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O CONIC fará, de 8 a 10 de setembro, uma oficina sobre música e liturgia em São Paulo. A ideia é apresentar para dirigentes de música e animadores litúrgicos um material alinhado com as propostas da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016 e estimular a produção de novas canções dentro dessas propostas. A formação terá como diretrizes as mesmas das campanhas e mobilizações da CFE 2016, a saber:

● Proteção da dignidade da pessoa;
● Ações comunitárias;
● Cultura da paz, do diálogo ecumênico inter-religioso e intercultural;
● Fortalecimento da democracia participativa;
● Luta pelo saneamento básico, melhoria das condições de transporte e de moradia, e responsabilidade ambiental.

A oficina reunirá poetas e compositores que, nos últimos 30 anos, ofereceram reconhecida contribuição para a história do movimento ecumênico no Brasil e da caminhada das comunidades de base. Será uma rara oportunidade de compartilhar saberes e experiências de pessoas comprometidas com uma espiritualidade engajada com as lutas populares, afinadas com o tema da CFE 2016.

Estão entre os objetivos do curso:

● Resgatar a história da música cristã brasileira de matriz ecumênica e popular;
● Apresentar linguagens musicais nacionais e populares como meio de comunicação de uma mensagem de justiça e paz;
● Estimular a produção de uma música cristã comprometida com a tolerância e a cultura de paz;
● Discutir o seu uso nas comunidades eclesiais e no movimento popular.

QUEM PODE PARTICIPAR

Pessoas que trabalhem com música e liturgia em suas comunidades eclesiais. As vagas são LIMITADAS!

CUSTOS

Os custos de alimentação e hospedagem serão assumidos pelos CONIC. O transporte será assumido pelo participante. Será cobrada uma taxa de inscrição de R$ 50,00. Os depósitos podem ser realizados na conta:

Banco Bradesco
Agência: 0606-8
Conta Poupança: 112888-4

PARA REALIZAR A INSCRIÇÃO

Preencha os seguintes dados:

Nome completo:
Igreja:
Função:
Endereço de e-mail:
Telefone:

Depois, encaminhe para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., com o título: Inscrição para oficina de música CFE 2016 – SP.

LOCAL DA OFICINA

Rua Borges Lagoa, 176, Vila Clementino (SP).
Fone: 11 - 5549-9086.

O Papa Francisco instituiu uma comissão de estudo sobre o diaconato das mulheres. A novidade foi anunciada nesta terça-feira, 2, pelo Vaticano. A comissão é composta por seis homens, bispos e sacerdotes, e seis mulheres, religiosas e leigas. A presidência da comissão foi designada ao secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer.

documento do papa voltado as mulheres

Em 12 de maio desse ano, o Papa recebeu no Vaticano os participantes da União Internacional de Superioras Gerais. As consagradas destacaram que as mulheres já são protagonistas no serviço aos pobres e doentes, na catequese e em muitos outros ministérios eclesiais. Então, apresentaram ao Papa a questão da abertura do diaconato permanente às mulheres, fazendo referência à Igreja primitiva.

O Papa recordou na ocasião que o antigo papel das diaconisas ainda hoje não é muito claro, e se disse disponível a criar uma Comissão para estudar a questão. “A presença das mulheres na Igreja toca na questão do diaconato permanente e, a esse respeito, o Papa Francisco disse que seria útil constituir uma comissão de estudo que se ocupe do tema”, informa o jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’.

Igrejas que ordenam mulheres

No Brasil, algumas igrejas cristãs já ordenam mulheres regularmente, como é o caso da Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB), a Igreja Episcopal Anglicana (IEAB), a Igreja Presbiteriana Unida (IPU) e a Igreja Metodista.

Sobre o diaconato na Igreja

O diaconato é o primeiro grau do Sacramento da Ordem (diaconato, sacerdócio, episcopado), atualmente reservado aos homens, na Igreja Católica. O Concílio Vaticano II (1962-1965) restaurou o diaconato permanente, ao qual podem ter acesso os homens casados (depois de terem completado 35 anos de idade), o que não acontece com o sacerdócio. O diaconato exercido por candidatos ao sacerdócio só é concedido a homens solteiros.

Com origem grega, a palavra ‘diácono’ pode traduzir-se por servidor, e corresponde a alguém especialmente destinado na Igreja Católica às atividades caritativas, a anunciar a Bíblia e a exercer funções litúrgicas, como assistir o bispo e o padre nas Missas, administrar o Batismo, presidir casamentos e exéquias, entre outras funções.

Na Carta aos Romanos (século I), o Apóstolo Paulo faz referência a Febe, “diaconisa na igreja de Cêncreas”, e há outras notícias de mulheres solteiras ou viúvas que, na Igreja dos primeiros séculos, desempenhavam certas funções dos diáconos que não seriam adequadas para homens no contacto com outras mulheres – nomeadamente em cuidados a doentes e ritos batismais (imersão e unções).

O Papa escreveu na sua primeira exortação apostólica, ‘A Alegria do Evangelho’, que a Igreja Católica tem de “ampliar os espaços” para uma presença feminina “mais incisiva”. Francisco quer ver essa presença alargada aos “vários lugares onde se tomam as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais”.

Com informações da Agência Ecclesia
Foto: L’Osservatore Romano

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“Há de se Cuidar da Vida” é o tema do Seminário Juventude é Vida na Amazônia – Encontro Estadual de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids que acontecem de 25 a 28 de agosto em Belém/PA. Com o objetivo de debater informações sobre HIV/Aids e Hepatites Virais, a atividade pretende capacitar lideranças juvenis para atuar nos municípios do Pará e Amapá na resposta à epidemia.

Promovida pela Pastoral da Aids e Rede Jovens + Pará, a atividade é parte do Projeto “Juventude é Vida na Amazônia” que conta com a parceria do Fundo PositHivo, UNICEF e outros parceiros da sociedade civil e do poder público. Através da exposição de temas, rodas de conversa, oficinas e outros momentos, irá abordar assuntos como coinfecções, exercícios físicos, nutrição, protagonismo e participação juvenil, interações medicamentosas, projeto de vida, entre outros.

Outras informações podem ser obtidas no blog http://juventudeevidanaamazonia.blogspot.com.br/ e as inscrições no mesmo endereço ou no link: https://goo.gl/forms/nvRns5mvUyqKNW2a2.

SERVIÇO

Pauta: Seminário Juventude é Vida na Amazônia – Encontro Estadual de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids.
Data: 25 a 28 de agosto de 2016
Local: Sede da CNBB-Norte 2 (Trav. Barão do Triunfo, 3151 – Marco, Belém/PA)
Contatos: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. / Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. / (91) 3266-0055 / 9-8183-1841 / 9-8193-1316

Foto: Michal Jung / Depositphotos

O Banco Mundial está em vias de finalizar a revisão de suas políticas socioambientais, um conjunto de critérios para garantir que os seus empréstimos sejam realmente sustentáveis. Mas o que era para ser um processo de fortalecimento dessas políticas pode resultar em um enfraquecimento dos direitos das populações indígenas. O Ministério da Fazenda brasileiro, órgão que formula a opinião do país no Banco Mundial, assumiu um posicionamento que traz uma série de retrocessos até mesmo para a atual Política de Povos Indígenas do Banco.

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Hoje nenhuma obra financiada pelo Banco Mundial pode acontecer sem amplo apoio ao projeto por parte da comunidade afetada, mas a proposta brasileira é ambígua sobre a necessidade de consulta e consentimento livre por parte dos indígenas. A atitude do Ministério da Fazenda vai na direção contrária a convenções internacionais sobre os direitos dos povos indígenas das quais o próprio Brasil é signatário.

A Conectas e outras organizações já pediram esclarecimentos sobre as recomendações feitas pela Fazenda, que podem levar a um cenário de insegurança jurídica e graves conflitos em projetos como hidrelétricas, rodovias, hidrovias e portos.

O Banco Mundial deve aprovar sua política nas próximas semanas, mas o Brasil ainda pode assegurar que as novas salvaguardas sejam melhores que as que existem hoje. Agora é hora de todos pressionarem o governo para garantir o direito das populações indígenas de ser ouvidas e ter seu espaço respeitado.

CLIQUE AQUI e assine já.

O papa Francisco afirmou hoje que a inspiração para o terrorismo não é o Islã, mas sim uma economia mundial que glorifica o "deus do dinheiro" e leva as pessoas menos privilegiadas à violência.
 
"O terrorismo cresce quando não há outra opção, enquanto a economia mundial tem no seu centro o deus do dinheiro e não a pessoa", disse o pontífice a repórteres enquanto voltava ao Vaticano após uma visita de cinco dias à Polônia.
 
Segundo ele, a marginalização social e econômica da juventude muçulmana na Europa ajuda a explicar as ações de quem se junta a grupos extremistas.
 
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"Quantos jovens nós, europeus, deixamos vazios de ideais? Eles não têm emprego, então se voltam às drogas e ao álcool. Eles vão para o exterior e se envolvem com grupos fundamentalistas", exemplificou.
 
Em entrevista concedida dentro do voo, o papa foi questionado sobre possíveis ligações entre o Islã e os recentes ataques terroristas, em especial o assassinato de um padre no norte da França por membros do Estado Islâmico na semana passada.
 
Citando sua própria experiência no diálogo inter-religioso, Francisco disse que os muçulmanos buscam apenas a paz. "Não é correto e não é justo dizer que o Islã é terrorista", afirmou.
 
"Se eu for falar de violência islamita, eu deveria falar de violência católica. Nem todos os muçulmanos são violentos, nem todos os católicos são violentos", completou.
 
Francisco também fez questão de chamar o Estado Islâmico de "pequeno grupo fundamentalista" que não representa o Islã como um todo.
 
"Em quase todas as religiões existe sempre um pequeno grupo de fundamentalistas, até mesmo na Igreja Católica", disse o papa, ainda que não haja necessariamente violência física. "Pode-se matar tanto com a palavra, quanto com uma faca".

Fonte: Associated Press
Foto: Stefano Rellandini/Files/Reuters

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Você não leu errado: é isso mesmo, ato de fundação do MOVEC - Movimento Ecumênico de Curitiba. Embora o Movimento já exista há um bom tempo, ainda não havia uma legitimação eclesiástica e jurídica documental. Depois de um longo, ardoroso e fraterno percurso de diálogo, aproximação e vivências, anunciamos com alegria que no dia 3 de agosto será feito um ato de fundação do MOVEC. Deste modo, os organizadores querem reafirmar o compromisso ecumênico, de modo a abrir novos horizontes no sentido de sempre fortalecer o ecumenismo. Mais informações, vide convite acima.

O CONIC criou, em seu site, o espaço Religiões e Democracia. A ideia é refletir as relações entre a religião e a democracia e trabalhar a temática com o auxílio de perguntas feitas a lideranças religiosas, teólogos e teólogas, cientistas da religião e de outras áreas do conhecimento. Convidamos vocês para lerem as entrevistas e manifestarem opiniões. Sempre em um espírito de diálogo e respeito às ideias.
 
Nessa quarta entrevista da série, falamos com Rudolf von Sinner, doutor e livre-docente em Teologia.
 
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1) De que modo nas religiões podem contribuir para o aprofundamento da democracia?

Por um lado, pragmaticamente falando, religiões existem, de fato, na sociedade. Têm interesses próprios, e por isso mesmo interesse em ter seu espaço garantido pela promoção da liberdade religiosa. Contudo, o que vale para uma, deve valer para todas, e não apenas em interesse próprio. Nem sempre isto é visto assim pelas lideranças. Deve ser superado o corporativismo em prol da igualdade, deve ser superado o autoritarismo em prol da boa convivência. Por outro lado, falando ética e teologicamente, religiões refletem sobre as questões fundamentais da vida, sua origem, seu destino, sua boa condução, a ética. Localizam o ser humano no mundo (saeculum, o mundo em sua temporalidade, portanto a “secularização” é próprio da religião – sua presença no mundo, na sociedade) e o conectam com a transcendência. Religiões sabem que o mundo não é como pode e deve ser, o que resulta num ímpeto para viver uma vida boa, correta, responsável. Esta ética se ensina nas religiões por meio de suas formas de educação – em ritos e doutrinas que são passadas em teoria e prática. As religiões têm um acesso privilegiado à população, especialmente a mais pobre, uma grande capilaridade. Isto lhes dá um enorme potencial que precisa ser utilizado com responsabilidade e bom senso.

2) No Brasil, expressões religiosas, sobremaneira cristãs, se apossam cada vez mais dos espaços públicos e conquistando grandes representações no Congresso Nacional. Como avalia esse fenômeno?

É um perigo constante. Como já assinalei na primeira resposta, defendo uma contribuição das religiões no espaço público, não uma ocupação unilateral deste. Até a Constituinte, de 1988, as igrejas evangélicas ficaram mormente alheias à política – era coisa do “mundo”, do “mal”, e “crente não se mete em política”. Foi substituído este lema por “irmão vota em irmão”, o que já traz consigo a ideia de se propagar no espaço público e tomar conta dele. Os megatemplos como o “Templo de Salomão” são sinais visíveis desta presença maciça e com pretensões de poder. A meu ver, importam três coisas: Primeiro, uma postura sensata dos poderes políticos e da academia, que devem informar-se e estudar a fundo as propostas (de Lei, de Emenda à Constituição etc.) que vêm da Bancada Evangélica quanto à sua pertinência num estado laico, democrático, constitucional, mas não antirreligioso. Segundo, uma vigilância mútua dos grupos religiosos quanto ao espaço que ocupam, tendo em vista o bem comum da nação. O Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa, recentemente recomposto, pode ser um elemento central nestas primeiras duas questões. Terceiro, uma reflexão interna de cada religião quanto à sua relação de fato (política) e de direito (neste caso, teológica) com o estado e a sociedade, buscando aportes para trazer seu melhor em prol do bem comum e, ao mesmo tempo, seu inteiro respeito à diversidade religiosa. Isto pode e deve ser esperado das religiões num estado democrático de direito. As igrejas evangélicas têm uma demanda especial nesta área, mas há sinais de que isto esteja ocorrendo uma mudança, por exemplo pelo maior procura de formação acadêmica de alto nível, inclusive teológica, o que aumenta a compreensão pelo e compatibilidade com o pluralismo religioso.

3) As religiões de matriz africana, por outro lado, estão pouco representadas. Como você interpreta isso?

Podem estar pouco visíveis, mas são muito ativas e articuladas hoje, o que é bom e importante, pois são os que mais sofrem preconceito e agressões, verbais ou até físicas. Podem não ter bancada, mas estão envolvidas em muitas frentes, inclusive com boa representação no e perante o já citado Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa. Isto quanto à resistência contra os que as agridem. Ao mesmo tempo, há grande diversidade entre os terreiros e as nações que representam e não há uma estrutura institucional regional ou nacional como ocorre no âmbito cristão, o que dificulta uma articulação mais centralizada. Mas vejo grandes avanços aqui.

4) Agora, uma pergunta provocativa: é possível, a partir da teologia ou das teologias cristãs, estabelecer relação entre religião e democracia? Se sim, quais seriam as chaves teológicas? Se não, quais seriam as chaves teológicas?

Na minha visão há, sem dúvida, muita base na teologia cristã para a democracia. É o que tentamos articular por meio da chamada Teologia Pública que vem incentivando bastante a reflexão, produção literária e, assim espero, também a prática nos últimos anos e que tem seu enfoque precisamente na presença das religiões, especialmente cristãs, no espaço público e a pertinência desta. Sabemos que, historicamente, as igrejas tem sido bastante reticentes em aceitar a democracia e os direitos humanos que a embasam. Mesmo assim, ajudou a criar as raízes destas, por exemplo quando a Reforma colocou a ênfase na singularidade do ser humano diante de Deus, numa relação de fé, direta sem mediação de sacerdote ou igreja e constituindo a igreja não acima, mas a partir dos crentes, sendo o laos theou, o povo de Deus, os “leigos” a base da igreja, não um grupo à sua margem. A partir disto, é possível retomar e promover elementos centrais da teologia cristã como a criação do ser humano à imagem e semelhança de Deus, o que lhe confere uma infindável dignidade independente de qualquer característica ou mérito do indivíduo. O sacerdócio de todos os crentes, portanto dos leigos, é outro aspecto fundamental para construir uma igreja de baixo para cima e não vice-versa, ou seja, democratizando a fé a partir de Deus e democratizando a igreja a partir dos crentes – sem, é claro, perder a identidade da igreja a partir do Evangelho que deve nortear a todo povo de Deus. Como a própria democracia, não se constitui a igreja apenas pela decisão da maioria, mas a partir também de uma constituição ou doutrina que a norteia e lhe dá consistência, inclusive para proteger as minorias. No meu estudo “As igrejas e a democracia no Brasil” demonstrei como três importantes igrejas, a Igreja Católica Apostólica Romana, as Assembleias de Deus (Convenção Geral) e a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil vem contribuindo em várias frentes para a cidadania, antes e, especialmente, depois da volta à democracia no Brasil com o fim do regime militar.

5) É comum utilizar a bíblia para legitimar e justificar posturas antidemocráticas. É possível identificar possíveis iluminações bíblicas que contribuiriam para o fortalecimento da democracia e para a valorização das diversidades?

Em primeiro lugar, precisamos considerar que a Bíblia levou quase mil anos para conter o que hoje conhecemos, e há uma grande diversidade de narrativas, posições e momentos históricos que se refletem. De lá para cá são quase dois mil anos, ou seja, precisamos interpretar e reinterpretar o texto bíblico considerando seu contexto original, mas também o nosso. Em segundo lugar, a Bíblia não é um receituário, mas testemunho ao caminhar de Deus com seu povo. Ressoa nela a Palavra de Deus, que é o próprio Cristo, presente como ressurreto mediante o Espírito Santo. O cristianismo não é uma religião do livro, mas da Palavra viva, à qual a letra da Escritura é testemunha. Em terceiro lugar, temos sim textos bíblicos que contribuem para com o fortalecimento da democracia e a valorização das diversidades: O ser humano foi criado, conforme Gênesis 1,26-27, a imagem e semelhança de Deus, o que lhe confere uma dignidade que independe de qualquer mérito ou qualidade por parte do ser humano. É uma atribuição simplesmente por fazer parte da espécie humana, criada por Deus conforme a fé cristã. Nisto, se assemelha dos direitos humanos que são atribuídos ao ser humano por natureza, sem qualquer outra condição. Outro texto bíblico relevante é que fala do sacerdócio real de todos os crentes (1 Pedro 2,9), o que a partir da Reforma do século XVI serviu para fortalecer os leigos e democratizar a igreja. Por fim, em muitos momentos Jesus se aproxima de pessoas marginalizadas – estrangeiras, excluídas por doença ou loucura, criminosas, prostitutas... Toda esta diversidade foi por ele valorizada. Não é por acaso também que um dos primeiros convertidos após Pentecostes, momento de nascimento da igreja, foi um eunuco (pessoa castrada) africano (Atos 8.26-40), dois momentos de diversidade que logo se acrescentam ao rebanho.

6) Algumas vozes analisam a laicidade do Brasil como ambígua. É possível a relação entre religião e política sem ferir a laicidade? Como analisar a presença pública da religião no Brasil e sua relação com o Estado?

A presença das religiões no espaço público é ambígua, conforme já indiquei acima. A atuação do Estado frente às religiões é variada e, às vezes, questionável – portanto ambígua, sim. Já a laicidade, de direito, não é ambígua. Para defini-la, me atenho à Constituição Federal de 1988. Sem utilizar a palavra, o artigo 19, inciso I, prevê que não pode haver aliança ou subvenção de uma religião específica, a não ser pela colaboração em interesse público. Ou seja: o Estado é neutro em relação à religião, não adota nenhuma nem promove nenhuma em específico, mas precisa garantir a existência e o bom funcionamento de todas as religiões de forma isónoma. Não é, portanto, um estado antirreligioso. Pode, inclusive, em caso de interesse público, colaborar com instituições criadas por igrejas na área da assistência social, da saúde e da educação. Isto foi fortalecido pelo novo marco regulatório das Organizações da Sociedade Civil, onde se encaixam também as “organizações religiosas que se dediquem a atividades ou a projetos de interesse público e de cunho social distintas das destinadas a fins exclusivamente religiosos” (Lei nº 13.019/2014, 2º, inciso I, letra c, acrescido este item pela Lei nº 13.204/2015). A Constituição garante também a liberdade religiosa, o Ensino Religioso em escolas públicas, a assistência a pessoas internadas em hospitais e presídios ou atuando nas forças armadas e protege os templos e cultos contra atos violentos e dá às religiões imunidade tributária. A partir destes privilégios se dão muitas questões que precisam ser discutidas e, de uma forma ou outra, resolvidas, em diálogo com as organizações religiosas – a começar pela definição: O que é uma religião? A maçonaria, por exemplo, foi até o Supremo Tribunal Federal para pleitear imunidade tributária, sendo negado o pleito pelo fato dela mesmo sempre ter insistido não ser religião. Como nenhuma lei apresenta definição, são os juízes que o fazem. Às vezes decidem com propriedade, como no caso da maçonaria, às vezes claramente sem propriedade, como no caso daquele juiz federal no Rio de Janeiro que negou liminar para retirar do youtube vídeos mostrando exorcismos na Igreja Universal do Reino de Deus percebidas como agressivas às religiões de matriz africana, declarando que estas religiões não seriam, na verdade, religiões, baseada numa definição de religião muito questionável. Vemos como tal definição é, objetivamente, algo muito complicado e polêmico. Depois, há muitas questões abertas quanto ao Ensino Religioso, como deve ser seu conteúdo, a formação de quem o ministra etc. Podemos citar ainda a questão se deve haver símbolos religiosos como o crucifixo ou a Bíblia em repartições e instituições mantidas pelo poder público, como tribunais, escolas ou hospitais, ou não. Há uma demanda bem grande de esclarecimento e negociação, exigindo cautela e sabedoria, mas também firmeza.

Biografia:

Rudolf von Sinner - Doutor e livre-docente em Teologia, professor na Faculdades EST em São Leopoldo/RS e diretor do Instituto de Ética da instituição (www.est.edu.br/etica). Pastor ordenado da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, é membro da Comissão Teológica do CONIC e do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa. Pesquisador do CNPq. Entre suas áreas de pesquisa estão teologia pública, diversidade religiosa, ecumenismo e diálogo inter-religioso.

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"Apenas 1 em cada 100 pessoas é resgatada do tráfico humano", de acordo com a chefe do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc, em Nova York.
 
Simone Monasebian disse à Rádio ONU que "todos os países são destino, trânsito ou origem" do tráfico humano, um "negócio" que movimenta "bilhões de dólares". Este sábado, 30 de julho, é o Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas.
 
Brasil
 
De Brasília, o analista de programa do Unodc no Brasil, Gilberto Duarte, falou sobre as ações que a agência tem feito para combater o crime no país. Ele afirmou que o Unodc vem trabalhando com o governo brasileiro no área desde 2002.
 
"Ultimamente nós temos feito uma série de treinamentos (…) além disso, nós contamos com a Ivete Sangalo, que nos ajuda a disseminar mensagens de prevenção ao tráfico de pessoas. Nós destacamos também a semana de mobilização que acontece todos os anos na semana do dia 30 de julho. Esta semana, por exemplo, a Defensoria Pública da União lançou aqui no Brasil um concurso de redação, em parceria com o Unodc e outras instituições, que é voltado para estudantes de escolas públicas."
 
Para o especialista, essa é uma forma "muito interessante de levar o tema para debate nas escolas".
 
Crime Parasita
 
Para o diretor-executivo do Unodc, o tráfico humano é um "crime parasita que se alimenta de vulnerabilidade, prospera em tempos de incerteza e lucra com inação".
 
Em mensagem sobre a data mundial, Yury Fedotov afirmou que "criminosos se aproveitam de pessoas passando necessidade e sem apoio e vêem os migrantes, especialmente crianças, como alvos fáceis para exploração, violência e abuso".
 
Crises Humanitárias
 
Fedotov ressaltou que "conflitos armados e crises humanitárias expõem as pessoas presas no fogo cruzado a um risco maior de serem traficadas para exploração sexual, trabalho forçado, remoção de órgãos, servidão e outras formas de exploração".
 
Segundo o chefe do Unodc, o relatório do Escritório, que será lançado este ano, destaca a ligação entre o tráfico humano e os fluxos de refugiados de países incluindo Síria a Eritreia e envolvendo refugiados Rohingya do Mianmar e Bangladesh.
 
Fundo e Convenção
 
Fedotov pediu aos governos que ratifiquem e implementem a Convenção da ONU contra o Crime Organizado Transnacional e seus protocolos sobre tráfico e contrabando de migrantes para proteger as vítimas e promover a cooperação internacional necessária para levar os criminos à justiça.
 
Ele também fez um apelo a governos, empresas e indivíduos que apoiem o Fundo Voluntário da ONU para as Vítimas do Tráfico de Pessoas.
 
Fonte: www.unmultimedia.org
Foto: Rede Brasil Atual / Divulgação

O papa Francisco pediu aos jovens nesta quinta-feira (28) para acolher os imigrantes e refugiados, contrastando de forma direta com o governo polonês no seu segundo dia de visita ao país.
 
O papa falou para mais de 600 mil jovens reunidos na cidade de Cracóvia. Depois de assistir a performances de vários lugares do mundo, ele pediu aos jovens em discurso para deixar as suas zonas de conforto e estarem prontos para acolher os necessitados.
 
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"Um coração misericordioso é capaz de ser um lugar de refúgio para aqueles que estão sem casa ou que perderam as suas casas. Um coração misericordioso é capaz de construir um lar e uma família para aqueles obrigados a migrar. Ele conhece o significado de ternura e compaixão”, declarou ele.
 
"Um coração misericordioso se abre para acolher refugiados e imigrantes”, afirmou o papa aos jovens reunidos num grande campo perto do centro da cidade.
 
O governo conservador do partido polonês Lei e Justiça discorda do papa sobre o tema dos refugiados e se opõe a cotas obrigatórias da União Europeia para os que buscam asilo.
 
Jornada Mundial da Juventude
 
Francisco chegou na quarta-feira (27/07) à Polônia. Ele ficará até o próximo domingo para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2016. Em seu primeiro ato, ele foi ao Castelo Real para uma reunião com o presidente polonês, Andrzej Duda.
 
Durante o voo até a Cracóvia, o pontífice disse que a série de ataques recentes, incluindo o assassinato de um padre na França, é a prova de que o "mundo está em guerra". No entanto, ele destacou que culpar a religião por isso não é responsável, segundo a Reuters.
 
Com informações da Reuters
Foto: EPA

Entre os dias 22 e 24 de julho FLD e CONIC participaram do 3º Seminário Regional AIDS e Religiões - Ecumenismo na prática: solidariedade em ação pelo cuidado com a Casa Comum na luta contra a Aids, que aconteceu no Centro de Expansão na cidade do Crato, Ceará.
 
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O seminário, de caráter inter-religioso, contou com a participação de 63 pessoas entre lideranças comunitárias, agentes de pastoral, representantes de religiões afro brasileiras, representantes de instituições governamentais e organizações da sociedade civil que atuam na garantia de direitos de populações vulneráveis e pessoas vivendo com HIV e Aids.
 
O evento contou com o apoio da Fundação Luterana de Diaconia (FLD) por meio do seu Programa de Pequenos Projetos (PPP) e também pela participação de seu assessor de projetos, Rogério Oliveira de Aguiar. Sua assessoria teve como tema a violência de gênero como fator de vulnerabilidade à infecção pelo vírus HIV. Além disso, Rogério conduziu a oficina Justiça de gênero e diversidade sexual, que aconteceu dentro do espaço da exposição Nem tão doce lar (NTDL), aberta à visitação durante o evento.
 
Também participaram de assessorias: Pai Celso, da Secretaria de Saúde de São Paulo e RENAFRO/SP, Alexandre Pupo, da Igreja Metodista e da Koinonia/SP, Gil Casimiro, do Ministério da Saúde, pa. Romi Bencke, da Igreja Luterana (IECLB) e CONIC, Frei Luis Carlos Lunardi, coordenador da Casa Fonte Colombo (Centro de Promoção da Pessoa Soropositiva HIV) e assessor da Pastoral da Aids, e Artur Fernandes, da Liga Acadêmica Saúde e Espiritualidade (UFCA).
 
Fonte: FLD
Foto: Reprodução