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Tratando da temática “o Espírito e a Igreja: perspectivas do diálogo Católico-Pentecostal” ocorreu em Jundiaí (SP), no Centro de Convivência Mãe do Bom Conselho, durante os dias 1 a 3 de fevereiro o Simpósio Ecumênico, evento anual promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Inspirados por Efésios 4,3 “Guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”, o encontro possibilitou a reunião entre agentes do ecumenismo: bispos, padres, religiosos e religiosas, cristãos leigos e leigas e outros interessados na temática.
 
Na abertura do evento dom Francisco Biasin ressaltou ser “aprender o estilo ecumênico de viver que é o acolhimento à preciosidade da outra pessoa e da construção de um caminho apesar das nossas diferenças. Grandes diferenças, grandes riquezas e o desejo enorme de colocar tudo em comum e viver em unidade. Uma palavra que o Papa Francisco repete frequentemente: ‘juntos’. Ele não se cansa de dizer caminhar juntos, trabalhar juntos, orar juntos. Esta palavra – juntos – tem sobretudo na oração de Jesus e no Evangelho de São João a sua raiz que convida a essa experiência de viver como irmãos que andam juntos”.
 
O encontro iniciou com provocação sobre o “Espírito e a Igreja diálogo Católico-Pentecostal” ministrada pelo do padre Marcial Maçaneiro professor da PUC PR e membro da Comissão Internacional para o Diálogo Católico-Pentecostal. Ele destacou que “para além de nossas divisões, temos todos a mesma fonte: a fé em Jesus Cristo, na unção do Espírito Santo. Ele é o Espírito da verdade, que nos inspira viver reconciliados, em amor. Como anunciar aos outros o Evangelho do amor e da paz, se ainda não vivemos assim entre nós, cristãos? ”.
 
Na sequência da programação, o pastor José Carlos Marion, membro da direção do (Encontro de Cristãos na Busca de Unidade e Santidade (EnCristus) relatou sobre os “Caminhos e testemunhos do Diálogo Católico-Pentecostal”. Ele ressaltou que na caminhada do EnCristus “tanto Católicos e Evangélicos aprendem crescendo na diversidade de dons e revelações. Trocamos a Água de nossas fontes, sendo a diversidade de cada de nós a nossa riqueza”. Ao fim do dia, a Família Abrahâmica, grupo de São Paulo, que reúne casais Católicos, Judeus e Mulçumanos, partilhou as ações que realizam tendo como objetivo testemunhar a possibilidade de convívio, amizade e reflexão fraterna através da fé e da diversidade.
 
No domingo, 3/2, dom Francisco Biasin pontuou destaques relevantes em relação ao “Ecumenismo no Pontificado do Papa Francisco” testemunho que se baseia no exemplo e gestos de reconhecimento do outro que marca uma nova época, uma “primavera” para o acolhimento e anúncio da paz.
 
Como assessor da Comissão para o Ecumenismo, padre Marcus Guimarães reconhece que esses encontros, além das dimensões espiritual e formativa, também “revelam o despertar lento, mas constante, de novas lideranças para a causa ecumênica e inter–religiosa nos regionais da CNBB. E isto muito nos alegra! Nossa experiência, como cristãos tem nos mostrado, sempre mais, que o ecumenismo passa pelo coração. A importância da temática estudada neste ano no Simpósio, nos ajuda a entender a complexidade do Pentecostalismo, um dos maiores e mais novos desafios da Caminhada ecumênica”.
 
Fonte: CNBB
Foto: Reprodução

 
Após 96 dias de serviços religiosos ininterruptos, teve fim, na última quarta-feira (30/01), o rodízio feito por protestantes de uma igreja da Holanda que impediam a deportação de uma família de armênios. O governo concordou em abrir uma exceção nas regras imigratórias e abrigar os estrangeiros.
 
Sasun Tamrazyan, sua esposa Anousche e seus três filhos estavam confinados dentro da Igreja de Bethel, na cidade holandesa de Haia, desde outubro do ano passado. Uma lei holandesa proíbe a polícia de entrar em templos durante serviços religiosos e, em razão disso, centenas de pastores se revezaram, durante esse tempo, em sucessivas celebrações.
 
O acordo, estabelecido pelo Parlamento holandês na última terça-feira, garantiu a permanência da família armênia e de outras famílias — com crianças nascidas ou criadas na Holanda — que tiveram seus pedidos de asilo negados.
 
O grupo engloba cerca de 700 crianças e a expectativa é de que, após a revisão dos pedidos de asilo por parte do governo, pelo menos 90% delas possam ficar. Como os pais não podem mais ser deportados, o total chegará a 1.300 crianças e adultos.
 
Para evitar que outras famílias sem nenhuma outra perspectiva de se qualificar para a residência permanente tenham raízes na Holanda, o governo também tentará acelerar os procedimentos de asilo.
 
— Nós estamos incrivelmente gratos que centenas de famílias refugiadas terão um futuro seguro na Holanda — disse o porta-voz da Igreja de Bethel, Theo Hettema, nesta quarta-feira.
 
Apesar de tudo, Hettema disse que a Igreja estava preocupada sobre as consequências das futuras políticas de imigração.
 
A luta pelo "perdão das crianças" pressiona o governo de centro-direita do primeiro-ministro Mark Rutte, que tem maioria de um assento na Câmara dos Deputados e parece estar prestes a perder a maioria do Senado nas eleições de 20 de março.
 
O Partido Liberal de Rutte está tentando apresentar uma postura dura em relação à imigração para evitar perder terreno para partidos da oposição, como o Partido da Liberdade, de política anti-imigratória e liderado pelo político Geert Wilders.
 
Embora a decisão de terça-feira tenha sido uma boa notícia para os Tamrazyans, chegou tarde demais para outra família, os Grigoryans. Essa família de cinco pessoas, com crianças de 3 a 8 anos, foi deportada para a Armênia no início da semana passada, quando o gabinete começou a deliberar sobre o assunto.
 
— Isso é injusto e muito doloroso — disse o advogado deles à agência de notícias holandesa ANP na quarta-feira. — Se a deportação deles tivesse sido adiada por alguns dias, a família teria permissão para ficar.
 
O governo também anunciou que, à medida que o novo acordo permite que mais pessoas permaneçam na Holanda, o país irá receber apenas 500 pessoas por ano, em vez de 750, dos campos de refugiados administrados pela ONU em zonas de guerra.
 
Foto: Peter Wassing

 
O Patriarca Mor Ignatius Afrem II, da Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia, realizou uma série de visitas e atividades eclesiásticas nos últimos dias. O foco dessas ações foi o diálogo ecumênico e o aperfeiçoamento da cooperação entre cristãos e cristãs de diferentes confessionalidades. 
 
Confira, a seguir, o relato encaminhado pela assessoria da ISOA.
 
SS o Patriarca Mor Ignatius Afrem II visitou a Cátedra de São Marcos, a Igreja Copta Ortodoxa de Alexandria, onde foi recebido por SS o Patriarca-Papa Teodoro II, na sede da Igreja no Cairo. O interesse da visita foi promover maior integração das duas Igrejas Irmãs no campo da juventude e complementar informações para os workshops da formação da Universidade Siríaca Ortodoxa.
 
 
SS foi recebido por Sua Eminência Anba Moussa, bispo para a Juventude Copta Ortodoxa com quem analisou a situação das igrejas para as novas gerações. SS estava acompanhado do bispo da Arquidiocese de Damasco, S. Emcia Mor Thimotheos Matta Al Khoury.
 
A reunião dos dois Patriarcas ocorreu na Catedral de São Marcos, na sede do Patriarcado de Alexandria no distrito de Abbassia no Cairo. 
 
Na visita à Catedral de São Marcos, os Patriarcas entraram em procissão com as respectivas delegações sob o canto dos seminaristas copta ortodoxos. Os Patriarcas oraram para que a paz de Cristo reine em todo o mundo.
 
Igreja Melquita
 
 
No dia 1 de fevereiro, SS prestigiou a ordenação do bispo da Igreja Melquita (Rum Católica) Elias El Dahbieh a convite do Patriarca-cardeal Sua Beatitude Joseph Abi na Igreja de Nossa Senhora da Dormição em Bab Sharki de Damasco, Síria. O eminente bispo foi ordenado para a diocese Melquita de Basra, Hauron e Jabal El Arab.
 
Integração com a Arquidiocese do Leste dos EUA, Jazira e Eufrates
 
No dia 2, SS o Patriarca Mor Ignatius Afrem II, assistido por Sua Eminência Mor Dionosios Jean Kawak, arcebispo e vigário patriarcal da Arquidiocese do Leste dos EUA, celebrou a Santa Missa de Apresentação de Nosso Senhor Jesus Cristo ao Templo. Neste dia, também chamado de benção das velas, SS em sua homilia abordou as raízes do Velho Testamento no ato de apresentação ao templo dos primogênitos e o cumprimento das promessas de Deus finalizando na história de Simão o Velho.
 
No dia 3 de fevereiro, SS o Patriarca celebrou na Santa Missa o Rito dos Santos para lembrar São Barsaumo, o líder dos anacoretas. Assistiram SS suas eminências os arcebispos Mor Dionosios Jean Kawak da Arquidiocese do Leste dos EUA e Mor Maurice Amsih, da Arquidiocese de Jazira e Eufrates na Síria.
 
 
A Homilia ficou a cargo de Sua Eminência Jean Kawak que ressaltou a situação de Cristo ser rejeitado em sua terra, Nazaré, mostrando a necessidade do discípulo ser firme e corajoso nos desafios que poderá enfrentar enquanto prega as “boas novas” – o Evangelho. Sua Eminência pediu aos fiéis a aceitar o Senhor como Mestre de suas vidas diferentemente do povo de Nazaré. 
 
Texto: Aniss Sowmy
Fotos: ISOA / Reprodução

 
A Federação Luterana Mundial - uma comunhão mundial de 148 Igrejas de tradição luterana, que representa mais de 75 milhões de cristãos e cristãs em 99 países - emitiu uma nota acerca da situação na Venezuela. No documento, a Federação expressa "profunda preocupação com a atual crise política e humanitária" no país. Também pede que o governo ofereça espaços de diálogo e exorta a comunidade de Estados a "abster-se de alimentar ainda mais o conflito através de interferência externa".
 
Leia:
 
A Federação Luterana Mundial (FLM) condena a repressão à democracia na Venezuela
 
A Federação Luterana Mundial (FLM-LWF) expressa sua profunda preocupação com a atual crise política e humanitária em curso na Venezuela, a escalada de violência, os distúrbios civis e a repressão à democracia no país.
 
Resolver esta crise exige um esforço de todos setores do governo, da sociedade civil, do povo da Venezuela e da comunidade internacional. O respeito pela democracia e instituições democráticas devem ser uma luz norteadora na caminhada de reconstrução pacífica do país.
 
A FLM exorta o governo e o povo da Venezuela a
- oferecer espaços de diálogo, compreensão e acordos que conduzam a uma transformação pacífica da atual situação;
- utilizar todos mecanismos democráticos disponíveis para evitar a escalada de conflitos e danos, baseando as decisões nas normas da lei;
- abster-se de violência e de garantir os direitos humanos de todas as pessoas, principalmente das mais vulneráveis.
 
A FLM exorta suas Igrejas-membro a
- orar por superação, força e esperança do povo da Venezuela, à medida que constrói seu caminho em direção a um país pacífico com uma democracia fortalecida;
- permanecer solidárias com o povo venezuelano que vive em seus países.
 
A FLM exorta a comunidade de Estados a
- abster-se de alimentar ainda mais o conflito através de interferência externa, incluindo a ameaça de intervenção e ação militar;
- utilizar os mecanismos multilaterais existentes da ONU e da Organização dos Estados Americanos para abordar pacificamente a atual crise no país;
- fornecer ajuda humanitária para o povo da Venezuela.
 
"Julguem segundo a verdade e sejam bondosos e misericordiosos uns com os outros" (Zacarias 7.9)
 
FEDERAÇÃO LUTERANA MUNDIAL

 
O papa Francisco desembarcou neste domingo, 3 de fevereiro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Essa é a primeira vez que um pontífice romano vai à Península Arábica, de maioria islâmica, mas onde residem cerca de 2,6 milhões de católicos. O diálogo inter-religioso será um dos temas centrais dos encontros entre Francisco e lideranças religiosas locais.
 
Embora a esmagadora maioria dos católicos seja formada por trabalhadores estrangeiros, de acordo com as Missões Apostólicas do Norte e do Sul, a viagem do papa à região onde o Islã nasceu é uma etapa importante em seu esforço para fortalecer os laços com essa religião.
 
Compromissos
 
Nesta segunda, 4, após celebrar a missa em caráter privado no Palácio Al Mushrif, onde pernoita em sua estada em Abu Dhabi, o pontífice se dirigiu ao Palácio Presidencial para a cerimônia de boas-vindas. Ali, foi acolhido pelo príncipe herdeiro, Xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan. Após a execução a apresentação das delegações, os dois se reuniram para um encontro privado.
 
O príncipe herdeiro é filho do Xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan, considerado o “pai da nação” e primeiro presidente dos Emirados Árabes Unidos, e irmão do Xeque Khalifa bin Zayed Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos. 
 
 
Conselho dos Anciãos
 
Na parte da tarde, está programado o encontro com os membros do Conselho Islâmico dos Anciãos na Grande Mesquita do Xeque Zayed. O papa será recebido pelo grande imã de al-Azhar, Ahmad al-Tayeb, que já foi duas vezes ao Vaticano e acolheu Francisco durante sua viagem apostólica ao Egito.
 
O Conselho é uma organização internacional independente, com sede em Abu Dhabi, que promove a paz nas comunidades islâmicas. O Conselho reúne estudiosos, especialistas e dignitários muçulmanos estimados pelos princípios de justiça, independência e moderação.
 
Os membros dedicam uma atenção especial aos conflitos internos das comunidades muçulmanas e às causas que as originam, com a finalidade de defender os valores humanitários e os princípios de tolerância do Islã, em oposição ao sectarismo e à violência.
 
Fraternidade Humana
 
Da Grande Mesquita o Papa se dirige para o grande evento do dia e motivo de sua viagem: o Encontro Inter-religioso no Founder’s Memorial. Trata-se de uma conferência global sobre a fraternidade humana, ocasião em que Francisco pronunciará o seu primeiro discurso.
 
Relações diplomáticas com o Vaticano
 
Kuwait foi o primeiro país da região a formalizar suas relações com o Vaticano em 1968. O Iêmen fez o mesmo em 1998, Bahrein em 2000, Catar em 2002 e os Emirados Árabes Unidos em 2007.
 
A Arábia Saudita e Omã ainda não estabeleceram relações diplomáticas formais. No ano passado, contudo, a Arábia recebeu representantes de diversas tradições cristãs, em um gesto que demonstra sinais de abertura. Em abril de 2018, o país havia recebido o cardeal francês Jean-Louis Tauran, que presidiu o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso do Vaticano.
 
Falecido em julho de 2018, Tauran foi considerado um importante promotor do diálogo entre a Igreja Católica e o Islã. Em novembro de 2017, o chefe da Igreja maronita do Líbano, Beshara Rai, fez uma visita oficial à Arábia Saudita, onde se encontrou com membros da família real.
 
CONIC com informações da AFP e da Vatican News
Fotos: Ryan Carter / Ministry of Presidential Affairs / Reuters

 
Um bispo da “Igreja clandestina” chinesa, ligado ao Vaticano, será oficialmente reconhecido pelas autoridades de Pequim, anunciou a imprensa oficial. A notícia reflete o progresso nas relações bilaterais após um recente acordo entre o Vaticano e China.
 
Os quase 12 milhões de católicos chineses estão divididos entre os bispos que fazem parte da Associação Patriótica Católica Chinesa – ligada ao governo – e uma Igreja "clandestina", que reconhece apenas a autoridade do papa.
 
No entanto, o Vaticano e a China assinaram em 22 de setembro um acordo que aproximou as duas partes, que haviam cortado relações diplomáticas em 1951. O texto resolve provisoriamente a questão da nomeação dos bispos.
 
Assim, o bispo da “igreja clandestina” Jin Lugang foi ordenado bispo adjunto da diocese de Nanyang (centro), informou o jornal Global Times em seu site. Ele trabalhará com o bispo Zhu Baoyu, de 98 anos, até sua aposentadoria.
 
Com informações da France Presse
Foto: Sean SPRAGUE / CIRIC

 
Para nós, cristãos e cristãs, a vida tem muito valor (Dt 30:19). Mas não é do valor monetário que estamos falando, e sim daquele valor que só o Pai pode mensurar (1 Sm 16:7). É por isso que crimes socioambientais como os que ocorreram em Mariana-MG e, mais recentemente, em Brumadinho-MG, causam tanta indignação no seio da comunidade cristã comprometida com um mundo mais justo e fraterno para todos e todas.
 
Foi com esse espírito e desejo de denunciar o que precisa ser denunciado que a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil emitiu, no dia 27 de janeiro, uma nota de pesar pelas vítimas da barragem em Brumadinho. O documento pede “que a dor dessa tragédia se converta em políticas públicas mais eficazes e fiscalizações mais rígidas, bem como uma mudança de mentalidade no que tange à exploração desmedida e à avidez pelo lucro”. 
 
Confira:
 
Brumadinho: Que o lamento se transforme em mudança!
 
“Quando o capital se torna um ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez do dinheiro domina todo o sistema socioeconômico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em risco esta nossa casa comum. Os seres humanos e a natureza não devem estar a serviço do dinheiro.” (Papa Francisco)
 
Diante do gravíssimo ocorrido na barragem em Brumadinho – MG, que vitimou um incontável número de vidas humanas, animais e vegetais, deixando um rastro de morte e destruição, a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, através do Serviço Franciscano de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC), vem expressar seu profundo pesar, suas orações, sua solidariedade e sua indignação.
 
Como Franciscanos, não podemos ficar indiferentes ao grito da terra e dos pobres que, desde sexta-feira, dia 25/01, sobe aos céus clamando por justiça e por conversão. Nossa convicção teológica de que Deus é o Criador de tudo e nos pede respeito pela sua Criação, impele-nos a denunciarmos a idolatria de quem se considera dono dos bens naturais sem se preocupar com os efeitos da degradação ambiental, dos modelos atuais de desenvolvimento e da cultura do descartável sobre a vida das pessoas.
 
É sabido que, na raiz do ocorrido em Brumadinho, existe um grande sistema econômico, político e social que tem se baseado na lógica do aumento do lucro desmedido sem respeitar a vida de cada ser. É preciso que se diga que não há verdadeiro crescimento e desenvolvimento sem respeito pela criação e uma melhoria na qualidade de vida de todos e todas, e não apenas dos poderosos que usufruem das suas riquezas a custo da vida dos mais pobres. É preciso que se repense esse sistema econômico que ‘mata, exclui e destrói a mãe terra’ (Papa Francisco).
 
Além de uma penalização dos responsáveis e das ações de reparação dos danos deste crime ambiental e humano, que pela segunda vez acontece em Minas Gerais, esperamos que a dor dessa tragédia se converta em políticas públicas mais eficazes e fiscalizações mais rígidas, bem como uma mudança de mentalidade no que tange à exploração desmedida e à avidez pelo lucro.
 
Que o lamento se transforme em mudança e que os donos do poder e do dinheiro vençam o pecado da indiferença, amem o bem comum, promovam os fracos e cuidem deste mundo em que habitamos. E que o Senhor de toda a Criação nos inspire a sermos promotores da vida, da justiça, da paz e do respeito por tudo aquilo que nos foi confiado como expressão do seu amor.
 
Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
Serviço Franciscano de Justiça, Paz e Integridade de Criação
 
Foto: Reprodução

 
A segunda-feira (28/01) foi de agenda cheia para as lideranças de igrejas brasileiras e palestinas reunidas em Brasília. Encontro com autoridades, reuniões estratégicas e um momento de bate-papo na Comunidade Luterana da Asa Sul foram algumas das ações. Na pauta, um assunto chamou mais a atenção: a tão anunciada mudança da embaixada brasileira em Israel, que hoje fica em Tel Aviv e, de acordo com o novo governo, pode ser transferida para Jerusalém.
 
A delegação de cristãos palestinos chegou ao Brasil na quinta-feira (24/01). Desde então, eles têm destacado que a mudança do status de Jerusalém para um só povo traz um imenso risco para a comunidade de cristãos palestinos, que reúne milhares de habitantes em Jerusalém, e que em sua maioria habitam a histórica e milenar Jerusalém Oriental, de maioria árabe palestina.
 
 
“Nós viemos principalmente para falar de paz e somos representantes de todas as igrejas de Jerusalém”, disse à Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA) o padre Ibrahim Faltas, franciscano de Jerusalém, secretário-geral da organização Custódia da Terra Santa e líder da delegação. “Falaremos também sobre encontrar uma solução para Jerusalém, pois é um problema que já dura 70 anos, entre palestinos e israelenses, e pedimos ao povo brasileiro que ajude neste processo pelo bem de todos os povos do Oriente Médio e de todo o mundo”, destacou Faltas.
 
O pastor Jack Sara, que dirige a Faculdade da Bíblia de Belém, afirmou em entrevista à imprensa que um dos objetivos da vinda deles ao Brasil foi informar comunidades evangélicas brasileiras sobre a realidade da Palestina. “Sou evangélico e dirijo um seminário para treinamento de pastores em Belém e Nazaré. Vim falar com a comunidade evangélica aqui sobre nossa presença na Palestina, pois muitos não sabem nem que existimos”, disse. Para Jack, existem no Brasil denominações evangélicas “que têm um ponto de vista teológico e político que algumas vezes é destrutivo”, referindo-se a quem defende a segregação de Jerusalém como capital de Israel.
 
Brasília
 
Na capital federal, um dos compromissos foi na Comunidade Luterana da Asa Sul. Eles foram recepcionados pelo CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, na pessoa da secretária-geral Romi Bencke, e pelo pastor daquela comunidade, Carlos Alberto Radinz.
 
No encontro, as lideranças religiosas palestinas e brasileiras falaram sobre como a ocupação israelense na região e a violência constante impacta na vida de cristãos e cristãs palestinos. “Os integrantes da delegação destacaram o alto índice de imigração de cristãos palestinos em função da violência. Um dado que expressa o sentimento de que a região não tem apresentado alternativas para os moradores é que, hoje, 55% dos jovens querem deixar o país”, disse Romi. 
 
Atualmente, 1% da população da Palestina é cristã. No entanto, o impacto da presença cristã na região é alto. Por exemplo, 30% de escolas e hospitais são mantidos por organizações cristãs. 
 
Diplomacia brasileira
 
Os irmãos palestinos chamaram a atenção do relevante papel que a diplomacia brasileira desempenhou ao longo dos anos naquela região, sempre reconhecendo os dois Estados e até tempos recentes não se pronunciando ou tendo atitude hostil em relação aos palestinos. 
 
 
Eles também destacaram a necessidade de superar o pensamento que Jerusalém foi escolhida para um único povo. “Se reconhecemos que Deus escolheu apenas um povo” – argumentaram – “o outro povo pensa que Deus não o escolheu”. O desafio maior está em somar esforços para que todos construam uma Jerusalém segura e acolhedora para todas as tradições e povos.  
 
Peregrinações e teologia
 
Sobre as peregrinações a Jerusalém, a comitiva frisou que elas não deveriam focar unicamente nos monumentos e locais arqueológicos, mas também no convívio com a população local para que todos os peregrinos possam saber como é o dia-a-dia na região. A ideia é reforçar um protagonismo profético no sentido de que as vozes do povo palestino possam ser ouvidas. 
 
No âmbito teológico, os membros da delegação foram unânimes em destacar que os teólogos e teólogas da Palestina têm elaborado uma teologia e hermenêutica bíblicas contextual. Neste sentido, reafirmando que a bíblia não é um livro de ocupação, mas de libertação. 
 
“A reunião foi um momento muito importante por vários motivos. Em especial, porque foi a primeira vez que se conseguiu reunir lideranças cristãs palestinas e brasileiras para falar temas que desafiam. É nossa tarefa nos envolvermos em processos de paz. A cidade de Jerusalém é simbólica e importante para as três religiões do livro: Judaísmo, Cristianismo e Islã. Esta pluralidade religiosa é a beleza que caracteriza a cidade. Neste sentido, fazer da cidade um símbolo de coexistência pacífica entre religiões é um desafio que temos que assumir”, concluiu Romi.  
 
Ao final do encontro em Brasília, o CONIC foi presenteado com uma cruz artesanal feita por cristãos palestinos. Cada participante da reunião também recebeu uma pequena a cruz artesanal. 
  
Embaixada e economia
 
Além de complicações no Oriente Médio, para o Brasil, a mudança de embaixada traria inúmeros prejuízos econômicos. Não por acaso, até a bancada ruralista tem trabalhado fortemente para dissuadir o governo dessa medida tão ideológica – quanto é a mudança da embaixada.
 
Só para se ter uma ideia da dimensão dos prejuízos, os países árabes são o 5º principal destino de produtos brasileiros. Hoje, o Brasil também é o maior produtor e exportador mundial de carne halal – procedimento em que os animais são abatidos de acordo com normas e preceitos do islamismo. Falando em nações muçulmanas, nosso comércio passa da casa dos US$ 22 bilhões ao ano. E a balança é favorável ao Brasil em US$ 8,8 bilhões, já que exportamos mais do que importamos. Com o Irã, outro grande parceiro comercial – destino de 6% das nossas exportações – as relações também podem azedar. Por outro lado, o as transações comerciais com Israel representam menos que 1% da fatia do comércio exterior brasileiro. E o Brasil compra mais do que vende. Em 2018, por exemplo, a balança comercial com Israel fechou com déficit de US$ 847,8 milhões.
 
Comunidade internacional
 
Vale lembrar que a comunidade internacional não reconhece Jerusalém como capital de Israel.
 
Prova concreta disso é que a maioria das embaixadas está em Tel Aviv, entre elas a brasileira.  
 
Fotos: Elianildo Nascimento

 
Aliança de Batistas do Brasil (ABB), uma organização de pessoas e igrejas evangélicas que integra o CONIC, publicou nota nesta terça-feira, 29/01, demonstrando consternação diante do crime ambiental em Brumadinho. O documento, assinado por toda a diretoria da ABB, denuncia o desmantelamento do IBAMA e afirma que situações como "a barragem de Brumadinho e outras são metáforas arquitetônicas da prevalência arrogante do lucro sobre o amor". 
 
Vale a pena ler o documento na íntegra:
 
Declaração da Aliança de Batistas do Brasil
A LAMA E OS ESCOMBROS DE BRUMADINHO
 
Consolar famílias, denunciar injustiças e tecer esperanças é o objetivo dessa nossa declaração, diante da imagem dolorosa da enxurrada de lama e dos montes de escombros trazidos pela tragédia de Brumadinho.
 
A queda estrondosa da barragem, três anos depois do desastre de Mariana, a lama transformada em mar, transformaram também em escombros histórias de amor e de vida, mas paradoxalmente também destruíram muralhas de insensibilidade, estabelecendo um rio de lágrimas solidárias, à medida que se vão anunciando e nomeando propriamente as vítimas. 
 
Escrevemos chorosos, no ritmo do choro concreto das famílias que perderam seus amados e amadas, e “sem parar os nossos olhos vão derramar lágrimas até que o Senhor olhe lá do céu e nos veja” (Lm 3,49-50), como chorou o profeta Jeremias diante da destruição de Jerusalém, mas isso não basta.
 
Somos a Aliança de Batistas do Brasil, uma organização de pessoas e igrejas evangélicas dispostas a viver o evangelho em solidariedade e luta contínua por um mundo com mais amor e mais justiça. Diante disso, nossa declaração se transforma em oração de confissão e compromisso.
 
Confessamos omissão diante de injustiças e equívocos em nossas posturas como cristãos, incapazes de perceber que muralhas e barreiras se erguem constantemente sobre as nossas cabeças, ameaçando a paz e a segurança de nossas vidas. 
 
A barragem de Brumadinho e outras são metáforas arquitetônicas da prevalência arrogante do lucro sobre o amor. Analistas nos lembram imediatamente que a queda das ações da mineradora é efeito passageiro e os acionistas não precisam ficar preocupados. Bastam lembrar que em Mariana, depois de um período de baixa, em condições similares, houve uma disparada de duzentos por cento no preço das ações, assegurando lucro aos investidores. A precificação de tragédias deveria nos causar asco e confessamos que as engolimos com certa facilidade.
 
Confessamos o nosso silêncio diante do desmantelamento do IBAMA, por exemplo, o único órgão que alertou sobre a possibilidade do desabamento, reduzido sistematicamente em sua estrutura e saqueado em seus recursos de agente público de proteção ao meio ambiente. Desse modo, a declaração oficial do nosso governo de que somos um dos países que mais protegem o meio ambiente se torna discurso suspeito e vazio.
 
Então, com dor no coração e lágrimas nos olhos, nos comprometemos diante do Deus de toda justiça e misericórdia, guiados pelo sopro da Divina Ruah, no seguimento corajoso de Jesus de Nazaré, a gritar e a lutar para que as palavras do profeta Isaías se tornem realidade: “No país, haverá justiça por toda parte; todos farão o que é direito” (Is 32:17).
 
O barulho estrondoso do rompimento da barragem de Brumadinho ecoou pelo mundo inteiro como um grito de denúncia de um sistema fundamentalmente injusto, e o nosso compromisso aqui assumido publicamente é que o nosso grito seja ainda maior, contra todas as estruturas de morte erguidas pelo Capital, e que denúncias e ações concretas sempre acompanhem nossos gritos, nossas lágrimas e nossas orações, confiantes que “a justiça trará paz e tranquilidade, trará segurança que durará para sempre”, (Is, 32,17.
 
Recife, 29 de janeiro de 2019
 
ALIANÇA DE BATISTAS DO BRASIL
Marcos Monteiro - Redator
Paulo César Pereira - Presidente
Nivia de Souza Dias - Vice-presidente
Josileide Jose dos Santos - 1.ª Secretária 
Pr. Eduardo Ohana Calil - 2.º Secretário
Pr. Bruno Moreira da Silva Clemente - 1.º Tesoureiro
Pr. Jefferson Santos da Silva - 2.º Tesoureiro
Flávio Conrado - Secretário Executivo
 
Conselho Fiscal: 
Marluce Leite de Oliveira 
Pr. Valdenicio Santos de Oliveira
Josilene da Silva

 
A Coordenadoria Ecumênica de Serviço – organização parceira do CONIC, emitiu nesta segunda-feira (28) uma nota sobre o crime ambiental em Brumadinho, Minas Gerais. O documento é bem contundente ao exigir apuração das responsabilidades, pedir punição aos culpados, bem como exigir as devidas reparações. O texto também denuncia “a omissão do poder público que até agora não puniu e nem indenizou as famílias atingidas no crime ambiental do Fundão, em Mariana”.
 
Confira a nota na íntegra:
 
NOTA DA CESE SOBRE O CRIME AMBIENTAL EM BRUMADINHO/MG
 
“Pelas dores deste mundo ó Senhor,
imploramos piedade,
a um só tempo geme a criação…”
(Rodolfo Gaede)
 
Solidária com a população mineira que chora por mais um crime ambiental provocado pelo rompimento de uma barragem de rejeitos de minério de ferro em Brumadinho, ainda sem possibilidades de mensurar o alcance desta tragédia, a CESE se une a outras vozes que:
 
- Exigem a apuração das responsabilidades, punição dos culpados e devidas reparações socioambientais;
- Há três anos denunciam a omissão do poder público que até agora não puniu e nem indenizou as famílias atingidas no crime ambiental do Fundão, em Mariana;
- Rejeitam veementemente qualquer flexibilização das leis ambientais para beneficiar empresas mineradoras e qualquer outra que atue com impactos socioambientais;
- Reafirmam o seu compromisso com os Direitos Humanos, Sociais, Ambientais e Culturais;
- Reafirmam a necessidade de se ter outra matriz de desenvolvimento em que as pessoas e meio ambiente sejam prioridade e não a economia por si mesma.
 
Assim, reafirmamos o nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável, a justiça ambiental e a diversidade cultural e nos colocamos em solidariedade ao serviço dos movimentos que estão atuando na área para levar apoio e orientação às populações atingidas.
 
CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço