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MENSAGEM DE NATAL
 
“PEQUENA FESTIVIDADE DO NATAL” - “HEDO ZHURO D’YALDO”
 
Amados Filhos Espirituais,
 
Monges, Corepíscopos, Padres, Diaconato, Consagrados e aos Membros fiéis da Igreja, e a todas as pessoas de boa vontade.
 
Graça e paz da parte de N. Sr. Jesus Cristo, nosso Salvador!
 
Quando se fala em Natal, se associa logo a imagem do Papai Noel e presentes do bom velhinho; árvores de pinheiro decoradas com diversos enfeites natalinos etc. Quem é quem, na verdade, nesta história do Natal.
 
São Nicolau é a verdadeira personalidade por trás da história de Papai Noel, que deixa presentes para as crianças na véspera de Natal. Dizem que ele nasceu em Patara, na Lícia (na Turquia), uma província da Ásia Menor. Myra, a capital, não muito longe do mar, era uma Sé episcopal sob a jurisdição da Santa Sé de Antioquia. Diz a Tradição da Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia, que: “Tendo chegado à antiga cidade de Jerusalém e tendo chegado ao Gólgota, São Nicolau ofereceu ações de graças ao Salvador da humanidade e fez uma peregrinação a todos os lugares santos, adorando a Deus e fazendo orações”.
 
Sobre o símbolo da árvore de natal, temos a figura de São Bonifácio que exclamou em alta voz, apontando para um pinheiro na floresta: “Esta pequena árvore, uma criança da floresta, será sua árvore sagrada esta noite. É a madeira da paz […] É o sinal de uma vida sem fim, pois suas folhas são sempre verdes. Veja como aponta para o céu. Que isso seja chamado de a árvore do filho de Cristo; reúnam-se sobre ela, não na floresta selvagem, mas em suas próprias casas; ali não abrigará atos de sangue, mas dons amorosos e ritos de bondade” (SEWELL, 2014). Com a madeira do carvalho derrubado, São Bonifácio começou uma capela e todo aquele povo se converteu ao cristianismo. Desde então, sobretudo em solo germânico, começou e se expandiu a tradição de, na véspera do Natal, se cortar um pinheiro, colocar em casa, como se fosse à árvore do Salvador Jesus Cristo.
 
O Natal é justamente o momento de meditação sobre esta filosofia de vida cristã aceitando os testemunhos apresentados na vida de Cristo sem desprezar testemunhos anteriores. Na jornada que iniciamos todo ano com Cristo no Natal, somos capazes de quantificar e qualificar nossos atos?
 
Será que conseguimos transmitir isto de forma clara para os nossos familiares e amigos?
 
Eis a grande questão!
 
O Calendário Religioso da igreja é baseado na vida de Cristo para que cada fiel possa por si só lembrar as passagens, lê-las nos Evangelhos e meditar sobre estas passagens. É preciso por um momento, e para isso nossa Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia propõe um jejum de dez dias antes do Natal para focar a necessidade de purificarmos nossos corpos e mentes voltados em gratidão ao Filho que vem para a dispensação divina por sua própria vontade e por ordem do Pai, por amor à humanidade, e, nós de outra parte aceitando-o com atitudes necessárias de amparo e amor ao próximo não só neste período natalino, mas em toda a nossa existência.
 
Natal é tempo de esperança de dias melhores.
Deus abençoe a todos!
 
São meus votos de Boas Festas e Próspero Ano Novo de 2019.
 
MOR TITO PAULO GEORGE HANNA
Arcebispo Núncio Apostólico
 
 
 
Imagem: Flickr - Jeff Weese, CC BY 2.0
Foto: ISOA

 
Em visita à Rádio Vaticano, Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário-geral da CNBB, afirmou em entrevista que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil está preocupada com as discussões políticas em torno da questão indígena no país. Segundo Dom Leonardo, o Brasil vive um momento difícil por causa da possibilidade da Fundação Nacional do Índio, a Funai, ser incorporada ao Ministério da Agricultura. “Preocupa o fato de um dos futuros ministros ter dito que a Funai ficaria ligada à pasta da Agricultura. No meu modo de ver isso é grave, isso é gravíssimo”, alerta o secretário-geral da CNBB.
 
Dom Leonardo explica que o Ministério da Agricultura, nos últimos governos, sempre esteve ligado ao agronegócio, um setor que tem interesse nas terras indígenas. Entretanto, segundo o bispo auxiliar de Brasília, a CNBB pretende discutir com o novo governo a importância de garantir que essas terras continuem com seus verdadeiros donos.
 
“Esperamos estabelecer diálogo com o governo para que a Funai continue sendo um órgão do Estado Brasileiro, para poder não apenas proteger os povos indígenas, mas também ajudar na saúde e na educação dessas pessoas. É preciso que tenham espaço. A terra para eles não é negócio. A terra é a casa, é o lugar onde a existência tem sentido”, afirma o secretário-geral da CNBB.
 
Sobre esse assunto, o Conselho Indigenista Missionário, o Cimi, ligado à CNBB, emitiu uma nota de repúdio às discussões em andamento no governo de transição. A temática também é central no próximo Sínodo dos Bispos em 2019, no Vaticano, que será sobre a Amazônia.
 
Ouça aqui a entrevista de Dom Leonardo.
 
Fonte: Vatican News
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 
Ativistas denunciaram que o Brasil vive tempos difíceis com o fortalecimento do discurso contra a proteção das minorias, dos trabalhadores e dos mais pobres. Eles participaram nesta segunda-feira (10) de uma audiência na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) para marcar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.
 
Segundo alguns dos convidados, uma narrativa está sendo construída para desqualificar o ativismo, induzindo as pessoas ao erro.
 
— Enfrentamos agora o crescimento de setores atrasados e sem compromisso com os direitos do povo. Parece haver o interesse central de se desmontar as defesas dos direitos humanos. Temos que aproveitar a data para lembrar as violações que ainda acontecem aqui. O governo eleito diz que tem direitos humanos demais. Mas, não. O que existe na verdade é a falta de direitos, inclusive os relativos à educação e à saúde — afirmou o professor da Universidade de Brasília, Fábio Félix.
 
Defensor dos direitos da população LGBT, o professor, que se elegeu deputado distrital pelo Psol-DF, afirmou ainda que teve medo durante a campanha eleitoral.
 
— Os discursos de ódio e intolerância na política ativam uma série de gatilhos. Durante esse processo eleitoral eu tive medo de andar na rua. E isso não é "mi-mi-mi", é verdade e é muito grave. Esses discursos de ódio não podem ser propagados com tanta força. Acredito na população brasileira. Essa audiência é importante para reforçar a necessidade de politicas de Estado que estimulem o respeito.
 
A presidente da CDH, senadora Regina Souza (PT-PI), concordou. Segundo ela, esse discurso equivocado é também o responsável por espalhar a falsa ideia de que direitos humanos existem para defender bandidos.
 
— Ainda precisamos ler e reler a declaração para que as pessoas fiquem informadas. E deveria ser tema de estudo na educação básica. Neste meu mandato à frente da CDH, tentamos esclarecer muitas visões errôneas. Demos voz aos invisíveis da sociedade e emudecidos pelos poderosos.
 
Generais
 
O jornalista e ativista dos direitos humanos Luiz Claudio Cunha fez duras críticas ao futuro governo Bolsonaro. Segundo ele, nem no regime militar instaurado a partir de 1964, houve tantos generais nomeados pelos presidentes.
 
— Naquela época, os generais tomaram o poder pela força, agora pelo voto popular. Esse é o paradoxo. Nenhuma grande democracia no mundo dá tantos poderes aos generais. Nem os cinco presidentes militares pós-64. O novo governo terá nove militares em postos-chave dos ministérios.
 
Declaração
 
Proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos surgiu no período pós-Segunda Guerra, num mundo ainda abalado pela violência do conflito. O documento tem 30 artigos que  balizam legislações internas dos países e constituições, inclusive a brasileira. O artigo primeiro diz, por exemplo, que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
 
Desde sua proclamação, o texto já foi traduzido em mais de 500 idiomas, sendo considerado o documento mais traduzido no mundo.
 
Religiões
 
A pastora Romi Márcia Bencke, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, alertou que o Brasil atravessa um período de “fundamentalismo religioso”. Ela disse que as religiões precisam se atualizar para garantir a promoção dos direitos humanos.
 
— Não é possível aceitar que pessoas sejam mortas, excluídas e violentadas em nome da fé. A autocrítica é fundamental e essencial para recuperar o real sentido da nossa função. As tradições de fé foram muito importantes no processo de redemocratização do Brasil. Temos um papel histórico e um compromisso inalienável e indiscutível de atualizar a pauta dos direitos humanos. A agenda moral não pode se impor ao nosso compromisso essencial, que é o fortalecimento de uma cultura de paz e de ações não violentas.
 
A presidente da CDH, senadora Regina Souza (PT-PI), dedicou a audiência pública ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba (PR). O senador Paulo Paim (RS-PT) lamentou que a Justiça tenha negado nesta segunda-feira a visita de 13 parlamentares da comissão ao ex-presidente, que ele classificou como preso político.
 
— O que tem de mais uma comissão visitar o presidente? Já fizemos isso há um tempo atrás. Qual o problema de, no encerramento da legislatura, fazermos uma visita? É um gesto truculento que não dá para medir. Mesmo na época do apartheid, saímos daqui e fomos visitar o Nelson Mandela. Mas, aqui no Brasil, é proibido que um grupo de senadores visite um preso político.
 
Fonte: Agência Senado
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

 
Em apenas um ano aumentou em 2 milhões o número de brasileiros que vivem na linha de pobreza. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção era de 25,7% em 2016 e passou para 26,5% em 2017. A variação significa que o número de pessoas que sobrevivem com R$ 406 por mês passou de 52,8 milhões para 54,8 milhões.
 
Os dados, divulgados na última quarta-feira (5), mostram também aumento da extrema pobreza, quando a renda mensal é inferior a R$ 140, de acordo com a linha proposta pelo Banco Mundial. Em 2016, 13,5 milhões (6,6% da população) estavam nessa faixa. Em 2017, esse índice saltou para 7,4%, ou seja 15,2 milhões vivendo em extrema pobreza.  
 
No Rio de Janeiro, o percentual subiu de 18,5% para 19%, com 3,1 milhões na linha de pobreza. No Sudeste, o percentual de pessoas abaixo dessa linha subiu para 17,4% da população, abarcando 15,2 milhões de pessoas. No Nordeste, 44,8% da população estava em situação de pobreza, o equivalente a 25,5 milhões de pessoas. 
 
Mulheres, negros e pardos 
 
Entre negros ou pardos, 13,6% estavam entre os 10% da população com os menores rendimentos. No outro extremo, porém, apenas 4,7% deles estavam entre os 10% com maiores rendimentos. Já entre os brancos, 5,5% integravam os 10% com menores rendimentos e 16,4% os 10% com maiores rendimentos. 
 
A análise por restrição de acesso a bens em múltiplas dimensões complementa a análise monetária e permite avaliar as restrições de acesso à educação, à proteção social, à moradia adequada, aos serviços de saneamento básico e à internet. 
 
Nos domicílios cujos responsáveis são mulheres negras ou pardas sem cônjuge e com filhos até 14 anos, 25,2% dos moradores tinham pelo menos três restrições às dimensões analisadas. Esse é também o grupo com mais restrições à proteção social (46,1%) e à moradia adequada (28,5%). 
 
Crise e impeachment 
 
Em entrevista ao Programa Brasil de Fato, o diretor da Associação de Trabalhadores do IBGE, Luiz Almeida Tavares, afirmou que a pesquisa é um somatório de índices dos últimos anos. Segundo o analista, esses índices se tornaram preocupantes com a crise internacional do capitalismo em 2008 e pioraram após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. 
 
“Com o impeachment, esses números se acentuaram porque foi tirado do trabalhador o direito amplo de políticas públicas. A crise da saúde pública, a falta de saneamento e de programas de habitação, a falta de boas escolas, tudo converge também para a questão da cor. Mulheres, pretos e pardos são os que mais sofrem”. 
 
Para erradicar a pobreza, o estudo apontou que seria necessário investir R$ 10,2 bilhões por mês na economia, ou garantir R$ 187 por mês a mais, em média, na renda de cada pessoa nessa situação. A análise demonstra que não só a incidência da pobreza aumentou, mas também a intensidade, já que em 2016 esse valor era de R$ 183 a mais. 
 
O analista da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, Leonardo Athias, indica que, além de políticas públicas do governo, a melhora nas condições do mercado de trabalho é um dos caminhos que podem contribuir para a redução da pobreza: “ter oportunidades, reduzir a desocupação e aumentar a formalização têm obviamente uma série de efeitos que permitem as pessoas saírem dessa situação”. 
 
Fonte: Brasil de Fato
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

 
Quando o bispo Marcelo Crivella (PRB) foi eleito para a prefeitura do Rio de Janeiro, a economista Monica de Bolle (foto acima), PhD pela London School of Economics e diretora de estudos latino-americanos e mercados emergentes da Johns Hopkins University, passou a sentir uma “coceira”, como ela diz. A eleição de um quadro importante da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) para a prefeitura da segunda cidade mais rica do Brasil lhe pareceu simbólica. “Como a crença nos partidos caiu enormemente, mas a crença nas igrejas não, parece que isso está levando a uma coesão maior da frente parlamentar evangélica, que está se unindo a outros grupos para definir a agenda do futuro Governo Bolsonaro”, argumenta. “Isso talvez seja a história da implosão dos partidos políticos relacionados à corrupção. No Brasil, isso deu espaço para ser ocupado por um grupo que almejava um espaço político maior tendo em vista a eleição do Crivella no Rio de Janeiro, em 2016. Agora esses grupos veem esse espaço aberto porque as pessoas não acreditam mais em partido político mesmo. Elas vão acreditar no quê? Elas vão acreditar na igreja.”
 
A “coceira” de Monica aumentou em outubro deste ano, quando a Frente Parlamentar Evangélica (FPE) lançou o manifesto “O Brasil para os Brasileiros”, com uma detalhada agenda econômica e uma clara pauta de costumes, e oficializou apoio ao então candidato Jair Bolsonaro (PSL) às vésperas do segundo turno das eleições. “Dá uma sensação de que tem um movimento orquestrado por trás de uma religious right, parecido com o que tem aqui nos Estados Unidos, que almeja poderes maiores do que almejavam anteriormente e até maiores do que os daqui almejam”, diz. Em entrevista à Pública por Skype, ela fala da disposição das lideranças evangélicas para ditar os rumos do governo Bolsonaro, cujo exemplo mais recente foi o veto à nomeação do diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves, ao cargo de ministro da Educação, área que mereceu atenção especial no manifesto da FPE. Segundo o jornal O Globo, Bolsonaro sondou o pastor Silas Malafaia a respeito do nome do procurador Guilherme Schelb para encabeçar a pasta. “Ele não está falando, negociando com os partidos, então falou comigo. Eu falei que tem [aval]”, disse Malafaia. Apesar do lobby evangélico, o presidente eleito nomeou o professor Ricardo Vélez Rodríguez, também alinhado ao combate ao “marxismo cultural” e indicado pelo filósofo cristão Olavo de Carvalho, para assumir o ministério.
 
P. O que é a religious right e quais as comparações possíveis com a Frente Parlamentar Evangélica?
 
R. Os paralelos são muito claros. A religious right, aqui nos Estados Unidos, é uma certa fauna diversa, como são os movimentos evangélicos no Brasil, mas tem um elemento de fundamentalismo cristão que une esses políticos que estão todos dentro do Partido Republicano. Essa religious right aqui consiste basicamente nesses “born again christians” [cristãos renascidos], que são os neopentecostais. Não são os protestantes tradicionais, como os luteranos ou batistas, mas os cristãos fundamentalistas. Eles estão no Partido Republicano há muito tempo, é o pessoal que tem a pauta dos costumes, adeptos do chamado movimento pró-vida e de movimentos contrários às pautas identitárias — movimentos anti-LGBT, antiminorias. O que é curioso é que o que está despontando na bancada evangélica e no futuro Governo Bolsonaro é muito semelhante com esse grupo de pessoas dos Estados Unidos. É o mesmo tipo de gente com o mesmo tipo de visão, muito calcada nos costumes, nos valores, a partir de um fundamentalismo religioso, mas com um componente ideológico adicional que aqui não existe, que é a história do marxismo cultural. Tudo é marxismo cultural agora no Brasil — as pessoas não sabem o que é marxismo, mas tudo é marxismo cultural. O próprio novo chanceler brasileiro [Ernesto Araújo, nomeado por Bolsonaro para encabeçar o Ministério das Relações Exteriores] é alguém que cita a globalização como anti-humana e anticristã [Araújo opõe-se ao que chama de “globalismo”, que, em suas palavras, é “a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural”].
 
O que me chamou muita atenção foi o manifesto que a bancada evangélica produziu no dia 24 de outubro, que é um plano de governo e, se o Bolsonaro tivesse tido a preocupação em preparar um plano de governo, é mais ou menos o que ele teria preparado — o documento vai muito na linha do que ele tem anunciado e feito já —, mas com esse componente de fundamentalismo cristão e ideologia religiosa claros porque no fim do documento tem toda aquela parte de Escola sem Partido e marxismo cultural. O que também chama atenção é que, pela primeira vez, eu vi a bancada evangélica apresentar uma proposta mais ampla: falam de reforma do Estado, falam de reformas econômicas. Isso me levou a comparar os dados do resultado do segundo turno em 2018 com os do segundo turno em 2014 e olhar, por exemplo, em nível municipal, como foram as votações do Bolsonaro e do Aécio Neves nos municípios em relação à proporção de autodeclarados evangélicos nesses municípios. Claramente os municípios com maior número de evangélicos são exatamente os municípios onde o voto no Bolsonaro foi acima de 60%, e isso não foi verdade em 2014 — nem para Dilma nem para Aécio. Com as indicações de ministros, com a história de Ministério da Família, que agora vai se chamar outra coisa, esse sujeito que vai ocupar o MRE com as coisas que disse, dá uma sensação de que tem um movimento orquestrado por trás de uma religious right meio parecido com o que tem aqui nos Estados Unidos, que almeja poderes maiores do que almejavam anteriormente e até maiores do que os daqui almejam, porque os daqui [dos EUA] estão basicamente no Congresso e têm outro tipo de pretensão. No Brasil, parece ser uma disposição para ocupar os espaços executivos. Isso já vem me chamando atenção desde a eleição do Marcelo Crivella [PRB] no Rio.
 
P. Você diz que nos Estados Unidos a articulação da direita religiosa se deu dentro da estrutura partidária, no caso o Partido Republicano, ao contrário do caso brasileiro, onde essa articulação se dá por fora dos partidos. Por onde passa a articulação dessa direita religiosa brasileira?
 
R. Você tem 23 partidos, mais ou menos, que compõem a bancada evangélica, sendo que alguns têm mais presença do que outros. O PRB, por exemplo, tem um monte de deputados na bancada, o que não surpreende sendo o partido da Igreja Universal. Fora o PRB, tem o PR, o PP e o próprio MDB. Talvez seja um pouco cedo para afirmar isso, mas pela cara desse manifesto, pelo encaminhamento dessa transição de governo, [pelas] pessoas que o Bolsonaro já falou, que está indicando para cargos-chave, parece haver uma união dessa bancada evangélica, que talvez hoje esteja bem mais coesa do que já foi. Como houve uma diluição dos partidos no Brasil e como a crença nos partidos caiu enormemente, mas a crença nas igrejas não, por serem instituições em que ao menos boa parte da população vê que não há corrupção e que determinados valores estão mantidos, parece que isso está levando a uma coesão maior da Frente Parlamentar Evangélica, que está se unindo a outros grupos para definir a agenda do futuro governo Bolsonaro. E ele, por sua vez, acho que está muito confortável com isso porque muda o chamado jogo político no Brasil. O que a gente entendia como o chamado presidencialismo de coalizão é que o presidente, minoritário, tinha sempre o desafio de construir uma coalizão estável e, em um sistema muito fragmentado como é o sistema partidário brasileiro, isso era sempre muito complicado. Mas, se você de repente transforma isso num grupo de bancadas onde as legendas são só legendas e as pessoas que pertencem a determinadas legendas não estão necessariamente interessadas nas agendas dos seus partidos — até porque seus partidos não têm propriamente uma agenda —, mas na agenda da bancada, você passa de um regime onde a coalizão era construída nos partidos para um regime em que a coalizão é construída com o apoio da bancada. E a bancada evangélica é enorme: são 199 deputados na Câmara mais quatro parlamentares no Senado e com uma intercessão esquisita aí com a bancada ruralista. Essa costura com os evangélicos pode garantir de fato uma governabilidade que a gente não estava enxergando.
 
P. No manifesto da FPE, nota-se entre as pautas econômicas propostas de cunho liberal como, por exemplo, o enxugamento e modernização do Estado. No entanto, muitas dessas grandes lideranças evangélicas estavam no palanque da Dilma em 2014, quando a presidente vinha de um governo que adotou outra prática econômica e não acenava para essas pautas na campanha. Por que essa adesão a esse receituário liberal?
 
R. Eu acho que esse não é o ponto principal para eles. A agenda liberal na economia é meio que irrelevante para eles. Eles não estão preocupados com isso, se é liberal ou se não é liberal. A preocupação maior é: número um, ocupar espaços políticos — e eu acho que agora eles estão vendo um espaço enorme para isso, dada a diluição dos partidos —, essa é a primeira preocupação, então temos que entendê-los como a gente entende qualquer político; e, número dois, empurrar essa agenda de costumes à frente, fazer com que essa agenda seja implantada, coisa que eles nunca iam conseguir nos governos petistas, mas estar junto dos governos petistas atendia ao primeiro anseio, que era estar perto do poder para ganhar plataforma política. Isso eles conseguiram. Agora eles têm a chance de colocar em prática a agenda que de fato interessa para eles e que não tem nada a ver com a economia.
 
P. As lideranças evangélicas podem assumir o papel que antes pertencia tradicionalmente ao MDB, de ser uma espécie de “fiador” da governabilidade, a partir da capilaridade das igrejas?
 
R. Acho que sim. E acho que esse papel passa por duas coisas. A primeira é que muitas pessoas depositam confiança nas igrejas, dado que o número de evangélicos no Brasil cresceu muito nos últimos anos, e a segunda coisa é justamente pela capilaridade. As igrejas substituíram o MDB em termos de capilaridade. O que era o MDB antes, que ocupava os espaços regionais, essas igrejas têm um espaço muito, mas muito maior. A capilaridade fica em nível granular, desce para o bairro. Ela não fica só na prefeitura. Existe um potencial de substituição dessa capilaridade. Partindo do pressuposto de que eles estejam organizados dessa forma, porque como é uma fauna essa coisa dos evangélicos — você tem todo tipo de igreja, instituição e movimento religioso que a gente coloca nessa classificação de “evangélicos” —, mas supondo que eles estejam de fato atuando dessa forma coesa e estejam decidindo atuar apoiando uns aos outros, o projeto de hegemonia em termos de poder para eles tem um potencial de ser muito mais hegemônico do que qualquer projeto do MDB ou do PT. Porque é religião mesmo, não é outra coisa.
 
P. Esse projeto de hegemonia vai dar aonde? Vai parar nessas pautas morais como o Escola sem Partido?
 
R. Acho que não, acho que vai mais longe. Isso é que talvez seja a história da implosão dos partidos políticos relacionados à corrupção. Essa implosão, quando aconteceu na Itália, por exemplo, deu espaço para várias outras esquisitices na política, mas nenhuma delas foram esquisitices religiosas: apareceram outros partidos, apareceu o Berlusconi. Hoje em dia a Itália continua marcada pelos populismos diversos, é uma bagunça só. No Brasil, o que isso deu foi um espaço maior para ser ocupado por um grupo que já almejava ocupar um espaço político maior tendo em vista, por exemplo, a eleição do Crivella no Rio de Janeiro em 2016, que é bem sintomático desse processo. E agora esses grupos veem esse espaço aberto porque as pessoas não acreditam mais em partido político mesmo. Elas vão acreditar no quê? Elas vão acreditar na igreja.
 
 
P. Outro componente desse governo Bolsonaro, que você deve estar vendo há mais tempo aí nos Estados Unidos com o Trump, que é esse “governo online”. Há um governo que se comunica diretamente com o seu eleitorado mais fiel — e inflamado — por meio das redes sociais. Isso não dificulta a moderação do discurso de Bolsonaro, sobretudo nessas pautas morais?
 
R. Demais. Acredito nisso piamente. Esse meio de comunicação direta por meio de Twitter, WhatsApp, Facebook, seja lá o que for, dificulta, sim, a moderação. Quando o Trump se elegeu aqui, havia essa ideia de que “ah, mas a presidência é algo que tende a moderar o discurso, porque os presidentes enfrentam todo o peso da instituição da presidência, os contrapesos do Congresso, isso tende a modular o discurso e tudo mais”. Não foi absolutamente isso que a gente viu com o Trump, muito pelo contrário. Não mudou nada. Ele está pior do que estava quando entrou. Parte da razão para isso é exatamente esse canal direto de comunicação com a base nas redes sociais, que é onde o povo está preparado para reagir da forma mais instintiva possível. As pessoas não pensam, não tem um espaço reflexivo nas redes sociais, é totalmente reativo. Chega lá o presidente eleito e coloca um tweet meio inflamatório sobre uma determinada coisa, digamos, chamando o globalismo de marxismo cultural. Aí vem a turba inteira achando aquilo absolutamente correto, e "é isso mesmo, tem que acabar com o marxismo cultural". Começa aquela bagunça e aquele discurso que acaba validando o discurso político do presidente eleito. E ele se sente, portanto, com capital político para continuar fazendo aquilo. É uma maneira um tanto diferente de as coisas operarem no sistema político do que no passado. Sob esse ponto de vista, não vejo qualquer espaço para que discursos sejam moderados. Acho que eles tendem ou a ficar iguais, ou até a ficar um pouco mais radicais por conta dos temas que são levantados, sobretudo nessa pauta de costumes, que é algo que gera naturalmente esse tipo de reação. São coisas muito controvertidas.
 
P. Talvez a pauta dos costumes seja o que tenha feito com que tanta gente se arregimentasse em torno do discurso do Bolsonaro. Se Bolsonaro, durante a campanha, anunciasse pautas mais técnicas — como a reforma da Previdência ou o ajuste fiscal, por exemplo —, talvez não tocasse tanta gente. Até onde vai essa crença de que o problema do Brasil são essas questões morais, naturalmente subjetivas, quando estamos diante de problemas objetivos mais graves, como as contas públicas, por exemplo?
 
R. Se ficar só nisso, se o governo Bolsonaro não fizer as reformas que precisa fazer para que a economia volte a reagir, o desemprego continuar alto e as pessoas começarem a ver que os problemas permanecem os mesmos, a chance de que as pessoas se desiludam com esse discurso todo é enorme. O Brasil, diferentemente dos Estados Unidos, não tem solidez econômica nenhuma no momento. É bem possível, dado que existe hoje no Brasil uma vontade de vários segmentos e de vários lados de que o Bolsonaro dê certo simplesmente para acabar com o PT de vez — é um pouco essa a cabeça das pessoas atualmente no Brasil —, acho que vai haver um pouco de boa vontade em relação à paciência que segmentos de diferentes sociedades vão ter diante das reformas, e acho que a paciência vai se estender também para a qualidade das reformas. Então, por exemplo, se o Bolsonaro acabar fazendo uma reforma da Previdência que não resolva o problema da Previdência, mas que ele possa dizer que ele fez, mais ou menos como o Trump fez aqui em relação a algumas pautas, acho que vai ser o suficiente para os investidores e empresários que estão nesse mesmo barco de apoiar qualquer coisa para não ter o PT de volta. Vão apoiar, vão dar suporte, o que pode fazer com que a economia até melhore um pouco. Acho que não tem muito potencial de melhora muito grande, não, mas pode melhorar o suficiente para gerar o sentimento de que “ah, até que as coisas não estão mal assim”. O perigo maior que eu vejo é: a agenda que está colocada realmente é uma agenda super-retrógrada de costumes. Foi nisso que as pessoas acabaram votando. Concordo com essa visão. Ela resolve a situação do país? Não. Porém, como tem muita gente querendo que esse governo dê certo simplesmente para não ter a volta do PT ou algo parecido, é possível que o Bolsonaro tenha espaço para fazer algumas reformas, ainda que meio ruinzinhas, o que vai fazer com que todo mundo ache que era isso mesmo, estava tudo certo. E isso gera uma certa perpetuação de poder, né? E tem um clã para se perpetuar ali no poder, tem a família toda.
 
P. Algumas pessoas, como o professor Pablo Ortellado (EACH-USP), por exemplo, fazem outro paralelo com os Estados Unidos. Ele cita o livro Culture wars: the struggle to define America (Guerras culturais: a batalha para definir a América, numa tradução livre), do sociólogo americano James Hunter. Nele, Hunter afirma que houve uma articulação dos setores religiosos dos Estados Unidos quando alguns movimentos sociais passaram a pautar as relações interpessoais. Por exemplo, quando o movimento feminista, após conquistar direitos civis para a classe das mulheres, como o voto, passou a enfatizar também o machismo do dia a dia, nas famílias, nas empresas, nas ruas etc. Segundo Hunter, houve reação conservadora a esse fenômeno articulada pelos segmentos religiosos católicos, protestantes e judaicos. Você acha que tem paralelos desse fenômeno no Brasil?
 
R. Tem paralelos, sim. Para nós, brasileiros, esse fenômeno é muito mais recente, então ficou no ponto cego de muita gente, os nossos analistas e cientistas políticos não pegaram isso. E está ainda no ponto cego. Aqui nos Estados Unidos, as guerras culturais estão conosco há pelo menos uns 30 anos, senão mais. Já é algo que faz parte da política. Com a eleição do Trump, a gente viu uma certa ascensão desse conservadorismo que está muito associado a ele, toda essa pauta anti-imigração, antiminorias, anti-LGBT. As pautas são mais ou menos as mesmas, mas em resposta a isso a gente teve agora, nas eleições de meio de mandato, uma enorme tentativa [de reação] dessa população que se sentiu marginalizada por essa ascensão do conservadorismo. Teve o fato da Câmara ter voltado para as mãos dos democratas, mas não só isso: de os democratas voltarem a ter tanto espaço nos estados, não só nos governos estaduais, mas nas legislaturas. Você vê que o perfil das pessoas que ganharam esses mandatos são pessoas radicalmente opostas a essa pauta ultraconservadora. Então aqui, como as guerras culturais estão aí há muito tempo e a sociedade americana é muito fluida, muda muito, porque tem uma composição muito fluida, você acaba tendo um equilíbrio natural de forças. Um movimento se ergue e naturalmente você tem uma reação. Tem um efeito moderador nesse vai e vem que eu acho que não existe no Brasil. O contrapeso a essa onda conservadora está totalmente desarticulado. Onde esse movimento está? Nos progressistas. Quem são os progressistas? São as pessoas que se autoidentificam como centro-esquerda ou esquerda. Esse lado, no Brasil, está completamente desarticulado hoje.
 
P. É possível que essa aproximação dos religiosos ou mesmo do ideário conservador com o poder vá além da estrutura governamental, do Executivo, e passe também para as instituições, como o Judiciário, o Ministério Público? Tivemos recentemente uma nota assinada por mais de 200 procuradores se colocando em favor do Escola sem Partido…
 
R. Eu acho que já está muito presente, na verdade. Esse próprio manifesto em prol desse projeto é um exemplo disso.
 
Fonte: Agência Pública
Foto: Reprodução / El País
Charge: Jornal GGN

 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), texto fundador do Direito Internacional, celebra seu 70º aniversário nesta segunda-feira (10) ofuscada pela ascensão dos nacionalismos e pelos ataques às instituições multilaterais.
 
 
A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, advertiu esta semana que o sistema mundial "que deu corpo à visão da Declaração Universal se vê erodido pouco a pouco pelos governos e pelas autoridades políticas que cada vez se concentram mais em interesses nacionalistas e estreitos".
 
Alguns especialistas consideram que, embora o movimento mundial pelos direitos humanos que nasceu após a Segunda Guerra Mundial esteja ameaçado, esta comemoração pode ser uma ocasião para reafirmar a utilidade da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH).
 
Adotado pela Assembleia Geral da ONU (então com 58 membros, dos quais alguns se abstiveram) em Paris, em 10 de dezembro de 1948, o texto buscava retificar a ideia, mantida durante séculos, de que são os Estados que devem garantir os direitos aos cidadãos.
 
"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos", diz o primeiro artigo da Declaração, que relaciona, em 30 pontos, os direitos humanos, civis, econômicos, sociais e culturais "inalienáveis" e "indivisíveis".
 
A Declaração reagia, assim, ao argumento dos nazistas acusados nos julgamentos de Nuremberg, que defendiam que os líderes de um Estado soberano que agem segundo o que consideram interesse nacional não podiam ser declarados culpados de "crimes de lesa-humanidade", uma acusação de novo sentido.
 
O texto procurou estabelecer os direitos que cabem a toda e qualquer pessoa, independentemente de viver em uma república democrática, uma monarquia, ou uma ditadura militar.
 
A declaração "foi escrita para um momento preciso como o atual, quando a atração do nacionalismo e o populismo se propagam mesmo em nações democráticas", disse à AFP Francesca Klug, renomada acadêmica britânica em matéria de direitos humanos.
 
Um dos principais desafios para a ideia dos direitos humanos universais tem sido sua aplicação.
 
Segundo Conor Gearty, da London School of Economics, ainda que a Declaração tenha sido criada para estabelecer os valores que deveriam transcender a soberania nacional, "os que realmente importaram foram os Estados", porque são os governos, e não uma entidade global como a ONU, que têm capacidade de implementá-los.
 
Gearty considera que a noção de direitos humanos universais avançou muito durante a segunda metade do século XX, com novos tratados multilaterais e legislação nacional para dar corpo aos artigos da Declaração.
 
Para ele, os Estados Unidos desempenharam um papel de liderança, mas a chegada de Donald Trump à presidência, com seus ataques ao multilateralismo e sua saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU, pôs fim a este período.
 
"Os Estados Unidos abandonaram qualquer papel de defensor internacional dos direitos humanos, inclusive sobre uma base hipócrita", afirmou, considerando a chegada de Trump como o ápice de uma retirada que começou com a chamada "guerra global ao terrorismo" lançada depois do 11 de setembro de 2001.
 
"Os direitos humanos precisam de um poderoso mecenas internacional, ou se porá tudo a perder", afirma Gearty, para quem a União Europeia é "o único candidato crível" para substituir Washington.
 
FUTURO
 
A ex-presidente chilena, que está à frente do Alto Comissariado desde setembro, minimizou a ideia de que, para que a Declaração Universal continue sendo relevante, é necessário o apoio de uma superpotência.
 
Para Bachelet, o texto permanecerá, porque "seus preceitos são tão fundamentais que podem se aplicar a qualquer dilema novo", incluindo mudança climática e inteligência artificial.
 
A Declaração engloba da igualdade à garantia de um julgamento justo, passando pelo direito a férias remuneradas e pela garantia de direitos e liberdades "sem distinção alguma de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política, ou de qualquer outra índole, origem nacional, ou social, posição econômica, nascimento, ou qualquer outra condição".
 
Esta frase - "outra condição" - foi aplaudida por antecipar os direitos do coletivo LGTBI (lésbicas, gays, transexuais, bissexuais e intersexuais) décadas antes de seu reconhecimento em qualquer lugar.
 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos "resistiu às provas durante os anos passados", destacou Bachelet.
 
"Acredito firmemente que seja tão relevante hoje como quando foi adotada há 70 anos", insistiu a ex-presidente.
 
PRINCÍPIOS
 
  • A Declaração empodera todos nós. Ela preconiza que todos os seres humanos têm o mesmo grau de dignidade e valor. Confirma que o Estado tem um dever central de promover padrões de vida que nos permitam exercer nossa dignidade e igualdade, em liberdade.
  • Os direitos humanos são relevantes para todos nós, todos os dias. Os direitos humanos incluem o direito de viver livre da insegurança e de não passar necessidade, o direito à liberdade de expressão, saúde e educação; e a desfrutar dos benefícios do avanço da justiça econômica e social.
  • Somos todos seres humanos e compartilhamos dos mesmos valores universais. Somos interligados. Estamos interconectados. Os direitos humanos que partilhamos, a solidariedade e o cumprimento da responsabilidade relativa a esses direitos são o que nos une no planeta que compartilhamos. 
  • Com igualdade, justiça e liberdade, prevenimos a violência e mantemos a paz. Um Estado de direito imparcial e sólido, que respeita os direitos humanos e que possibilita a resolução de conflitos, é essencial para o desenvolvimento e a paz.
  • Todas as vezes que se abandonam valores fundamentais, a humanidade como um todo corre risco. Aqueles que disseminam o ódio e exploram os outros, em benefício próprio, destroem a liberdade e a igualdade, tanto em suas comunidades, como no mundo todo. Podemos e devemos resistir.
  • Precisamos defender os nossos direitos e os dos outros. Todos nós podemos apoiar os direitos humanos. Precisamos mudar a forma como agimos no cotidiano para defender os direitos que nos protegem e, assim, promover a fraternidade entre todos os seres humanos. 
 
A hashtag do aniversário da DUDH é #ApoieOsDireitosHumanos (ou, em inglês, #standup4humanrights) e baseia-se na Campanha de Direitos Humanos da ONU, que convoca todos nós a nos engajarmos em prol dos direitos humanos por mais liberdade, respeito e compaixão pelos direitos dos outros.
 
Com UN / Estado de Minas / AFP
Imagem: UN / Reprodução

 
Reunidos no último dia 1º de dezembro, membros do CONIC do Agreste de Pernambuco celebraram mais um ano de atividades e parcerias ecumênicas com uma confraternização de fim de ano na residência do Bispo da Igreja Católica em Caruaru, Dom Bernardino Marchió.
 
No encontro, estiveram presentes representantes das Igrejas-Membros do CONIC do Agreste: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Também marcaram presença Sônia Mulsseman, da Igreja Menonita, e Pr. Marcos Quaresma, ligado à missão Sepal – Servindo aos Pastores e Líderes.
 
Na ocasião, o reverendo Claudio Linhares compartilhou informações sobre o Encontro dos Regionais do CONIC que ele participou em Brasília (saiba mais aqui: https://bit.ly/2qXq7vf). Os presentes também ouviram o relato do bispo Filadelfo Oliveira sobre o 37º Encontro Ecumênico dos Bispos Amigos dos Focolares, realizado no início de novembro, na Suécia.
 
Após os relatos, membros do Regional do CONIC receberam um modelo de Estatuto para análise e aprovação, e aprovaram a proposta do Movimento dos Focolares (Região Pernambuco) para ingressar ao CONIC do Agreste como Membro Fraterno. Também foram marcadas as primeiras atividades para o ano de 2019, incluindo uma proposta de Encontro de Juventude Ecumênica.
 
“As atividades foram encerradas com um almoço partilhado e com a certeza que em 2019 teremos muitas construções significativas para realizarmos juntos”, concluiu Claudio Linhares.
 
 
Fotos: Claudio Linhares

 
Cansadas de ver como os textos sagrados são usados para justificar a submissão da mulher, um grupo de teólogas feministas protestantes e católicas uniu forças para redigir uma "Bíblia das Mulheres". As mulheres apresentadas nas traduções e interpretações da Bíblia são subservientes, prostitutas, ou santas.
 
Mas, enquanto o movimento #MeToo continua expondo abusos sexuais em todas as culturas e indústrias, e muitas feministas pedem para que se deixe a religião de lado, um eclético grupo de teólogas insiste em que, se forem interpretadas adequadamente, as Sagradas Escrituras podem ser uma ferramenta para promover a emancipação da mulher.
 
"Os valores feministas e ler a Bíblia não são incompatíveis", insiste Lauriane Savoy, uma das duas catedráticas por trás de "Une Bible des Femmes" ("Uma Bíblia das Mulheres"), lançada em outubro passado.
 
Esta professora da Faculdade de Teologia em Genebra, estabelecida pelo próprio pai do Calvinismo em 1559, conta que a ideia surgiu quando ela e sua colega Elisabeth Parmentier se deram conta do pouco que as pessoas conhecem, ou entendem, dos textos bíblicos.
 
"Muita gente pensava que (os textos) estão totalmente defasados, que não têm relevância nos atuais valores de igualdade", diz a professora à AFP, sob as esculturas de Calvino e de outros fundadores do Protestantismo no campus da Universidade de Genebra.
 
Para rebater essas noções, Savoy, de 33, e Parmentier, de 57, uniram-se a outras 18 mulheres teólogas de vários países e correntes do Cristianismo e criaram uma coletânea de textos que põe em xeque as tradicionais interpretações da Bíblia que apresentam as mulheres como frágeis e subordinadas aos homens.
 
Parmentier cita como exemplo uma passagem do Evangelho de Lucas, na qual Jesus visita duas irmãs, Marta e Maria.
 
"Diz que Marta garanta o 'serviço', o que foi interpretado como que ela sirva a comida, mas a palavra grega 'diakonia' também tem outros significados. Poderia significar que fosse uma diaconisa", explica.
 
Acabar com a ortodoxia religiosa
 
Elas não são as primeiras a oferecer uma visão das Escrituras mais favorável às mulheres.
 
Já em 1898 a sufragista americana Elizabeth Cady Stanton e um comitê de outras 26 mulheres redigiu "A Bíblia da Mulher", que buscava acabar com a ortodoxia religiosa de que as mulheres deveriam ser servis aos homens.
 
Inspiradas nesse texto, as duas teólogas de Genebra pensaram, em um primeiro momento, em traduzi-lo para o francês. Depois, consideraram o material muito defasado e decidiram criar uma nova obra, em consonância com os novos tempos.
 
"Queríamos trabalhar de forma ecumênica", explica Parmentier, ressaltando que cerca de metade das participantes do projeto é católica, e as demais, de vários ramos do protestantismo.
 
Na introdução de "Uma Bíblia das Mulheres", as autoras apontam que os capítulos buscam "escrutinar (...) coisas que ficaram maquiadas, traduções tendenciosas, interpretações parciais" na tradição cristã.
 
Persistentes leituras patriarcais
 
As autoras também advertem para as "persistentes leituras patriarcais que justificaram inúmeras restrições e proibições às mulheres".
 
Savoy aponta Maria Madalena como exemplo: "Esteve ao lado de Jesus quando todos os discípulos masculinos estavam assustados. Foi a primeira que visitou seu túmulo e descobriu sua ressurreição", afirmou. "É um personagem fundamental, mas é descrita como uma prostituta (...) inclusive como a amante de Jesus em ficções recentes", lembra.
 
As acadêmicas também tentam contextualizar os textos. Algumas passagens de cartas enviadas por São Paulo às nascentes comunidades cristãs poderiam ser consideradas antifeministas e lê-las como instruções de como se deveria tratar as mulheres hoje é um contrassenso, defende Parmentier. "É como considerar uma carta que alguém envia para dar conselhos válida para toda eternidade", insiste.
 
As autoras consideram que seu trabalho é uma ferramenta útil em tempos de #MeToo. "Cada capítulo aborda questões existenciais para as mulheres, perguntas que elas mesmas se colocam atualmente", afirma Parmentier.
 
"Enquanto algumas dizem que, para ser feminista, é preciso tirar a Bíblia, nós acreditamos no contrário", completa.
 
Foto: Fabrice Cofrini/ AFP

 
 
O jurista francês René Cassin não queria proteger um ou outro grupo específico de pessoas quando disse: “Não haverá paz neste planeta enquanto os direitos humanos forem violados em alguma parte do mundo”. Um dos autores do texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, o ganhador do Nobel da Paz de 1968 incluiu todos os Homo sapiens naquela frase célebre. Morto em 1976, aos 88 anos, Cassin seria uma ótima pessoa para invocar diante de compreensões equivocadas sobre a expressão “direitos humanos”, quase 70 anos depois da adoção do texto pela comunidade internacional.
 
O respeito pelos direitos de todos os humanos, explícito na declaração, é o tema do Dia Internacional da Paz, celebrado nesta sexta-feira. Num texto sobre esta data divulgado em seu site, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) afirma que os direitos humanos “são um pré-requisito para uma sociedade pacífica”. Mas a mesma mensagem alerta para desafios no caminho dessa paz, como a desigualdade social, os conflitos gerados pelas mudanças climáticas e as visões extremistas que se espalham pelo mundo.
 
Segundo o coordenador do Setor de Ciências Naturais e Sociais da Unesco no Brasil, Fabio Eon, os direitos humanos estão sendo alvo de uma onda conservadora que trata a expressão como algo politizado.
 
— Existe hoje uma tendência a enxergar direitos humanos como algo ideológico, o que é um equívoco. Os direitos humanos não são algo da esquerda ou da direita. São de todos, independentemente de onde você nasceu ou da sua classe social. É importante enfatizar isso para frear essa onda conservadora — ressalta Eon, que sugere um remédio para o problema: — Precisamos promover uma cultura de direitos humanos. É muito bom celebrar o aniversário da declaração. Pouca gente conhece os artigos do texto. O tema poderia, por exemplo, estar dentro das escolas como um assunto transversal. Precisamos romper com esse ranço, essa mentalidade machista e retrógrada que age pela violação dos direitos humanos.
 
Dados divulgados no mês passado mostram a falta de entendimento sobre o assunto. De acordo com a pesquisa Pulso Brasil, do Instituto Ipsos, seis em cada dez brasileiros se dizem “a favor” dos direitos humanos. Mas, ao mesmo tempo, 63% dos entrevistados acham que os “direitos humanos defendem mais os bandidos que as vítimas”. A percepção chega a 79% na região Norte do Brasil. E alcança 76% entre as pessoas com ensino superior. Além disso, uma em cada cinco pessoas se declarou contra a própria existência dos direitos humanos.
 
Ainda de acordo com a pesquisa, 43% dos brasileiros evitam falar sobre o assunto com outras pessoas, com medo de serem vistas como alguém que defende bandidos.
 
Para o pesquisador Cézar Muñoz, da organização Humans Rights Watch no Brasil, a promoção dos direitos humanos gerou uma série de avanços na sociedade. Mas ele também vê com preocupação a deturpação de sentido que ocorre no Brasil.
 
— A percepção no país está distorcida por causa das pessoas que acham que os direitos humanos só protegem as minorias. Organizações como a nossa se dedicam a monitorar violações dos direitos humanos, o que ocorre frequentemente contra as minorias. Mas o último relatório que escrevi foi sobre violência doméstica, um problema que não afeta um grupo pequeno de pessoas. É generalizado, ocorre em todas as regiões do país — afirma o pesquisador.
 
Texto de 1948 embasou medidas contra a violência
 
Adotada na terceira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, ainda sob o trauma da Segunda Guerra Mundial, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é composta por 30 artigos que expressam garantias individuais que devem ser usufruídas por todas pessoas, como o direito à vida, à liberdade e à segurança.
 
Embora não seja vinculante, o documento serviu de inspiração para diferentes constituições federais e também embasou reações da comunidade internacional diante de violações de direitos humanos no mundo, como durante a guerra civil que eclodiu na Bósnia e Herzegovina, em 1992, o genocídio étnico ocorrido em Ruanda, em 1994, e os conflitos que assolam o Sudão do Sul, desde 2013, gerando desabrigados, fome e mortes.
 
A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, disse, no último sábado, que a declaração afirma os valores que devem guiar as democracias. “Vamos nos unir para assegurar que a promessa de paz e justiça apoiada pela democracia seja cumprida”.
 
Fonte: O Globo
Foto: DIBYANGSHU SARKAR / AFP

 
Todos os anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a Campanha da Fraternidade (CF) como caminho de conversão quaresmal. Fraternidade e Políticas Públicas é o tema da Campanha para 2019. O profeta Isaías inspira o lema: "Serás libertado pelo direito e pela justiça" (Is 1,27). 
 
Fundamentado em três importantes pilares (ver, julgar e agir), o Texto-Base da CF foi cuidadosamente pensado para despertar o desejo da "participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade".
 
A boa notícia de hoje é que você pode baixar gratuitamente o Kit Campanha da Fraternidade 2019.
 
Para isso, basta clicar aqui: https://bit.ly/2Uc2RaB
 
O kit contém:
• Áudio do Hino
• Caderno de Cifras e Partituras
• Slide para Data Show
• Cartaz da CF
• Vídeo do Hino da CF