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A Igreja Oura, em Nagasaki, se tornou Patrimônio da Humanidade em 2018 e é o símbolo do renascimento do cristianismo no Japão. O local é parada obrigatória para quem quer conhecer a história dos "cristãos ocultos", que declararam a sua fé nesse lugar e colocaram fim mais de 250 anos de clandestinidade.
 
Considerada uma das mais antigas do Japão, a Oura faz parte dos 12 locais dos cristãos escondidos reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em Nagasaki e na região de Amakusa.
 
A igreja foi construída em 1864 pelo missionário francês Bernard-Thadée Petitjean, pouco depois de o porto de Nagasaki ser reaberto junto com as fronteiras do Japão, depois de mais de dois séculos de isolamento.
 
Com o veto que tinha sido imposto ao cristianismo no país em 1614 e a presunção de que a comunidade cristã japonesa tinha desaparecido após a perseguição sofrida no século 17, o templo se voltou aos fiéis estrangeiros que moravam na cidade.
 
Menos de um mês depois da inauguração, algo surpreendente aconteceu. Em 17 de Março de 1865, um grupo de camponeses de Urakami foi à igreja e disse que sempre fingiu professar a fé local mas que, na verdade, eles eram católicos.
 
Esse acontecimento, batizado de “A descoberta dos cristãos escondidos”, foi imortalizado em um mural que hoje decora o jardim da igreja.
 
A revelação fez com que as autoridades japonesas retomassem a repressão contra os católicos até que críticas internacionais conseguiram a suspensão da perseguição em 1873.
 
Com a reintrodução do cristianismo no Japão, alguns Kakure Kirishitan - descendentes dos católicos que se esconderam durante a Rebelião de Shimabara, em 1637 e 1638 - voltaram a se reunir na igreja. Hoje, os cristãos ainda representam menos que 1% da população japonesa.
 
Séculos de ocultação e isolamento, no entanto, transformaram a religião em um culto totalmente diferente. Prova disso são algumas das relíquias expostas no Museu e Monumento dos Vinte e Seis Mártires, que fica ao lado da igreja.
 
Quando os japoneses ficaram sem padre, torturados e até assassinados por se negarem a renunciar a própria fé, os que resistiram criaram as próprias autoridades e esconderam as suas imagens de devoção.
 
O museu reúne, por exemplo, várias imagens de Nossa Senhora retratada como Kannon (Maria Kannon), a representação budista da misericórdia, com as quais os fiéis tentavam disfarçar e evitar serem descobertos. Lá também é possível ver os cajados que os líderes religiosos usavam nas cerimônias.
 
Além disso, vários crucifixos, cujo significado era muitas vezes desconhecido para estes devotos, estão sendo encontrados em antigos vilarejos e acredita-se que possam existir mais de 200 deles espalhados pela região.
 
"As pessoas que mantiveram a fé comemoraram quando a proibição ao cristianismo foi retirada. Agora, os cristãos atuais estão novamente felizes com a designação desses espaços como patrimônio. Isso significa dar valor ao que eles guardaram", disse à Agência EFE Minako Uchijima, pesquisadora do museu.
 
As salas também comprovam a perseguição dos católicos feita pelos xogums, militares do Japão feudal que dominaram o país entre 1603 e 1868.
 
Toda Nagasaki foi obrigada a se submeter ao "Fumi-e", uma prática criada para identificar quem era e quem não era cristão com o ato de pisar em uma imagem de Jesus ou de Maria. Muitos fiéis aceitaram fazer isso para não serem mortos, mas acredita-se que cerca de 5.500 cristãos tenham morrido naquela época.
 
Um dos episódios mais marcantes foi a crucificação, em fevereiro de 1597, de 26 mártires numa colina de Nagasaki. No altar da Igreja Oura está um lenço que lembra esse caso.
 
A intenção do padre Petitjean era construir o templo nesse lugar, mas as autoridades não permitiram. Ele então escolheu a localização atual e orientou a igreja virada para a colina.
 
Com informações da EFE

 
O CONIC-MG foi responsável, este ano, pela organização do Concurso que escolheu a arte do cartaz da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) 2019. Ao todo, 4 (quatro) desenhos concorreram. A arte selecionada foi a enviada pela Mariana da Silva Souza, 16 anos, moradora de Belo Horizonte. Intitulado Jesus, o equilíbrio da Vida, o desenho refletiu bem o tema proposto para elaboração dos trabalhos artísticos: "Procurarás a justiça, nada além da justiça" (Dt 16, 18-20).
 
“Agradecemos aos demais concorrentes que enviaram outras belas obras e as dispuseram para uso do CONIC no trabalho ecumênico”, declarou o 1º secretário do CONIC-MG, Diácono Amauri Dias de Moura.
 
Em breve, aqui no site do CONIC, você ficará por dentro de mais novidades sobre a SOUC 2019.
 
A seguir, confira o desenho selecionado:
 
 
Parabéns, Mariana!!!

 
Neste domingo, 25 de novembro, inicia a Campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”.
 
O dia 25 de novembro é, oficialmente, o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres, entretanto, considerando a situação de violência vivida por mulheres nas diferentes regiões do planeta, até 10 de dezembro, diversos países realizam esta Campanha. O objetivo é dizer um BASTA para toda e qualquer situação que coloca em risco a vida das mulheres. 
 
O Brasil registra cerca de 600 casos de violência doméstica e 160 estupros por dia. Dos 55.900 homicídios que acontecem por ano no território nacional, 4.539 são de mulheres. Muitos destes homicídios são realizados por namorados ou maridos. Em um ano, 193 mil mulheres registraram queixa por violência doméstica, de um total de 221 mil casos. Por dia, 530 mulheres acionam a Lei Maria da Penha. Esses dados estão disponíveis no 12° Anuário Brasileiro da Segurança Pública.
 
Mas o que nós, cristãos e cristãs, temos com isso? A fé em Jesus Cristo não aceita nenhum tipo de violência. Ferir a integridade física, moral ou religiosa das mulheres é contrário ao que Jesus nos ensina. Jesus é o príncipe da paz (Is 9:6), por isso, como pessoas batizadas, temos de ser “seus imitadores” (1 Cor 11:1). Enquanto imitadores e imitadoras Daquele que veio trazer a Boa Nova, não podemos tolerar a violência. Somos filhos e filhas de um Deus de amor (1 Jo 4:8). A bíblia diz que o amor “...não maltrata e não se alegra com a injustiça” (1 Cor 13:4-6).
 
Não podemos esquecer que muitos casos de violência doméstica contra a mulher ocorrem em lares cristãos. Diante disso, precisamos nos perguntar: até que ponto o ensinamento de Jesus transforma nossas práticas e condutas? De que forma compatibilizar o testemunho cristão com a violência doméstica? É importante lembrar do conselho bíblico que orienta: “Sede praticantes, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1:22).
 
Num país onde a maior parte da população se reconhece cristã, é inaceitável que as estatísticas e histórias de violência contra a mulheres sejam tão altas. 
 
Conclamamos todas as comunidades de fé a organizarem ações pelos “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. 
 
Não sabe o que fazer? Comece tentando uma simples e descontraída roda de conversa. Pode até ser em pequenos grupos. Dependendo da dinâmica da igreja, o tema pode ser abordado na Escola Dominical, na Catequese, no círculo bíblico. Reflita também sobre a violência doméstica nas homilias das celebrações de domingo e nos grupos de casais. Fique atento para identificar casos de violência doméstica em sua comunidade de fé. Se uma mulher que sofre violência te procurar para conversar, não peça para ela suportar a violência pelo bem da família, ao contrário, fortaleça-a para que consiga denunciar a situação de violência. A ausência da denúncia pode significar uma morte futura. Nosso silêncio e omissão nos torna cúmplices.
 
Não se cale.
Ligue 180 e denuncie!
Violência contra a mulher é crime.
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

 
Concluiu-se em Taiwan, no mosteiro de Fao Guang Shan em Kaohsiung, o primeiro Diálogo Internacional Budista-Cristão para irmãs, promovido pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso em colaboração com o mosteiro budista Fo Guang Shan, a Associação das Superioras maiores das religiosas de Taiwan e o Diálogo Inter-religioso monástico com o tema: “Ação contemplativa e contemplação ativa: irmãs budistas e cristãs em diálogo”. O evento, realizado de 14 a 18 de outubro, contou com a participação de 70 irmãs provenientes de Taiwan, Coreia, Japão, Índia, Sri Lanka, Myanmar, Tailândia, Singapura, Hong Kong, Camboja, Filipinas, Brasil, Itália, Alemanha, Noruega e Estados Unidos.
 
Os temas principais
 
No encontro foram discutidos os principais temas do diálogo: origem, evolução e situação atual da vida religiosa monástica para mulheres no budismo e no cristianismo, a meditação budista e a contemplação cristã; o serviço à humildade e “o gênio feminino” das religiosas.
 
Houve muita participação nos debates em assembleia e nos grupos assim como a participação nos cantos budistas e os ligados à liturgia católica. As irmãs participaram das visitas ao Fo Guang Shan Tsung College, ao Museu Budista e à Basílica da Imaculada Conceição de Wanchin.
 
Construir pontes para conectar percursos espirituais
 
No final da Conferência, os participantes redigiram uma Declaração na qual reconhecem que este Primeiro Diálogo Internacional para as irmãs budistas e cristãs foi um ponto de referência para promover a compreensão recíproca e a amizade entre as religiosas e para construir pontes que conectem seus vários percursos espirituais. As irmãs reconhecem que, mesmo permanecendo firmes em suas respectivas convicções mais profundas, pode-se aprender uns dos outros, para o enriquecimento espiritual, cultural e social, tornando-se assim humildes e acreditáveis para seus irmãos e irmãs.
 
Diálogo Inter-religioso, um caminho a ser feito juntos
 
Na Declaração as irmãs escrevem: “Acreditamos que o nosso testemunho de um estilo de vida pode ser significativo e alegre através de um afastamento do consumismo, do materialismo e do individualismo, e que pode encorajar outros a seguirem para o caminho do bem". Além disso, as contemplativas evidenciam a importância da ternura e da esperança a ser levada para os que necessitam. As irmãs reafirmam que "acreditam no diálogo inter-religioso pois é um caminho que todos devem tomar juntos. Portanto encorajamos as religiosas para contribuírem com seu 'gênio feminino' para realização de novos e criativos modos de diálogo entre as religiões e à abertura das próprias comunidades para que possa chegar esta contribuição".
 
Caminhar juntos para o enriquecimento recíproco e o bem do mundo
 
As irmãs sentem a necessidade de apoiar estudantes, professores, pais e serem portadoras de paz e harmonia para convidar a humanidade a seguir para o caminho do respeito pelo meio-ambiente e da não-violência. “Reconhecemos que o amor é a nossa língua comum” e que "nos convida a ir além de nós mesmos e a abraçar o outro, apesar das diferenças que existem entre nós”. No final da Declaração as religiosas escrevem: “Quando unimos os corações e mentes, enquanto percorremos os nossos respectivos caminhos espirituais, nos sentimos mais próximos uns dos outros e vemos a necessidade de continuar este enriquecimento comum para melhoramento do mundo”.
 
Os agradecimentos para o sucesso da Conferência
 
Os participantes exprimem sua gratidão aos organizadores por terem criado um ambiente agradável, pela hospitalidade e a amizade que caracterizaram este diálogo. Agradecem também as autoridades civis, o mosteiro budista Fo Guang Shan, a Igreja católica local e a Universidade das ursulinas de Wenzao pelo seu generoso apoio para que o Primeiro Diálogo Internacional Budista-Cristão de religiosas fosse um sucesso.
 
Com informações da Vatican News
Imagem: Reprodução

 
O Patriarca Mor Ignatius Aphrem II, da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISOA) foi à Grécia, no início de novembro, para sua primeira visita oficial à Igreja da Grécia, acompanhado de Suas Eminências Mor Selwanos Boutros Al-Nemeh, Mor Athanasius Touma Dakkama, Mor Clemis Daniel Kourieh, e do Raban Joseph Bali, Secretário Patriarcal e Diretor do Escritório de Mídia.
 
A delegação patriarcal dirigiu-se diretamente ao Santo Arcebispado de Atenas, onde Sua Santidade se reuniu pela primeira vez com Sua Beatitude Dom Ieronymos II, Arcebispo de Atenas e toda a Grécia, na presença de diversos Arcebispos da Igreja da Grécia.
 
Em seu discurso de boas-vindas, Dom Ieronymos II recebeu calorosamente o Patriarca Mor Ignatius Aphrem II e a delegação acompanhante. Ele falou sobre a história da relação entre as duas Igrejas e sobre os desafios que ambas enfrentam, especialmente com relação a manter a fé e a identidade ortodoxas, enfatizando que a unidade é a única maneira de enfrentar esses desafios.
 
 
Dom Ieronymos ressaltou que “os meios de comunicação e a cooperação disponíveis nos dias de hoje nos dão a oportunidade de conhecer mais uns aos outros, especialmente nestes tempos difíceis”, afirmando ainda que “a grande arma no coração dos cristãos é orar juntos e uns pelos outros e, acima de tudo, cooperar e unir-se diante dos muitos desafios atuais e comuns que enfrentam”.
 
O Patriarca Mor Ignatius Aphren expressou grande alegria espiritual ao encontrar Sua Beatitude em Atenas, pela primeira vez desde sua entronização em maio de 2014. O Patriarca afirmou que o objetivo desta reunião foi “compartilhar com nossos queridos irmãos e Irmãs as Boas Novas, e dar testemunho a todo o mundo de nosso trabalho fiel e sério para a plena comunhão entre as nossas duas Igrejas”.
 
Mor Ignatius acrescentou: “Nós sabemos, Vossa Beatitude, que compartilhamos a mesma visão da Igreja de Deus como uma só Noiva de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Ef 5:27), e um só rebanho (cf. Jo 10, 16). 21:15) do Bom Pastor e Seu Único Corpo Santo (cf. Rm 12: 5; 1 Coríntios 12:27; Cl 1:18; Ef 1:23) ”. Ele expressou seu “forte desejo e prontidão em buscar novos caminhos que aproximem ainda mais nossas igrejas, abrindo o caminho para o mundo ortodoxo, para estabelecer a plena comunhão”. O Patriarca disse: “Nós acreditamos que este passo será um avanço para a unidade completa da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”.
 
Ieronymos apontou para o caso dos dois arcebispos raptados de Aleppo, Boulos Yaziji e Mor Gregorius Youhanna Ibrahim; ele observou que “a inação dos superpoderes e da comunidade internacional em relação a essa questão humanitária está nos incomodando muito”. 
 
O Patriarca concluiu pedindo a Jesus que “nos conceda provar a Sua bondade e celebrar a nossa pertença à Sua única Igreja unificada em torno da mesma mesa eucarística”. No final, Sua Santidade e Sua Beatitude trocaram presentes como sinais de amor e respeito mútuos.
 
 
Com informações da ISOA
Fotos: Reprodução

 
A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) disponibilizou, em seu site (www.luteranos.com.br), um rico material para a campanha "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres". Elaborado pela Pa. Carmen Michel Siegle e com informações relacionadas à Rede de Mulheres e Justiça de Gênero da América Latina e Caribe, o material contempla uma proposta de liturgia, além de recursos complementares. 
 
>>> Clique aqui e confira.
 
Fonte: IECLB
Imagem: Reprodução
 
 

 
“Um grande diferencial é que nosso café é um produto puro. Não existe mistura no nosso café. Nós realizamos o processo de classificação do nosso café, separamos por lote, por qualidade do nosso produto. Não existe mistura: é um café 100% arábico sem nenhum produto que venha descaracterizar seu sabor original”, conta Roberto Carlos do Nascimento, uma das centenas de moradores do acampamento Quilombo Campo Grande, que reúne 450 famílias sem-terra no município de Campo do Meio, localizado no sul de Minas Gerais.
 
A região, conhecida por ser a maior produtora de café do Brasil, é berço do café orgânico e agroecológico Guaií, fruto do trabalho das famílias que ocupam o terreno desde 1998. Roberto Carlos é diretor da Cooperativa Camponesa, que assina a marca do café Guaií, e, com muito orgulho, relata que há oito anos os agricultores passaram a fazer a transição para produtos sem insumos químicos, livres de agrotóxicos e sementes transgênicas.
 
O Quilombo Campo Grande possui quase 4 mil hectares de terra e conta com 11 acampamentos organizados na área. “Hoje temos em torno de 550 hectares de café já plantado e sendo produzido. No ano de 2018, nossas famílias tiveram uma produção em torno de 8500 sacas de café. Para esse fim de ano, até fevereiro, estamos com a previsão de plantar em torno de 400 hectares de café, tendo a possibilidade de alcançar um total de 1000 hectares de café no próximo plantio”, explica Roberto Carlos.
 
As famílias vivem na área da usina falida Ariadnópolis, da Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo (CAPIA), que encerrou suas atividades em 1996, embora ainda possua dívidas trabalhistas que ultrapassam R$ 300 milhões.
 
Apesar de ocuparem o terreno há mais de 20 anos e da grande produção agroecológica, no início de novembro, uma liminar de despejo foi aprovada pelo juiz Walter Zwicker Esbaille Júnior. Se a decisão for confirmada, após esgotamento dos recursos, as famílias têm sete dias para deixar o local.
 
O despejo afetaria diretamente mais de duas mil pessoas. As famílias também desenvolvem atividades como plantio de cereais, milho, hortaliças e frutas. Anualmente, o acampamento planta em média 600 hectares. Em relação aos animais, são criados 1200 bovinos, além de dezenas de porcos e galinhas.
 
“É uma situação muito difícil. É um trabalho das famílias que já tem 20 anos, que iniciou esse processo de organização das famílias nessas terras falidas. Hoje as famílias dão outro caráter, outra condição para essas terras. As famílias fazem a terra cumprir uma boa parte de sua função social e é muito triste saber de uma possibilidade dessas famílias perderem essa condição de ter um espaço para produzir, para buscar uma vida mais digna e justa”, lamenta Roberto Carlos.
 
Para debater os riscos inerentes da retirada das famílias à força, uma audiência pública foi realizada nesta quinta-feira (22), no Espaço José Aparecido de Oliveira, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
 
Café Guaií
 
Referência na produção de café, o Quilombo Campo Grande comercializa os grãos torrados e moídos por meio da participação da cooperativa em feiras.
 
A partir desse processo, o Guaií tem chegado muito além dos outros estados brasileiros. “O café Guaií tem viajado pelo mundo, onde o movimento-sem terra tem parcerias. Diferentes países, entre eles, Estados Unidos e Alemanha. Recentemente tivemos apresentação do nosso café e de outros produtos do movimento na China. Então, há toda uma relação que vem sendo construída também em nível internacional”, diz o diretor da Cooperativa Camponesa.
 
Produção diversificada 
 
Apesar de o Guaií ser o carro chefe do acampamento Quilombo Campo Grande, as 450 famílias possuem uma produção bem mais extensa. Outro destaque, por exemplo, é a criação de sementes agroecológicas, orgânicas e hortas medicinais pelo grupo de mulheres Raízes da Terra.
 
Semanalmente, dezenas de mulheres do acampamento se reúnem para cuidar das plantas e ervas medicinais, com o objetivo de produzir produtos fitoterápicos. “Ali nós cuidamos, fazemos canteiros, plantações, podamos, colhemos. Depois da colheita, por exemplo, da camomila, a levamos para secagem, depois da secagem, armazenamos em saquinhos e usamos a outra parte da semente para ser plantada de novo. É assim com todas as ervas medicinais que a gente trabalha”, afirma Ricarda Maria Gonçalves da Costa, que ocupa o terreno há 17 anos. O grupo também produz pomadas para diversos fins, gel de massagem, xarope e até mesmo florais.
 
 
A acampada ressalta a importância da união das mulheres em espaços de resistência popular. “Isso depende justamente da consciência política de cada uma, para resistir e estar ombro a ombro com os companheiros, e, como sempre, cuidando uma das outras, das nossas crias, não só das nossas plantações. Cuidando dos nossos companheiros também e resistindo. Resistindo mesmo”.
 
Ricarda Maria nasceu em São José do Rio Preto, na roça, e mudou-se para o ABC Paulista ainda nova. Após trabalhar anos como metalúrgica, construir o acampamento Quilombo Campo Grande mudou sua vida. “Queria pôr a mão na terra de novo, como na infância. E tive esse prazer: chegar aqui e por a minha mão na terra. Fiquei quarenta anos esperando chegar minha vez”, conta.
 
Entenda o caso
 
O Decreto Estadual n.º 365/2015 desapropriava 3.195 hectares da falida Usina Ariadnópolis. O documento tinha como proposta desapropriar a área mediante o pagamento de R$ 66 milhões aos empresários. Há dois meses, as famílias do Quilombo Campo Grande chegaram a firmar um acordo em que o Estado se comprometia a pagar o valor em cinco parcelas.
 
Porém, acionistas da empresa, apoiados pela bancada ruralista e latifundiários da região, não aceitaram o acordo e levaram o caso à justiça contra o governo de Minas Gerais, pedindo anulação do decreto, que já havia sido validado por dois julgamentos.
 
Através de uma operação jurídica, os empresários retomaram uma liminar de despejo de 2012 referente à falência da usina e que estava parada há mais de um ano. Foi justamente essa a liminar aprovada pelo juiz Esbaille Júnior no último dia 7, e que foi objeto da audiência desta quinta.
 
Michele Neves, coordenadora do Centro de Referência em Direitos Humanos da região, avalia que, caso o despejo aconteça, será um grande retrocesso que atingirá não só os sem-terra, mas todo o município, já que a produção movimenta a economia da região.
 
“Se antes, a produção lá era apenas de cana de açúcar, hoje se produz mais de dez variedades de hortaliças e orgânicas”, destaca Neves, que acrescenta que a estrutura das famílias é tão grande que os moradores estão mais próximos de um assentamento bem estabelecido do que de um acampamento de fato.
 
“A situação é muito grave. Com uma ação jurídica desnecessária e muito duvidosa, porque não teria a necessidade desse caráter de urgência. No pedido de despejo das famílias, afirmam de forma mentirosa, mentirosa mesmo, que já tem uma área plantada e arada, arrendada para uma outra pessoa, outra empresa, mas isso não é verdade. Toda área está ocupada por famílias, divididas em lotes, com suas casas. Nos últimos dois anos foi instalada a rede de energia elétrica para a maioria das famílias que estão lá”, afirma a coordenadora do Centro de Referência em Direitos Humanos e moradora do Quilombo Campo Grande.
 
Segundo ela, a população local manifesta muito apoio aos sem-terra, e, inclusive, empresas do município organizam um abaixo-assinado contra o despejo.
 
Fonte: Brasil de Fato
Fotos: Reprodução

 
 
O Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP) organiza, para os dias 9 a 17 de janeiro de 2019, a XXXII edição do Curso de Verão, com o tema "Por uma cidade acolhedora: Somos todos migrantes"
 
Popular, ecumênico e realizado em mutirão, o Curso é organizado para um grande número de pessoas e, ao mesmo tempo, garante trabalho em pequenos grupos. Dentro da proposta metodológica da Educação Popular, combina reflexão e criatividade, arte e celebração, além da convivência fraterna e o compromisso transformador no retorno à prática nas pastorais e movimentos sociais.
 
INSCRIÇÕES
 
As inscrições podem ser feitas diretamente neste link: www.cursodeverao.com/inscricao
Valores: R$ 210,00 até 15/12/18.
Após esta data: R$ 240,00.
Almoço: para os interessados, o restaurante da PUC venderá tickets de almoço pelo mesmo valor praticado para os estudantes.
Hospedagem: os participantes que residem fora de São Paulo e precisarem e hospedagem, serão acolhidos gratuitamente por famílias e comunidades comprometidas com o mutirão que, além do pouso, oferecem café da manhã e jantar.
Bolsa: a comunidade ou movimento que pagar 4 (quatro) inscrições, terá direito a uma quinta inscrição, gratuita.
 
CONTEXTUALIZAÇÃO
 
As migrações tornaram-se um dos fenômenos centrais do nosso mundo contemporâneo. Os migrantes são mais de 250 milhões, dos quais 22,5 milhões são refugiados. As cidades são seu principal destino e não mais o campo.
 
Muitos partem movidos pelo sonho de uma vida melhor. Outros, acuados por guerras, fogem em busca de um lugar, onde possam criar seus filhos em paz. Jovens saem em busca de trabalho estudo ou aventura. Outros ainda, tangidos pela fome, migram depois de perder tudo por secas, inundações e outras mudanças climáticas.
 
Dos quase 210 milhões de brasileiros, 180 vivem em cidades, para onde migraram eles, seus pais, avós ou bisavós. Nesse sentido, cabe o mote do curso: somos todos migrantes. E é preciso, como diz o Papa Francisco, “acolher, proteger, promover e integrar” essas pessoas, já que muitos países fecham suas fronteiras, erguem cercas, muros e varias outras barreiras para contê-las. A maioria é confinada em verdadeiros campos de concentração, encarcerada ou expulsa, por terem entrado sem os documentos exigidos. Nesse movimento migratório, padecem os mais vulneráveis: mulheres e crianças, idosos, pessoas com deficiência e enfermos.
 
O sentimento anti-imigrante entra também em nossos corações por propaganda contrária, por xenofobia, por medo de perder o próprio emprego ou por nos sentirmos ameaçados em nossa identidade, cultura ou religião.
 
As cidades, lugar de oportunidades e de rica diversidade cultural e religiosa, de movimentos sociais e políticos, também tornam extremas as desigualdades econômicas e sociais. Discriminam, isolam e empurram para a periferia os mais pobres e, entre eles, os migrantes. Tornam suas vidas precárias e sobrecarregadas pelas longas horas perdidas nos deslocamentos para o trabalho, escola, postos de saúde ou locais de lazer. A ausência dos equipamentos sociais mais elementares e os meios de transporte insuficientes e caros penalizam os que vivem longe das áreas centrais e são um dos obstáculos, junto com a falta de moradia e trabalho, para a construção de cidades mais humanas e acolhedoras.
 
Migrar é também uma aventura espiritual: Abraão parte para uma terra desconhecida, como se visse o invisível; no êxodo, um povo todo sacode a escravidão e ruma para uma terra de liberdade; a estrangeira Rute sai de Moab, para habitar no meio de um povo que não era o seu.
 
Na verdade, somos todos peregrinos e aqui não temos morada permanente, mas temos que ter bastante claro em nossos corações e compromisso, que somos convocados a transformar nossas cidades, em lugares, onde imperem amorosidade, igualdade, partilha, solidariedade e fraternidade.
 
Para saber mais sobre outras atividades do CESEEP, acesse: ceseep.org.br

 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta quarta-feira, 21 de novembro, a nova tradução oficial da Bíblia Sagrada. O ato aconteceu durante a reunião do Conselho Permanente da entidade e contou com a participação de bispos, padres e convidados. “Este é um momento de evangelização da nossa Conferência Episcopal. Nós tivemos um longo caminho, foram muitos anos de trabalho e de dedicação de muitas pessoas”, afirmou o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, na mesa de abertura.
 
Como recomenda o Concílio Vaticano II, a tradução oficial da Bíblia se baseia nos textos originais hebraicos, aramaicos e gregos, comparados com a Nova Vulgata – a tradução oficial católica. O projeto teve início em 2007, quando a coordenação de tradução e revisão, composta pelos padres Luís Henrique Eloy e Silva, padres Ney Brasil Pereira (in memorian) e Johan Konings, fez a revisão integral conjunta, enquanto os professores padre Cássio Murilo Dias, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa e Maria de Lourdes Lima colaboraram em algumas partes.
 
Durante o lançamento, o coordenador de tradução e revisão da Bíblia, padre Luís Henrique afirmou que a revisão se compôs de características diversas das traduções anteriores. De acordo com ele, no início visava-se um texto mais apurado em vista de outros objetivos como, por exemplo, o texto como referência para os documentos oficiais para os bispos do Brasil. Ele fez questão de enfatizar que, essa tradução, visou também uma maior facilitação à memória bíblica do país.
 
Assim como a Nova Vulgata, a nova Bíblia da CNBB leva em conta novas descobertas documentais e a crescente valorização das antigas traduções gregas, siríacas, egípcias e latinas, às vezes mais antigas ou de maior importância para a Igreja que os textos comumente considerados como os mais originais.
 
Padre Johan Konings, vice-coordenador de tradução e revisão da Bíblia destacou durante o lançamento que nem a Nova Vulgata, nem a nova tradução da Bíblia pretendem restabelecer um “texto original” único, mas procuram representar os textos que os primeiros cristãos conheceram, citaram e comentaram.
 
As introduções e notas, bem como os títulos e subtítulos das seções, embora aprovados pela Comissão para a Doutrina da Fé, não possuem caráter oficial, mas, baseadas em fontes científicas, fazem desta edição uma verdadeira “Bíblia de estudo”, servindo para cursos de Bíblia e de Teologia , em sintonia com as orientações do Magistério católico. Segundo o presidente da Comissão para a Doutrina da Fé da CNBB, dom Pedro Carlos Cipollini, a tradução é importante para a Igreja no Brasil porque serve de referencial. “A CNBB tem uma tradução aprovada e isso faz a diferença no sentido de que dá uma segurança maior no uso desse texto nas várias atividades da nossa Igreja”, disse o bispo.
 
Ao final do lançamento, o presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha agradeceu aos exegetas e a todos os que colaboraram no aprimoramento das várias edições da Bíblia da CNBB, e de modo especial, nesta nova tradução. “Confiamos esta Bíblia Sagrada – Tradução Oficial da CNBB a Maria, Mãe da Igreja, discípula fiel do Senhor, que acolheu, meditou e cumpriu a Palavra”, disse o bispo.
 
A Bíblia Sagrada está disponível para venda no site da Editora da CNBB.
 
Fonte: CNBB
Foto: Reprodução

 
Na última segunda-feira, 19 de novembro, foi realizada a comemoração pelos 40 anos de fundação das Pontifícias Obras Missionárias (POM) no Brasil.
 
O dia começou com um momento de memória histórica, com a presença dos diretores nacionais, Pe. João Panazzolo, Pe. Camilo Pauletti e Pe. Maurício Jardim. Durante o encontro foram lembrados os principais momentos que marcaram a trajetória das POM, bem como pessoas que foram importantes nessa história. Pe. João destacou as ações que concretizaram o projeto de mudança da sede das POM para Brasília e a construção da sede atual.
 
As comemorações continuaram com a Celebração Eucarística de ação de graças, presidida pelo Cardeal Dom Sérgio da Rocha, Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. Também participaram da celebração Dom Leonardo Ulrich Steiner, Seretário-Geral da CNBB, Dom Esmeraldo de Farias, Mons. Joseph Pentinat, primeiro secretário da Nunciatura Apostólica no Brasil, padres, religiosos e religiosas, representantes de Obras Pontifícias.
 
Os convidados puderam confraternizar com almoço festivo. Em sua manifestação, Pe. Maurício Jardim, diretor nacional das POM, agradeceu o carinho de todos e convidou os colaboradores e secretários das Obras Pontifícias para poder cantar parabéns às POM.
 
Tome nota!
 
As Pontifícias Obras Missionárias são organismos oficiais da Igreja Católica que trabalham para intensificar a animação, a formação e a cooperação missionária em todo o mundo. No Brasil, as Pontifícias Obras Missionárias, foram criadas em 20 de novembro de 1978, na cidade de São Paulo, por iniciativa dos superiores provinciais das congregações: Missionários da Consolata, Missionários Combonianos, Missionários do Verbo Divino, Missionários Xaverianos, Missionárias da Imaculada e PIME (Pontifício Instituto das Missões ao Exterior).
 
Com informações das POM
Foto: Reprodução