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A Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Palmitos-SC, e a Comunidade Católica de Barra Grande, também da cidade, celebraram um acordo que permitirá a ambas utilizarem o mesmo templo – pertencente à Igreja Luterana (IECLB). 
 
O atual templo Católico necessitava de muitas reformas. Talvez, até seria necessária uma nova construção. Por outro lado, o templo evangélico luterano é novo. Em diálogo entre as comunidades se aventou a possibilidade de uso do mesmo espaço. Aprovado pelos luteranos, os irmãos católicos passaram a celebrar ali, sem a necessidade de investir alta soma de dinheiro no antigo espaço. 
 
No último dia 10 de julho, com a presença do pastor Marcos Sander, pastora Neida Altevog Sander e do 1° Vice-Presidente da IECLB, pastor Odair Braun, foi assinado o acordo. As comunidades conversaram a respeito dos símbolos, sobre a disposição do altar, a organização para zelar pelo patrimônio, bem como foram criadas as regras para uma boa convivência e utilização do espaço litúrgico.
 
Um bom tempo antes, ambas as comunidades passaram a celebrar suas atividades na igreja evangélica luterana. O curioso é que os cultos e missas passaram a ter maior frequência, conforme relatam as lideranças locais. Agora, quando tem missa, os evangélicos participam. De igual modo, quando tem culto, os católicos também se integram. Todavia, há uma clareza quanto à confessionalidade das partes.
 
Na área de abrangência da Paróquia Evangélica de Palmitos há mais dois locais de uso partilhado entre as Igrejas. Um no Bairro Santa Terezinha e outro na Linha Santa Terezinha. 
 
Como dizia santo Agostinho, “Nas coisas essenciais, a unidade; nas coisas não essenciais, a liberdade; em todas as coisas, a caridade”. 
 
Fonte: IECLB/ICAR
Foto: Reprodução
 

 
O babalaô e doutor em História pela UFRJ Ivanir dos Santos recebeu um prêmio do Departamento de Estado do Governo dos Estados Unidos pela importância na luta contra a intolerância a praticantes de religiões de matriz africana no Brasil. O brasileiro foi o único representante do hemisfério ocidental a ser premiado no evento.
 
A premiação aconteceu durante a Ministerial Advance Religious Freedom, uma conferência sobre a liberdade religiosa, realizada anualmente em Washington, e contou com a presença do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. Ivanir foi homenageado ao lado de outros cinco líderes religiosos: Mohamed Yosaif Abdalrahan, do Sudão; Iman Abubakar Abdullahi, da Nigéria; Pascale e William Warda, do Iraque; e Salpy Eskidjian Weiderud, do Chipre.
 
O Embaixador Geral para Liberdade Religiosa Sam Brownback, apresentou cada premiado e, ao falar sobre Ivanir dos Santos, ressaltou a importância de sua atuação à frente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR).
 
— O prêmio é de todos e todas que ao longos desses anos vem lutando e contribuindo para um país mais justo e igualitário. Eu estou imensamente honrado e muito fortalecido com o reconhecimento das nossas ações. Acredito que teremos mais possibilidade para a internacionalização das nossas causas e pautas. Meu papel aqui em Washington é chamar a atenção das autoridades internacionais paras os casos de intolerância religiosa que vem crescendo a cada vez mais no Brasil — disse Ivanir dos Santos.
 
Em sua 1ª edição, os jurados fizeram uma criteriosa avaliação com lideranças em todos os continentes. A principal missão do referido departamento é "monitorar as perseguições religiosas e a discriminação em todo o mundo, com o intuito de implementar políticas nas respectivas regiões ou países e desenvolver programas para promover a liberdade religiosa", além de destacar ativistas que lutam incansavelmente pela causa.
 
Fomentar a liberdade religiosa globalmente é um dos desafios do século 21 e uma prioridade da política externa norte-americana. O encarregado de Negócios da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil, William Popp, afirmou durante o evento que os Estados Unidos jamais serão espectadores de qualquer tipo de opressão. “Cada pessoa no mundo deve ser livre para acreditar ou deixar de acreditar naquilo que desejar. Seremos sempre incansáveis na busca pelo exercício da liberdade de religião ou crença, que é um valor fundamental para os EUA e um direito humano universal”, explicou.
 
Com informações do Extra
Foto: Reprodução / Extra

 
A Iniciativa das Religiões Unidas (URI), presente em 110 países com 1.000 Círculos de Cooperação, vem a público para se opor veementemente a todos os atos de violência e em particular os que ferem o livre exercício de práticas religiosas e ou espirituais, de tradições africanas, indígenas e demais convicções de qualquer natureza, na forma e onde quer que sejam praticadas.
 
A Constituição brasileira garante o direito à livre escolha de culto de cada cidadão. Sendo o Brasil um Estado laico, assim mesmo temos assistido desde ofensas, agressões físicas até a interdição e derrubada de templos. Intolerância espalhada inclusive por alguns meios de comunicação. Aproveitamos para manifestar nossa preocupação em relação à liberação de mais armas no país. 
 
Temos que estar atentos aos discursos de ódio contra religiões afro-brasileiras, ou quaisquer outras tradições religiosas, com pautas morais conservadoras e/ou agressivas que têm alcançado todos os níveis da política brasileira.
 
Em nível mundial, achamos oportuno trazer a voz do Diretor Executivo da URI Global, Victor Kazanjian, que diante dos vários atentados ocorridos a templos religiosos em março de 2019, enviou a seguinte mensagem:
 
“Conclamamos a todas as pessoas do mundo a condenar esses atos de ódio e também a responsabilizar os líderes em todos os países cuja retórica divisiva e desumanizadora cria um clima que tolera e incentiva o preconceito e o ódio que se manifesta de muitas formas. Neste momento de inquietação, abrimos nossos corações liberando o poder de nosso amor, conectando-nos uns aos outros em laços inquebrantáveis de relacionamento e permitindo-nos construir e reconstruir comunidades que finalmente se fortalecem com a beleza de nossa diversidade”.
 
É hora de nos unirmos para transformar essa realidade!
“Somos os frutos de uma só árvore e as folhas de um único ramo”
 
O Estado é laico, o Brasil e o Planeta são sagrados e todos queremos paz!
 
URI – Iniciativa das Religiões Unidas
Julho/2019

 
Por: Sônia Mota [1]
 
Vivemos em tempos de mercados, consumismos, índices e estatísticas que querem nos fazer acreditar que o crescimento econômico de um país é o melhor sinal do seu progresso. Quando os índices de crescimento são bons e o consumo é alto, o mercado se anima. Mas se os índices forem negativos, o mercado entra em pânico. Esta é a lógica do sistema de mercado, a alma da economia capitalista.
 
Enquanto a economia de mercado apregoa o aumento do consumo para alcançarmos um grau cada vez maior de felicidade, o continente convive cotidianamente com a miséria. São cinco séculos de invasões de terras, extermínio e espoliação de populações tradicionais, violência contra mulheres, exploração de trabalhadores/as, abuso econômico e sexual de crianças, dizimação de jovens negros, destruição da natureza.
 
Para muitos, a lógica do mercado que explora recursos naturais como se fossem infinitos é algo natural e imutável. Lamentavelmente até discursos religiosos cristãos justificam este sistema, considerando-o uma “bênção”, já que traz “prosperidade”. Eles, no fundo, legitimam formas desiguais de viver no mundo.
 
Mas há as igrejas que não compactuam com o discurso da “prosperidade” e da felicidade através do consumo e estão preocupadas com a situação. Como atuar neste cenário? Ou, nas palavras do saudoso teólogo João Dias de Araújo:
 
Que estamos fazendo se somos cristãos/ãs?
Há muita gente sem lar, sem pão.
Há muitas vidas esperando a nossa ação.
Não só a alma do mal salvar também o corpo ressuscitar.
 
A partir da afirmação teológica de que todas as pessoas são criadas à imagem de Deus, com o direito e o potencial de viver vidas dignificadas em comunidades sustentáveis, os membros da Aliança ACT[2] estabelecem o princípio e o compromisso com um desenvolvimento transformador.
 
Desenvolvimento transformador tem a ver com atitudes e ações para que todas as pessoas tenham respeitados seus direitos humanos de procedência divina. Num mundo cada vez mais globalizado, as vidas mais e mais estão interligadas. Por isso, desenvolvimento transformador implica mudança para todas as pessoas envolvidas: aquelas com poder, riqueza e influência – que controlam e usam mais do que sua porção de recursos – e aquelas por demais prejudicadas por estruturas e sistemas opressores.
 
A profissão desta fé exige a rejeição daquelas condições, estruturas e sistemas que perpetuam a pobreza e a injustiça, o abuso dos direitos humanos e a destruição do meio ambiente.[3]
 
Esta compreensão de desenvolvimento transformador respalda as ações das organizações que compõem a Aliança e é um bom parâmetro também para as igrejas que querem refletir sobre suas ações pastorais e seu compromisso cm uma justiça social: caminhar ao lado dos empobrecidos deste continente que precisam de apoio, consolo, solidariedade e cumplicidade nas suas lutas. Ele motiva as igrejas a fazer uma análise crítica da realidade e encontrar novas opções de atuação pastoral que possam traduzir o amor ao próximo em ações concretas de superação de injustiça e desigualdade.
 
Uma atuação pastoral para preservação da vida está necessariamente atenta aos clamores do povo. E são muitos os gritos e desafios. Não é possível estar em todas as frentes de luta; é necessário escolher em quais queremos estar. Como igrejas, podemos fazer ecoar os clamores nas redes em que estamos inseridas, mas também há gritos que estão perto de nós e requerem a atuação fundamental das igrejas locais. Não há como abarcar todas as lutas do continente latino-americano; destaco apenas algumas. A leitora e o leitor podem ter outras.
 
A questão ambiental
 
O conflito ambiental se dá quando uma comunidade é colocada em situação de injustiça ambiental e social. Hoje existe uma antecipação a possíveis conflitos ambientais entre as empresas e comunidades. É possível e necessário que as igrejas através das pastorais específicas e os movimentos sociais envolvidos tenham como estratégia construir intervenções metodológicas, educativas e de resistência para fortalecer as lutas antecipatórias.
 
Os movimentos sociais ambientais, rurais e urbanos, estão discutindo e buscando combater a cultura do agronegócio que ameaça a biodiversidade. A questão passa a ser não só a terra no sentido de reprodução, mas também de identidade; a perda do território significa a destruição dos solos, dos ecossistemas, da vida comunitária. É um embate contra a lógica do agronegócio, sustentada com os recursos naturais das comunidades tradicionais, que são espaços conservados.
 
O clamor do povo se expressa na voz de Alexandre Anderson [4]:
 
Progresso para quem? Apenas para as grandes indústrias. Não somos contra o progresso, somos contra a destruição do ecossistema pelas grandes indústrias enquanto a gente está colhendo somente o ônus.
 
Nossa ação pastoral está motivada em Gn 1,31:
 
E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom.
 
Sabemos o que fazer, individualmente, para preservar a boa criação de Deus e a continuidade da vida no planeta: ter consciência do consumo de água e alimentos, lidar responsavelmente com o lixo doméstico, aderir a campanhas contra a destruição de rios e florestas e boicotar produtos de empresas exploradoras. Além disso, as igrejas podem divulgar, em seus meios de comunicação, as ações de empresas que degradam o meio ambiente. Igrejas e indivíduos podem engajar-se em movimentos que buscam políticas públicas de proteção ambiental, de preservação das matas nativas e das sementes crioulas. Importante também é saber que a monocultura é um atentado contra a diversidade da boa criação de Deus.
 
Aprendemos com a Bíblia, os mártires e a doutrina social das igrejas que a propriedade tem “finalidade social”, pois a terra é dom de Deus para todas as pessoas e os frutos da terra não são propriedade de poucos.
 
A defesa dos povos e das culturas tradicionais
 
Hoje, muitos povos tradicionais da terra, das florestas e das águas – indígenas, quilombolas, ribeirinhos, coletores, pescadores tradicionais – têm seus territórios ameaçados pela aquicultura empresarial, o agronegócio, os grandes empreendimentos turísticos e os tóxicos que envenenam o ambiente. Poderosos empreiteiros privatizam as águas e, através de cercas, açambarcam territórios que pertencem a povos tradicionais, ameaçando até sua espiritualidade. O poder do dinheiro está destruindo a utopia da “terra sem males”, mas, da união dos povos da terra, das florestas, do rio e do mar está vindo a reação.
 
Este é o clamor desse povo:
 
Nossa principal luta hoje é para garantir o acesso à terra. O Congresso hoje está tentando tirar nosso direito com a PEC 215. Direito não é prá tirar, é prá ser cumprido. (Anastácio Peralta – Guarani Kaiowa / MS)
 
A nossa ação pastoral se apoia no texto de Isaías 10,1:
 
Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos.
 
O serviço profético da Igreja nos impele a colocar-nos ao lado dos indefesos e ameaçados pelo poder do capital. A ação pastoral buscará apoiar ações destes grupos no enfrentamento dos grandes projetos que cercam terras e águas, desmatam a floresta e destroem territórios, culturas, modos de vida e religiosidades. A nossa cidadania batismal nos constrange à solidariedade com estas populações que lutam de forma desigual para viver com dignidade e ter seu modo de viver respeitado. Como pastores/as somos convocados/as a devolver-lhes a esperança e a confiança para resistir e organizar as suas próprias saídas da crise.
 
A violência econômica contra as mulheres
 
A violência econômica é uma das muitas violências que atingem as mulheres. Segundo dados da ONU, 70% das pessoas que vivem em situação de pobreza no mundo são mulheres. Em nosso continente, onde o trabalho de milhões é muito mal remunerado, as mulheres têm a carga mais pesada, pois recebem bem menos que os homens pelo mesmo trabalho. O trabalho das mulheres é explorado no campo e nas cidades, no emprego formal e no informal. Os trabalhos domésticos realizados por mulheres em sua casa, de forma não remunerada, não aparecem nas estatísticas e nos indicadores econômicos. Esta dupla ou tripla jornada, muitas vezes chamada de “Economia do Cuidado”, é geralmente invisibilizada, desvalorizada financeiramente e sujeita a violência física e a pressões psicológicas, sociais e culturais.
 
Muitas populações dependem de pequenas economias de subsistência que estão sendo ameaçadas por grandes empresas, o que tira seus meios de subsistência, afetando toda a família, em especial, as crianças.
 
Das mulheres vem o seguinte clamor:
 
As atingidas por barragem não são reconhecidas, justamente por não terem o título da terra. As empresas não as reconhecem como atingidas, nem o estado brasileiro. (Daiane Höhn dirigente do Movimento dos Atingidos por Barragem – MAB)
 
Uma ação pastoral da igreja se assentará sobre a percepção de que a lógica do mercado é contrária à vida, pois viola direitos e cria desigualdades. Ela promoverá reflexões e ações que desmascarem o sistema patriarcal que se manifesta nos discursos sobre a submissão das mulheres, pretensamente legitimados pela religião. Por isso, além de poderem ser espaços de acolhida de mulheres vítimas de violência e de discussão aberta sobre a violência doméstica, as igrejas têm a tarefa de desconstruir os discursos que buscam subordinar a mulher ao homem e redescobrir, na própria Bíblia, textos que deslegitimam esta subordinação. O mito de que as mulheres são “naturalmente” dotadas para cuidarem de crianças, idosos e enfermos deve ser revisto. De suma importância, na atuação pastoral, é o apoio às lutas por políticas públicas que valorizem o trabalho doméstico e reconheçam o trabalho feminino em todos os âmbitos.
 
A intolerância religiosa e o diálogo inter-religioso
 
A intolerância religiosa tem muito mais a ver com economia do que imaginamos. Ela vem revestida de um contexto político, social e econômico e há vários interesses por trás do incentivo aos conflitos religiosos. A intolerância religiosa se dirige, na maioria das vezes, contra grupos social e economicamente vulneráveis e minorias religiosas ou raciais, revelando a face mais cruel do fundamentalismo: o preconceito. No contexto brasileiro, indígenas e negros são os que mais sofrem com a intolerância religiosa. Não é acaso que justamente estes grupos são os mais fragilizados social e economicamente. A mentalidade branca herdou algumas características dos conquistadores europeus e dos donos de terras e engenhos, entre elas a ideia de que a fé cristã é superior e, por isso, dá o direito de domínio sobre as pessoas que não a professam. Assim, os grupos que tradicionalmente detêm o poder político e econômico não correm o risco de perdê-lo.
 
Escutemos o clamor do povo:
 
Enquanto não entenderem que cada qual pode seguir sua religião, a intolerância só vai aumentar. Por que não respeitam a minha forma de acreditar em Deus? Será que Ele só tem um nome e um jeito de ser? Eu só quero viver em paz e cultuar meus orixás.  (Mãe Branca de Xangô- Ialorixá do Terreiro Ilê Asé Obá Seré – Salvador, BA).
 
A ação pastoral terá em mente Mateus 5,9: “Bem aventurados os que semeiam a paz, porque serão chamados filhos de Deus”.
 
“Não haverá paz no mundo se não houver paz entre as religiões”.[5] Poderíamos interpretar assim esta frase do teólogo Hans Küng: não haverá bem estar coletivo se não conseguirmos eliminar os preconceitos que dominam nossas ações. Portanto, a atuação pastoral que busca fortalecer o movimento ecumênico e o diálogo entre as religiões é fundamental para a desconstrução de preconceitos e a construção de uma sociedade que possibilite o bem estar de todas as minorias.
 
Continuando a reflexão
 
Nossas igrejas têm a tarefa de ser voz profética em defesa dos mais fracos em nosso continente. Mas, diante dos enormes desafios, talvez elas devam ir além de denúncias tópicas de injustiças para pensar na articulação de algo maior: um novo projeto de nação que possa construir uma sociedade justa e fraterna. Isso implica profunda revisão de nossa vida e nossas práticas, pois requer que se substitua a lógica do sistema de mercado, baseada na produção e no lucro, pela lógica do cuidado da vida para todos.
 
BIBLIOGRAFIA
 
A BÍBLIA SAGRADA. Edição Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida. Barueri: SBB
GEBARA, Ivone. A mobilidade da Senzala Feminina. Mulheres nordestinas, vida melhor e feminismo. São Paulo: Paulinas 2000.
SCHINELO, Edmilson. Conjuntura Brasileira: troquemos o PIB pelo FIB. In: Teologia da Libertação e Educação Popular. Raízes e Asas. São Leopoldo: CEBI, 2010.
BEDFORD, Nancy; STRIZZI, Marisa (Org.) El mundo palpita: economia, género y teología. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Iglesias/ Instituto Universitário ISEDET, 2006.
SOF- Sempreviva Organização Feminista. Trabalho, Corpo e Vida das mulheres. Uma leitura feminista sobre as dinâmicas do capital nos territórios.
GRUPO Desenvolvimento e Direitos. Desenvolvimento fundamentado em direitos: uma perspectiva fundada na fé. Posicionamento conjunto.
KÜNG, Hans. Não haverá paz no mundo sem paz entre as religiões: um caminho ecumênico entre o fanatismo e o esquecimento das verdades. In: Projeto de ética mundial: uma moral ecumênica em vista da sobrevivência humana. Trad. Haroldo Reimer. 4. ed. São Paulo: Paulinas, 2003. p. 121-166.
 
[1] Pastora da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e Diretora Executiva da CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço www.cese.org.br
[2] Aliança ACT- ACT Alliance é uma coalizão de mais de 140 igrejas e organizações afiliadas que trabalham em conjunto em mais de 140 países para criar mudanças positivas e sustentáveis ​​nas vidas dos pobres e pessoas marginalizadas, independentemente da sua religião, política, sexo, orientação sexual, raça ou nacionalidade. Seus membros estão associados com o Conselho Mundial de Igrejas ou da Federação Luterana Mundial.
[3] O texto sobre Desenvolvimento Transformador foi elaborado pelo Fórum Ecumênico Brasil em 2008 e outros parceiros ecumênicos da América do Sul . O material produzido foi aprovado pelo Comitê Executivo da Aliança ACT em janeiro de 2013. O texto é um subsídio para estimular o debate sobre a mudança de paradigma de desenvolvimento.
[4] Alexandre Anderson, pescador da Baía de Guanabara, no filme Vento Forte, produzido pelo Conselho Pastoral dos Pescadores. Ameaçado de morte, faz parte do programa de proteção judicial.
[5] KÜNG, Hans. Não haverá paz no mundo sem paz entre as religiões: um caminho ecumênico entre o fanatismo e o esquecimento das verdades.
 
Fonte: Ceseep
Imagem: Claudio Pastro - Lava Pés e Ceia Pascal

 
Os venezuelanos que desejam ter uma nova chance no Brasil agora contam com mais uma oportunidade. Isto porque a Cáritas Brasileira criou uma página na internet com o objetivo de reunir currículos de migrantes e refugiados que desejam trabalhar e gerar renda. No portal, o interessado poderá se cadastrar e fornecer informações de sua atuação profissional. Existe, ainda, um espaço para que empreendedores e outros contratantes possam anunciar vagas de emprego para esse público.
 
A iniciativa faz parte do Programa Pana, uma parceria desenvolvida pela Cáritas Brasileira e pela Cáritas Suíça, com apoio do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Lançada com a página Oportunidades, a campanha “Dê oportunidade a nossos Hermanos”, faz parte do terceiro momento da iniciativa, que tem como foco promover a integração. Além da página dentro do Portal EuMigrante, há vídeos publicitários e ações nas redes sociais.
 
No portal, a Cáritas diz que a meta é favorecer mais de 3.500 pessoas, sendo pelo menos 1.224 delas imigrantes venezuelanas, a partir da integração em sete capitais do Brasil: Boa Vista (RR); Brasília (DF); Curitiba (PR); Florianópolis (SC); Porto Velho (RO); Recife (PE) e São Paulo (SP).
 
Em Brasília,  para o processo de inserção laboral, a Casa de Direitos da Cáritas já colaborou na integração de 200 migrantes, seja na elaboração dos currículos, na procura de oportunidades de trabalho, na sensibilização e orientação jurídica de empregadores e no acompanhamento do processo de adaptação ao trabalho. “Desses 200 migrantes, 75 estão trabalhando”, afirma a assessora nacional de migrações e refúgio, Hildete Emanuela N. de Souza.
 
Para ela, a iniciativa chegou para impulsionar ainda mais o processo de inserção laboral dos migrantes e refugiados. “Estamos bem animados com a Campanha e queremos que as empresas e instituições possam se sensibilizar com essa causa e contribuir de maneira mais direta na integração dos nossos irmãos e irmãs que vieram para o Brasil e tem feito desse nosso chão sagrado sua nova morada”, finaliza.
 
Saiba mais sobre a Campanha: https://eumigrante.org/oportunidades
 
Fonte: Cáritas
Foto: Reprodução

 
Com o objetivo de diminuir a pobreza e as desigualdades sociais, os países em desenvolvimento devem focar suas políticas de assistência e proteção social para o crescimento inclusivo. Mas como mensurar a eficácia dessas políticas públicas? Como assegurar que o investimento seja bem gasto e funcione para melhorar a vida daqueles que precisam?
 
Em artigo publicado pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), os autores Luis Henrique Paiva, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e Santiago Falluh Varella, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), abordam a literatura empírica acerca dos impactos da proteção social em aspectos comportamentais microeconômicos, que acabam tendo efeitos no crescimento econômico.
 
O artigo “Os impactos dos benefícios da proteção social em comportamentos potencialmente relacionados ao crescimento inclusivo: uma revisão de literatura” analisa efeitos das políticas de proteção social em pontos como consumo e poupança, oferta de mão de obra, educação, fertilidade, migração e inovação e tomada de risco.
 
A partir da análise de estudos consolidados do campo da proteção social, o artigo propõe uma visão ampla de como esses benefícios, sejam eles contributivos ou não contributivos, afetam o comportamento das escolhas econômicas do beneficiário.
 
Fazendo um paralelo, o tema tem relação direta com tópicos da economia comportamental, campo que aplica teorias psicológicas e econômicas nas tomadas de decisão monetárias. A elaboração e eficácia de políticas públicas em questões de proteção social depende diretamente do entendimento desses processos decisórios, hábitos e experiências pessoais.
 
Em relação à educação, os autores destacam evidências de relação positiva entre transferências de renda modestas — especialmente quando associadas a condicionalidades — e taxas de matrículas e frequência escolar.
 
Sobre a questão migratória, os resultados mostram que as transferências de renda ajudam a financiar a migração doméstica, o que pode beneficiar a renda das famílias. A mesma política é avaliada empiricamente por Paiva e Varella como agente viabilizador de pequenos investimentos, aprimorando estratégias na gestão dos riscos.
 
Ao mapear pontos negativos dos benefícios de proteção social, como uso do dinheiro em poupanças por trabalhadores de baixa renda e também os impactos dessas políticas na oferta de mão de obra, o estudo mostra que mesmo não havendo uma melhora nos índices de crescimento econômico, há melhora no bem-estar de agregados familiares.
 
Para os autores, as políticas em questão apresentam diversos caminhos que trazem uma visão otimista sobre os impactos gerais no crescimento econômico por vias microeconômicas.
 
 
Foto: ONU/Evan Schneider

 
O debate de ideias é sempre salutar nas sociedades democráticas. A divergência, ao contrário de empobrecer estruturas, fortalece a democracia, amplia direitos e promove a diversidade. 
 
Nos últimos meses, porém, o Brasil tem visto uma onda de discursos de ódio tomar conta das redes sociais. Nesses ambientes, sobra intolerância e falta amor. Não é por acaso que o salmista aconselha: “Evite a ira e rejeite a fúria; não se irrite: isso só leva ao mal” (Salmos 37:8).
 
Nos noticiários acompanhamos situações cada vez mais assustadoras:
 
- MBL denuncia agressão em ato de SP;
- Manifestante que levantava faixa de Marielle é agredido; 
- PM quebra braço de dirigente do PT em delegacia de Atibaia;
- Motorista avança sobre manifestação do MST e mata homem de 72 anos; 
- Homem atira contra acampamento de manifestantes a favor do ex-presidente Lula.
 
O que ainda não compreendemos?
 
Parece que ainda não entendemos que vidas são colocadas em risco quando um líder religioso afirma orar para que Deus possa “remover opositores de Bolsonaro”, ou quando um pastor famoso chama pessoas que tem afinidade com a esquerda de “esquerdopatas” – uma junção entre a palavra esquerda e psicopata ou sociopata. Enquanto cristãs e cristãos, precisamos semear a paz e trabalhar para fortalecer o diálogo pacífico de ideias (Tiago 1:19-20).
 
De acordo com a pastora presbiteriana Sônia Mota, diretora executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), vivemos um estado de barbárie. “É a materialização do ódio aliado à licença para matar com a certeza da impunidade. No caso do manifestante do MST que foi propositalmente atropelado, temos o sangue de mais um trabalhador jorrando na terra e gritando por justiça. Como pastora, lembro do Cristo, morto e assassinado pelos poderes políticos, econômicos e religiosos da sua época e penso: muda o cenário, mudam os personagens, mas a situação é a mesma. O evangelho nos impele a não calarmos enquanto sangue inocente continuar sendo derramado”, declarou.
 
“O ódio que vemos contra pobres, mulheres, indígenas, quilombolas, LGBTQI+ não é isolado. Ele está articulado com questões econômicas. É um ódio construído e fortalecido por forças econômicas do agronegócio, da mineração e de empresas interessadas em nossa água, nosso petróleo, nossos recursos, sempre com vistas a acabar com nossa soberania nacional e nos destruir como país”, declarou a secretária-geral do CONIC, pastora Romi Bencke.

 
Organizações do movimento ecumênico (CONIC, Christian Aid, ISEAT-Bolívia, CJP-Colômbia e FEACT) estão trabalhando em uma ação global de solidariedade para proteger a Amazônia e seus habitantes. Para isso, estão reunindo igrejas, conselhos e organizações baseadas em fé para que se comprometam na luta por equidade e justiça na região. Portanto, lançamos a declaração em conjunto com parceiros, igrejas, organizações ecumênicas e Fóruns da ACT.
 
A ideia é que ela possa solidificar o apoio ecumênico do Norte e do Sul globais para que se trabalhe, juntas e juntos, em uma profunda expressão de solidariedade.
 
O documento será lançado pouco antes do Sínodo da Amazônia promovido pela Igreja Católica, que acontecerá em outubro de 2019. O Sínodo evidenciará a crise na floresta Amazônica, que desempenha um papel vital na saúde do planeta e a nossa declaração demonstrará o apoio e a força ecumênica na defesa da floresta e os povos que nela habitam.
 
Esta é uma oportunidade para o movimento ecumênico em todo o mundo se unir em defesa da Amazônia. Por isso, gostaríamos de convidar sua organização a endossar o documento como parte de uma ação de solidariedade.
 
Até o momento, a declaração conta com 79 adesões!
 
O documento pode ser assinado por organizações aqui neste deste link.
 
Junte-se a nós!
 
Foto: Pixabay

 
Nota do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - RS
Mineração no RS e seus impactos socioambientais
 
"Porque não sabem fazer o que é reto, diz o Senhor, aqueles que
entesouram nos seus palácios a violência e a destruição" (Amós 3.10)
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Rio Grande do Sul (CONIC RS) vem por meio desta se manifestar contra o avanço de projetos de mineração que ameaçam igualmente o meio ambiente e a vida de milhares de famílias de povos e comunidades tradicionais, que vivem da agricultura familiar, da pesca, além da qualidade da água para a população em geral. Os projetos Retiro (RGM), Caçapava do Sul (Nexa/Iamgod), Fosfato Très Entradas (Águia) e Mina Guaíba (Copelmi), chamados pela mídia empresarial de “nova era da mineração”, prometendo investimentos da ordem dos dois bilhões de reais e geração de mais de dois mil empregos diretos, seguem a mesma lógica de outros “investimentos” cujas consequências foram vistas nos desastres de Mariana e Brumadinho. 
 
Estes recentes exemplos de mineração predatória trazem uma projeção bem diferente onde se soma ao custo humano e ambiental causado pelo tipo de exploração destrutiva que realizaram; a morte direta de centenas de pessoas, a destruição da vida de milhares de famílias e a completa degradação do meio ambiente.
 
Este é o modelo de mineração que se pratica em um país completamente entregue aos interesses do lucro e cada vez mais afastado do cuidado com a Vida. Como afirmou o profeta Amós, falando dos poderosos do seu tempo, fazemos ouvir nossa voz profética junto aos povos e comunidades tradicionais, entre eles as populações indígenas, kilombolas, benzedeiras, cigana, pesca artesanal, povo de terreiros e outras, guardiãs dos biomas há milênios. Também fazemos nossa a luta de todas as pessoas cujo sustento familiar vem da terra, da água e do correto uso de recursos naturais.
 
Não queremos ver mais uma vez a vida sacrificada em troca do lucro descomprometido de algumas empresas e do sofrimento sem tamanho causado a milhares de pessoas e ao meio ambiente.
 
Estamos aqui para dizer um rotundo “não” a esta violência proposta em nome da destruição e violação de direitos, disfarçados de “progresso” ou “desenvolvimento”. Não deixaremos que transformem terras e biomas preservados, processos produtivos respeitosos e a vida de populações tradicionais em favor de interesses puramente financeiros".
 
Reivindicamos o cumprimento do Artigo 225 da Constituição Federal: “Todas as pessoas têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
 
Entendendo que o direito de todas as pessoas e todos os povos não pode ser ignorado, nem negligenciado, e exigindo a interrupção de qualquer projeto de mineração que não contemple os direitos já adquiridos pelas populações que ocupam as áreas destinadas aos mesmos, o CONIC-RS se manifesta contrário a projetos minerários que sacrificam a vida da Criação e glorificam o capital.
 
Porto Alegre, 17 de Julho de 2019
 

 
A irmã Maria Inês Vieira Riberiro (mad) foi reeleita pela assembleia religiosa da Congregação das Mensageiras do Amor Divino como Presidente da CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil) para o triênio de 2019-2022.
 
A votação ocorreu durante a 25ª Assembleia Geral das Entidades, em Brasília. Em relato, a Diretora relatou que aceita assumir esta missão e agradece a confiança. Mencionou também que, em sua nova gestão, pretende dedicar-se mais à questão da Amazônia e da identidade dos presbíteros religiosos.
 
“Para que tenhamos uma vida consagrada, masculina e feminina, de acordo com o Espírito de Jesus. E também outra coisa que está muito no meu coração é a questão do abuso sexual na Igreja, o abuso de menores, o tráfico humano e a questão das políticas públicas, a nossa inserção, para que possamos amparar os pobres e os pequenos, dado que, como já vimos na aprovação da Previdência, nosso trabalho como igreja, como cristãos, é ainda maior. Vamos nos unir! Eu confio na graça de Deus e digo, diante de Deus, da Divina e Trina ternura, da Trindade Santa, e da minha Mãezinha, meu sim”, proferiu a religiosa.
 
Veja a lista completa dos membros da dDiretoria e Conselho Fiscal da CRB:
 
DIRETORIA
 
Ir. Olavo Dalvit, lassalista
Ir. Eliene de Oliveira, nsc Bom Pastor
ir. Ana Teresa Pinto, salesiana
Pe. Nivaldo Pessinatti, salesiano
Pe. Antônio Neto, oblato de São José
Ir. Maria José Barbosa, beneditas da Divina Providência
 
CONSELHO FISCAL
 
Ir. Jardelino Menegat
Ir. Verônica da Silva
Ir. Maria Soledade
Pe. João Geraldo
Ir. Hélia Inácia
 
Veja a entrevista completa com a irmã Maria Inês CRB: http://bit.ly/30AqJXQ
 
Fonte: ANEC/CRB
Foto: Reprodução