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Qual é a visão do Espiritismo sobre Jesus?

 
Por Marta Antunes Moura*
 
A Doutrina Espírita, ou Espiritismo, ensina que Jesus é o Espírito mais perfeito que Deus enviou à Terra, o Messias ou Mensageiro divino, Guia e Modelo da nossa Humanidade.[1]  Ao ponderar essa informação, transmitida pelos orientadores espirituais, Allan Kardec, o codificador do Espiritismo pondera: 
 
Para o homem, Jesus representa o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque, sendo Jesus o ser mais puro que já apareceu na Terra, o Espírito Divino o animava. 
 
Se alguns dos que pretenderam instruir o homem na Lei de Deus algumas vezes o transviaram por meio de falsos princípios, foi porque se deixaram dominar por sentimentos demasiado terrenos e porque confundiram as leis que regulam as condições da vida da alma com as que regem a vida do corpo. Muitos deles apresentaram como Leis divinas o que eram simples leis humanas, criadas para servir às paixões e para dominar os homens.[2] 
 
As leis divinas, pregadas e exemplificadas pelo Cristo, são o roteiro seguro que devemos seguir. Elas estão escritas na consciência humana[3]  por Deus, Pai e Criador Supremo. É por esse motivo que tais leis são denominadas Lei de Deus ou Lei Natural. Se as leis divinas são inerentes à consciência humana, elas são instintivamente manifestadas no mundo íntimo do ser humano como “a voz da razão” ou “voz da consciência”.
 
O conhecimento e prática das leis de Deus, exige esforço intelecto-moral por parte de cada indivíduo, condição necessária para melhor compreendê-la e exercitá-la: “Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem são os que melhor a compreendem. Todos nós, porém, a compreenderão um dia, pois é preciso que o progresso se realize.”[4]  Como uma só existência no plano físico é insuficiente para o homem imperfeito conhecer e vivenciar plenamente a Lei de Deus, o Espiritismo defende a ideia da reencarnação, princípio doutrinário pelo qual esclarece que o ser humano retorna s experiência física, quantas vezes se fizerem necessárias, seja para reparar equívocos cometidos em existências anteriores, mas também para progredir intelectualmente, pela aquisição de conhecimento, e moralmente, pelo desenvolvimento de virtudes. 
 
A justiça das diversas encarnações do homem é uma consequência deste princípio, pois a cada nova existência sua inteligência se acha mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é bem e o que é mal. Se, para ele, tudo tivesse que se realizar numa única existência, qual seria a sorte de tantos milhões de seres que morrem todos os dias no embrutecimento da selvageria ou nas trevas da ignorância, sem que deles tenha dependido o próprio esclarecimento?[5] 
 
Jesus-Cristo, nosso Mestre e Senhor, nos transmite roteiro seguro pata atingirmos os píncaros da nossa plenitude espiritual por meio da vivência do Seu Evangelho. É de fundamental importância, portanto, que todos nós, cristãos, nos debrucemos sobre os textos sagrados da escrituras, dos ensinamentos do Mestre Nazareno, esforçando-nos para adquirir maiores esclarecimentos a respeito dos ensinamentos do venerável governador espiritual da Terra, a fim de que possamos compreender, em espírito e verdade, a gloriosa mensagem de Amor que Ele nos transmitiu.
 
A construção da mentalidade cristã passa, então, pelo entendimento do Evangelho e pelo esforço de melhoria moral ensinado pelo Cristo. Enfatizamos que sempre somos abençoados pela providência divina quando, efetivamente, nos dispomos conhecer e vivenciar a mensagem cristã. Em todas as épocas da Humanidade, renasceu entre nós valorosos cristãos, mensageiros de Deus e do Messias divino, incumbidos da missão de restaurar o Evangelho de Jesus. Um exemplo notável foi Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone, nascido em Assis/Itália, em 5 de julho de 1182 e falecido em 3 de outubro de 1226, também em Assis ) o qual, segundo Dante Alighieri (Florença, 21/05/1265-Ravena, 13 ou 14/09/1321), foi “uma luz que brilhou sobre o mundo."[6]  
 
Contudo, a despeito do caráter renovador da mensagem cristã, esclarecemos que “Jesus não veio destruir a Lei, isto é, a Lei de Deus; veio cumpri-la, ou seja, desenvolvê-la, dar-lhe o verdadeiro sentido e adaptá-la ao grau de adiantamento dos homens. É por isso que se encontra, nessa lei, o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que constitui a base da sua doutrina. [...].”[7]  
 
Os deveres do homem para com Deus e para com o próximo estão sintetizados nessa máxima do Cristo, assim registrada por Mateus, 22: 34-40: 
 
E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
 
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*Marta Antunes é vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), coordenadora das Comissões Regionais na área da Mediunidade, e escreveu esse artigo gentilmente a pedido do CONIC.
Foto: Pixabay

Referências:
[1] KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. Questão, 625, p.285.
[2] Idem. Questão 625-comentário, p. 286.
[3] Idem. Questão 621, p. 285.
[4] KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. Questão 619, p. 284.
[5] Idem. Questão 619- comentário, p. 284.
[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Assis. Acesso em 15/2/2019.
[7] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Cap. I, item 3, p. 38.

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