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“Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe,
a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas,
e Maria Madalena”. (Jo 19. 25)
 
Este ano o Dia das Mães será marcado por ausências vividas por filhos e filhas que perderam suas mães e de mães que choram a morte de seus filhos. A maior parte destas ausências poderiam ter sido evitadas. Elas foram provocadas pela opção, tomada pelo Brasil, em não desenvolver políticas eficazes para a contenção da pandemia, cujo resultado é de 419 mil vidas perdidas. A pandemia da Covid-19 deixa filhos e filhas órfãos de mães e mães órfãs de filhos e filhas. 
 
Maria, a mãe de Jesus, viveu a orfandade do filho, morto pelo Estado romano. A imagem dela em pé, perto da cruz, sentindo as dores provocadas pela morte violenta, talvez com um olhar vazio e sem compreender o que viva, é a imagem que se atualiza nas mortes abruptas que testemunhamos ao longo desta semana que antecede o Dia das Mães. 
 
Uma das mortes que que marcou esta semana foi a do ator Paulo Gustavo, que consegui fazer o país todo rir ao se transfigurar em sua mãe, Déa Lúcia, no papel de Dona Hermínia. Paulo Gustavo ao reverenciar sua mãe, reverenciava todas as mães do Brasil. Sua morte simboliza o vazio que muitas mães estão sentindo. 
 
E, Jacarezinho, no Rio de Janeiro, muitas mães estarão de olhar vazio sem entender por que seus filhos foram assassinados pelo Estado. Sim, talvez alguns destes filhos, estivessem em conflito com a lei e deveriam ser responsabilizados com processos justos, com direito à defesa e tudo o que a Constituição Federal estabelece. Não há argumento que justifique a chacina e a ação violenta do Estado, nem a dor destas mães, tias, avós. As mães de Jacarezinho sofrem como sofreu Maria. Estão paradas ao pé da cruz de seus filhos.
 
Por fim, neste Dia das Mães, lembramos das mães de Saudades, cujos filhos foram vitimados por um ataque em uma creche. Saudades é o sentimento que será eterno para estas mães. Não há respostas que expliquem as motivações do autor do ataque, um jovem de 18 anos. No entanto, este fato, nos remete às redes sociais que proliferam discursos de ódio e que, por vezes, induzem pessoas a cometerem atos irracionais e injustificáveis para descarregar suas frustrações e falta de sentido de vida. 
 
Nesse Dia das Mães, nós, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) nos colocamos em inteira solidariedade com tantas mães que perderam seus filhos e filhas. Do mesmo modo, nos colocamos ao lado de todos os filhos e filhas que perderam suas mães. A dor da perda parece não ter fim. Mas podemos, e devemos, transformar essa dor em outros sentimentos: o de luta, de indignação, de empatia no luto, de solidariedade e resiliência. 
 
Não podemos normalizar o que está acontecendo em nosso país. Dores e mortes evitáveis não podem ser a nossa rotina. Que neste Dia das Mães possamos orar pelas mães e repensar o que fundamenta nosso sentido de humanidade.
 
Que Deus de amor, de consolo nos abençoe e seque nossas lágrimas.
 
Que Maria, uma mãe que testemunhou a morte injusta do filho, nos dê a sua capacidade de resiliência e resistência.
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC
 

 
Este ano, de 16 a 23 de maio, celebramos a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), cujo tema é “Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos” (cf. João 15,5-9).
 
Diferentemente do que fizemos em anos anteriores, todos os subsídios da Semana de Oração estão disponíveis para download gratuito. Deste modo, nada será vendido. A ideia é oportunizar que mais pessoas e comunidades tenham pleno acesso aos cadernos de celebrações e demais materiais que auxiliem no diálogo cristão.
 
Coleta da SOUC: amor à causa ecumênica
 
Mas uma coisa não mudou: o último dia da SOUC (que será em 23 de maio) é dedicado às coletas da Semana de Oração. Essas coletas são de vital importância para a continuidade das atividades do CONIC no tocante à promoção do ecumenismo. 
 
É por isso que chamamos especial atenção para que você fale sobre as coletas aí na sua comunidade, grupo de amigos, familiares, etc. 
 
Como fazer as coletas?
 
Todas de modo virtual. Para isso, disponibilizamos:
 
Pix - 00721266/0001-23
Depósito - Bradesco, Ag. 0606-8, Conta Poupança 112.888-4
Nosso CNPJ (para o caso de depósito identificado) é: 00721266/0001-23
 
De acordo com a pastora Romi Bencke, secretária-geral do Conselho, esse ato de doar “simboliza a nossa capacidade de desprendimento e espírito comunitário. É a nossa contribuição concreta para o ecumenismo”.
 
O montante arrecadado tem o seguinte destino: 40% da permanece para a representação regional do CONIC (onde houver). Esses valores contribuem para a motivação do ecumenismo em diferentes regiões, com a organização de seminários, encontros e oficinas de formação.
 
Os outros 60% da coleta é enviado para o CONIC Nacional. O recurso subsidia uma série de iniciativas ecumênicas, incluindo ações de comunicação, formação e incidência. 
 
Celebração de abertura
 
A celebração nacional de abertura da Semana de Oração vai ser no dia 17 de maio, às 20h, com transmissão pelo Facebook do CONIC. O vídeo também estará disponível em nosso YouTube
 
Clique aqui e saiba tudo sobre a SOUC 2021.
 

 
“Todo o ser humano tem direito de viver com dignidade e desenvolver-se integralmente, e nenhum país lhe pode negar este direito fundamental. (...). Quando não se salvaguarda este princípio elementar, não há futuro para a fraternidade nem para a sobrevivência da humanidade”. (Papa Francisco, Fratelli Tutti, nº 107).
 
Às margens dos rios da Babilônia, sentamos e choramos (Sl 137.1). Às margens do Rio: nas vielas, nos becos, na favela, sentamos e choramos, levantamos e gritamos. 
 
«Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles não existem mais.» (Jr 31.15) Ouviu-se gritos no Jacarezinho, são as mães que choram seus filhos assassinados. Nos becos, nas favelas e periferias deste país, as mães choram por seus filhos pretos assassinados. Não querem ser consoladas.
 
 
No dia 6 de maio de 2021, a partir das 6h45, em ação ilegal e com fortes sinais de extermínio, as Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro invadiram a Comunidade do Jacarezinho. Um policial civil foi morto, também vítima de uma ação truculenta que igualmente os expõe. Segundo os moradores, depois disso os policiais passaram a se comportar de modo ainda mais violento. A consequência foi o assassinato de 24 pessoas da comunidade, em sua maioria negras. As cenas registradas por moradores indicam que a ação policial foi semelhante à de um grupo paramilitar. Os relatos revelam que pessoas foram brutalmente torturadas, casas invadidas e moradores espancados.
 
É responsabilidade do Estado do Rio de Janeiro, de seu governador, recém-empossado, e de sua equipe de secretários de estado o descumprimento da recomendação do Supremo Tribunal Federal que suspende operações policiais durante a pandemia. 
 
Surge imediatamente a pergunta: Quem irá apurar as ações para evitar a perícia? Quem responderá pela tentativa de alteração e destruição das cenas do crime? Quem responde pela retirada das pessoas mortas em carros blindados?
 
Esta chacina foi provocada pelo Estado do Rio de Janeiro, via forças da segurança pública. Segundo o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense, esta é a chacina provocada pelo Estado com o maior número de mortos. Não há justificativa para tamanha violência. O Estado, quando permite ou autoriza suas polícias a agirem deste modo se transforma, em cada um desses atos de extermínio, em organismo violador dos Direitos Humanos fundamentais. Ele se distancia de sua finalidade maior, que é o de proteger incondicionalmente a vida de todas as pessoas. Nada distingue um Estado quando age ilegalmente, por meio de sua força de segurança, de uma organização criminosa. 
 
Basta! Não é possível continuar com o racismo institucional que assassina pessoas negras. A radicalidade da violência praticada por agentes do Estado, em cumplicidade com seus superiores, exige que a sociedade reveja urgentemente a sua política de segurança pública. As pessoas responsáveis por este crime, em especial, o alto escalão, responsável por dar as ordens, precisam ser responsabilizadas. 
 
A reconstrução de nossa sociedade exige a desmilitarização da polícia com sua formação permanente em direitos humanos para que agentes da segurança pública não sejam violadores destes direitos. 
 
Instamos o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República, a Defensoria Pública da União, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro e os respectivos Poderes Executivos a tomarem as iniciativas e todas as medidas necessárias para fazer cessar, imediatamente, a violência policial orientada pelo racismo e pela aniquilação das pessoas pobres, especialmente em áreas de favelas e periferias. 
 
Denunciamos esta chacina à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Exigimos que todas as medidas necessárias sejam tomadas para uma investigação independente deste crime e que a comunidade do Jacarezinho tenha o direito à reparação. Por fim, que o Estado garanta o direito das famílias enlutadas de reconhecerem e enterrarem seus mortos com dignidade, além de receberem todo o acompanhamento psicossocial.
 
Manifestamos nossa solidariedade às famílias das vítimas e às organizações sociais e comunitárias. Seguiremos vigilantes contra as violações dos Direitos Humanos e da Natureza no país.
 
Brasília/DF, 8 de maio de 2021.
 
CBJP - Comissão Brasileira Justiça e Paz
CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs
Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da CNBB
Comissão Especial pela Ecologia Integral e Mineração da CNBB
CJP-AOR - Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife
CNLB - Conselho Nacional do Laicato do Brasil 
Ouvidoria Geral Externa da Defensoria Pública do Estado de Rondônia
NESP - Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas 
Pastoral Fé e Política do Regional Sul 1 da CNBB
Sinfrajupe - Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia
REC-SP - Rede de Escolas de Cidadania de São Paulo
Associação de familiares e amigos presos de Juiz de Fora/MG
Frente Interreligiosa Dom Paulo Evaristo Arns por Justiça e Paz
CRJP/MS - Comissão Regional de Justiça e Paz - Mato Grosso do Sul
Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Luís do Maranhão   
ISER - Instituto de Estudos da Religião
CEFEP - Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara
CAJP - Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz de Belo Horizonte
Pastoral Fé e Política de São Paulo
Pastoral Litúrgica de Piranguçu/MG 
Comissão à Serviço da Vida Plena para Todos da Arquidiocese de Pouso Alegre/MG
Paz e Esperança Brasil
CEBI/SC - Centro de Estudos Bíblicos/SC
CRJP - Comissão Justiça e Paz do Regional Sul 1 da CNBB
AJUP-UFMG - Assessoria Jurídica Universitária Popular da UFMG
Pastoral da Criança de Caçador/SC
Pastoral da Sobriedade de Mogi das Cruzes/SP
CNLB - NORTE 3 - Conselho Nacional do Laicato Regional Norte 3 (TO)
Prelazia de São Félix do Araguaia/MT
Ampliada Regional das CEBs - Regional Norte 3 (TO)
Pastoral Carcerária Nacional para Questão da Mulher Presa 
CONAL - Conselho Nacional do Laicato na Arquidiocese de Aracaju/SE
Pastoral Carcerária Regional Oeste 1 - MS
Pastoral Fé e Política da Região Episcopal da Lapa, Arquidiocese de São Paulo 
Plataforma Intersecções
Pastoral da Saúde de Vila Velha/ES
CNLB - Diocese de Imperatriz/MA
Pastoral da Pessoa Idosa de Vitória/ES
CPP - Conselho Pastoral dos Pescadores
Clube Palmares de Volta Redonda/RJ
Núcleo Política e Religião
CEBI/ES - Centro de Estudos Bíblicos do Espírito Santo
Sindicato dos Petroleiros do ES
ADUEMS - Associação de Docentes da UEMS, Seção Sindical do ANDES
Irmãs Missionárias Agostinianas Recoletas 
Vicariato para a Ação Social Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória/ES
Pastoral Operária - Arquidiocese de Vitória/ES
DOXA Educacional
Paróquia Santa Rosa de Lima de Aparecida de Goiânia/GO 
AFES - Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade 
CPDH - Comissão de Promoção da Dignidade Humana da Arquidiocese de Vitória/ES 
APP-Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Paraná – Seção de Maringá/PR
CONERES - Conselho Nacional de Ensino Religioso do ES
MAM - Movimento pela Soberania Popular na Mineração 
FAMOC - Federação das Associações de Moradores de Cariacica 
Escola Fé e Política Padre Humberto Plummen - Regional Nordeste 2 (AL, PB, PE e RN)
Movimento Ecumênico de Niterói/RJ
Escola de Fé e Política de Pouso Alegre/MG
Conselho Pastoral dos Pescadores / ES
CPT/MG - Comissão Pastoral da Terra
JUFRA - Juventude Franciscana do Brasil
APNs - Agentes de Pastoral Negros do Brasil 
CJP – SP - Comissão Justiça e Paz SP
Escola Arquidiocesana de Fé e Política Pe. Antônio Henrique, de Olinda e Recife/PE
Movimento Nacional Fé e Política
Evangélicos pela Justiça 
Fala aí Serviço Social de São Paulo, Capital
ASIARFA - Associação Intermunicipal Ambiental em Defesa do Rio Formate e Seus Afluentes/ES
Coletivo Cultural Ó Mainha de São Paulo, Capital
Comissão Justiça e Paz da CNBB Regional Norte 2 (PA e AP)
Coletivo Ame a Verdade de Palmas/TO
CJP-DF - Comissão Justiça e Paz de Brasília/DF
Equipe Regional de CEBs NE5 da CNBB
Centro de Defesa dos Direitos Humanos "Pedro Reis", Cachoeiro do Itapemirim/ES
Pastoral da Juventude de Santa Quitéria/MA
CEDECA Jundiaí - Centro de Defesa da Criança e do Adolescente
Coletivo Aba Tyba de João Neiva/ES
CEDHRO, de Osasco/SP 
CDJP – Comissão Diocesana Justiça e Paz de Barreiras/BA
REPAM-Brasil - Rede Eclesial Panamazônica
CJP/Londrina - Comissão Justiça e Paz
Fórum de Defesa da Vida do Baixo Parnaíba, Maranhão 
Movimento Equipes Docentes de São Paulo
Articulação Regional das Pastorais Sociais-REPAM do Regional NE5 da CNBB
Rede Educafro Minas 
Centro Franciscano de Defesa de Direitos - Belo Horizonte/MG
PPL - Pastoral Popular Luterana
Movimento Independente Mães de Maio de São Paulo, Capital
Articulação Comboniana de Direitos Humanos
Grupo de Pesquisa Ciências Sociais e Cidade - CSC da Universidade Estadual do Ceará
Aliança de Batistas do Brasil
CDDH Dom Tomás Balduíno de Marapé, Atílio Vivácqua/ES
CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço
Pastoral Afrobrasileira de Curitiba/PR
FLD - Fundação Luterana de Diaconia 
CEDECA Ermínia Circosta de São Paulo
Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia CAPA de Porto Alegre/RS
Conselho de Missão entre Povos Indígenas - COMIN
Província Missionários Combonianos do Brasil 
CNLB - Diocese de Brejo/MA
Irmãs de Notre Dame de Namur no Brasil
Pastoral Fé e Política da Diocese de Campo Limpo

 
Foi realizado, entre entre os dias 4 e 6 de maio, o Seminário Internacional: Tragédia Brasileira: Risco Para a Casa Comum?
 
O evento foi promovido pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz - CBJP, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC, Coordenadoria Ecumênica de Serviço - CESE, Fundação Luterana de Diaconia - FLD, Fórum Ecumênico ACT-BRASIL, Instituto Humanitas Unisinos - IHU, Pastorais Sociais da CNBB, #RespiraBrasil, com apoio do ISER, PAD, CRB e REPAM Brasil.
 
OBJETIVO
 
O objetivo central do Seminário foi analisar o cenário atual de colapso nos sistemas de saúde e de descaso com as políticas sanitárias referenciadas pela ciência, de modo a entender quais riscos o quadro presente pode representar (ou não) para o planeta como um todo – a nossa Casa Comum.
 
ESTRATÉGIAS E AÇÃO IDENTIFICADAS:
 
O Seminário identificou algumas estratégias de ação, entre elas, destacam-se:
 
Alianças internacionais:
 
1. Ampliar e fortalecer a Campanha contra o acordo União Européia e Mercosul, a exemplo do que foi a Aliança contra a ALCA;
 
2. Transformar a agroecologia em bandeira internacional;
 
3. Assumir internacionalmente a defesa de territórios, conectando as lutas dos diferentes povos. 
 
Estratégias e ações nacionais:
 
1. Buscar uma organização socioeconomica que garanta vida boa para todos e todas, em equilíbrio com a natureza;
 
2. Distribuição de riqueza e renda, como forma de combater a desigualdade social;
 
3. Fortalecer as iniciativas contrárias à privatização dos bens da natureza (florestas, água, biodiversidade, sementes, minérios), que precisam estar a serviço do bem comum; 
 
4. Pensar e praticar um novo relacionamento com a natureza e isso implica: mudança na matriz energética, nas práticas consumistas, no uso de agrotóxicos, na mudança de hábitos alimentares e na adoção do desmatamento zero;
 
5. A busca permanente de uma sociedade igualitária. Aonde todos os cidadãos tenham os mesmos direitos e oportunidades; 
 
6. Fortalecer o SUS, pois a saúde é um direito de todos; 
 
7. Construir um estado democrático, para que seja zelador dos interesses da maioria e esteja subordinado à participação popular, através de suas muitas formas organizativas. Radicalizar a democracia;
 
8. Nosso projeto precisa garantir a soberania nacional sobre nosso território, nossa economia, nosso futuro. E ele começa com o respeito à soberania territorial, cultural, espiritual dos povos ancestrais, indígenas e negros que formam nosso povo;
 
9. A agricultura deve estar calcada na função principal de produzir alimentos saudáveis para todos e todas;
 
10. Organizar a soberania alimentar, que é a capacidade do povo, em cada território, de produzir todos os alimentos necessários;
 
11. Respeitar a diversidade cultural, religiosa e de orientação sexual, combatendo o patriarcado e todas as formas de opressão e discriminação;
 
12. O desenvolvimento das forças produtivas deve ter como objetivo sempre a melhoria das condições de vida de todo povo. Que é diferente do simples crescimento do PIB;
 
13. Cultivar os valores humanistas da solidariedade, igualdade e justiça social como elementos de um verdadeiro novo pacto social civilizatório de nosso modo de vida coletivo. 
 
Quem não viu as palestras, pode conferi-las a seguir.
 
PRIMEIRO DIA
 
 
SEGUNDO DIA
 

 
TERCEIRO DIA
 

 
DOCUMENTOS APRESENTADOS PELOS CONFERENCISTAS
 
 
 
 
 
 
 

 
“Alegrei-me quando me disseram: 
Vamos à casa do Senhor.” (Salmos 122:1)
 
Brasília, 03 de maio de 2021
 
O bairro do Pinheiro, em Maceió, estado de Alagoas, abriga, há mais de 80 anos, a Igreja Batista do Pinheiro. O local é muito mais do que um templo religioso. É um espaço de diálogo, acolhida e apoio às famílias necessitadas da região. Também é ponto de encontro da juventude, adultos, idosos, pessoas de todas as idades, independentemente de credo, etnia, orientação sexual, etc. Em mais de oito décadas, a Igreja Batista do Pinheiro leva fé e esperança a muitos.
 
Após tanto tempo levando Paz e Bem à comunidade na qual está inserida, compartilhando dores e alegrias, unindo famílias, resgatando os desvalidos e trazendo refrigério para muitas almas, esse espaço de culto começa a ver ruir, literalmente, tudo o que está ao seu entorno. Seus membros testemunham, com pavor, a destruição de toda a região ao derredor do templo. Isso estaria ocorrendo, segundo relatos, devido às atividades ligadas à mineração. Notícias veiculadas na imprensa dão conta de que 4 bairros inteiros podem desaparecer em função disso.
 
O que será das milhares de famílias que deverão ser “realojadas”? Será que não seria o momento de o Governo Estadual frear o que está acontecendo nessa região? Ai daqueles que privam “os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo” (Isaías 10:2). Que este não seja mais um caso onde o Poder Público assista o caos de modo passivo e complacente.
 
Neste sentido, pedimos que a Igreja Batista do Pinheiro, inserida num desses bairros que podem vir a desaparecer, seja reconhecida e valorizada por toda a contribuição que já deu para a sociedade alagoana. E nós, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), estaremos vigilantes para essa demanda, certos de que nosso apelo será ouvido pelas autoridades.
 
Por isso, pedimos que seja feito o Tombamento Histórico desta instituição. O referido tombamento seria o merecido reconhecimento do importante trabalho que a Igreja Batista do Pinheiro vem prestando não apenas à sua membresia, mas a todos que vêm até ela procurando pão, abrigo ou consolo – tal como orientado pelo próprio Jesus em Mateus 25:31-46.
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)
 

 
Ao longo da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), queremos convidar você a orar conosco.
 
Durante 5 minutos, tire um tempinho para falar com o Senhor. 
 
Para facilitar esse momento de intimidade com Deus, preparamos essa meditação guiada:
 
 

 
Temos certeza que “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4:7).
 
INFORMAÇÕES PARA A COLETA DA SOUC:
 
  • Pix: 00721266/0001-23
  • Depósito: Bradesco, Ag. 0606-8, Conta Poupança 112.888-4
 
FICHA TÉCNICA DO VÍDEO:
 
  • Áudio – Pastora Cacilene Nobre 
  • Arte – CONIC
 
Mais informações sobre a SOUC estão neste link.
 
Compartilhe essa meditação guiada com seus amigos e familiares. 
 
Se preferir, use este link: https://youtu.be/GZEmpBm-TbQ
 

 
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) elegeu sua terceira bispa. O processo ocorreu na Diocese Anglicana do Paraná, em Concílio Extraordinário realizado no dia 24 de abril. Na oportunidade, a reverenda Magda Guedes foi eleita bispa coadjutora na Diocese. 
 
Logo após a eleição, a comunicação do CONIC conversou com a reverenda Magda. Entre outros assuntos, ela falou da importância das mulheres ocuparem cargos de liderança dentro das igrejas, frisando o histórico da IEAB nesse sentido.
 
Confira:
 
1) Como você recebeu essa nomeação?
 
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) tem um processo de eleição em que somos eleitos para esses cargos. Essa eleição acontece no Concílio de cada Diocese. Antes do Concílio ser realizado há todo um processo “eleitoral”, da qual eu participei como candidata. Esse processo é realizado sempre que o bispo local vai se aposentar. Participam desse Concílio os representantes das paróquias, leigos, e todo o clero diocesano. Me sinto muito agradecida e reconhecida pelo fato de ter sido eleita. Sinto-me   desafiada e comprometida com esse povo do Paraná que me elegeu para ser a sua pastora. Vale lembrar que eu fui eleita bispa coadjutora, pois temos como bispo atual dom Naudal Alves Gomes, que se aposenta esse ano. Quando ele se aposentar, daí sim, serei instalada como bispa da Diocese.
 
2) Agora que você estará à frente de uma Diocese Anglicana, quais serão as suas principais prioridades?
 
Eu não tenho prioridades pessoais. Fui eleita para estar com o povo. Portanto, as prioridades que virão são as prioridades da Diocese, do povo do Paraná. Essas, portanto, serão as minhas prioridades. Estarei com todos, juntos e juntas, como pastora, para desenvolver todos os sonhos que estão sendo vividos ali. A Diocese está no processo de Planejamento Estratégico, seguindo a orientação da Igreja Nacional assim tem diversas frentes, incluindo missão, educação teológica, sustentabilidade, diaconia, enfim, uma série de trabalhos que seguiremos fazendo.  Como vê, temos muito trabalho pela frente.
 
3) Por que, na sua opinião, a inserção de mulheres em cargos-chave das igrejas é importante? 
 
Sobre a questão do ministério ordenado feminino na igreja, é sempre importante lembrar que essa conquista que temos, em especial na Igreja Anglicana, já vem de muito tempo. Nossa primeira clériga ordenada foi a reverenda Carmen Etel, 36 anos atrás. A partir dela, outras vieram. Hoje somos mais de 40 reverendas no Brasil. Em todas as nossas Dioceses temos reverendas, incluindo 2 bispas diocesanas e eu, agora a terceira bispa eleita.
 
É importante sempre frisar que a igreja é de todas as pessoas. Ela é composta por homens e mulheres. Durante muito tempo, nós vivemos a questão do machismo nos ambientes eclesiásticos, nos quais as mulheres só podiam ser professoras de Escola Dominical, ministério de música e grupo de mulheres, dentre outros trabalhos de cuidados da igreja. Mas quando havia algo na esfera de decisão, daí eram os homens que davam a última palavra. No entanto, a Igreja Anglicana, assim como outras denominações, é formada em sua maioria por mulheres. Eu tenho 25 anos no ministério ordenado, e nesse tempo eu sempre percebi que nós, mulheres, temos sempre que fazer “algo a mais”. Não basta fazer apenas o que os homens fazem. Temos de “provar” que somos capazes. Isso é uma questão cultural. Muita gente pensa que mulher não deveria liderar uma paróquia. 
 
Por outro lado, vemos que, hoje, as coisas estão mudando. Estive certa vez em uma paróquia que, quando fui eleita, duas mulheres da diretoria não aceitavam a minha eleição. Tempos depois, uma delas disse que “foi contra por eu ser uma mulher”, mas que teve “uma grata surpresa pela minha sensibilidade na questão litúrgica, acompanhamento”. Depois ela se tornou uma grande aliada do meu ministério. Quanto à outra, que inicialmente também foi contra, depois se juntou e todas foram fortalecidas. 
 
Nós, mulheres e homens, somos pastores e pastoras de toda a igreja, que é composta por homens e mulheres. 
 
Mas ainda há muito a se fazer. Na nossa Igreja, para que possamos ser párocos ou párocas, também há eleição. E os membros e diretoria daquela igreja votam em nomes dentro de uma “lista”. Essa lista, algumas vezes, vem primeiro com os nomes dos homens e, por último, o nome das mulheres. Mas essa prática v. Hoje podemos olhar pra trás e ver que vencemos muitas dificuldades. Todavia, precisamos ficar atentas para que essas conquistas não sejam perdidas. 
 
A missão não é nossa, a missão é de Deus! E Ele não faz acepção de pessoas!
 
4) Gostaria de acrescentar algo?
 
Sim. Agora, com essa eleição, eu vou para uma outra realidade: Paraná. Estou feliz porque sei que vou encontrar nesse estado, pessoas que trabalharão muito pela missão. Meu ministério será um ministério pela graça de Deus, com a ajuda de todas as pessoas. Jamais farei algo sozinha, mas junta com irmãos e irmãs que já estão lá há muito tempo fortalecendo essa Diocese, que tem um bispo profético, que cuida do povo, que está no meio do povo. Queremos dar continuidade a esse trabalho tão bonito. Incluir todos é meu desejo e minha oração.
 
 
Biografia
  • Reverenda Magda Guedes Pereira nasceu em Sant’Ana do Livramento, Rio Grande do Sul, fronteira com Uruguai. É clériga da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) desde 1996. Além da Teologia, a reverenda tem outra graduação: Pedagogia.
  • Foi Capelã (1996-1999) da Escola Anglicana em Erechim/RS; desde sua ordenação atuou nas Dioceses anglicanas Sul-Ocidental (1996-2006), Paraná (2007-2010) e Brasília (2011-2017). Atualmente reside na Diocese de Pelotas. Desde julho de 2018 exerce a função de Secretária-Geral da IEAB. 
  • Magda também integra a diretoria do CONIC.
 
Linha histórica da ordenação feminina no Brasil pela IEAB
  • No Brasil, o ministério feminino, tanto ao diaconato, presbiterado, como ao episcopado, é permitido desde 1984, sendo que a primeira mulher ordenada foi a reverenda Carmen Etel Alves Gomes, em 1985.
  • A primeira eleita para o Episcopado foi a bispa Marinez Rosa Bassotto, em 20 de janeiro de 2018. Bispa na Diocese Anglicana da Amazônia, na cidade de Belém do Pará.
  • A segunda eleita para o Episcopado foi a bispa Meriglei Borges Simin, no dia 27 de abril de 2019, na Diocese Anglicana de Pelotas, Rio Grande do Sul.
 
CONIC com informações da IEAB
Foto: acervo pessoal

 
O Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Bráz (CDH) de Joinville-SC iniciou uma campanha de arrecadação de verbas para a reforma do telhado. A casa, que sempre recebeu e recebe as pessoas com a intenção de organizar a luta por um mundo mais justo, agora precisa da sua ajuda. Por conta da pandemia, os recursos que a instituição recebia ficou prejudicado e as atividades feitas para angariar recursos também não aconteceram. 
 
Estamos sem o calor do abraço e dos encontros, mas podemos abraçar o CDH, um espaço tão importante e que serve como um guarda-chuva para organizações e movimentos sociais na região.
 
Defesa de direitos
 
O CDH é uma entidade sem fins lucrativos, de utilidade pública, que tem por objetivo promover, difundir e lutar pela defesa dos Direitos Humanos de todas as pessoas. Para tanto, observa os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Carta de princípios do Movimento Nacional dos Direitos Humanos – MNDH, instituição à qual é filiado.
 
Para ajudar, clique aqui.
 
Se quiser conhecer mais os trabalhos desenvolvidos por eles, acesse: facebook.com/cdhmgb
 

 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na última sexta-feira, 16 de abril, a mensagem do episcopado brasileiro que reunido, de modo online, na 58ª Assembleia Geral da CNBB, se dirigiu ao povo neste grave momento.
 
No texto, os bispos afirmam que diante da atual situação pela qual passa o Brasil, sobretudo em tempos de pandemia, não podem se calar quando a vida é “ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada”. Os bispos asseguram que são pastores e que têm a missão de cuidar. “Nosso coração sofre com a restrita participação do Povo de Deus nos templos. Contudo, a sacralidade da vida humana exige de nós sensatez e responsabilidade”, dizem.
 
Na mensagem, os bispos reiteram que no atual momento precisam continuar a observar as medidas sanitárias que dizem respeito às celebrações presenciais. Reconhecem agradecidos que as famílias têm sido espaço privilegiado da vivência da fé e da solidariedade. “Elas têm encontrado nas iniciativas de nossas comunidades, através de subsídios e celebrações online, a possibilidade de vivenciarem intensamente a Igreja doméstica. Unidos na oração e no cuidado pela vida, superaremos esse momento”.
 
Os bispos afirmam que os três poderes da República têm, cada um na sua especificidade, a missão de conduzir o Brasil nos ditames da Constituição Federal, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado” e que o momento exige competência e lucidez. “São inaceitáveis discursos e atitudes que negam a realidade da pandemia, desprezam as medidas sanitárias e ameaçam o Estado Democrático de Direito”, afirmam.
 
Fazem, ainda, um forte apelo à unidade das Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade, em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil: “Assumamos, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. A travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como nos animou o Papa Francisco: “o anúncio Pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos!”.
 
Confira o texto na íntegra:
 
MENSAGEM DA 58ª ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB AO POVO BRASILEIRO
Esperamos novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. (2Pd 3,13)
 
Movidos pela esperança que brota do Evangelho, nós, Bispos do Brasil, reunidos, de modo online, na 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de 12 a 16 de abril de 2021, neste grave momento, dirigimos nossa mensagem ao povo brasileiro.
 
Expressamos a nossa oração e a nossa solidariedade aos enfermos, às famílias que perderam seus entes queridos e a todos os que mais sofrem as consequências da Covid-19. Na certeza da Ressurreição, trazemos em nossas preces, particularmente, os falecidos. Ao mesmo tempo, manifestamos a nossa profunda gratidão aos profissionais de saúde e a todas as pessoas que têm doado a sua vida em favor dos doentes, prestado serviços essenciais e contribuído para enfrentar a pandemia.
 
O Brasil experimenta o aprofundamento de uma grave crise sanitária, econômica, ética, social e política, intensificada pela pandemia, que nos desafia, expondo a desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira. Embora todos sofram com a pandemia, suas consequências são mais devastadoras na vida dos pobres e fragilizados.
 
Essa realidade de sofrimento deve encontrar eco no coração dos discípulos de Cristo[1]. Tudo o que promove ou ameaça a vida diz respeito à nossa missão de cristãos. Sempre que assumimos posicionamentos em questões sociais, econômicas e políticas, nós o fazemos por exigência do Evangelho. Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada[2].
 
Louvamos o testemunho de nossas comunidades na incansável e anônima busca por amenizar as consequências da pandemia. Muitos irmãos e irmãs, bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas, cristãos leigos e leigas, movidos pelo autêntico espírito cristão, expõem suas vidas no socorro aos mais vulneráveis. Com o Papa Francisco, afirmamos que “são inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos”[3]. As iniciativas comunitárias de partilha e solidariedade devem ser sempre mais incentivadas. É Tempo de Cuidar!
 
Somos pastores e nossa missão é cuidar. Nosso coração sofre com a restrita participação do Povo de Deus nos templos. Contudo, a sacralidade da vida humana exige de nós sensatez e responsabilidade. Por isso, nesse momento, precisamos continuar a observar as medidas sanitárias que dizem respeito às celebrações presenciais. Reconhecemos agradecidos que nossas famílias têm sido espaço privilegiado da vivência da fé e da solidariedade. Elas têm encontrado nas iniciativas de nossas comunidades, através de subsídios e celebrações online, a possibilidade de vivenciarem intensamente a Igreja doméstica. Unidos na oração e no cuidado pela vida, superaremos esse momento.
 
Na sociedade civil, os três poderes da República têm, cada um na sua especificidade, a missão de conduzir o Brasil nos ditames da Constituição Federal, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado”[4]. Isso exige competência e lucidez. São inaceitáveis discursos e atitudes que negam a realidade da pandemia, desprezam as medidas sanitárias e ameaçam o Estado Democrático de Direito. É necessária atenção à ciência, incentivar o uso de máscara, o distanciamento social e garantir a vacinação para todos, o mais breve possível. O auxílio emergencial, digno e pelo tempo que for necessário, é imprescindível para salvar vidas e dinamizar a economia[5], com especial atenção aos pobres e desempregados.
 
É preciso assegurar maiores investimentos em saúde pública e a devida assistência aos enfermos, preservando e fortalecendo o Sistema Único de Saúde – SUS. São inadmissíveis as tentativas sistemáticas de desmonte da estrutura de proteção social no país. Rejeitamos energicamente qualquer iniciativa que intente desobrigar os governantes da aplicação do mínimo constitucional do orçamento na saúde e na educação.
 
A educação, fragilizada há anos pela ausência de um eficiente projeto educativo nacional, sofre ainda mais no contexto da pandemia, com sérias consequências para o futuro do país. Além de eficazes políticas públicas de Estado, é fundamental o engajamento no Pacto Educativo Global, proposto pelo Papa Francisco[6].
 
Preocupa-nos também o grave problema das múltiplas formas de violência disseminada na sociedade, favorecida pelo fácil acesso às armas. A desinformação e o discurso de ódio, principalmente nas redes sociais, geram uma agressividade sem limites. Constatamos, com pesar, o uso da religião como instrumento de disputa política, justificando a violência e gerando confusão entres os fiéis e na sociedade.
 
Merece atenção constante o cuidado com a casa comum, submetida à lógica voraz da “exploração e degradação”[7]. É urgente compreender que um bioma preservado cumpre sua função produtiva de manutenção e geração da vida no planeta, respeitando-se o justo equilíbrio entre produção e preservação. A desertificação da terra nasce da desertificação do coração humano. Acreditamos que “a liberdade humana é capaz de limitar a técnica, orientá-la e colocá-la ao serviço de outro tipo de progresso, mais saudável, mais humano, mais social, mais integral”[8].
 
É cada vez mais necessário superar a desigualdade social no país. Para tanto, devemos promover a melhor política[9], que não se submete aos interesses econômicos, e seja pautada pela fraternidade e pela amizade social, que implica não só a aproximação entre grupos sociais distantes, mas também a busca de um renovado encontro com os setores mais pobres e vulneráveis[10].
 
Fazemos um forte apelo à unidade da sociedade civil, Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade, em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil. Assumamos, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. A travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como nos animou o Papa Francisco: “o anúncio Pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos!”[11]
 
Com a fé em Cristo Ressuscitado, fonte de nossa esperança, invocamos a benção de Deus sobre o povo brasileiro, pela intercessão de São José e de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
 
Brasília, 16 de abril de 2021.
 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB
 
Dom Jaime Spengler, OFM
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente  
 
Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente
 
Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB
 
[1] cf. Gaudium et Spes, 1.
[2] cf. CNBB, Mensagem ao Povo de Deus, 2018.
[3] Papa Francisco, Mensagem para o IV Dia Mundial dos Pobres, 2020.
[4] Constituição Federal, art. 196.
[5] cf. CNBB, OAB, C.Arn´s, ABI, ABC e SBPC, O povo não pode pagar com a própria vida,10 de março de 2021.
[6] cf. Papa Francisco, Mensagem para o lançamento do Pacto Educativo Global, 12 de setembro 2019.
[7] Papa Francisco, Laudato Si´, 145.
[8] Papa Francisco, Laudato Si´, 112.
[9] Papa Francisco, Fratelli Tutti, Cap. V.
[10] cf. Papa Francisco, Fratelli Tutti, 233.
[11] Papa Francisco, Mensagem 58ª. AG CNBB.
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução

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