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O teólogo Dwight Longenecker acredita ter confirmado a veracidade da visita dos Reis Magos ao menino Jesus. Ele documentou tudo isso em seu livro, Mystery of the Magi: The Quest to Identify the Three Wise Men [Mistério dos Magos: a busca para identificar os sábios]. O autor, que também é padre católico, afirma que seu estudo concentrou-se apenas em questões históricas e arqueológicas.
 
“No início do século XX, alguns eruditos da Bíblia começaram a descrever as histórias sobre o nascimento de Jesus como fantasias piedosas”, afirmou. “Eles fizeram isso sem considerar que os relatos poderiam ter, pelo menos, raízes em eventos reais”. Segundo ele, “o principal problema é que alguns estudiosos deduzem que as experiências sobrenaturais são impossíveis. Portanto, qualquer história que contenha elementos sobrenaturais deve ser uma invenção”, disse.
 
Mas Longenecker diz não se importar com as críticas e decidiu investigar o texto de Mateus. Ele percebeu que, dentro do vasto domínio da erudição bíblica, não existem muitas pesquisas sobre a base histórica do relato sobre os magos. Percebeu também que os estudiosos simplesmente a rejeitaram, sem se preocupar em investigar as conexões políticas, históricas, geográficas e culturais que colocam a visita desses sábios do Oriente num contexto plausível.
 
Decidido a preencher essa lacuna, o teólogo examinou as possíveis identidades desses homens. Sua conclusão é que se tratavam de reis (ou líderes) de tribos dos nabateus, que “compartilhavam sua ascendência e visão de mundo com os judeus”.
 
Os nabateus eram um antigo povo semítico, ancestrais dos árabes, que habitavam a região norte da Arábia, o sul da Jordânia e Canaã, em especial os diversos povoados situados em torno dos oásis na região fronteiriça entre a Síria e a Arábia, do Eufrates ao mar Vermelho.
 
O rei Herodes, o Grande, tinha ligação com esse povo, pois sua mãe era nabateia, e ele possuía uma aliança com o reinado nabateu na época do nascimento de Cristo. “Como Herodes estava sabidamente velho e doente, fazia sentido que líderes nabateus viajassem para Jerusalém em nome de seu governante maior para prestar homenagem ao sucessor de Herodes”, sugere Longenecker.
 
Com informações da Gospel Prime
Imagem: Reprodução

 
Diversos episódios de intolerância religiosa marcaram o período do Advento e da preparação para o Natal na Índia. Enquanto a nação é abalada pelos protestos pela adoção da Citizenship Amendment Act 2019, que discrimina a concessão do direito de cidadania, negando-o a refugiados muçulmanos, também as comunidades cristãs denunciam atos e episódios que violam a liberdade de culto e a prática religiosa, em diferentes Estados da Federação.
 
Conforme comunicado à Agência Fides, um encontro para entoar canções natalinas foi interrompido abruptamente em 17 de dezembro em Permuapalayam, Tamil Nadu, por cinco homens que agrediram as pessoas presentes, incluindo um garoto de 17 anos.
 
O pastor protestante Joshua, que lidera uma comunidade local, havia reunido alguns fiéis para celebrar o Advento em sua casa, quando ocorreu a agressão dos militantes contra a celebração do Natal. E quando os cristãos no dia seguinte ao episódio foram à polícia para registrar queixa, eles foram desconsiderados e obrigados a se retirar.
 
"Os episódios de intolerância à fé cristã vêm aumentando em Tamil Nadu nos últimos anos", escreve à Agência Fides a ONG Christian Solidarity Worldwide (CSW), que monitora a situação das minorias religiosas na Índia.
 
Nehemiah Christie, ativista local pelos direitos humanos, revela que “o nível de intolerância que estamos testemunhando neste país hoje é sem precedentes. Os cristãos não podem celebrar as festas por medo de violência. Em linha de máxima, a atual liderança política deveria ser responsabilizada, pois promove uma falsa narrativa sobre as minorias religiosas. Hoje, o veneno que penetrou no nível de base é generalizado. A polícia também é cúmplice e não leva as queixas a sério. Em muitos casos, o sofrimento permanece ignorado, a violência permanece impune e as pessoas continuam vivendo com medo”.
 
Segundo a CSW, “é profundamente preocupante ver que as festividades religiosas são distorcidas por aqueles que desejam plantar sementes de discórdia na Índia. Respeitar o direito de praticar a própria religião é fundamental. Exortamos as autoridades a tomarem medidas apropriadas contra esses comportamentos e a promover uma cultura de respeito recíproco".
 
Agência Fides
Foto: Divulgação

 
Um manifesto criado na plataforma Change.org está mobilizando moradores de Joinville e região. Nele, imigrantes, defensores dos Direitos Humanos e organizações da sociedade civil denunciam a ausência de políticas públicas na cidade - que é a maior de Santa Catarina - voltadas para o acolhimento para pessoas imigrantes, seja um lugar referência de atendimento/encaminhamento, uma casa de passagem, ou algo semelhante. A petição, que já conta com centenas de assinaturas, afirma que "o município está adotando arbitrariamente a ação de abordar, recolher e REVISTAR A CASA de comerciários ambulantes Imigrantes que estão trabalhando para ganhar o pão de todos os dias".
 
Para o imigrante Domingos Amândio Eduardo, é necessário que a Prefeitura crie políticas públicas para auxiliar os imigrantes em situação de vulnerabilidade. "Sem emprego, sem educação, sem informações corretas, agora os imigrantes [muitos dos quais trabalham com o comércio ambulante] estão aterrorizados pelo fato de que passaram a ter suas casas revistadas pela polícia em busca mercadorias. Os imigrantes precisam ser tratados com dignidade e humanidade", pontuou Domingos, que também lembrou que "o Brasil é um Estado democrático e de Direito".
 
A seguir, confira a íntegra da petição (que você também pode assinar clicando aqui).
 
Nós, pessoas Imigrantes, entidades e organizações sociais e pessoas solidárias às causas dos Imigrantes na cidade de Joinville, viemos por meio deste manifesto denunciar arbitrariedades que estão acontecendo nesta cidade.
 
Joinville não tem nenhuma Política Pública de acolhimento para pessoas Imigrantes: seja um lugar referência de atendimento/encaminhamento, seja uma casa de passagem.
 
A porta de entrada para as Políticas Sociais, Assistência Social e atendimento em Saúde não tem equipe qualificada para pessoas Imigrantes na cidade, nem mesmo com profissional bilíngue para o primeiro contato.
 
As dificuldades são muitas e as necessidades aumentam dia a dia uma vez que o país vive um grande momento de crise, desemprego e aumento dos preços da cesta básica.
 
Poucas inciativas existem em torno da Educação e muitas delas são realizadas com o comprometimento total da Sociedade Civil Organizada.
 
Percebe-se sem uma análise muito aprofundada que o Estado não recebe e não acolhe pessoas que vem de outros países como está preconizado na Constituição Federal Brasileira de 1988, deixando estas pessoas à margem de sua própria sorte.
 
No entanto, diante de tantas violações de direitos que pessoas Imigrantes sofrem, estamos acompanhando fatos que além de não oferecerem nenhuma forma de acolhimento para estas pessoas, o município está adotando arbitrariamente a ação de abordar, recolher e REVISTAR A CASA de comerciários ambulantes Imigrantes que estão trabalhando para ganhar o pão de todos os dias, afinal, estas pessoas precisam e tem o direito de uma vida justa e digna.
 
Viemos por meio deste manifesto solicitar aos Órgãos Públicos responsáveis pela ação de repressão que primeiro observem o que estão deixando de fazer para a população Imigrante e que entendam os motivos pelos quais as condições em Joinville os obrigam a trabalharem de forma irregular, sem transformar o isto em caso de polícia. A pauta imigratória e para ser tratada pela Assistência Social e outras secretarias afins.
 
Por meio deste manifesto reivindicamos também um espaço onde estas pessoas possam realizar seus trabalhos de vendas, nos moldes de uma feira, com o apoio da população e órgãos públicos, em um local que seja central, seguro e hospitaleiro.
 
Foto: ND - Notícias de Santa Catarina (Arquivo)

 
Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. 
Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram 
Chamados e chamadas para viver em paz, como membros de um só corpo.
E sejam agradecidos e agradecidas.” (Colossenses 3:14-15)
 
Todos os anos, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) compartilha sua mensagem de Natal. Geralmente, fala das alegrias do ano que finda e das esperanças para o ano que inicia. 
 
Este ano, no entanto, nosso enfoque precisa ser diferente. 
 
Isso porque o ano de 2019 foi caracterizado por fundamentalismos religioso e econômico ultraneoliberal. Estes fundamentalismos se tornaram concretos nos retrocessos sociais; na criminalização dos movimentos populares e das ONGs; na difamação e ataque às universidades públicas; no ataque que vulnerabiliza a produção cultural, incluindo artistas, produtores e produtoras; na exaltação às ditaduras latino-americanas, cujas feridas estão abertas; na perseguição aos povos originários e tradicionais; no extermínio da juventude negra, simbolizado por  Paraisópolis; no aumento da violência contra as comunidades LGBTQI+; no crescimento do feminicídio; na violência contra os povos de terreiro; nos crimes ambientais, como as queimadas na Amazônia e no crime da mineração, em Brumadinho; nos arrochos econômicos que pesam sempre no bolso dos mais pobres, entre outros.
 
Na noite do 24 de dezembro, celebramos Jesus em uma estrebaria. Jesus, o sem lugar. Jesus, o excluído. A criança marcada para morrer. Celebrar o Natal representa não negar a essência da fé, que é a irrupção de Deus na história para subverter as estruturas opressoras de poder. 
 
No Brasil, provavelmente, Jesus nasceria em Paraisópolis e poderia ser um jovem com a vida brutalmente interrompida pela violência policial. Não é possível celebrar o nascimento de Jesus afirmando o ódio, o racismo e outras formas de preconceito. Há uma dissonância profunda entre a fé em Jesus Cristo e a negação do amor (1 João 4:20).
 
Muitos orgulham-se em afirmar que o Brasil é uma nação cristã. Acreditamos que este não é um motivo de orgulho quando consideramos tanto vilipêndio aos Direitos Humanos, o culto ao dinheiro, extermínio daqueles e daquelas que atrapalham os interesses dos grandes grupos financeiros. Olhando para o Deus-criança, na manjedoura em Belém, cabe perguntar: será que Deus deseja o sacrifício das pessoas pobres em benefício do enriquecimento de poucos?
 
A nossa fé é em um Jesus que desde o seu nascimento foi perseguido pelos poderes de seu tempo. Este Jesus foi imigrante (Mateus 2:13), esteve preso (João 18:12), defendia as pessoas excluídas (Mateus 21:31), se preocupava os oprimidos (Lucas 20:47), rompia paradigmas cristalizados (João 8:7) e, de modo algum, compactuava com a hipocrisia dos poderosos. 
 
A melhor resposta pelo nascimento de Jesus é a prática do amor, que rompe com os medos, com os preconceitos, com os racismos, com o ódio. Que esse Jesus seja nossa inspiração e provocação para o nosso pensar, falar e agir em 2020.
 
Que este Natal seja de reflexão sobre a fé em Jesus Cristo e que o Ano Novo nos encoraje a reavaliarmos a nossa humanidade. 
 
CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

 
O CONIC estará de recesso de 23/12/2019 a 03/01/2020. O retorno das atividades será em 06/01/2020, segunda-feira. 

 
É tempo de resistência! É tempo de esperança!
“Abrirei um caminho no meio do deserto” (Isaías 43:19b).
 
A Aliança de Batistas do Brasil - que integra o CONIC - é formada por comunidades de resistência nesse país que continua banalizando a desigualdade social, a morte nas periferias, o extermínio da juventude negra, o desmatamento e destruição da Amazônia, os feminicídios, o ataque e criminalização das ONGs e movimentos sociais, o assassinato de defensores e defensoras de direitos humanos, o ataque à cultura e aos produtores e artistas, entre tantos outros males sociais.
 
Existir é resistir, dizem os palestinos. Sou porque nós somos, UBUNTU, dizem os africanos.
 
Somos como os caminhantes de Emaús que, desesperançados, recobram a esperança na partilha. Partilha da Palavra, partilha na celebração da cantoria e da roda, partilha da comunhão. Partilha de recursos. Somos comunidades de seguidores e seguidoras do galileu Jesus de Nazaré, que nos anima a transformar nossas mentes e corações na confiança de que Ele é ressurreição e vida plena para todos e todas nesse país. Por isso resistimos com esperança!
 
A Aliança de Batistas caminha para completar em 2020 seus 15 anos de existência. São 15 anos de existência e resistência, apostando na caminhada com as comunidades de fé, com o movimento ecumênico, com os movimentos sociais e a sociedade civil organizada em prol de uma sociedade menos injusta e desigual, com mais respeito à diversidade, à democracia e à laicidade do Estado.
 
Com muito pouco recurso, temos desenvolvido e apoiado iniciativas que acontecem em espaços periféricos, onde as comunidades se reúnem e resistem em torno da Palavra, da celebração, da comunhão, da partilha do alimento e da defesa dos direitos humanos e da dignidade da vida. Queremos continuar acompanhando-as pastoralmente nessa jornada. Mas queremos dar um passo além e apoiá-las financeiramente. Por isso a criação dessa campanha, para que comunidades e iniciativas em várias partes do Brasil sejam fortalecidas nas suas atividades.
 
Ao doar nessa campanha, você fortalece com recursos as iniciativas e comunidades de resistência e esperança que estão se formando no Brasil, em parceria com a Aliança de Batistas do Brasil.
 
O convite que a Aliança de Batistas faz aqui é para juntarmos nossas forças nesses tempos sombrios e, alimentados pela partilha do pão e da vida, fortalecermos nossas comunidades de resistência.
 
Vamos juntos e juntas! Resistamos! Esperancemos!
 
Faça sua contribuição aqui: https://doa.re/i0ku
 
Via Aliança de Batistas do Brasil
Imagem: Reprodução

 
Acabamos de passar pela campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres E Meninas” e talvez você, leitora e leitor, pensem que a única forma de violência contra a mulher seja a física. Mas não.
 
A melhor definição sobre violência contra a mulher no Brasil consta da Convenção de Belém do Pará. Uma Convenção é um documento internacional que uma vez confirmado pelo país e autorizado pelo Congresso, se torna equivalente a uma lei e, portanto, obrigada que o conteúdo seja cumprido. Ressalvo apenas que, desde 2004, se esse tratado tiver como conteúdo algum tema sobre direitos humanos e foi aprovado em duas votações por 3/5 da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, cada um deles, será equivalente a uma emenda constitucional, ou seja, torna-se tão importante quanto a Constituição. Isso está no artigo 5º, § 2º, da nossa Constituição.
 
A Convenção de Belém do Pará foi concluída em 1994 e se tornou obrigatória no país em 1996, quando foi aprovada pelo Congresso. Dois artigos são bem importantes para entender o significado de violência: o primeiro deles, o artigo 1º, que diz que a violência contra a mulher é todo ato ou conduta que seja praticado baseado no gênero, e que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico, tanto na esfera pública como na esfera privada. O segundo artigo importante é o art. 2º, que traz alguns exemplos de formas de violência. Diz assim:
 
Artigo 2
 
Entende-se que a violência contra a mulher abrange a violência física, sexual e psicológica.
 
a) ocorrida no âmbito da família ou unidade doméstica ou em qualquer relação interpessoal, quer o agressor compartilhe, tenha compartilhado ou não a sua residência, incluindo-se, entre outras turmas, o estupro, maus-tratos e abuso sexual;
 
b) ocorrida na comunidade e comedida por qualquer pessoa, incluindo, entre outras formas, o estupro, abuso sexual, tortura, tráfico de mulheres, prostituição forçada, sequestro e assédio sexual no local de trabalho, bem como em instituições educacionais, serviços de saúde ou qualquer outro local; e
 
c) perpetrada ou tolerada pelo Estado ou seus agentes, onde quer que ocorra.
 
Por que essa preocupação com violência contra a mulher? Vou explicar pelo ponto de vista do Direito.
 
Pode parecer estranho, mas nem sempre as pessoas foram tratadas como iguais. Essa é uma inovação bem recente na verdade. No Brasil, tem apenas 31 anos e começou na Constituição de 1988.
 
Até essa data, mulheres eram sim consideradas inferiores ao homem e podiam receber menos direitos do que os homens. Dou alguns exemplos: a mulher era obrigada, até 1962, a adotar o nome do marido ao se casar; também até 1962, ao se casar, a mulher se tornava relativamente incapaz e só poderia fazer contratos e até trabalhar se tivesse autorização do marido e, aliás, o seu salário podia ser “confiscado” pelo marido também; até 2002 havia um regime de casamento de dote, que basicamente significa que era dado um “prêmio” (em dinheiro ou bens) ao marido em razão do casamento.
 
Essa inferioridade tem uma longa história e pesquisadoras têm procurado contar como e porquê isso aconteceu.
 
Mas é incontestável, certo e seguro, de que ao longo da história da humanidade, as mulheres foram rebaixadas a condições inferior às dos homens.
 
Foi a movimentação e luta de feministas brasileiras que possibilitou que na Constituição de 1988 constasse uma das regras mais relevantes para começar a mudança desse cenário e ela está no inciso I do art. 5º: “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos da Constituição”.
 
Essa frase tão curta carrega anos de lutas feministas e sintetiza um objetivo a ser alcançado: igualdade!
 
Ainda assim, a simples existência de uma lei, mesmo que essa lei seja a Constituição, não é suficiente para conseguir resolver séculos em que as mulheres foram transformadas em meras sombras para o Direito. E é aqui que entra a importância da Convenção do Pará e outras leis de proteção à mulher, como a Lei Maria da Penha.
 
Essas leis e todas as outras que têm a intenção de prevenir e punir a violência contra a mulher vão buscar:
 
1. combater a ideia muitas vezes inconsciente que a sociedade carrega de que a mulher é inferior; e, assim,
2. buscar tornar concretamente mulheres e homens iguais em direitos.
 
Precisamos assim entender que essas leis que protegem de forma especial a mulher não servem, como se diz por aí, para dar privilégio. Ao contrário, elas são formas que o Brasil, enquanto país e governo, têm para reduzir os efeitos de anos e anos em que mulheres foram tratadas mais como objeto do que como pessoas.
 
Para entender mais sobre o fenômeno da violência contra a mulher e combates via políticas públicas, tem esse texto aqui da Aline Hack!
 
Texto de Elisa Cruz, Via Olhares Podcast
Imagem: Reprodução

 
MANIFESTO EM DEFESA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 
DA LIBERDADE DE CRENÇA E PELO FIM DA PERSEGUIÇÃO
ÀS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS
 
O caráter laico da República Federativa do Brasil, previsto expressamente na Constituição Federal de 1988, não significa que o Estado brasileiro deva ser antirreligioso, tanto que a própria Constituição assegura assistência religiosa nas instituições de internação coletiva, garante imunidade tributária aos templos de qualquer culto e confere efeitos civis ao casamento religioso, apenas para ficarmos nesses exemplos.
 
República laica não quer dizer, portanto, que o Estado deva ser contra as confissões religiosas, mas sim que este não se subordina nem se confunde com nenhuma religião. Significa que a lei está acima dos valores religiosos e ainda que todos os brasileiros, fiéis, crentes ou descrentes, devem ser igualmente tratados como cidadãos, com a mesma dignidade e os mesmos direitos.
 
A Constituição Federal, a Lei do Impeachment, a Lei de Improbidade Administrativa e o Código Penal, dentre outras, determinam que o agente–funcionário público tem a obrigação jurídica de defender o interesse público, da coletividade, não interesses ou sentimentos pessoais, de grupos religiosos ou quaisquer que sejam.
 
Favoritismos, predileções, predisposições e inclinações são critérios plenamente admissíveis na gestão privada, ao passo que, na gestão pública, o administrador está obrigatoriamente submetido ao princípio constitucional da impessoalidade.
 
A expressão latina res publica, república, significa literalmente “coisa do povo”, “coisa pública”, cuja gestão, até que se modifique a atual Constituição Federal, deve obediência aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
 
O princípio constitucional da impessoalidade impõe à administração a obrigação ética e jurídica de pautar-se pelo interesse público, previsto em lei, e tem o dever de tratar todos os brasileiros (e não somente a maioria) com equidade, sem discriminação injusta, sem animosidades pessoais ou movidas por interesses sectários, de grupos.
 
Neste contexto, configura crime de responsabilidade a afirmação feita por um embaixador brasileiro, em conferência internacional realizada na Hungria, no mês passado, segundo a qual “Uma das mudanças conduzidas pelo governo Bolsonaro foi exatamente colocar a religião no processo de formulação de políticas no Brasil.” Afirmou ainda o senhor embaixador que o Estado deve atuar para converter ateus e agnósticos.
 
A privatização do Estado por grupos religiosos afronta a Constituição Federal, viola a dignidade da pessoa humana, corrói a democracia, dissemina o descrédito nas instituições e pretende aniquilar direitos dos milhões de brasileiros que não professam religião alguma ou são filiados a confissões religiosas não-alinhadas à chamada tradição judaico-cristã.
 
A esse respeito, devemos lembrar que a Constituição Federal proíbe discriminação baseada em crença ou convicção filosófica (ateus e agnósticos), protege as manifestações culturais afro-brasileiras e prescreve a valorização da diversidade cultural e religiosa.
 
A rigor, a privatização de espaços públicos por facções religiosas nada tem de novidade, haja vista que há décadas professores, diretores e funcionários de instituições educacionais tratam escolas públicas como se fossem puxadinhos de templos religiosos, humilham, constrangem e ofendem crianças de 8, 9, 10 anos por serem ateias ou fiéis das religiões afro-brasileiras, apenas para ficarmos nesses exemplos.
 
Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), os programas religiosos totalizam atualmente 21% de todo o conteúdo da TV aberta no Brasil. Isso, sem falarmos no rádio. No caso da TV aberta, trata-se de conteúdo, em termos de volume, superior ao de telenovelas, noticiários, entretenimento etc. Ainda que se possa discutir se os meios de comunicação, que constituem um serviço público, devam ser monopolizados por confissões religiosas, o problema fundamental é que parte considerável desses programas extrapola o proselitismo e degenera para o discurso de ódio, ofensivo, ultrajante, que incita e induz à violência.
 
Desemprego, enfermidades, miséria, desagregação familiar, drogas, absolutamente todos males são atribuídos às religiões afro-brasileiras. O resultado dessa propaganda sistemática e cotidiana, iniciada há décadas, pode ser comprovado pelas estatísticas que demonstram o crescimento da violência motivada por intolerância religiosa.
 
Segundo dados do Disque 100, canal do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, de janeiro a novembro de 2018, houve, em relação ao ano anterior, aumento de 47% nas denúncias de casos de intolerância contra religiões de matrizes africanas. Além disso, em 2014, elas correspondiam a 15% do total de denúncias. Hoje, representam 59% do número total de reclamações.
 
Levantamento similar, realizado pelo jornal Folha de S. Paulo, revela que a intolerância religiosa também cresceu na capital paulistana no primeiro quadrimestre deste ano. A Polícia Civil recebeu o dobro de notificações de crimes dessa natureza de janeiro a abril, em relação ao mesmo período do ano passado. São cinco boletins de ocorrência por dia, em média, sem que ninguém seja responsabilizado.
 
Neste cenário, impõe-se o fortalecimento da luta para que os ataques aos templos afro-religiosos por grupos armados, que ameaçam, agridem e constrangem sacerdotes e sacerdotisas a destruir artefatos religiosos — tais cenas são gravadas e difundidas pela internet com o visível propósito de intimidar os fiéis — sejam capitulados como crime ambiental, dano ao patrimônio cultural, não como mero crime de dano ao patrimônio privado, forma pela qual são tratados costumeiramente.
 
Devemos lembrar ainda que o crime de perseguição religiosa está expressamente capitulado na Lei de Crimes contra a Segurança Nacional.
 
Por último, mas não em último, vale anotar que, ao reconhecer e proteger o pluralismo cultural e religioso, a Constituição Federal salvaguarda um dos maiores patrimônios da sociedade brasileira, consistente na rica geografia de identidades culturais, étnicas e religiosas que a caracterizam, ilustrada pelas dezenas de mesquitas, sinagogas, catedrais, templos budistas, templos afro-brasileiros dentre outros espalhados pelo país.
 
O país também abriga, é verdade, ativas organizações de brasileiros ateus, aos quais a Constituição brasileira assegura a liberdade de não crer e de serem respeitados em sua identidade e dignidade.
 
A preservação desse patrimônio requer do Poder Público respostas eficazes às crescentes denúncias de intolerância religiosa, como também uma intervenção preventiva, capaz de fomentar uma cultura de respeito recíproco, convivência harmoniosa e paz entre todos os cidadãos, crentes ou descrentes.
 
Trata-se de uma obrigação ética e jurídica imposta ao Estado — mas também à sociedade e aos indivíduos —, uma vez que a tolerância se afigura como princípio republicano previsto em tratados internacionais, leis ordinárias e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
 
A tolerância, conforme definido em inúmeros documentos da Organização das Nações Unidas (ONU), é o respeito, a aceitação e o apreço à riqueza da diversidade das culturas e dos diferentes modos de expressão da condição humana.
 
Tolerância é harmonia na diferença, porquanto repudia o ódio em quaisquer de suas modalidades, seja religioso, racial ou ideológico.
 
A história da humanidade é repleta de tragédias decorrentes da intransigência e do fundamentalismo religioso, a exemplo do nazismo, guerras, terrorismo, genocídios, massacres, estupros em massa e outras atrocidades do passado e do presente.
 
Trata-se de um esforço de mobilização em defesa da paz e da tolerância como valor republicano e como sustentáculo da democracia e da cidadania.
 
Impõe-se uma intervenção preventiva, pedagógica e educativa, destinada a dissociar diferença de inferioridade e valorizar a convivência harmoniosa entre brasileiros de todas as convicções e crenças.
 
O objetivo último, para o qual todas e todos estão convidados, é preservar e cultivar a tolerância como instrumento de afirmação da dignidade humana e proteção da paz social.
 
Assinam:
 
Makota Célia Gonçalves Souza é jornalista, empreendedora social da Rede Ashoka e coordenadora nacional do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (CENARAB).
 
Taata kwa Nkisi Katuvanjesi – Walmir Damasceno, coordenador do ILABANTU Instituto Latino Americano de Tradições Bantu e Representante para América Latina do Centro Internacional das Civilizações Bantu CICIBA – dirigente tradicional do Terreiro de Candomblé Nzo Tumbansi.
 
Deborah Duprat é jurista e procuradora federal dos Direitos do Cidadão. Foi vice-procuradora-geral da República de 2009 a 2013, tendo ocupado interinamente o cargo de procuradora-geral em 2009.
 
Dr. Hédio Silva Jr. é advogado, doutor e mestre em Direito pela PUC-SP, Coordenador-Executivo do IDAFRO – Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-brasileiras.
 
Dr. Antônio Basílio Filho é pós-graduado pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo, advogado das religiões afro-brasileiras no STF – Supremo Tribunal Federal.
 
Dr. Jáder Freire de Macedo Júnior é ex-presidente da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB-SP, conferencista, advogado das religiões afro-brasileiras no STF – Supremo Tribunal Federal
 
Danilo Molina é jornalista e zelador espiritual do Centro de Umbanda Cavaleiros de Ogum. Foi assessor especial da Casa Civil da Presidência da República e assessor do Ministério da Educação. Possuí pós-graduação em Comunicação Pública
 
Pe. Paulo Sério Bezerra da diocese de São Miguel Paulista, coletivo IPDM – Igreja Povo de Deus em Movimento
 
Pa. Romi Márcia Bencke, secretária geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, integrante da Coordenação do Fórum Ecumênico ACT-Brasil e presidente da Agência Ecumênica de Comunicação.
 
P. Ariovaldo Ramos, fundador da Frente Evangélicos pelo Estado de Direito.
 
Dora Incontri, coordenadora geral da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita
 
Mauro Lopes, fundador do canal Paz e Bem e autor-organizador do livro “Lula e a Espiritualidade: oração, meditação e militância”.
 
Carla Pavão, jornalista e espírita, pós-graduada em Meio Ambiente pela FGV, em Psicologia para não psicólogos aplicada ao contexto de trabalho pelo ISPA de Portugal, aluna de pedagogia espírita pela Universidade Livre Pampédia, entrevistadora/animadora do Canal Paz e Bem e membro do Cejus, Abrepaz, Filosofia em Movimento e comitê inter-religioso Lula Livre.
 
Eduardo Brasileiro, membro da IPDM (Igreja Povo de Deus em Movimento) e participante do 3º Encontro Internacional de Jovens animado pelo Papa Francisco e organizado pela Fundação de Direito Pontifício Scholas Ocurrente.
 
Mayrla Silva é coordenadora geral do Coletivo Cultural ValeJovem, que representa a juventude do Vale do Amanhecer.
 
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Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC.
 
Coletivo Girassóis, espíritas pelo Bem Comum, que existe há 15 meses e reúne cerca de 200 espíritas.
 
Coletivo de Estudos Espiritismo e Justiça Social (Cejus), coletivo criado faz dois anos para estudos das obras espíritas pela ótica progressista, que reúne cerca de 180 pessoas.
 
Grupo de Filosofia em Movimento, coletivo que aborda especialmente filosofia e corpo, composto por pessoas das áreas de filosofia e humanidades, responsável pelo projeto Barraco Filosófico.
 
Movimento de Espíritas pelos Direitos Humanos, grupo de espíritas progressistas e em sua maioria militantes pelos direitos humanos espalhados pelo Brasil, que reúne cerca de 400 pessoas em todo Brasil.
 
Coletivo amanhã há de ser outro dia, agrupamento de companheiras e companheiros que buscam uma intervenção na realidade social fazendo a resistência ativa, lutando pela democracia e denunciando as injustiças, a violência e o autoritarismo, reúne 57 pessoas, entre professores universitários, artistas, intelectuais e militantes de diferentes causas sociais.
 
Associação Brasileira Espírita de Direitos Humanos e Cultura de Paz (AbrePaz), entidade cultural, educacional, científica e religiosa, sem fins lucrativos, fundada sobre os princípios de democracia, transparência, pluralismo de ideias, inclusividade, diversidade e não-violência; formada por cerca de 130 membros.
 
Associação Brasileira de Pedagogia Espírita (ABPE) é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 28 de agosto de 2004. Dedica-se a resgatar no Brasil um Espiritismo pedagógico, científico, filosófico, universalista e plural, seguindo a proposta do educador Hippolyte Léon. É mantenedora da Universidade Livre Pampédia – uma proposta de educação alternativa.
 
Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno, atua na representação das casas de Matrizes Africanas e Afro-brasileiras. da região.
 
Associação Espírita de Pesquisas em Ciências Sociais e Humanas (Aephus), organização científica que reúne pesquisadores sobre o espiritismo e o espiritualismo brasileiro.
 

 
Arcebispo de Porto Velho e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Roque Paloschi está estupefato diante dos ataques aos índios no Brasil — vítimas de uma onda crescente de atentados que já resultaram em sete mortes de lideranças indígenas este ano. 
 
Em conversa com o UOL, ele afirmou que "a retórica do governo que fomenta esse tipo de violência, o ódio e o preconceito aos povos indígenas" e classificou a atitude de "lamentável para as igrejas cristãs". 
 
Para ele, há setores que "manipulam a palavra de Deus para explorar, fomentar o ódio e a violência" contra os índios, e ele adverte: "Usar o nome de Deus para cometer crimes é justamente continuar crucificando Jesus". 
 
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Foto: Divulgação