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O Cimi recebe com imensa preocupação e pesar as notícias de ataque de garimpeiros e assassinato de uma liderança do povo Wajãpi, no estado do Amapá.
 
Os discursos de ódio e agressão do presidente Bolsonaro e demais representantes de seu governo servem de combustível e estimulam a invasão, o esbulho territorial e ações violentas contra os povos indígenas em nosso país.
 
Esperamos que os órgãos e autoridades públicas tomem medidas urgentes, estruturantes e isentas politicamente para identificar e punir, na forma da lei, os responsáveis pelo ataque aos Wajãpi. Esperamos também que o governo Bolsonaro adote medidas amplas de combate à invasão e esbulho possessório das terras indígenas no país.
 
Por fim, o Cimi exige que o presidente Bolsonaro respeite a Constituição Brasileira e pare imediatamente de fazer discursos preconceituosos, racistas e atentatórios contra os povos originários e seus direitos em nosso país.
 
Respeite os povos indígenas, presidente Bolsonaro.
 
Conselho Indigenista Missionário – Cimi
 
Fonte: Cimi
Foto: Rede de Cooperação Amazônica (RCA)

 
Salvador-BA sediará, entre os dias 9 e 11 de agosto, o II Encontro de Mulheres Negras Cristãs. O evento tem a finalidade de reunir e fortalecer a Rede de Mulheres Negras Evangélicas, criada em 2018.
 
Com a iniciativa - que conta com a sua ajuda para ser realizado -, os organizadores pretendem articular ações e fomentar a mobilização das mulheres negras evangélicas em todo Brasil para o engajamento antirracista, antissexista e a promoção da justiça social para as mulheres negras.
 
Contextualização
 
Desde 2016, o Brasil tem sofrido com significativos retrocessos de direitos sociais que afetam agudamente a vida das mulheres negras em todo país, base de nossa pirâmide social e econômica. A ampliação de práticas sociais baseadas no discurso de ódio, da intolerância e hostilidade às diferenças fragiliza ainda mais nossas relações democráticas.
 
Como mulheres negras evangélicas comprometidas com a luta antirracista e antissexista em contexto religioso, a rede está preocupada com os efeitos do protagonismo negativo e omisso de expressiva parcela do segmento evangélico diante das restrições e perdas de direitos sociais que afetam de modo estrutural a população negra, e de modo mais perverso as mulheres negras.
 
Por isso, através de o compromisso de fé com a justiça social, encontro é proposto para o fortalecimento da recém-criada Rede de Mulheres Negras Evangélicas, de modo que esta possa se consolidar, fortalecendo ações territoriais relevantes de defesa e fortalecimento da democracia.
 
QUANDO: 9 a 11 de agosto de 2019
ONDE: Salvador-BA
 
Clique aqui para saber mais.

 
Uma portaria publicada nesta sexta-feira, 26, e assinada pelo Ministro da Justiça, Sergio Moro, estabeleceu a possibilidade de deportação sumária de migrantes com base na suspeita de que a pessoa seja perigosa para a segurança do país por suposto envolvimento em terrorismo, organização criminosa ou tráfico de drogas, entre outros.
 
A medida ainda prevê critérios para repatriação e para impedimento de entrada no Brasil, além da possibilidade de reduzir ou cancelar o prazo de estada — o que pode afetar migrantes vivendo regularmente no país.
 
Contrária à nova Lei de Migração, que estabelece o direito à defesa, a portaria MJ 666/19 concede poderes à polícia federal para decisões arbitrárias. O documento estabelece um prazo de apenas 48 horas para que uma pessoa notificada apresente sua defesa ou deixe voluntariamente o país, impedindo que exista uma análise adequada de sua situação. Esse procedimento desrespeita compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
 
“Diante de uma acusação, qualquer pessoa, seja brasileiro ou migrante, tem o direito de apresentar sua defesa perante um juiz. Na prática, o que esta portaria faz é restringir este direito, estabelecendo um prazo curto para que o migrante constitua e apresente sua defesa”, afirmou Camila Asano, coordenadora de programas da Conectas Direitos Humanos.
 
Segundo Asano, há sérias dúvidas sobre a possibilidade de um tema tão delicado ser regulamentado por uma portaria ministerial, sobretudo diante da existência de leis e decretos superiores.
 
“O devido processo é um preceito constitucional e uma conquista da nova Lei de Migração. O que o ministro Moro faz é uma volta ao passado ao delegar poderes de juiz ao oficial de migração para decidir sobre o futuro de uma pessoa com base em suspeitas. Esta medida causa receio na comunidade de migrantes vivendo no país, diante de tamanha insegurança jurídica causada”, complementa.
 
Outro ponto preocupante da portaria é impor sigilo antecipado sobre todos os processos sob o argumento de preservar informações sigilosas e investigações internacionais, contrariando a Lei de Acesso à Informação (12.525/2011) e criando entraves para a transparência e análise de atos do governo pela sociedade civil.
 
“Essa previsão de sigilo enseja preocupações sobre se o deportando e sua defesa terão acesso a todas as acusações e informações do processo para se defender”, finaliza Asano.
 
Fonte: Conectas
Foto: Reprodução

 
Entre os dias 15 e 19 de junho, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) recebeu na sua sede, em Salvador (BA), representantes das suas igrejas-membro, representações da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e pessoas parceiras da agência holandesa Gansos Selvagens para a Oficina de Formação em Mobilização de Recursos Locais. Em parceria com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), o curso teve como objetivo sensibilizar e mobilizar comunidades religiosas a atuar de forma articulada nos processos de mobilização de recursos locais como estratégia para a sustentabilidade institucional.
 
Formado por pessoas de diversos lugares do Brasil e de distintos contextos de atuação, o curso contou com uma roda de conversa sobre a conjuntura política e a sustentabilidade das igrejas, exposição dialogada sobre comunicação para mobilização de recursos, redes e planejamento, além de atividades práticas e momentos de trabalho em grupo.
 
Para Adriano Araujo, da Igreja Católica e representante do Fórum Grita Baixada (RJ), a mobilização de recursos para igrejas e movimentos sociais é de extrema importância, não só porque contribui para sustentabilidade, mas por ser um processo pedagógico de comprometimento e envolvimento dos participantes: “As pessoas se sentem corresponsáveis ao contribuírem para a sustentabilidade dos movimentos sociais e das próprias igrejas. Conseguimos aprender, nos capacitar e levar esse conhecimento para nossas organizações.”.
 
Já para a pastora Célia Gil Pereira, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana (BA), o curso ampliou a visão sobre a possibilidade de angariar parcerias localmente: “Como comunidade religiosa não estamos separada do bairro e das necessidades que ele tem. É importante que a gente tenha a percepção de há pessoas com interesses em comum que podem contribuir com a nossa causa, com aquilo que a gente defende e acredita.”. Com esta mesma reflexão, Patrícia Araújo, da Igreja Presbiteriana Unida de Itapagipe (BA), completa que as ações de mobilização realizadas no local onde atua torna a congregação mais conhecida: “Através do bazar, da feijoada e de outros eventos a igreja passa a ser reconhecida na comunidade pelo o que somos e fazemos.”.
 
A metodologia aplicada na formação garantiu que as/os participantes pudessem ter a liberdade para manifestação das particularidades de cada comunidade de fé, além de incentivar a troca de vivências entre as igrejas representadas e organizações convidadas: “Foram momentos de muito diálogo e troca de experiências”, afirmou Dilce Regina Oliveira, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (Novo Hamburgo – RS).
 
No encerramento do encontro, a diretora executiva da CESE, Sônia Mota, agradeceu a parceria do CONIC, a participação dos presentes e se mostrou satisfeita com a avaliação do curso: “É a nossa primeira experiência de formação em mobilização de recursos com o público das igrejas. Ouvir esse feedback positivo é muito importante para continuar apostando nessas iniciativas.” E completou: “Ações de formação têm potencial de mobilização de recursos para a CESE também. Caso haja interesse em levar esse curso para a cidade de vocês, estamos à disposição para realização de parcerias.”
 
A Oficina faz parte do programa Virando o Jogo, ministrado no Brasil pela CESE, parceira da organização Gansos Selvagens (agência de Cooperação holandesa). A formação para este público foi composta por uma fase presencial de cinco dias, incluindo aprendizagem combinada on-line, através do Portal Virando o Jogo, além do acompanhamento de trabalho individual à distância pós-curso.
 
Fonte: CESE
Foto: Reprodução

 
Nas belas montanhas da Pensilvânia, um grupo de cristãos leva uma vida simples, sem automóveis, eletricidade ou máquinas modernas. São trabalhadores e levam uma vida pacífica e tranquila, separados do mundo. A maior parte do alimento que consomem provém do cultivo em suas próprias fazendas. Eles são conhecidos como o povo Amish.
 
Um motorista de caminhão de leite, de 32 anos, morava com sua família na comunidade de Nickel Mines. Ele não era Amish, mas sua rota de trabalho passava por muitas fazendas leiteiras Amish. Em outubro de 2006, ele subitamente perdeu toda a razão e controle. Em sua mente atormentada, culpou a Deus pela morte de seu primeiro filho e por algumas lembranças incertas. Invadiu uma escola Amish sem qualquer provocação, libertou os meninos e os adultos, e amarrou as 10 meninas. Atirou nelas, matando cinco e ferindo cinco. Depois, tirou a própria vida.
 
Essa violência chocante causou grande angústia entre os Amish, mas não raiva. Houve dor, mas não ódio. Seu perdão foi imediato. Coletivamente, eles começaram a procurar ajudar a família aflita do leiteiro. Quando a família do leiteiro se reuniu em casa no dia seguinte à tragédia, um vizinho Amish se aproximou, abraçou o pai do atirador morto e disse: “Perdoamos vocês”. Os líderes Amish visitaram a esposa e os filhos do leiteiro e expressaram seu pesar e perdão, e ofereceram ajuda e amor. Quase metade dos presentes no funeral do leiteiro eram Amish. Por sua vez, os Amish convidaram a família do leiteiro para assistir ao funeral das meninas que foram mortas. Uma extraordinária paz se espalhou pela comunidade Amish, com sua fé dando-lhes amparo naquele momento de crise.
 
Um residente local resumiu de modo muito eloquente as consequências daquela tragédia, dizendo: “Estávamos falando a mesma língua, não apenas inglês, mas a linguagem da solicitude, a linguagem da comunidade e a linguagem do serviço. E, sim, a linguagem do perdão”. Foi uma admirável manifestação da plena fé que eles tinham nos ensinamentos do Senhor no Sermão da Montanha: “Fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam”.
 
A família do leiteiro a seguinte declaração pública:
 
“Para nossos amigos, vizinhos e a comunidade Amish local,
 
Nossa família deseja que cada um de vocês saiba que estamos profundamente tocados por seu perdão, graça e misericórdia para conosco. Seu amor por nossa família ajudou a promover a cura de que tão desesperadamente precisávamos. As orações, flores, cartões e presentes que vocês nos deram tocaram nosso coração a tal ponto que não há palavras para expressar. Sua compaixão estendeu-se além de nossa família, além de nossa comunidade, e está mudando o nosso mundo, e agradecemos sinceramente por isso.
 
Saibam que sentimos profundamente por tudo o que aconteceu. Estamos cheios de pesar por todos os nossos vizinhos Amish, a quem amamos e continuaremos a amar. Sabemos que ainda haverá muitos dias difíceis para todas as famílias que perderam algum ente querido, por isso continuamos a depositar nossa esperança e confiança em Deus, a fonte de todo o consolo, enquanto todos procuramos reconstruir nossa vida”.
 
Como foi que toda a comunidade Amish conseguiu manifestar tamanho perdão? Foi devido à fé em Deus e à confiança na Sua palavra, que já fazem parte de seu ser. Eles se consideram discípulos [e discípulas] de Cristo e querem seguir Seu exemplo.
 
Ao saberem dessa tragédia, muitas pessoas enviaram dinheiro aos Amish para pagar as despesas do tratamento médico das cinco meninas sobreviventes e do sepultamento das cinco que foram mortas. Os Amish, outra vez, demonstraram ser discípulos [e discípulas] de Cristo ao decidirem compartilhar esse dinheiro com a viúva do leiteiro e seus três filhos, porque eles também foram vítimas daquela terrível tragédia.
 
James E. Faust (1920 – 2007) foi um advogado americano, membro do Comitê de Advogados pelos Direitos Civis e Conflitos Raciais
Artigo publicado originalmente por LDS.org

 
A Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Palmitos-SC, e a Comunidade Católica de Barra Grande, também da cidade, celebraram um acordo que permitirá a ambas utilizarem o mesmo templo – pertencente à Igreja Luterana (IECLB). 
 
O atual templo Católico necessitava de muitas reformas. Talvez, até seria necessária uma nova construção. Por outro lado, o templo evangélico luterano é novo. Em diálogo entre as comunidades se aventou a possibilidade de uso do mesmo espaço. Aprovado pelos luteranos, os irmãos católicos passaram a celebrar ali, sem a necessidade de investir alta soma de dinheiro no antigo espaço. 
 
No último dia 10 de julho, com a presença do pastor Marcos Sander, pastora Neida Altevog Sander e do 1° Vice-Presidente da IECLB, pastor Odair Braun, foi assinado o acordo. As comunidades conversaram a respeito dos símbolos, sobre a disposição do altar, a organização para zelar pelo patrimônio, bem como foram criadas as regras para uma boa convivência e utilização do espaço litúrgico.
 
Um bom tempo antes, ambas as comunidades passaram a celebrar suas atividades na igreja evangélica luterana. O curioso é que os cultos e missas passaram a ter maior frequência, conforme relatam as lideranças locais. Agora, quando tem missa, os evangélicos participam. De igual modo, quando tem culto, os católicos também se integram. Todavia, há uma clareza quanto à confessionalidade das partes.
 
Na área de abrangência da Paróquia Evangélica de Palmitos há mais dois locais de uso partilhado entre as Igrejas. Um no Bairro Santa Terezinha e outro na Linha Santa Terezinha. 
 
Como dizia santo Agostinho, “Nas coisas essenciais, a unidade; nas coisas não essenciais, a liberdade; em todas as coisas, a caridade”. 
 
Fonte: IECLB/ICAR
Foto: Reprodução
 

 
O babalaô e doutor em História pela UFRJ Ivanir dos Santos recebeu um prêmio do Departamento de Estado do Governo dos Estados Unidos pela importância na luta contra a intolerância a praticantes de religiões de matriz africana no Brasil. O brasileiro foi o único representante do hemisfério ocidental a ser premiado no evento.
 
A premiação aconteceu durante a Ministerial Advance Religious Freedom, uma conferência sobre a liberdade religiosa, realizada anualmente em Washington, e contou com a presença do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. Ivanir foi homenageado ao lado de outros cinco líderes religiosos: Mohamed Yosaif Abdalrahan, do Sudão; Iman Abubakar Abdullahi, da Nigéria; Pascale e William Warda, do Iraque; e Salpy Eskidjian Weiderud, do Chipre.
 
O Embaixador Geral para Liberdade Religiosa Sam Brownback, apresentou cada premiado e, ao falar sobre Ivanir dos Santos, ressaltou a importância de sua atuação à frente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR).
 
— O prêmio é de todos e todas que ao longos desses anos vem lutando e contribuindo para um país mais justo e igualitário. Eu estou imensamente honrado e muito fortalecido com o reconhecimento das nossas ações. Acredito que teremos mais possibilidade para a internacionalização das nossas causas e pautas. Meu papel aqui em Washington é chamar a atenção das autoridades internacionais paras os casos de intolerância religiosa que vem crescendo a cada vez mais no Brasil — disse Ivanir dos Santos.
 
Em sua 1ª edição, os jurados fizeram uma criteriosa avaliação com lideranças em todos os continentes. A principal missão do referido departamento é "monitorar as perseguições religiosas e a discriminação em todo o mundo, com o intuito de implementar políticas nas respectivas regiões ou países e desenvolver programas para promover a liberdade religiosa", além de destacar ativistas que lutam incansavelmente pela causa.
 
Fomentar a liberdade religiosa globalmente é um dos desafios do século 21 e uma prioridade da política externa norte-americana. O encarregado de Negócios da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil, William Popp, afirmou durante o evento que os Estados Unidos jamais serão espectadores de qualquer tipo de opressão. “Cada pessoa no mundo deve ser livre para acreditar ou deixar de acreditar naquilo que desejar. Seremos sempre incansáveis na busca pelo exercício da liberdade de religião ou crença, que é um valor fundamental para os EUA e um direito humano universal”, explicou.
 
Com informações do Extra
Foto: Reprodução / Extra

 
A Iniciativa das Religiões Unidas (URI), presente em 110 países com 1.000 Círculos de Cooperação, vem a público para se opor veementemente a todos os atos de violência e em particular os que ferem o livre exercício de práticas religiosas e ou espirituais, de tradições africanas, indígenas e demais convicções de qualquer natureza, na forma e onde quer que sejam praticadas.
 
A Constituição brasileira garante o direito à livre escolha de culto de cada cidadão. Sendo o Brasil um Estado laico, assim mesmo temos assistido desde ofensas, agressões físicas até a interdição e derrubada de templos. Intolerância espalhada inclusive por alguns meios de comunicação. Aproveitamos para manifestar nossa preocupação em relação à liberação de mais armas no país. 
 
Temos que estar atentos aos discursos de ódio contra religiões afro-brasileiras, ou quaisquer outras tradições religiosas, com pautas morais conservadoras e/ou agressivas que têm alcançado todos os níveis da política brasileira.
 
Em nível mundial, achamos oportuno trazer a voz do Diretor Executivo da URI Global, Victor Kazanjian, que diante dos vários atentados ocorridos a templos religiosos em março de 2019, enviou a seguinte mensagem:
 
“Conclamamos a todas as pessoas do mundo a condenar esses atos de ódio e também a responsabilizar os líderes em todos os países cuja retórica divisiva e desumanizadora cria um clima que tolera e incentiva o preconceito e o ódio que se manifesta de muitas formas. Neste momento de inquietação, abrimos nossos corações liberando o poder de nosso amor, conectando-nos uns aos outros em laços inquebrantáveis de relacionamento e permitindo-nos construir e reconstruir comunidades que finalmente se fortalecem com a beleza de nossa diversidade”.
 
É hora de nos unirmos para transformar essa realidade!
“Somos os frutos de uma só árvore e as folhas de um único ramo”
 
O Estado é laico, o Brasil e o Planeta são sagrados e todos queremos paz!
 
URI – Iniciativa das Religiões Unidas
Julho/2019

 
Por: Sônia Mota [1]
 
Vivemos em tempos de mercados, consumismos, índices e estatísticas que querem nos fazer acreditar que o crescimento econômico de um país é o melhor sinal do seu progresso. Quando os índices de crescimento são bons e o consumo é alto, o mercado se anima. Mas se os índices forem negativos, o mercado entra em pânico. Esta é a lógica do sistema de mercado, a alma da economia capitalista.
 
Enquanto a economia de mercado apregoa o aumento do consumo para alcançarmos um grau cada vez maior de felicidade, o continente convive cotidianamente com a miséria. São cinco séculos de invasões de terras, extermínio e espoliação de populações tradicionais, violência contra mulheres, exploração de trabalhadores/as, abuso econômico e sexual de crianças, dizimação de jovens negros, destruição da natureza.
 
Para muitos, a lógica do mercado que explora recursos naturais como se fossem infinitos é algo natural e imutável. Lamentavelmente até discursos religiosos cristãos justificam este sistema, considerando-o uma “bênção”, já que traz “prosperidade”. Eles, no fundo, legitimam formas desiguais de viver no mundo.
 
Mas há as igrejas que não compactuam com o discurso da “prosperidade” e da felicidade através do consumo e estão preocupadas com a situação. Como atuar neste cenário? Ou, nas palavras do saudoso teólogo João Dias de Araújo:
 
Que estamos fazendo se somos cristãos/ãs?
Há muita gente sem lar, sem pão.
Há muitas vidas esperando a nossa ação.
Não só a alma do mal salvar também o corpo ressuscitar.
 
A partir da afirmação teológica de que todas as pessoas são criadas à imagem de Deus, com o direito e o potencial de viver vidas dignificadas em comunidades sustentáveis, os membros da Aliança ACT[2] estabelecem o princípio e o compromisso com um desenvolvimento transformador.
 
Desenvolvimento transformador tem a ver com atitudes e ações para que todas as pessoas tenham respeitados seus direitos humanos de procedência divina. Num mundo cada vez mais globalizado, as vidas mais e mais estão interligadas. Por isso, desenvolvimento transformador implica mudança para todas as pessoas envolvidas: aquelas com poder, riqueza e influência – que controlam e usam mais do que sua porção de recursos – e aquelas por demais prejudicadas por estruturas e sistemas opressores.
 
A profissão desta fé exige a rejeição daquelas condições, estruturas e sistemas que perpetuam a pobreza e a injustiça, o abuso dos direitos humanos e a destruição do meio ambiente.[3]
 
Esta compreensão de desenvolvimento transformador respalda as ações das organizações que compõem a Aliança e é um bom parâmetro também para as igrejas que querem refletir sobre suas ações pastorais e seu compromisso cm uma justiça social: caminhar ao lado dos empobrecidos deste continente que precisam de apoio, consolo, solidariedade e cumplicidade nas suas lutas. Ele motiva as igrejas a fazer uma análise crítica da realidade e encontrar novas opções de atuação pastoral que possam traduzir o amor ao próximo em ações concretas de superação de injustiça e desigualdade.
 
Uma atuação pastoral para preservação da vida está necessariamente atenta aos clamores do povo. E são muitos os gritos e desafios. Não é possível estar em todas as frentes de luta; é necessário escolher em quais queremos estar. Como igrejas, podemos fazer ecoar os clamores nas redes em que estamos inseridas, mas também há gritos que estão perto de nós e requerem a atuação fundamental das igrejas locais. Não há como abarcar todas as lutas do continente latino-americano; destaco apenas algumas. A leitora e o leitor podem ter outras.
 
A questão ambiental
 
O conflito ambiental se dá quando uma comunidade é colocada em situação de injustiça ambiental e social. Hoje existe uma antecipação a possíveis conflitos ambientais entre as empresas e comunidades. É possível e necessário que as igrejas através das pastorais específicas e os movimentos sociais envolvidos tenham como estratégia construir intervenções metodológicas, educativas e de resistência para fortalecer as lutas antecipatórias.
 
Os movimentos sociais ambientais, rurais e urbanos, estão discutindo e buscando combater a cultura do agronegócio que ameaça a biodiversidade. A questão passa a ser não só a terra no sentido de reprodução, mas também de identidade; a perda do território significa a destruição dos solos, dos ecossistemas, da vida comunitária. É um embate contra a lógica do agronegócio, sustentada com os recursos naturais das comunidades tradicionais, que são espaços conservados.
 
O clamor do povo se expressa na voz de Alexandre Anderson [4]:
 
Progresso para quem? Apenas para as grandes indústrias. Não somos contra o progresso, somos contra a destruição do ecossistema pelas grandes indústrias enquanto a gente está colhendo somente o ônus.
 
Nossa ação pastoral está motivada em Gn 1,31:
 
E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom.
 
Sabemos o que fazer, individualmente, para preservar a boa criação de Deus e a continuidade da vida no planeta: ter consciência do consumo de água e alimentos, lidar responsavelmente com o lixo doméstico, aderir a campanhas contra a destruição de rios e florestas e boicotar produtos de empresas exploradoras. Além disso, as igrejas podem divulgar, em seus meios de comunicação, as ações de empresas que degradam o meio ambiente. Igrejas e indivíduos podem engajar-se em movimentos que buscam políticas públicas de proteção ambiental, de preservação das matas nativas e das sementes crioulas. Importante também é saber que a monocultura é um atentado contra a diversidade da boa criação de Deus.
 
Aprendemos com a Bíblia, os mártires e a doutrina social das igrejas que a propriedade tem “finalidade social”, pois a terra é dom de Deus para todas as pessoas e os frutos da terra não são propriedade de poucos.
 
A defesa dos povos e das culturas tradicionais
 
Hoje, muitos povos tradicionais da terra, das florestas e das águas – indígenas, quilombolas, ribeirinhos, coletores, pescadores tradicionais – têm seus territórios ameaçados pela aquicultura empresarial, o agronegócio, os grandes empreendimentos turísticos e os tóxicos que envenenam o ambiente. Poderosos empreiteiros privatizam as águas e, através de cercas, açambarcam territórios que pertencem a povos tradicionais, ameaçando até sua espiritualidade. O poder do dinheiro está destruindo a utopia da “terra sem males”, mas, da união dos povos da terra, das florestas, do rio e do mar está vindo a reação.
 
Este é o clamor desse povo:
 
Nossa principal luta hoje é para garantir o acesso à terra. O Congresso hoje está tentando tirar nosso direito com a PEC 215. Direito não é prá tirar, é prá ser cumprido. (Anastácio Peralta – Guarani Kaiowa / MS)
 
A nossa ação pastoral se apoia no texto de Isaías 10,1:
 
Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos.
 
O serviço profético da Igreja nos impele a colocar-nos ao lado dos indefesos e ameaçados pelo poder do capital. A ação pastoral buscará apoiar ações destes grupos no enfrentamento dos grandes projetos que cercam terras e águas, desmatam a floresta e destroem territórios, culturas, modos de vida e religiosidades. A nossa cidadania batismal nos constrange à solidariedade com estas populações que lutam de forma desigual para viver com dignidade e ter seu modo de viver respeitado. Como pastores/as somos convocados/as a devolver-lhes a esperança e a confiança para resistir e organizar as suas próprias saídas da crise.
 
A violência econômica contra as mulheres
 
A violência econômica é uma das muitas violências que atingem as mulheres. Segundo dados da ONU, 70% das pessoas que vivem em situação de pobreza no mundo são mulheres. Em nosso continente, onde o trabalho de milhões é muito mal remunerado, as mulheres têm a carga mais pesada, pois recebem bem menos que os homens pelo mesmo trabalho. O trabalho das mulheres é explorado no campo e nas cidades, no emprego formal e no informal. Os trabalhos domésticos realizados por mulheres em sua casa, de forma não remunerada, não aparecem nas estatísticas e nos indicadores econômicos. Esta dupla ou tripla jornada, muitas vezes chamada de “Economia do Cuidado”, é geralmente invisibilizada, desvalorizada financeiramente e sujeita a violência física e a pressões psicológicas, sociais e culturais.
 
Muitas populações dependem de pequenas economias de subsistência que estão sendo ameaçadas por grandes empresas, o que tira seus meios de subsistência, afetando toda a família, em especial, as crianças.
 
Das mulheres vem o seguinte clamor:
 
As atingidas por barragem não são reconhecidas, justamente por não terem o título da terra. As empresas não as reconhecem como atingidas, nem o estado brasileiro. (Daiane Höhn dirigente do Movimento dos Atingidos por Barragem – MAB)
 
Uma ação pastoral da igreja se assentará sobre a percepção de que a lógica do mercado é contrária à vida, pois viola direitos e cria desigualdades. Ela promoverá reflexões e ações que desmascarem o sistema patriarcal que se manifesta nos discursos sobre a submissão das mulheres, pretensamente legitimados pela religião. Por isso, além de poderem ser espaços de acolhida de mulheres vítimas de violência e de discussão aberta sobre a violência doméstica, as igrejas têm a tarefa de desconstruir os discursos que buscam subordinar a mulher ao homem e redescobrir, na própria Bíblia, textos que deslegitimam esta subordinação. O mito de que as mulheres são “naturalmente” dotadas para cuidarem de crianças, idosos e enfermos deve ser revisto. De suma importância, na atuação pastoral, é o apoio às lutas por políticas públicas que valorizem o trabalho doméstico e reconheçam o trabalho feminino em todos os âmbitos.
 
A intolerância religiosa e o diálogo inter-religioso
 
A intolerância religiosa tem muito mais a ver com economia do que imaginamos. Ela vem revestida de um contexto político, social e econômico e há vários interesses por trás do incentivo aos conflitos religiosos. A intolerância religiosa se dirige, na maioria das vezes, contra grupos social e economicamente vulneráveis e minorias religiosas ou raciais, revelando a face mais cruel do fundamentalismo: o preconceito. No contexto brasileiro, indígenas e negros são os que mais sofrem com a intolerância religiosa. Não é acaso que justamente estes grupos são os mais fragilizados social e economicamente. A mentalidade branca herdou algumas características dos conquistadores europeus e dos donos de terras e engenhos, entre elas a ideia de que a fé cristã é superior e, por isso, dá o direito de domínio sobre as pessoas que não a professam. Assim, os grupos que tradicionalmente detêm o poder político e econômico não correm o risco de perdê-lo.
 
Escutemos o clamor do povo:
 
Enquanto não entenderem que cada qual pode seguir sua religião, a intolerância só vai aumentar. Por que não respeitam a minha forma de acreditar em Deus? Será que Ele só tem um nome e um jeito de ser? Eu só quero viver em paz e cultuar meus orixás.  (Mãe Branca de Xangô- Ialorixá do Terreiro Ilê Asé Obá Seré – Salvador, BA).
 
A ação pastoral terá em mente Mateus 5,9: “Bem aventurados os que semeiam a paz, porque serão chamados filhos de Deus”.
 
“Não haverá paz no mundo se não houver paz entre as religiões”.[5] Poderíamos interpretar assim esta frase do teólogo Hans Küng: não haverá bem estar coletivo se não conseguirmos eliminar os preconceitos que dominam nossas ações. Portanto, a atuação pastoral que busca fortalecer o movimento ecumênico e o diálogo entre as religiões é fundamental para a desconstrução de preconceitos e a construção de uma sociedade que possibilite o bem estar de todas as minorias.
 
Continuando a reflexão
 
Nossas igrejas têm a tarefa de ser voz profética em defesa dos mais fracos em nosso continente. Mas, diante dos enormes desafios, talvez elas devam ir além de denúncias tópicas de injustiças para pensar na articulação de algo maior: um novo projeto de nação que possa construir uma sociedade justa e fraterna. Isso implica profunda revisão de nossa vida e nossas práticas, pois requer que se substitua a lógica do sistema de mercado, baseada na produção e no lucro, pela lógica do cuidado da vida para todos.
 
BIBLIOGRAFIA
 
A BÍBLIA SAGRADA. Edição Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida. Barueri: SBB
GEBARA, Ivone. A mobilidade da Senzala Feminina. Mulheres nordestinas, vida melhor e feminismo. São Paulo: Paulinas 2000.
SCHINELO, Edmilson. Conjuntura Brasileira: troquemos o PIB pelo FIB. In: Teologia da Libertação e Educação Popular. Raízes e Asas. São Leopoldo: CEBI, 2010.
BEDFORD, Nancy; STRIZZI, Marisa (Org.) El mundo palpita: economia, género y teología. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Iglesias/ Instituto Universitário ISEDET, 2006.
SOF- Sempreviva Organização Feminista. Trabalho, Corpo e Vida das mulheres. Uma leitura feminista sobre as dinâmicas do capital nos territórios.
GRUPO Desenvolvimento e Direitos. Desenvolvimento fundamentado em direitos: uma perspectiva fundada na fé. Posicionamento conjunto.
KÜNG, Hans. Não haverá paz no mundo sem paz entre as religiões: um caminho ecumênico entre o fanatismo e o esquecimento das verdades. In: Projeto de ética mundial: uma moral ecumênica em vista da sobrevivência humana. Trad. Haroldo Reimer. 4. ed. São Paulo: Paulinas, 2003. p. 121-166.
 
[1] Pastora da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e Diretora Executiva da CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço www.cese.org.br
[2] Aliança ACT- ACT Alliance é uma coalizão de mais de 140 igrejas e organizações afiliadas que trabalham em conjunto em mais de 140 países para criar mudanças positivas e sustentáveis ​​nas vidas dos pobres e pessoas marginalizadas, independentemente da sua religião, política, sexo, orientação sexual, raça ou nacionalidade. Seus membros estão associados com o Conselho Mundial de Igrejas ou da Federação Luterana Mundial.
[3] O texto sobre Desenvolvimento Transformador foi elaborado pelo Fórum Ecumênico Brasil em 2008 e outros parceiros ecumênicos da América do Sul . O material produzido foi aprovado pelo Comitê Executivo da Aliança ACT em janeiro de 2013. O texto é um subsídio para estimular o debate sobre a mudança de paradigma de desenvolvimento.
[4] Alexandre Anderson, pescador da Baía de Guanabara, no filme Vento Forte, produzido pelo Conselho Pastoral dos Pescadores. Ameaçado de morte, faz parte do programa de proteção judicial.
[5] KÜNG, Hans. Não haverá paz no mundo sem paz entre as religiões: um caminho ecumênico entre o fanatismo e o esquecimento das verdades.
 
Fonte: Ceseep
Imagem: Claudio Pastro - Lava Pés e Ceia Pascal

 
Os venezuelanos que desejam ter uma nova chance no Brasil agora contam com mais uma oportunidade. Isto porque a Cáritas Brasileira criou uma página na internet com o objetivo de reunir currículos de migrantes e refugiados que desejam trabalhar e gerar renda. No portal, o interessado poderá se cadastrar e fornecer informações de sua atuação profissional. Existe, ainda, um espaço para que empreendedores e outros contratantes possam anunciar vagas de emprego para esse público.
 
A iniciativa faz parte do Programa Pana, uma parceria desenvolvida pela Cáritas Brasileira e pela Cáritas Suíça, com apoio do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Lançada com a página Oportunidades, a campanha “Dê oportunidade a nossos Hermanos”, faz parte do terceiro momento da iniciativa, que tem como foco promover a integração. Além da página dentro do Portal EuMigrante, há vídeos publicitários e ações nas redes sociais.
 
No portal, a Cáritas diz que a meta é favorecer mais de 3.500 pessoas, sendo pelo menos 1.224 delas imigrantes venezuelanas, a partir da integração em sete capitais do Brasil: Boa Vista (RR); Brasília (DF); Curitiba (PR); Florianópolis (SC); Porto Velho (RO); Recife (PE) e São Paulo (SP).
 
Em Brasília,  para o processo de inserção laboral, a Casa de Direitos da Cáritas já colaborou na integração de 200 migrantes, seja na elaboração dos currículos, na procura de oportunidades de trabalho, na sensibilização e orientação jurídica de empregadores e no acompanhamento do processo de adaptação ao trabalho. “Desses 200 migrantes, 75 estão trabalhando”, afirma a assessora nacional de migrações e refúgio, Hildete Emanuela N. de Souza.
 
Para ela, a iniciativa chegou para impulsionar ainda mais o processo de inserção laboral dos migrantes e refugiados. “Estamos bem animados com a Campanha e queremos que as empresas e instituições possam se sensibilizar com essa causa e contribuir de maneira mais direta na integração dos nossos irmãos e irmãs que vieram para o Brasil e tem feito desse nosso chão sagrado sua nova morada”, finaliza.
 
Saiba mais sobre a Campanha: https://eumigrante.org/oportunidades
 
Fonte: Cáritas
Foto: Reprodução