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Joinville foi sede, nos dias 21 e 22 de março, de mais uma oficina ligada ao projeto sobre “Imigrantes e Refugiados – Desafios da Casa Comum”. O evento, sediado na Católica de Santa Catarina, foi organizado na cidade pela equipe de articulação na cidade, que é composta por igrejas e organizações: o Centro dos Direitos Humanos de Joinville, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), o Conselho Inter religioso para Estudo e Reflexão (CIER), Exército da Salvação (ES), Sínodo Norte Catarinense, Católica de Santa Catarina e Centro de Estudos Bíblicos (CEBI) e idealizado pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e o Fórum Ecumênico (FE ACT Brasil Aliança). 
 
A abertura foi realizada por uma das articuladoras do projeto, a jornalista Lizandra Carpes, que explicou a importância do evento e contou que a cidade foi escolhida pelo CONIC por ser rota comum dos imigrantes que chegam a procura de emprego e pela acentuada manifestação de xenofobia relatada por pessoas que trabalham com pessoas imigrantes na cidade. Ela ressaltou também as políticas nacionais e internacionais de xenofobia e racismo como construção de muros, centro de concentração para crianças e pessoas que morrem a deriva nos oceanos sem que países abram suas fronteiras para a acolhida. “Quem criou fronteiras tão cruéis?”, questionou. 
 
 
Após a abertura, foi realizada uma homenagem às vítimas de xenofobia e racismo pelo mundo e uma reflexão a partir dos elementos essenciais a vida: água, terra, ar, fogo e sal. Elementos estes que na simplicidade e gratuidade deveriam servir de exemplo para a humanidade. Este momento foi conduzido pela Josiany Rodrigues (ES), Damaris Martins (ES) e Nilo Silva Junior (IEAB). 
 
O segundo momento do encontro foram as falas da teóloga Valeria Vilhena, mestra em Ciências da Religião e doutora em Educação e História Cultural, e Henrique Vieira professor, cientista social, historiador, teólogo, pastor e ator. A mediação da mesa foi feita pela secretária geral do CONIC, Romi Bencke.
 
 
Valéria fez uma reflexão sobre sua participação no movimento feminino Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG) e ressaltou a falta de representatividade de mulheres no congresso. “O movimento pentecostal tem como base mulheres pobres e negras, nosso feminismo vai dialogar com essas mulheres”, pontuou. A teóloga ainda abordou o fundamentalismo atual, contou que se vê em muitas igrejas a criação de um inimigo e o uso da imagem de Deus como um general. Ainda fez relação da problemática dos slogans da campanha do presidente eleito no Brasil, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, que teve ampla aceitação por parte dos evangélicos neopentecostais. 
 
Antes de iniciar a fala do pastor Henrique Vieira houve uma apresentação cultural realizada por imigrantes haitianos. Eles apresentaram uma canção com muita alegria e carisma que trazia a mensagem de gratidão. A apresentação artística envolveu os participantes e trouxe a reflexão da importância do multiculturalismo tanto para os brasileiros como para os imigrantes. 
 
 
Pastor da Igreja Batista “O Caminho”, Henrique Vieira dividiu sua fala em três partes. Começou explicando sobre o fundamentalismo: “Existe, no fundamentalismo, uma convicção de uma verdade histórica”, pontuou. Com isso, segundo o pastor, se exclui a realidade humana, a autocritica e dúvida. Para Henrique, o maior exemplo disso é o movimento “bíblia sim, constituição não”, e a aversão que o líder deste movimento tem pelas discussões do mundo moderno, como a imigração, debate de gênero entre outros.
 
Henrique ainda explicou quem em Barra Mansa, município do Rio de Janeiro, um decreto municipal obrigou a oração do pai nosso em escolas. “Considero isso do ponto de vista laico, um absurdo, porque essa oração não é universal, tendo em vista que nem todas as religiões são cristãs”, ressaltou. Para o pastor, apesar de o decreto ter caído, isso é só o começo para uma doutrinação fundamentalista. Para ele o fundamentalismo não aceita o debate, e por isso não quer discutir o que é cultural ou não. “Esse discurso esvazia a mente, cria um ideal de família, sexualidade e atitude sem debater”, afirma. 
 
Por fim, o pastor relativizou a passagem do bom samaritano do evangelho citando Martin Luther King. “O sacerdote que não parou na passagem do bom samaritano até poderia querer ajudar o homem caído, mas ele pode ter tido medo... e esse fosse uma emboscada? O bom samaritano parou e ajudou”, Henrique questionou: e se o samaritano não tivesse ajudado? E se não ajudarmos o próximo?
 
No segundo dia, Emanuely Gestal da Silva, agente de proteção no Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante em Santa Catariana (Crai), explicou a nova lei da imigração brasileira, que tira o peso do imigrante como “um inimigo” e melhora os processos de regularização. Lembra que o antigo estatuto do estrangeiro tinha como objetivo proteger o território e hoje tem caráter humanitário. Apesar de a mudança ser boa, no entanto, há algumas contradições, como a multa cobrada por dia no caso de um imigrante estar irregular no país. “O valor da multa hoje é de R$ 100,00 por dia, podendo chegar assim a valores altíssimos”, explicou a agente. Emanuely ainda comentou sobre a dificuldade de regularizar venezuelanos e haitianos, já que esses países não tem relação com o Mercosul.
 
No período da tarde houve uma dinâmica, uma espécie de “jogo” que colocou os participantes da oficina em experiências da vida real vividas por várias pessoas imigrantes. A vivência demonstrou os problemas diários como a violência, a falta de dinheiro, os coiotes, o estupro e abuso sexual contra mulheres. A dinâmica foi uma forma de exercitar a empatia e a compaixão, uma vez que faz com que as pessoas conheçam histórias reais de graves violações de direitos humanos. 
 
Texto: Lizandra Carpes
Fotos: Diego Mhas

Vladimir Herzog morto na cela do DOI-Codi de São Paulo;
a foto foi utilizada para corroborar a versão mentirosa do regime de que o jornalista se suicidara
 
Por Leonardo Boff, com informações do Prof. Dr. Fernando Altmeyer
 
"Do Prof. Dr. Fernando Altmeyer da PUC-SP já foram publicadas várias matérias de cunho histórico e estatístico. É conhecido por sua seriedade. Desta vez, é importante que leiamos o que [ele] recolheu de maldades e barbaridades que a ditadura civil-militar-empresarial produziu em 21 anos de sua vigência.
 
Consciência da verdade, da justiça e, sobretudo, da memória de dor exigem/clamam que enfrentemos a vontade diabólica do atual presidente que pretende celebrar o golpe após 55 ano de uma sangrenta ditadura imposta em 31 de março de 1964. Seria como se Angela Merkel obrigasse celebrar a figura de Adolf Hitler e Putin a figura de Stálin, com os horrores que ambos e outros cometeram contra a humanidade e a dignidade humana. Desta forma somos, como cidadãos, degradados por um presidente que deveria, por ofício, representar valores humanitárias e democráticos e respeitosos das vítimas, de ambos os lados, pois houve excessos de ambas as partes, dos que reprimiam e dos que eram reprimidos. Ocorre que a violência repressiva provinha dos agentes do Estado de exceção que, por dever, como Estado, deve proteger o cidadão e não persegui-lo, torturá-lo, fazê-lo desaparecer e, finalmente, assassiná-lo.
 
Brasil Nunca Mais é o livro publicado pelo Card. Paulo Evaristo Arns de São Paulo. A singularidade deste livro que o torna insuspeito reside no fato de que foi escrito estritamente a partir de documentos produzidos pelas próprias autoridades encarregadas da repressão. Não vinham das vítimas das torturas mas dos produtores das torturas em nome do Estado de Segurança Nacional em processos do Superior Tribunal Militar (STM), num total que ultrapassa um milhão de páginas de mais de 707 processos completos e de outros incompletos.
 
Daí a importância deste breve inventário dos horrores que a ditadura impôs ao povo brasileiro produzido acuradamente pelo Prof. Fernando Altmeyer Jr. Ele vem comemorado pela paranóia do atual presidente que não reconhece o fato da ditadura e que disse e repetiu:”a ditadura cometeu um erro: torturou quando devia ter fuzilado os subversivos”. Aí não temos mais palavras. A ignomínia é demasiadamente grande para ser pensada e refutada.
 
Brasil, Nunca Mais (1985 pela Editora Vozes) foi o título do livro que o Cardeal Arns apresentou em nome da Igreja diante do mundo inteiro os horrores das salas de tortura mas no sentido da paz e para que nuca mais se repita esta tragédia e se supere a banalidade do mal." (Leonardo Boff)
 
Veja, a seguir, os dados:
 
Inventário da violência praticada durante a ditadura cívico-militar-empresarial desde 01/04/1964 
55 anos de dor, amnésia, injustiça e sofrimentos de todo o povo brasileiro
 
  • 500.000 cidadãos investigados pelos órgãos de segurança
  • 200.000 detidos por suspeita de subversão
  • 50.000 presos entre março e agosto de 1964
  • 11.000 acusados em julgamentos viciados de auditorias militares
  • 5.000 condenados
  • 10.000 torturados no DOI-CODI de São Paulo
  • 40 crianças presas e torturadas no DOI-CODI paulistano
  • 8.300 vítimas indígenas de dezenas de etnias e nações
  • 1.196 vítimas entre os camponeses
  • 6.000 mil apelações ao STM que manteve as condenações destes 2.000 casos
  • 10.000 brasileiros exilados
  • 4.882 mandatos cassados
  • 1.148 funcionários públicos aposentados ou demitidos
  • 1.312 militares reformados compulsoriamente
  • 1.202 sindicatos sob intervenção do Estado e do Judiciário cúmplice e inconstitucional
  • 248 estudantes expulsos de universidades pelo famigerado decreto ditatorial n. 477
  • 128 brasileiros e 2 estrangeiros banidos sendo alguns sacerdotes católicos
  • 4 condenados à morte (pena comutada para prisão perpetua)
  • 707 processos políticos instaurados pela Justiça militar em diversas Auditorias
  • 49 juízes expurgados, três deles do Supremo Tribunal Federal
  • 3 vezes em que o Congresso Nacional foi fechado pelos generais ditadores
  • 7 Assembleias Legislativas postas em recesso
  • Censura prévia a toda a imprensa brasileira
  • 434 mortos pela repressão
  • 144 desaparecidos
  • 126 militares, policiais e civis mortos em ações contra a resistência à ditadura
  • 100 empreiteiras e bancos envolvidos em escândalos abafados pelos militares
  • Reimplantação do trabalho escravo nas fazendas do Brasil com o beneplácito dos governos militares
  • Sucateamento das Universidades pela imposição do programa MEC-USAID
  • Destruição do movimento social brasileiro
  • Fim das organizações da sociedade civil como UNE, Centros de Cultura, Ligas Camponesas, JUC, Agrupamentos e partidos de esquerda
  • Corrupção em todos os níveis por grupos militares e cobrança de propinas para as grandes obras.
  • Submissão aos interesses norte-americanos pela presença da CIA e de torturadores treinados na Escola das Américas em todos os órgãos policiais e militares
  • Destruição das Guardas municipais e estaduais e militarização das polícias
  • Domínio da Lei de Segurança Nacional e propaganda da Ideologia de Segurança Nacional
  • Expansão do poder de empresas beneficiarias do golpe como redes de TV, jornais pró-ditadura e grupos econômicos que financiaram a tortura e a repressão
  • 21 anos de ditadura e escuridão com a destruição das vias democráticas e o vilipêndio da Constituição e da Liberdade em nome do Estado autocrático e destrutivo da nação brasileira
  • Construção de obras faraônicos como Transamazonica, Ponte rio-Niteroi, Itaipu e outras com desvio de vultosas quantias do erário público para empresas e corruptos do governo federal e estadual
  • Instauração de senadores e prefeitos biônicos
  • Criação de locais de tortura e casas da morte, como por exemplo, a de Petrópolis-RJ
  • Instalação de campos de concentração em território nacional usando de técnicas nazistas
  • Pagamento e manutenção de imensa rede de arapongas e informantes das forças repressivas para denunciar os que lutavam pela democracia
  • Apoio de médicos para a realização da tortura e para fazer laudos falsos das mortes em prisões e locais do Estado brasileiro
  • Perseguição e morte de brasileiros fora do Brasil em ligação com as forças ditatoriais de outros países do Cone Sul
  • Acolhida de ditadores de outros países como Alfredo Stroessner do Paraguai 
  • Financiamento de grupos paramilitares
  • Apoio a atos terroristas e incêndio de prédios (UNE), bancas de jornais, redações, igrejas, sindicatos, e apoio às milícias de latifundiários para extermínio sistemático e impune de índios e posseiros em toda a Amazônia e Nordeste brasileiro
  • Campanha de difamação contra bispos, pastores, líderes políticos em canais de televisão para indispor a opinião pública e favorecer a repressão
  • Proibição de citar o nome de Dom Helder Câmara em qualquer órgão de imprensa do Brasil por mais de 20 anos, quer notas positivas quer negativas
  • Bombas explodidas em todo o território nacional e, em particular, no episódio do Rio Centro a mando de generais e grupos terroristas dentro das Forças Armadas
  • Perseguição aos artistas brasileiros
  • Formação da ARENA, partido de direita manipulado pelos militares e elite financeira do Brasil
  • Repressão e perseguição da UNE e invasão da PUC-SP pelo coronel Erasmo Dias
 
Fontes: relatórios da CNV, dados de Luiz Claudio Cunha e informes do gabinete do Deputado Adriano Diogo, da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, dados do livro Brasil, Nunca Mais.

Conteúdo extraído do Blog de Leonardo Boff
Foto: Silvaldo Leung / Acervo Memorial da Democracia

 
Expressamos nosso total repúdio em relação a toda e qualquer postura que incentive comemorações alusivas ao Golpe de 1964 - período marcado pela censura e pela violação sistemática dos direitos humanos.  
 
Precisamos, sim, fazer memória pelas inúmeras vidas de mulheres, homens, brancos, negros e indígenas, ricos e pobres, interrompidas por defenderem a democracia e a igualdade. Vidas que devem ser respeitadas; memórias que não podem ser aviltadas em nome de ideologias. Também devemos lembrar as muitas vítimas que, violentadas pela tortura, ainda sofrem as sequelas e consequências da Ditadura Militar.
 
O CONIC concorda com o Ministério Público Federal (MPF) que, também em nota, lembra que tais posturas soam "como apologia à prática de atrocidades massivas e, portanto, merece repúdio social e político, sem prejuízo das repercussões jurídicas".
 
CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
 
#DitaduraNuncaMais
#GolpeDe1964
#TorturaNuncaMais
#JesusCristoFoiTorturado 
 
Arte: Ateliê15

 
O SOS África: Moçambique, Zimbabué e Maláui conclama a sociedade brasileira, as dioceses, paróquias, comunidades, congregações religiosas, colégios e todas as pessoas de boa vontade para uma grande corrente de oração e solidariedade em favor das pessoas atingidas por esta tragédia. Três contas bancárias que são geridas pela Cáritas Brasileira estão disponíveis para doações.
 
Para DOC e TED , o CNPJ da Cáritas Brasileira é: 33.654.419/0001-16
 
Banco do Brasil
Agência: 0452-9
Conta Corrente: 49.667-7
 
Caixa Econômica Federal
Agência: 1041 – Operação: 003
Conta Corrente: 4322-3
 
Santander
Agência: 3100
Conta Corrente: 13.061645-0
 
Solidariedade à África
 
Centenas de milhares de pessoas foram afetadas pela passagem do ciclone Idai que devastou territórios inteiros na África do Sul, no último dia 14 de março. Moçambique, Zimbaué e Maláui foram os países mais atingidos pela catástrofe que já é a pior da história enfrentada pela população destes países. Até o momento, pelo menos 750 perderam a vida, mas estima-se que esse número possa passar de mil. No cenário urgente de ajuda humanitária, cerca de um milhão e meio de pessoas estão desalojadas.  
 
Para organizar a solidariedade brasileira com as populações atingidas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira lançam a campanha SOS África: Moçambique, Zimbabué e Maláui.
 
Os recursos arrecadados serão utilizados para ações de socorro imediato, água potável, alimentos, roupas, cobertores, kits de higiene, remédios, primeiros socorros e tendas, que serão coordenadas pela Cáritas Internacional, um organismo da Santa Sé. Com a solidariedade de cada pessoa, a Cáritas Internacional quer ainda ajudar na reconstrução de moradias e meios de vida das populações afetadas nos três países.
 
“Que o Deus da vida e da ternura derrame suas bênçãos sobre cada pessoa e comunidade pela colaboração e gesto amoroso, em favor das famílias de Moçambique, Zimbábue e Maláui”, diz um trecho da carta assinada pelas presidências da CNBB e da Cáritas Brasileira, enviada para todas as paróquias do Brasil.
 
Para mais informações, escreva para: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Ou ligue: (61) 98366-12357

 
O Arcebispo de Canterbury, Justin Welby, advertiu contra o “imperialismo cultural” e pediu que os cristãos sejam sensíveis e busquem diálogo genuíno ao testemunhar para pessoas de outras religiões. Ele fez seus comentários ao ministrar a Aula Deo Gloria, organizada pela London School of Theology no Lambeth Palace (Palácio de Lambeth) na semana passada. O arcebispo advertiu dos perigos de se transformar o evangelismo em um “produto” de mercado ou uma expressão de superioridade cultural.
 
A Aula Deo Gloria é um evento anual realizado pela London School of Theology em parceria com o Deo Gloria Trust. Palestrantes anteriores incluíram o professor Alister McGrath, o Cônego Andrew White e Heidi Baker.
 
“Precisamos estar prontos: prontos para falar, para compartilhar. Isso é esperança para o mundo”, disse o arcebispo Welby em sua palestra. “Mas que este testemunho seja temperado pela gentileza e respeito.”
 
Clique aqui para ler o discurso do Arcebispo (em inglês).
 
Fonte: Anglican News
Foto: Reprodução

 
59% dos brasileiros já presenciaram algum tipo de agressão ou assédio contra uma mulher em seu bairro, segundo o estudo ‘Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil’. E 42% dos casos ocorrem dentro da casa da vítima.
 
A mesma pesquisa revela que o perfil mais comum de agressor é de alguém próximo à vítima, principalmente o companheiro (23,8%), seguido pelo vizinho (21,1%) e o ex-namorado/ex-marido (15,2%). Outro dado que chama a atenção é que 52% dos casos não são reportados a nenhuma instituição.
 
Para oferecer apoio às mulheres vítimas de violência doméstica, duas jornalistas mantêm um grupo no Facebook chamado ‘Violência Doméstica – grupo de apoio’. A ideia é oferecer um espaço onde essas mulheres possam ser ouvidas sem julgamentos e receber orientações.
 
Uma dessas jornalistas é Mariana Kotscho, apresentadora de TV (programas ‘Momento Papo de Mãe’ e ‘Papo de Mãe’, na TV Cultura) ativista pelo combate à violência doméstica. A outra é Marisa Marega, que também atua como escritora. Até agora, o grupo administrado por elas já atendeu mais de 2 mil mulheres, em três anos de existência.
 
Mariana afirma que “o intuito do grupo é sempre criar um ambiente seguro para as mulheres” participantes. A jornalista considera que um dos pontos iniciais para gerar uma real mudança na vida da mulher que foi agredida é criar a consciência de que ela está sendo vítima de uma violência e que existem maneiras de sair dessa situação.
 
O grupo também conta com o auxílio de advogadas, psicólogas, promotoras e profissionais em geral que estejam devidamente preparados para entrar em contato com as vítimas, além do contato de uma lista de Delegacias da Mulher e instituições como os Creas (Centros de Referência Especializados de Assistência Social).
 
Para a moderadora, o tema da violência doméstica precisa estar presente em debates escolares, tanto para conscientizar as meninas para não se deixar entrar em relacionamentos abusivos, quanto para os rapazes não desenvolverem papéis abusivos em suas relações com amigas e companheiras.
 
Além do mais, a jornalista explica que não existem estereótipos quando se trata de violência doméstica: “são vítimas de todas as classes sociais” afirma Mariana.
 
Mariana também destaca que o número de mulheres que não denunciam os casos de violência ainda é muito alto, e que o medo é um dos grandes impeditivos.
 
Além do medo, o receio de não ser devidamente atendida pelos órgãos oficias ou de não haver provas suficientes para iniciar um processo contra o agressor também faz com que muitas mulheres se calem. Algumas recomendações de Mariana para ajudar essas mulheres são: “guardar mensagens, provas e testemunhas que possam provar a violência”, principalmente quando se trata de uma violência psicológica, que “é mais difícil de ser provada”.
 
O grupo é fechado e as mediadoras têm uma série de critérios para permitirem a entrada de alguém nele. O rigor visa evitar que possíveis agressores usem os perfis das vítimas para entrar no grupo.
 
Aline (nome fictício para preservar a identidade da vítima) conheceu o grupo após uma longa pesquisa, enquanto buscava informação para se proteger de seu ex-marido, que estava ameaçando ela e seus dois filhos.
 
Antes de encontrar o grupo, Aline entrou em contato com várias delegacias, mas não conseguia nem mesmo registrar boletins de ocorrência. Em vez disso, ouvia dos policiais que deveria sair de São Paulo para se proteger. Só depois de entrar em contato com a Corregedoria, conseguiu fazer um boletim de ocorrência, mas não viu nada resolvido.
 
No grupo de apoio, ela teve a chance de contar seu relato e de se sentir compreendida por outras mulheres. Além disso, recebeu orientações para sair da situação de violência em que se encontrava e proteger seus filhos, além de orientações para não perder a guarda das crianças durante o processo de divórcio. “A Mari Marega é como uma ‘mãezona’”, afirma Aline.
 
Ela também conta que o contato com outras mulheres que já haviam passado por aquela situação ou que se encontravam no processo de sair do ambiente violento a ajudou muito a se manter firme na busca por ajuda.
 
Para Aline, a convivência no grupo cria um ambiente em que as mulheres que estão ali aprendem a ajudar uma a outra, criando uma verdadeira rede de apoio.
 
Foto: Pixabay
 

 
A mais antiga representação de Jesus Cristo já encontrada em Israel foi descoberta no teto do batistério de uma igreja em ruínas localizada na cidade de Shivta, no deserto de Negev. A pintura foi feita por volta de 1.500 anos atrás.
 
Em 2017, Emma Maayan-Fanar, professora de história da arte da Universidade de Haifa, em Israel, analisava crucifixos e outros símbolos gravados nos linteis de pedra de antigas casas e igrejas em Shivta quando fez a descoberta. Agora, os resultados do estudo foram publicados na revista Antiquity.
 
Apesar de enfraquecido, o desenho pode ser identificado por meio da iluminação correta ou fotografias de alta resolução. A figura mostra a maior parte do rosto de Cristo, um jovem de cabelos curtos e encaracolados, rosto comprido, olhos grandes e nariz alongado. Os pesquisadores acreditam que ele representa o batismo de Cristo no rio Jordão.
 
 
Segundo Maayan-Fanar, a representação de Cristo como um jovem de cabelos curtos era comum em todo o leste do Império Bizantino, principalmente no Egito e na região da Palestina. No entanto, essa imagem acabou sendo substituída pela ideia bizantina de um Cristo de cabelos longos.
 
Acredita-se que a descoberta é a mais antiga representação de Jesus encontrada em Israel, e uma das poucas imagens do século 6 que mostram detalhes de seu rosto.
 
Fotos 1: Reprodução / Dror Maayan
Foto 2: Reprodução / Dror Maayan / Emma Maayan-Fanar

 
Tem início nesta sexta-feira, 22 de março, Dia Mundial da Água, o curso de formação online para comunidades de fé sediadas no Brasil, Águas para Vida. CONIC, ACT Alliance, Christian Aid e CREAS são os responsáveis pela iniciativa, que vem como resposta às articulações ecumênicas e inter-religiosas do Fórum Alternativo Mundial da Água, em 2018, quando se percebeu a necessidade de uma formação espiritual, teológica, técnica e política a respeito do tema.
 
O curso é voltado, nesse primeiro momento, para membros de comunidades de fé e líderes religiosos/as de nível local. Nele, os participantes serão capacitados a desenvolver ações de incidência que respondam aos desafios das comunidades no acesso à água, de modo que possam fortalecer a atuação pela justiça socioambiental.
 
“Uma das dimensões da proposta ecumênica é a integridade de toda a Criação, expressão máxima da graça de Deus. A água é parte da Criação e, como tal, precisa ser protegida, preservada, assim como todos os demais seres vivos. Não existe possibilidade de vida sem água, portanto, a proteção dos mananciais, rios, geleiras, mares, fontes de água e aquíferos é dever de todo cristão e de toda cristã”, declarou a secretária-geral do CONIC, Romi Bencke.
 
 
No Brasil, mais da metade da população ainda não tem acesso à água potável – apesar do país deter 12% das reservas de água do planeta. A falta de acesso à água de qualidade e ao saneamento básico é uma das formas mais extremas de reprodução da desigualdade. Na América Latina, as mulheres são as mais afetadas, pois, na escassez, são elas as responsáveis por enfrentar o desafio diário de caminhar longas distâncias para levar água às suas casas. Não por acaso, em muitas situações as mulheres se colocam como protagonistas na defesa dos rios e das fontes de água, sobretudo quando estão diante de megaprojetos que ameaçam contaminar ou desviar esse recurso que deveria ser de todos. O estudo “O Saneamento e a Vida da Mulher Brasileira” revela que o simples acesso a água e esgoto tiraria, imediatamente, 635 mil de mulheres da pobreza, a maior parte delas negras e jovens.
 
Diante desta situação CONIC, Christian Aid e CREAS, junto a diversas organizações sociais, promovem esta capacitação para fortalecer o papel das organizações baseadas na fé (OBFs) pela justiça socioambiental e pelo acesso comunitário à água.
 
O curso tem um formato online e contempla conteúdos teológicos, políticos e técnicos para o desenvolvimento de estratégias de incidência locais. 95 participantes, em sua maioria mulheres, de diferentes igrejas e comunidades de fé de diversas regiões do Brasil se inscreveram no curso. De 22 de março a 5 de julho de 2019, poderão acessar conteúdos audiovisuais que abordam a questão da falta de aceso a água desde uma perspectiva de fé e justiça.
 
“Com esta formação esperamos fortalecer igrejas e comunidades de fé no sentido de suscitar vozes proféticas que não apenas denunciem desigualdades socioambientais, mas que também se empenhem em garantir, sobretudo às populações mais desfavorecidas, o acesso igualitário, digno e justo aos recursos hídricos”, disse Sheila Tanaka, coordenadora da iniciativa na Christian Aid.
 
“Esta iniciativa coletiva oferece um espaço de formação em rede a partir do qual os participantes poderão analisar situações de injustiça e propor alternativas concretas de mudança. Águas para Vida tem como horizonte lideranças capacitadas e empoderadas que, num esforço conjunto em todo o Brasil e em conexão com outros países da América Latina, poderão contribuir para o pleno exercício de direitos por parte das comunidades que mais sofrem com a pobreza e, por conseguinte, são as mais afetadas pelas desigualdades”, enfatizou Horacio Mesones, diretor executivo do CREAS.
 
“No batismo, nos convertemos em filhos e filhas de Deus. A água é um elemento simbólico que concretiza essa filiação. Nesse sentido, a integralidade da nossa vinculação com o Sagrado se dá pela Criação. Nossa esperança é um novo céu e uma nova terra, em que não haverá fome, nem sede e em que Deus nos guiará para fontes de água viva. A salvação é para toda a Criação. A partir do momento em que poluímos as águas com agrotóxicos, matamos os rios, não nos preocupamos com a mineração, destruidora do meio ambiente, privatizamos a água estamos atacando a amorosidade de Deus", concluiu a pastora Romi Bencke.
 
Para saber mais, clique aqui.
 

 
O aumento é distribuído em praticamente todas as paróquias, exceto em Jyväskylä, onde o número permaneceu quase estável. A maior paróquia continua a ser a da Catedral de Santo Henrique, em Helsinque, com 4.779 membros, 227 recém-chegados em 2018.
 
Confirma-se a tendência de crescimento do número de católicos na Finlândia, a uma taxa de 3-4% ao ano. No final de 2018 eram 15.483 as pessoas registradas como membros da Igreja Católica, ou seja,  534 a mais em relação ao ano precedente (com uma taxa de crescimento de + 3,5% em relação a 2017). As estatísticas foram publicadas no site www.katolinen.fi.
 
O aumento é distribuído em praticamente todas as paróquias, exceto em Jyväskylä, onde o número permaneceu quase estável. A maior paróquia continua a ser a da Catedral de Santo Henrique, em Helsinque, com 4.779 membros, 227 recém-chegados em 2018.
 
A proporção relativa às línguas faladas pelos católicos permaneceu quase inalterada: 41,5% dos católicos falam finlandês, 4,7% sueco e 53,8% outras línguas.
 
Os novos registrados são pessoas que foram batizadas (203), provêm de outras igrejas (48) ou de outros países (321), enquanto que em 2018 faleceram 43 católicos, 45 deixaram o país e 92 deixaram a Igreja.
 
Quanto aos Sacramentos, somando os dados dos registros paroquiais do país, foram 219 as Primeiras Comunhões, 188 Confirmações e 49 casamentos. Em 19 casos. ambos os cônjuges eram católicos.
 
A Igreja Católica na Finlândia
 
A Finlândia tem a menor proporção de católicos de toda a Europa, cerca de 9.000. A esmagadora maioria são estrangeiros, particularmente poloneses. Cerca de metade dos padres são poloneses. Desde 2007 há apenas dois sacerdotes nascidos na Finlândia, e apenas um deles trabalha na Finlândia. O Bispo de Helsinque é o Mons. Teemu Sippo, nomeado em 16 de junho de 2009. Ele é o primeiro finlandês no cargo de bispo católico em mais de 500 anos.
 
O catolicismo foi uma das primeiras formas de cristandade que entrou na Finlândia. Os achados mais antigos remontam aos séculos XI e XII. No século XVI, a Finlândia, como parte da Suécia, participou da Reforma Protestante, que fez com que o catolicismo perdesse quase todas as suas terras e fiéis no país
 
O primeiro serviço religioso católico, após a morte de João III da Suécia foi realizado em 1796 pelo vigário apostólico de Estocolmo, o padre de origem italiana, Paolo Moretti.
 
A paróquia de Vyborg foi criada em 1799, na parte russa da Velha Finlândia. Depois o resto da Finlândia tornou-se parte do Império Russo em 1812, e a paróquia passou a abranger todo o Grão-Ducado da Finlândia.
 
Havia cerca de 3.000 católicos em 1830. Todos os sacerdotes, até os anos 1860 eram lituanos da ordem dos dominicanos. A paróquia de Helsinque foi fundada em 1856, possivelmente devido a influência da esposa do governador-geral Frederico Guilherme von Berg, Leopoldina Cicogna Mozzoni. A Catedral de Santo Henrique, em Helsinque, foi concluída em 1860.
 
Em 1882, todos os padres e freiras alemãs foram expulsos. Já em 1912 foram expulsos todos os padres estrangeiros. Após a independência da Finlândia e da partida das forças militares russas, que tinha incluído muitos poloneses e lituanos, a Igreja Católica perdeu a maioria de seus membros.
 
Em 1920, um Vicariato Apostólico foi criado na Finlândia. A paróquia de Turku foi criada em 1926, e, em 1927, a Paróquia de Terijoki. O Governo concedeu à Igreja Católica na Finlândia o status de comunidade religiosa em 1929.
 
A Finlândia estabeleceu relações diplomáticas com a Santa Sé em 1942, e Pio XII doou uma soma significativa de dinheiro para órfãos da guerra finlandesa contra a Rússia. Depois da guerra, as paróquias de Vyborg e Terijoki, que se localizavam em territórios cedidos à Rússia, foram transferidos para Lahti, e uma nova paróquia foi fundada em 1949, em Jyväskylä.
 
A Igreja da Assunção de Maria foi concluída em Helsinque, em 1954. No ano seguinte, o Vicariato Apostólico foi elevado a Diocese. A Paróquia de Tampere foi criada em 1957, a Paróquia de Kouvola em 1985, e a Paróquia de Oulu em 1992.
 
Movimentos da Igreja Católica e grupos também são ativos na Finlândia. Um deles, o Caminho Neocatecumenal estabeleceu dois seminários Redentoris Mater e mantém uma presença tanto em Helsinque como em outras cidades, principalmente Oulu.
 
Fonte: Vatican News
Foto: AFP or licensors

 
A mortalidade infantil no Brasil assusta nos números. Segundo o Index Mundi, um portal que reúne estatísticas de diferentes fontes ao redor do mundo e as apresenta de forma simplificada, em gráficos e tabelas, a taxa de mortalidade de crianças menores de um ano no Brasil é maior que a de países como Venezuela e Síria. O portal usa como fontes para esses dados o CIA World Factbook.
 
Segundo o Index Mundi, a taxa de mortalidade de crianças menores de um ano no Brasil, em 2017, era de 17,5 para cada 1.000 nascidas vivas. Na Venezuela, que tem enfrentado uma grave crise nos últimos anos, era de 12,2 mortes para cada 1.000 nascidos vivos. E na Síria, que está em guerra há anos, era de 14,7 mortes para cada 1.000 nascidos vivos.
 
Vale citar que os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam uma taxa de mortalidade menor no Brasil, em 2017: 12,8 mortes de crianças menores de um ano para mil nascidas vivas. Mas usamos neste texto os dados do índice mundial, para fins de comparação entre diferentes países.
 
Segundo um estudo divulgado na revista científica Plos Medicine, cortes orçamentários em saúde básica e assistência social podem levar a até 20 mil mortes e 124 mil hospitalizações de crianças com menos de 5 anos até 2030, no Brasil. Mortes que poderiam ser evitadas com investimentos no programa Estratégia Saúde da Família e no Bolsa Família.
 
Imagem: Pixabay