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Nem todo o mundo cristão segue o mesmo calendário. Enquanto algumas tradições seguem o calendário gregoriano, outras seguem o juliano. Assim, nem todos os cristãos celebram o Nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro.

Veja como foram as celebrações de Natal em algumas dessas tradições neste começo de janeiro e como os seus fiéis conviveram entre si e com seus vizinhos não cristãos.

Cairo, Egito: cristãos coptas

O presidente Abdel Fattah al-Sisi participou da vigília de Natal celebrada na noite de 6 de janeiro pelo patriarca copta ortodoxo Tawadros II, na catedral de São Marcos, no Cairo. Al-Sisi pediu desculpas pelo atraso na reconstrução de igrejas destruídas por fanáticos islâmicos, em especial durante os protestos de agosto de 2013, quando vândalos ligados à Irmandade Muçulmana e a grupos salafistas atacaram cerca de 50 lugares cristãos.

É a segunda vez em toda a história que um presidente egípcio participa da solenidade litúrgica do nascimento de Jesus. A primeira foi no ano passado, com o mesmo al-Sisi presente nas celebrações da Igreja copta.

Bagdá, Iraque: cristãos caldeus

O patriarca caldeu Mar Louis Raphael Sako relatou à agência AsiaNews que as celebrações de Natal na capital iraquiana foram compartilhadas com os muçulmanos, que foram a maioria da população da cidade e do país. A Igreja caldeia tem 30 paróquias em Bagdá e mais 35 igrejas afiliadas à comunidade encabeçada pelo patriarca, que celebrou a missa de Natal “em sete igrejas diferentes” e encontrou as igrejas repletas “de gente de muita fé e muita esperança”.

“Muitas famílias muçulmanas participaram da missa de meia-noite. Muita gente simples, que nos deu flores e nos ofereceu suas saudações”. Nem tudo foi “doçura social”, no entanto: o patriarca de Bagdá foi bastante firme contra as hipocrisias e falsas promessas politiqueiras e recusou qualquer presente de “líderes religiosos e políticos” até que seja resolvida a cruel situação de crise que martiriza o país, em particular desde que famigerado grupo Estado Islâmico invadiu a cidade de Mossul e a planície de Nínive, em 2014. O episódio sanguinário assassinou ou expulsou famílias cristãs e yazidis; os sobreviventes continuam sendo alvo de violência, expropriações, sequestros, islamização forçada dos filhos e postura hostil de algumas vertentes do islã. “Precisamos de mudança real e concreta no Iraque: uma nova cultura, não só discursos e declarações de fachada”, declarou o patriarca.

A comunidade cristã iraquiana doou dinheiro para suprir as necessidades básicas de 2 mil famílias de Bagdá, não só cristãs, mas também muçulmanas e yazidis. “É uma forma de testemunhar com as obras que somos irmãos”, explica Mar Sako. “Estes atos concretos de misericórdia geram contato e ajudam de verdade a formar vínculos, partilha, desejo de encontro. É uma resposta à cultura de guerra e vingança, à falta de compaixão, de perdão e de reconciliação, que são males que afligem o Iraque há muito tempo e o lançam num redemoinho de violência e terror”.

Em entrevista a um popular programa de televisão iraquiano, o patriarca se pronunciou com grande firmeza contra um islã fechado e fundamentalista, fazendo votos de maior abertura. “Muitos me agradeceram”, conta ele, “especialmente entre os próprios muçulmanos”.

Moscou, Rússia: cristãos ortodoxos

O patriarca de Moscou, Kirill, perguntou aos fiéis em sua mensagem de Natal, também celebrado em 7 de janeiro: “O que é mais pobre do que uma gruta e mais humilde que os panos em que a riqueza divina resplandece? Ao escolher a pobreza extrema para o mistério da nossa redenção, Cristo renuncia a tudo o que este mundo considera importante: poder, riqueza, glória, origens nobres e status social. Ele propõe outra lei de vida: a lei da humildade e do amor, que vence o orgulho e a maldade”.

Kirill também falou da guerra na Ucrânia: “A luta fratricida na terra ucraniana não deve dividir os filhos da Igreja, semeando o ódio nos seus corações. Um cristão verdadeiro não pode odiar nem os próximos nem os distantes. ‘Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que sejais filhos do vosso Pai celeste, que faz nascer o seu sol sobre maus e bons e chover sobre justos e injustos’”.

Cidade do Vaticano: cristãos católicos

Em coincidência com as celebrações de Natal em várias tradições do mundo cristão, o papa Francisco anunciou em vídeo as suas intenções de oração para o mês de janeiro, esperando que “o diálogo sincero entre homens e mulheres de religiões diferentes dê frutos de paz e justiça”.

O diálogo inter-religioso, para ele, é “uma condição necessária para a paz no mundo. Não devemos parar de rezar por esta intenção. Temos de trabalhar juntos com quem pensa diferente. Só através do diálogo poderemos eliminar a intolerância e a discriminação. Eu confio em vocês para espalhar o meu pedido deste mês: que o diálogo sincero entre homens e mulheres de religiões diferentes dê frutos de paz e justiça”.

Fonte: Aleteia
Imagem: Divulgação

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A Convenção Batista do Espírito Santo resolveu criar uma ação no estado para conscientizar a população sobre os cuidados para combater o mosquito Aedes aegypti. O mosquito transmite a dengue, a febre chikungunya e o Zika vírus.

Membros da Igreja Batista em Vitória realizaram, em dezembro, um mutirão próximo à praça de pedágio da Terceira Ponte, distribuindo panfletos e orientando quem passava no local sobre a importância de evitar a proliferação do mosquito.

“Estamos nas comunidades e devemos nos unir nesse propósito. Promover a saúde e o bem-estar também é um compromisso cristão. Convido a todos a apoiarem essa causa e vamos combater, juntos, esse grave problema de saúde pública”, destacou o presidente da Convenção, pastor Doronésio Pedro.

O mutirão foi apenas uma das etapas dessa campanha, nos dias que se seguiram os membros das igrejas que fazem parte da convenção se uniram para limpar as igrejas e assim evitar o acúmulo de água que pode servir como base para a proliferação do mosquito.

Em todo o estado há 682 igrejas filiadas a Convenção Batista do Espírito Santo, somando mais de 80 mil membros divididos em 78 municípios, segundo dados do jornal Folha Vitória. A metade dos membros estão na capital capixaba.

As denúncias sobre possíveis focos de Aedes aegypti em Vitória subiram 2.650% em dezembro. Em novembro o Fala Vitória 156 registrou 28 ligações relacionadas a denúncias contra focos do mosquito da dengue, já neste mês o número subiu para 742.

Fonte: GospelPrime
Foto: Folha Vitória

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As luzes se apagaram e os cursistas colocaram nos olhos as vendas que receberam ao adentrarem o TUCA (Teatro da Universidade Católica) na PUC-SP. Uma voz contou a todos uma história que se parecia com a criação do mundo segundo o Gênesis, mas que falava sobre a destruição da natureza pelo homem. “E se ergueram prédios e as pradarias desapareceram. E ele (o ser humano) viu que era bom”. Foi com esta reflexão que se iniciou nesta quarta-feira, dia 6 de janeiro, a celebração de abertura do 29º Curso de Verão (CV), promovido pelo CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), na PUC-SP.

Os mais de 200 cursistas começaram a entrar no TUCA por volta das 14h e a dançar músicas como “Asa Branca”, do Gonzaguinha, e “Iluminação”, de Renato Teixiera, após já terem sido credenciados e recebido o material do curso na parte da manhã. A coordenadora do CV, Cecilia Franco, convidou todos a relembrar seus caminhos de vinda para São Paulo, de todas as regiões do Brasil e também de fora do país: “O que nos convocou? Sintam-se em casa, nós estamos no Curso de Verão!”

O palco do TUCA foi ambientado com tecidos e frutas e seguiu-se o momento de luzes apagadas enquanto a ambientação era desfeita. Os cursistas retiraram as vendas e assistiram, ao som de gritos de pessoas, imagens que mostravam a destruição do meio ambiente – como manchas de petróleo nos mares, o uso de agrotóxicos e o desmatamento – além de problemas relacionados como a fome e desastres naturais como o tsunami que devastou a costa da Indonésia e da Tailândia em 2004.

“Gostei da dinâmica de vendarem os nossos olhos e no vídeo tinha imagens que marcaram e me tocaram muito”, disse ao final da abertura a estudante Laura de Melo, 16, pertencente a um grupo da Pastoral da Juventude da Diocese de Araçatuba (SP) da Igreja Católica Apostólica Romana. Ela ficou na memória com a imagem do sofrimento de um homossexual caído no chão com uma bíblia nas mãos sob as cores do arco-íris. “A abertura chamou para uma reflexão, está muito na cara que caminho o curso vai ter”, disse Rodrigo Cosenza, 36, sobre o tema da “Economia promotora dos direitos humanos e ambientais”. O professor de história, que não possui nenhuma fé religiosa, é crítico à “relação que a gente tem de transformação do planeta em mercadoria”, que faz com que não entremos em “uma lógica de cuidar ao invés do que o planeta pode nos dar nesse instante”.

Temática

O tema da preservação do meio ambiente aproxima este ano o Curso de Verão da 4ª Campanha da Fraternidade Ecumênica, como observou na abertura aos cursistas o bispo da IEAB (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil) e presidente do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil) Dom Flávio Irala. “Nossos temas estão caminhando juntos, espero que sejam bem tratados, o amor, a justiça e a nossa mãe natureza”, disse ele antes de cantar e tocar uma música para os cursistas.

Também falou na abertura o professor da PUC-SP Wagner Sanchez em nome da diretoria do CESEEP. “O Curso de Verão é como uma grande mesa onde todos se sentam juntos para comer e compartilhar. Mais de 100 pessoas ajudaram na organização e vocês serão tocados pela mística do curso.”

O pró-reitor de cultura e relações comunitárias da PUC-SP, Jarbas Nascimento, ainda ressaltou a importância da união entre todos os participantes, sejam assessores, monitores e cursistas. “O mais importante é que todos nós estamos juntos e que possamos no dia a dia transformar o que aprendemos em realidade”.

O curso continua nesta quinta-feira (7), às 8h00 com um momento de espiritualidade e a palestra do economista Ladislau Dowbor, com o tema “Sistema Financeiro trava o desenvolvimento econômico do país”. Após a assessoria, os cursistas seguem para as “tendas” (oficinas) em que se dividiram para discutir a palestra sob espaços criativos como “Liderança de grupos populares” e “Retalhos da história do povo negro”.

Fonte: CESEEP
Foto: Reprodução

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Diz o evangelho de Mateus que os magos, “ao entrarem na casa onde o menino estava, “abriram seus cofres e ofereceram ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11). Crianças da comunidade católica São Vicente de Paulo, bairro Solo Sagrado, periferia de São José do Rio Preto/SP, repetiram o gesto neste último domingo, Festa da Epifania, popularmente conhecida como Festa dos Reis Magos.

Motivadas pela Campanha “Neste Natal, livre uma criança indígena da fome”, promovida pelo CEBI com apoio da CESE, as crianças do “Solo Sagrado” partilharam suas economias de uma maneira muito especial com outras crianças que sonham com seu “Solo Sagrado”, a terra de deixada por seus antepassados. Padre Calazans, que trabalha no bairro, lembrou: “Nossas crianças e adolescentes abriram os cofrinhos e ficaram muito felizes em participar da campanha. Quando precisar elas disseram que pode contar”.

Durante a celebração, na comunidade no Bairro Solo Sagrado (o nome é significativo), as próprias crianças e adolescentes deram seu depoimento. Nas palavras de Yara, "o dinheiro que gastamos com bobagem salva vidas quando doado com o coração". "Sinto-me, orgulhoso e feliz de realizar esta ação solidária", afirmou Alexandre. Nas palavras de Pollyana Federice, “foi uma experiência muito boa, ajudarei novamente se for preciso. Pois ao mesmo tempo aprendi a ajudar o próximo mesmo distante".

Isadora, por sua vez, destacou: “Fiquei feliz em participar desse projeto, ajudando essas crianças indígenas, é como uma simples semente, mas para que ela possa continuar precisamos regar e continuar com esse projeto para podermos levar um pouco de alegria para essas crianças".

Para a Ir. Hosana, que dedica sua vida às pessoas do Bairro Solo Sagrado, “é desde de pequenos, que crianças e adolescentes fazem a experiência do encontro com Jesus na pessoa do irmão”.

Ao todo, o grupo doou R$ 690,00. O valor foi destinado às crianças da comunidade Tey’i Juçú, em Caarapó, próximo a Dourados, no sul do Estado de Mato Grosso do Sul.

Em gurarani, Tey’i Juçu significa “onde já foi um grande lugar”. Na pequena área, hoje vivem mais de 25 famílias, com um elevado número de crianças de todas as idades. A área é legalmente reconhecida como território indígena, mas o governo federal não conclui o procedimento administrativo de demarcação.

Em 2015, por diversas vezes, pistoleiros cometeram ataques violentos contra as famílias. Um deles culminou com o assassinato da jovem Juliana. Seu corpo foi levado pelos pistoleiros. Além disso, latifundiários da região, interessados no lucro e na terra, lançam veneno (agrotóxicos) sobre as famílias, o que vem acarretando problemas de saúde para várias crianças e pessoas idosas. Os mesmos latifundiários dizem ter conseguido na justiça uma ordem de reintegração de posse. Além da fome, as crianças convivem com o temor do despejo e da perda de sua terra tradicional.

Você ainda pode colaborar

O CEBI continuará visitando comunidades indígenas em 2016. Se você ainda deseja colaborar, clique aqui e saiba mais.

Fonte: CEBI
Foto: Reprodução

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O Conselho Indigenista Missionário, Regional Sul, vem a público manifestar sua indignação com o cruel assassinato de Vítor Pinto, criança Kaingang de dois anos de idade. O crime ocorreu na rodoviária de Imbituba, município de Santa Catarina.

Vitor estava sendo amamentado pela mãe, Sônia da Silva, quando um homem se aproximou, acariciou seu rosto e, com um estilete, o degolou. Enquanto a mãe e o pai – Arcelino Pinto – desesperados tentavam socorrer a criança, o assassino seguiu caminhando pela rodoviária até desaparecer.

Vítor faleceu em um local que a família Kaingang imaginava ser seguro. As rodoviárias são espaços frequentemente escolhidos pelos Kaingang para descansar, quando estes se deslocam das aldeias para buscar locais de comercialização de seus produtos. A família de Vítor é originária da Aldeia Kondá, localizada no município de Chapecó, Oeste de Santa Catarina. Vítor estava na rodoviária com os pais e outros dois irmãos, um de seis anos e outro de 12.

Trata-se de um crime brutal, um ato covarde, praticado contra uma criança indefesa, que denota a desumanidade e o ódio contra outro ser humano. Um tipo de crime que se sustenta no desejo de banir e exterminar os povos indígenas.

A Polícia Militar da região deu por desvendado o fato em poucos minutos. Prendeu, num bairro pobre, um presidiário, que usufruía do benefício do indulto de Natal e Ano Novo. Aparentemente tudo estava solucionado. Mas na delegacia da Polícia Civil de Imbituba o delegado ouviu o pai e a mãe de Vítor, e ainda outra testemunha, um taxista que estava no local na hora do crime. O homem indicado pela Polícia Militar como autor do assassinato não foi reconhecido pelas três testemunhas.

Informações colhidas na delegacia por um advogado que acompanhou a família Kaingang dão conta de que esse cruel assassinato pode estar relacionado a ações de grupos neonazistas ou de outras correntes segregacionistas, que difundem o ódio e protagonizam a violência contra índios, negros, pobres, homossexuais e mulheres.

O Conselho Indigenista Missionário manifesta preocupação com o clima de intolerância que se propaga, na região sul do país, contra os povos indígenas. Um racismo – às vezes velado, às vezes explícito – é difundido através de meios de comunicação de massa e em redes sociais. Ocorrem, com certa frequência, manifestações públicas de parlamentares ligados ao latifúndio e ao agronegócio contrários aos direitos dos povos indígenas e que incitam a população contra estes povos. Em todo o país registram-se casos de violência e de intolerância contra indígenas e quilombolas, manifestadas concretamente nas perseguições, nas práticas de discriminação, na expulsão e no assassinato de indígenas. Nestes últimos dias pelo menos cinco indígenas foram assassinados no Maranhão, Tocantins, Paraná e Santa Catarina.

O Conselho Indigenista Missionário espera que esse crime hediondo seja efetivamente investigado e que, não se cometam erros ao tentar dar uma resposta imediata à sociedade, imputando a um inocente crime que não praticou.

Conselho Indigenista Missionário - Regional Sul

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O soldado da Polícia Militar de São Paulo Anderson Silva Silva, de 32 anos, estava com amigos em um bar de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, quando três homens se aproximaram em duas motos e anunciaram o assalto. Silva reagiu, sacou sua pistola e foi baleado duas vezes. Chegou morto ao hospital. O triste caso do jovem, PM experiente e treinado no manejo de armas de fogo, é uma gota em oceano de casos semelhantes -—o site de buscas Google registra mais de 500.000 ocorrências para os termos “policial morre após reagir a assalto”. No entanto é precisamente isso que os deputados da bancada da bala, nome dado ao grupo de parlamentares ligados aos interesses dos fabricantes de armamentos, querem que o cidadão comum – sem experiência em combate– faça: reaja e atire de volta. Ou morra tentando.

Em outubro deste ano uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou um relatório que na prática acaba com o Estatuto do Desarmamento, que entre outras coisas proibia o porte de armas para pessoas que não agentes da lei. O relator da matéria, Laudivio Carvalho (PMDB-MG), defendeu o texto, afirmando que a mudança - que ainda precisa ser aprovada no plenário da Câmara e no Senado - vai evitar que a população seja “refém de delinquentes”. No entanto, não existe nenhum estudo científico ou especialista da área que estabeleça a relação entre aumento no número de armas e queda do número de assaltos. “Até policiais treinados morrem reagindo", afirmou Bruno Langeani, coordenador de do Instituto Sou da Paz.

Na verdade, a literatura acadêmica produzida no país aponta no sentido contrário: menos armas, menos mortes. O Mapa da Violência, estudo mais completo sobre mortes por arma de fogo no país, produzido pela Falculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), apontou que o Estatuto do Desarmamento foi responsável por salvar 160.000 vidas desde que foi sancionado pelo então presidente Lula em 2003. O diretor de de Estudos e Políticas do Estado do Instituto de Pesquisa Econômica Avançada (Ipea), Daniel Cerqueira, disse perante a comissão especial da Câmara que o Estatuto “foi uma das leis mais importantes nas últimas décadas no Brasil”. “Há uma relação de causalidade entre a redução do número de armas com a queda dos homicídios. Onde se tem uma maior difusão de armas de fogo, a taxa de homicídios aumenta em 1% ou 2%”, afirmou perante uma plateia de deputados desinteressados em seus argumentos científicos. Já o relatório da ONU Global Study on Homicide, afirma que "o grande número de homicídios nas Américas mostra que, dependendo do contexto, o acesso facilitado às armas pode ter um efeito significativo no número de mortes".

Além do Ipea, da Flacso e da ONU, a produção acadêmica que aponta para uma relação entre aumento na quantidade de armas em circulação com um incremento na violência conta com teses de mestrado e doutorado da Universidade de São Paulo, Faculdade Getúlio Vargas e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Mas não são apenas acadêmicos que consideram o fim do estatuto ruim para a sociedade - policiais e secretários de Segurança Pública também engrossam o coro. José Mariano Beltrame, titular da pasta no Rio de Janeiro, e o coronel da PM Robson Rodrigues, chefe do Estado Maior Geral da PM do Rio, assinaram, ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de mais de 70 pesquisadores de dezenas de universidades, carta aberta ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pedindo a manutenção da legislação atual. Em entrevista, Beltrame chegou a dizer que é preciso “desarmar as pessoas e não armá-las”, e afirmou que “se os parlamentares querem efetivamente ajudar, que canalizem esta energia, este esforço no sentido de ampliar as condições para que a segurança pública no país possa é melhorar”.

Nada disso sensibilizou a comissão, que votou pela flexibilização do estatuto. Em suas fileiras, o colegiado conta com 11 parlamentares que já receberam doações de empresas de armas - entre eles o presidente do órgão, Marcos Montes (PSD-MG), que teve a campanha financiada pela Forjas Taurus, uma das maiores empresas do ramo de armamentos do país, e pela Companhia Brasileira de Cartuchos, fabricante de munições.

O professor da Universidade de Harvard David Hemenway realizou entrevistas com 150 pesquisadores que trabalham com a questão da violência e do controle de armas nos Estados Unidos. Assim como no caso brasileiro, houve praticamente um consenso com relação ao perigo de se ter uma arma. Dos acadêmicos entrevistados, 64% concordam que uma pistola ou revólver em casa torna o local mais perigoso (apenas 5% pensam que o lar fica mais seguro). 72% dos entrevistados também acreditam que ter armas no domicílio aumenta o risco de uma mulher residente ser vítima de homicídio. “Há consenso de que as armas não são usadas para autodefesa com muito mais frequência do que são usadas para crimes (73% contra 8%), e que a mudança para leis mais permissivas de porte de arma não reduziu as taxas de crime (62% ante 9%)”, escreve Hemenway, que conclui dizendo que “há consenso de que leis rígidas de controle de armas de fogo reduzem os homicídios (71% vs. 12%)”.

Praticamente a única literatura acadêmica citada pelo autor do projeto de lei que quer acabar com o Estatuto, o deputado Peninha Mendonça (PMDB-MG), é um relatório intitulado Would Banning Firearms Reduce Murder and Suicide? (Banir armas de fogo reduz homicídios e suicídios, em tradução livre), dos professores Don B. Kates e Gary Mauser. O texto foi parcialmente financiado pela National Rifle Association, a maior entidade ligada aos fabricantes de armas do mundo, o que, na visão de estudiosos, compromete sua imparcialidade.

No Brasil também parece haver consenso com relação à questão. Resta saber se os parlamentares irão prestar atenção a ele.

Fonte: ElPaís
Foto: Reprodução

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Os meios de comunicação precisam abrir mais espaço para histórias inspiradoras e positivas para contrabalançar a preponderância do mal, da violência e ódio no mundo, disse o papa Francisco nesta quinta-feira em sua mensagem de fim de ano.

Francisco recebeu cerca de 10 mil fiéis em uma solene cerimônia tradicional às vésperas do fim de ano, o “Te Deum” de ação de graças, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Em sua breve homilia, Francisco disse que o ano encerrado foi marcado por muitas tragédias.

“Violência, morte, sofrimento indizível de tantas pessoas inocentes, os refugiados forçados a deixar seus países, homens, mulheres e crianças sem lar, alimentos ou meios de subsistência”, afirmou.

Mas ele disse que também houve “muitos grandes gestos de bondade” para ajudar os necessitados “mesmo que eles não apareçam em programas noticiosos da televisão (porque) as coisas boas não fazem notícia”.

Ele disse que a mídia não deveria permitir que tais gestos de solidariedade sejam “ofuscados pela arrogância do mal”.

O papa argentino, em sua terceira cerimônia pelo ano-novo desde sua eleição em 2013, condenou a “sede insaciável de poder e a violência gratuita que o mundo viu em 2015”.

Fonte: Reuters
Fonte: Luca Zennaro/POOL/AFP

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Em Moçambique, as igrejas evangélicas estão em todos os cantos, e não param de atrair novos fiéis. As igrejas evangélicas brasileiras estão integradas à paisagem do país, seja em zonas rurais ou nos centros urbanos. Nos cultos, além de moçambicanos, há muitos pastores brasileiros.

O último censo, divulgado em 2007, revelou que os evangélicos representam 10% da população moçambicana. É a quarta religião mais praticada no país e tem atraído novos fiéis, principalmente por causa da forte presença das igrejas evangélicas brasileiras. Elas não param de crescer, nem de ganhar popularidade. Estão nas rádios e nos programas de televisão.

A Universal do Reino de Deus, por exemplo, é a mais influente de todas. Está em Moçambique há pouco mais de 20 anos. Tem uma estação de rádio, TV e um templo construído numa das principais avenidas de Maputo, capital do país. Sem falar nas pequenas igrejas espalhadas nas províncias.

A cozinheira Rosa Sumbana vai aos cultos todos os dias. “Tenho motivo de ficar em casa? Sem essa paz que eu achei aqui? Não há comparação”, diz Rosa.

Fiéis vão aos cultos em busca de esperança

Depois que o marido foi procurar trabalho na África do Sul e nunca mais deu notícias, a empregada doméstica Cristência Sebastião começou a frequentar uma igreja evangélica brasileira. Mãe de duas filhas, acredita que um dia pode ter uma vida feliz, promessa que costuma ouvir nos cultos. Vai sempre nas horas vagas. Foi o jeito que encontrou para não perder a esperança. “Cada vez que venho aqui, o meu coração se acalma”, diz ela.

De acordo com o sociólogo João Colaço, as igrejas podem ajudar os fiéis em algum sentido, mas "o empenho das pessoas, a crença de que é trabalhando que nós resolvemos problemas, que indo ao hospital, procurando profissionais especializados, é que nós resolvemos nossos problemas de saúde são fundamentais”. Caso contrário, finaliza, “acabaremos todos por ficarmos no meio do caminho, se apenas acreditarmos que a igreja pode resolver tudo”.

Com informações da RFI
Foto: Sponsorimpact

CoE Getty
 
As Igrejas de Inglaterra e da Escócia anunciaram nesta quinta-feira a assinatura de um "acordo histórico", que tem como objetivo reforçar os laços entre as duas regiões do Reino Unido e possibilitar um trabalho de maior união em especial nas questões sociais.

A "Declaração Columba", nome do acordo que deve ser apresentado no sínodo da Igreja da Inglaterra em fevereiro e na assembleia geral da Igreja da Escócia em maio, "reconhece a relação forte que já existe (entre as duas Igrejas) e vai ajudar a estimular e apoiar novas iniciativas", segundo um comunicado.

A declaração "afirma e reforça nossa relação em um momento particularmente crítico para a existência do Reino Unido", em referência aos referendos sobre a independência da Escócia, organizado em 2014, e sobre a permanência na União Europeia, que deve acontecer até o fim de 2017.

Além disso, permitirá aos pastores das duas Igrejas oficiar de maneira indistinta em seus locais de culto.

Este anúncio, considerado "histórico" pelos líderes das Igrejas, tem um forte caráter simbólico, já que as duas, frutos da Reforma mas com evoluções diferentes, travaram embates violentos no passado, que levaram inclusive à guerra civil inglesa no século XVII.

"É praticamente inimaginável em nosso mundo secular de hoje, mas a divisão entre o anglicanismo e o presbiterianismo constituiu um dos episódios mais violentos da história britânica", destaca o jornal Daily Telegraph.

Com informações da AFP
Foto: www.independent.co.uk

A mais notória fraude política dos tempos modernos, "obra prima" da literatura racista, tornou-se eficiente ferramenta para o antissemitismo moderno, desde sua criação pela polícia secreta do czar da Rússia, há mais de 100 anos. O pequeno, mas diabólico panfleto, contém minutas de um suposto conclave secreto de líderes mundiais judeus. Composto de 24 capítulos ou protocolos, o livro "descreve" os "planos" traçados na dita reunião, que, supostamente acontecia uma vez a cada 100 anos. O objetivo de tais líderes judeus seria arquitetar a manipulação e o controle do mundo que ocorreria no século seguinte. Acreditam seus seguidores que Os Protocolos contêm a "prova cabal" da existência de uma "conspiração judaica mundial" que teria como propósito "dominar o planeta".

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Sobre o texto, Elie Wiesel, Nobel da Paz, foi enfático ao declarar: "Se há um texto que pode produzir o ódio massificado contra os judeus, é este o texto... todo composto por mentiras e difamações". Ao longo de sua nefasta trajetória, Os Protocolos foram usados para justificar a perseguição de judeus na Rússia czarista e no período comunista e continuam em uso, até hoje, pela extrema direita russa. Nas mãos de Hitler, o texto se tornou verdadeira arma mortífera na guerra que travou contra os judeus, a partir da década de 1920. Os Protocolos também fazem parte do embasamento ideológico da extrema-direita americana e europeia, bem como da extrema-esquerda da Europa. E, desde 1921, vêm sendo usados no mundo islâmico, sendo que hoje as cópias desta preciosidade antissemita são impressas e distribuídas gratuitamente.

A pergunta que deixa perplexos estudiosos e leigos é de que maneira um produto da Rússia czarista, oligárquica e cristã, conseguiu perdurar até hoje e foi adotado entusiasticamente por pessoas das mais diferentes ideologias e crenças religiosas? Uma das razões é o fato de, no texto, não haver qualquer definição de tempo ou contexto nacional e ideológico, podendo ser facilmente "adaptado" a qualquer situação.

O texto dos Protocolos é sempre o mesmo, mas cada uma das milhares de edições produzidas ao longo dos anos vem acompanhada de um prefácio que "explica" como o "plano judaico" está em funcionamento naquele preciso momento. As "ideias" contidas nos Protocolos constituem uma poderosa arma em países ou grupos sociais onde prevalece uma situação de frustrações ou incertezas. É sempre mais fácil acreditar que as dificuldades são decorrentes de um "agente externo invencível" - uma conspiração judaica mundial ou o imperialismo americano - do que encarar a realidade. Apesar de outras obras antissemitas poderem vir a ter maior "embasamento intelectual", foram as imagens conspiratórias dos Protocolos o que conquistou pessoas tão diferentes como o magnata dos automóveis, Henry Ford, membros da Ku-Klux-Klan ou chefes de estado. O único elo entre os "seguidores" do livro é seu ódio contra os judeus.

Quase inacreditável também é o alcance geográfico de Os Protocolos, que pode ser encontrado nos quatro cantos do mundo, até em lugares onde praticamente não há judeus. Após a 2ª. Guerra Mundial, virou best-seller não só em países islâmicos, mas também no Japão. No Brasil, são inúmeras as publicações. Com o advento da Internet, Os Protocolos passam a ter uma divulgação jamais vista e, desde 1994, circulam livremente na rede mundial versões completas em vários idiomas, sendo indicados como leitura obrigatória em sites de grupos separatistas, nazistas, nacionalistas, do Poder Branco, KKK e até mesmo do MV - Movimento de Valorização da Cultura, do Idioma e das Riquezas do Brasil.

Denunciar os Protocolos como uma mentira deslavada não é novidade; isto tem sido feito ao longo de quase um século, por profissionais idôneos e muito respeitados. Por que, então, a necessidade de expor, mais uma vez, essa fraude centenária? Lamentavelmente, com a proliferação do antissemitismo em diferentes partes do mundo, as "verdades" dos Protocolos servem, uma vez mais, de alimento para fomentar sentimentos anti-judaicos.

O primeiro a denunciar o texto, ainda em 1920, logo após sua introdução na Europa Ocidental pela mão de refugiados russos, foi o historiador judeu britânico, Lucien Wolf. No ano seguinte, Philip Grave, jornalista do The Times, denunciou em vários artigos como se forjara aquele embuste. Centenas de outros artigos e livros e atualmente até documentários se seguiram, sempre de respeitados autores, que, no entanto, fracassaram em seu intento de convencer seus seguidores de que o panfleto nada mais era de uma grande fraude.

Incontáveis são as vezes em que Os Protocolos foram derrotados nos tribunais de vários países. Em 1933, a comunidade judaica da Austrália e, no ano seguinte, da Suíça, moveram ações vitoriosas, para proibir a distribuição do execrado livro. No ano de 1993, em Moscou, houve um processo contra o grupo ultranacionalista russo, Pamyat, que alegava ser o texto historicamente legítimo. No Brasil, federações judaicas denunciaram o panfleto e houve sentenças favoráveis pronunciadas nos tribunais estaduais de praticamente todas as cidades onde surgiram seus exemplares, sendo confiscados os estoques dos livros.

Raízes "ideológicas"

As acusações contidas nos Protocolos dos Sábios de Sião não são totalmente novas. Algumas, como o mito de reuniões secretas de rabinos para arquitetar planos para subjugar cristãos, fazem parte da literatura medieval cristã antissemita. Mas, uma fonte de inspiração mais moderna remonta à época da Revolução Francesa, quando, em 1797, o abade Barruel, defensor do Antigo Regime, publicou um trabalho em que afirmava que os revolucionários franceses faziam parte de uma conspiração secreta maçônica, cujo objetivo era tomar o poder. Alegação totalmente sem sentido, pois era a nobreza francesa quem estava profundamente envolvida com a instituição maçônica. No documento inicial, o abade não faz acusação aos judeus, mas, em 1806, ele "enriquece" sua teoria conspirativa lançando e distribuindo uma carta forjada, na qual os judeus eram acusados de fazer parte da conspiração que o autor, anteriormente, atribuíra aos maçons.

No entanto, o antecessor direto dos Protocolos foi uma sátira política, os Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu ou A política de Maquiavel no séc. 19, por um contemporâneo (1864), de autoria do advogado parisiense Maurice Joly. A trama do livro é um complô elaborado no Inferno. O alvo, Napoleão III e seu regime despótico. No texto, os judeus sequer são mencionados...

A sátira de Joly chega à Alemanha em plena efervescência liberal, auge da proliferação das teorias racistas. O livro cai nas mãos de Herman Goedsche, anti-semita convicto, agente incitador da polícia secreta prussiana, conhecido por forjar cartas usadas para incriminar líderes democráticos. Escrevendo sob o pseudônimo de Sir John Retcliffe, Goedsche "adapta" a sátira política de Joly de modo a criar uma "fantasia" sobre a existência de uma conspiração judaica; e incluiu tal "conto" em seu romance, Biarritz, publicado em 1868. No capítulo denominado "O Cemitério Judaico em Praga", o autor "narra" um encontro secreto de rabinos, à meia-noite, quando eram avaliadas as ações realizadas nos últimos cem anos, para dominar o mundo, e eram planejadas as do século seguinte.

O conto de Goedsche encontrou terreno fértil na Rússia czarista, onde foi traduzido pela primeira vez em 1872, reaparecendo em 1891 sob o título de Discursos do Rabino. O texto foi utilizado pela Okhrana, a polícia secreta do Czar Nicolau II, para dar substância às suas posições anti-semitas.

A criação dos Protocolos

Após o Caso Dreyfus, em Paris, por volta de 1895, os agentes da Okhrana viram a possibilidade de "adaptar" o texto de Joly. E assim - sem que se saiba ao certo por quem - "criou-se" um panfleto que recebeu o título de Os Protocolos dos Sábios de Sião. O manuscrito foi levado à Rússia e, em 1903, teve sua publicação iniciada, em capítulos, no jornal russo Znamya (A Bandeira).

A versão do texto, que circula até hoje, foi publicada pela primeira vez por Sergei Nilus, em 1905, como adendo de seu livro, The Great within the Small. Naquele mesmo ano, após a Revolução de Outubro, o czar Nicolau II, a contragosto, promulgou a Constituição e criou o Duna, parlamento russo. Ansioso para esvaziar a revolução, o Czar achou por bem culpar o povo judeu por todos os males da Rússia. Manda publicar, então, para incitar as massas, panfletos incendiários. Os de distribuição mais ampla foram Os Protocolos, que, segundo a Okhrana, eram a "prova incontestável" das intenções judaicas contra a Rússia.

Foi após a Revolução de 1917 que Os Protocolos adquirem vida própria. Quando a elite russa foge para outros países da Europa, leva consigo o panfleto, apresentado como "prova" de que a Revolução Bolchevique era parte de uma conspiração judaica mundial. Rapidamente, o conteúdo dos Protocolos se difundiu por vários países, tornando-se excelente munição para qualquer governo que desejasse perseguir os judeus. No ano de 1920, são lançadas em vários países (Alemanha, Polônia, França, Inglaterra e Estados Unidos) as primeiras edições não escritas no idioma russo.

Provas da falsificação

Vimos acima que, ao longo dos anos, Os Protocolos foram repetidamente denunciados como fraude. Em agosto de 1921, o jornalista inglês Philip Graves faz uma denúncia pública do embuste, em dois artigos no jornal The Times, de Londres, onde prova que o panfleto difamatório era um plágio da sátira de Joly, Os Diálogos no Inferno. Nos artigos Graves aponta, uma a uma, as "extraordinárias semelhanças" entre os dois textos, publicando, até, uma tabela comparativa dos mesmos, lado a lado; a paráfrase é irrefutável. Até o suposto "plano judaico de dominação mundial" não passa de uma transposição do discurso entre Maquiavel e Napoleão, no original de Joly, e os planos dos dois para os Estados europeus se tornam, nos Protocolos, o "plano judaico para dominar todo o mundo cristão".

Graves aponta, também, as inúmeras versões sobre como o texto teria chegado às mãos de Sergei Nilus. Pela edição russa de 1905, as minutas teriam sido obtidas através de uma mulher que as roubara de "um dos mais influentes líderes da franca maçonaria". Outra versão afirma que são a ata de uma reunião secreta de "iniciados", na França. Na versão de 1917, consta que os "Protocolos" eram notas de um plano apresentado por Theodor Herzl, no Primeiro Congresso Sionista, que teria "deixado vazar" a informação. Uma outra, ainda, que o texto fora lido secretamente no Primeiro Congresso Sionista e que tinha sido encontrado por um amigo de Nilus, na "sede francesa da Sociedade de Sião" - instituição inexistente!

Quanto às denúncias dos Protocolos contra os judeus, trata-se de acusações que fazem parte do secular arsenal antissemita, facilmente refutadas.

Uso por diferentes correntes ideológicas

Nos Estados Unidos, onde, como vimos, aterrissaram em 1920, Os Protocolos encontraram em Henry Ford III, capitão da indústria automobilística, fervoroso defensor. O empresário os fez publicar, em capítulos, no Dearborn Independent, jornal de sua propriedade, entre maio e setembro daquele ano. A série foi intitulada "The International Jew: the World's Foremost Problem" (O judeu internacional, principal problema mundial).

No ano seguinte, Herman Bernstein, do New York Herald, publica "A História de uma Mentira: Os Protocolos dos Sábios de Sião", levando pela primeira vez ao público norte-americano a verdade sobre a fraudulência dos Protocolos. Mesmo denunciada aos quatro cantos como falsa, a série foi publicada em livro, que acabou sendo traduzido para mais de doze idiomas. Ford continuou a citar o texto para provar uma suposta "ameaça judaica", até 1927, quando escreve um pedido oficial de desculpas aos judeus americanos por ter publicado Os Protocolos, os quais ele admite serem "falsificações grosseiras".

Em 1921 é a vez dos árabes, na então Palestina e Síria, de usar Os Protocolos para incitar as massas contra os judeus, sugerindo que a criação de um Estado Judeu, na região, era parte da tal "conspiração judaica internacional".

É inegável a influência de Os Protocolos sobre Hitler. O mito da conspiração judaica permeia todo o seu pensamento e pode ser constatado no livro Mein Kampf, em que ele "explica", entre outros, seus planos para livrar o mundo dos judeus e de seus complôs traiçoeiros. Ao assumir o poder, Hitler utilizou inúmeras vezes Os Protocolos para justificar as leis e atos antissemitas, até mesmo o extermínio em massa, como forma de impedir os judeus de exercerem o "domínio" mundial. Uma guerra de propaganda sem fronteiras foi empreendida pelos nazistas para convencer o mundo dos malefícios do judaísmo e os Protocolos foram instrumento fundamental, sendo distribuídos na maioria dos países ocidentais.

No Brasil da Era Vargas, Os Protocolos mereceram atenção especial, ganhando comentários de Gustavo Barroso, ideólogo do integralismo. Foi o aval deste historiador laureado, presidente da Academia Brasileira de Letras, que deu ao famigerado panfleto "o ar de respeitável literatura". Reeditados oficialmente até há pouco tempo, ainda hoje Os Protocolos podem ser encontrados na Internet e em diversas livrarias e feiras de livros.

Nos países islâmicos, como mencionado acima, Os Protocolos também se tornaram, desde 1921, uma ferramenta para disseminação do antissemitismo. Ainda mais intensamente a partir da 2ª. Guerra Mundial e após a criação do Estado de Israel.

Nos últimos anos, o texto dos Protocolos tem sido usado para produzir, em vários países do Oriente Médio, minisséries de TV. O "plano judaico de dominação mundial", incluindo todo o Oriente Médio, e outras "verdades" contidas no panfleto são o tema central dos enredos. Transmitidas em todo o mundo árabe durante o Ramadã, quando da reunião familiar para a quebra do jejum religioso, essas "verdades" conseguem incendiar os ânimos. Entre essas produções destacamos duas - uma, em 41 capítulos, transmitida pela televisão estatal egípcia, "Cavaleiro sem Cavalo", em 2002; e a outra, uma produção síria em 21 episódios, levada ao ar em 2003 pela rede de televisão a cabo libanesa, Al-Manar.

Em 2002, o panfleto foi disseminado ainda mais por todo Oriente Médio, quando jornais controlados pelos governos do Egito, Síria, Jordânia e Arábia Saudita, em uma ação coordenada, passam a imprimir e distribuir gratuitamente cópias dos Protocolos dos Sábios de Sião. No ano seguinte, a UNESCO denunciou publicamente a exibição de livros sagrados de religiões monoteístas na Biblioteca de Alexandria, no Egito, onde, ao lado de uma Torá estava exposto um exemplar dos famigerados Protocolos. E, enquanto o atual presidente do Irã (em 2009) anunciava publicamente o seu intento contra Israel, ordenava a edição e distribuição do panfleto; além disso, uma versão inglesa do livro foi exposta, para espanto geral, no estande de seu país, na conceituadíssima Feira Internacional do Livro de Frankfurt.

Nos anos de 2004 os Protocolos são publicados respectivamente em Okinawa, no Japão; no ano seguinte, uma edição na Cidade do México sugere que o Holocausto foi organizado pelos Sábios de Sião em troca da criação do Estado de Israel.

Já transcorreu mais de um século desde que o mundo foi exposto a tão perigosa mentira, que acusa os judeus por todas as ruínas da humanidade - uma acusação de que a existência do povo judeu seria uma ameaça à paz mundial. Faz quase 100 anos, portanto, que é dever de todos repudiar esta conspiração, expondo-a e a desmascarando, por todos os meios a nosso alcance.

Fonte: Revista Morashá
Imagem: Jews Praying in the Synagogue on Yom Kippur, 1878, de Maurycy Gottlieb, exposta no Tel Aviv Museum of Art