fbpx

nancy cardoso

Vou evitar falar de modo muito geral sobre religião e sobre democracia. Um pouco de história é necessário. Somos herdeiras e herdeiros de um projeto de expansão imperial e colonial do século XVI que reforçou estruturas geradoras de desigualdade que ainda hoje – no século XXI - se mostram ativas: capitalismo, racismo e sexismo. São estruturas persistentes que garantem privilégios e estratificação que os ordenamentos políticos posteriores tocaram de modo insuficiente, parcial e contraditório. Na América Latina em geral e no Brasil em particular a ordenação democrática é um verniz superficial que muitas vezes mais esconde do que revela, mais ornamenta do que viabiliza a circulação de poder.

A “democracia” muitas vezes significa um padrão de equivalência com sistemas ideais norte-atlânticos, mantendo o sujeito ocidental/europeu como o critério para a avaliação de processos políticos em cenários de pós-colonialidade e/ou neo-coloniais. Isto é verdade para todos os processos políticos fora do eixo norte-atlântico. Verdade é também que em nome da “democracia” as potências ocidentais norte-atlânticas interferem e interrompem processos que não se espelham no modelo “original”.

Prefiro falar de radicalização da democracia. Aprofundar a democracia que temos pode significar reforçar os impasses da democracia liberal representativa. Reconhecer que nosso projeto de sociedade sempre foi de subalternidade e, as tentativas e alternativas pós-colonial e de-colonial, sempre encontraram feroz resistência da política real – a da propriedade, patrimônio e exclusão – através de golpes e violência contra os modos de organização e participação popular.

Nas palavras de Quijano: a cidadanização, a democratização, a nacionalização não podem ser reais a não ser de modo precário no modelo eurocêntrico de Estado-nação.

A religião jogou e joga papel importante neste cenário. O cristianismo foi e é agência de colonialidade. Fomos mal evangelizados porque evangelizados à força e as relações mantidas de “religião” com o estado nunca foram reformadas ou alteradas. Foram feitas emendas. Foi usado um verniz de estado laico. Mas no Brasil o cristianismo nunca deixou de ser religião do estado e, por isso mesmo, um dos elementos de reprodução da subalternidade entre nós.

Este olhar crítico – e autocrítico - sobre o cristianismo e suas relações de poder é vital para qualquer tentativa de radicalização da democracia. Os agentes das hierarquias não aceitam este processo de crítica, o que consideram uma relativização de suas verdades absolutas. Neste sentido a grande maioria das expressões cristãs entre nós acredita que democracia demais atrapalha o absoluto da fé e seus privilégios. A disputa pelos espaços políticos de representação revelam esta voracidade das hierarquias em manter seu status, mantendo o modelo de sociedade desigual e violento. A voracidade da bancada evangélica é aquela de querer ser e ter todo o status que a igreja católica romana sempre teve.

O modo de lidar com isso é o de radicalizar a democracia, enfrentando todos os mecanismos de desigualdade. O cristianismo vai ter que aprender a ser uma religião entre outras. Entre a democracia que temos (tida como universal mas mantida pela desigualdade e subalternidade) e a democracia que queremos (pluri-versal, que garanta modelos locais de modo de vida e de participação) a religião também precisa respirar a diversidade e a pluriversalidade.

Religiões de matriz africana

As populações e as religiões afro-indígenas foram massacradas no processo de evangelização/colonização. Este passado de violência se expressa hoje em estruturas de subalternidade já normalizadas e até mesmo normatizadas na sociedade. O Brasil se considera um país cristão e cria anexos para as outras religiões. Enquanto não houver igualdade, territórios, direitos e protagonismos políticos as religiões afro-indígenas vão continuar a ser por um lado criminalizadas e por outro lado tratadas como folclore.

Teologias cristãs

As teologias cristãs se não assumirem o ponto da autocrítica continuam sendo reforço de desigualdades históricas e estruturais. Sem esta auto reflexividade crítica toda teologia e toda leitura da bíblia vai continuar sendo elemento de normalização do cristianismo como “bagagem cultural” do modelo de sociedade capitalista, sexista e racista. Entre nós o esforço da teologia da libertação foi e continua sendo expressão contemporânea desta autocrítica fundamental. As igrejas não são democráticas, continuam convivendo com esquemas de poder vincadas por privilégios, hierarquias e sem circulação de poder. As igrejas não são um espaço de democracia! Por isso a autocrítica é urgente e essencial. Para isso é preciso libertar a teologia!

Aqui também o caráter pós-colonial e de-colonial é importante. Uma libertação da teologia que já não toma as medidas dos grandes autores e seus sistemas como modelo a ser copiado, ou interlocutores indispensáveis da tarefa teológica. As teologias entre nós continuam a ser sexistas e racistas porque não desistiram de ser expressão de poder e não se abriram ao léxico das lutas populares. Continuam a ser reforço do colonialismo/imperialismo do conhecimento e da linguagem.

Relação entre religião e política e laicidade

Afirmar a presença pública da religião sem enfrentar o doloroso cenário de desigualdade entre nós é mais um verniz que mais esconde do que revela. O problema está no espaço público mesmo... que não existe, que é viciado e vincado por profundas desigualdade e profundos privilégios que se expressam num quadro de luta de classes dramático. Afirmar uma teologia pública nada mais é do que continuar mantendo um caráter reformista para a teologia. Algum clamor ético, alguma indignação social. Mas sem cortar na própria pele dos interesses das igrejas e do papel do cristianismo na manutenção da subalternidade. Reivindicar a presença pública sem “perder poder” faz da teologia reforço de desigualdades históricas e estruturantes. Aquilo do evangelho de Jesus que se fez carne e se evangelizou na vida das comunidades na luta por direitos, por territórios, por igualdade... são práticas e vivência que não se deixam confundir com os projetos de poder das elites. Estão e não estão nas igrejas. São muito mais do que ”sociedade civil”. A motivação da presença é a de estar junto aos lutadores e lutadoras e seus movimentos horizontais e igualitários: aí os temas, as hermenêuticas, a exegese e a possibilidade de deixar de ser representantes de padrões da modernidade ocidental, racional, iluminista, capitalista, heterossexual e branca.

Nancy Cardoso é pastora metodista e
agente de formação da Comissão Pastoral da Terra.

Em reunião ocorrida entre os dias 5 e 7 de agosto, a Direção e o Conselho Nacional do CEBI emitiram nota em forma de carta a todas as coordenações estaduais, às lideranças de grupos, conclamando para a defesa da democracia, para a resistência e para o permanente trabalho de formação nas bases. De acordo com a carta, “o que está acontecendo no Brasil faz parte de um projeto que visa destruir os pequenos avanços dos últimos anos, para reconstituir o poder ‘absoluto’ do capital/mercado, que se tornou um verdadeiro deus. Para poder viver, precisa do sacrifício, do sangue e da vida de muitas vítimas humanas. É neste contexto que se insere o golpe de estado em curso no Brasil”.

golpe br8765

A Direção ainda informa que serão elaborados roteiros de estudo a serem disponibilizados a todas as comunidades e grupos que queiram conversar mais sobre o momento atual, à luz de uma leitura bíblica libertadora: “Sabemos pela história que cada império é destinado a ser engolido por outro mais forte. Nós, porém, podemos ser a pedrinha que bate nos pés de barro e faz ruir a grande estátua do gigante imperial (Dn 2,34-35). Por isso, também insistimos na importância de assegurarmos momentos para a análise de conjuntura em nossas atividades.”

Veja a íntegra da carta:

Brasília, 07 de agosto de 2016.

Caríssimas/os Companheiras/os de caminhada,

Nós, que fazemos parte do Conselho Nacional e da Direção do CEBI, estivemos reunidos/as em Brasília, na casa da Simone, nos dias 5 a 7 de agosto último. A reunião, que estava prevista no nosso calendário, foi muito boa e proveitosa. Conversamos sobre vários temas inerentes à condução do CEBI e à sua organização. As pessoas que representam as Regiões contaram as coisas boas e as dificuldades que acontecem nos estados. Também refletimos sobre vários aspectos do CEBI e paramos um tempo para entender melhor a situação conjuntural que o nosso país está passando.

É por causa desse último ponto que enviamos esta carta a todo o povo do CEBI, para dizer que não podemos esmorecer. A corrupção e a politicagem não são de agora e fazem parte de uma cultura que está presente na maioria dos centros de poder e que poderíamos chamar de satânica. O grande capital internacional não é estranho a este jogo de interesses. Claramente, o que está acontecendo no Brasil faz parte de um projeto que visa destruir os pequenos avanços dos últimos anos, para reconstituir o poder “absoluto” do capital/mercado, que se tornou um verdadeiro deus. Para poder viver, precisa do sacrifício, do sangue e da vida de muitas vítimas humanas. É neste contexto que se insere o golpe de estado em curso no Brasil, impondo ao povo um governo elitista, branco, rico, machista e misógino.

É a eterna luta entre o “dragão” e as forças da vida que, no livro do Apocalipse, são representadas pela mulher grávida que está para dar à luz (Ap 12).

Nesta conjuntura, como pessoas cristãs que acreditam nas forças da Vida, somos chamadas/os a testemunhar a Ressurreição. Precisamos assumir a defesa e o aperfeiçoamento da democracia. Mesmo frágil e insuficiente, ela é fruto de nossas lutas históricas. Como foco de nossa ação enquanto CEBI, usando a Palavra como dom que ilumina e marca o caminho da Vida, devemos reforçar cada vez mais o nosso trabalho de Leitura Popular da Bíblia junto aos grupos de base, nos Círculos Bíblicos. Nosso compromisso é contra todo e qualquer império que destrói a Vida, sobretudo a vida dos pobres e do meio ambiente. Não aceitaremos alianças com qualquer projeto que venha trajado de novo em suas falas, propagandas, mas que esteja a serviço do grande império capitalista (Ap 13,1-18).

Sabemos pela história que cada império é destinado a ser engolido por outro mais forte. Nós, porém, podemos ser a pedrinha que bate nos pés de barro e faz ruir a grande estátua do gigante imperial (Dn 2,34-35). Por isso, também insistimos na importância de assegurarmos momentos para a análise de conjuntura em nossas atividades.

Somos muitas/os, embora pequeno rebanho. No entanto, podemos unir as forças e funcionar como areia no motor, impedindo que o grande capital tome conta da vida de milhões de pessoas no mundo todo, destruindo a natureza, a água, e enchendo tudo de poluição, de agrotóxicos, de sujeira venenosa. Sabemos que seu objetivo é favorecer exclusivamente o lucro dos que devoram a vida do povo pobre.

Como grande família, sintamo-nos juntas/os nesta luta e nesta caminhada, longa e difícil, mas que nos faz reviver a caminhada do Êxodo, que se repete a cada geração. Estamos na travessia do deserto, CAMINHO para chegar à terra da vida solidária e justa, do “BEM VIVER”. Esta é a nossa missão: “Hoje, Moisés é a gente...”!

Um abraço fraternal e sororal, cheio de Esperança e Ressurreição, com o desejo de que possamos sempre caminhar e lutar juntas/os.

A Direção e os membros do Conselho Nacional

OGRITO

A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), frente à grave situação político-econômica brasileira, conclama ao diálogo e à busca de soluções democráticas que preservem as conquistas e os direitos do nosso povo.

Democracia é respeito à vontade do povo; as recentes pesquisas expressam com clareza a vontade dos brasileiros/as diante das perplexidades que afligem a nossa grande Nação.

O processo de impeachment contra a presidente democraticamente eleita foi instaurado com argumentos jurídicos que veem sendo refutados por técnicos do Senado Federal, por parecer do Ministério Público Federal (MPF) e especialistas internacionais em recente evento realizado no Rio de Janeiro (Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil). Para onde vamos?

Estamos diante do conflito de dois projetos de sociedade: os que defendem a continuidade da Presidente eleita, superando o impeachment e os que defendem que o vice-presidente assuma de modo definitivo a direção do Brasil. O que incluem os dois projetos, para além das pessoas que se dispõem a assumi-los? Quais as prioridades na perspectiva da atenção à maioria da população, sobretudo os mais pobres?

O governo interino, assumido pelo vice e sua equipe, anuncia medidas, em várias esferas da vida da população, que apontam para o retrocesso nos direitos arduamente conquistados: educação, saúde, cultura, previdência social, direitos humanos, comunidade negra, populações indígenas, mulheres, a liberdade de expressão e de organização. Mais uma vez na história brasileira a conta da crise é depositada nos ombros dos mais necessitados, das maiorias desprotegidas.

Estamos vivendo momento de angústia e tristeza. Sentimo-nos em sintonia com o Papa Francisco que já tem manifestado preocupação com o processo político brasileiro. No entanto, a Esperança continua nos iluminando e nos levando à ação.

A Comissão Brasileira de Justiça e Paz tem se empenhado em dialogar com os movimentos sociais e os agentes públicos, principalmente os Senadores da República.

Sua conclusão é que o processo de impeachment em andamento não responde aos anseios mais profundos do povo brasileiro. No entanto, se empenha na construção de uma saída para a crise, negociada com todos os setores sociais, exigindo que sejam garantidos os direitos humanos e sociais da população, consciente do que nos diz a Palavra de Deus: "Deus ouviu os clamores do seu povo”.

Brasília, agosto de 2016

Carlos Alves Moura

Secretário Executivo

Comissão Brasileira de Justiça e Paz

Imagem: quadro 'O Grito', de Edvard Munch.

Mais de 20 movimentos sociais divulgaram na última quinta-feira (4) uma nota em que alertam à sociedade brasileira sobre os riscos trazidos pelo Projeto de Lei (PL) 4059/2012, que pretende liberar a aquisição irrestrita de imóveis rurais pelo capital estrangeiro. A proposta tramita em regime de urgência na Câmara de Deputados e insere-se no conjunto de iniciativas prioritárias que a bancada ruralista pretende aprovar para retirar direitos de povos indígenas, quilombolas e camponeses e liberar terras para a exploração pelo agronegócio.

20160705 TiagoMiotto 3171

Em lugar do respeito aos direitos territoriais dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, e em lugar da produção de alimentos saudáveis e sem veneno para a população em geral, uma das pautas prioritárias da bancada ruralista pretende liberar terras para o capital estrangeiro e intensificar a produção das chamadas commodities agrícolas (soja, milho, cana de açúcar, entre outras), monoculturas produzidas com grande volume de agrotóxicos e voltadas à exportação e à negociação no mercado financeiro.

Parte da pauta ruralista

Proposto há quatro anos pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento Rural, o PL 4059 foi inserido no conjunto de projetos e emendas expostas pela Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) em sua Pauta Positiva para o Biênio de 2016-2017. A pauta foi apresentada para o presidente interino Michel Temer e utilizada como moeda de troca pela bancada ruralista – que reúne cerca de 200 deputados financiados pelas grandes empresas do agronegócio – na votação da abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

A pauta da FPA inclui outros dispositivos que pretendem aniquilar os direitos constitucionais dos povos indígenas, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que visa inviabilizar as demarcações de suas terras tradicionais e permitir a revisão e a exploração de terras já demarcadas, e o estabelecimento da tese do “marco temporal” como parâmetro para as demarcações.

Desde que Rousseff foi afastada, os ruralistas vêm cobrando a conta do governo interino, exigindo a revogação das esparsas portarias de demarcação de terras indígenas publicadas pelo governo Dilma antes do afastamento.

Na manhã de quinta, representantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) convocaram uma coletiva de imprensa, para falar sobre os riscos que o PL 4059/2012 apresenta à população brasileira em geral e, especialmente, à populações em situação de conflito e insegurança territorial, como no caso dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

Na coletiva, o secretário adjunto do Cimi, Gilberto Vieira dos Santos, destacou o fato de que estes projetos são interligados e compõem uma pauta única que tem como finalidade a liberação de terras para a exploração do agronegócio.

“Além do PL 4059, estão outras propostas como a PEC 215, que abre a possibilidade não só da paralisação das demarcações de terras indígenas, de titulação de terras quilombolas e da criação de unidades de conservação, mas, na prática, também abre a possibilidade do avanço do capital para essas áreas que não foram ainda efetivamente demarcadas”, afirmou Gilberto Vieira, citando também a Portaria 611, de maio de 2016, na qual o ministro interino da Justiça, Alexandre de Moraes, congela os gastos da pasta por 90 dias e, na prática, inviabiliza a atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai), vinculada ao Ministério da Justiça (MJ).

Clique aqui e leia a matéria na íntegra.

Fonte: CIMI
Foto: Reprodução

Escola sem partido

CARTA DA ALIANÇA DE BATISTAS DO BRASIL 
EM REPÚDIO AO PROJETO DE LEI 867/2015, 
DO “PROGRAMA ESCOLA SEM PARTIDO”

“´Ó vós, que transformais o direito em injustiça e amargura e ainda lançais por terra a retidão e o bom senso! (...)
mas, antes, jorre a equidade (respeito à igualdade de direitos) como uma fonte e a justiça como torrente que não seca”. Amós 5.7,24

A Aliança de Batistas do Brasil, reunida em Assembleia na cidade de Salvador nos dias 29 e 30 de julho de 2016, decide pronunciar-se em repúdio ao PL 867/2015 do “Programa Escola Sem Partido”.

Em tempos de ameaças à democracia e sistemática retirada de direitos das minorias, reconhecemos neste Projeto de Lei um ataque às conquistas da educação brasileira nas suas concepções e práticas pedagógicas, especialmente no que se refere aos princípios da diversidade, da pluralidade e da liberdade de expressão, bem como ao reconhecimento do professor enquanto educador e do estudante enquanto sujeito ativo no processo de educação. Afirmamos que tais princípios são reconhecidos pela tradição cristã como princípios divinos que fomentam a vida em dignidade e em abundância.

Repudiamos o fato de que a evocação dos princípios do pluralismo, liberdade de expressão e diversidade apareçam no texto sob o argumento da neutralidade axiológica, amplamente questionado por outras teorias do conhecimento. Consideramos que qualquer afirmação de neutralidade é uma construção interessada e que, portanto, trata-se de uma contradição e impossibilidade. Sendo assim, reconhecemos o programa da “Escola Sem Partido” como escola de um único partido, ou seja, uma escola cristianizada, de classe média, branca, de homens e de heteros.

Denunciamos que os nossos espaços escolares estão construídos sob a hegemonia cristã, classista, etnocêntrica e sexista. Reconhecemos que, apesar disto e com muita dificuldade, a educação tem caminhado no sentido da pluralidade, diversidade e liberdade, e, portanto gerando mudanças e transformações que ameaçam tais espaços hegemônicos. Neste sentido a PL da “Escola Sem Partido” pretende a manutenção da ordem vigente que opera a violência contra crianças, idosos, mulheres, negros, índios, pobres, LGBTTIQ, outras religiões e as liberdades laicas. Propõe a manutenção do professor instrutor em detrimento do educador; a doutrinação ideológica em detrimento do pensamento crítico, o que acontece, inclusive, através da proibição de abordagens temáticas e teóricas e da proibição do uso de determinados materiais educativos; a judicialização da educação; a criminalização do exercício da docência e o incentivo à cultura da delação.

Afirmamos a educação familiar moral e religiosa como um direito de todas e todos, porém nunca em detrimento da educação pública ou como parâmetro para esta. Reconhecemos que o Estado é responsável por oferecer, no espaço público, a todas e todos uma educação pautada na liberdade de expressão, pluralidade e diversidade. É o que assegura a Lei vigente de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB de 20 de dezembro de 1996), possibilitando, quando necessário, a superação das diversas ambivalências e violências de outros espaços educacionais, inclusive do familiar.

Denunciamos, assim, o “Programa da Escola sem Partido” como legitimador de opressões e violências e contrário à celebração da vida em suas diversas expressões e à dignidade do ser humano enquanto imagem de Deus. Que o Deus da vida abundante, exuberante e diversa, nos desafie nesta luta e nos acompanhe nas construções de espaços onde superabunde o direito, a justiça e a liberdade.

Aletuza Gomes Leite
Observatório da Aliança de Batistas do Brasil

Joel Zeferino
Presidente da Aliança de Batistas do Brasil

A Comunidade Luterana Martin Luther da Paróquia Cristo Salvador acolheu na noite da última quarta-feira, dia 3 de agosto, o ato de fundação do Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC). Embora existente desde a década de 1950, o MOVEC ainda não possuía uma referência documental que referendasse institucionalmente sua existência e atuação.

Na cerimônia de fundação, quatro igrejas efetivaram seu compromisso com o projeto ecumênico através da aprovação de Estatuto próprio e a aclamação da ata de fundação: a Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e a Igreja Ortodoxa Ucraniana. As lideranças eclesiásticas pertencentes à região que circunscreve a atuação do MOVEC – dom José Antônio Peruzzo, da Arquidiocese Católica de Curitiba; pastor Odair Airton Braun, pastor sinodal da IECLB do Sínodo Paranapanema; dom Naudal Alves, bispo da Diocese Anglicana do Paraná; e dom Jeremias Ferens, arcebispo da Eparquia Ortodoxa Ucraniana na América do Sul – Patriarcado Ecumênico de Constantinopla – estiveram presentes, ratificando seu compromisso com o ecumenismo.

Juntamente com os líderes das igrejas e os participantes do MOVEC, colaboradores(as) e amigos(as) sintonizados(as) com a caminhada ecumênica compartilharam da fundação oficial do Movimento em espírito de celebração e confraternização. Na liturgia festiva, conduzida pelos ministros e ministras presentes, o pastor Agemir de Carvalho Dias, da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), estudioso do ecumenismo no Brasil e de longa data envolvido com o empenho ecumênico, conduziu sua pregação retomando a história do MOVEC e a importância de sua ação na realidade atual. “Enquanto houver muros sendo construídos, o Movimento Ecumênico é necessário”, expressou o pastor da IPB. Em mensagem enviada por carta, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) saudou o MOVEC exortando-o a, pelo ato de fundação, “reafirmar e confirmar o testemunho ecumênico”.

O encontro foi marcado por um sentimento comum de júbilo e gratidão, fazendo memória das pessoas, igrejas, organizações, acontecimentos que marcaram a trajetória histórica do Movimento e lançando novo ardor para os passos a serem dados. Como refletido ao longo da celebração: “É tempo de colher! É tempo de semear! É tempo de celebrar!” Pela diversidade reconciliada como reconhecimento da pluralidade de dons do Espírito, o ato firmado se apresenta como expressão legítima de compromisso efetivo pelo reestabelecimento visível da unidade da única Igreja de Cristo.

Memória histórica do MOVEC

Os primeiros passos do Movimento Ecumênico em Curitiba remontam ao início da década de 1950 com o diálogo estabelecido entre presbiterianos, luteranos e católicos. Na década seguinte, na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) de 1965, surge a Comissão Ecumênica de Curitiba (CEC), posteriormente denominado Centro Ecumênico de Curitiba. Este organismo tinha por objetivo suscitar estudos e pesquisas que ajudassem as igrejas a aprofundar e fundamentar o sentido de suas presenças na sociedade.

Agregando presbiterianos, católicos, luteranos, metodistas, suscitando impulsos, mas também resistências, o CEC se fortaleceu e se tornou um espaço de luta contra o regime militar. Frente à situação sociopolítica do país, sob a inspiração dos ventos renovadores do Concílio Vaticano II e o envolvimento ativo da Igreja católica no ecumenismo, a sensibilidade ecumênica de muitos cristãos e cristãs os motivou a impulsionar a presença ativa de suas confissões de fé no testemunho e ação comuns.

Das inspirações do CEC nasce em 1973 a Associação Interconfessional de Educação em Curitiba (ASSINTEC) que, até os dias atuais, desenvolve um profícuo trabalho junto ao ensino religioso nas escolas públicas. Em perspectiva mais institucional, a partir de 1996, o Movimento Ecumênico de Curitiba passa a representar regionalmente o CONIC, com quem mantém diálogo e cooperação próximos. Cabe destaque, também, à presença sempre atuante e dinâmica do Movimento dos Focolares, cuja espiritualidade é essencialmente ecumênica.

A partir de 2005, o MOVEC propôs-se à elaboração de um referencial legal e formal por meio de um estatuto que lhe oferecesse legitimidade institucional e potencializasse sua presença e ação ecumênicas. Desde 2014, os atuais membros têm se dedicado de modo mais imediato a este intuito que foi efetivado no ato de fundação na última quarta.

O MOVEC é formado hoje por mais de 25 pessoas pertencentes não somente às quatro igrejas fundadoras, mas também a outras confissões de fé, e atua em parceria com outros organismos ecumênicos, entre eles o Núcleo Ecumênico e Inter-religioso, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Buscando promover o diálogo desde suas estruturas internas, optou-se pela formação de uma diretoria colegiada, formada por representantes das igrejas fundadoras, em estreita escuta e relação com os demais membros. Sabe-se que, em primeiro lugar, o diálogo ecumênico é um diálogo entre pessoas e, nesse sentido, o Movimento tem testemunhado uma fecunda experiência de irmandade e cooperação mútua. Sustenta isso uma autêntica partilha de vida e de dons, uma unidade na diversidade que se expressa desde o diversificado perfil de seus membros – leigos e leigas, ministros(as) ordenados(as), teólogos (as e acadêmicos(as) de diferentes confissões – perpassando as diferentes frentes de atuação junto às igrejas e à sociedade.

 0090 DSC 8874

 0090 DSC 8913

 0090 DSC 8951

Equipe de Comunicação
Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC)

A Igreja Metodista no Brasil publicou em seu site oficial, o documento enviado ao presidente interino Michel Temer, cobrando uma posição sobre o maior desastre ambiental da história do Brasil: o rompimento da Barragem Fundão de rejeitos de minério da Samarco, em Mariana/MG. A empresa é controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. A carta também foi encaminhada para conhecimento de autoridades do Espírito Santo e Minas Gerais, e para organizações envolvidas.

43256788988907965543

A decisão de realizar a cobrança foi tomada durante o 20° Concílio Geral da Igreja, que aconteceu entre os dias 3 e 10 de julho em Teresópolis/RJ. Com a presença de representantes da IM de todo o Brasil, o conclave ouviu e aprovou a preocupação da Revda. Débora Blunck Silveira, de Governador Valadares (MG), que pediu uma colaboração maior da Instituição diante da negligência com as comunidades afetadas.

“Eu penso que a Igreja Metodista, além de fazer assistência social, também tinha que ter uma palavra no sentido de pressionar a Vale do Rio Doce a tomar uma atitude, ressarcir os danos causados em Governador Valadares e pelo Rio Doce até chegar no Espírito Santo”, afirmou a Revda. Débora em entrevista.

A resposta veio com o documento oficial, assinado pelo presidente do Colégio Episcopal, Bispo Adonias Pereira do Lago. “Nós Igreja Metodista, reunida no 20º Concílio Geral, em Teresópolis, RJ, com delegados/as de todo o Brasil e representantes da Igreja Metodista do México, do Uruguai, de Porto Rico, da Alemanha e dos Estados Unidos da América do Norte e outras denominações e organizações cristãs, vimos através deste, cobrar uma posição pratica indenizatória da empresa SAMARCO com reparação de danos causados em todos os sentidos, ao Meio Ambiente, por onde percorre o Rio Doce nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, com prejuízo sócio ambiental”, afirma a abertura da carta.

O Colégio Episcopal segue mencionando danos que ainda não foram reparados, como a falta de água potável em diversas cidades, e a ausência de indenização para famílias que viviam da renda gerada pelo Rio Doce, agora contaminado. O texto ainda estipula um prazo de 45 dias para retorno da solicitação, tendo em vista a extrema urgência das questões apresentadas.

O caso da barragem que se rompeu no dia 5 de novembro de 2015, foi amplamente discutido na mídia durante os primeiros dias, mas perdeu destaque na grande imprensa, reaparecendo esporadicamente conforme o andamento do processo ou quando há alguma nova denúncia. Uma das últimas notícias afirma que o estado de Minas Gerais tinha conhecimento da obra realizada pela mineradora, que resultou no rompimento da barragem. A Folha de São Paulo informa na denúncia, que tiveram acesso a documentos que comprovam que a Secretaria do Meio Ambiente fiscalizou a obra antes do ocorrido, apesar de negarem.

Clique aqui e leia a Carta da Igreja Metodista na íntegra!

Fonte: expositorcristao.com.br
Foto: Ricardo Moraes / Reuters

Hiroshima 097976675Hiroshima, após a queda da bomba

“Bem aventuradas as pessoas pacificadoras,
porque elas serão chamadas filhas de Deus”. (Mt 5.9)

 

Assistiremos hoje, 5 de agosto, a abertura dos jogos olímpicos, também conhecidos como jogos da paz. Um momento de celebração das diversidades culturais, das diversidades e da beleza do encontro entre povos.

Amanhça, 6 de agosto, lembraremos os 70 anos em que o mundo foi surpreendido com o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima. Os impactos e as conseqüências deste ato de terror são conhecidos por toda a terra habitada.

Hiroshima e também Nagasaki lembram-nos do quão perversa pode ser a irracionalidade humana. Lembra também do quão perverso pode ser a ambição por poder.

Os jogos olímpicos acontecem em um mundo caracterizado pelos mais diversos tipos de violência e de guerras. As disputas, sabe-se, são pelo controle geopolítico das riquezas naturais. O desejo de grupos financeiros por controle e lucro impacta a vida das pessoas. Por isso temos tantos migrantes, refugiados, apátridas. Por isso, também, a intolerância religiosa, o racismo e a xenofobia.

No Brasil, é impossível não lembrar do povo guaranis-kaiowás, dos povos de terreiro, das mulheres violentadas, dos movimentos sociais criminalizados, da intolerância religiosa que se expressa também na islamofobia.

Os 70 anos da bomba de Hiroshima nos fazem lembrar de todas estas violências. São 70 anos de pouca disposição em nos transformarmos e em assumirmos a paz como dimensão inegociável de nossa existência.

Jogos Olímpicos, a festa da paz, lembram-nos da paz que não temos.

Deixamos como homenagem a todas as pessoas que sofrem com os impactos da ambição dos grandes grupos econômicos o poema de Vinicius de Morais – Rosa de Hiroshima. É uma reflexão pra lá de atual...

Rosa de Hiroshima
Vinicius de Moraes

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

Maria da Penha

Maria da Penha Maia Fernandes, cearense, farmacêutica e bioquímica foi vítima da violência doméstica por 23 anos durante seu casamento. Em 1983, o marido tentou assassiná-la por duas vezes. Na primeira vez, com arma de fogo, deixando-a paraplégica, e na segunda, por eletrocussão e afogamento.

Após essa tentativa de homicídio, ela tomou coragem e o denunciou. O processo contra o marido de Maria da Penha demorou 19 anos, ele foi condenado a oito anos de prisão. Ficou preso só por dois anos, sendo solto em 2004.

Revoltada com o poder público, Maria da Penha denunciou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA – Organização dos Estados Americanos, em 1988. Na OEA, o Brasil foi condenado por não dispor de mecanismos suficientes e eficientes para coibir a prática de violência doméstica contra a mulher.

O país teve que mudar a legislação para proteger as mulheres. Em 07 de agosto de 2006, foi sancionada a Lei nº 11.340 que introduziu o parágrafo 9, no artigo 129 do Código Penal. A norma possibilita que agressores de mulheres em âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada.

Os agressores também não podem mais ser punidos com penas alternativas. A legislação aumentou o tempo máximo de detenção do agressor e prevê medidas que vão desde a remoção do agressor do domicílio à proibição de sua aproximação da mulher agredida.

Em um primeiro momento, após a edição da lei, em 2007, ocorreu uma queda nos números e nas taxas de violência contra a mulher. Mas, já no ano de 2008, os índices começaram a aumentar, sendo atualmente bem maiores dos que foram registrados no ano de 2008. Só no ano de 2014, 4.832 mulheres foram mortas no país, uma média de 13 por dia.

A taxa de homicídios de mulheres no Brasil é de 4,8 para cada 100 mil mulheres, o que coloca o Brasil na vergonhosa quinta posição, entre 83 nações, no ranking mundial de proporção de assassinatos de mulheres. Em 2014, ao menos 106.824 brasileiras precisaram de atendimento médico por violência doméstica e sexual.

As mulheres negras são as vítimas prioritárias da violência. No período de 1980 a 2013, o homicídio de mulheres brancas diminuiu 9,8%, enquanto o homicídio de negras aumentou 54,2%.

De acordo com Matias (2016), “os assassinatos de mulheres têm duas características que o distinguem dos homicídios masculinos: os meios utilizados e o local onde acontecem. O uso de força física e de objetos cortantes e penetrantes indica motivos passionais. E o fato de boa parte dos crimes ocorrerem na residência mostra o caráter doméstico desses homicídios”.

No que se refere aos casos de estupros, uma mulher é vítima deste crime a cada 11 minutos no país. Segundo especialistas, pode ser até dez vezes maior, ou seja, quase um abuso por minuto, mais de 500 mil casos por ano (ESTADÃO, 30-06-2015). Há uma subnotificação, ou seja, o número de mulheres que faz o registro da ocorrência do crime nos órgãos policiais é muito menor do que os estupros efetivamente ocorridos.

O Mapa da Violência 2015 – Homicídios de Mulheres no Brasil aponta a impunidade como um dos fatores que explicam a violência de gênero – o índice de elucidação dos crimes de homicídio seria apenas de 5% a 8%.

Analisando a violência contra as mulheres, o estudo Tolerância Social à Violência contra as Mulheres (IPEA, 2014), conclui, entre outros fatores, que o ordenamento patriarcal da sociedade permanece enraizado em nossa cultura, é reforçado na violência doméstica e leva a sociedade a aceitar a violência sexual.

O Mapa da Violência vai no mesmo sentido. Segundo Waiselfisz, autor do estudo, a “normalidade” da violência contra a mulher na lógica patriarcal justifica e mesmo autoriza que o homem a pratique com a finalidade de punir e corrigir comportamentos femininos que transgridam o papel esperado de mãe, esposa e dona de casa. Lógica justificadora que também aparece, conforme Waiselfisz, nas agressões de desconhecidos contra mulheres que eles consideram transgressoras do comportamento culturalmente esperado delas. Em ambos os casos, culpa-se a vítima pela agressão sofrida.

Fonte: estrategiaconcursos.com.br
Foto: brumadoverdade.com.br / Reprodução

Texto: Leandro Signori - Licenciado em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Bacharel em Geografia pela Uniceub (Brasília). Como servidor público, foi funcionário da Prefeitura de São Leopoldo (RS), Prefeitura de Porto Alegre (RS), Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e Ministério da Integração Nacional. É professor de Geografia para o ensino médio na rede particular de ensino. Leciona as disciplinas de Atualidades, Conhecimentos Gerais, Geografia, Realidade Brasileira e História, em cursos on line e presenciais preparatórios para concursos públicos.

Sob a presidência de S.E. Mor José Faustino Filho, arcebispo das Igrejas Sirian Ortodoxas em Missão no Brasil, e de S.E. Mor Titos Paulo Tuza, Delegado (Núncio) Patriarcal para as Igrejas em missão no Brasil, realizou-se entre os dias 20 e 22 de julho a vigésima edição do Sínodo Ortodoxo Nacional (SON), cujo objetivo é fazer um balanço da missão sirian ortodoxa no Brasil reunindo todos os padres e diáconos das comunidades missionárias, além de traças diretrizes para a ação evangelizado da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia em nosso país, englobando assuntos de teor pastoral, criação de novas comunidades, formação de futuros missionários (sejam leigos ou clérigos), comunicação e questões de cunho administrativo.

13775969 yil

O evento foi realizado na Casa de Retiro São Leopoldo, no município de Hidrolândia (GO), no qual estiveram os dois arcebispos, cinco monsenhores, mais de 40 padres, além de diáconos, vocacionados e lideranças leigas. Um dos assuntos mais importantes tratados no evento, foi a visita de Sua Santidade Moran Mor Ignatius Aphrem II Karim, Patriarca de Antioquia e Todo Oriente e Chefe Supremo da Igreja Sirian Ortodoxa em todo o mundo, marcada para o final do mês de outubro ao Brasil. Será a primeira visita do atual patriarca da Igreja ao Brasil como patriarca, já que este, quanto arcebispo nos Estados Unidos, já esteve em nosso país em pelo menos duas ocasiões. O patriarca visitará, inicialmente, a capital federal – Brasília (DF) – onde está sediada a nunciatura apostólica e, posteriormente, o estado de Goiás, onde encontrará com o clero local e demais representantes dos demais estados. Para a visita, já estão marcados encontros oficiais com autoridades federais, estaduais e municipais e líderes de outras Igrejas cristãs.

Presença ecumênica

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) fez-se presente no XX Sínodo Ortodoxo Nacional, realizado entre 20 e 22 de julho em Hidrolândia (GO), na pessoa do rev. Daniel do Amaral. A Igreja no Brasil alegra-se com a presença ecumênica do CONIC em sua reunião, saudando a todas as igrejas-membro com gestos fraternos.