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Com o lema “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”, Brasília vai receber nos dias 13 e 14 de agosto mais uma edição das Marcha das Margaridas. O evento é a maior ação organizada na América Latina por mulheres do campo, da floresta e das águas.
 
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), idealizadora da ação, tem realizado oficinas com as mulheres do campo e organizações parceiras. O evento contará com 10 eixos de diálogo, como soberania alimentar e energética, trabalho, renda e autonomia econômica.
 
Mazé Moraes, coordenadora da marcha, destacou ainda a luta pela conservação da sócio-biodiversidade e o combate à violência contra a mulher. “Esses são alguns dos temas importantes, ainda mais nesse momento que vivenciamos em que corremos risco de perder os bens comuns, como a nossa água nossa terra”, disse ao repórter Uélson Kalinovski, da TVT.
 
A marcha reúne, a cada quatro anos, trabalhadoras rurais de todo o país nas ruas da capital federal para denunciar retrocessos e reivindicar direitos. Para a edição 2019, são esperadas aproximadamente 100 mil mulheres. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, a “reforma” da Previdência, será um dos principais temas levantados durante a marcha.
 
“A Contag segue mobilizada com as suas estratégias. O debate no Congresso ainda não finalizou, então nossos estados e os municípios seguem fazendo audiências públicas. A análise geral é de que a reforma em tramitação ainda continua muito perversa e prejudicial a toda a classe trabalhadora”, afirmou Edjane Rodrigues, da Secretaria de Políticas Sociais.
 
Para o presidente da Contag, Aristides Santos, são mobilizações como a marcha que fazem a diferença na luta. Ele citou a manutenção das regras atuais de aposentadoria para trabalhadores do campo como exemplo. “É fruto dessa mobilização que nós conseguimos manter as regras gerais para os trabalhadores rurais. A idade para aposentadoria e o tempo de contribuição ficaram mantidas para os rurais, além de barrarmos outras propostas do governo”, acrescentou.
 
A Marcha das Margaridas é realizada desde 2000 e acontece sempre em Brasília, no dia 12 de agosto ou em períodos próximos da data, que marca a morte da trabalhadora rural e líder sindicalista Margarida Maria Alves. Ela foi assassinada em 1983 quando lutava pelos direitos dos trabalhadores na Paraíba. A primeira edição, em 2000, reuniu cerca de 20 mil agricultoras, quilombolas, indígenas, pescadoras e extrativistas.
 
A edição da Marcha das Margaridas deste ano recebeu pela primeira vez financiamento coletivo para “captar recursos complementares”, segundo a (Contag). Para as militantes de São Paulo, doações estão sendo captadas pela plataforma Benfeitoria. A meta é arrecadar um total de 24 mil reais. A cada R$ 20 doados, apoiadores recebem contrapartida, como livros, camisetas e até uma cesta com produtos agroecológicos cultivados por agricultores do Vale do Ribeira (essa exclusivamente para apoiadores de São Paulo).
 
Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

 
Como fazer com que as Comissões da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) possam traduzir para realidades com que elas trabalham as Diretrizes Gerais da Igreja no Brasil 2019-2023? Esta foi uma das provocações feita aos participantes do Fórum das Pastorais Sociais da CNBB, reunidos em Brasília (DF) desde 30/07 até o dia 02/08. Ao fim do encontro, a seguinte nota foi emitida:
 
Mensagem do Fórum Nacional das Pastorais Sociais
 
Irmãs e Irmãos, Povo de Deus,
 
Continuemos a trabalhar para construir pontes entre os povos, 
pontes que nos permitam derrubar os muros da exclusão e da exploração. 
Enfrentemos o terror com o amor” 
(Papa Francisco durante 3º Encontro de Diálogo aos Movimentos Sociais, Roma, nov./2016)
 
Escrevemos essa carta para compartilhar nossas dores, angústias, mas também esperanças, que neste momento tão difícil estamos vivendo no Brasil e no mundo inteiro. Sabemos que a vida não está fácil para ninguém, pois: é grande o número de trabalhadores/as desempregados, com suas famílias passando fome e vivendo em situação de rua, sendo assassinados desde as periferias urbanas (principalmente, jovens negros) aos territórios dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais; as mudanças climáticas, alterando radicalmente as condições de vida no planeta; ameaças ao direito à aposentadoria com a proposta de “reforma” da previdência em andamento no Congresso Nacional; dificuldades ao acesso à saúde pública e outros direitos ameaçados com os ataques ao Sistema de Seguridade Social: saúde, assistência social e previdência; cortes ao orçamento das Universidades e Institutos Federais.
 
Além dos sinais de morte citados, nos deparamos ainda com o desrespeito àqueles/as que sacrificaram suas vidas na luta pela justiça e pela democracia durante a ditadura militar; ataques crescentes contra migrantes, refugiados e apátridas; a violência contra as mulheres, principalmente, às negras e minorias. E ainda, o absurdo poder dos bancos que ganham cada vez mais à custa dos altos juros e o ciclo infinito do pagamento da dívida pública.
 
Preocupa-nos: a militarização, que investe mais em armas e equipamentos para as polícias, do que em educação e saúde nos estados e municípios, por exemplo; o desmonte de espaços de controle social e a extinção dos conselhos de políticas públicas, criados por decreto, e revogação da política de participação social, pelo atual governo federal; nossas cidades estão inchadas, negando o direito à cidade, afastando dos centros urbanos os empobrecidos e favorecendo a especulação imobiliária; E ainda, a proposta de emenda à Constituição Federal nº 80/2019, em tramitação no Senado Federal, que propõe a retirada da função social da terra urbana e rural.
 
Pois é, irmãs e irmãos, a vida está ameaçada pela destruição e exploração socioambiental, pela violação dos direitos humanos e sociais elementares da população. Com isso, lembramos o assassinato de lideranças indígenas e da população carcerária, marcadamente as de Manaus/AM e de Altamira/PA. E vocês, acrescentariam quais outros pontos?
 
Neste momento, reunidos no Fórum Nacional das Pastorais Sociais, entre os dias de 30 de julho a 02 de agosto, reafirmamos nosso compromisso batismal com a esperança na superação desses problemas, acreditando na força de Deus - Senhor da História que se manifesta em nossas lutas e unidade, diante de tantas mazelas.
 
Pedimos que nossa teia de compromissos com a vida digna dos mais vulneráveis seja reforçada com nossa prática de uma Igreja em saída, renovada pelo Espírito, através das inspirações do Papa Francisco com os ensinamentos do nosso mestre Jesus Cristo, que assumiu as dores, os sofrimentos e a resistência dos povos oprimidos pelos poderes da sua época. 
 
Assim, nos comprometemos a:
 
- nutrir, desde cada paróquia e comunidade, o compromisso amoroso de somar mais do que dividir, construindo, por meio do diálogo a superação de qualquer manifestação de intolerância e ódio, espaços de convivência e garantia do direito ao Bem Viver nas cidades e no campo, apostando no trabalho de base e com as juventudes; 
- continuar lutando contra a “Reforma” da Previdência social, por uma reforma tributária justa socialmente, pela auditoria da dívida pública, pelos direitos dos povos e da natureza; 
- seguir participando das lutas sociais específicas, organizando a mobilização social para incidência política desde os municípios até o nível nacional. Entre elas, lembramos que no próximo dia 06 de outubro acontecerá eleição de conselheiros/as tutelares, por isso devemos nos empenhar para apoiar e eleger pessoas comprometidas com a defesa e garantia dos direitos consagrados no Estatuto da Criança e Adolescente; 
- apoiar e participar da Marcha de Mulheres Indígenas e Marcha das Margaridas, que serão realizadas em Brasília/DF de 13 a 14 de agosto. 
- dar visibilidade às vulnerabilidades das pessoas: encarceradas, dependentes químicos, com deficiências, com IST/Aids, com doenças raras, em situação de rua e que pertencem a minorias discriminadas; aos povos indígenas e comunidades tradicionais, tais como quilombolas, ribeirinhos e ciganos. 
- apoiar e defender a realização do Sínodo para a Amazônia, acolhendo os “novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, em comunhão com o Papa Francisco, com a Igreja e com os povos originários da Panamazônia.
 
E enfim, queridas irmãs e irmãos, contamos também com seu comprometimento na defesa da vida plena (prática da caridade e dimensão socioambiental da fé cristã) como testemunho e coerência batismal. E encerramos convidando vocês a se unirem ao mutirão de preparação e realização da 6ª Semana Social Brasileira, de 2020 a 2021.
 
Continuemos pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, para que nos ajude a testemunhar com vigor o Evangelho de seu Filho, Jesus Cristo, sendo presença junto aos povos mais vulneráveis e na defesa da vida plena.
 
Dom José Valdeci Santos Mendes 
Bispo de Brejo/MA 
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a 
Ação Sociotransformadora 
Em nome dos/as participantes do Fórum Nacional das Pastorais Sociais
 
CONIC com informações da CNBB
Foto: Reprodução CNBB

 
Na semana passada, diversas organizações da sociedade civil estiveram na sede da ONU, em Nova York, apresentando à instituição os esfacelamentos que se vê, em todo o mundo, nas questões voltadas aos direitos humanos e ambientais. O Brasil esteve presente. E é um país que está sendo alvo de preocupação, sobretudo de janeiro para cá, por causa do desmantelamento das instituições, das políticas socioambientais e culturais. No cenário atual, seguramente o país não conseguirá efetivar seus compromissos em relação aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), as metas sugeridas pela ONU para erradicação da pobreza, pela segurança alimentar, por mais saúde, educação, pela redução das desigualdades e outros itens, cujo prazo termina em 2030.
 
Por conta disso, a sociedade civil brasileira está reunida e produzirá um relatório extenso sobre a situação, parte do qual já foi apresentado em Nova York. A antropóloga e cientista política Iara Pietricovsky, membro do colegiado de gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e atualmente presidenta da articulação internacional Forus, que está presente em 69 países nas sete regiões do mundo e reúne 22 mil ONGs, não estava na reunião mas recebeu notícias do encontro. Segundo ela, Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, expressou preocupação especificamente com o Brasil.
 
Em entrevista ao G1, pelo telefone, ela disse que também está apreensiva e sem esperança: "Se a gente tinha um sonho da construção de um país mais justo social e ambientalmente, este sonho acabou".
 
Qual o seu nível de preocupação com a situação do país hoje?
 
Iara Pietricovsky - Se tínhamos um sonho da construção de um país mais justo social e ambientalmente mais adequado à população desse país, e da posição desse país no mundo, se a gente tinha este sonho, o sonho acabou. Porque essa possibilidade está sendo totalmente destruída por um tipo de visão de mundo que é pequena, restrita, incapaz, não dialoga, não constrói e está voltada para interesses específicos do capital. O governo atual tem obsessão por destruir todo o arcabouço institucional, político, que teria capacidade de enfrentar a desigualdade brasileira, o problema climático, o problema ambiental. O Brasil saiu de um protagonismo em que ele estava disputando narrativas, possibilidades, ainda que com todas as contradições do mundo, para uma condição de submissão ao capital, sem sofisticação nenhuma.
 
O ministro Paulo Guedes deu recentemente uma palestra a empresários em que ele expõe seu plano de governo e pouco se referiu à pobreza. É um modelo viável?
 
Iara Pietricovsky - O modelo de mundo do atual governo é os Estados Unidos. Ele está construindo um país para o 1% da população - que talvez sejamos nós – ou para o 0,1%, que são aqueles totalmente ricos e que não precisam do país para fazer a fortuna deles. Este é o problema. O mito do mercado livre já caiu, não dá para pensar assim!
 
E quanto aos ODS? Você acha que o país tem condições de cumprir as metas até 2030?
 
Iara Pietricovksy - Não, o Brasil não vai olhar para os ODS, não tem a menor possibilidade. Com o teto de gastos, com o corte que o governo está fazendo em todas as políticas sociais, e por causa da própria opção política que o governo está adotando, não há chance.
 
Os ODS são contextos do debate internacional que teriam que estar associados a políticas muito fortes, a um financiamento pesado em tecnologia e a um repensar profundo de toda a política de subsídios a combustíveis fósseis, uma ampliação de financiamento sobre energia limpa, que vem aumentando mas com muita lentidão em relação àquilo que é necessário, do ponto de vista de você produzir de fato uma redução de gases do efeito estufa, de você realmente partir para processos produtivos de baixo carbono.
 
Muitas dessas medidas já vinham sendo desenhadas mas com muita dificuldade exatamente porque contrariavam interesses do capital, tanto do agronegócio quanto do capital financeiro. Com o governo Bolsonaro se desestruturou toda uma construção política de execução dessas transformações para voltarmos a viver um tempo passado, em que o capital possa ter capacidade de acumular mais.
 
Este não é um fenômeno internacional? O que deu errado para a realização do sonho de se ter um mundo mais igualitário, com governos que respeitam os direitos humanos e o meio ambiente?
 
Iara Pietricovksy - Sim, o Brasil não está sozinho. É um fenômeno de construção de uma nova mentalidade global. Acho que as esquerdas erraram.
 
A ONU também erra?
 
Iara Pietricovsky - Erra muito. A ONU ainda é uma instituição importante porque defende o marco civilizatório que a gente tem no mundo ocidental, mas foi capturada pelas grandes corporações. No início do ano 2000, quando a ONU chama para os Objetivos do Milênio (ODM) e ali ela se associa ao Global Compact, (associação de 28 empresas multinacionais) ela perde grande parte de sua autonomia e da sua capacidade de ter autoridade naquilo que ela formula e faz.
 
As empresas se apoderaram do movimento de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) como estratégia de marketing. Mas elas fazem o que o sistema exige delas, não?
 
Iara Pietricovsky - Sim, a RSC virou uma ação paliativa porque, se com uma mão elas fazem algo pelo socioambiental, com a outra mão elas destroem. Desde 1994 eu acompanho a reunião do Banco Mundial e do Fundo Monetário. Naquela época eles nem queriam ver organizações da sociedade civil por perto, mas hoje temos até um espaço, podemos participar. O Banco incorporou a agenda dos ODS integralmente no seu plano, mas quando se pega o portfólio dele, percebe-se que está financiando todas as empresas de mineração, investe pesadamente em programas de combustível fóssil.
 
E o que as empresas de petróleo estão fazendo, por exemplo? Elas estão buscando até a última gota de petróleo do mundo, como forma de acumulação. E parte dessa acumulação está sendo aplicada na transferência tecnológica de energia limpa. Daqui a dez anos elas vão jogar fora tudo, quem se apoiou nisso vai morrer, e elas vão estar com a tecnologia para fazer o que elas têm que fazer. É isto. Tenho um amigo italiano que me falava, nos anos 80: nós vamos viver a última onda de acumulação capitalista é através da natureza.
 
Como assim?
 
Iara Pietricovsky - As grandes corporações estão agora super confortáveis porque elas entraram nos espaços dos estados nacionais. Estes estão capturados por essas corporações nos espaços multilaterais e operam na construção dessas agendas. A agenda ODS é uma agenda palatável ao sistema financeiro mundial. Ela tem um caráter humano porque teve que incorporar uma agenda de direitos depois da fase em que se fazia crítica à como os direitos humanos nasceram (como uma forma de colonização cultural no mundo). Mas as outras fases da ideia de construção do direito humano, onde se define o que é dignidade humana, isto significa uma revolução no modelo produtivo, na compreensão de alteridade. Num mundo estruturado e hierarquizado do jeito que ele está, isso atrapalha.
 
Sendo assim, a sociedade civil é que precisa se mover, se unir para tentar promover mudanças?
 
Iara Pietricovsky - Sim. E este processo de criminalização das organizações que tentam disputar narrativas trazendo essa ideia da humanização dos processos está acontecendo em todas as partes do mundo. O que sobra? Tem uma forma mais tradicional, que é este modelo no qual nós nos organizamos por ONGs progressistas, de defesa de direitos, da democracia. E, do outro lado, as organizações espontâneas mais horizontalizadas. Essa menina sueca de 16 anos, a Greta Thunberg, está produzindo maravilhosamente, ela agora está chamando para uma manifestação mundial a favor do clima, que acho bárbara.
 
Aqui no nosso campo brasileiro, a Marielle é um ícone disso. Então eu acho que é o que pode existir hoje: manifestações que não sejam tomadas pelas fake news, que não sejam manipuladas pelo poder, que não sejam compradas. Ninguém detém a verdade, obviamente. Mas, conseguir se manifestar em prol de afirmação de uma narrativa de campo de direito, de inclusão, de respeito à diversidade, e ainda assim acreditar que você pode compor um planeta sustentável, é esta narrativa contra aquela que diz o seguinte: vocês são a escória do mundo, vocês não contam, o que conta é a nossa capacidade de produzir, de acumular, e dane-se o mundo, dane-se esta água, dane-se o que você come, põe agrotóxico, comam veneno, mas vamos vender. E estão errados, porque não vão vender.
 
Esta é outra questão. Não se está mais em 1972, quando o Brasil, na Conferência de Estocolmo, convidou os países a investirem aqui porque tínhamos natureza para dar e vender. Agora há uma pressão da comunidade internacional em prol da preservação do meio ambiente...
 
Iara Pietricovsky - Isto mesmo. Podem perder com esta atitude. Eu viajo muito para fora e não aguento mais as pessoas me perguntando o que está acontecendo no Brasil.
 
O que está acontecendo no Brasil?
 
Iara Pietricovsky - Na verdade, o Brasil sempre teve isso. Nos últimos trinta, trinta e cinco anos, a partir da abertura política, sendo petista ou não sendo petista, o campo democrático no Brasil teve a chance do sonho. E as forças políticas que jogaram aí, por um tempo foram bem sucedidas, mas não aguentaram o peso de um país que é arcaico, que é patrimonialista, que é escravocrata. Esquecemos, por exemplo, que na ditadura tivemos a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Nós nos esquecemos que uma base da elite brasileira é contra a história de construir uma base social.
 
O escritor e sociólogo Jessé Souza reflete sobre isso...
 
Iara Pietricovsky - Sim, gosto muito das reflexões dele. E ultimamente ele não tem querido nem sofisticar a linguagem. O que, na verdade, estamos vivendo hoje no Brasil, é um autoritarismo autorizado pelas eleições.
 
Fonte: G1
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

 
“Mas Jerusalém, ainda há tempo para a sua salvação.
Lave o mal de seu coração e pare de fazer planos pecaminosos” (Jeremias 4:14)
 
Desde há algum tempo, temos assistido ao desmonte de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários que tem trazido imensos prejuízos, especialmente as pessoas mais vulneráveis em nosso País.
 
Isso por si só já tem sido objeto de preocupação pastoral de nossa Igreja e temos afirmado isso em diversos posicionamentos pastorais na qualidade de Câmara Episcopal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
 
Há, no entanto, fatos novos e ainda mais preocupantes que nos chamam a atenção por seu caráter perverso, insano até, de se estimular a partir da política oficial dos órgãos governamentais, e do próprio Presidente da República em pessoa, a violação do direito à vida, ao meio ambiente e à dignidade intrínseca das pessoas.
 
O assassinato de liderança indígena Emira Waiãpi por ocasião de uma invasão armada à sua aldeia, devido aos interesses de garimpeiros de explorar a área, mostra bem que este governo patrocina, por omissão e ação, um projeto de morte. As pessoas não são prioridades. A prioridade é o lucro e quem se opor a este projeto será eliminada, não interessa se sejam defensores de direitos humanos, indígenas ou quilombolas. O Presidente ainda tem a coragem de levantar dúvidas sobre a autoria do assassinato, inclusive antes que as investigações apontem os responsáveis. E ainda tenta criminalizar os movimentos de defesa dos povos indígenas.
 
Outro fato a se considerar seriamente é a afirmação preocupante do Presidente da República contra o Presidente da OAB, dizendo que um dia explicaria a este último como o pai dele, Fernando Santa Cruz de Oliveira, desapareceu nos porões da ditadura. E ao fazer esta afirmação ao vivo, o fez sem esboçar nenhuma empatia, nenhum respeito à família. Não é a primeira vez que isso é feito, mas é a primeira vez que se afirma conhecer a prática de um crime sem cumprir a sua responsabilidade de servidor público número um da Nação.
 
Isto nos preocupa seriamente porque são atitudes publicamente assumidas por quem deveria ser guardião dos direitos e garantias individuais da Constituição.
 
Em nosso ministério episcopal, trabalhamos com pessoas, com seus sentimentos, esperanças e angústias. Por esta razão, manifestamos nosso repúdio a esse tipo de comportamento que, lamentavelmente é sublinhado por algumas lideranças religiosas que se afirmam como cristãs.
 
Este não é o Cristo que confessamos. O Cristo que afirmamos é aquele que encarnou nossa natureza, nos amou profundamente e deu a sua vida exatamente para que a morte não se tornasse a marca da sociedade. Nosso Deus nos convida a estar do lado das pessoas pobres e exploradas. A vida é o fundamento do reino de Deus. Qualquer regra ou prática que banalize a vida, a natureza e a dignidade de todos os seres, deve ser condenada como obra do Maligno.
 
Conclamamos nosso povo a orar e a vigiar. A testemunhar por palavras e obras o nosso compromisso com o Reino de Deus.
 
Com nossas orações e bênçãos,
Câmara Episcopal
 
  • Bispo Naudal Alves Gomes, Diocese Anglicana do Paraná e Primaz Bispo Maurício Andrade, Diocese Anglicana de Brasília
  • Bispo Renato Raazt, Diocese Anglicana de Pelotas
  • Bispo Francisco de Assis da Silva, Diocese Sul-Ocidental Bispo Humberto Maiztegui, Diocese Meridional
  • Bispo João Câncio Peixoto, Diocese Anglicana de Recife
  • Bispo Eduardo Coelho Grillo, Diocese Anglicana do Rio de Janeiro
  • Bispa Marinez Rosa dos Santos Bassotto, Diocese Anglicana da Amazônia Bispo Clóvis Erly Rodrigues, Emérito
  • Bispo Almir dos Santos, Emérito Bispo Celso Franco, Emérito
  • Bispo Jubal Pereira Neves, Emérito Bispo Orlando Oliveira, Emérito Bispo Filadelfo de Oliveira, Emérito Bispo Saulo de Barros, Emérito

 

 
Escavações realizadas numa sinagoga da aldeia de Huqoq, na Galileia (Israel), revelaram um mosaico tríptico bíblico de 1.600 anos, que narra a história da cidade Elim, onde os exilados judeus do Egito buscam refúgio em acampamentos durante o período de sufoco. A escavação foi coordenada por Jodi Magness, professora da Universidade da Carolina do Norte. É a primeira obra de arte judaica encontrada que retrata o episódio.
 
A descoberta faz parte de um projeto de nove anos em que alunos da Universidade escavam e analisam a sinagoga romana com o objetivo de esclarecer detalhes sobre o período. Desde o início, foram encontrados mosaicos representando a passagem de Noé, da Torre de Babel, da abertura do Mar Vermelho e mais uma sinagoga.
 
O mosaico descoberto retrata a passagem de Êxodo 15:27, onde é descrito o acampamento dos exilados após a exaustiva viagem pelo deserto. Um dos três painéis  mostra uma série de poços e tamareiras.
 
Além das representações imagéticas divididas em três setores, o painel também traz trechos que apontam a passagem sobre a qual se fala “E eles vieram a Elim”. A descoberta é interessante - a passagem em questão é considerada pequena no Arco Narrativo do Êxodo.
 
A plenitude e a conservação dos artefatos encontrados em Huqoq indicam que a vida social dos judeus pôde florescer sob o domínio cristão da Antiguidade Tardia, o que vai de contramão com o consenso acadêmico sobre o tema. A arqueologia está ocupando uma lacuna que a heurística dos documentos escritos deixa sobre a História da região.
 
Foto: Reprodução

 
O Cimi recebe com imensa preocupação e pesar as notícias de ataque de garimpeiros e assassinato de uma liderança do povo Wajãpi, no estado do Amapá.
 
Os discursos de ódio e agressão do presidente Bolsonaro e demais representantes de seu governo servem de combustível e estimulam a invasão, o esbulho territorial e ações violentas contra os povos indígenas em nosso país.
 
Esperamos que os órgãos e autoridades públicas tomem medidas urgentes, estruturantes e isentas politicamente para identificar e punir, na forma da lei, os responsáveis pelo ataque aos Wajãpi. Esperamos também que o governo Bolsonaro adote medidas amplas de combate à invasão e esbulho possessório das terras indígenas no país.
 
Por fim, o Cimi exige que o presidente Bolsonaro respeite a Constituição Brasileira e pare imediatamente de fazer discursos preconceituosos, racistas e atentatórios contra os povos originários e seus direitos em nosso país.
 
Respeite os povos indígenas, presidente Bolsonaro.
 
Conselho Indigenista Missionário – Cimi
 
Fonte: Cimi
Foto: Rede de Cooperação Amazônica (RCA)

 
Salvador-BA sediará, entre os dias 9 e 11 de agosto, o II Encontro de Mulheres Negras Cristãs. O evento tem a finalidade de reunir e fortalecer a Rede de Mulheres Negras Evangélicas, criada em 2018.
 
Com a iniciativa - que conta com a sua ajuda para ser realizado -, os organizadores pretendem articular ações e fomentar a mobilização das mulheres negras evangélicas em todo Brasil para o engajamento antirracista, antissexista e a promoção da justiça social para as mulheres negras.
 
Contextualização
 
Desde 2016, o Brasil tem sofrido com significativos retrocessos de direitos sociais que afetam agudamente a vida das mulheres negras em todo país, base de nossa pirâmide social e econômica. A ampliação de práticas sociais baseadas no discurso de ódio, da intolerância e hostilidade às diferenças fragiliza ainda mais nossas relações democráticas.
 
Como mulheres negras evangélicas comprometidas com a luta antirracista e antissexista em contexto religioso, a rede está preocupada com os efeitos do protagonismo negativo e omisso de expressiva parcela do segmento evangélico diante das restrições e perdas de direitos sociais que afetam de modo estrutural a população negra, e de modo mais perverso as mulheres negras.
 
Por isso, através de o compromisso de fé com a justiça social, encontro é proposto para o fortalecimento da recém-criada Rede de Mulheres Negras Evangélicas, de modo que esta possa se consolidar, fortalecendo ações territoriais relevantes de defesa e fortalecimento da democracia.
 
QUANDO: 9 a 11 de agosto de 2019
ONDE: Salvador-BA
 
Clique aqui para saber mais.

 
Uma portaria publicada nesta sexta-feira, 26, e assinada pelo Ministro da Justiça, Sergio Moro, estabeleceu a possibilidade de deportação sumária de migrantes com base na suspeita de que a pessoa seja perigosa para a segurança do país por suposto envolvimento em terrorismo, organização criminosa ou tráfico de drogas, entre outros.
 
A medida ainda prevê critérios para repatriação e para impedimento de entrada no Brasil, além da possibilidade de reduzir ou cancelar o prazo de estada — o que pode afetar migrantes vivendo regularmente no país.
 
Contrária à nova Lei de Migração, que estabelece o direito à defesa, a portaria MJ 666/19 concede poderes à polícia federal para decisões arbitrárias. O documento estabelece um prazo de apenas 48 horas para que uma pessoa notificada apresente sua defesa ou deixe voluntariamente o país, impedindo que exista uma análise adequada de sua situação. Esse procedimento desrespeita compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
 
“Diante de uma acusação, qualquer pessoa, seja brasileiro ou migrante, tem o direito de apresentar sua defesa perante um juiz. Na prática, o que esta portaria faz é restringir este direito, estabelecendo um prazo curto para que o migrante constitua e apresente sua defesa”, afirmou Camila Asano, coordenadora de programas da Conectas Direitos Humanos.
 
Segundo Asano, há sérias dúvidas sobre a possibilidade de um tema tão delicado ser regulamentado por uma portaria ministerial, sobretudo diante da existência de leis e decretos superiores.
 
“O devido processo é um preceito constitucional e uma conquista da nova Lei de Migração. O que o ministro Moro faz é uma volta ao passado ao delegar poderes de juiz ao oficial de migração para decidir sobre o futuro de uma pessoa com base em suspeitas. Esta medida causa receio na comunidade de migrantes vivendo no país, diante de tamanha insegurança jurídica causada”, complementa.
 
Outro ponto preocupante da portaria é impor sigilo antecipado sobre todos os processos sob o argumento de preservar informações sigilosas e investigações internacionais, contrariando a Lei de Acesso à Informação (12.525/2011) e criando entraves para a transparência e análise de atos do governo pela sociedade civil.
 
“Essa previsão de sigilo enseja preocupações sobre se o deportando e sua defesa terão acesso a todas as acusações e informações do processo para se defender”, finaliza Asano.
 
Fonte: Conectas
Foto: Reprodução

 
Entre os dias 15 e 19 de junho, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) recebeu na sua sede, em Salvador (BA), representantes das suas igrejas-membro, representações da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e pessoas parceiras da agência holandesa Gansos Selvagens para a Oficina de Formação em Mobilização de Recursos Locais. Em parceria com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), o curso teve como objetivo sensibilizar e mobilizar comunidades religiosas a atuar de forma articulada nos processos de mobilização de recursos locais como estratégia para a sustentabilidade institucional.
 
Formado por pessoas de diversos lugares do Brasil e de distintos contextos de atuação, o curso contou com uma roda de conversa sobre a conjuntura política e a sustentabilidade das igrejas, exposição dialogada sobre comunicação para mobilização de recursos, redes e planejamento, além de atividades práticas e momentos de trabalho em grupo.
 
Para Adriano Araujo, da Igreja Católica e representante do Fórum Grita Baixada (RJ), a mobilização de recursos para igrejas e movimentos sociais é de extrema importância, não só porque contribui para sustentabilidade, mas por ser um processo pedagógico de comprometimento e envolvimento dos participantes: “As pessoas se sentem corresponsáveis ao contribuírem para a sustentabilidade dos movimentos sociais e das próprias igrejas. Conseguimos aprender, nos capacitar e levar esse conhecimento para nossas organizações.”.
 
Já para a pastora Célia Gil Pereira, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana (BA), o curso ampliou a visão sobre a possibilidade de angariar parcerias localmente: “Como comunidade religiosa não estamos separada do bairro e das necessidades que ele tem. É importante que a gente tenha a percepção de há pessoas com interesses em comum que podem contribuir com a nossa causa, com aquilo que a gente defende e acredita.”. Com esta mesma reflexão, Patrícia Araújo, da Igreja Presbiteriana Unida de Itapagipe (BA), completa que as ações de mobilização realizadas no local onde atua torna a congregação mais conhecida: “Através do bazar, da feijoada e de outros eventos a igreja passa a ser reconhecida na comunidade pelo o que somos e fazemos.”.
 
A metodologia aplicada na formação garantiu que as/os participantes pudessem ter a liberdade para manifestação das particularidades de cada comunidade de fé, além de incentivar a troca de vivências entre as igrejas representadas e organizações convidadas: “Foram momentos de muito diálogo e troca de experiências”, afirmou Dilce Regina Oliveira, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (Novo Hamburgo – RS).
 
No encerramento do encontro, a diretora executiva da CESE, Sônia Mota, agradeceu a parceria do CONIC, a participação dos presentes e se mostrou satisfeita com a avaliação do curso: “É a nossa primeira experiência de formação em mobilização de recursos com o público das igrejas. Ouvir esse feedback positivo é muito importante para continuar apostando nessas iniciativas.” E completou: “Ações de formação têm potencial de mobilização de recursos para a CESE também. Caso haja interesse em levar esse curso para a cidade de vocês, estamos à disposição para realização de parcerias.”
 
A Oficina faz parte do programa Virando o Jogo, ministrado no Brasil pela CESE, parceira da organização Gansos Selvagens (agência de Cooperação holandesa). A formação para este público foi composta por uma fase presencial de cinco dias, incluindo aprendizagem combinada on-line, através do Portal Virando o Jogo, além do acompanhamento de trabalho individual à distância pós-curso.
 
Fonte: CESE
Foto: Reprodução

 
Nas belas montanhas da Pensilvânia, um grupo de cristãos leva uma vida simples, sem automóveis, eletricidade ou máquinas modernas. São trabalhadores e levam uma vida pacífica e tranquila, separados do mundo. A maior parte do alimento que consomem provém do cultivo em suas próprias fazendas. Eles são conhecidos como o povo Amish.
 
Um motorista de caminhão de leite, de 32 anos, morava com sua família na comunidade de Nickel Mines. Ele não era Amish, mas sua rota de trabalho passava por muitas fazendas leiteiras Amish. Em outubro de 2006, ele subitamente perdeu toda a razão e controle. Em sua mente atormentada, culpou a Deus pela morte de seu primeiro filho e por algumas lembranças incertas. Invadiu uma escola Amish sem qualquer provocação, libertou os meninos e os adultos, e amarrou as 10 meninas. Atirou nelas, matando cinco e ferindo cinco. Depois, tirou a própria vida.
 
Essa violência chocante causou grande angústia entre os Amish, mas não raiva. Houve dor, mas não ódio. Seu perdão foi imediato. Coletivamente, eles começaram a procurar ajudar a família aflita do leiteiro. Quando a família do leiteiro se reuniu em casa no dia seguinte à tragédia, um vizinho Amish se aproximou, abraçou o pai do atirador morto e disse: “Perdoamos vocês”. Os líderes Amish visitaram a esposa e os filhos do leiteiro e expressaram seu pesar e perdão, e ofereceram ajuda e amor. Quase metade dos presentes no funeral do leiteiro eram Amish. Por sua vez, os Amish convidaram a família do leiteiro para assistir ao funeral das meninas que foram mortas. Uma extraordinária paz se espalhou pela comunidade Amish, com sua fé dando-lhes amparo naquele momento de crise.
 
Um residente local resumiu de modo muito eloquente as consequências daquela tragédia, dizendo: “Estávamos falando a mesma língua, não apenas inglês, mas a linguagem da solicitude, a linguagem da comunidade e a linguagem do serviço. E, sim, a linguagem do perdão”. Foi uma admirável manifestação da plena fé que eles tinham nos ensinamentos do Senhor no Sermão da Montanha: “Fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam”.
 
A família do leiteiro a seguinte declaração pública:
 
“Para nossos amigos, vizinhos e a comunidade Amish local,
 
Nossa família deseja que cada um de vocês saiba que estamos profundamente tocados por seu perdão, graça e misericórdia para conosco. Seu amor por nossa família ajudou a promover a cura de que tão desesperadamente precisávamos. As orações, flores, cartões e presentes que vocês nos deram tocaram nosso coração a tal ponto que não há palavras para expressar. Sua compaixão estendeu-se além de nossa família, além de nossa comunidade, e está mudando o nosso mundo, e agradecemos sinceramente por isso.
 
Saibam que sentimos profundamente por tudo o que aconteceu. Estamos cheios de pesar por todos os nossos vizinhos Amish, a quem amamos e continuaremos a amar. Sabemos que ainda haverá muitos dias difíceis para todas as famílias que perderam algum ente querido, por isso continuamos a depositar nossa esperança e confiança em Deus, a fonte de todo o consolo, enquanto todos procuramos reconstruir nossa vida”.
 
Como foi que toda a comunidade Amish conseguiu manifestar tamanho perdão? Foi devido à fé em Deus e à confiança na Sua palavra, que já fazem parte de seu ser. Eles se consideram discípulos [e discípulas] de Cristo e querem seguir Seu exemplo.
 
Ao saberem dessa tragédia, muitas pessoas enviaram dinheiro aos Amish para pagar as despesas do tratamento médico das cinco meninas sobreviventes e do sepultamento das cinco que foram mortas. Os Amish, outra vez, demonstraram ser discípulos [e discípulas] de Cristo ao decidirem compartilhar esse dinheiro com a viúva do leiteiro e seus três filhos, porque eles também foram vítimas daquela terrível tragédia.
 
James E. Faust (1920 – 2007) foi um advogado americano, membro do Comitê de Advogados pelos Direitos Civis e Conflitos Raciais
Artigo publicado originalmente por LDS.org