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Julián Carrillo (foto acima) sabia que seria assassinado. Como seu cunhado, Santiago. E seu genro, Julián. Também como seus sobrinhos, Guadalupe e Alberto, e seu filho Víctor, que viu ser morto a tiros. Era só uma questão de tempo. Em dezembro de 2017, um grupo armado colocou fogo em sua casa. Conseguiu sair vivo, mas um ano depois não conseguiu escapar ao seu destino: foi abatido por um grupo de homens com armas de alto calibre, como se fosse um criminoso perigoso.
 
Mas o crime cometido por Carrillo e os cinco membros de sua família assassinados em dois anos no território indígena de Coloradas de la Virgen (Chihuahua, no norte do México) foi proteger as florestas da Sierra Madre. Protegê-las das novas concessões de mineração autorizadas pelo Governo; do corte ilegal de árvores e do crime organizado, que se apropria do território para plantar cannabis ou papoula.
 
Carrillo foi um dos 14 defensores da terra assassinados no país norte-americano no ano passado, de acordo com o último relatório da organização ambientalista Global Witness. O número revela que a situação quase não melhorou em relação ao ano anterior, quando 15 ativistas morreram. Também demonstra que os mecanismos de proteção oferecidos pelo Governo aos defensores e jornalistas em risco raramente funcionam. O protetor das florestas da Sierra Madre contava com esse mecanismo. De pouco lhe serviu.
 
Sua luta foi a continuação daquela empreendida por muitos outros líderes indígenas rarámuris que deram suas vidas para evitar o desmatamento de seus territórios. Porque, para essa etnia, a floresta é tudo: atrai a água, fornece alimentos, dá abrigo aos animais. Defendê-la está no seu DNA.
 
O assassinato mais célebre na comunidade foi o de Isidro Baldenegro, vencedor do Prêmio Goldman, conhecido como o Nobel da Ecologia. Ser um dos ativistas mais reconhecidos da América Latina não o impediu de ser cruelmente assassinado, também a tiros, em janeiro de 2017. Nem que a impunidade, a intimidação e a violência contra seus sucessores —entre eles Julián Carrillo— continuassem em Coloradas de la Virgen
 
A situação não é muito mais alentadora nos outros países da América Latina: em 2018 a região voltou a ser a mais letal do planeta para os defensores da terra, segundo a lista negra da ONG. A Colômbia ultrapassou o Brasil pela primeira vez como o país com mais assassinatos na região, com um total de 24 contra 20 no país governado por Jair Bolsonaro.
 
Mas a organização alerta que tudo indica que a situação no Brasil piorará. “Bolsonaro prometeu permitir a exploração das reservas indígenas com projetos de mineração, agricultura e infraestrutura. Desde o início do ano isso já provocou uma série de invasões de terras indígenas por usurpadores armados”.
 
O relatório "Inimigos do Estado?" faz um apelo especial em relação à situação na Guatemala, país em que os assassinatos aumentaram cinco vezes no ano passado. Se em 2017 morreram três defensores naquele país, no ano passado o número disparou para 16 devido a uma onda de violência ligada a projetos hidrelétricos em terras ancestrais.
 
Especificamente, a organização denuncia o assassinato dos irmãos Neri e Domingo Esteban Pedro, duas das cabeças com maior visibilidade do movimento indígena contra a usina hidrelétrica de San Andrés, que, segundo a Global Witness, está ligada à poderosa família Mata.
 
Os corpos dos irmãos Esteban Pedro apareceram às margens do rio Yalwitz em dezembro de 2018, perto da hidrelétrica. Eles não eram os únicos membros da organização Resistência Pacífica da Microrregião de Ixquisis a sofrer as consequências de seu ativismo. Em outubro do mesmo ano, pelo menos seis deles já haviam sido feridos, atacados pela polícia durante uma manifestação.
 
Pela primeira vez o relatório também documenta como os Governos usam suas leis para criminalizar e intimidar os defensores. Por exemplo, destaca que dezenas de camponeses e estudantes foram presos na Nicarágua depois que em 2018 o Governo aprovou uma lei que ampliou a definição de terrorismo.
 
“Ao contrário dos assassinatos, essas ameaças mais sutis não se tornam manchetes na imprensa, razão pela qual são muito úteis para aqueles que buscam esmagar a dissidência”, diz a Global Witness. “Assim como os assassinatos, os indígenas estão na linha de frente do ataque dos sistemas judiciais de seus países”.
 
FILIPINAS, O PAÍS MAIS SANGRENTO
 
Em 2018, pelo menos 164 defensores do meio ambiente foram assassinados em todo o mundo, mais da metade deles na América Latina. As Filipinas foram o país mais sangrento, com 30 assassinatos, em grande parte vinculados ao agronegócio.
 
A maioria das mortes no mundo tinha relação com projetos de mineração e extrativismo, enquanto houve uma escalada entre aqueles que protegem a água: de quatro em 2017 para 17 um ano depois.
 
Fonte: El País
Fotos: Anistia Internacional / MARIANNE BERTRAND

 
Os pesquisadores Lucas Ferrante e Philip Fearnside, ambos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), publicaram o estudo Brazil’s new president and ‘ruralists’ threaten Amazonia’s environment, traditional peoples and the global climate (O novo presidente do Brasil e ‘ruralistas’ ameaçam o meio ambiente, povos tradicionais da Amazônia e o clima global, em português), disponibilizado pela revista Environmental Conservation, editada pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido. “O trabalho apresenta uma extensa documentação do atual desmonte dos órgãos ambientais e indígenas no Brasil, assim como a política ambiental, incluindo os programas de fiscalização e licenciamento. Os impactos sobre a biodiversidade, as mudanças climáticas e os povos tradicionais são detalhados. O papel dos ruralistas é fundamental em influenciar o Presidente, em comandar ministérios e órgãos chaves no executivo, e em avançar uma chamada ‘agenda da morte’ no legislativo”, explicou Fearnside.
 
O artigo é baseado em publicações jornalísticas checadas pelos pesquisadores no Diário Oficial da União (DOU) e em declarações do presidente e dos ministros gravadas em vídeos. As atuais e possíveis consequências das ações do governo descritas no artigo são baseadas em artigos científicos compilados pelos pesquisadores.
 
O artigo esclarece que, desde que assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2019 como o novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, tomou medidas e fez promessas que ameaçam a Amazônia e os povos tradicionais que a habitam, avançando com uma agenda com impactos ambientais que se estendem ao Brasil e ao mundo. “As ameaças à Amazônia representam um crime de lesa a pátria ao país, e temos que entender como isso se dá. A Amazônia exporta muito das chuvas que abastecem as regiões Sul e Sudeste do Brasil. Com o aumento do desmatamento as chuvas devem diminuir, afetando o abastecimento humano como o do sistema Cantareira, agricultura, produção animal e de biocombustíveis. Esta ação lesa pessoas e economia do país e, uma vez que temos informações suficientes para compreender este fenômeno e o governo continua suas ações sem evitar estes danos, ele deve ser responsabilizado. Eu gostaria de saber o que pensam os governadores do Sul e Sudeste se soubessem que os problemas de abastecimento de seus estados estão comprometidos frente as políticas do presidente. Cabe aos governadores de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do sul e Santa Catarina se manifestarem contra os aumentos dos índices de desmatamento da Amazônia, pois este desmatamento impactará diretamente estes estados”, afirma Ferrante.
 
“A ‘agenda da morte’ do atual governo tem avançado. Essa semana foi aprovada a MP867, que propõe estender até o final de 2020 a adesão de produtores rurais ao código florestal. Isso perdoa o desmatamento que nem aconteceu ainda, estimulando ações ilegais de desmatamento pelos produtores rurais. Esta é uma MP que por si só fere a constituição, pois estimula o crime. Neste caso a medida provisória tem de ser anulada. Nós precismos da ação do ministério publico, OAB e do senado federal para intervir na ‘agenda da morte’ do governo, pois além do dano ambiental enorme sobre o país, a imagem do agronegócio brasileiro está ruindo no mercado internacional”.
 
A publicação também expõe eventos recentes que ameaçam a Amazônia e seus povos, incluindo as proposta de abolir “as reservas legais e a abertura de unidades de conservação e terras indígenas à mineração, agricultura e pecuária”. De acordo com Ferrante, as ações de Bolsonaro têm estimulado conflitos por toda a Amazônia: “houve o ataque à terra indígena dos Uru-Eu-Wau-Wau, onde até as crianças foram ameaçadas por grileiros que afirmaram que, com Bolsonaro como presidente, os indígenas não tinham mais direitos sobre suas terras.
 
Ferrante lembra que o artigo 225 de nossa constituição diz que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. “Nossos resultados, assim como os índices de desmatamento divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indicam que as ações do governo têm infringido a Constituição, pois vulnerabilizam muitas pessoas pelos impactos ambientais e sociais gerados pelo desmantelamento das políticas públicas ambientais”, pondera ele.
 
Como resposta ao problema, Ferrante sugere que seja “instaurada uma CPI ambiental para averiguar as ações conjuntas do atual ministro do meio ambiente e da ministra da agricultura, pois existe um alinhamento para enfraquecer a legislação ambiental, que consequentemente causa danos a população e a própria produção agrícola do país, além de estimular conflitos de terra e trabalho escravo”. Ele chama a atenção que, recentemente, o próprio presidente defendeu que sejam revistos os critérios da classificação do trabalho escravo. “Nossos resultados indicaram que as áreas com maior concentração de trabalho escravo, mortes de ambientalistas e conflitos de terra estão no arco do desmatamento amazônico. Através das novas medidas deste governo, grandes empreendimentos e o avanço do desmatamento para agricultura e pecuária na Amazônia aumentam estas mazelas sociais que devem avançar para o meio da Amazônia”, alertou.
 
Os autores sugerem ainda que atores internacionais como entidades financiadoras, empresas e países que importam soja, carne e minerais brasileiros “comecem a avaliar o risco de investimento em projetos que causam desmatamento e conflitos de terra, contribuindo assim para o aquecimento global e para a violação dos direitos humanos”. Para Fearnside, “a publicação deste artigo em uma conceituada revista referenciada serve para embasar uma discussão necessária sobre as responsabilidades e posições apropriadas de agências no Brasil (como o BNDES), e também entre os diferentes financiadores internacionais e os países e empresas que importam produtos do agronegócio brasileiro”.
 
Uma tradução em português do artigo foi publicada no site Amazônia Real, disponível aqui.
 
Fonte: O Eco
Foto: PAULO WHITAKER / Agência O Globo

 
Um amplo conjunto de entidades e organizações representativas do povo brasileiro convoca em caráter de urgência profissionais da educação, dirigentes sindicais, juristas, cientistas, estudantes, parlamentares, religiosos/as, lideranças de movimentos sociais e populares e todas as pessoas interessadas na defesa e na preservação de nosso patrimônio público, de nossas riquezas naturais, da indústria nacional e da autonomia das pesquisas científicas voltados ao desenvolvimento nacional a se somarem nos dias 4 e 5 de setembro ao Ato e Seminário pela Soberania Nacional e Popular, que acontecerá no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos/as Deputados/as, em Brasília. 
 
Buscamos analisar os riscos e ameaças à Soberania Nacional que surgem a partir da estratégia governamental de privatização de empresas públicas, de mercantilização de serviços públicos (educação, saúde e seguridade) e de entrega de riquezas naturais em especial, os minérios, o petróleo, o bioma amazônico, a água e territórios aos interesses de países ou corporações estrangeiras. Queremos analisar também como essa estratégia de governo impacta na educação, na produção de conhecimento científico nacional e na desestruturação do setor industrial brasileiro.
 
Entendemos que o patrimônio público nacional e tudo o que está sobre ou sob o solo pertence ao povo brasileiro. Assim, não cabe a um governo, eleito para um mandato de quatro anos, desnacionalizar e desestruturar políticas e empresas públicas construídas ao longo de décadas por cidadãos e cidadãs brasileiras.
 
As empresas públicas brasileiras são rentáveis, geram milhares de empregos e são responsáveis por estimular a atividade econômica de amplos setores da economia nacional. Seus resultados contribuem financeiramente para a sustentação do maior sistema público de saúde do mundo - o SUS e para a educação pública, entre outras políticas públicas.
 
Por isso, convocamos todas as pessoas, partidos e organizações a participarem deste Ato Seminário, onde buscaremos identificar as ameaças mais iminentes à soberania nacional e popular, projetar o Brasil que queremos e traçar uma agenda unitária de mobilização institucional e popular.
 
É pelo Brasil. É por todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil não está à venda! Diga não às privatizações! 
 
SERVIÇO
 
Ato e Seminário pela Soberania Nacional e Popular
4 e 5 de setembro de 2019
Auditório Nereu Ramos
Câmara - Brasíia - DF
 
 
Foto: Rodolfo Stuckert / Acervo Câmara dos Deputados

 
O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT) realiza, no dia 12 de agosto, das 14h às 17h30, o Seminário Testemunho Ecumênico por Justiça.
 
O evento será em Brasília e contará com duas mesas de reflexões:
 
Mesa 1 
Aspectos históricos dos princípios do Movimento Ecumênico em relação às liberdades laicas. 
 
Mesa 2
Princípios bíblicos da Justiça - Olhar sobre as liberdades laicas.
 
Participarão do encontro Haidi Jarschel, pastora da IECLB, doutora em História Cultural pela UNICAMP, mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo; e Lauri Wirth, doutor em Teologia pela Universidade de Heidelberg e professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo.
 
A entrada é franca!
 
Local: Brasília Imperial Hotel - SHS, Qd 3, Bl H.
Data e Hora: 12 de agosto, 14h às 17h30.
 
Confira o convite:
 

 
Com o lema “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”, Brasília vai receber nos dias 13 e 14 de agosto mais uma edição das Marcha das Margaridas. O evento é a maior ação organizada na América Latina por mulheres do campo, da floresta e das águas.
 
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), idealizadora da ação, tem realizado oficinas com as mulheres do campo e organizações parceiras. O evento contará com 10 eixos de diálogo, como soberania alimentar e energética, trabalho, renda e autonomia econômica.
 
Mazé Moraes, coordenadora da marcha, destacou ainda a luta pela conservação da sócio-biodiversidade e o combate à violência contra a mulher. “Esses são alguns dos temas importantes, ainda mais nesse momento que vivenciamos em que corremos risco de perder os bens comuns, como a nossa água nossa terra”, disse ao repórter Uélson Kalinovski, da TVT.
 
A marcha reúne, a cada quatro anos, trabalhadoras rurais de todo o país nas ruas da capital federal para denunciar retrocessos e reivindicar direitos. Para a edição 2019, são esperadas aproximadamente 100 mil mulheres. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, a “reforma” da Previdência, será um dos principais temas levantados durante a marcha.
 
“A Contag segue mobilizada com as suas estratégias. O debate no Congresso ainda não finalizou, então nossos estados e os municípios seguem fazendo audiências públicas. A análise geral é de que a reforma em tramitação ainda continua muito perversa e prejudicial a toda a classe trabalhadora”, afirmou Edjane Rodrigues, da Secretaria de Políticas Sociais.
 
Para o presidente da Contag, Aristides Santos, são mobilizações como a marcha que fazem a diferença na luta. Ele citou a manutenção das regras atuais de aposentadoria para trabalhadores do campo como exemplo. “É fruto dessa mobilização que nós conseguimos manter as regras gerais para os trabalhadores rurais. A idade para aposentadoria e o tempo de contribuição ficaram mantidas para os rurais, além de barrarmos outras propostas do governo”, acrescentou.
 
A Marcha das Margaridas é realizada desde 2000 e acontece sempre em Brasília, no dia 12 de agosto ou em períodos próximos da data, que marca a morte da trabalhadora rural e líder sindicalista Margarida Maria Alves. Ela foi assassinada em 1983 quando lutava pelos direitos dos trabalhadores na Paraíba. A primeira edição, em 2000, reuniu cerca de 20 mil agricultoras, quilombolas, indígenas, pescadoras e extrativistas.
 
A edição da Marcha das Margaridas deste ano recebeu pela primeira vez financiamento coletivo para “captar recursos complementares”, segundo a (Contag). Para as militantes de São Paulo, doações estão sendo captadas pela plataforma Benfeitoria. A meta é arrecadar um total de 24 mil reais. A cada R$ 20 doados, apoiadores recebem contrapartida, como livros, camisetas e até uma cesta com produtos agroecológicos cultivados por agricultores do Vale do Ribeira (essa exclusivamente para apoiadores de São Paulo).
 
Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

 
Como fazer com que as Comissões da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) possam traduzir para realidades com que elas trabalham as Diretrizes Gerais da Igreja no Brasil 2019-2023? Esta foi uma das provocações feita aos participantes do Fórum das Pastorais Sociais da CNBB, reunidos em Brasília (DF) desde 30/07 até o dia 02/08. Ao fim do encontro, a seguinte nota foi emitida:
 
Mensagem do Fórum Nacional das Pastorais Sociais
 
Irmãs e Irmãos, Povo de Deus,
 
Continuemos a trabalhar para construir pontes entre os povos, 
pontes que nos permitam derrubar os muros da exclusão e da exploração. 
Enfrentemos o terror com o amor” 
(Papa Francisco durante 3º Encontro de Diálogo aos Movimentos Sociais, Roma, nov./2016)
 
Escrevemos essa carta para compartilhar nossas dores, angústias, mas também esperanças, que neste momento tão difícil estamos vivendo no Brasil e no mundo inteiro. Sabemos que a vida não está fácil para ninguém, pois: é grande o número de trabalhadores/as desempregados, com suas famílias passando fome e vivendo em situação de rua, sendo assassinados desde as periferias urbanas (principalmente, jovens negros) aos territórios dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais; as mudanças climáticas, alterando radicalmente as condições de vida no planeta; ameaças ao direito à aposentadoria com a proposta de “reforma” da previdência em andamento no Congresso Nacional; dificuldades ao acesso à saúde pública e outros direitos ameaçados com os ataques ao Sistema de Seguridade Social: saúde, assistência social e previdência; cortes ao orçamento das Universidades e Institutos Federais.
 
Além dos sinais de morte citados, nos deparamos ainda com o desrespeito àqueles/as que sacrificaram suas vidas na luta pela justiça e pela democracia durante a ditadura militar; ataques crescentes contra migrantes, refugiados e apátridas; a violência contra as mulheres, principalmente, às negras e minorias. E ainda, o absurdo poder dos bancos que ganham cada vez mais à custa dos altos juros e o ciclo infinito do pagamento da dívida pública.
 
Preocupa-nos: a militarização, que investe mais em armas e equipamentos para as polícias, do que em educação e saúde nos estados e municípios, por exemplo; o desmonte de espaços de controle social e a extinção dos conselhos de políticas públicas, criados por decreto, e revogação da política de participação social, pelo atual governo federal; nossas cidades estão inchadas, negando o direito à cidade, afastando dos centros urbanos os empobrecidos e favorecendo a especulação imobiliária; E ainda, a proposta de emenda à Constituição Federal nº 80/2019, em tramitação no Senado Federal, que propõe a retirada da função social da terra urbana e rural.
 
Pois é, irmãs e irmãos, a vida está ameaçada pela destruição e exploração socioambiental, pela violação dos direitos humanos e sociais elementares da população. Com isso, lembramos o assassinato de lideranças indígenas e da população carcerária, marcadamente as de Manaus/AM e de Altamira/PA. E vocês, acrescentariam quais outros pontos?
 
Neste momento, reunidos no Fórum Nacional das Pastorais Sociais, entre os dias de 30 de julho a 02 de agosto, reafirmamos nosso compromisso batismal com a esperança na superação desses problemas, acreditando na força de Deus - Senhor da História que se manifesta em nossas lutas e unidade, diante de tantas mazelas.
 
Pedimos que nossa teia de compromissos com a vida digna dos mais vulneráveis seja reforçada com nossa prática de uma Igreja em saída, renovada pelo Espírito, através das inspirações do Papa Francisco com os ensinamentos do nosso mestre Jesus Cristo, que assumiu as dores, os sofrimentos e a resistência dos povos oprimidos pelos poderes da sua época. 
 
Assim, nos comprometemos a:
 
- nutrir, desde cada paróquia e comunidade, o compromisso amoroso de somar mais do que dividir, construindo, por meio do diálogo a superação de qualquer manifestação de intolerância e ódio, espaços de convivência e garantia do direito ao Bem Viver nas cidades e no campo, apostando no trabalho de base e com as juventudes; 
- continuar lutando contra a “Reforma” da Previdência social, por uma reforma tributária justa socialmente, pela auditoria da dívida pública, pelos direitos dos povos e da natureza; 
- seguir participando das lutas sociais específicas, organizando a mobilização social para incidência política desde os municípios até o nível nacional. Entre elas, lembramos que no próximo dia 06 de outubro acontecerá eleição de conselheiros/as tutelares, por isso devemos nos empenhar para apoiar e eleger pessoas comprometidas com a defesa e garantia dos direitos consagrados no Estatuto da Criança e Adolescente; 
- apoiar e participar da Marcha de Mulheres Indígenas e Marcha das Margaridas, que serão realizadas em Brasília/DF de 13 a 14 de agosto. 
- dar visibilidade às vulnerabilidades das pessoas: encarceradas, dependentes químicos, com deficiências, com IST/Aids, com doenças raras, em situação de rua e que pertencem a minorias discriminadas; aos povos indígenas e comunidades tradicionais, tais como quilombolas, ribeirinhos e ciganos. 
- apoiar e defender a realização do Sínodo para a Amazônia, acolhendo os “novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, em comunhão com o Papa Francisco, com a Igreja e com os povos originários da Panamazônia.
 
E enfim, queridas irmãs e irmãos, contamos também com seu comprometimento na defesa da vida plena (prática da caridade e dimensão socioambiental da fé cristã) como testemunho e coerência batismal. E encerramos convidando vocês a se unirem ao mutirão de preparação e realização da 6ª Semana Social Brasileira, de 2020 a 2021.
 
Continuemos pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, para que nos ajude a testemunhar com vigor o Evangelho de seu Filho, Jesus Cristo, sendo presença junto aos povos mais vulneráveis e na defesa da vida plena.
 
Dom José Valdeci Santos Mendes 
Bispo de Brejo/MA 
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a 
Ação Sociotransformadora 
Em nome dos/as participantes do Fórum Nacional das Pastorais Sociais
 
CONIC com informações da CNBB
Foto: Reprodução CNBB

 
Na semana passada, diversas organizações da sociedade civil estiveram na sede da ONU, em Nova York, apresentando à instituição os esfacelamentos que se vê, em todo o mundo, nas questões voltadas aos direitos humanos e ambientais. O Brasil esteve presente. E é um país que está sendo alvo de preocupação, sobretudo de janeiro para cá, por causa do desmantelamento das instituições, das políticas socioambientais e culturais. No cenário atual, seguramente o país não conseguirá efetivar seus compromissos em relação aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), as metas sugeridas pela ONU para erradicação da pobreza, pela segurança alimentar, por mais saúde, educação, pela redução das desigualdades e outros itens, cujo prazo termina em 2030.
 
Por conta disso, a sociedade civil brasileira está reunida e produzirá um relatório extenso sobre a situação, parte do qual já foi apresentado em Nova York. A antropóloga e cientista política Iara Pietricovsky, membro do colegiado de gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e atualmente presidenta da articulação internacional Forus, que está presente em 69 países nas sete regiões do mundo e reúne 22 mil ONGs, não estava na reunião mas recebeu notícias do encontro. Segundo ela, Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, expressou preocupação especificamente com o Brasil.
 
Em entrevista ao G1, pelo telefone, ela disse que também está apreensiva e sem esperança: "Se a gente tinha um sonho da construção de um país mais justo social e ambientalmente, este sonho acabou".
 
Qual o seu nível de preocupação com a situação do país hoje?
 
Iara Pietricovsky - Se tínhamos um sonho da construção de um país mais justo social e ambientalmente mais adequado à população desse país, e da posição desse país no mundo, se a gente tinha este sonho, o sonho acabou. Porque essa possibilidade está sendo totalmente destruída por um tipo de visão de mundo que é pequena, restrita, incapaz, não dialoga, não constrói e está voltada para interesses específicos do capital. O governo atual tem obsessão por destruir todo o arcabouço institucional, político, que teria capacidade de enfrentar a desigualdade brasileira, o problema climático, o problema ambiental. O Brasil saiu de um protagonismo em que ele estava disputando narrativas, possibilidades, ainda que com todas as contradições do mundo, para uma condição de submissão ao capital, sem sofisticação nenhuma.
 
O ministro Paulo Guedes deu recentemente uma palestra a empresários em que ele expõe seu plano de governo e pouco se referiu à pobreza. É um modelo viável?
 
Iara Pietricovsky - O modelo de mundo do atual governo é os Estados Unidos. Ele está construindo um país para o 1% da população - que talvez sejamos nós – ou para o 0,1%, que são aqueles totalmente ricos e que não precisam do país para fazer a fortuna deles. Este é o problema. O mito do mercado livre já caiu, não dá para pensar assim!
 
E quanto aos ODS? Você acha que o país tem condições de cumprir as metas até 2030?
 
Iara Pietricovksy - Não, o Brasil não vai olhar para os ODS, não tem a menor possibilidade. Com o teto de gastos, com o corte que o governo está fazendo em todas as políticas sociais, e por causa da própria opção política que o governo está adotando, não há chance.
 
Os ODS são contextos do debate internacional que teriam que estar associados a políticas muito fortes, a um financiamento pesado em tecnologia e a um repensar profundo de toda a política de subsídios a combustíveis fósseis, uma ampliação de financiamento sobre energia limpa, que vem aumentando mas com muita lentidão em relação àquilo que é necessário, do ponto de vista de você produzir de fato uma redução de gases do efeito estufa, de você realmente partir para processos produtivos de baixo carbono.
 
Muitas dessas medidas já vinham sendo desenhadas mas com muita dificuldade exatamente porque contrariavam interesses do capital, tanto do agronegócio quanto do capital financeiro. Com o governo Bolsonaro se desestruturou toda uma construção política de execução dessas transformações para voltarmos a viver um tempo passado, em que o capital possa ter capacidade de acumular mais.
 
Este não é um fenômeno internacional? O que deu errado para a realização do sonho de se ter um mundo mais igualitário, com governos que respeitam os direitos humanos e o meio ambiente?
 
Iara Pietricovksy - Sim, o Brasil não está sozinho. É um fenômeno de construção de uma nova mentalidade global. Acho que as esquerdas erraram.
 
A ONU também erra?
 
Iara Pietricovsky - Erra muito. A ONU ainda é uma instituição importante porque defende o marco civilizatório que a gente tem no mundo ocidental, mas foi capturada pelas grandes corporações. No início do ano 2000, quando a ONU chama para os Objetivos do Milênio (ODM) e ali ela se associa ao Global Compact, (associação de 28 empresas multinacionais) ela perde grande parte de sua autonomia e da sua capacidade de ter autoridade naquilo que ela formula e faz.
 
As empresas se apoderaram do movimento de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) como estratégia de marketing. Mas elas fazem o que o sistema exige delas, não?
 
Iara Pietricovsky - Sim, a RSC virou uma ação paliativa porque, se com uma mão elas fazem algo pelo socioambiental, com a outra mão elas destroem. Desde 1994 eu acompanho a reunião do Banco Mundial e do Fundo Monetário. Naquela época eles nem queriam ver organizações da sociedade civil por perto, mas hoje temos até um espaço, podemos participar. O Banco incorporou a agenda dos ODS integralmente no seu plano, mas quando se pega o portfólio dele, percebe-se que está financiando todas as empresas de mineração, investe pesadamente em programas de combustível fóssil.
 
E o que as empresas de petróleo estão fazendo, por exemplo? Elas estão buscando até a última gota de petróleo do mundo, como forma de acumulação. E parte dessa acumulação está sendo aplicada na transferência tecnológica de energia limpa. Daqui a dez anos elas vão jogar fora tudo, quem se apoiou nisso vai morrer, e elas vão estar com a tecnologia para fazer o que elas têm que fazer. É isto. Tenho um amigo italiano que me falava, nos anos 80: nós vamos viver a última onda de acumulação capitalista é através da natureza.
 
Como assim?
 
Iara Pietricovsky - As grandes corporações estão agora super confortáveis porque elas entraram nos espaços dos estados nacionais. Estes estão capturados por essas corporações nos espaços multilaterais e operam na construção dessas agendas. A agenda ODS é uma agenda palatável ao sistema financeiro mundial. Ela tem um caráter humano porque teve que incorporar uma agenda de direitos depois da fase em que se fazia crítica à como os direitos humanos nasceram (como uma forma de colonização cultural no mundo). Mas as outras fases da ideia de construção do direito humano, onde se define o que é dignidade humana, isto significa uma revolução no modelo produtivo, na compreensão de alteridade. Num mundo estruturado e hierarquizado do jeito que ele está, isso atrapalha.
 
Sendo assim, a sociedade civil é que precisa se mover, se unir para tentar promover mudanças?
 
Iara Pietricovsky - Sim. E este processo de criminalização das organizações que tentam disputar narrativas trazendo essa ideia da humanização dos processos está acontecendo em todas as partes do mundo. O que sobra? Tem uma forma mais tradicional, que é este modelo no qual nós nos organizamos por ONGs progressistas, de defesa de direitos, da democracia. E, do outro lado, as organizações espontâneas mais horizontalizadas. Essa menina sueca de 16 anos, a Greta Thunberg, está produzindo maravilhosamente, ela agora está chamando para uma manifestação mundial a favor do clima, que acho bárbara.
 
Aqui no nosso campo brasileiro, a Marielle é um ícone disso. Então eu acho que é o que pode existir hoje: manifestações que não sejam tomadas pelas fake news, que não sejam manipuladas pelo poder, que não sejam compradas. Ninguém detém a verdade, obviamente. Mas, conseguir se manifestar em prol de afirmação de uma narrativa de campo de direito, de inclusão, de respeito à diversidade, e ainda assim acreditar que você pode compor um planeta sustentável, é esta narrativa contra aquela que diz o seguinte: vocês são a escória do mundo, vocês não contam, o que conta é a nossa capacidade de produzir, de acumular, e dane-se o mundo, dane-se esta água, dane-se o que você come, põe agrotóxico, comam veneno, mas vamos vender. E estão errados, porque não vão vender.
 
Esta é outra questão. Não se está mais em 1972, quando o Brasil, na Conferência de Estocolmo, convidou os países a investirem aqui porque tínhamos natureza para dar e vender. Agora há uma pressão da comunidade internacional em prol da preservação do meio ambiente...
 
Iara Pietricovsky - Isto mesmo. Podem perder com esta atitude. Eu viajo muito para fora e não aguento mais as pessoas me perguntando o que está acontecendo no Brasil.
 
O que está acontecendo no Brasil?
 
Iara Pietricovsky - Na verdade, o Brasil sempre teve isso. Nos últimos trinta, trinta e cinco anos, a partir da abertura política, sendo petista ou não sendo petista, o campo democrático no Brasil teve a chance do sonho. E as forças políticas que jogaram aí, por um tempo foram bem sucedidas, mas não aguentaram o peso de um país que é arcaico, que é patrimonialista, que é escravocrata. Esquecemos, por exemplo, que na ditadura tivemos a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Nós nos esquecemos que uma base da elite brasileira é contra a história de construir uma base social.
 
O escritor e sociólogo Jessé Souza reflete sobre isso...
 
Iara Pietricovsky - Sim, gosto muito das reflexões dele. E ultimamente ele não tem querido nem sofisticar a linguagem. O que, na verdade, estamos vivendo hoje no Brasil, é um autoritarismo autorizado pelas eleições.
 
Fonte: G1
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

 
“Mas Jerusalém, ainda há tempo para a sua salvação.
Lave o mal de seu coração e pare de fazer planos pecaminosos” (Jeremias 4:14)
 
Desde há algum tempo, temos assistido ao desmonte de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários que tem trazido imensos prejuízos, especialmente as pessoas mais vulneráveis em nosso País.
 
Isso por si só já tem sido objeto de preocupação pastoral de nossa Igreja e temos afirmado isso em diversos posicionamentos pastorais na qualidade de Câmara Episcopal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
 
Há, no entanto, fatos novos e ainda mais preocupantes que nos chamam a atenção por seu caráter perverso, insano até, de se estimular a partir da política oficial dos órgãos governamentais, e do próprio Presidente da República em pessoa, a violação do direito à vida, ao meio ambiente e à dignidade intrínseca das pessoas.
 
O assassinato de liderança indígena Emira Waiãpi por ocasião de uma invasão armada à sua aldeia, devido aos interesses de garimpeiros de explorar a área, mostra bem que este governo patrocina, por omissão e ação, um projeto de morte. As pessoas não são prioridades. A prioridade é o lucro e quem se opor a este projeto será eliminada, não interessa se sejam defensores de direitos humanos, indígenas ou quilombolas. O Presidente ainda tem a coragem de levantar dúvidas sobre a autoria do assassinato, inclusive antes que as investigações apontem os responsáveis. E ainda tenta criminalizar os movimentos de defesa dos povos indígenas.
 
Outro fato a se considerar seriamente é a afirmação preocupante do Presidente da República contra o Presidente da OAB, dizendo que um dia explicaria a este último como o pai dele, Fernando Santa Cruz de Oliveira, desapareceu nos porões da ditadura. E ao fazer esta afirmação ao vivo, o fez sem esboçar nenhuma empatia, nenhum respeito à família. Não é a primeira vez que isso é feito, mas é a primeira vez que se afirma conhecer a prática de um crime sem cumprir a sua responsabilidade de servidor público número um da Nação.
 
Isto nos preocupa seriamente porque são atitudes publicamente assumidas por quem deveria ser guardião dos direitos e garantias individuais da Constituição.
 
Em nosso ministério episcopal, trabalhamos com pessoas, com seus sentimentos, esperanças e angústias. Por esta razão, manifestamos nosso repúdio a esse tipo de comportamento que, lamentavelmente é sublinhado por algumas lideranças religiosas que se afirmam como cristãs.
 
Este não é o Cristo que confessamos. O Cristo que afirmamos é aquele que encarnou nossa natureza, nos amou profundamente e deu a sua vida exatamente para que a morte não se tornasse a marca da sociedade. Nosso Deus nos convida a estar do lado das pessoas pobres e exploradas. A vida é o fundamento do reino de Deus. Qualquer regra ou prática que banalize a vida, a natureza e a dignidade de todos os seres, deve ser condenada como obra do Maligno.
 
Conclamamos nosso povo a orar e a vigiar. A testemunhar por palavras e obras o nosso compromisso com o Reino de Deus.
 
Com nossas orações e bênçãos,
Câmara Episcopal
 
  • Bispo Naudal Alves Gomes, Diocese Anglicana do Paraná e Primaz Bispo Maurício Andrade, Diocese Anglicana de Brasília
  • Bispo Renato Raazt, Diocese Anglicana de Pelotas
  • Bispo Francisco de Assis da Silva, Diocese Sul-Ocidental Bispo Humberto Maiztegui, Diocese Meridional
  • Bispo João Câncio Peixoto, Diocese Anglicana de Recife
  • Bispo Eduardo Coelho Grillo, Diocese Anglicana do Rio de Janeiro
  • Bispa Marinez Rosa dos Santos Bassotto, Diocese Anglicana da Amazônia Bispo Clóvis Erly Rodrigues, Emérito
  • Bispo Almir dos Santos, Emérito Bispo Celso Franco, Emérito
  • Bispo Jubal Pereira Neves, Emérito Bispo Orlando Oliveira, Emérito Bispo Filadelfo de Oliveira, Emérito Bispo Saulo de Barros, Emérito

 

 
Escavações realizadas numa sinagoga da aldeia de Huqoq, na Galileia (Israel), revelaram um mosaico tríptico bíblico de 1.600 anos, que narra a história da cidade Elim, onde os exilados judeus do Egito buscam refúgio em acampamentos durante o período de sufoco. A escavação foi coordenada por Jodi Magness, professora da Universidade da Carolina do Norte. É a primeira obra de arte judaica encontrada que retrata o episódio.
 
A descoberta faz parte de um projeto de nove anos em que alunos da Universidade escavam e analisam a sinagoga romana com o objetivo de esclarecer detalhes sobre o período. Desde o início, foram encontrados mosaicos representando a passagem de Noé, da Torre de Babel, da abertura do Mar Vermelho e mais uma sinagoga.
 
O mosaico descoberto retrata a passagem de Êxodo 15:27, onde é descrito o acampamento dos exilados após a exaustiva viagem pelo deserto. Um dos três painéis  mostra uma série de poços e tamareiras.
 
Além das representações imagéticas divididas em três setores, o painel também traz trechos que apontam a passagem sobre a qual se fala “E eles vieram a Elim”. A descoberta é interessante - a passagem em questão é considerada pequena no Arco Narrativo do Êxodo.
 
A plenitude e a conservação dos artefatos encontrados em Huqoq indicam que a vida social dos judeus pôde florescer sob o domínio cristão da Antiguidade Tardia, o que vai de contramão com o consenso acadêmico sobre o tema. A arqueologia está ocupando uma lacuna que a heurística dos documentos escritos deixa sobre a História da região.
 
Foto: Reprodução

 
O Cimi recebe com imensa preocupação e pesar as notícias de ataque de garimpeiros e assassinato de uma liderança do povo Wajãpi, no estado do Amapá.
 
Os discursos de ódio e agressão do presidente Bolsonaro e demais representantes de seu governo servem de combustível e estimulam a invasão, o esbulho territorial e ações violentas contra os povos indígenas em nosso país.
 
Esperamos que os órgãos e autoridades públicas tomem medidas urgentes, estruturantes e isentas politicamente para identificar e punir, na forma da lei, os responsáveis pelo ataque aos Wajãpi. Esperamos também que o governo Bolsonaro adote medidas amplas de combate à invasão e esbulho possessório das terras indígenas no país.
 
Por fim, o Cimi exige que o presidente Bolsonaro respeite a Constituição Brasileira e pare imediatamente de fazer discursos preconceituosos, racistas e atentatórios contra os povos originários e seus direitos em nosso país.
 
Respeite os povos indígenas, presidente Bolsonaro.
 
Conselho Indigenista Missionário – Cimi
 
Fonte: Cimi
Foto: Rede de Cooperação Amazônica (RCA)