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No terceiro dia de celebrações da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) em Curitiba-PR, as teólogas e ministras candidatas ao ministério pastoral na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Camila Laís Karsten e Roana Clara Gums, conduziram a pregação. De maneira ilustrativa, motivaram a comunidade a refletir sobre unidade e diversidade a partir da genealogia de Jesus apresentada no texto bíblico próprio do dia, Mateus 1,1-7.
 
Confira:
 
"Todos nós, alguma vez em nossa vida, montamos uma árvore genealógica, certo? Quem aqui já montou e tem a sua árvore genealógica? Montar uma árvore genealógica não é algo fácil, temos que colocar no papel ou em um arquivo, os dados de toda a nossa família. Às vezes é preciso buscar por mais informações, pesquisar mais e isso não é algo simples. Pelo menos para mim não foi, pois minha família é muito grande. E quando colocamos todos os nomes das pessoas de nossa família num papel, ou num arquivo, vamos pensando em cada pessoa que compõem nossa família. 
 
Família não se escolhe, não é mesmo? Aceitamos e convivemos com essas pessoas, pois elas têm laços conosco. Mas será isso mesmo? Bom, pelo menos é assim que deveria ser. Só que não é o que vemos nos dias de hoje. Famílias estão brigadas, destruídas, sem nenhum diálogo. O motivo? Os mais diversos. Talvez questões financeiras, desrespeito com determinadas opiniões, política. Enfim, família não se escolhe!  
 
Existem vários “tipos” de famílias, pode ser que sua família seja pequena ou grande, como a minha. Sua família pode estar unida, ou brigada. Pode ser que sua família está separada geograficamente, mas unida pelo sentimento de pertencer a uma família. Sua família pode estar próxima geograficamente, mas ninguém se vê e muito menos se fala. Família eh, família ah, família... diz a letra da música dos Titãs. 
 
No texto do evangelho que fala sobre a genealogia de Jesus, temos vários nomes citados. Em uma primeira olhada ao texto nos parece tudo “normal”, são apenas os nomes das pessoas que compõem a família de Jesus. Mas se olharmos com mais atenção a estes nomes podemos perceber que Jesus também não teve uma família perfeita. Em sua genealogia, não encontramos apenas nomes de Reis e pessoas poderosas, pelo contrário, no relato de Mateus encontramos na genealogia de Jesus nomes de mulheres, que na época nem eram consideradas dignas de serem citadas, também nomes de pessoas pecadoras (Rei Davi), pessoas estrangeiras (Rute e Raabe), pessoas simples e humildes, assim como vocês e eu. 
 
Ao citar os nomes de todas essas pessoas, Mateus quer nos mostrar que no plano de salvação de Deus todas as pessoas, com suas mais diversas características, estão incluídas. Não pode faltar nenhuma pessoa. Toda a humanidade é parte da grande família de Cristo, e cada um de nós está incluído e incluída em seu plano de salvação, independente do que somos, temos e/ou de onde viemos.  
 
A árvore genealógica de Jesus é diversa, com pessoas de todos os tipos, mas todas inclusas no plano de salvação de Deus! Nossa árvore genealógica familiar, de cada um e cada uma, também representa a diversidade da criação de Deus. 
 
Nós, cristãos e cristãs do século 21, também fazemos parte de uma árvore genealógica bonita e diversa. Somos de uma mesma família, a família de Deus. A partir de Jesus Cristo nos tornamos irmãos e irmãs que comungam de uma mesma fé. Juntos e juntas formamos a árvore genealógica da Igreja de Cristo no mundo.  
 
Nossa árvore também é diversa, tanto quanto era a da própria descendência de Jesus. Fazem parte dela diversas igrejas que creem em Deus e em Jesus Cristo. Tantas são as igrejas, muitos são os jeitos de ser e de celebrar o amor de Deus. Mas todas têm algo em comum que as une, o alicerce sob o qual estão constituídas: a fé em Jesus Cristo!
 
Em Cristo há diversidade, mas há também unidade naquilo que é o principal, o fundamento de nossa fé. Nesta Semana de Oração pela Unidade Cristã 2019, algumas igrejas se reúnem para expressar que são parte de uma mesma família e para rogar pelo dom da unidade, presente em Cristo, mas ofuscado por nossas divisões.  
 
Aqui no Brasil, igrejas-membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs se reúnem para celebrar e orar pela unidade. A Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia e a Igreja Presbiteriana Unida, que celebram esta Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), representam os muitos e diversos frutos que compõe a árvore da Igreja de Cristo.  
 
Estes dias em que nos reunimos como uma só comunidade ecumênica, ou seja, a união de diversas igrejas que se entendem como habitantes de uma mesma “Casa Comum”, o mundo em que vivemos, querem ser momentos de relembrar que, embora diversos, somos frutos de uma mesma árvore – somos um só corpo, a Igreja de Cristo.  
 
Mas há algo a mais além desta árvore chamada Igreja de Cristo. Esta árvore, podemos assim dizer, se encontra plantada no mundo e faz parte da bela criação de Deus. Compartilha o espaço com as demais pessoas (também as não cristãs), com os animais, com a natureza. Este cenário nos mostra que dá força criativa de Deus surge uma diversidade maior ainda em tudo que Ele criou e que dentro desta grandiosa criação somos uma pequena, mas importante parte.   
 
Com tamanha diversidade na Criação, como é possível promover uma UNIDADE?  
 
Iniciativas como a SOUC são de grande importância para os tempos em que estamos vivendo.  
 
Palavras como individualismo, preconceito, discriminação, exclusão e ódio fazem parte de nosso contexto e contribuem para um mundo dividido e polarizado. Em nosso país, em especial, temos vivido tempos de ódio e divisão por razões políticas, econômicas, sociais, étnicas e culturais. A diversidade de ideias tem sido algo para justificar a divisão, impedindo a unidade.  
 
Pessoas cristãs não estão fora do grupo de pessoas que promovem divisões. Fundamentalismo e o conservadorismo religioso têm sido o motivo de propagação de ações discriminatórias, de exclusão e de ataques de ódio contra aquilo e aqueles e aquelas que são diferentes. A diversidade tem sido motivo de perseguição.  
 
A nossa Casa Comum está em risco por causa do nosso estilo de vida, formas de organização, nossos valores. A criação passa por agonia por causa dos interesses de poucos a cima do bem comum. A sobrevivência da Casa Comum está colocada em risco.
 
Diante deste cenário: Como viver o plano de Salvação de Deus na Casa Comum? 
 
Apesar da realidade difícil que vivemos, o salmo de hoje e também a história da salvação de Deus em Jesus nos lembram que o desejo de Deus não é de destruição, divisão, injustiça. Nos diz o Salmista: “O Senhor é benevolente e misericordioso com todos” (Sl 145.8). Bondade e misericórdia são as expressões do amor de Deus que vai além das fronteiras de etnias, culturas, raças, gêneros, condição social e de sexualidade e até de religiões. Este amor nos alcança e quer ser por nós propagado em palavras e ações que busquem promover a unidade, o respeito, comunhão entre as pessoas num país tão diverso, colorido e plural como o nosso Brasil.
 
O versículo que é tema e motivação da SOUC 2019 nos lembra do nosso papel, enquanto igrejas, diante do cenário em que vivemos: “Procurarás a justiça, nada além da justiça. ” Temos na arte de nosso cartaz um desenho muito belo feito por Mariana da Silva Souza, de Belo Horizonte, que retrata muito bem essas palavras. Temos na Cruz representada uma balança, símbolo da justiça. De cada lado, duas pessoas diferentes, segurando em suas mãos uma bíblia e o mundo. Esta figura nos inspira a pensar sobre a diversidade da Criação, sobre a igualdade de cada ser diante de Deus, e sobre nosso papel enquanto igreja no mundo de promover a justiça a todas as pessoas.  
 
 “Justiça a partir da unidade na diversidade”, este é o tema central, proposto pelas igrejas na Indonésia. Nossa tarefa é colocar em prática tudo aquilo que aprendemos dos exemplos de Jesus Cristo, ou seja, colocar em prática nossa solidariedade, empatia, misericórdia e amor. Esta é a tarefa de cada um e cada uma de nós. O senhor é bom para com todos! Nós também devemos ser.  
 
Que o Espírito Santo nos ajude para que a justiça da graça de Deus subverta a justiça humana. Que a justiça de Deus chegue onde a justiça humana é falha. E assim, que possamos seguir esperançosos por um mundo melhor, confiando que a nossa Casa Comum esteja também disponível para as gerações futuras. Se isso for nosso desejo verdadeiro necessitamos, com certa urgência, recuperar o espírito da coletividade, da solidariedade, da empatia e a compreensão de que nós, seres humanos, somos apenas uma pequena parte da grande criação do nosso bondoso e misericordioso Deus.
 
Queremos encerrar nossa mensagem com um pequeno poema com o título: “Jesus não tem mãos” Ani Johnson Flint, que diz:  
 
Cristo não tem mãos, só as nossas mãos para realizar o seu trabalho hoje.
Ele não tem pés, só os nossos pés para conduzir pessoas em seu caminho.
Ele não tem lábios, só os nossos lábios para contar às pessoas sobre sua morte.
Ele não tem ajuda, só a nossa ajuda para levar pessoas até ele. 
Nós somos a única Bíblia que o povo ainda lê.
Nós somos para os pecadores o evangelho, para os zombadores a confissão de fé.
Nós somos a última mensagem de Deus, escrita em palavras e ações.
 
Que Deus nos ajude para que sejamos as mãos, os pés e os lábios de Cristo neste mundo. Amém."
 
Foto: Pixabay

 
“Procurarás a justiça, nada além da justiça” (Dt 16,20)
Semana de Oração pela Unidade Cristã 2019
 
Pastor Dr. Rudolf von Sinner*
 
Justiça, Justiça
 
Todos os dias clamamos pela justiça – diante da pobreza, da violência, ou diante da simplória e irritante divisão da sociedade entre (supostos) “vencedores” e “perdedores”, como se fosse a única responsabilidade de cada qual estar de um ou de outro lado! Pensamos inicialmente na justiça do juiz, seja na vara criminal – contra a tão comum impunidade – seja na vara civil – assegurando que cada um(a) recebe o que lhe é devido. A balança formada pela cruz no cartaz da cartilha da presente Semana de Oração pela Unidade Cristã indica este aspecto: igualdade perante a lei, aplicação correta desta, não utilizando duas medidas diferentes conforme melhor convem (Dt 25,13). De fato, o texto de Deuteronômio promove isto: os juízes e escribas devem exercer a “com justiça sua jurisdição sobre o povo” (Dt 16,18), sem aceitar presentes como propina nem corromper o direito. Jurisdição (em hebraico mishpat) deve ser exercida com justiça (em hebraico zædæq), ou seja: o processo correto, diante da comunidade, deve garantir a cada lesado seu status de “justo” e restabelecer a “justiça” como situação. Justiça, portanto, no sentido bíblico, é mais do que jurisdição ou um processo perante o juiz, é o bem-estar da própria comunidade. 
 
É isto que traz outro detalhe do cartaz da campanha deste ano, da autoria da jovem Mariana da Silva Souza de Belo Horizonte/MG que, no último dia do prazo, como nos conta, fez o desenho que veio a ser a proposta vencedora no concurso do CONIC. Vemos duas pessoas, em toda diferença de gênero, de cor e de status social. Uma segura o globo, o mundo, a realidade, diante do qual se proclama a partir da Bíblia segurada pela outra pessoa a Palavra de Deus, o Evangelho, em anúncio da esperança e da justiça, mas também em denúncia do desespero e da injustiça. Também as cores de arco-íris que irradiam da cruz valorizam, além da igualdade representada pela balança, a diversidade. Olhando para a cruz como o fazem as duas pessoas, estabelece e restabelece-se justiça. No último versículo do texto base (Dt 16,20), o texto hebraico usa duas vezes a palvra zædæq. Como vimos, esta palavra indica menos a jurisdição do que a necessidade do estabelecer e restabelecer, quando rompida ou prejudicada, de uma relação entre duas pessoas no meio da comunidade como um todo. Este tipo de justiça implica, portanto, também aquilo que hoje muitas vezes se chama de “reconhecimento”: reconhecer o direito da pessoa de existir, de ser, inclusive de ser diferente, sem negar-lhe o status de igualdade às demais pessoas enquanto pessoa humana. Antes, este status deve ser garantido e, quando rompido, restabelecido. 
 
O aspecto da diversidade me parece também sublinhado pelo contexto do versículo sobre a justiça: no meio de três festas ligadas à libertação do povo de Deus da escravidão do Egito. Esta experiência deve fazer com que as pessoas libertadas lembrem-se do seu status anterior, valorizem o novo e estendam esta liberdade e este reconhecimento às pessoas marginalizadas – sempre de novo, assim também em nosso texto, além da família e dos que pertencem à casa são invocados especificamente migrantes, órfãos e viúvas, todos grupos altamente vulneráveis. Como pode alguém negar às demais pessoas aquilo que também não conquistou pela própria força, mas, assim o entende o texto, recebeu como bênçãos e alegrias do próprio Deus? Por isto, todas e todos devem apresentar oferendas a Deus, em gratidão pelas bênçãos recebidas. Observe-se que não é o inverso que ocorre: investe-se oferenda para receber de Deus. Esta seria a lógica comum da nossa economia capitalista e da competição, essa onde os “vencedores” devem se sobressair e os “perdedores” são culpados, eles próprios, por sucumbirem. Não assim em nosso texto: primeiro se recebe bênção de Deus, e em seguida se oferece gratidão por ela. “Justiça”, neste sentido, engloba relacionamento, solidariedade, dádiva e gratidão, no meio da comunidade junto à família e às pessoas vulneráveis.
 
Unidade na diversidade
 
Já vimos no texto bíblico e no cartaz que por ele se orientou o destaque dado à diversidade. Importa lembrar que um dos preconceitos mais comuns que se ouve a respeito do ecumenismo é que almejaria jogar todas as diferentes igrejas num só caldeirão e cozinhar um sopão unificado. Quem costuma cozinhar sabe que uma sopa na qual se joga, indiscriminadamente, tudo que se encontra por aí na cozinha nunca será gostosa. Já por isso não pode ser um objetivo interessante: unificação que não enxerga, discute e aprende com as diferenças, mas as nivela, não vale a pena ser perseguida. Torna o mundo “chato”, feito plano, sem nada de destaque para evocar curiosidade, inovação, aprendizagem, alegria. Para evocar novamente a metáfora da sopa: tal sopa não rende coisa gostosa.
 
Já unidade que se deixa enriquecer pela diversidade, se deixa desafiar e ouve, pela voz da outra pessoa, também cristã, o chamado do Espírito Santo para aprofundar sua própria fé em sua tradição, esta sim vale a pena ser buscada. O cristianismo é, desde seus primórdios, uma religião bastante diversa: nasce no seio do judaísmo, acolhe os chamados “gentios” e supera fronteiras para construir pontes entre várias culturas – sem nivelar, “achatar” as diferenças. Na festa do pentecostes, final da Semana de Oração pela Unidade Cristã no hemisfério sul, lembramos que, 50 dias (em grego, pentecostē) após a páscoa, desceu o Espírito Santo sobre os discípulos e todos os povos os ouviram falar em sua própria língua. Ao inverso de Babel, quando foi confundida a língua para que ninguém se entenda e o ser humano abandone sua pretensão de ser como Deus, no Pentecostes todos entenderam. A comunicação fluiu bem. Logo o Evangelho se espalhou pelo Levante (hoje Chipre, Israel, Jordânia, Líbano, Palestina e Síria), a Ásia Menor (hoje Anatólia) e o norte da África, sendo traduzido para muitas línguas. Com as comunidades espalhadas, longe uma da outra, começou o primeiro Ensino à Distância da história pelas cartas que o apóstolo Paulo enviou para exortar e fortalecer as jovens comunidades. Não podia ser diferente do que, dentro das próprias comunidades e também em movimentos diversos que se articularam entre elas, surgissem divergências e conflitos. Viver a diferença na unidade é nada fácil. Mas, quando bem-sucedido o mútuo aprendizado, mesmo passando por debates e conflitos, nos faz compreender melhor a nós mesmos, às outras pessoas e ao Evangelho. 
 
Este desafio vive o povo da Indonésia diariamente. Foram cristãos daquele país que prepararam o material para a Semana deste ano, que por sua vez foi traduzida e adaptada pelo CONIC-MG para o contexto brasileiro. A Indonésia tem 265 milhões de habitantes num território que engloba nada menos do que 17 mil ilhas, mais de mil grupos étnicos e mais de setecentas línguas locais. A grande maioria se confessa de religião muçulmana. As pessoas cristãs somam cerca de 10% da população. Em toda esta diversidade procura-se viver o lema Bhineka Tunggal Ika, unidade na diversidade. É algo sempre frágil e precário, mas uma convicção que dá identidade à nação: crê-se num único Deus, numa humanidade justa e civilizada, na unidade do país, na democracia representativa conduzida por sabedoria e consenso e na justiça social para todas e todos – são os cinco pilares da nação chamados de Pancasila. Constantemente ameaçado por vulcões, terremotos e tsunamis, circuncidado por pouca terra e muito mar, além dos conflitos que possam surgir no meio de tanta diferença, o país persiste em meio a toda vulnerabilidade e persegue o projeto da unidade na diversidade.
 
Sinais de parceria
 
O estabelecimento e restabelecimento da justiça como solidariedade e reconhecimento, a constante construção e reconstrução da unidade na diversidade se faz por vários caminhos, entre eles a partilha pessoal e espiritual, mas também material. Vale recordar que ainda antes do II Concílio Vaticano, o teólogo luterano francês Oscar Cullmann (1902-1999) sugerira uma coleta ecumênica mútua: Os católicos romanos fariam uma coleta para os protestantes e vice-versa. Ainda hoje soa revolucionário – como vamos fazer uma coleta uns pelos outros quando já mal arrecadamos o suficiente para nossa comunidade? Cullmann recorreu à carta de Paulo aos Gálatas 2,10, onde se descreve resultado do acordo entre Pedro e Paulo: “e, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam, a mim e a Barnabé, a destra de comunhão [koinonia], a fim de que nós fôssemos para os gentios, e eles, para a circuncisão; recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também me esforcei por fazer.” O fato de a igreja primitiva separar-se em duas missões não significa ruptura da comunhão (koinonia), antes é uma concentração necessária em tarefas diferentes. Como sinal visível da comunhão concorda-se em manter uma coleta (comum) para os pobres. A partir desta lembrança bíblica, Cullmann sugeriu que um sacrifício mútuo sem intenção proselitista, mas num espírito fraterno, ajudaria na construção de um clima de confiança. Ele esperava que esta proposta não fosse mais “a proposta do Prof. Cullmann”, mas que seja abraçada por irmãos e irmãs dos dois lados, mesmo concedendo que possa levar muito tempo. Muito tempo passou desde 1958, quando a proposta foi feita originalmente, e o ecumenismo cresceu em muitos aspectos. O desafio da coleta permanece. Ao longo da Semana de Oração pela Unidade dos Cristão temos a oportunidade de colocar este sonho em prática, fortalecendo o ecumenismo através do CONIC nacional, quem recebe 60% do valor arrecadado, e do MOVEC aqui em Curitiba, quem recebe 40%. Faço orações que a Semana de 2019 significará, para muitos, uma cooperação cada vez mais firme entre as igrejas para que estas possam garantir, internamente e na sociedade mais ampla, a justiça da qual fala nosso lema, e somente a justiça – nada além dela.
 
*Pastor Rudolf é natural de Basiléia/Suíça. Doutor e Livre-Docente em Teologia. Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. De 2003-19 foi professor de Teologia Sistemática, Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso na Faculdades EST em São Leopoldo/RS; desde 2019 é professor adjunto de Teologia Sistemática na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba/PR.
 
Foto: Pixabay

 
Reunidos entre os dias 28 e 30 de maio de 2019 para a XVIII Assembleia Geral Ordinária do CONIC, delegadas e delegados do Conselho aprovaram uma “moção de repúdio ao contingenciamento e cortes no orçamento da Educação e aos intentos do governo Bolsonaro de revogar o nome de Paulo Freire como patrono da Educação no Brasil”. A moção foi proposta pelo Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão (CIER).
 
Confira a íntegra:
 
São Paulo, 30 de maio de 2019
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), reunido em Assembleia Ordinária nos dias 28, 29 e 30 de maio em São Paulo/SP aprovou moção de repúdio ao contingenciamento e cortes no orçamento da Educação e aos intentos do governo Bolsonaro de revogar o nome de Paulo Freire como patrono da Educação no Brasil. Tais cortes tem por objetivo o desmonte da Educação que vinha de forma lenta, mas, gradual dando oportunidade de acesso à Educação pública e gratuita para pessoas de todas as classes sociais.
 
Em relação a Paulo Freire, o CONIC como organismo de igrejas ecumênico de âmbito nacional enfatiza a importância e relevância deste educador para o Brasil e para o mundo. Relembra que Paulo Freire aceitou o convite do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pelo testemunho prático da pedagogia libertadora, para implantar o programa de Educação de base na, então recém- libertada (1969) colônia de Guiné Bissau. 
 
O olhar de Paulo Freire é de amorosidade e de encantamento pela Educação em contraste com o discurso beligerante, de ódio e de negação irracional da Ciência, do conhecimento e da verdade.

 
Buscando animar as celebrações da Semana de Oração pela Unidade Cristã, o bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Naudal Gomes, escreve carta falando sobre a importância do diálogo para a fé cristã. "É na caminhada de diálogo, acolhida, hospitalidade e respeito as diferentes tradições e religiões que fortalecemos nossa fé e nossa identidade como gente comprometida com os fundamentos do Reino de Deus". Ele defende ao longo do texto que "é impossível ser cristão não estando aberto ao diálogo". E aí, você concorda?
 
Confira, a seguir, o texto na íntegra:
 
Procurarás a justiça, nada além da justiça. (Deuteronômio 16, 18-20)
 
Desde meu tempo de juventude, atualmente celebro quarenta anos de ordenação, tenho tido diferentes experiências na caminhada ecumênica e inter-religiosa e, por onde passei, liderando comunidades anglicanas, animei o povo da igreja a se somar nessa experiência. É na caminhada de diálogo, acolhida, hospitalidade e respeito as diferentes tradições e religiões que fortalecemos nossa fé e nossa identidade como gente comprometida com os fundamentos do Reino de Deus.
 
Nessa relação reconhecemos nossas limitações e fragilidades, que são muito semelhantes a dos demais, como também reconhecemos nossas fortalezas e as coisas boas que nós mesmos e os demais possuem. Assim, aprendemos uns com os outros, enriquecemos nossa experiência de fé e vida.
 
É impossível ser cristão não estando aberto ao diálogo, a parceria, a caminhada comum. A fé em Jesus, de quem nos dizemos discípulos e discipulas, exige de nós essa atitude e ação. Alguns dizem que muitos se reúnem somente na Semana da Unidade, ou se reúnem somente para orar. Mas, devemos nos alegrar com a oportunidade que temos de nos reunirmos para orar juntos. A oração comum ecumênica, será o primeiro passo para desafios maiores da prática cristã, nos gestos de solidariedade, na luta por justiça e direitos, que são fundamentos do entendimento bíblico do que seja o Reino de Deus.
 
Novamente temos a oportunidade de nos comprometermos com a Semana de Oração da Unidade Cristã, como sempre na semana que antecede a Festa da Pentecostes, em 2019, de 02 a 09 de junho. Semos inspirados/as com a liturgia preparada por cristãos da Indonésia que, olhando sua realidade e contexto, nos brindam com a passagem de Deuteronômio: “procurarás a justiça nada além da justiça” (Dt 16: 18 – 20).
 
O texto e a mensagem bíblica escolhida responde ao sentimento e avaliação que as pessoas cristãs da Indonésia fizeram da sua realidade. A atitude deles é a mesma encontrada nos profetas bíblicos e na própria atitude de Jesus diante de sua realidade. A vida das pessoas individualmente e suas relações sociais e institucionais interessam a Deus pois irão expressar quão perto ou quão distante estarão dos fundamentos daquilo que a Bíblia se refere como fundamentos do seu Reino, e a “justiça” é um desses fundamentos.
 
Em Deuteronômio, inspiração para 2019, a preocupação está diretamente relacionada com o judiciário, sua ética, sua lisura e suas sentenças. Nesse contexto, juízes serão escolhidos para que “julguem o povo com sentenças justas”, que ajam de tal forma para que “não pervertam o direito, que a lei seja igual para todas as pessoas. Não aceitem suborno pois este cega e falseia a causa dos justos”. E, no verso 20, concluiu “busque somente a justiça”. Dessa forma, agindo dessa maneira, tendo esse comportamento, “buscando somente a justiça”, tomem posse da terra prometida. A posse da terra prometida está relacionada com a prática da justiça. Sem justiça esta não existirá, sua posse ficará prejudicada. Ficar sem a terra prometida será o mesmo que renunciar a Deus.
 
Acredito que nossas irmãs e irmãs que nos inspiram com esse texto desejam que nós mesmos, em nosso contexto social, político e religioso no qual vivemos em nosso país, reflitamos sobre o que nos cabe fazer como pessoas de fé. A semelhança deles, nossa realidade não é muito diferente. A corrupção tem alcançado índices alarmantes em diferentes níveis e instituições sociais e isso tem trazido descrédito e desalento, a ponto de não acreditarmos mais nelas. Esse sentimento nos leva a atitudes individualistas e perigosos como a tentação de “fazer justiça com as próprias mãos”, que sabemos, não contribuiu para o diálogo, para a paz e, muito menos, para que a justiça reflita o desejo e sonho de Deus para nossa vida nesta “terra prometida”.
 
Na Semana de Oração pela Unidade Cristã somos animados, desafiados a nos desacomodar do “conforto” do nosso aconchego institucional, para nos juntarmos a outros irmãos e irmãs, para orar juntos. Nossa oração comum deve ser, em primeiro lugar, uma oportunidade para ouvir a palavra e vontade de Deus para nós, enquanto indivíduos e instituições cristãs. E, certamente, Deus falará para nossa vida, para nosso contexto, para nossa realidade. Certamente ouviremos de nosso Deus: “procurem a justiça, nada além da justiça” (quem tem ouvidos para ouvir, ouça!).
 
Por que “procurar a justiça e nada além da justiça”? Porque temos aprendido da Palavra de Deus que ela é um dos fundamentos do seu Reino, porque “ela se abraça com e beija a paz”, porque assim buscaremos, com todo o nosso ser, viver a “terra prometida” aqui e agora.
 
Desejo e oro para que a Semana de Unidade Cristã nos reúna para oração comum, mas que, por outro lado, fortaleça nossa atitude e palavra profética, de anuncio e denuncia, e busquemos viver o amor fraternal e a solidariedade da justiça do Reino.
 
Naudal Gomes
Bispo Diocesano da Diocese Anglicana do Paraná e Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
 
Crédito da Imagem: Joka Fotos

 
Na noite deste domingo, 2 de junho, teve início a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC). Em Blumenau, Santa Catarina, a celebração de abertura da SOUC foi realizada na Paróquia Imaculada Conceição, no bairro Vila Nova, e contou com a presença do presidente do CONIC, pastor Inácio Lemke. Além dele, estavam presentes representantes das igrejas Católica Apostólica Romana (ICAR), Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e Evangélica Luterana do Brasil (IELB).
 
 
A homilia da noite ficou por conta do pastor sinodal Guilherme Lieven (IECLB). Fazendo alusão ao tema da Semana, que é baseado em Deuteronômio 16.11-20, Lieven afirmou que precisamos olhar com coragem e honestidade para nós mesmos, fixando olhar em Cristo, e perguntando: “Como eu quero justiça se eu mesmo sou injusto?”. Em seguida, fez um apelo muito oportuno à assembleia atenta: “Vamos dizer não para aquilo que engana, para aquilo que divide, para aquilo que mata”.
 
Testemunho
 
Um dos momentos mais especiais da noite – entre tantos – foi o testemunho do pastor Hugo Westphal (IECLB). Ele dividiu com os presentes, já no fim da celebração, trechos de sua vida em que o ecumenismo veio “à flor da pele”, pontuou desafios enfrentados ao longo da caminhada e destacou a antiga amizade com o Padre Raul Kestring. 
 
 
Apresentação do CONIC
 
O pastor Inácio Lemke, num dos momentos da celebração, teve a oportunidade de falar sobre o CONIC. Em resumo, ele informou quais são as igrejas-membro e pontuou brevemente os trabalhos desenvolvidos pelo Conselho. Outra informação compartilhada foi a de que, em 2021, a Campanha da Fraternidade será Ecumênica.
 
  

 
O site da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) criou uma página, dentro do Portal Luteranos, voltada exclusivamente à divulgação da Semana de Oração pela Unidade Cristã: IECLB e SOUC. No local, o leitor poderá conferir a programação de celebrações em alguns estados e também ter acesso a conteúdo exclusivo, incluindo prédicas de pastores luteranos sobre a temática da unidade.
 
A iniciativa da IECLB soma esforços, junto ao CONIC Nacional, no sentido de popularizar tão importante celebração em prol do diálogo, do respeito e da convivência fraternal entre as diferentes tradições cristãs.
 
Clique na imagem abaixo e confira a novidade:
 
 

 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), formado pela Aliança Batista do Brasil (ABB), Igreja Católica Apostólica Romana (CNBB), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), realiza, anualmente, a Semana de Oração pela Unidade Cristã.
 
Na carta escrita por lideranças das igrejas-membro, lemos que “a Semana de Oração pela Unidade de 2019 foi preparada pelas igrejas da Indonésia, um país multirreligioso e com uma diversidade étnica surpreendente. No entanto, a pluralidade ao invés de ser motivo de alegria e celebração, tem sido em algumas situações, causa de divisões e agressões. Assim como no Brasil, na Indonésia, o fundamentalismo religioso ou a supremacia de um grupo étnico sobre outro, tem significado forte divisão no país, que também é caracterizada por acentuada desigualdade econômica”.
 
“As igrejas da Indonésia nos convidam a refletir sobre a justiça a partir da unidade na diversidade, conceito importante para o ecumenismo. A justiça precisa garantir a dignidade e a integridade de todas as expressões culturais e religiosas e precisa zelar pela Criação de Deus”, diz outro trecho do documento.
 
O Brasil está passando por contínuo processo de polarização prolongada, desde a disputa eleitoral de 2014, impeachment da ex-presidente Dilma e eleições de 2018. Feridas abertas e não cicatrizadas, discurso de ódio para todos os lados.
 
De que lado você está, vermelho ou azul? Pobres ou ricos? Burro ou inteligente? Capitalista ou socialista? Brancos ou negros? Periferia ou asfalto? Qual a tua religião? Palestina ou Israel? Com muro ou sem muro? Contra ou a favor das migrações?  
 
O marketing do ódio também utiliza os 4Ps, do marketing tradicional, Preço, Produto, Promoção e Ponto de venda e, no centro, estamos nós distribuindo de alguma forma reflexos do ódio, e sendo segmentados. Podemos imaginar um Supermercado chamado Brasil, com gôndolas, e brasileiros separados como produtos, mercadorias, marionetes, que são posicionadas de acordo com interesses de poder nos seguimentos da política, religião, justiça, empresarial e manutenção de influência nos altos escalões da república.
 
Técnicas de marketing e propaganda política premeditadas, orgânicas, que acabam por dividir de forma perversa a sociedade brasileira, o clássico NÓS contra ELES, estimulado e turbinado cegamente nas redes sociais. Quem de nós não tem um relato pra contar? Sem falar no festival fake news.
 
Temos muitos problemas pretéritos e presentes, estamos cada vez mais segmentados, separados, e o número de gôndolas aumenta na velocidade da complexidade dos problemas e no grau de ódio. Isto não significa, que precisamos desesperadamente de “propensas divindades”, salvadores da pátria, populistas, super-togas e super-heróis nas cores verde-oliva. “Procurarás a justiça, nada além da justiça” (cf. Dt 16, 18-20).
 
Vamos lembrar que, desde há muito, e ainda hoje, práticas do submundo da república tentam a todo o momento enfraquecer os três poderes, pilares da república, alicerces da democracia. Nossa democracia exige, mais do que nunca, especialmente os mais de 14 milhões de desempregados, unidade e ações eficazes que tenham impacto no nosso cotidiano.   
 
O que foi e será revelado pela luz da justiça é válido também para todos nós que somos igreja, independente de hierarquias, denominações e crenças, mas que buscamos na nossa diversidade promover o bem comum, fortalecidos na comunhão, unidos na construção da pacificação e respeito às diferenças tão presentes nas “gôndolas” do Supermercado Brasil.
 
“Que todos nós que acreditamos em Deus; Saibamos viver em paz e dialogar; Que todos nós que cremos que deus é pai; Saibamos nos respeitar e nos abraçar; Filhos do universo; Filhos do mesmo amor; Saibamos amar uns aos outros; Ouvir o que o outro nos tem à dizer; E sem combater; Sem desmerecer; Primeiro escutar; Depois discordar; Por fim, celebrar e orar; E adorar e servir a Deus; E ajudar e ajudar as pessoas; E respeitar os ateus”. (Canção Ecumênica, padre Zezinho).
 
 
Texto: Dado Galvão, cineasta documentarista, Bacharel em Administração em Marketing pela FTC, Especialista em Fotografia pela UNIARA, estudante de Teologia Católica pela UNITER, agente da Pastoral Carcerária da Diocese de Jequié/BA, idealizador da missão cultural e humanitária Ushuaia, Venezuela.
 
Imagem: Reprodução / Dado Galvão

 
Os franciscanos da Província Franciscana na Imaculada Conceição, entusiastas do ecumenismo, criaram, no site oficial da Província, um espaço totalmente dedicado à Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC 2019). O local traz desde informações básicas sobre a Semana, até conteúdos exclusivos, como a série de entrevistas que eles estão organizando realizando com facilitadores ecumênicos em nível nacional.
 
Sem dúvidas, essa bela iniciativa ajuda a provocar a reflexão sobre o tema do ecumenismo e motiva para que as comunidades se organizem e iniciem - ou fortalecem - a relação com outras denominações cristãs, valorizando aquilo que os une enquanto seguidores de Cristo.
 
Clique na imagem abaixo e confira tudo o que eles prepararam:
 
 
CONIC com informações da Província
Imagens: Reprodução

 
Começa neste domingo, 2 de junho, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC). Até o dia 9 de junho, cristãs e cristãos de todo o Brasil se reunirão para celebrar o diálogo entre igrejas cristãs, a convivência pacífica e o respeito pela diversidade. O tema da SOUC este ano foi inspirado no livro de Deuteronômio: “Procurarás a justiça, nada além da justiça” (Dt 16.11-20).
 
“A Semana de Oração pela Unidade Cristã 2019 nos convida a celebrarmos a Justiça fundamentada na graça de Deus. Esta justiça nos desafia a olharmos para a complexidade dos problemas da humanidade, a revermos as relações de poder e a compreendermos que os interesses individuais ou de grupos econômicos não podem ser colocados acima dos seres humanos, da integridade da Criação e do bem-estar da humanidade”, diz um trecho da carta enviada pelas Igrejas-membro do CONIC.
 
CARTAZ
 
O cartaz que ilustra a SOUC 2019 (vide abaixo) foi escolhido em um concurso organizado pelo CONIC-MG. A arte vencedora, intitulada “Jesus, o equilíbrio da Vida”, foi enviada pela artista Mariana da Silva Souza, 16 anos, moradora de Belo Horizonte (MG). 
 
 
INTRODUÇÃO AO TEMA 
 
A Semana de Oração pela Unidade Cristã em 2019 foi preparada por cristãos da Indonésia. Com uma população de 265 milhões, 86% dos quais se identificam como muçulmanos, a Indonésia é bem conhecida como o país que tem a maior população muçulmana. No entanto, 10% dos indonésios são cristãos de tradições diversas. Tanto em termos de população como de grande extensão de terra, a Indonésia é a maior nação do sudeste da Ásia. Tem mais de 17.000 ilhas, 1.340 diferentes grupos étnicos e mais de 740 línguas locais, mas ainda assim está unida na sua pluralidade pela língua nacional Bahasa Indonésia. 
 
A nação se baseia em cinco princípios chamados Pancasila, com o lema Bhineka Tunggal Ika (unidade na diversidade). No meio da diversidade de etnias, linguagem e religião, os indonésios têm vivido pelo princípio de gotong royong, que é viver em solidariedade e com colaboração. Isso significa ter partilha nos diversos campos da vida, no trabalho, nas tristezas e festividades, vendo todos os indonésios como irmãos e irmãs.
 
Essa sempre frágil harmonia é hoje ameaçada de novas maneiras. Muito do crescimento econômico que a Indonésia tem experimentado em décadas recentes tem sido construído com um sistema centrado na competição. Isso está em evidente contraste com a colaboração de gotong royong. A corrupção é experimentada de muitas maneiras. Ela infecta a política e os empreendimentos, frequentemente com consequências devastadoras para o ambiente. Em particular, a corrupção enfraquece a justiça e a implementação da lei. 
 
Movidos por essas considerações, os cristãos da Indonésia sentiram que as palavras do Deuteronômio - "procurarás a justiça, nada além da justiça" (veja Dt 16, 18-20) - falavam fortemente sobre sua situação e suas necessidades. Antes do povo de Deus entrar na terra que Deus lhes tinha prometido, eles fizeram a renovação de seu compromisso com a Aliança que Deus estabelecera com eles.
 
OFERTA
 
A oferta da SOUC simboliza o comprometimento das pessoas com o ecumenismo. É uma forma concreta de mostrar que acreditamos realmente na unidade dos cristãos (João 17:21). Os frutos das ofertas doadas ao longo da Semana são distribuídos, anualmente, da seguinte maneira: 40% para a representação regional do CONIC (onde houver), que é destinado a subsidiar reuniões e atividades ecumênicas locais, e 60% para o CONIC Nacional, para projetos de maior alcance.
 
Vale lembrar que a oferta faz parte da celebração, logo, reserve um momento da liturgia para realizá-la. É um momento de gratidão pelas coisas boas que recebemos de Deus. Ofertas também poderão ser recolhidas nos encontros temáticos, durante a Semana.
 
Conta para depósito da coleta:
 
Banco Bradesco
Agência: 0606-8
Conta Poupança: 112.888-4
Sempre que possível, faça depósito identificado: CNPJ: 00.721.266/0001-23.

 
São Paulo, 30 de maio de 2019
 
É Ele, com efeito, que é a nossa paz...
Destruiu o muro da separação: o ódio” (Ef 2.14)
 
 
Inspirado pelo texto de Efésios, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) esteve reunido em Assembleia, entre os dias 28 e 30 de maio, na cidade de São Paulo/SP. 
 
Enquanto igrejas cristãs e instituições companheiras fraternas, o evento buscou, em unidade, fortalecer o diálogo e a causa ecumênica. Enquanto pessoas comprometidas com esta causa, nos engajamos para construir um encontro repleto de diálogos e reflexões sobre questões que nos movem a sermos pessoas transformadoras, mesmo diante de realidades cada vez mais desafiadoras. 
 
Refletimos sobre o contexto brasileiro e sobre os desafios da nossa missão: a de sermos pessoas que anunciam o amor de Deus e buscam a promoção da justiça para todas as pessoas, em especial aquelas que são cotidianamente assassinadas nas periferias e cidades porque são negras e jovens; indígenas e quilombolas que a cada dia são ameaçadas de expulsão de seus territórios, que são símbolo de sua identidade e meio de vida; as que sofrem perseguição, especialmente as religiões de matriz afro-brasileira, por grupos intolerantes; as que são ameaçadas pelo crescimento do desemprego e da pobreza; as que sofrem violência doméstica e violência nas ruas por sua identidade de gênero, além das que são criminalizadas por defenderem os direitos humanos.
 
Um dos princípios fundamentais da nossa fé nos inspira a acreditar que todas as pessoas devem ter seus direitos assegurados e que todas estão convidadas a partilhar da mesma casa comum, independentemente de sua profissão de fé. Durante esses dias, reafirmamos que a graça é para todas as pessoas, e não pode ser condicionada por qualquer outro critério, como a identidade, cor de pele ou pela ideia da meritocracia. Temos a consciência de que, enquanto um Conselho plural, temos divisões que surgem dentro de nossos próprios espaços de comunhão, as quais nos esforçamos por superar. Mesmo com imperfeições diante de Deus, queremos seguir sendo voz profética na Sua missão. 
 
Desejamos, enquanto CONIC, levar a todas as pessoas injustiçadas uma mensagem de coragem e esperança. Engrossaremos as fileiras das pessoas que buscam a justiça para que se faça valer a Constituição, a garantia de um Estado Laico de fato e a proteção das pessoas marginalizadas, pois nossa fé é expressa por meio de ações que promovem o amor como um sinal da Graça de Deus no mundo.
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC