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“O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro”, afirma Giorgio Agamben, em entrevista concedida a Peppe Salvà e publicada por Ragusa News.
 
 
Giorgio Agamben é um dos maiores filósofos vivos. Amigo de Pasolini e de Heidegger, foi definido pelo Times e pelo Le Monde como uma das dez mais importantes cabeças pensantes do mundo. Pelo segundo ano consecutivo ele transcorreu um longo período de férias em Scicli, na Sicília, Itália, onde concedeu a entrevista.
 
Segundo ele, “a nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governabilidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas”. Assim, “a tarefa que nos espera consiste em pensar integralmente, de cabo a cabo,  aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”, afima Agamben.
 
A tradução é de Selvino  J. Assmann, professor de Filosofia do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, para o site do Instituto Humanitas Unisinos.
 
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O governo Monti invoca a crise e o estado de necessidade, e parece ser a única saída tanto da catástrofe  financeira quanto das formas indecentes que o poder havia assumido na Itália. A convocação de Monti era a única saída, ou poderia, pelo contrário, servir de pretexto para impor uma séria limitação às liberdades democráticas?
 
“Crise” e “economia” atualmente não são usadas como conceitos, mas como palavras de ordem, que servem para impor e para fazer com que se aceitem medidas e restrições que as pessoas não têm motivo algum para aceitar. “Crise” hoje em dia significa simplesmente “você deve obedecer!”. Creio que seja evidente para todos que a chamada “crise” já dura decênios e nada mais é senão o modo normal como funciona o capitalismo em nosso tempo. E se trata de um funcionamento que nada tem de racional.
 
Para entendermos o que está acontecendo, é preciso tomar ao pé da letra a ideia de Walter Benjamin, segundo o qual o capitalismo é, realmente, uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro.  Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro.  O Banco – com os seus cinzentos funcionários e especialistas – assumiu  o lugar da Igreja e dos seus padres e, governando o crédito (até mesmo o crédito dos Estados, que docilmente abdicaram de sua soberania), manipula e gere a fé – a escassa, incerta confiança – que o nosso tempo ainda traz consigo. Além disso, o fato de o capitalismo ser hoje uma religião, nada o mostra melhor do que o titulo de um grande jornal nacional (italiano) de alguns dias atrás: “salvar o euro a qualquer preço”. Isso mesmo, “salvar” é um termo religioso, mas o que significa “a qualquer preço”? Até ao preço de “sacrificar” vidas humanas? Só numa perspectiva religiosa (ou melhor, pseudo-religiosa) podem ser feitas afirmações tão evidentemente absurdas e desumanas.
 
A crise econômica que ameaça levar consigo parte dos Estados europeus pode ser vista como condição de crise de toda a modernidade?
 
A crise atravessada pela Europa não é apenas um problema econômico, como se gostaria que fosse vista, mas é antes de mais nada uma crise da relação com o passado. O conhecimento do passado é o único caminho de acesso ao presente. É procurando compreender o presente que os seres humanos – pelo menos nós, europeus – são obrigados a interrogar o passado.  Eu disse “nós, europeus”, pois me parece que, se admitirmos que a palavra “Europa” tenha um sentido, ele, como hoje aparece como evidente, não pode ser nem político, nem religioso e menos ainda econômico, mas talvez consista nisso, no fato de que o homem europeu – à diferença, por exemplo, dos asiáticos e dos americanos, para quem a história e o passado têm um significado completamente diferente – pode ter acesso à sua verdade unicamente através de um confronto com o passado, unicamente fazendo as contas com a sua história.
 
O passado não é, pois, apenas um patrimônio de bens e de tradições, de memórias e de saberes, mas também e sobretudo um componente antropológico essencial do homem europeu, que só pode ter acesso ao presente olhando, de cada vez, para o que ele foi. Daí nasce a relação especial que os países europeus (a Itália, ou melhor, a Sicília, sob este ponto de vista é exemplar) têm com relação às suas cidades, às suas obras de arte, à sua paisagem: não se trata de conservar bens mais ou menos preciosos, entretanto exteriores e disponíveis; trata-se, isso sim, da própria realidade da Europa, da sua indisponível sobrevivência. Neste sentido, ao destruírem, com o cimento, com  as autopistas e a Alta Velocidade, a paisagem italiana, os especuladores não nos privam apenas de um bem, mas destroem a nossa própria identidade. A própria expressão “bens culturais” é enganadora, pois sugere que se trata de bens entre outros bens, que podem ser desfrutados economicamente e talvez vendidos, como se fosse possível liquidar e por à venda a própria identidade.
 
Há muitos anos, um filósofo que também era um alto funcionário da Europa nascente, Alexandre Kojève, afirmava que o homo sapiens havia chegado  ao fim de sua história e já não tinha nada diante de si a não ser duas possibilidades: o acesso a uma animalidade pós-histórica (encarnado pela american way of life) ou o esnobismo (encarnado pelos japoneses, que continuavam a celebrar as suas cerimônias do chá, esvaziadas, porém, de qualquer significado histórico). Entre uma América do Norte integralmente re-animalizada e um Japão que só se mantém humano ao preço de renunciar a todo conteúdo histórico, a Europa poderia oferecer a alternativa de uma cultura que continua sendo humana e vital, mesmo depois do fim da história, porque é capaz de confrontar-se com a sua própria história na sua totalidade e capaz de alcançar, a partir deste confronto, uma nova vida.
 
A sua obra mais conhecida, Homo Sacer, pergunta pela relação entre poder político e vida nua, e evidencia as dificuldades presentes nos dois termos. Qual é o ponto de mediação possível entre os dois pólos?
 
Minhas investigações mostraram que o poder soberano se fundamenta, desde a sua origem, na separação entre vida nua (a vida biológica, que, na Grécia, encontrava seu lugar na casa) e vida politicamente qualificada (que tinha seu lugar na cidade). A vida nua foi excluída da política e, ao mesmo tempo, foi incluída e capturada através da sua exclusão. Neste sentido, a vida nua é o fundamento negativo do poder. Tal separação atinge sua forma extrema na biopolítica moderna, na qual o cuidado e a decisão sobre a vida nua se tornam aquilo que está em jogo na política. O que aconteceu nos estados totalitários do século XX reside no fato de que é o poder (também na forma  da ciência) que decide, em última análise, sobre o que é uma vida humana e sobre o que ela não é. Contra isso, se trata de pensar numa política das formas de vida, a saber, de uma vida que nunca seja separável da sua forma, que jamais seja vida nua. 
 
O mal-estar, para usar um eufemismo, com que  o ser humano comum se põe frente ao mundo da política tem a ver especificamente com a  condição italiana ou é de algum modo inevitável?
 
Acredito que atualmente estamos frente a um fenômeno novo que vai além do desencanto e da desconfiança recíproca entre os cidadãos e o poder e tem a ver com o planeta inteiro. O que está acontecendo é uma transformação radical das categorias com que estávamos acostumados a pensar a política. A nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governamentalidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas. E que este modelo seja, do ponto de vista do poder, mais  econômico e funcional é provado pelo fato de que foi adotado também por aqueles regimes que até poucos anos atrás eram ditaduras. É mais simples manipular a opinião das pessoas através da mídia e da televisão do que dever impor em cada oportunidade as próprias decisões com a violência. As formas da política por nós conhecidas – o Estado nacional, a soberania, a participação democrática, os partidos políticos, o direito internacional – já chegaram ao fim da sua história. Elas continuam vivas como formas vazias, mas a política tem hoje a forma de uma “economia”, a saber, de um governo das coisas e dos seres humanos. A tarefa que nos espera consiste, portanto, em pensar integralmente, de cabo a cabo, aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”.
 
O estado de exceção, que o senhor vinculou ao conceito de soberania, hoje em dia parece assumir o caráter de normalidade, mas os cidadãos ficam perdidos perante a incerteza na qual vivem cotidianamente. É possível atenuar esta sensação?
 
Vivemos há decênios num estado de exceção que se tornou regra, exatamente assim como acontece na economia  em que a crise se tornou a condição normal. O estado de exceção – que deveria sempre ser limitado no tempo – é, pelo contrário, o modelo normal de governo, e isso precisamente nos estados que se dizem democráticos. Poucos  sabem que as normas introduzidas, em matéria de segurança, depois do 11 de setembro (na Itália já se havia começado a partir dos anos de chumbo) são piores do que aquelas que vigoravam sob o fascismo. E os crimes contra a humanidade cometidos durante o nazismo foram possibilitados exatamente pelo fato de Hitler, logo depois que assumiu o poder, ter proclamado um estado de exceção que nunca foi revogado. E certamente ele não dispunha das possibilidades de controle (dados biométricos, videocâmeras, celulares, cartões de crédito) próprias dos estados contemporâneos. Poder-se-ia afirmar hoje que o Estado considera todo cidadão um terrorista virtual. Isso não pode senão piorar e tornar impossível  aquela participação na política que deveria definir a democracia. Uma cidade cujas praças e cujas estradas são controladas por videocâmeras não é mais um lugar público: é uma prisão.
 
A  grande autoridade que muitos atribuem a estudiosos que, como o senhor, investigam a natureza do poder político poderá trazer-nos esperanças de que, dizendo-o de forma banal,  o futuro será melhor do que o presente?
 
Otimismo e pessimismo não são categorias úteis para pensar. Como escrevia Marx em carta a Ruge: “a situação desesperada da época em que vivo me enche de esperança”.
 
Podemos fazer-lhe uma pergunta sobre a aula que o senhor deu em Scicli? Houve quem lesse a conclusão que se refere a Piero Guccione como se fosse uma homenagem devida a uma amizade enraizada no tempo, enquanto outros viram nela uma indicação  de como sair do xeque-mate no qual a arte contemporânea está envolvida.
 
Trata-se de uma homenagem a Piero Guccione e a Scicli, pequena cidade em que moram alguns dos mais importantes pintores vivos. A situação da arte hoje em dia é talvez o lugar exemplar para compreendermos a crise na relação com o passado, de que acabamos de falar. O único lugar em que o passado pode viver é o presente, e se o presente não sente mais o próprio passado como vivo, o museu e a arte, que daquele passado é a figura eminente, se tornam lugares problemáticos. Em uma sociedade  que já não sabe o que fazer do seu passado, a arte se encontra premida entre a Cila do museu e a Caribdis da mercantilização. E muitas vezes, como acontece nos templos do absurdo que são os museus de arte contemporânea, as duas coisas coincidem.
 
Duchamp talvez tenha sido o primeiro a dar-se conta do beco sem saída em que a arte se meteu. O que faz Duchamp quando inventa o ready-made? Ele toma um objeto de uso qualquer, por exemplo, um vaso sanitário, e, introduzindo-o num museu, o força a apresentar-se como obra de arte. Naturalmente – a não ser o breve instante que dura o efeito do estranhamento e da surpresa – na realidade nada alcança aqui a presença: nem a obra, pois se trata de um  objeto de uso qualquer, produzido industrialmente, nem a operação artística, porque não há de forma alguma uma poiesis, produção – e nem sequer o artista, porque aquele que assina com um irônico nome falso o vaso sanitário não age como artista, mas, se muito, como filósofo ou crítico, ou, conforme gostava de dizer Duchamp, como “alguém que respira”, um simples ser vivo.
 
Em todo caso, certamente ele não queria produzir uma obra de arte, mas desobstruir o caminhar da arte, fechada entre o museu e a mercantilização.  Vocês sabem: o que de fato aconteceu é que um conluio, infelizmente ainda ativo, de hábeis especuladores e de “vivos” transformou o ready-made em obra de arte. E a chamada arte contemporânea nada mais faz do que repetir o gesto de Duchamp, enchendo com não-obras e performances em museus, que são meros organismos do mercado, destinados a acelerar a circulação de mercadorias, que, assim como o dinheiro, já alcançaram o estado de liquidez e querem ainda valer como obras. Esta é a contradição da arte contemporânea: abolir a obra e ao mesmo tempo estipular seu preço.
 
Fonte: IHU Unisinos
Foto: Divulgação

 
Na noite da última sexta-feira, 29 de novembro, a Catedral Anglicana da Ressurreição, em Brasília, foi palco do lançamento da versão em português da Bíblia para as Mulheres, da feminista cristã Elizabeth Cady Stanton. A obra, publicada pela primeira vez em 1895, em inglês, tem a versão brasileira traduzida por Ruth Barros, com organização da reverenda anglicana Bianca Daébs, sendo fruto da parceria entre o CEBI e a Editora e Livraria Anglicana.
 
 
O lançamento, que contou com a presença de convidados, parceiros ecumênicos, inter-religiosos, representantes da sociedade civil, além lideranças anglicanas, entre elas, o bispo primaz Naudal Alves Gomes, certamente será um marco histórico na caminhada de empoderamento na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e demais igrejas cristãs.
 
 
“Essa é uma iniciativa das mulheres reverendas, teólogas e leigas da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, com o apoio da Junta Nacional de Educação Teológica (JUNET), e a parceria da Editora e Livraria Anglicana e o CEBI. É uma obra importante uma vez que traz para o centro do debate das discussões de gênero e religião um texto produzido no final do século XIX, sob a liderança da teóloga estadunidense Elizabeth Cady Stanton, que entendia a necessidade de refletir sobre passagens bíblicas que traziam a questão da inferioridade feminina, fomentavam essa condição de subalternidade, e que fazia parte de todo um processo de formação moral daquela sociedade. Pretendemos, a partir daqui, ampliar o debate de gênero e religião, trazendo elementos antigos e novos, contextualizando dentro do cenário nacional, com o intuito de promover a equidade nas relações de gênero não só entre os anglicanos, mas entre outras comunidades de fé que desejam dialogar sobre o tema”, explicou Bianca.
 
 
O bispo da Diocese Anglicana de Brasília (DAB), Maurício Andrade, anfitrião do evento, considera que o lançamento “será uma oportunidade de aprofundamento de estudo e reflexão para fortalecer a militância das mulheres nas igrejas”. Ele também chamou atenção para o momento em que a obra foi lançada, “justamente no tempo dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. 
 
Histórico
 
O projeto do livro teve início por teólogas, reverendas e leigas, em 2016, durante a Partilha Ministerial da Área III. A partir de então, Bianca Daébs foi organizando essa obra através de um trabalho de tradução feito pela missionária Ruth Barros. Além dos parceiros já citados acima, o livro também contou com apoio do Serviço Anglicano de Diaconia (SADD), Christian Aid e CONIC. 
 
Onde comprar?
 
Centro de Estudos Anglicanos 
Pedidos por e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Ou telefone: (51) 3318-6122 
Obs.: Falar com Mayara
 
Com informações da DAB, Rev. Magela Neto e Revda. Bianca Daébs
Fotos: Reprodução

 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) torna público a realização do Concurso do Cartaz da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), edição 2020, um evento que ocorre em todo o Brasil e objetiva propor a reflexão e o diálogo sobre a importância da unidade cristã (Jo 17:21). O tema da SOUC será: “Gentileza gera gentileza” (Cf.: At 28:2). 
 
O Concurso convida pessoas de todo o país a enviarem propostas de arte para compor o Cartaz da SOUC. A arte precisa estar em formato vertical para melhor aplicação nas demais peças gráficas que o CONIC for desenvolver posteriormente. Desenhos na horizontal serão eliminados. A arte deve estar disponível em dois formatos: PNG (imagem) e PDF (alta resolução). 
 
Contexto
 
O artista precisa ter conhecimento do teor do texto bíblico contido em Atos 28:2 – contexto em que Paulo é acolhido após um naufrágio em seu navio. O relato informa que tais pessoas usaram de muita receptividade e gentileza para com o apóstolo, então forasteiro. A ideia é mostrar a importância da prática da acolhida àqueles que chegam até nós hoje. É recomendável que o artista leia Atos 27 e Atos 28:1,2 para uma maior compreensão da cena.
 
Consideramos importantes os seguintes elementos:
 
Um barco
Pessoas sendo recebidas (acolhidas)
Gestos de gentileza para com a humanidade e a natureza (criação)
A frase: “Gentileza gera gentileza”
 
Elementos para inspiração:
 
Refugiados
Mãos (que acolhem)
Fogo (que aquece)
Pescadores/pescadoras
 
Premiação
 
A premiação será de R$ 1.000,00 (mil reais) para a arte escolhida.
 
Prazos
 
Envio das artes por e-mail: 14/11/2019 a 14/12/2019
Avaliação das artes enviadas: 16/12/2019 
Divulgação do(a) ganhador(a): 18/12/2019
Entrega da premiação: 19/12/2019
 
CLIQUE AQUI para acessar o Edital em PDF e obter todas as informações necessárias para a participação.
Para acessar o Edital em Word, CLIQUE AQUI.
 

 
A PUCPR acolheu no dia 18 de novembro o Simpósio Religiões e Ecologia: a água como dom, direito e bem comum. Alinhado à programação do X Encontro Nacional de Ensino Religioso e organizado em parceria com a Rede Ecumênica da Água (REDA) – do Conselho Mundial de Igrejas (CMI)-, o evento reuniu lideranças religiosas e acadêmicos para um diálogo propositivo sobre o compromisso das tradições religiosas em torno da ecologia, com especial destaque à questão da água.
 
  
O primeiro momento do Simpósio considerou a abordagem do tema a partir das tradições religiosas, tendo como premissa que o empenho das mesmas no cuidado ecológico se radica na experiência e nos princípios fundamentais dos credos. Representantes do Islamismo, Judaísmo, Umbanda, Budismo e Cristianismo – sendo este representado pelas tradições luterana, anglicana e católica - puderam partilhar com os/as simposistas os olhares ecológicos de suas respectivas tradições, vinculando-os com a espiritualidade, doutrinas e práticas. 
 
De acordo com o P. Werner Fuchs, pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e um dos mobilizadores da Campanha Renovar Nosso Mundo no Brasil, “quanto mais autênticas às suas raízes, tanto mais as religiões desenvolvem e preservam sensibilidade e valores pelo equilíbrio do planeta e pela defesa da vida, que é ao mesmo tempo frágil e resiliente”. Fuchs também considera que “diante da insuficiência e imperfeição humanas os diversos credos professam Deus como fonte de toda a perfeição e justiça, e assim podem se unir na luta contra a dominação de uns sobre os outros e sobre a natureza, que gera poluição e esgotamento da água e dos demais recursos naturais”. Nesse sentido, um primeiro movimento passa pela disposição das próprias religiões em integrar atitudes de conservação e cuidado ecológico em seu cotidiano, como salienta Andreia Guiraud, Mãe de Santo e dirigente do terreiro de Umbanda Mensageiros da Luz que, ao destacar a base elementar dos elementos da natureza de sua religião, falou desse aspecto ligando-o, de modo especial, à prática ritual.
 
De modo específico, as reflexões com enfoque à água destacaram a ligação intrínseca das religiões com este elemento, a qual se vincula a momentos fortes de ritualidade e significação espiritual. Assim, a justiça hídrica se apresenta não somente como uma exigência para a manutenção da vida no planeta, mas expressam o cuidado zeloso das mulheres e homens de fé em torno das experiências basilares de suas vivências religiosas.
 
Em reflexão pautada sobre a encíclica social Laudato Si’, do Papa Francisco (2015), o Prof. Dr. Afonso Murad, da Faculdade Jesuíta (FAJE), de Belo Horizonte/MG e líder do Grupo de Pesquisa Ecoteologia, apresentou sete chaves para uma consciência planetária, as quais articulam informação, indignação, mística, encantamento, atitudes individuais, ações coletivas e visão sistêmica. Segundo o teólogo, é preciso superar a compreensão equivocada de que os processos de mudança se operam primeiramente no âmbito subjetivo e pessoal, e depois se estendem para o plano macro. Na perspectiva da conversão ecológica, os processos são simultâneos e complementares: a realidade da Casa Comum e suas causas são imperativos para uma mudança interior, ao mesmo tempo em que a sensibilidade do coração move a engajamentos efetivos. Murad enfatizou a importância do encantamento como uma chave de leitura para o cuidado da Criação e a preservação das águas, dimensão essa de acesso singular das tradições religiosas.
 
No aspecto prático, Prof. Dr. Elias Wolff, líder do Grupo de Pesquisa Teologia Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, da PUCPR, e membro da REDA, socializou o programa de ação assumido pelo referido organismo surgido na IX Assembleia do CMI (Porto Alegre, 2006). Olhando para essas experiências consolidadas em nível internacional, refletiu-se sobre as possibilidades de articulação de uma iniciativa similar em nível nacional e vinculada às experiências ecumênicas locais, bem como engajar a universidade, no caso a PUCPR, em projetos de visibilidade e reconhecimento do compromisso ecológico, tais como a obtenção do selo Blue Community.
 
Por ocasião do evento foi lançado o livro “Águas para a Vida! Apelo aos povos e seus credos”, organizado por Prof. Elias e publicado em parceria com a REDA. A obra reúne textos de autores e autoras brasileiras que refletem o acesso justo e preservação das águas sob as interfaces bíblicas e teológicas, sociopolíticas e técnicas, indicando, assim, a necessidade de um compromisso conjunto e colaborativo entre a sociedade organizada e as instâncias governamentais, com a participação ativa e esclarecida das tradições religiosas e espiritualidades.
 
 
Prof. Dr. Elias Wolff
Ir. Raquel de Fátima Colet, FC
Pelo Núcleo Ecumênico e Inter-religioso - PUCPR
 
Fotos: Reprodução

 
“Então ela julgará as nações e será árbitro de povos numerosos.
De suas espadas eles fabricarão enxadas e de suas lanças farão foices.
E nenhuma nação pegará em armas contra outra e ninguém mais
vai se treinar para a guerra… Vamos caminham na luz de Javé.”
(Isaías 2.4-5)
 
O Tempo Litúrgico assinala o início do Ano Cristão neste Primeiro Domingo do Advento, em preparação para a Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Natal. Em muitos lugares a Coroa do Advento, a Árvore de Natal e o Presépio são organizados como símbolos a nos recordar que devemos nos preparar adequadamente, conforme nossa fé, reafirmando nosso compromisso em seguir e deixar-nos guiar por Jesus, “deixar-nos guiar pela luz de Deus”. E isso, necessariamente, ocorre num contexto e experiência histórica de vida. Não envolve somente nosso coração ou alma, mas, sim, nossa vida, real, concreta de cada dia. Sabemos que a mensagem do Advento é de julgamento e de esperança. Recordar, trazer a memória e experimentar o Deus conosco, de novo, traz como consequência julgamento, julgamento de todas as “obras das trevas”, mas traz também esperança, esperança porque um novo tempo está começando, em que prevalecerão “as obras da luz”.
 
Estarrecidos experimentamos no tempo presente as trevas e o abandono que o próprio Jesus vivenciou na cruz. Aumento da violência contra as mulheres, contra jovens, contra os povos originários, comunidades quilombolas, contra a Amazônia e meio ambiente, a perda de direitos básicos garantidos pela Constituição, o enfraquecimento da democracia, entre outras situações. E o que é mais estarrecedor ainda é ver pessoas ditas cristãs, pessoas ditas do bem, compactuando com tudo isso. Jesus, Filho e enviado de Deus, se apresenta nesse contexto, como podemos nos preparar para percebê-lo entre nós? Como anunciar tempo de esperança nesse contexto?
 
Nossa preparação inicia na reafirmação do nosso compromisso com Deus e seu Reino, que antagonizando-se com o que aí está, opta pelo caminho da luz, opta por transformar instrumentos de guerra em instrumentos de produção de alimentos, opta pelo caminho da paz e da solidariedade.
 
Vejo, em meio as dores e sofrimentos deste mundo, muita gente, por causa da sua religião, ou do exercício de uma cidadania responsável, ou por outra motivação buscando viver fraternalmente. Optam pela solidariedade em lugar do incentivo e a prática da violência, acolhem, em vez de excluir, amam, em vez de odiar. Constroem, em vez de destruir. Há muitas ONGs, indivíduos, grupos, professores, instituições religiosas e inter-religiosas, movimentos sociais, agindo verdadeiramente como filhos da luz. Eles estão gestando, com certeza, um novo tempo. Tenho sido testemunho de muitas dessas experiências ocorrendo diante de nós. Por isso, e por causa de Jesus, é que podemos dizer que o Advento é tempo de esperança.
 
A Epístola aos Romanos nos lembra: “...já é hora de vocês acordarem, a nossa salvação está agora mais próxima... A noite vai avançada e o dia está próximo. Deixemos, portanto, as obras das trevas e vistamos as armas da luz” (13.11-12)
 
Convido para que vivenciemos este Advento com profunda espiritualidade, reflexão e oração. Que essa atitude nos conduza ao fortalecimento da “fé, da esperança e do amor” e que tudo isso se transforme em ações de amor e solidariedade para com todas as pessoas e com a criação de Deus.
 
Com minhas orações e bênção,
+ Naudal Alves Gomes
Bispo Primaz

 
VIVER O BATISMO! O Tema do Ano da IECLB em 2020 é “Viver o Batismo”! Este Tema tem tudo a ver conosco. O que é Batismo para nós? Como podemos viver o Batismo?
 
O que é o Batismo? Batismo é um sacramento. Sacramentos são meios que Deus utiliza para nos dar perdão e salvação. Na Igreja Luterana temos dois sacramentos: o Batismo e a Santa Ceia. Esses sacramentos contêm a promessa da graça de Deus e foram instituídos por Jesus Cristo. Ou seja: nós batizamos e participamos da Ceia porque esta é a vontade de Jesus.
 
O que o Batismo faz? O Batismo realiza em nós o perdão dos pecados. Unida à palavra de Deus, a água do Batismo afoga o nosso pecado e nos dá vida nova. Estamos livres para fazer o bem, mas não estamos totalmente livres do mal. Durante toda a vida, vamos conviver com o fato de sermos pessoas ao mesmo tempo justificadas e pecadoras. Mas qual seria então o benefício do Batismo, se ele não afasta completamente de nós o pecado? O benefício é que Deus se alia conosco na luta contra o pecado. O Batismo pode ser comparado a uma roupa que se usa todos os dias para vencer o mal e permanecer na fé.
 
Com que idade nós batizamos? A IECLB admite ao Batismo crianças, pessoas jovens e adultas. Nós batizamos crianças porque reconhecemos que a graça de Deus não depende do nosso mérito e entendimento. Como escreveu Martim Lutero, “levamos a criança com a ideia e na esperança de que ela acredite, e rogamos que Deus lhe dê a fé”. Por meio da fé, a pessoa batizada recebe o que Deus lhe prometeu no Batismo. É importante lembrar que também a fé não é obra humana: é um dom de Deus! “Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo” (Efésios 4.5). Por ser obra de Deus, o Batismo acontece uma só vez e vale para toda a vida.
 
O Batismo cria vínculos. Ele nos une a Jesus Cristo e nos agracia com o Espírito Santo. A pessoa batizada em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo está colocada sob o âmbito da ação do trino Deus. O Batismo nos integra ao corpo de Cristo e a uma Comunidade. Por isto costumamos dizer que a IECLB é o convívio de pessoas batizadas, todas elas chamadas para viverem o seu Batismo.
 
Cada pessoa, a partir do Batismo e da fé, é chamada para testemunhar a palavra de Deus e participar da obra de Deus no mundo. Todas e todos nós fazemos parte do “sacerdócio de todas as pessoas que creem”. Esse sacerdócio é um privilégio: Deus nos concede o privilégio de sermos instrumentos do seu agir.
 
O tema do Ano é acompanhado por uma palavra de Jesus que diz: “Eu escolhi vocês para que deem fruto”. Qual é o fruto que se espera da pessoa batizada? O próprio Jesus nos dá a resposta no capítulo 15 do Evangelho de João:
 
- Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada.
- Como o Pai me amou, também eu amei vocês; permaneçam no meu amor.
- Se vocês guardarem os meus mandamentos, permanecerão no meu amor.
- O meu mandamento é este: que vocês amem uns aos outros, assim como eu os amei.
 
Dar fruto outra coisa não é do que transmitir o amor que recebemos de Deus. Tudo o que Deus faz é motivado por amor. Vamos nós também fazer do amor a base da nossa ação. Que o Tema do Ano nos desafie para reflexão e ação. Vamos viver o Batismo lembrando as palavras de Jesus: “Eu escolhi vocês para que deem fruto”.
 
Pa. Sílvia Beatrice Genz
Pastora Presidente
 
P. Odair Airton Braun
Pastor 1º Vice-Presidente
 
P. Dr. Mauro Batista de Souza
Pastor 2º Vice-Presidente
 
Fonte: IECLB
Imagem: Reprodução

 
Governos autoritários desrespeitam a cidadania. Em todo o mundo, as ONGs lutam em defesa das liberdades democráticas e do direito à livre atuação. Mais de 194 países são monitorados e, de acordo com as condições de liberdade de atuação da cidadania, recebem a classificação de países com espaços “abertos, estreitos, obstruídos, repressivos ou fechados.” Neste monitoramento, verifica-se práticas comuns nos governos autoritários que é o desrespeito à livre atuação da cidadania por meio de ações que buscam deslegitimar, criminalizar e obstruir a atuação das organizações da sociedade civil e/ou não governamentais, eliminando, assim, uma poderosa força da sociedade capaz de questionar, pressionar e denunciar suas condutas arbitrárias, corruptas e contra o interesse público.
 
Não é outra coisa que ocorre atualmente no Brasil. Do pronunciamento irresponsável do Presidente da República culpando as ONGs pelos incêndios à ação policial e midiática tentando criminalizar o Projeto Saúde e Alegria (PSA), há uma estratégia arquitetada para deslegitimar a atuação livre da sociedade civil brasileira que tem denunciado, desde o primeiro momento, as medidas autoritárias e antissociais do atual Governo.
 
A tentativa de envolver as ONGs de defesa da Amazônia nos atos criminosos de madeireiros, mineradoras, grileiros e fazendeiros ligados à soja e à pecuária extensiva, já foi tentada outras vezes e, ao final, restou comprovada a inocência das lideranças da sociedade civil e dos movimentos sociais da floresta. Aliás, esta mesma tática foi aplicada em 2013 quando o ex-Juiz Sérgio Moro, com amplo apoio midiático, tentou envolver cooperativas e ONGs ligadas ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da agricultura familiar, em supostos desvios de recursos públicos. Passados quatro anos, todos os envolvidos foram absolvidos pelo Poder Judiciário e, infelizmente, sem a mesma cobertura midiática, deixando um sentimento negativo em relação as ONGs na sociedade brasileira.
 
Por isso, a Abong vem a público manifestar sua solidariedade e apoio as lideranças do Projeto Saúde e Alegria (PSA) – CEAPS/ Santarém, pela seriedade de sua atuação e comprometimento na promoção de saúde das populações ribeirinhas e com as causas da defesa da floresta.
 
A Abong coloca-se à disposição para apoiar da forma que for necessária afim de que as acusações sejam prontamente refutadas e a verdade se estabeleça na defesa dos direitos dos povos das águas e da floresta. Exigimos a liberação imediata dos brigadistas que seguem presos injustamente.
 
Não aceitaremos passíveis a criminalização do direito ao ativismo social, a livre manifestação e a atuação autônoma da sociedade brasileira.
 
O Brasil já enfrentou governos autoritários e os venceu. Nada nos impedirá de fazê-lo novamente!
 
Conselho Diretor da Abong
 
Imagem: PSA/Abong

 
A perseguição aos cristãos piorou no Sul e no Leste Asiático, mas diminuiu consideravelmente na Síria e no Iraque nos últimos dois anos, segundo a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
 
 
A Fundação Pontifícia publicou sua edição 2019 do informativo “Perseguidos e esquecidos?”, que cobre os relatos de ações de perseguição contra os cristãos entre de julho de 2017 e julho de 2019. 
 
É no Sul e no Leste Asiático “que a situação mais se deteriorou para os cristãos”, afirmou o diretor da AIS, Benoît de Blanpré, durante uma coletiva de imprensa em Paris. Segundo ele, três tipos de ameaças pesam sobre os cristãos nessas regiões: extremismo religioso, nacionalismo agressivo e regimes autoritários.
 
Blanpré citou o assassinato de 22 fiéis nas Filipinas em janeiro de 2019 e o atentado, no domingo de Páscoa, em três igrejas e hotéis no Sri Lanka (mais de 300 mortos), ataques reivindicados por grupos afiliados a organizações religiosas extremistas.
 
Por outro lado, “a perseguição de cristãos nos principais países do Oriente Médio, como Síria e Iraque, diminuiu consideravelmente”, observa o relatório da AIS. “Sinais significativos de melhoria” também são observados no Egito.
 
Diminuição no número de cristãos no Iraque e na Síria
 
No Iraque, os cristãos, que totalizavam 1,5 milhão antes de 2003, somam em 2019 menos de 150.000. Atualmente, na Síria, são menos de 500.000, contra 1,5 milhão em 2011.
 
Com informações da AIS e da AFP
Foto: Behrouz Mehri / AFP

 
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal recebeu, no dia 26 de novembro, uma audiência pública para discutir o enfrentamento à violência contra a mulher. A secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, esteve presente. Os debates ocorrem no contexto dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres (20 de novembro a 10 de dezembro). 
 
 
A iniciativa partiu de um requerimento apresentado pela Pastoral da Juventude (PJ) ao presidente da CDH, senador Paulo Paim, e faz parte de uma série de ações pensadas a partir da Campanha Nacional de Enfrentamento ao ciclo de violência contra a mulher, assumida pela PJ em 2017.
 
Para Romi, o elevado número de casos de violência contra a mulher no Brasil está ligado, em parte, à ação de grupos fundamentalistas religiosos. “A gente tem percebido no Brasil uma campanha que é protagonizada por grupos fundamentalistas e impacta diretamente na vida das mulheres. Essa relação existe porque todo discurso fundamentalista é um discurso patriarcal, que desrespeita a vida das mulheres, a vida da população negra, a vida das pessoas LGBT”, disse.
 
Ela também citou algumas passagens bíblicas que podem reforçar o papel de submissão das mulheres, e afirmou que as igrejas precisam atuar para que esse tipo de texto não seja interpretado ao pé da letra. “As igrejas têm um papel extremamente relevante na superação da violência contra a mulher. Isso porque todos os pilares que sustentam o patriarcado foram construídos com base numa hermenêutica patriarcal da Bíblia. Então, a violência contra a mulher tem uma base de argumentação teológica também”, acrescentou.
 
O secretário nacional da Pastoral da Juventude, Davi Rodrigues, falou da importância desse espaço de debate. “A Pastoral da Juventude quer provocar diferentes lideranças, atores sociais e políticos, desafiando cada um e uma a refletir, dialogar e desenvolver ações transformadoras, rompendo as correntes e apontando para a esperança de libertação”, declarou.
 
Integrante da Campanha Nacional de Enfrentamento aos Ciclos de Violência contra a Mulher, Daiane Zito Rosa destacou a importância da educação para a redução do problema. “Nós precisamos pensar a vida dos homens que cometem opressões e violências, e construir políticas públicas que não nos tornem também opressores. Não precisamos de mais cadeias, de mais punição, de uma nova forma de matar homens pretos. Precisamos de educação”, disse.
 
Continuidade
 
O CONIC solicitou que o tema continue sendo trabalhado no âmbito da Comissão de Direitos Humanos, e sugeriu que também seja promovido um ciclo de debate sobre a instrumentalização da liberdade religiosa para legitimar discursos de ódio.
 
Com informações da Agência Senado e da Pastoral da Juventude (PJ)
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado