
Foto: Ricardo Stuckert
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) participou, no dia 1º de setembro de 2026, de uma reunião com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), para dialogar sobre os impactos sociais das apostas virtuais, conhecidas como bets.
O encontro reuniu representantes da sociedade civil, organizações religiosas e diferentes setores para ouvir avaliações sobre os efeitos das apostas no cotidiano da população brasileira. Durante a reunião, o governo federal indicou que deve tomar novas decisões sobre o tema, considerando as preocupações apresentadas por diferentes segmentos da sociedade.
Na ocasião, o CONIC apresentou uma carta ao Presidente da República, lida pela Pastora Sinodal Patrícia Bauer, vice-presidente do CONIC. No documento, o Conselho levou “a saudação, a oração e a preocupação” das Comunidades de fé que caminham com o CONIC, representadas pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), Aliança de Batistas do Brasil (ABB) e Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU).
A carta afirma que as Comunidades de fé, em todo o país, têm acolhido relatos de sofrimento de famílias brasileiras diante da proliferação descontrolada das apostas virtuais. Para o CONIC, aquilo que tem sido vendido como entretenimento ou possibilidade de “dinheiro fácil” tem se mostrado um mecanismo de empobrecimento, sofrimento psíquico, endividamento, vício e esfacelamento familiar.
O documento também ressalta que o cuidado com a saúde mental, espiritual e financeira do povo é inseparável da justiça social. A partir desse compromisso, o CONIC apresentou cinco caminhos possíveis para a ação do Estado: restrição severa da publicidade de apostas, proteção da renda e dos benefícios sociais, ampliação do atendimento pela Saúde Pública e pela Assistência Social, regulamentação com limites operacionais e campanhas nacionais de conscientização sobre os riscos financeiros, psicológicos e sociais das apostas.
Ao final da carta, o CONIC reafirmou que as Igrejas permanecem abertas para acolher e cuidar das pessoas machucadas por essa realidade, mas destacou que é necessário que o Estado promova políticas públicas capazes de proteger o povo brasileiro.
A participação no encontro reafirma o compromisso Ecumênico do CONIC com a defesa da dignidade humana, o cuidado com as famílias, a justiça social e a incidência pública em temas que afetam diretamente a vida da população.
A fala da Pastora Sinodal Patrícia Bauer, vice-presidente do CONIC, está disponível no canal do CONIC Brasil no YouTube.
Por CONIC Brasil

Foto: Ricardo Stuckert
Participantes:
Lula – presidente da República;
Janja Lula da Silva – primeira-dama;
Geraldo Alckmin – vice-presidente da República;
Miriam Belchior – ministra da Casa Civil;
Wellington César Lima e Silva – ministro da Justiça e Segurança Pública;
Alexandre Padilha – ministro da Saúde;
Paulo Henrique Cordeiro – ministro do Esporte;
Guilherme Boulos – ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República;
Sidônio Palmeira – ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência;
Jorge Messias - advogado-geral da União;
Rogério Ceron – secretário-executivo do Ministério da Fazenda;
Cardeal Jaime Spengler – presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil);
Ricardo Alban – presidente da Confederação Nacional da Indústria;
Isaac Sidney – presidente da Federação Brasileira de Bancos;
Adriana Marcolino – diretora-geral do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos);
Leandro Domingos Teixeira – vice-presidente financeiro da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo;
Igor Rodrigues Britto – presidente do Idec (Instituto de Defesa de Consumidores);
Rômulo Paes – presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva);
Mariana Ribeiro – presidente do Centro Clarice;
Miguel Lago – diretor-executivo do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde);
Maria Mello – coordenadora do programa Criança e Consumo do Instituto Alana;
Hermano Tavares – pesquisador da USP (Universidade de São Paulo);
Patricia Bauer – vice presidente do CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil;
Paula Lavigne – produtora cultural, que está à frente da campanha do “Block do Tigrinho”;
Emicida - cantor e compositor
Yuri - influenciador e CEO da Melted Videos.
Leia a íntegra da carta ao Presidente da República:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA,
Trago a saudação, a oração e a preocupação de nossas comunidades de fé. Falo em nome do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) ressoando as vozes das igrejas que caminham conosco — a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), a Igreja Católica Apostólica Romana, a Aliança de Batistas do Brasil (ABB) e a Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU).
Nossas comunidades em todo o país são espaços de convivência e de escuta pastoral. No dia a dia acolhemos o relato de dores das famílias brasileiras. Hoje, uma das feridas sociais mais profundas é a proliferação descontrolada das apostas virtuais — as chamadas bets.
O que se vende como entretenimento ou “dinheiro fácil” tem se mostrado um mecanismo avassalador de empobrecimento e sofrimento psíquico. Testemunhamos homens, mulheres, jovens e crianças em desespero diante do da insegurança alimentar, do endividamento crítico, do vício e o consequente esfacelamento familiar. A dignidade da vida e a paz nos lares estão corroídas por uma engrenagem que, através de propaganda enganosa, transfere recursos de pessoas vulneráveis para grandes grupos econômicos.
Para o CONIC, o cuidado com a saúde mental, espiritual e financeira do povo é inseparável da justiça social. Por isso, com base em nossos documentos e posicionamentos ecumênicos, reconhecemos as ações de políticas públicas já em andamento e reforçamos cinco caminhos possíveis e estratégicos para a ação do Estado:
1.Restrição severa da publicidade: banir a propaganda de apostas nos meios de comunicação, redes sociais e patrocínios esportivos, a exemplo do que é feito com o tabaco. (Vi uma propaganda de aposta em que uma mulher está no caixa do supermercado e não tem saldo suficiente para pagar as compras. Ela joga e faz o pagamento. Instantaneamente. É o sonho e a necessidade de muitas mulheres que precisam sustentar suas famílias sendo usado para enganar).
2. Proteção de renda e benefícios: bloquear o uso de benefícios sociais - como o Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada - e do uso de cartão de crédito em plataformas de apostas.
3. Saúde Pública e Assistência Social: ampliar a divulgação de que o SUS e a rede do SUAS estão estruturados para atender pessoas com ludopatia (transtorno mental caracterizado pelo impulso incontrolável de jogar e apostar em jogos de azar, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS)). Ampliar a oferta de atendimento especializado.
4. Regulamentação e limites operacionais: estabelecer limite de perdas, verificação rigorosa de identidade e combate às plataformas e aplicativos ilegais (nacionais e estrangeiros).
5. Campanhas de conscientização: ações educativas em nível nacional para conscientizar a população sobre os riscos financeiros, psicológicos e sociais das apostas.
Excelentíssimo Presidente Lula, nossas igrejas continuam abertas para acolher pessoas machucadas e delas cuidar. Mas é necessário que o Estado promova políticas públicas para proteger o povo. Em nosso compromisso de fé caminharemos juntos na restauração do bem-estar das famílias brasileiras.
Receba nossos votos de perseverança e sabedoria frente aos debates e ações efetivas.
Muito obrigada.
Pastora Sinodal Patrícia Bauer
Vice-Presidente do CONIC