fbpx

inspir 866543456i
É com alegria que o CONIC apresenta a você, leitor, o site da InspirAction, organização sem fins lucrativos que busca acabar com a pobreza em todas as suas facetas. Sediada na Espanha e com o foco de trabalho na América Latina e Caribe, a organização é parte da Christian Aid Global.
 
Para saber mais, acesse: www.inspiraction.org.

mr098765ii875434567
 
PRONUNCIAMENTO DO CONSELHO COORDENADOR DA IGREJA PRESBITERIANA UNIDA DO BRASIL
SOBRE O MOMENTO POLÍTICO DO BRASIL E AS AÇÕES DA OPERAÇÃO LAVA JATO
 
O Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil – CC-IPU, tendo em vista o agravamento da crise política do país cujo ápice se deu com as recentes ações realizadas pela Operação Lava Jato, responsável pela investigação de políticos e empresários supostamente envolvidos em prática de crimes de corrupção, dirige-se aos presbitérios e igrejas a ela jurisdicionados e à sociedade brasileira em geral, em especial à classe política e aos operadores da justiça (Judiciário, Polícia Federal, OAB e Ministério Público) e faz o seguinte
 
PRONUNCIAMENTO:
 
1 - A IPU, igreja herdeira da Reforma Protestante, sempre pautará sua conduta pelos padrões de ética e justiça bíblicos e defende que a sociedade brasileira - sejam cristãos, seguidores de tradições religiosas não cristãs e os sem religião - tenha direito a viver em um país sob o império do estado de Direito, da justiça e da ética, sem distinção de classes, credos, raças ou qualquer outro padrão social convencionado;
 
2 - A IPU, igreja fundada em 1978, período obscuro da recente história brasileira, oriunda de um presbiterianismo que, de um lado, se aliou à ditadura militar e abraçou o estado autoritário, para dele também tirar proveito, negando o Pronunciamento Social da Igreja Presbiteriana de 1962, mas que, de outro lado, ofereceu mártires em defesa da causa dos pobres e das liberdades políticas, sempre será fiel às suas raízes e fará ecoar a voz profética da Justiça que deve correr como os ribeiros (Amós 5.24);
 
3 - A IPU defende o aprofundamento das investigações da Operação Lava Jato, que elas sejam simétricas, sem privilegiar ou discriminar quaisquer partidos políticos, buscando-se o alcance da justiça, aplicando-a a quem quer que seja (doa a quem doer), leve o tempo que levar, sempre sob os auspícios do estado de Direito, da lei e da serenidade que devem pautar os agentes públicos, em especial os operadores da justiça;
 
4 - A IPU condena, veementemente, o caráter midiático e teatral que os coordenadores da chamada Força Tarefa da Lava Jato têm dado antes, durante e após o cumprimento de cada fase da Lava Jato. Essa espetacularização de atividades meramente investigativas tem criado um caldo de cultura pernicioso, permeado pelo ódio ao que pensa diferente e que, caso não haja cautela da parte daqueles que conduzem tais investigações e da elite política deste país, poderá se degenerar e transformar nossas ruas em palcos de banhos de sangue;
 
5 - A IPU condena o vazamento seletivo de trechos de depoimentos, sejam de acusados, investigados ou delatores, sempre dirigidos, previamente, a alguns órgãos de comunicação que entregam um produto de conteúdo nem sempre imparcial e justo;
 
6 - A IPU coloca sob suspeição e alerta os membros de suas igrejas a verem com espírito crítico e com ceticismo conteúdos de delações premiadas que passam a ser tomados como sentenças condenatórias de agentes públicos, sem que tenha havido o devido processo penal, a produção de provas e o direito ao contraditório dos acusados;
 
7 - A IPU alerta que os delatores da Operação Lava Jato são os mesmos que, na surdina e nos arranjos inescrupulosos deste e de governos de épocas anteriores, se locupletaram às custas do país e não tiveram escrúpulos e, mais uma vez, como os ratos que abandonam o navio prestes a submergir, buscam salvar a sua própria pele;
 
8 - A IPU, com base no Pronunciamento das Igrejas Históricas contra a corrupção, por ela e por outras igrejas assinado e publicado em setembro de 2014, reitera que a corrupção que grassa em nosso pais vem de longa data e é filha de um sistema político mal articulado que sempre se pautou pela busca de financiamento privado de campanhas, transformando o Congresso Nacional em verdadeiro representante do poder econômico e não do povo, sendo que cerca de 70% de seus membros são representantes diretos de grandes grupos econômicos e financeiros, nacionais e estrangeiros, sediados no país;
 
9 - A IPU reitera que a verdadeira Justiça provém de Deus e que toda justiça humana é incompleta e imperfeita, mas deve ser permanentemente buscada, no entanto, não deve ser almejada a qualquer preço. Justiça a qualquer preço é justiçamento e, como tal, não há nenhuma diferença entre levar qualquer investigado preso, mediante condução coercitiva, sem a devida intimação judicial prévia, quanto linchar um pobre jovem negro transgressor e amarrá-lo em um poste, em praça pública, buscando fazer "justiça com as próprias mãos";
 
10 - Como bem supremo, a justiça deve ser buscada, mas a IPU alerta o povo de Deus que nela se reúne: fuja da justiça dos hipócritas escribas e fariseus dos dias atuais (Mateus 5.20). Muitos desses são políticos que respondem a processos criminais e igualmente estão sob suspeição por práticas delituosas. Para buscar a justiça, desconfiem daqueles que, em nome dela, defendem a pena de morte, a redução da maioridade penal, a volta da ditadura militar e desrespeitam o direito das minorias, em especial negros, índios, homossexuais e adeptos de religiões não cristãs ou sem religião;
 
A IPU conclama o povo de Deus que nela se reúne para se colocar, permanentemente, em oração pela nossa pátria. Que ela seja, verdadeiramente, pátria de todos e de todas, onde o direito e a justiça corram como rio perene.
 
Vitória, 8 de março de 2016.
 
Presb. Wertson Brasil de Souza
Moderador do CC-IPU
 
Presb. Elson Rubens dos Santos
Vice-Moderador do CC-IPU
 
Presb. Sérgio Augusto Miranda
1º Secretário do CC-IPU
 
Presb. Wilson Tadeu de Carvalho Eccard
2º Secretário do CC-IPU
 
Presb. Davi Freitas Natal
Tesoureiro

siria w 453456
 
Apesar de haver cada vez mais avanço no que toca ao papel das mulheres na sociedade, a desigualdade de gênero ainda existe e, ainda hoje, o sexo feminino luta para conseguir direitos iguais. Acontece aqui, no Brasil, e no resto do mundo
 
Celebra-se, hoje, o Dia Internacional da Mulher. A data celebra muitas conquistas femininas ao longo de vários anos e serve como alerta sobre os graves problemas na desigualdade de género no mundo inteiro. Estamos em 2016 e várias mulheres, por todo o mundo, ainda lutam pelos seus direitos. Fazem-no hoje e faziam-no em 1857.
 
Nesse mesmo ano, um grupo de 130 mulheres fez uma greve na fábrica têxtil onde trabalhava, em Nova Iorque, para exigir melhores condições de trabalho. Estas mesmas mulheres trabalhavam em condições miseráveis: 16 horas de trabalho diário a receber o terço do que recebia um homem. Reivindicavam, então, o aumento salarial, a redução do horário de trabalho e um melhor tratamento no local de trabalho.
 
Contudo, a greve não foi bem vista e não correu bem. Essas mulheres foram trancadas dentro da fábrica onde trabalhavam, que depois foi incendiada. Morreram carbonizadas.
 
Apesar deste grave acontecimento, só no ano de 1911, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às mulheres que morreram no incêndio. A data só foi oficializada em 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU), através de um decreto.
 
Muito antes de a ONU institucionalizar a data, foram várias as manifestações femininas para obter melhores condições de trabalho.
 
Um dos protestos que mais se destaca foi a marcha que, em 1908, reuniu cerca de 15 mil mulheres em Nova Iorque que exigiam a redução horária no trabalho, bem como o aumento do salário e o direito de voto.
 
PELO MUNDO
 
A história difícil da libertação das mulheres na região do Oriente Médio remonta à reforma otomana do Direito da Família, em 1917. A partir de então, em muitos países da região e do norte africano, as mulheres alcançaram conquistas no campo dos direitos civis.
 
Mesmo assim, a igualdade de gênero no Oriente Médio ainda está longe de ser alcançada. Ao longo dos anos, são várias as gerações de mulheres lutam pela liberdade.
 
E o mundo ainda tem suas tristes ironias. Há 30 anos, as mulheres sírias e iraquianas tinham muito mais liberdade e direitos. Depois de muitos anos de guerras e conflitos, tais mulheres viram o seu estatuto social, civil e político erodir.
 
Em outros países a ironia é ainda maior: o dia é tão importante que se tornou feriado público. Nem o comércio funciona. A parte estranha é que fazem parte da lista Cazaquistão e Burkina Faso, locais onde as mulheres são totalmente discriminadas. No Burkina Faso, por exemplo, a mulher não pode, de modo algum, receber o título de “chefe de família”.
 
Países como a Arábia Saudita - onde as mulheres puderam votar pela primeira vez no ano passado - o sexo feminino está impedido de praticamente tudo, seja tomar decisões importantes ou mesmo fazer coisas simples, como conduzir um carro.
 
É verdade que na Europa as mulheres são cada vez mais iguais aos homens no que diz respeito aos direitos. Mas também é verdade que este é um continente com uma variedade cultural enorme.
 
No continente europeu, as mais prejudicadas continuam sendo as muçulmanas. Em muitos casos, uma grande discrepância em relação aos direitos das mulheres residentes em solo europeu tem na religião a principal causa de desigualdade.
 
BRASIL
 
Uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil. Esse dado chocante não deve fazer com que outra questão seja obscurecida: a da constância com que atos violentos são praticados, em especial, no ambiente doméstico. Das mulheres que afirmam ter sofrido violência - contingente que equivale a 19% da população do país -, 31% ainda precisam conviver com o agressor, dessas, 14% seguem como vítimas de repetidas agressões. Estes números são produto de um círculo alimentado pela ideologia machista que trivializa condutas abusivas, dificultando o próprio reconhecimento da violência enquanto tal.
 
Num país composto mais de 86% por cristãos, onde apenas 8% da população declara não possuir religião, as justificativas religiosas para as desigualdades de gênero e a violência contra a mulher não devem ser desprezadas no entendimento desse fenômeno talvez ainda mais cruel do que apontam
 
Com informações do Jornal i e Koinonia
Foto: Andrew McConnell/UNHCR

1004966i
 O Riacho está mais seco? A justiça mais longe? Engrossemos o grito para o caminho do bem viver.
 
A farsa do progresso das mineradoras é incontestável, como nos demonstra o caso da tragédia ocorrida na Bacia do Rio Doce, provocada pela Samarco/Vale/BHP Billiton e o caso da mineração no Norte de Minas.
 
No dia 29 de fevereiro, 03 horas da manhã, o povo pobre de Riacho dos Machados paralisou todas as entradas da cidade, localizada no Norte de Minas Gerais, onde está instalada a Mineradora Canadense Carpathian Gold, que explora ouro.
 
Parte da sociedade local estava iludida, defendia o “progresso” que traria a mineração. Agora o povo está nas ruas. Empregos, CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) e melhorias na estrutura do município, são algumas das reivindicações. O povo não vê melhoria na vida pós mineração. Os poucos empregos gerados são ocupados por trabalhadores de “fora”.
 
Durante a noite, organizações da região refletiram, num debate, os impactos da mineração do ouro, a partir do caso de Paracatu e de Riacho dos Machados.
 
Paracatu vivencia uma catástrofe socioambiental. Recente pesquisa realizada na região identifica altos índices de arsênio na água e na população.
 
Riacho dos Machados está inserido no Semi-árido Mineiro e possui problemas sérios de abastecimento humano de água. Esta “não regularidade hídrica” se agrava com a mineração. A Carpathian Gold já perfurou, segundo a Polícia Ambiental, 10 poços artesianos de forma ilegal; invadiu áreas da comunidade para retirar água de poços; e usa água contaminada para irrigar estradas, dentre outros crimes socioambientais.
 
O processo de licenciamento tem muitas controvérsias já denunciadas. Os gestores públicos que concederam licenças ad referendum estão sendo julgados criminalmente. Em junho do ano passado o COPAM (Conselho Estadual de Política Ambiental) e a SUPRAM (Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) concederam a Licença de Operação para a Carpathian Gold. O COPAM, o Secretário de Meio Ambiente do Estado de MG e o Sub-secretário de regularização ambiental, estavam cientes das irregularidades e dos riscos desta mineração. O Estado Mineiro, pela presidente da mesa, ex Superintendente do SUPRAM Jequitinhonha, Eliana Piedade Alves Machado, não aceitou pedido da sociedade civil para baixar o processo em diligência (este com o objetivo de esclarecer questões referentes a água). Depois de alguns dias a empresa Carpathion Gold suspendeu temporariamente os contratos de trabalho de 80% dos funcionários, utilizando recursos da Bolsa de Qualificação Profissional, do Fundo de Amparo ao Trabalhador – ou seja, recursos públicos - alegando falta de água para operar. Esta situação nem ao menos foi debatida no COPAM, que com apenas 4 votos contrários, concedeu a licença de operação. Ainda, a Polícia Militar tentou deter 2 pessoas que participavam da Audiência Pública.
 
A região da mineradora tem locais com altos índices de arsênio – metal conhecido como o “rei dos venenos”. O mesmo metal tóxico identificado em Paracatú. A mineradora usa o cianeto para separar a rocha do ouro. Substância tóxica usada por Hitler para assassinar Judeus nas câmaras de gás. Estes metais, e outros, vão parar na barragem de rejeito da mineradora, localizada em um afluente do açude de Bico da Pedra, que abastece uma população de 77 mil pessoas e tem grande importância para a economia da região.
 
O Instituto Prístino fez um estudo sobre a exploração da mineradora e indicou que a barragem de rejeitos possui procedimentos não seguros que põem em risco sua segurança. A empresa Pimenta de Ávila Consultoria Ltda que trabalha para a Carpathain é a mesma que assessora a Samarco em Mariana.
 
No tempo que a Campanha da Fraternidade Ecumênica nos chama para cuidar na nossa Casa Comum, com anúncio e denúncia, não podemos nos calar frente às violações de direitos socioambientais praticados pelas empresas e pelo Estado.
 
Comissão Pastoral da Terra Norte de Minas
 
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha
 
Foto: Ricardo Moraes/Reuters

091115 otr offrecord 640
A Rainha Elizabeth II irá lançar um livro que expressa a importância central de Jesus Cristo em sua vida. “The Servant Queen and the King She Serves” (“A Serva Rainha e o Rei que Ela Serve”, em tradução livre) será lançado em abril, em comemoração a seu 90º aniversário. “De fato, tenho visto a Sua fidelidade”, escreveu a monarca britânica no prefácio do livro.
 
Milhares de igrejas irão distribuir cópias do livro, que será publicado pela Sociedade Bíblica Hope e pelo Instituto de Londres Para O Cristianismo Contemporâneo (LICC), segundo informações da Igreja da Inglaterra.
 
“Enquanto escrevia este livro e falava sobre ele aos meus amigos e familiares que não conhecem a Jesus — e ao meu barbeiro judeu —, eu fiquei impressionado em ver como eles se interessaram em descobrir mais sobre a fé da rainha”, disse Mark Greene, diretor da LICC e co-autor do livro.
 
Além de sua fé, a rainha também chama a atenção no livro sobre a perseguição contínua aos cristãos no Oriente Médio, um assunto que ela vem tocando em inúmeras ocasiões. Paul Woolley, presidente da Sociedade Bíblica, acrescentou: “Chamando a atenção para o papel central da fé da rainha em sua vida e reinado, a ‘Serva Rainha’ será uma publicação original do 90º aniversário. O livro vai informar, surpreender, entreter e desafiar a todos ao mesmo tempo.”

CONIC com agências
Foto: reprodução / foxnews.com

110429moradias f 009
“Está chegando o tempo de Deus destruir quem destrói a terra. Se você quiser viver no planeta, tem que aprender a cultivar e preservar, desde agora e para as futuras gerações. Cacique Kauíxe – Com. Sol Nascente (Manaus/AM)
 
Neste ano de 2016 estamos, como pessoas cristãs e cidadãs, motivadas a vivenciar o período da quaresma no convívio e partilha ecumênica. O convite é para uma caminhada de libertação pessoal, comunitário e social, de reflexão e oração comunitária sobre a responsabilidade da Casa Comum, que é todas as pessoas. A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2016 quer provocar a reflexão de duas dimensões básicas para a subsistência da vida a um só tempo: o cuidado com a criação e a luta pela justiça. O objetivo é promover processos de diálogo que contribuam para a reflexão crítica dos modelos de desenvolvimento que têm orientado as percepções de política e a economia na atualidade. Os temas serão abordados a partir de um problema específico que atinge o meio ambiente e a vida dos todos os seres vivos, que é a fragilidade e a ausência, em diferentes lugares, dos serviços de saneamento básico em nosso país.
 
Desde a primeira Campanha da Fraternidade Ecumênica, em 2000, as igrejas membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC se comprometem por um mundo inclusivo e digno a todas as pessoas, sem exceção. Naquela oportunidade o tema para reflexão, oração conjunta e desafio foi: “Dignidade humana e paz: Novo milênio sem exclusão”. Neste ano o tema é: “Casa comum, nossa responsabilidade”, que evidencia que a promoção da justiça, da inclusão e da dignidade fazem parte da responsabilidade da pessoa cristã, independente a quem se beneficie. O lugar que Deus nos colocou serve a todos seres vivos, é a casa comum.
 
Desta forma, a CFE 2016 também apresenta e inclui o olhar das comunidades e povos indígenas de como está o cuidado com a Casa Comum. A questão do saneamento, do cuidado com a água, da destinação do lixo, do esgotamento sanitário impacta o meio ambiente, tanto para nossa sociedade como para as comunidades indígenas. Afinal, vivemos e dividimos as mesmas condições.
 
As comunidades e povos indígenas sofreram mudanças no seu modo de ser e de vida. A realidade atual se distingue, e muito, das condições e ambiente do passado. O desafio é manter a autonomia, autodeterminação, conhecimentos e o modo de relação com o meio ambiente tradicional, com uma nova realidade, definida pelo modelo de urbanização ocidental. Este modelo sempre caracterizou às comunidades e povos indígenas a concentração populacional, a redução dos espaços geográficos, a escolarização e mudança dos modelos de saneamento (acesso a água, destinação do ‘lixo’, esgotamento, produção e hábitos alimentares, entre outros).
 
Mesmo que que se garante, através das leis do Brasil e de organização internacionais Organização das Nações Unida; Organização Internacional do Trabalho), o direito de acesso e de usufruir dos serviços sociais e de saúde, respeitado a própria relação espiritual com as terras, territórios, águas, mares e outros recursos que as comunidades e povos indígenas tenham tradicionalmente possuídos ou ocupado, assumindo as responsabilidades sobre estes para as gerações futuras, há situações de degradação ao meio ambiente e à dignidade humana aos indígenas.
 
As comunidades indígenas da Terra Indígena Guarita (Tenente Portela, Redentora e Erval Seco/RS) e da Terra Indígena Inhacorá (São Valério do Sul), que dividem a casa comum que constitui também a região do Sínodo Noroeste Riograndense, também carecem da responsabilidade com o saneamento e dignidade humana. A realidade da urbanização, através da concentração populacional, é evidente. Estas comunidades indígenas, formadas por membros dos povos Kaingang e Guarani, que são dos povos mais populosos e tradicionais do Brasil, carecem do diálogo e busca de dignidade na questão do saneamento. Estas comunidades sofrem com a falta de abastecimento de água (diversas localidades ficam desabastecidas da água com frequência, inclusive escolas e postos de saúde, sendo motivo para manifestações e denúncias públicas); oferta de habitações condizentes; envenenamento do solo, riachos, fontes d’água; coleta do lixo (realizada com irregularidade; ou inexistente em alguns lugares).
 
A questão do saneamento também se reflete nas condições dos acampamentos indígenas, que grupos e famílias realizam em diversas cidades da região do sínodo e da região sul do Brasil. Os grupos e famílias indígenas, que se deslocam para coletar material ou para comercializar os artesanatos que produzem, geralmente não possuem as condições de saneamento desejável. Enfrentam problemas de acesso à água e condições sanitárias. Além, das situações de vulnerabilidade social, sendo alvos de preconceito e discriminação, como já ocorrido em diversas cidades e localidades da região, inclusive com agressão física. Fato recente, evidenciado pela morte da criança kaingang Vítor, que foi degolada em Imbituba/SC, onde sua família estava acampada para comercializar artesanato no período de veraneio.
 
Somos desafiados a perceber que não somos os únicos ocupantes desta casa. Pelo contrário, dividimos esta casa com outros seres vivos, outras pessoas, que também querem “ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. A dignidade de vida e o diálogo são responsabilidade de todas pessoas que habitam a Casa Comum.

Colaboração:
 
Noeli T. Falcade
Assessora COMIN/IECLB
 
P. Ms. Sandro Luckmann
Assessor COMIN/IECLB
 
Foto: Marisa Cauduro/Folhapress

45789 098
 
O material da Semana dos Povos Indígenas de 2016 editado pelo COMIN e elaborado pelo povo Laklãnõ/Xokleng tem como título “História e Cultura do Povo Laklãnõ/Xokleng”. Ele tematiza a vida, a cultura, a sabedoria, a história e os desafios deste povo que vive no Vale do Itajaí no estado de Santa Catarina.
 
Neste caderno, a comunidade compartilha aspectos significativos e valiosos de sua história e cultura como a vivência comunitária e com a natureza, os mitos, a língua, a educação, o artesanato, as ervas medicinais, entre outros.  
 
Além disso, a comunidade também relata sobre suas experiências ecológicas como a Trilha da Sapotema, em que jovens aprendem dos seus ancestrais e ensinam para as pessoas visitantes a importância da natureza para a vida de todo o planeta. A confecção de artesanato e a revitalização das ervas medicinais também são práticas ecologicamente sustentáveis presentes na vida deste povo.
 
Os saberes partilhados pelo Povo Laklãnõ/Xokleng nos leva à reflexão. Sua sabedoria é fonte de aprendizagem para toda a sociedade nacional. Assim, este caderno nos convida para ampliar o conhecimento sobre este povo e sobre a realidade brasileira caracterizada pela pluralidade étnica e cultural.
 
A primeira parte do caderno é elaborada para crianças. A segunda volta-se para o público juvenil, servindo também como fonte de informações para as pessoas que irão orientar e animar as reflexões. A terceira parte traz orientações de como trabalhar de forma didática com o caderno e o cartaz. Os textos e os desenhos elaborados pelo povo Laklãnõ/Xokleng bem como informações complementares, podem ser encontradas no site www.comin.org.br.

Livro evangelicos papa capa facebook
"Evangélicos e o Papa: olhares de lideranças evangélicas sobre a Encíclica Laudato Si', do Papa Francisco". Esse é o livro organizado pelo pastor metodista da Igreja Metodista, que será publicado pela editora Reflexão, no final de março 2016. Fiquem atentos ao site da editora para aquisição da obra!
 
 
A reflexão oferecida neste livro representa, ainda que com limitações, a diversidade do quadro religioso evangélico brasileiro. Com satisfação, reunimos olhares de batistas, metodistas, presbiterianos, pentecostais, luteranos, reformados e anglicanos. Homens e mulheres, jovens, pastores e pastoras que atuam na base das igrejas, pessoas que se dedicam à academia, clérigos, clérigas, leigas e leigos. Assim, motivados por um líder católico romano, Francisco, e pela vocação maior do Evangelho traduzida nos compromissos éticos com a manutenção e promoção da vida, em todas as suas dimensões e concretude, tais líderes propõem reflexões que agora chegam às nossas mãos.
 
Na primeira parte, há análises ecumênicas de Olav Fykse Tveit, secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, de Magali Do Nascimento Cunha, da pastora anglicana Carmen Kawano e do bispo metodista Paulo Ayres Mattos. Na segunda parte, olhares denominacionais e que levam em conta a realidade das igrejas: Alonso S. Gonçalves (batista), Helmut Renders (metodista), David Mesquiati (pentecostal), Carlos Jeremias Klein (presbiteriano) e Carlos Eduardo Calvani Ingrit Jampietri (anglicano) e Fernando Bortolleto Filho (presbiteriano). Na terceira parte, olhares globais com os textos de Edson Fernando, Marga Janete Ströher e Romi Márcia Bencke, Alessandro Rocha, Jorge Pinheiro e Rosi Schwantes. A quarta parte foi dedicado a jovens com os textos de Maryuri Mora Grisales, da Rede Ecumênica de Juventude, Cláudio Augusto, do CEBI de Belém-PA, de André Magalhães Coelho, Thiago Rafael Englert Kelm, pentecostais, e Fabio Martelozzo Mendes, da assessoria de direitos humanos da Igreja Metodista em São Paulo. O livro está dedicado à Jether Pereira Ramalho, destacado líder ecumênico, que nos seus quase 94 anos de idade nos inspira sempre.
 
O papa Francisco, ao promulgar a Encíclica Laudato Si', recria, de forma belíssima e corajosa, o vínculo perdido da liderança católico-romana com as transformações teológicas e pastorais propostas e decorrentes do Concílio Vaticano II (1962-1965). A nova encíclica está em consonância com atitudes e palavras do pontífice desde os seus primeiros dias como papa, que sinalizam um estilo pastoral mais aberto, progressista e despojado para a igreja. Portanto, não se trata de um documento isolado, mas articulado com a referida recriação da “primavera conciliar” que encantou o mundo nos anos de 1960. Com esse elo surge um potencial criativo de novos ares para a Igreja Católica Romana.
 
A consideração é que a força simbólica da encíclica, somada aos conteúdos sociopolíticos nela presentes, redundará em reforço das perspectivas mais abertas e críticas ao sistema econômico dos diferentes grupos da sociedade. O mesmo se dará com as demais igrejas cristãs (ou grupos e setores dentro delas) que advogam posicionamentos críticos em relação aos temas sociais e ecológicos. Ou seja, a encíclica, ao lado de posturas teológicas e pastorais mais abertas do papa Francisco, contribuirá para que a força de grupos progressistas e ecumênicos das igrejas cristãs – evangélicas, anglicanas e orientais – aumente. Isso já tem se dado desde o início do pontificado dele e agora ganha impulso com a carta.

sinos1
 
A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) deste ano, 2016, tem como tema é “Casa Comum, nossa responsabilidade” e, este ano, também conta com a participação de um importante parceiro de lutas ambientais: a Fundação SOS Mata Atlântica. Somando esforços com a CFE, a SOS Mata Atlântica criou uma petição pelo fim dos “rios mortos”, que busca, em plena sintonia com a Campanha, a universalização do saneamento e a busca por água limpa nos rios e praias do Brasil.
 
COMO PARTICIPAR
 
1. Assinando a petição online. A petição está disponível para assinaturas NESTE LINK.
 
2. Imprimindo a petição para coletar assinaturas. Organizações também podem aderir formalmente à campanha, e imprimir a petição para coletar assinaturas em lugares públicos, eventos, mobilizações, etc.:
 
- Baixe a petição para imprimir e coletar assinaturas: pdf | word
 
As assinaturas coletadas serão reunidas pela Fundação SOS Mata Atlântica (A/C Malu Ribeiro). O endereço de envio é: Av Paulista, 2073, cj.1318, Torre Horsa 1, 13° andar – São Paulo/SP – CEP 01311-300. Em caso de dúvidas, encaminhe um e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
 
POR QUE PARTICIPAR?
 
1) apenas 40% dos esgotos gerados  no Brasil são tratados (Fontes: Diagnóstico Ministério das Cidades/SNIS 2014; e Instituto Trata Brasil).
 
2) cerca de 35 milhões de brasileiros não tem acesso à água tratada (Fontes: Diagnóstico Ministério das Cidades/SNIS 2014; e Instituto Trata Brasil).
 
3) 85% dos 111 rios e córregos avaliados pela Fundação SOS Mata Atlântica não apresentam boa qualidade da água  (Fonte: SOS Mata Atlântica – relatório do Observando os Rios 2015).
 
4) mais de 70% das doenças que levam a internações hospitalares no país são decorrentes de contato com a água contaminada (Fontes: OMS, Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde SIH/SUS, IBGE-Morbidade Hospitalar no SUS).
 
O QUE SÃO “RIOS MORTOS”?
 
Na legislação brasileira, os rios mortos são aqueles enquadrados na classe 4 (Resolução Conama 357 e correlatas), que são rios destinados a diluir efluentes (esgotos) com baixa eficiência de tratamento e, na grande maioria, sem tratamento.
 
“Para estes corpos d’água, a legislação não prevê sequer limites para poluentes, fazendo com que muitos rios e córregos, de milhares de cidades do país, fiquem completamente indisponíveis para usos múltiplos, como a produção de alimentos, o lazer e consumo humano. É um desperdício perverso, que agrava a indisponibilidade de água nos centros urbanos. Muitas vezes as águas poluídas atingem o litoral, piorando a poluição do mar e tornando as praias impróprias para banho. Tudo isso afeta a saúde e a qualidade de vida de cada um de nós”, explica Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica.

876767898
O presidente da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Pedro Blois, e o coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental (FNSA) e assessor da FNU, Edson Aparecido da Silva, se reuniram no dia 1° de março, em São Paulo, como dom Flávio Irala, presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), que coordena a Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) - iniciativa que pretende chamar a atenção da sociedade para debater o acesso ao saneamento básico enquanto direito de todos.
 
Na reunião, dom Flávio falou sobre o tema da Campanha, que é “Casa comum, nossa responsabilidade”, e o lema, “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. Ele explicou que a mobilização também trata do desenvolvimento, da saúde integral e da qualidade de vida dos cidadãos.
 
Na reunião, tanto o presidente da FNU como o coordenador da Frente afirmaram que o objetivo do encontro foi apresentar as entidades e "manifestar a total concordância com os objetivos da Campanha, que vem ao encontro das propostas que sempre defendemos, como forma de ver o saneamento básico universalizado". Na oportunidade, foi proposto também ações conjuntas que possam continuar após a Campanha da Fraternidade, que tem duração até o final da Quaresma.
 
Ao final do encontro, duas propostas foram alinhavadas: a primeira é que as entidades possam participar de um curso que trate da questão da água e do saneamento como direito humano fundamental, e a segunda é que seja promovido um ciclo de seminários, tendo o saneamento como tema.
 
Fonte: fnu.org.br
Foto: Reprodução