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A Diaconia, organização não-governamental de inspiração cristã, plenamente comprometida com a defesa de direitos e o empoderamento das populações mais pobres do Brasil, particularmente no Nordeste, diante do atual cenário político, econômico e social em que vivemos, declara sua confiança na prevalência do Estado democrático de direito com todas as repercussões necessárias ao exercício da cidadania e da justiça pessoal e coletiva.

Cabe-nos declarar que a vontade soberana popular deve ser respeitada dentro dos balizadores do ordenamento jurídico brasileiro, sem que por quaisquer justificativas, sejam atropeladas a Constituição e as instâncias decisórias que regem o país. Interesses partidários, particulares, empresariais e/ou ideológicos não devem pautar a condução de processos tão amplos e complexos como estes que nos cercam. O personalismo surge, neste contexto, como uma das maiores armadilhas para implementação da justiça, salvaguardados todos os prazos e direitos à defesa dos acusados.

Ressaltamos especial preocupação com a participação midiática neste cenário, pois ao nosso ver, diferentes atores têm utilizado técnicas e estratégias que pouco auxiliam no processo de elaboração de uma consciência coletiva saudável. Informações seletivas, reportagens tendenciosas e opiniões de "especialistas", em geral, têm conduzido nossa população à desinformação, ao acirramento de posições, quando não ao surgimento de expressões de intolerância, radicalizações e violências, marcas características de conflitos sociais.

Aguardamos pela presença da sabedoria, da prudência e da firmeza na condução desta situação que atinge os poderes da República, onde diferentes atores encontram-se comprometidos com a correção, mas tantos outros praticam descaminhos e malfeitos. É necessário que estejamos atentos aos interesses que permanecem encobertos em situações como estas, bem como aos sujeitos e às instituições que integram movimentos para impedir a continuidade do atual governo.

Cremos que o Reino de Deus se faz presente através da prática da justiça, do diálogo e da paz. Renovamos nossa confiança na democracia e na capacidade que esta possui para resolver conflitos e desafios que tanto afligem a sociedade, especialmente os mais pobres.

A Diaconia, por fim, reafirma seu compromisso com a verdade e a vida para todos e todas!

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“A sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, pacífica, humilde,
compreensiva, cheia de misericórdia e bons frutos, sem discriminações e sem hipocrisia.
Na verdade um fruto de justiça é semeado na paz, para aqueles que trabalham pela paz.”
(Tiago 3:17-18)

Irmãs e irmãos, cidadãs e cidadãos deste país que também dá nome a nossa Igreja, viemos por meio desta reafirmar aquilo que já manifestamos no documento intitulado “EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DA JUSTIÇA SOCIAL E CONTRA O IMPEACHMENT DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF”, publicado em 10 de Dezembro de 2015, onde expressamos nosso entendimento que o processo de impeachment é movido por líderes políticos, muitos deles tornados réus em “processos de corrupção (…) e conhecidos defensores de setores empresariais que historicamente têm se beneficiado com o uso do dinheiro público”.

As igrejas históricas, que não tem nenhum envolvimento direto com este ou qualquer outro governo e que não possuem bancadas, têm se manifestado no mesmo sentido. Estas igrejas reafirmam a defesa do devido processo legal e dos procedimentos institucionais da democracia. Não defendem, portanto, um partido ou liderança política em particular, mas conquistas sociais e econômicas que reduziram vergonhosos índices de miséria extrema e possibilitaram acesso à moradia, educação e saúde a milhões de pessoas totalmente excluídas destes direitos inalienáveis da pessoa humana.

O Conselho Nacional de Igreja Cristãs (CONIC)- que inclui as igrejas Católica Apostólica Romana, Confissão Luterana no Brasil, Presbiteriana Unida, Sirian Ortodoxa e a nossa IEAB- divulgou o “Manifesto de Religiosas e Religiosos em defesa da democracia”, endossado por pessoas de diferentes religiões, para além da fé cristã, no qual se afirma que “não concordamos com a judicialização da política, com a partidarização da justiça e com a espetacularização de ações judiciais. Essas são práticas que contribuem para o descrédito das instituições e o acirramento de posições polarizadas, o que leva a população brasileira a desacreditar na justiça. Optamos por manter o respeito a quem pensa diferente. Defendemos o direito ao pluralismo democrático e ao contraditório. Sejamos fiéis ao diálogo sincero, mesmo com quem tem posições políticas contrárias às nossas”.

Nosso Bispo Primaz, Dom Francisco de Assis da Silva, no mesmo contexto, reafirma que:

“[...] as investigações de corrupção cometidas por agentes do Estado em todos os poderes em conluio com segmentos empresariais são um atentado contra o povo e devem ser enfrentados com a lei é somente dentro dela. São legítimas somente quando existam provas concretas e quando garantem o direito à ampla defesa. Interesses corporativos de órgãos da grande mídia não podem e não devem ser ideologicamente seletivos e nem condenar a priori ninguém por causa de seu perfil ideológico”.

Além de assumir integralmente as declarações citadas acima, queremos, em atenção a nossa tarefa pastoral e evangélica, não apenas para as pessoas que frequentam nossa igreja, mas para toda a sociedade brasileira, manifestar:

1. Que a forma com vem sendo conduzido o processo de impeachment mostra claros vícios antidemocráticos, não tipificando crime de responsabilidade conforme a legislação vigente e escondendo a verdadeira intencionalidade de impedir a continuidade e avanços de conquistas sociais que mudaram a vida de milhões de pessoas brasileiras nos últimos anos;

2. Que, para o bem da sociedade e da cidadania brasileiras, o combate à corrupção em todos os níveis deve continuar, e que, além de fortalecer-se como política de Estado, jamais partidária, defendemos uma ampla reforma do sistema político-eleitoral no Brasil, através de um Plebiscito Constituinte – em conformidade com movimentos e organizações populares – que, entre outras medidas, determine o financiamento público de campanhas, eliminando o abuso e comprometimento de pessoas eleitas com interesses empresariais ou quaisquer outros que não sejam o bem-estar de nosso povo e,

3. Que, como foi recomendado na nota de nosso Bispo Primaz, naquilo que tivermos diferentes entendimentos políticos, busquemos “que se respeite a livre manifestação do pensamento dentro de padrões que não contemplem o ódio e a violência contra pessoas e grupos”. Pois estas formas de intolerância impossibilitam o convívio democrático que buscamos na construção da paz e da justiça em nosso país.

Entendemos que é nossa tarefa pastoral e profética, levantar a nossa voz, como parte da Igreja de Cristo, em favor da justiça, da verdade e da paz, seguindo o que nos recomenda a Carta de Tiago, “um fruto de justiça é semeado na paz, para aqueles que trabalham pela paz” e fazendo eco ao Salmo 85:10: “a misericórdia e a verdade encontraram-se; a justiça e a paz se beijaram”. Sendo assim, exortamos a todas as pessoas de boa vontade para que trabalhem na preservação dos valores democráticos da sociedade brasileira.

São Paulo, 31 de março de 2016

Dom Francisco de Assis da Silva, Bispo Primaz e Diocesano da Sul Ocidental
Dom Naudal Gomes, Bispo da Diocese Anglicana de Curitiba
Dom Filadelfo Oliveira, Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro
Dom Mauricio Andrade, Bispo da Diocese Anglicana de Brasilia
Dom Saulo Barros, Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia
Dom Renato Raatz, Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas
Dom Flavio Irala, Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo
Dom Humberto Maiztegui, Bispo da Diocese Meridional
Dom João Peixoto, Bispo da Diocese Anglicana do Recife

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e a Associação dos Juízes Federais do Brasil se uniram para lançar um manifesto em defesa do Brasil.

O texto pede que "as entidades da sociedade civil se unam pela superação da intolerância e pela busca de soluções que priorizem o compromisso com o interesse comum do país" e que "os atores da cena política procurem o entendimento para consolidar a luta contra a corrupção".

Leia a íntegra:

NA BUSCA DA JUSTIÇA E DA PAZ

A sociedade brasileira passa por um momento de grave crise institucional, provocada por uma polarização política em crescente radicalização.

Esse sentimento que atinge hoje grandes segmentos da população apresenta, infelizmente, reações carregadas de intolerância e agressividade, dividindo brasileiros e brasileiras e gerando o risco de uma preocupante escalada da violência, em prejuízo de toda a nação.

Neste momento, urge que os atores da cena política procurem o entendimento para consolidar a luta contra a corrupção, sempre de acordo com a institucionalidade democrática.

A unidade nacional não pode sofrer divisões insuperáveis. Por isso, é necessário que as entidades da sociedade civil se unam pela superação da intolerância e pela busca de soluções que priorizem o compromisso com o interesse comum do país.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e a Associação dos Juízes Federais do Brasil formulam veemente e fraterno apelo à inteira sociedade brasileira e suas instituições para se engajarem, de forma decidida, na incansável luta pela Justiça e pela Paz, para a construção de um país, casa comum de brasileiros e brasileiras e daqueles que adotaram esta terra como seu lar.

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB

Associação dos Magistrados Brasileiros - AMB

Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho - Anamatra

Associação dos Juízes Federais do Brasil - Ajufe

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Ministério da Justiça, o Ministério Público Federal e o Instituto dos Advogados Brasileiros assinaram, na manhã desta sexta-feira, 1º de abril, Conclamação Dirigida ao Povo Brasileiro, na qual exortam a busca permanente de solução pacífica para a crise.

No texto, as entidades conclamam "todos os cidadãos e cidadãs, comunidades, partidos políticos e entidades da sociedade civil organizada a fazer sua parte e cooperar para este mesmo fim, adotando, em suas manifestações, a busca permanente de soluções pacíficas e o repúdio a qualquer forma de violência, convictos de que a força das ideias, na história da humanidade, sempre foi mais bem-sucedida do que as ideias de força”.

Assinam a conclamação o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner; o ministro da justiça, Dr. Eugênio Aragão; o procurador federal, Dr. Aurélio Veiga dos Rios; e o representante do Instituto dos Advogados Brasileiros, Dr. Técio Lins e Silva.

O evento foi realizado na sede da CNBB, em Brasília, com presença de representantes da sociedade civil, pastorais, movimentos e organismos.

Confira a íntegra da Conclamação:

Conclamação ao Povo Brasileiro

Reunidos, por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, Ministério da Justiça, Ministério Público Federal, Instituto dos Advogados Brasileiros,

Considerando as graves dificuldades institucionais, econômicas e sociais da atual conjuntura nacional, que geram inquietação e incertezas quanto ao futuro;

Considerando que nenhuma crise, por mais séria que seja, pode ter adequada solução fora dos cânones constitucionais e legais em decorrência do primado do Direito;

Considerando que as divergências naturais, numa sociedade plural, não devem ser resolvidas, senão preservando-se o respeito mútuo, em virtude da dignidade da pessoa humana;

Considerando que, em disputas políticas, necessariamente haverá aqueles que obtêm sucesso e aqueles que não alcançam seus objetivos;

Considerando que, nestes casos, o êxito não pode significar o aniquilamento do opositor, nem o insucesso pode autorizar a desqualificação do procedimento;

Considerando que, sejam quais forem os grupos políticos, suas convicções e valores não devem ser colocados acima dos interesses gerais do bem comum do Estado, que tem o dever de priorizar os grupos mais vulneráveis da população;

Considerando, por fim, que às entidades subscritas cabe desenvolver o seu mais ingente esforço para assegurar a prevalência das garantias constitucionais, norteadas por nossa Carta Cidadã de 1988 no artigo 3º:

Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I. construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II. garantir o desenvolvimento nacional;

III. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV. promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Conclamam todos os cidadãos e cidadãs, comunidades, partidos políticos e entidades da sociedade civil organizada, a fazer sua parte e cooperar para este mesmo fim, adotando, em suas manifestações, a busca permanente de soluções pacíficas e o repúdio a qualquer forma de violência, convictos de que a força das ideias, na história da humanidade, sempre foi mais bem sucedida do que as ideias de força.

Se assim o fizermos, a História celebrará a maturidade, o equilíbrio e a racionalidade de nossa geração que terá sabido evitar a conflagração, que somente divide e não constrói, fazendo emergir dos presentes desafios, ainda mais fortalecidas, as Instituições, a República e a Democracia.

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Dr. Eugênio Aragão
Ministério da Justiça

Dr. Aurélio Veiga dos Rios
Ministério Público Federal

Dr. Técio Lins e Silva
Instituto dos Advogados Brasileiros

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Será realizada, nos dias 15 e 16 de abril, em São Paulo, a segunda edição da oficina “Imigrantes e refugiados: desafios da Casa Comum”. O evento, que conta com a organização do CONIC e a promoção do Fórum Ecumênico ACT-Brasil, objetiva sensibilizar igrejas e organizações de diferentes tradições religiosas para a situação dos imigrantes e refugiados. Além disso, busca fortalecer a rede de acolhida, criando espaços de escuta e diálogo com os imigrantes e, ainda, fortalecer a ação de incidência pública com o objetivo de denunciar a violação de direitos.

Para mais informações, confira o folder (abaixo).

Se preferir, clique aqui e confira a PROGRAMAÇÃO (clique para acessar) desse evento.

INSCRIÇÕES

As inscrições podem ser encaminhadas para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., com as seguintes informações:

1) Nome Completo; 
2) Igreja/Tradição Religiosa; 
3) Idade; 
4) Se precisa de hospedagem (sim ou não).

Em caso de dúvidas, ligue: (61) 3321-4034

EVENTO ANTERIOR

Nos dias 8 e 9 de dezembro de 2015, São Paulo foi sede da mesma oficina. Essa primeira edição foi importante, pois reuniu organizações que já desenvolvem trabalhos com o tema migração e refúgio, além de representações de igrejas que, todavia, não desenvolvem ações pastorais em torno desse tema. Percebeu-se, na ocasião, a relevância e urgência de se buscar aproximação entre as comunidades locais e as organizações que trabalham com migrantes e refugiados.

Desse diagnóstico, surgiu o indicativo dos e das participantes de se realizar uma nova oficina – esta que está sendo anunciada acima –, que deveria reunir um número maior de representações de igrejas. O objetivo é a organização de uma rede ecumênica de apoio aos migrantes e refugiados.

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A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) orientou a celebração realizada no Centro de Eventos Rodeio 12, em Rodeio (SC), hoje, dia 29 de março, no primeiro dia da Assembleia da Fundação Luterana de Diaconia (FLD). O culto teve a participação de ministras e ministros do Sínodo Norte Catarinense/Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), que promove encontro no mesmo local. A CFE é uma iniciativa da CNBB, com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC). A IECLB faz parte da comissão da campanha, por intermédio do CONIC, com outras igrejas, organizações e entidades.

A partir do tema escolhido para a CFE, "Casa comum, nossa responsabilidade", e o lema "Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca" (Amós 5.24), o pastor sinodal do Sínodo Norte Catarinense, Inácio Lemke, fez a pregação.Ele lembrou que o tema e lema 2016 da IECLB têm um vínculo muito forte com a CFE: "Pela graça de Deus, livres para cuidar", e o lema: "Buscai o bem e não o mal, também com base em Amós (Amós 5.14a). “Queremos ver a justiça brotar, mas ainda existe lugar para justiça hoje em dia?”, perguntou. “Só a nossa geração já desperdiçou e destruiu tantas coisas, plantas, frutas, sementes crioulas”, disse.

No entanto, não se deve perder a esperança. “Precisamos caminhar com um mesmo pensamento, de cuidado, de olhar à volta, de ter qualidade de vida, mas não à custa da natureza e das pessoas”.

O pastor sinodal também reforçou o dever de ministras e ministros da IECLB, conselheiras e conselheiros da FLD e pessoas convidadas para a assembleia a atuarem como lideranças. “Nosso papel é questionar e se posicionar de forma crítica, desafiando nossas comunidades a olhar e também se responsabilizar pela transformação de uma realidade de injustiça.”

Participaram da condução do culto a presidenta da Diretoria da FLD, diácona Valmi Becker, o vogal da Diretoria da FLD, pastor Siegmund Berger, a secretária executiva da FLD, pastora Cibele Kuss, e o pastor vice-sinodal do Sínodo Norte Catarinente pastor Marcos Aurélio de Oliveira.

Campanha ecumênica

A primeira campanha da fraternidade ecumênica foi realizada em 2000, com o tema Dignidade Humana e Paz e lema "Novo milênio sem exclusões". A segunda, em 2005, teve como tema Solidariedade e Paz e lema "Felizes os que promovem a paz". A campanha de 2010 tratou de Economia e Vida, a partir do lema "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro".

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Fonte: FLD
Foto: Reprodução

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Cerca de 300 religiosos de diversas tradições se reuniram na última quarta-feira, 30, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), para um ato em defesa da democracia. O movimento quer contribuir para o diálogo como forma de superar a crise que, como destacam seus representantes, não é só brasileira atingindo a vários países da América Latina. Os religiosos criticam também a judicialização da política e a partidarização da justiça em nosso país, afirmando que estas só têm feito acirrar a polarização.

O ato inter-religioso programado para acontecer no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, acabou sendo transferido para a Plenária 10 porque, a princípio, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entendeu que o encontro seria para uma vigília que ocuparia o local por tempo indeterminado. Mesmo com o engano, o ato teve de acontecer num lugar diferente do que havia sido definido.

Ao lado da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB e do Comitê pró-democracia no Congresso Nacional, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) foi uma das entidades responsáveis por organizar o ato. A secretária geral da instituição, pastora Romi Bencke avaliou o evento como um grande sucesso, principalmente pela variedade expressões religiosas. “A presença de uma diversidade religiosa significativa foi o grande destaque. Estiveram representantes de tradições indígenas, africanas, budistas, cristãs. Todas elas em apoio a democracia. A tônica nas falas das lideranças era a seguinte: somente a democracia possibilita a coexistência entre as religiões”, comentou.

“O momento também foi oportuno para criticarmos a intolerância religiosa que afeta, de maneira especial, as tradições religiosas de matriz africana e indígena. Aproveitamos, ainda, para ler o Manifesto de Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia”, completou Romi.

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Compareceram também parlamentares como Érika Kokay (PT-DF), Benedita da Silva (PT-RJ), Chico Alencar e Jean Willys (PSOL-RJ), além de representantes do Sindicato dos Petroleiros e do Movimento dos Sem Terra. Durante o evento, liturgias, canções que contam um pouco da história da resistência a todo tipo de autoritarismo e bênçãos.

A irmã Sueli Bellato, da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, descreveu o ato como uma grande festa que remeteu a outros momentos históricos nos quais a luta pela democracia ocupou o primeiro lugar na agenda de diferentes segmentos. “Algo que as religiões têm de muito importante é isso, essa prática de celebrar a fé. Esse ato envolvendo um leque amplo de manifestações da religiosidade mostrou o que deve prevalecer: o diálogo, a paz e a justiça. Esses três elementos são básicos para a democracia. É ela que permite a diversidade, ao contrário dos regimes de exceção”, afirmou.

Ao fim do evento os religiosos fizeram a leitura de uma carta da presidente Dilma Rousseff. O documento afirma que “a ruptura da democracia corrói as bases sobre as quais os seres humanos constroem formas pacíficas de convivência e respeito mútuo”. O grupo que realizou o ato segue mobilizado coletando assinaturas de religiosos em defesa da democracia em uma petição online a ser entregue aos parlamentares.

Confira, neste link, uma outra lista de assinaturas (que se somam à petição online).

Clicando aqui, você também acessa a petição feita via Google.docs.

Com informações de koinonia.org.br
Fotos: Tatiane dos Santos Duarte

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O que está acontecendo?

Do Estado Democrático de Direito a um Estado Policial

O Brasil vive um dos momentos mais importantes de sua História após o final da ditadura civil-militar. Estamos em um entroncamento onde teremos que escolher entre consolidar, ampliar e aprofundar o processo democrático ou aceitar que forças retrógradas e anti-democráticas façam retroceder nossas conquistas democráticas. A grande maioria dos mais destacados juristas brasileiros já demonstraram que o instituto do impeachment só pode ser usado no caso comprovado de cometimento de crime de responsabilidade por parte da/o Presidente da República. E esse não é o caso. A presidenta Dilma não é acusada de nenhum crime. E por isso, o que ocorre neste momento não é um processo de impeachment. É claramente uma tentativa de Golpe.

O Estado Democrático de Direito, resultado de lutas intensas consubstanciado na Constituição de 1988, está sob ataque de setores partidarizados do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal em conluio gritante com os grandes veículos de comunicação. A banalização das prisões preventivas, torturas psicológicas para obter delações premiadas, uso abusivo da condução coercitiva, invasões ilegais de privacidade, linchamentos públicos de reputações, vazamentos seletivos de documentos e interceptações ilegais de conversas telefônicas, inclusive da Presidente da República sob o olhar complacente de instâncias judiciárias responsáveis por zelar pela constituição, transformaram o Brasil em um Estado Policial. O que era considerado exceção vai se transformando em regra em um movimento típico do surgimento de regimes totalitários como o fascismo e nazismo.

Para um septuagenário como eu que conseguiu sobreviver às torturas praticadas nos porões da ditadura e que viveu e presenciou as tentativas de golpe contra Getúlio Vargas (1954), duas tentativas de golpe militar contra Jucelino 1956 e 1959), contra Jango (1961 e 1964), não é difícil entender o atual processo golpista no Brasil como uma continuidade da tradição das "elites" brasileiras. Essas elites sempre tiveram suas costas voltadas contra o Brasil e nunca olharam para este território como um local onde se pudesse construir um país justo e democrático.

Entretanto, apesar dessas nuvens sombrias que se abatem sobre o Brasil o que me mantém otimista e esperançoso é constatar que não estamos assistindo impassíveis a esses ataques. Milhões de brasileiros têm ido às ruas demostrar seu compromisso com a Democracia e em defesa da legalidade democrática. Saúdo com grande alegria a participação da juventude nas centenas de comitês contra o golpe que estão pipocando nas escolas, universidades e nas periferias das grandes cidades. É uma demonstração de que setores importantes da sociedade estão conscientes de que, neste momento, o que está em jogo não é o destino de um governo mas, sim, e acima de tudo, o futuro das gerações jovens de hoje e de nossos filhos e netos do futuro.

Anivaldo Padilha

A Campanha

Estando cientes também do papel que as distintas comunidades de fé representam no Brasil, convidamos cada religiosa e religioso. Temos um lado, a defesa da democracia que simplesmente clama por uma justiça legítima, imparcial e que defenda o Estado Democrático de Direito.

A Campanha #religiosxspelademocracia será realizada nos dias 31 de março a 07 de abril é coordenada pelo Fórum Ecumênica ACT- Brasil e integra as iniciativas da Comissão Pró-democracia no Congresso e da Frente Brasil Popular. Pedimos que cada fiel ou liderança religiosa publique uma foto nas rede sociais de forma pública, com a #religiosxspelademocracia. Se preferir utilize um cartaz, com a hastag.

As fotos também podem ser enviadas ao e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. para serem compartilhadas nas redes dos apoiadores.

Apoiem e compartilhem também o “Manifesto de Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia”.

Segue no link: http://bit.ly/1ZO8fNi

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Hoje, 30 de março, às 18h, no Auditório Nereu Ramos, Anexo II da Câmara dos Deputados acontece o Ato Público “Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia”.

Evento coordenado pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC, Comissão Brasileira Justiça e Paz e Comissão Pró-Democracia no Congresso Nacional, a atividade reunirá religiosas e religiosos de diferentes tradições do cristianismo (católica romana, protestantes, anglicana, evangélica-pentecostal), tradições afro (candomblé, umbanda), espiritismo, hinduísmo, indígenas, jurema sagrada, budismo.

O Manifesto “Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia”, que será lido, já recebeu centenas adesões (somando as assinaturas colhidas no Avaaz e via e-mail). Ele destaca, entre outras coisas, que "A democracia é essencial para a convivência e a coexistência entre diferentes religiões, grupos e pessoas não religiosos. Por isso, permaneceremos vigilantes. É com a democracia que aprendemos a ser tolerantes com o outro. No entanto, nossas experiências de fé nos desafiam a irmos para além. Devemos caminhar em direção ao reconhecimento do direito do outro à existência".

SERVIÇO

Ato Público: Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia
Local: Auditório Nereu Ramos - Anexo II
Horário: 18h00

CONTATOS

CONIC: (61) 3321-4034
CBJP: (61) 3323-8713
Romi Bencke: (61) 9583-3873

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“A colaboração inter-religiosa entre a Federação Luterana Mundial (FLM) e a agência Islamic Relief Worldwide (IRW, sigla em inglês) é um exemplo concreto de articulação que vai muito além de plataformas de incidência. Tem um papel central na resposta aos desafios da justiça de gênero”, afirmou a secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), organização diaconal ligada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), pastora Cibele Kuss. A fala foi proferida em um dos painéis organizados pela FLM, por meio da Secretaria Mulheres na Igreja e na Sociedade (WICAS, sigla em inglês), durante a 60ª Sessão da Comissão do Status da Mulher, realizado na sede da ONU, em Nova Iorque, EUA, de 14 a 24 de março.

Cibele e as demais delegadas da FLM defendem uma maior colaboração entre a ONU e organizações da sociedade civil baseadas na fé, para tratar de temas que afetam o empoderamento das mulheres e o desenvolvimento sustentável, que orientou a sessão da Comissão do Status da Mulher este ano.

Representantes do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, sigla em inglês), da Associação Mundial de Jovens Mulheres Cristãs e da Federação dos EUA para a Paz no Oriente Médio participaram do painel.

A assessora de gênero da IRW, Sharifa Abdulaziz, disse que “a fé é um componente integral do tecido social e é considerada por muitas pessoas como a principal força para provocar mudanças em comunidades”. Uma parceria firmada em 2014 entre a FLM e a IRW no Nepal ajudou no trabalho de apoio às pessoas que perderam suas casas e seu sustento, no terremoto de abril de 2015, e também junto a refugiadas e refugiados sírios que vivem na Jordânia.

Por sua vez, a secretária executiva da FLD citou que o UNFPA apoiou, em 2015, uma ação inter-religiosa de incidência, relacionada com a Campanha dos 16 dias de Ativismos pelo fim da Violência contra a Mulher, que enfocou o casamento infantil, seu impacto na educação das meninas e o papel da fé nessas realidades tão desafiadoras.

Cibele, que é membro do Conselho da FLM, lembrou que racismo, intolerância religiosa e outras formas de discriminação acentuam e reproduzem desigualdades no Brasil. Os grupos que têm sofrido injustiças incluem, na sua maioria, afrodescendentes, povos indígenas e comunidades de diferentes orientações sexuais. De acordo com ela, a escalada da violência contra esses grupos é alimentada por membros da Câmara e do Senado federais, que apoiam fundamentalistas cristãos, em um cenário religioso que está em mutação no país.

Dra. Azza Karam, assessora sênior para a Cultura do UNFPA, disse que a situação no Brasil reafirma sua convicção da necessidade de troca de experiências sobre intolerâncias religiosas, especialmente na perspectiva Sul-Sul.

Concluindo, Cibele disse que a Política de Justiça de Gênero da FLM, de 2013, ajudou a Fundação Luterana de Diaconia a desenvolver um documento similar em 2014. “Tem sido uma ferramenta poderosa para assegurar que nossas outras políticas, como uma organização baseada na fé, sejam construídas a partir da justiça de gênero”.

A secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), pastora Cibele Kuss, participou da 60ª Sessão da Comissão do Status da Mulher como uma das seis delegadas da Federação Luterana Mundial (FLM), através da Secretaria Mulheres na Igreja e na Sociedade (WICAS), que tem presença histórica nas sessões da comissão, assim como outras organizações baseadas na fé.

Fonte: www.lutheranworld.org / Fotografia: LWF/C. Rendón
Tradução: Susanne Buchweitz