longe da Europa.

Porém, o cristianismo não é a única religião que tem crescido. O aumento do número de cristãos é seguido também do crescimento entre os muçulmanos. Juntas, essas duas religiões representavam 48% da população mundial em 1970; em 2020, serão 57,2%. Os cristãos representarão 33,3% da população e os muçulmanos, 23,9%. A conclusão dos estudiosos é de que, em 2020, a cada 3 pessoas, 1 será cristã, e quase 1 de 4 será muçulmana.

O deslocamento da religião para fora da Europa é mostrado também pelo fato de que em 1970 apenas 41,3% dos cristãos viviam no hemisfério sul do mundo (Ásia, África e América Latina), enquanto em 2020 serão 64,7%. Os evangélicos pentecostais e carismáticos católicos são os maiores responsáveis por esse crescimento; em 2020, de 2,2 bilhões de cristãos, estes serão mais de 700 milhões, ou seja, mais de 25%.

Para o sociólogo italiano Massimo Introvigne, “estes dados oferecem um quadro diferente do bombardeio midiático sobre o secularismo e a diminuição da religião, que intercambia a Europa Ocidental com o mundo”. Ele ainda relaciona esse crescimento da religião ao fato de que famílias religiosas têm mais filhos. – De cada 10 crianças que nascem no mundo, 9 nascem em famílias declaradamente religiosas, e 6 nascem em um contexto cristão ou muçulmano – explica.

Por Dan Martins, para o Gospel+
Foto: JM Notícia

Os pais cristãos não devem ensinar seus filhos sobre a existência do Papai Noel, mas sim, focar no nascimento de Jesus Cristo durante o Natal, de acordo com pastor americano John Piper. Essa orientação veio em resposta a uma dúvida feita no Patheos, a qual Piper responde.

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“Como poderíamos pensar em dar a nossos filhos uma tigela de mingau sem açúcar quando temos a maior refeição do mundo? Por que damos o Papai Noel, quando eles podem ter a encarnação do Filho de Deus? É incompreensível para mim ver que muitos cristãos não examinam isso como um comércio que desvia o foco da encarnação do Deus do universo, que veio a este mundo para salvar a nós e a nossas crianças”, Piper inicia sua resposta.

“Eu quase não tenho palavras em ver as pessoas contemplando isso. O Papai Noel não apenas deixa de ser uma verdade enquanto Jesus é a próprio própria verdade, mas em comparação com Jesus, o Papai Noel é simplesmente lamentável e nossos filhos devem ser ajudados a ver isso", afirmou.

O teólogo também diferencia os presentes oferecidos por Papai Noel e Jesus Cristo. "O Papai Noel oferece apenas coisas terrenas, nada duradouro, nada eterno. Jesus oferece a alegria eterna com o mundo introduzido nisso. O mecanismo lançado pelo Papai Noel é oferecer suas guloseimas efêmeras apenas na condição de boas obras... E Jesus oferece todos os dons gratuitamente pela graça, mediante a fé".

Ele prossegue ressaltando outras diferenças: "O Papai Noel é um faz de conta, Jesus é mais real que o telhado de sua casa. O Papai Noel só aparece uma vez por ano, Jesus promete: ‘Eu estarei sempre com vocês’ (Mateus 28:20)”, observa.

"O Papai Noel não pode resolver o nosso pior problema, Jesus conseguiu resolver o nosso pior problema — nosso pecado e afastamento de Deus. O Papai Noel pode acrescentar bons momentos na vida, mas não pode reconstruir uma vida despedaçada para sempre. E os nossos filhos precisam saber que sobre as verdades do Natal”.

"O Papai Noel não é relevante em muitas culturas do mundo. Jesus é o Rei dos reis e Senhor dos senhores de todos os povos do mundo. O Papai Noel será esquecido algum dia, mas Jesus será o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hebreus 13:8)”, continua.

Piper, no entanto, observa que não há nenhuma competição. “Eu não posso ver como um pai — que conhece e ama a Jesus — iria colocar Jesus para fora da celebração e o Papai Noel para toda a celebração. Ele é simplesmente irrelevante. Ele não tem nada a ver com isso”.

O conselho do pastor é que os pais mostrem aos filhos, de todas as formas, o verdadeiro significado do Natal. “Deixe suas decorações apontarem para Jesus. Deixe sua comida apontar para Jesus. Deixe suas brincadeiras apontarem para Jesus. Deixe suas músicas apontarem para Jesus. Tire a alegria do mundo. Tire o espaço do mundo. Tire a decoração do mundo, e deixe tudo apontar para Jesus. Se o foco em Jesus desmanchar seus prazeres no Natal, é sinal que você não o conhece tão bem”.

Fonte: Guiame, com informações de Christian Today
Foto: Desiring God
Obs.: o título foi adaptado

maria e isabel

Na história do nascimento de Jesus não estão ausentes as longas jornadas e os encontros. Um encontro essencial é o de duas mulheres: Maria e Isabel, que podemos ler em Lc 1.39-53. Foi necessário que Maria andasse só para ir ao encontro de Isabel. Nesse caminhar, talvez, com angústias, dúvidas e medo do que poderia acontecer com ela: uma mulher solteira e grávida em uma sociedade que não aceitaria sua condição e a castigaria. O encontro entre estas duas mulheres, no entanto, não se caracterizou por palavras de lamento, condenação e medo. Ao contrário, foi um encontro de afirmação de fé e coragem. Isabel deu o primeiro passo. Ela não condenou Maria, mas a exaltou como mulher bendita, assim como também reconheceu como bendita a criança que Maria carregava em seu ventre. No lugar da condenação, a acolhida e o abraço. A saudação de Isabel provocou reações. Ela dissipou os medos e as angústias de Maria. Foi tão restauradora a saudação de Isabel, que Maria reagiu: “Quando tua saudação ressoou aos meus ouvidos, eis que a criança saltou de alegria em meu seio”. Em seguida, Maria proclama um cântico que fala sobre profundas transformações nas relações entre Deus e os seres humanos, entre as pessoas e também das relações econômicas. No cântico de Maria, Deus não condena. Deus ama e acolhe. Ela diz:

“Minha alma exalta Deus e meu espírito se encheu de júbilo por causa de Deus, meu Salvador porque ele pôs os olhos em sua humilde serva. Sim, doravante todas as gerações me proclamarão bem-aventurada. Porque Deus fez por mim grandes coisas: santo é o seu Nome. A sua bondade se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Deus interveio com toda a força de seu braço, dispersou as pessoas de pensamento orgulhoso; precipitou os poderosos de seus tronos e exaltou as pessoas humildes; as pessoas famintas, Deus cobriu de bens e as ricas, despediu-as de mãos vazias”.

A história de Belém passa por este encontro. É na simplicidade da manjedoura e da criança frágil que se inicia um novo projeto para a humanidade. Um projeto que não se orienta pela lógica do poder pelo poder, nem por ódio e discriminações. É um projeto que inquieta e desafia, permanentemente, a compreender que a criança que nasce em Belém está despida de poder. O nascimento de Jesus é um projeto de profunda transformação. Tirar do Natal este conteúdo é esvaziá-lo de sentido.

Que o encontro entre Maria e Isabel e a criança da manjedoura nos animem a nos abrirmos para caminhos que reconduzam à capacidade de diálogo, perdão e aceitação. Se for preciso rever verdades e conceitos, não tenhamos medo. Deus de amor, compaixão e misericórdia estará ao nosso lado para nos encorajar.

Desejamos um feliz Natal,

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

Entre os dias 8 e 14 de dezembro, a secretária-geral do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA), Deolinda Teca, esteve no Brasil para uma visita de aproximação com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Nesses dias, Deolinda foi acompanhada pela secretária-geral do CONIC, Romi Bencke. O roteiro incluiu desde a ida a igrejas locais, até a participação em atividades ecumênicas, como a confraternização de Natal do Grupo Ecumênico de Brasília (GEB).

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Confira como foi o cronograma da visita:

Nos dias 8 a 9 de dezembro, Deolinda foi acolhida no escritório da Christian Aid no Brasil, em São Paulo (SP). Ali, participou de reuniões e conheceu os trabalhos apoiados pela Christian Aid no país. Vale lembrar que a Christian Aid apoia ambos os Conselhos de Igrejas e, nos últimos tempos, tem empreendido esforços para uma maior aproximação entre eles.

Entre os dias 10 e 13 de dezembro, Deolinda participou de atividades ecumênicas em Brasília. No dia 9, participou da confraternização de Natal do GEB. Na oportunidade, ela compartilhou um pouco da experiência do CICA.

No dia seguinte, 10, ela esteve presente no seminário Inter-religioso promovido pela Associação Brasileira de Famílias Homoafetivas, ocorrido no Centro Cultural de Brasília. A proposta do Seminário foi a de estabelecer um diálogo entre lideranças religiosas e famílias homoafetivas. Foi uma conversa aberta sobre os limites e os avanços na inclusão de famílias homoafetivas em diferentes organizações. Além de Deolinda e Romi, participou do seminário Sandra Andrade, representante do Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD).

No dia 11, Deolinda realizou a homilia na celebração matutina da Catedral Anglicana de Brasília. Em sua fala, destacou os desafios que precisam ser enfrentados para a superação da violência. Falou dos impactos da guerra na Angola e de como ainda é necessário um esforço nacional para a superação das consequências deixadas pelos conflitos.

Na tarde do dia 13, foi realizada uma roda de conversa entre Deolinda e lideranças religiosas locais sobre a atuação das igrejas nos dois países. Deolinda compartilhou a contribuição que as igrejas angolanas deram para a reconciliação no período pós-guerra. Segundo Deolinda, em Angola não houve um processo de perdão e reconciliação como ocorreu no período pós-apartheid na África do Sul. Por isso, na Angola, muitas feridas da guerra, sobre as quais não se conversou, ainda estão abertas. Destacou que para estabelecer diálogo com igrejas e religiões o governo angolano estimula organizações religiosas a se organizarem em Plataformas. O CICA, por exemplo, que reúne 29 organizações religiosas, é a mais antiga delas. As lideranças brasileiras compartilharam com Deolinda sobre suas experiências locais. Foi destacado o crescimento da intolerância religiosa e os desafios que esse fenômeno apresenta para as organizações baseadas na fé.

Finalmente, Deolinda afirmou chamou sua atenção, de maneira especial, as experiências de diálogo inter-religioso que ocorrem em nosso país. Experiências como as da Pastoral da Saúde também despertaram seu interesse.

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Atenção, atenção! O CONIC estará de recesso a partir do dia 21 de dezembro de 2016. As atividades voltarão ao normal no dia 9 de janeiro. Durante esse período, caso haja alguma demanda a ser encaminhada ao CONIC, pedimos que a mesma seja enviada exclusivamente para os e-mails institucionais:

Administrativo
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Comunicação
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Secretaria Geral
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Durante o recesso, o telefone (61) 3321-4034 ficará indisponível para chamadas.

A queima de incenso, prática popular em locais religiosos e em residências, pode causar câncer, segundo cientistas de Taiwan. Os pesquisadores descobriram a presença de diversos agentes cancerígenos na fumaça exalada pela queima do incenso.

Num templo budista mal ventilado de Taiwan, os cientistas detectaram níveis de um elemento químico - conhecido causador de câncer de pulmão - 40 vezes superiores aos encontrados em residências de fumantes.

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Em entrevista à revista científica New Scientist, o chefe da pesquisa, doutor Ta Chang Lin, da Universidade Nacional Cheng Kung, de Taiwan, disse esperar que o incenso desse às pessoas "apenas conforto espiritual". Mas ele acrescentou que os estudos demonstraram "a existência de um grande potencial de risco. Não sabemos ainda sua extensão ou seriedade."

Amostras

A equipe chefiada pelo doutor Lin coletou amostras do ar no interior de um templo da cidade de Tainan e comparou-a com amostras coletadas no exterior do templo e também próximo a um movimentado cruzamento rodoviário.

No ar coletado no templo, os pesquisadores encontraram níveis elevados de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH), pertencentes a um amplo grupo de agentes químicos cancerígenos, que são liberados na atmosfera pela queima de certas substâncias.

O nível de PAH no interior do templo foi 19 vezes maior do que o encontrado no lado de fora do prédio e um pouco acima do nível presente nas amostras colhidas no cruzamento.

No interior do templo, os pesquisadores encontraram também grandes quantidades de um PAH chamado benzopirene, que é considerado responsável pelo câncer causado nos fumantes.

Os níveis deste componente químico foram 45 vezes mais elevados no templo do que em residências de fumantes, e até 118 veses maiores do que em áreas fechadas, livres de qualquer fonte de combustão.

Pouca visibilidade

O doutor Lin disse que num dia de cerimônias religiosas especiais, quando a frequência nos templos é muito grande, a visibilidade no interior chega a ser reduzida por conta da fumaça intensa dos incensos.

Brad Timms, da Campanha de Pesquisa do Câncer, na Grã-Bretanha, disse que "sabemos, de pesquisas anteriores, que os operários expostos a PAHs correm maior risco de desenvolver câncer de pulmão e de bexiga, e estes elementos são também causadores de alguns tipos de câncer de pele e dos testículos."

Mas ele acrescentou que "o risco de se desenvolver câncer pela inalação da fumaça produzida pela queima de incensos dependerá do nível de PAHs liberados por este tipo de fonte e pelo tempo de exposição a eles."

Fonte: BBC Brasil
Foto: Flickr/Creative Commons/Peter Nijenhuis

No fim da adolescência, o italiano Gabriele Amorth já enfrentava inimigos perigosos. Natural de Módena, aderiu à Resistência e, em 1943, aos 18 anos, comandou um batalhão da Brigata Italia. A milícia, integrada por católicos, combatia os fascistas e nazistas que infestavam sua terra. Depois da Segunda Guerra Mundial, formou-se em direito para seguir a carreira do pai e do avô. Os embates nos tribunais, porém, não o atraíram por muito tempo. Resolveu trocá-los pela política e se tornou vice de Giulio Andreotti, que presidia a ala jovem da Democracia Cristã e, mais tarde, chegaria a ocupar o cargo de primeiro-ministro do país por sete vezes. As batalhas no Parlamento tampouco seguraram Amorth, que abandonou tudo para ingressar no seminário. Em 1954, virou padre pela ordem dos paulinos. Teve uma vida sacerdotal atarefada e, após três décadas, iniciou a luta em que mais se destacou. Por mandato do cardeal-vigário-geral Ugo Poletti, assumiu a função de exorcista da diocese romana – cujo bispo é o próprio papa – e passou a confrontar o maior dos adversários: Satanás.

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Como combatente do nazifascismo, Amorth recebeu várias condecorações da República Italiana. Já como oponente de Belzebu, o que mais experimentou foi o desprezo, a incompreensão e a zombaria, inclusive de católicos. “Não apenas os exorcistas são poucos. Eles mal são tolerados (…) e raramente acham alguém disposto a lhes abrir a porta”, testemunhou o padre no primeiro livro que escreveu sobre o tema. Lançado em 1990, Um Exorcista Conta Sua História ascendeu à lista dos best-sellers na Europa e nos Estados Unidos. O sucesso animou o sacerdote a tratar do assunto em outros volumes, além de assinar uma longa bibliografia sobre a Virgem Maria e são Pio de Pietrelcina. Seu último livro, O Exorcista Explica o Mal e Suas Armadilhas, acaba de sair no Brasil pela editora Petra. Meses antes, em setembro, o Vaticano anunciou a morte do autor. Ele tinha 91 anos.

Todas as cerca de três mil dioceses espalhadas pelo planeta devem contar com ao menos um exorcista oficial. É difícil afirmar quantas realmente cumprem a determinação. Convicto da importância de sua missão, Amorth fundou a Associação Internacional de Exorcistas em 1990 e a comandou até o ano 2000. No entanto, uma parcela significativa dos fiéis preferiria que a Igreja tivesse deixado de lado a crença nos demônios e em sua própria autoridade para combatê-los. Muitos acreditam, inclusive, que isso já aconteceu, graças ao Concílio Vaticano II. Entre 1963 e 1965, o papa e os bispos do mundo inteiro se reuniram diversas vezes na capital italiana para refletir sobre os desafios da contemporaneidade. Parte dos católicos, incluindo clérigos, aderiu a uma interpretação que enxerga no concílio uma ruptura com a tradição. Dessa maneira, não falta quem leia as passagens do Evangelho que descrevem exorcismos e demônios como meros símbolos ou metáforas.

“Na ocasião, estava na sinagoga deles um homem possuído de um espírito impuro, que gritava dizendo: ‘Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos? Sei quem tu és: o Santo de Deus.’ Jesus, porém, o conjurou severamente: ‘Cala-te e sai dele.’ Então o espírito impuro, sacudindo-o violentamente e soltando um grande grito, deixou-o.” O trecho, extraído do Evangelho de são Marcos, é explícito e não soa nada alegórico. Mesmo assim, para a mentalidade moderna, parece mais fácil entender o Diabo como “o mal” e não como “o Mau”.

A falsa impressão de que a doutrina católica sobre demônios mudou é bastante forte no Brasil. Em 2005, quando se publicou por aqui a tradução oficial do novo rito de exorcismo, promulgado por João Paulo II em 1998, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou assim o fato: “Há 40 anos, a Igreja começou a se desinteressar pelo velho ritual do exorcismo, com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. Pois, quatro décadas adiante, ela ameaça retomar a prática. Vê-se obrigada a fazer isso em defesa própria, já que os pentecostais arrebanham cada vez mais adeptos esconjurando demônios.” Na verdade, o ritual nunca deixou de existir. O Código de Direito Canônico, que consolida as leis da Igreja, não só continua a prevê-lo como define quem pode desempenhar o papel de exorcista.

Há diferentes tipos de exorcismos. A simples renúncia à influência de Satã é um deles – cada pessoa batizada a faz quando recebe o sacramento e cada católico a renova na celebração da Páscoa. Já o chamado Grande Exorcismo consiste em expulsar o Diabo que se apossou concretamente de alguém. Os sintomas de possessão, conforme ensinou Amorth, variam muito. Fã de O Exorcista, o padre dizia que as reações da menina possuída no filme de 1973 se aproximam muito da realidade. No Ritual do Exorcismo e Outras Súplicas, o livro oficial da Igreja sobre o tema, consta o seguinte: “De acordo com a prática comprovada, consideram-se como sinais de possessão do Demônio dizer muitas palavras de língua desconhecida ou entender quem assim fala; revelar coisas distantes e ocultas; manifestar forças acima da sua idade ou condição natural. (…) Como, porém, os sinais desse gênero não são necessariamente atribuíveis ao Diabo, convém atentar para outros, sobretudo de ordem moral e espiritual, que também manifestam a intervenção diabólica, como a aversão veemente a Deus, ao Santíssimo Nome de Jesus, à Bem-Aventurada Virgem Maria e aos Santos, à Igreja, à palavra do Senhor, a objetos e ritos, especialmente sacramentais, e às imagens sagradas.”

Amorth calculava que realizou cerca de 70 mil exorcismos. Entretanto, só contabilizou 100 casos de possessão propriamente dita. Sempre mais sóbrio do que o pentecostalismo, o catolicismo não abdica da discrição quando se trata de expulsar Satanás. O novo rito de exorcismo preconizado pelo Vaticano recomenda que a prática não se confunda com “ação mágica ou supersticiosa”: “Tenha-se a precaução de não fazer dela um espetáculo para os presentes. Todos os meios de comunicação social estão excluídos durante a celebração do exorcismo, e também antes dessa celebração. Concluído o exorcismo, nem o exorcista nem os presentes devem divulgar qualquer notícia a seu respeito.”

Segundo a doutrina católica, os demônios são “pessoas”. E “pessoa”, na definição de Santo Tomás de Aquino, o mais importante teólogo da Igreja, “é uma substância racional” – ou tudo aquilo que existe em si mesmo (“substância”) e exibe tanto inteligência quanto vontade (“racional”). O azul, por exemplo, nem sequer é uma substância. É uma qualidade. Algo precisa existir para ser ou não azul. Já todos os seres humanos são “substâncias racionais” e, portanto, “pessoas”. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são as três “pessoas” de Deus. Os anjos também são “pessoas”. Existem em si, como criaturas puramente espirituais (sem corpo), e têm inteligência e vontade – a tal ponto que alguns, por orgulho, se recusaram a servir ao Senhor no Céu e acharam “melhor reinar no Inferno”, dando “adeus aos campos felizes onde a alegria sempre mora”, conforme escreveu o poeta inglês John Milton. Esses são os demônios. É contra eles que se praticam exorcismos.

Deve-se tomar cuidado, no entanto, para não confundir distúrbios mentais com possessões. O novo rito de exorcismo demarca bem os campos e preconiza que só se faça o esconjuro em alguém depois de esgotadas as hipóteses de males psiquiátricos. O padre Amorth não gostou dessa diretriz. “Sem praticar o exorcismo, é difícil certificar-se se há ou não necessidade dele”, argumentava. Na psiquiatria moderna, um dos métodos mais seguros de diagnóstico é o próprio remédio: se o antidepressivo curar, tratava-se de depressão. A mesma lógica valeria para a luta contra Satanás: se o exorcismo curar, tratava-se de possessão. Por isso, com autorização do bispo, Amorth sempre usou o ritual anterior à mudança, codificado em 1614.

O sacerdote não se acanhava em expressar suas convicções acerca da influência demoníaca no mundo de hoje. Em 2011, condenou a ioga, por levar “a um culto ao hinduísmo, e todas as religiões orientais se baseiam numa falsa crença, a da reencarnação”. Para Amorth, os livros e filmes de Harry Potter podem parecer inócuos, mas estimulam os leitores a acreditar em magia e bruxaria. Ele também não poupava o recorrente flerte do rock com o Diabo (vide o hit Simpathy for the Devil, dos Rolling Stones).

Ideias como essas o tornavam uma figura incômoda. Convidado para redigir o prefácio da edição americana de Um Exorcista Conta Sua História, o padre e psicólogo Benedict Groeschel cogitou recusar. “Embora eu tenha tido experiência com pessoas sofrendo do que estou convencido ter sido influências diabólicas, tenho dificuldades com a abordagem de Amorth”, acabou escrevendo. “Ele usa uma retórica estranha para a maioria de nós e até conceitos teológicos alheios a nosso modo de pensar, mas a mesma coisa pode ser dita dos relatos do Evangelho sobre a obra de nosso Salvador, livrando os ‘possuídos por maus espíritos.’”

O papa Francisco costuma falar clara e insistentemente do Demônio como uma “pessoa” e não como simples metáfora do mal. Por isso, credita-se a ele o renascimento do interesse pelo exorcismo na Igreja. Muitas dioceses que não dispunham de exorcistas passaram a dispor. Hoje a de Milão tem 12. Na de Roma, havia cinco. Atualmente, são dez. Metade das dioceses da Inglaterra e do País de Gales não possuíam nenhum e agora todas possuem. Esses dados foram divulgados em outubro, no mais recente congresso da Associação Internacional de Exorcistas. Presente ao encontro em Roma, o papa Francisco cumprimentou os cerca de 300 participantes pelo “belo trabalho”. Numa homilia de 2014, mostrou-se bem mais enfático: “Cuidado, o Diabo existe! Mesmo no século XXI, o Diabo existe. Não podemos ser ingênuos e devemos aprender com o Evangelho como lutar contra Satã.”

Fonte: piaui.folha.uol.com.br
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