fbpx

 
Esse foi [um trecho da] resposta de Amanda Khozi Mukwashi, diretora executiva da Christian Aid*, quando perguntada sobre a onda de intolerância que ficou escancarada nestas eleições no Brasil, inclusive dentro de comunidades religiosas. A entrevista foi feita pela jornalista Natália Blanco, de KOINONIA.
 
Filha de pais zambianos, Amanda nasceu no Reino Unido. É formada em Direito com mestrado em Direito Econômico e tem mais de 20 anos de atuação no trabalho de combate às desigualdades com foco nos direitos das mulheres.
 
Amanda chegou na Christian Aid em 2015, sendo que desde abril de 2018 assumiu o cargo de diretora executiva da organização. E antes de ingressar na Christian Aid, passou pelo Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNDP), na Alemanha; VSO International, com sede em Londres; foi Chefe de Relações Externas e Chefe de Programas na Skillshare International UK, e Coordenadora de Mulheres em Negócios no Mercado Comum da África Oriental e Australia em Lusaka.
 
Em setembro deste ano, Amanda esteve no Brasil ao lado de Rowan Williams para acompanhar o trabalho da Christian Aid no país, e se encontrar com representantes de comunidades religiosas e organizações ecumênicas em São Paulo.
 
Entre um compromisso e outro, pudemos conversar sobre suas impressões, anseios e desafios do ecumenismo no combate às injustiças:
 
– Como começou sua trajetória no movimento ecumênico? Por que trabalhar com Direitos Humanos?
 
Desde que tenho lembranças, eu sempre tive vontade de trabalhar com justiça e na luta contra a desigualdade. Eu estudei direito na universidade e acho que meu primeiro interesse por estes problemas, da luta por direitos iguais, foi quando eu estava terminado a faculdade em Zâmbia. O movimento de mulheres estava com muita força pelos direitos iguais, e na época eu senti o poder deste movimento. Sou cristã e quando olho para a Bíblia, vejo um Deus que criou machos e fêmeas a sua imagem e semelhança, igualmente. Tudo que veio depois disso, as desigualdades, são convenções humanas, foram feitas por humanos, e não porque Deus quis assim.
 
Então fui lentamente começando a trabalhar com direitos humanos, especificamente com o tema do empoderamento econômico para mulheres. Quando eu me mudei para o Reino Unido, eu fui trabalhar em uma organização que trabalha com tema da violência doméstica e outras minorias.
 
– Como foi começar o trabalho na Christian Aid em 2015?
 
Quando veio a oportunidade de trabalhar com a Christian Aid foi uma surpresa, eu realmente queria trabalhar por algo que minha fé acredita, algo mais relacionado aos meus valores cristãos, mas também com algo que eu acredito: a forma que Deus quer que a gente viva as nossas vidas e nossos valores.
 
Mas não é apenas desse modo que algumas pessoas interpretam, porque nós destorcemos o evangelho, nós destorcemos a mensagem de Cristo para que a gente siga nossa própria agenda. Ao invés de viver da forma que Deus gostaríamos que vivêssemos. Então foi por isso que eu aceitei vir para a Christian Aid, e dessa forma trabalhar com os direitos da mulheres.
 
– Por que mulheres?
 
Eu acho que as mulheres provavelmente são as pessoas mais marginalizadas e oprimidas no mundo. Quando você olha a questão da pobreza, você vê faces de mulheres; quando você olha para problemas de abusos, você vê rostos de mulheres; quando você encara as injustiças, na maioria dos lugares, você vê rostos de mulheres. E por isso acho que nós temos que trabalhar para colocar as mulheres onde elas deveriam estar, que é lado a lado aos homens.
 
Há algumas semanas eu estava falando em Londres, e disse “Deus criou o homem e a mulher igualmente, a questão é como nós distorcemos”. E acho que é contra isso que temos que lutar, contra essas ideias distorcidas.
 
E agora, mais do que nunca, porque nós vemos guerras em diferentes partes do mundo, na África, na América Latina, na Ásia, nós vemos essas grandes desigualdades, nós vemos as pessoas enfrentando múltiplas desigualdades, não é apenas uma desigualdade, são em diversos aspectos. Você vê pobreza, você vê falta de emprego, você vê a falta de acesso à saúde, você vê o crescimento de muitas doenças.
 
– O que chamou sua atenção nestes dias aqui no Brasil?
 
Nestes dias aqui no Brasil eu fui visitar um grupo de pessoas sem teto. E eu fiquei tão, tão tocada. Cerca de 2.000 famílias ocuparam um prédio abandonado para sobreviver. E quando eu os vi eu me senti muito sensibilizada. Eles vivem em quartos muito pequenos, muito, muito pequenos. É tão difícil. Mas sabe, quando eu fui conversar com eles, eu fiquei umas três ou quatro horas lá com eles, eu me senti inspirada. Porque eu vi amor naquela comunidade. Eles cuidam uns dos outros, eles têm tolerância zero em relação a violência doméstica, eles são inclusivos. Realmente não importa sua cor, sua crença, sua sexualidade, eles são inclusivos. Nesta comunidade eu vi amor. Uma experiência real de amor. Então eu pensei “é possível”.
 
– E qual o potencial que você vê no movimento ecumênico para combater injustiças hoje?
 
Quando você olha os diferentes movimentos neste momento, em termos de movimentos baseados na fé e teologias, vemos umas mudanças. Eu sei que aqui na América Latina existe a Teologia da Libertação, mas o que a gente vê na maioria dos lugares, vejo no Quênia, Malásia, Zimbábue, é o crescimento da ideia da prosperidade gospel. E eu acho aconteça o mesmo processo aqui na América Latina. Não é meu trabalho criticar essas teologias, ou o gospel, mas, qual é a experiência dessas pessoas no chão, na realidade? Essa é minha pergunta. Essas pessoas de fé acreditam que estão vivendo, na prática, os valores que nossa fé diz que precisamos viver?
 
Quando nós falamos sobre dignidade, por exemplo, qual é o valor cristão sobre dignidade? Minha questão é: eu estou contribuindo para a dignidade de vida de outras pessoas? Como essa dignidade se mostra? Qual é a dignidade? Quando crianças dormem no chão das ruas, como a dignidade aparece para elas? Quando uma pessoa, mesmo dando duro, trabalhando muito, não tem como colocar comida na mesa de casa, não tem como comprar roupas, não tem condições melhores de vida, qual a dignidade dessa pessoa? Quando mulheres sofrem com a violência doméstica, que é tão alta, e quando as pessoas das comunidades religiosas ficam em silencio perante essas situações, qual é a dignidade? Quando crianças são abusadas e exploradas sexualmente, e as pessoas ficam caladas. Qual é a dignidade?
 
Então, eu penso que é hora de, como pessoas de fé, como líderes de fé, como organizações baseadas na fé, nós não podemos ficar em silêncio. Essa é a oportunidade, esse é o potencial. Eu gosto muito da história de Martin Luther King Jr. Porque ele falou sobre problemas de pessoas comuns, nas ruas, ele falou sobre pessoas, fé e realidade juntas. Esse é o nosso potencial.
 
Nós precisamos trazer fé, para que isso se torne uma experiência real na vida das pessoas. Que as pessoas possam ver que nós somos diferentes mesmo. E quando falamos sobre dignidade, nós respeitamos todo ser humano, nós respeitamos o que produzimos, o trabalho que fazemos, somos inclusivos. E que lutamos declaradamente pela justiça.
 
Então eu acho que esse é o grande potencial para o movimento ecumênico neste momento. Politicamente, economicamente e socialmente. Precisamos fazer as pessoas acreditarem de novo. A terem esperança de novo.
 
– Como você vê essa onda de intolerância ao redor do mundo? Aqui no Brasil estamos vivenciando isso, agora nas eleições isso está muito evidente, e muitas pessoas religiosas entraram nessa onda.
 
Olha, é obvio que eu não posso dar uma opinião sobre pessoas individualmente, mas uma coisa que eu sei é: O Deus de quem nós falamos, não é um Deus de exclusividade, Ele é totalmente inclusivo. O respeito é por todo ser humano. Mulheres, homens, crianças, e qualquer pessoa entre isso. Sabe quando Jesus ficou furioso quando disse que transformaram a casa de Seu Pai em um mercado? Para mim nós estamos transformando o gospel e a mensagem de Deus em um mercado.
 
É tudo sobre mim, individualizado. E quando a gente olha para a mensagem de Jesus Cristo, é uma mensagem de esperança, de inclusão, e eu poderia te dar centenas de exemplos. E tudo o que Jesus quis mostrar é que Deus ama a cada um de nós. Então se estamos pregando exclusão em nome de Deus, é hora de nos perguntarmos: sobre qual deus estamos falando? E não acho que isso seja apenas aqui no Brasil, é um fenômeno mundial.
 
E como Christian Aid, afinal nós não somos uma igreja, somos uma organização baseada na fé, o que nós estamos tentando fazer, como valores, é ter a certeza de que as pessoas experimentem o amor de Deus.
 
Fonte: KOINONIA
Foto: Natália Blanco / KOINONIA

 
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) apresentou nota pública “Eleições 2018: Em defesa da democracia e dos nossos direitos” para reforçar o alerta em proteção à vida e aos direitos assegurados pela Constituição Federal e tratados internacionais assinados pelo Brasil, tendo em vista o posicionamento do candidato de extrema direita às eleições presidenciais, Jair Bolsonaro (PLS) que caminha na contramão da democracia no Brasil.
 
Entre as ameaças manifestadas por Jair Bolsonaro, o candidato declarou, reiteradas vezes, acabar com direitos constitucionais dos povos indígenas e de suas terras tradicionais, em favor do agronegócio. A Nota Pública reforça também a necessidade de atenção dos organismos e mecanismos nacionais e internacionais de direitos humanos frente à esse cenário.
 
“Jair Bolsonaro, defensor da ditadura militar e das práticas de tortura, pretende entregar as riquezas nacionais ao capital internacional, regredir com as conquistas sociais, não demarcar mais nem um centímetro de terra indígena e quilombola, desmarcar terras indígenas como a Raposa Serra do Sol, facilitar o roubo e exploração das terras indígenas e dos bens naturais pelo agronegócio e os grandes empreendimentos, colocar mais veneno na mesa dos brasileiros, flexibilizar a legislação ambiental, principalmente as regras do licenciamento ambiental, acabar com os órgãos de fiscalização e juntar o Ministério do Meio Ambiente com o Ministério da Agricultura (o ministério dos ruralistas), acabar com o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBIO) e a FUNAI, armar a população contra os pobres, declarar guerra ao ativismo socioambiental e de direitos humanos e tratar como inimigos os movimentos e organizações sociais que se organizam e mobilizam para defender a democracia e os direitos.”
 
Confira abaixo a Nota Pública na íntegra:
 
NOTA PÚBLICA –  ELEIÇÕES 2018: EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DOS NOSSOS DIREITOS
 
A história dos povos e comunidades indígenas , a partir do ano de 1.500, sempre esteve marcada pela violência, o genocídio, etnocídio, roubo e destruição da Mãe Natureza, para favorecer os interesses de acumulação e lucro dos invasores de então e de hoje, condenando os povos ao extermínio ou a invisibilidade, senão com o uso da força, com práticas de preconceito, discriminação e racismo, que vitimam também ao povo negro, os quilombolas, as mulheres, os trabalhadores e trabalhadoras, do campo e da cidade.
 
Esse cenário, piorado pela ditadura militar, após de 30 anos da Constituição Federal, proclamada em 1988, e que possibilitou a abertura democrática e conquistas sociais, incluindo o reconhecimento dos direitos indígenas, tende a se agravar, sobretudo a partir do golpe de 2016, em razão da composição do Congresso Nacional, resultado das eleições de 2018, pior do que o anterior, dominado por partidos de direita e ultra direita, e da possibilidade de um candidato fascista (autoritário, racista, discriminador, antipopular e anti-indígena) ser eleito presidente da República, com o apoio da classe dominante, isto é, dos mais ricos, e seus representantes no Parlamento: as bancadas do capital financeiro, do agronegócio, da mineração, das igrejas evangélicas pentecostais, das empreiteiras, do armamentismo, das forças de segurança, dos cartolas do futebol, entre outros.
 
Jair Bolsonaro, defensor da ditadura militar e das práticas de tortura, pretende entregar as riquezas nacionais ao capital internacional, regredir com as conquistas sociais, não demarcar mais nem um centímetro de terra indígena e quilombola, desmarcar terras indígenas como a Raposa Serra do Sol, facilitar o roubo e exploração das terras indígenas e dos bens naturais pelo agronegócio e os grandes empreendimentos, colocar mais veneno na mesa dos brasileiros, flexibilizar a legislação ambiental, principalmente as regras do licenciamento ambiental, acabar com os órgãos de fiscalização e juntar o Ministério do Meio Ambiente com o Ministério da Agricultura (o ministério dos ruralistas), acabar com o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBIO) e a FUNAI, armar a população contra os pobres, declarar guerra ao ativismo socioambiental e de direitos humanos e tratar como inimigos os movimentos e organizações sociais que se organizam e mobilizam para defender a democracia e os direitos.
 
Em razão dessas ameaças, a APIB orienta as suas bases a que se posicionem votando em Fernando Haddad e solicita aos seus parceiros e aliados que apoiem esta decisão. Aos distintos organismos e mecanismos nacionais e internacionais de direitos humanos a APIB pede que estejam em alerta, visando a proteção das nossas vidas e conjunto dos nossos direitos assegurados pela Constituição Federal e tratados internacionais assinados pelo Brasil.
 
Por um Brasil solidário, justo e realmente democrático.
 
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
 
Fonte: Cimi
Foto: Guilherme Cavalli

 
A Paróquia Cristo Redentor de Curitiba (PR) e o Sínodo Paranapanema sediaram o XXXI Concílio da Igreja, que aconteceu entre os dias 17 e 21 de outubro de 2018, sob o tema Viver o Evangelho: empatia, compaixão, comunhão… O Concílio é órgão deliberativo máximo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e é realizado sempre em uma Comunidade da IECLB.
 
MENSAGEM FINAL
 
Viver o Evangelho: empatia, compaixão, comunhão… Esse tema guiou as reflexões das pessoas integrantes do XXXI Concílio da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), realizado entre os dias 17 e 21 de outubro de 2018, na Paróquia Cristo Redentor de Curitiba/PR, no Sínodo Paranapanema.
 
Junto ao alegre e inspirador movimento das crianças do Colégio Martinus, a instância máxima de decisões da Igreja celebrou, refletiu, dialogou e decidiu sobre os rumos e o futuro da IECLB. Em meio às responsabilidades e às expectativas de um momento eclesiástico histórico, o colegiado bastante renovado de representantes sinodais fortaleceu-se pela presença de pessoas convidadas, representantes de entidades identificadas e da Comunidade ecumênica nacional e internacional que reconhecem na IECLB uma referência na caminhada.
 
Nesta mesma cidade, por ocasião do Concílio de 1970, a IECLB, enquanto Igreja de Cristo, manifestou o seu compromisso com a garantia de vida digna para todas as pessoas, ao afirmar que nem situações excepcionais podem justificar práticas que violam os direitos humanos (Manifesto de Curitiba-IECLB/1970).No atual contexto brasileiro, o desafio permanece: em resposta ao amor de Deus, a IECLB afirma a sua Missão de promover a justiça, a paz e o amor, sem se conformar com as injustiças, exercendo voz profética. Afinal, é preciso que o mal do mundo não nos pareça normal.
 
Enquanto pessoas luteranas, comprometidas com a Missão de Deus, o chamado é para viver o Evangelho com o olhar para além de nós, de maneira compassiva, em parceria no caminhar, lado a lado, com vidas em comunhão. Este é o imperativo evangélico e a resposta da IECLB em uma realidade sedenta de referências tais como ‘ovelhas sem pastor” (Marcos 6.34).
 
Ao abraçar essa Mensagem às Comunidades, não tenhamos dúvida: Jesus caminha ao nosso lado como fez em Emaús (Lucas 24.15). Rogamos que a Presidência eleita neste Concílio (Pa. Sílvia Genz – Pastora Presidente, P. Odair Braun – Pastor 1º Vice-Presidente e P. Dr. Mauro Souza – Pastor 2º Vice-Presidente) conduza a IECLB com vistas a uma Igreja que viva o Evangelho com empatia, compaixão e comunhão!
 
Deixo com vocês a paz, a minha paz lhes dou.
João 14.27
 
Fonte: IECLB
Foto: Reprodução

 
O Evangélicxs pela Diversidade busca recursos para a realização de seu Encontro Nacional, a ser realizado entre os dias 21 e 23 de novembro, no Rio de Janeiro. Para isso, lançou uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Benfeitoria a fim de arrecadar 6 mil reais para cobrir os custos do evento.
 
Segundo Bob Luiz Botelho, um dos articuladores nacionais do Evangélicxs, “o encontro nacional é o primeiro passo para a formação de lideranças e organização de grupos locais em todo o Brasil”.
 
Evangélicxs pela Diversidade é uma rede que reúne pessoas LGBTI e aliadxs que se identificam como cristãs evangélicas e que entendem que a diversidade sexual e a identidade de gênero devem ser celebradas como expressões da fé e espiritualidade, e que independente do gênero ou sexualidade, as comunidades de fé podem ser um lugar seguro para todxs.
 
Atualmente são mais de 30 voluntárixs espalhados por todo o território brasileiro conectados de maneira virtual. Mas o objetivo é multiplicar os espaços de encontro e acolhida de pessoas LGBTI evangélicas, e qualificar o diálogo entre elas e as comunidades de fé cristãs evangélicas no Brasil, em todos os estados brasileiros.
 
A partir dessa mobilização de recursos pretende-se viabilizar, por meio do Encontro Nacional, algumas agendas prioritárias como a articulação da rede em nível nacional, a criação de canais sólidos de comunicação entre os participantes e a formação de grupos locais. 
 
O Encontro Nacional Evangélicxs pela Diversidade acontecerá entre os dias 21 e 23 de Novembro, no Rio de Janeiro, em parceria com a Plataforma Intersecções/ISER, o Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM/UERJ), o Grupo Multidisciplinar de Estudos em Religião e Incidência Pública (GEMRIP) e a ONG Koinonia Presença Ecumênica e Serviço.
 
Para participar da campanha de financiamento coletivo do Evangélicxs, acesse: benfeitoria.com/evangelicxs

 
A Paróquia Cristo Redentor de Curitiba (PR) e o Sínodo Paranapanema sediaram o XXXI Concílio da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), que começou no dia 17 de outubro e terminou neste domingo, 21, sob o tema: Viver o Evangelho: empatia, compaixão, comunhão...
 
No sábado, 20/10, foram eleitos:
 
Para a Presidência da IECLB:
Pastora Presidente - Pa. Sílvia Beatrice Genz
Pastor 1º Vice-Presidente - P. Odair Braun
Pastor 2º Vice-Presidente - P. Mauro Batista de Souza
 
Para o Concílio da Igreja:
Presidente - Ema Marta Dunk Cintra
1º Vice-Presidente - Ricardo Dalla Barba
2º Vice-Presidente - Nivaldo Kiister
 
Para a Comissão Doutrina e Ordem Nacional:
Graduados em Direito (Titulares) - Dra. Catarina Volkart Pinto e Dr. Milton Laske
Graduados em Direito (Suplentes) - Dr. Carlos Roberto Baumgarten e Dra. Gisela Dörr Bayer
Ministro (Titular) - P. Teobaldo Witter e Pa. Vera Regina Waskow
Ministro (Suplente) - Diác. Dionata Rodrigues de Oliveira e P. Milton Jandrey
Vogal/leigo (Titular) - Fernanda Dettman
Vogal/leigo (Suplente) - Dalys Marlene Musskopf Geiser
 
Culto Ecumênico
 
Na sexta-feira, 19, foi realizado um culto ecumênico com o tema “Promover a paz, a justiça e o amor na sociedade”. A Comunidade foi acolhida com as palavras Shalom! Friede! Peace!, que significam Paz! “Bem-vindos e bem-vindas a este encontro de irmãos e irmãs”, exclamou o então pastor presidente, P. Dr. Nestor Friedrich, que explicou: “Shalom é uma expressão bíblica que quer dizer ‘Paz’. Trata-se de paz em sentido global. Paz para as pessoas na sua relação com Deus, consigo mesmas, com as outras pessoas e com o meio socioambiental”.
 
O momento contou com a presença do representante da diretoria do CONIC, dom Teodoro Mendes Tavares (Igreja Católica Apostólica Romana).
 
Saiba mais
 
O Concílio da Igreja, órgão deliberativo máximo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), é realizado, ordinariamente, a cada dois anos, sempre em uma Comunidade da IECLB. Entre representantes, lideranças, Delegados, Delegadas, convidados ecumênicos, convidadas ecumênicas e equipe de apoio, participam do Concílio em torno de 200 pessoas.
 
 
Com informações da IECLB
Fotos: Reprodução

 
Foi realizado, de 14 a 16 de outubro, em Bolonha, na Itália, o encontro internacional “Pontes de paz” promovido pela Comunidade de Santo Egídio, que contou com a participação de mais de 300 líderes entre religiosos, lideranças sociais e representantes de variadas instituições. 
 
“Num tempo difícil, quando muitas redes de convivência nas periferias das grandes cidades caem um pouco de cada vez e se erguem muros não apenas entre Europa e África, para defender-se dos migrantes, mas também entre países europeus, precisamos reconstruir juntos pontes de paz”, disse o presidente da Comunidade de Santo Egídio, Marco Impagliazzo.
 
Encontros entre os povos
 
Na abertura do evento, na tarde de domingo, 14 de outubro, estiveram presentes o grande imame de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, o patriarca copta, Teodoro II, o patriarca sírio-ortodoxo, Ignatius Aphrem II (que fez o discurso de abertura), e o rabino-chefe da França, Haim Korsia.
 
Também estiveram presentes durante o encontro, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, e o ex-presidente da Comissão europeia, Romano Prodi.
 
A Arquidiocese de Bolonha, que sempre foi uma encruzilhada de encontros entre os povos e a sede europeia da cultura antiga, promovendo, junto com a Comunidade de Sant'Egidio, o evento escolheu como logotipo os famosos pórticos da cidade, transformados em pontes.
 
Caravana dos peregrinos de paz
 
Vários temas foram abordados durante o evento, caracterizados por uma escolha de abertura e diálogo, levada adiante por uma “caravana dos peregrinos de paz” que incluiu religiosos e leigos.
 
Este ano, o encontro coincidiu com o quinquagésimo aniversário da Comunidade de Santo Egídio, que há 32 anos promove eventos internacionais no “espírito de Assis”.
 
“Sente-se a necessidade absoluta de construir pontes. Estamos convencidos disso, não oposições e muros. Apenas a civilização do viver juntos pode resistir aos desafios da globalização e da paz”, concluiu Impagliazzo.
 
CONIC com informações da Vatican News
Foto: Comunidade Sant'Egidio

 
O presidente do Conselho da Christian Aid e ex Arcebispo da Cantuária Dr. Rowan Williams (foto acima) esteve no Brasil no mês de setembro. Como parte de sua visita, compartilhou a reflexão que segue em uma reunião com lideranças religiosas e movimentos sociais no dia 25 de setembro. 
 
Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 8,19-25)
 
Eu sei que, atualmente, há neste país muita expectativa, espera, em receio e anseio. O mesmo é o caso no meu país, nos Estados Unidos, no mundo inteiro. Mas Paulo diz que, abaixo da superfície, onde quer que olhemos, alguma coisa está quase saindo, alguma coisa está ativa. E quando nós, como pessoas de fé, unimos nossas forças com esta esperança e energia em torno de nós, o Espírito de Deus está presente. 
 
Paulo diz que o Espírito dá testemunho ao nosso espírito, o Espírito faz eco ao nosso espírito, une-se a ele. Assim olhamos em nossa volta e estamos vendo um mundo onde alguma coisa está por acontecer. E penso que Paulo propõe que haja dois lados neste grande evento que está por acontecer. 
 
Primeiro: olhamos para o nosso próximo, olhamos para o mundo, e estamos vendo algo novo. Estamos vendo a Glória de Deus abaixo da superfície, à espera de sair. Quando estamos do lado das pessoas que têm uma vida vulnerável, que vivem em pobreza, estamos do lado delas porque estamos vendo nelas o mistério da imagem de Deus. Estamos vendo nelas a profundidade da liberdade e da dignidade e da possibilidade tantas vezes enterradas pela opressão e injustiça do mundo. 
 
Ontem à tarde, quando visitamos projetos aqui em São Paulo, tivemos uma sensação muito forte de ver neles possibilidades, dignidade, orgulho. Também, quando olhamos para o mundo natural em torno de nós, podemos ver que bem-estar, justiça e generosidade são possíveis quando vivemos em harmonia com ele. Quando aprendermos a viver com o mundo assim como ele é, o mundo será suficiente para todos nós.
 
Quando tentamos agarrar, possuir os elementos do mundo em torno de nós, tornamos o mundo menos do que ele é, e também tornamos a nós mesmos menos do que somos. À minha frente estou vendo uma bandeira que diz “Água e energia não são mercadoria”, elas não deveriam ser vendidas. Quando tratamos estas coisas como se fossem mercadorias, tratamos a nós mesmos como se fôssemos coisas a serem compradas e vendidas. Mas quando olhamos para debaixo da superfície e quando olhamos para dentro da profundeza da realidade em torno de nós, da realidade humana, da realidade da natureza, o Espírito está presente, e algo é des-coberto – é como se nascesse uma fonte de água. 
 
Este é um lado da revelação, é a des-coberta da possibilidade das pessoas e coisas em torno de nós. O outro lado é que somos revelados para nós mesmos. Somos filhos e filhas de Deus, somos chamados/as para sermos pessoas que transformam. Do mesmo modo como o véu é tirado do mundo em torno de nós, o véu também é tirado dos nossos próprios corações. O mundo está à espera por você e por mim, para crescer e entrar nesta nova possibilidade, nesta generosidade, na compaixão que temos como pessoas de fé e como filhos e filhas de Deus.
 
Por isso creio que este trecho da Carta aos Romanos nos dá a visão que pode nos sustentar em nosso trabalho pela justiça. Ele nos diz que podemos confiar no fato de que o Espírito de Deus está ativo no mundo em torno de nós. E ele nos diz que podemos confiar na dádiva do espírito que Deus nos deu. 
 
Assim, como diz Paulo, “a criação inteira geme e sofre as dores de parto” (8,22). A Criação está à espera, e também nós estamos à espera. A Criação geme em frustração, e também nós gememos em frustração. Mas o início da mudança já chegou. Por isso conseguimos ver que o mundo poderia ser diferente, que é possível, para nós enquanto seres humanos, viver uns com os outros em justiça e amor. E à medida que isso acontecer, descobrimos que podemos viver em justiça com o próprio mundo.
 
Paulo diz que o Espírito está no coração do nosso gemer e do nosso anseio e da nossa espera. Quando sentimos frustração no nosso anseio e dificuldade da nossa luta, isso nos diz de uma maneira estranha que o Espírito está ativo. Não é o momento para o desespero, é o momento para a esperança, se o Espírito realmente estiver ativo. 
 
Por isso me parece: se nós como fiéis cristãos não podemos viver do testemunho da nossa esperança, então deveríamos simplesmente deitar e dormir. Isso não quer dizer que acreditamos sermos a solução para os problemas de todo mundo. Não somos chamados para sermos “salvadores brancos”, não somos chamados para resolver os problemas de todo mundo e alcançar uma situação perfeita. Mas o Espírito dentro de nós diz que as coisas poderiam ser diferentes. E nós podemos fazer a diferença que somente nós podemos fazer.
 
Para mim pessoalmente é muito importante neste trecho que ele, como eu já disse no início, une a visão da justiça humana e a visão da justiça ambiental. Assim ele nos diz: quando o espírito de Jesus Cristo está reconciliado com Deus, nós estamos reconciliados com a própria Criação e entre nós. E dia após dia, procuramos reavivar em nossa oração aquele senso de esperança que já existe em torno de nós. E, como diz Paulo: “Estamos à espera com anseio e paciência”. Obrigado. 
 
Fonte: Christian Aid
Tradução: Monika Ottermann

 
O Centro de Estudos Bíblicos (CEBI) emitiu uma nota pública defendendo valores democráticos. "Neste momento crítico para a democracia brasileira, o CEBI não poderia, em hipótese alguma, declarar apoio a propostas militaristas, moralistas e ditatoriais", diz um dos trechos do documento. Assinada pela Direção Nacional da entidade, a carta também afirma ser "inconcebível alguém que lê a Bíblia à serviço da vida optar por um governo ditatorial, antidemocrático e contrário aos Direitos Humanos".
 
A seguir, veja um trecho da nota:
 
Estimados/as caminhantes do Evangelho e as/os que ousam lutar por construir uma sociedade justa, igualitária e, de acordo com as antigas tradições, numa terra distante dos males. O Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) vem através desta nota declarar publicamente sua posição em nosso cenário político e de eleições em que, se coloca para cada cidadão, a condição de optar por um governo militarista, moralista e ditatorial ou por um governo democrático, sócio popular e participativo.
 
Foi de acordo com o Evangelho e com a Leitura Popular da Bíblia que o CEBI cultivou, nos quarenta anos de sua história, uma leitura à serviço da vida e em defesa dos pobres. E neste momento crítico para a democracia brasileira, o CEBI não poderia, em hipótese alguma, declarar apoio a propostas militaristas, moralistas e ditatoriais. Não esqueçamos que o CEBI nasceu “pobre e sem palácios”, seguindo o sopro do vento novo ao colocar a Bíblia na defesa e na contramão de práticas sociais, políticas, econômicas e religiosas que oprimem e matam a vida e a dignidade.
 
Por que dizemos NÃO para um governo militarista, moralista e ditatorial? Por que dizemos SIM para a proposta de um governo popular, democrático e participativo? Por que quem lê a Bíblia à serviço da Vida e na defesa da vida digna, não vota em Jair Bolsonaro. E mesmo reconhecendo os erros e as corrupções praticadas por políticos que compuseram os governos e o congresso federal nos últimos 30 anos, precisamos entender que foi nesse governo que tivemos abertura para fiscalizar e punir os envolvidos, mesmo os que ocupavam cargos dentro do governo. Precisamos fortalecer a democracia através da integridade das instituições públicas, e não alimentar o culto a um juiz celebridade que flerta com os poderes mais podres e sujos do país.
 
Para conferir a íntegra, CLIQUE AQUI e leia diretamente no site do CEBI.
 
Imagem: Reprodução

 
Pastorais Sociais, Pastorais do Campo e outras entidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tornaram pública nesta segunda-feira a nota pública “Democracia: mudança com Justiça e Paz”. O texto destaca a importância da defesa para preservação do Estado Democrático, frente a conjuntura política do país, levando em conta o 2° turno das eleições presidenciais no dia 28 de outubro.
 
“Nosso Brasil pode ter divergências, porém sem ódio. Há necessidade do crescimento da economia com diminuição da desigualdade. Com base nestes valores, temos o dever fraterno de alertar a todos os nossos concidadãos e concidadãs, para que sua escolha no 2º turno contemple os princípios aqui defendidos e o candidato que os representa, integrante de uma ampla frente democrática pluripartidária, para assegurar um futuro de Justiça e de Paz para o Brasil”.
 
O documento ressalta os princípios que norteiam a Constituição Federal nos últimos trinta anos, completados neste mês de outubro, emblematicamente. Os constituintes objetivaram instituir “um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias”, evidencia a nota.
 
Confira a nota na íntegra:
 
DEMOCRACIA: MUDANÇA COM JUSTIÇA E PAZ
 
Há trinta anos a Constituição Federal entrou em vigor. Os constituintes objetivaram instituir “um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias”.
 
No processo eleitoral em curso, um movimento antidemocrático fere estes valores supremos assegurados pela Constituição e apela ao ódio e à violência, colocando o povo contra o povo. Demoniza seus opositores, classifica-os de comunistas e bolivarianos, menospreza a população do Nordeste brasileiro e tenta semear o ódio e o medo. Esta atitude já se concretiza por meio de agressões e assassinato contra os que manifestam posições divergentes.
 
A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social. Estes candidatos e seus seguidores, que pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia. Em resumo, atacam a democracia pelo desprezo dos seus valores republicanos.
 
O candidato deste movimento quer se valer de eleições democráticas em sentido contrário para dar legalidade e legitimidade a um governo que pretende militarizar as instituições, garantir impunidade aos abusos policiais, armar a população civil e reduzir ou cortar programas de direitos humanos e sociais. Em poucas palavras, é o abandono do Estado Democrático de Direito.
 
O Brasil é um país de desigualdades sociais profundas em que os ricos estão cada vez mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres. Estes candidatos antidemocráticos atendem às imposições do sistema financeiro e da política neoliberal que atacam direitos sociais, ambientais e o patrimônio do país. As possíveis consequências deste programa são: o fim do décimo terceiro salário, a diminuição do Bolsa Família, a extinção das cotas nas universidades e a privatização sumária das estatais. Na verdade, tais medidas constituem a intensificação do Governo Temer, que está produzindo desemprego, sofrimento e abandono da população.
 
Tais políticas, já receberam veemente condenação do reconhecido líder mundial, o Papa Francisco: “Assim como o mandamento ‘não matar’ põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer ‘não a uma economia da exclusão e da desigualdade social’. Esta economia mata.” (Evangelii Gaudium, 53).
 
Este movimento apoia um candidato que pretende ser um político novo, salvador da pátria, que está no Congresso há quase trinta anos, trocou de partido oito vezes e não aprovou um projeto sequer para melhorar as condições de vida do nosso povo, votando contra todas as políticas sociais que beneficiariam os trabalhadores e trabalhadoras, principalmente, os mais pobres.
 
Por tudo isso, nós, integrantes de organizações da sociedade civil, portadores da convicção da inafastável dignidade da pessoa humana, fundamento dos direitos humanos, não podemos nos omitir. Respeitamos todos aqueles que, por motivos variados, tenham votado no 1º turno sem atentar para estes valores, mas queremos dialogar francamente com todos. A possibilidade de se instalar um governo como esse movimento deseja, retoma o passado de ditadura já superado.
 
Nosso Brasil pode ter divergências, porém sem ódio. Há necessidade do crescimento da economia com diminuição da desigualdade. Com base nestes valores, temos o dever fraterno de alertar a todos os nossos concidadãos e concidadãs, para que sua escolha no 2º turno contemple os princípios aqui defendidos e o candidato que os representa, integrante de uma ampla frente democrática pluripartidária, para assegurar um futuro de Justiça e de Paz para o Brasil.
 
Cáritas Brasileira
CBJP – Comissão Brasileira Justiça e Paz
CCB – Centro Cultural de Brasília
CIMI – Conselho Indigenista Missionário
CJP-DF – Comissão Justiça e Paz de Brasília
CNLB – Conselho Nacional do Laicato do Brasil
CPT – Comissão Pastoral da Terra
CRB – Conferência dos Religiosos do Brasil
FMCJS – Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
OLMA – Observatório De Justiça Socioambiental Luciano Mendes De Almeida
Pastoral Carcerária Nacional
Pastoral da Mulher Marginalizada
Pastoral Operária
SPM – Serviço Pastoral do Migrante
 
Fonte: Cimi
Foto: Guilherme Cavalli/Cimi

 
 
Não há medo no amor,
ao contrário: o perfeito amor lança fora todo o medo (1Jo 4:18ª)
 
“Ai de mim se eu não anunciar boas notícias” (1Cor 9:16). A Câmara Episcopal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil vem a público conclamar as pessoas que participam de nossa igreja e a sociedade brasileira para uma séria reflexão sobre o segundo turno das eleições presidenciais e para governadores e governadoras nos estados. Vivemos um momento em que comportamentos agressivos, intolerantes e a disseminação de notícias falsas por si só violam frontalmente princípios de fé inegociáveis. Seguidores e seguidoras de Jesus não podem ignorar o quanto, nosso Senhor Jesus Cristo, exaltou quem é mansa, as pacificadoras, as pessoas perseguidas por causa da justiça (Mt 5.9). Pois, a verdadeira religião é a prática do amor, amar a bondade e a prática do direito e da justiça para todas as pessoas (cf Jr 9.23; Mq 6.8; Tg 1.9).
 
A questão não é que haja conflito na sociedade. Todas as sociedades humanas, em todos os tempos e lugares, convivem com o conflito. Ele expressa, em termos elementares, o inconformismo com a injustiça, a violação de direitos, a opressão econômica, a discriminação. O que nos preocupa como pastores e pastoras é a incitação ao mesmo pela negação ao debate e ao diálogo, pelo ódio a quem pensa diferente e pelo uso da mentira como arma para demonizar pessoas e projetos.
 
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil faz parte da Comunhão Anglicana presente em mais de 150 países do mundo e que, através de seus documentos de reflexão teológica e de posicionamentos públicos, tem se colocado sem reservas ao lado dos direitos humanos e do respeito a instituições públicas que os assegurem, por meio de ações concretas de promoção da justiça e da paz. É uma comunhão de igrejas que respeita e mesmo acolhe o dissenso, a pluralidade de visões sobre a fé e as opções sociais e políticas de seus membros. É uma igreja que se esforça por construir um caminho de acolhimento, de convivência plural pacífica, em meio às diferenças doutrinárias, éticas e de condição social de todas as pessoas. Preocupa-nos quando irmãos e irmãs de nossa igreja se fecham ao chamado que lhe faz sua própria tradição de fé ao discernimento sério do caminho a seguir.
 
Não podemos concordar com o uso de linguagem que agride, xinga, mente e desrespeita como caminho para o enfrentamento das diferenças políticas e ideológicas; que glorifica e incita a violência como caminho para a solução de problemas sociais, políticos ou econômicos; que expressa claro descompromisso com padrões mundialmente aceitos de proteção social e garantia de direitos dos pobres, das mulheres e das minorias. O momento que vivemos em nosso país demanda de nós que saibamos reconhecer a árvore pelos seus frutos, que não esqueçamos, num país de maioria cristã, as consequências de manifestarem o que creem ser o legado da tradição ou a verdade bíblica, de que sem conhecimento o povo cai e é desencaminhado, sem lideranças sábias e justas a desagregação e a destruição do futuro sobrevêm, sem a verdade não há como construir a paz e a justiça almejadas.
 
Reconhecemos que as igrejas e a sociedade brasileira estão divididas, mas apelamos ao discernimento, através da reflexão e oração, com vistas à convivência harmônica das grandes maiorias e respeitando as minorias, com vistas à construção de políticas públicas que enfrentem os problemas brasileiros em clima de absoluto e incondicional respeito às instituições democráticas. Avaliar seriamente programas, não minimizar ou ignorar os sinais que nos chegam de todos os lados – das pessoas agredidas por causa de sua forma de ser ou de pensar, da opinião pública internacional alarmada com os rumos do Brasil, dos intelectuais e ativistas sociais que estudam a fundo nossa realidade e atuam no dia-a-dia das comunidades e nas redes nacionais e internacionais de ação social e de lideranças religiosas que nos admoestam que, tendo Jesus como modelo, precisamos de palavras e ações que produzam solidariedade, curem, cuidem e transformem para o bem comum.
 
Aos cristãos e cristãs deste país, desafiamos a que leiam de forma profunda e em oração a sua Bíblia, confrontando as mensagens que claramente se opõem ao Evangelho de Jesus, evitando usar o nome de Deus em vão, sacralizando propostas anticristãs e antidemocráticas ou julgando sumariamente como se fossem Deus. Da escolha que vamos fazer neste momento estarão em jogo muito mais do que os próximos quatro anos de um governo. Todos os sinais apontam para o incremento da violência e a discriminação gerando grave risco à liberdade, à justiça e à paz. Que façamos nossa escolha guiadas/os por essas três referências. Só assim dignificaremos nossa identidade anglicana e cristã, só assim provaremos nossos compromissos democráticos. Oremos juntos/as o Salmo 146 (145).
 
Curitiba,15 de Outubro de 2018
 
Bispo Naudal Alves Gomes – Diocese Anglicana do Paraná – Primaz da IEAB
Bispo Maurício Andrade – Diocese Anglicana de Brasília
Bispo Renato Raatz – Diocese Anglicana de Pelotas
Bispo Francisco de Assis da Silva – Diocese Sul Ocidental
Bispo João Câncio Peixoto – Diocese Anglicana do Recife
Bispo Humberto Maiztegui – Diocese Meridional
Bispo Eduardo Coelho Grillo – Diocese Anglicana do Rio de Janeiro
Bispa Marinez Rosa dos Santos Bassotto – Diocese Anglicana da Amazônia
Bispo Clovis Erly Rodrigues – Emérito
Bispo Almir dos Santos – Emérito
Bispo Celso de Oliveira Franco – Emérito
Bispo Jubal Pereira Neves – Emérito
Bispo Orlando Santos de Oliveira – Emérito
Bispo Filadelfo Oliveira Neto – Emérito
Bispo Saulo de Barros – Emérito