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Que tal mostrar seu talento musical para todo o Brasil? Isso pode se tornar uma realidade caso sua canção seja selecionada para embalar as atividades da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021. E aí, animou? Então é só dar uma olhada no edital abaixo e enviar sua composição. 
 
CONCURSO PARA ESCOLHA MÚSICA DA
CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA - CFE - 2021
 
O CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL lança concurso para escolher a música tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021.
 
Tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica: 
Fraternidade e diálogo: compromisso de amor.
 
Lema Bíblico: 
“Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”. (Ef 2.14a)
 
Objetivo geral: 
Através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo, convidar comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual.
 
1. O QUE ENVIAR?
 
Para concorrer, o/a participante precisa encaminhar proposta de letra e música considerando as seguintes orientações: 
 
a) A música-tema da CFE 2021 precisa considerar os aspectos litúrgicos e celebrativos que envolvem a CFE, em especial as perspectivas de fraternidade e diálogo;
b) Que esteja, preferencialmente, de acordo com o período litúrgico da CFE, período de quaresma;
c) É importante que o compositor ou compositora realcem bem o sentido da letra. É importante que antes de pensar na composição o autor ou a autora estude bem a letra da canção e observe os acentos tônicos (fortes) das palavras para que haja uma correspondência natural com os tempos fortes da melodia. Quando as sílabas não acentuadas (átonas) coincidiram com os tempos fortes de cada compasso, a palavra fica deformada (por exemplo: terrá, horá, vamós, etc);
d) Que a letra e a melodia sejam fluentes, simples, mas belas. A tessitura média das notas musicais preferencialmente seja acomodada entre “dó3" (dó central do piano ou órgão) e o do " dó 4" (uma oitava acima);
e) Que a música seja construída a partir da escala diatônica, evitando, assim, cromatismos exagerados (semitons sucessivos) e intervalos de difícil entoação;
f) Que busque a originalidade, fugindo da estética da música de mercado, e seus chavões e clichês por demais conhecidos e gastos;
g) Que a canção possa refletir e se inspirar na diversidade musical brasileira. 
 
2. DO FORMATO:
 
As músicas precisam ser escritas em pauta, com a dimensão dos acordes (cifras) para o acompanhamento instrumental. As melodias que não vierem anotadas na pauta automaticamente serão desclassificadas.
 
Estejam, exclusivamente, em formato MP3.
 
3.  DA INSCRIÇÃO:
 
 O título da mensagem de e-mail que encaminhará o material para o Concurso deverá ser preenchido com um pseudônimo.
 
 A composição e melodias deverão estar acompanhadas de:
 
a)  Nome e endereço do(s) autore(as), compositore(as)
b)  Declaração (vide Anexo 1) cedendo os direitos autorais em benefício do CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS - CONIC;
d)  Autorização para que a equipe técnica do CONIC possa realizar eventuais alterações / ajustes na peça; 
 
4.  DA AUTORIA:
 
Poderá ser individual ou em grupo.
 
5. DO PRAZO:
 
O prazo para o envio de propostas é 04 de abril de 2020.
 
6. DA SELEÇÃO:
 
A seleção será em reunião específica, na sede do CONIC, em Brasília-DF. A decisão da premiação será de exclusividade do CONIC/Comissão da CFE e é irrecorrível.
 
É vedado o acesso aos resultados de eventual “colocação” ou posição, sendo revelado apenas a música vencedora.
 
7. ENDEREÇO DE ENVIO:
 
Todo material deverá ser enviado para o endereço eletrônico Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., com cópia para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Materiais encaminhados apenas para um dos e-mails acima citados poderão, eventualmente, ficar de fora do Concurso.
 
8. REGRAS SOBRE A PREMIAÇÃO:
 
A premiação deste Concurso será sua reprodução nos materiais oficiais da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 e nas demais peças da Campanha, bem como os créditos de autoria do(s) compositores ou das compositoras. Não haverá premiação em dinheiro.
 
9. DOS CASOS OMISSOS E DO FORO:
 
Os casos omissos serão resolvidos pela Secretaria Geral do CONIC, amparado na legislação pertinente.
 
Elege-se o foro de Brasília, DF, para eventuais controvérsias decorrentes do presente Concurso, renunciando todos os participantes qualquer outro, por mais privilegiado que seja.
 

 
Notícia publicada pelo site de notícias Gospel+, em 7 de dezembro passado, afirma que uma decisão tomada pelo governo das Filipinas incluiu o Conselho Nacional de Igrejas das Filipinas (NCCP, sigla em inglês) na lista de “organizações de frente de grupos terroristas comunistas locais”.
 
Gospel+ se baseia em notícia publicada pelo site de notícias Evangelical Focus, que afirma que o NCCP foi informado da decisão pelo major-general Reuben Basiao, vice-chefe de gabinete de inteligência das Forças Armadas das Filipinas, em 5 de novembro. A matéria informa também que, em nota, o NCCP pediu ao governo filipino uma revisão da decisão, a qual a entidade disse ser incompatível com o trabalho do grupo. Segundo o Evangelical Focus, uma vez que o NCCP foi classificado como grupo terrorista, seus membros podem ser autuados, acusados de crime contra o Estado e outras violações, tendo suas liberdades ameaçadas até por discordâncias no âmbito político-administrativo.
 
Bereia checou a informação. De fato, no site do NCCP consta uma declaração sobre o caso, publicada em 6 de novembro, que confirma que o conselho de igrejas “foi uma das várias organizações humanitárias e de serviço da lista [de ‘organizações de frente de grupos terroristas comunistas locais (CTG)’] apresentada pelo Major-General Reuben Basiao, Vice-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas das Filipinas durante a reunião do comitê da Câmara, em 5 de novembro”.
 
Corrigindo a informação do Gospel+ de que a decisão do governo filipino “colocou em alerta um grupo de igrejas evangélicas do país, pertencente ao Conselho Nacional de Igrejas (NCCP)”, todas as igrejas-membro do NCCP (nove protestantes e uma católica não-romana), por meio de seus representantes, assinaram a declaração que 'rejeita a inclusão infundada e sem base de seu nome na lista de ‘organizações de frente de grupos terroristas comunistas locais (CTG)’ pelo Departamento de Defesa Nacional (DND)”.
 
O organismo ecumênico das Filipinas denuncia que a acusação é “uma afronta ao trabalho e ministério do NCCP, suas igrejas membros, membros associados e parceiros locais e internacionais” e também a classifica como “extremamente alarmante e perigosa”. O documento pede “respeitosamente ao governo que reveja e revise seriamente as acusações infundadas e se envolva na construção da paz, começando com o reatamento das negociações de paz com a Frente Democrática Nacional das Filipinas”. Veja aqui a declaração completa.
 
O NCCP recebeu documentos de apoio de igrejas e organismos ecumênicos de todo o mundo como o Conselho Mundial de Igrejas, e a Aliança Ação Conjunta das Igrejas/ACT Alliance (vinculada ao Conselho Mundial de Igrejas), a Conferência Cristã da Ásia, o Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos e várias outras igrejas nacionais da Europa, da Ásia, da Oceania e da América do Norte.
 
O bispo da Diocese Episcopal da Filipinas Central, Rex Reyes, ex-Secretário Geral do NCCP, emitiu uma declaração, apoiada pela Igreja Episcopal do país, chamando a ação do governo filipino de “irresponsável e maliciosa”. Na declaração, o bispo Rex Reyes afirma que o NCCP nunca se envolveu em atos ocultos e se opôs à lei marcial e à violação dos direitos humanos que têm vigorado no país. Ele disse: “Os esforços pioneiros do NCCP por paz e justiça neste país também são um livro aberto. Tenho orgulho de dizer que, entre os conselhos das igrejas em todo o mundo, o NCCP ainda é considerado uma formação ecumênica vibrante, duradoura, líder e reconhecida. Isso ocorre porque o NCCP vê sua vida e seu trabalho da perspectiva dos vulneráveis, oprimidos e marginalizados.”
 
O bispo Reyes destacou a corrupção na alta liderança do país e disse: “Não há nada errado quando os cristãos apontam que há tanta corrupção… O que está errado, se não totalmente subversivo, é quando uma mentalidade que mata, persegue e xinga suprime aqueles que defendem oposição e ativismo de princípios. Deve-se saber como a oposição e o ativismo de princípios tornaram este mundo mais pacífico e justo. … O que é certo é defender os direitos humanos, a justiça e a paz. Eu estou com o NCCP”.
 
Uma parte da matéria do site Evangelical Focus, que não foi utilizada pelo Gospel+, confirma a denúncia do Bispo Reyes. A matéria destaca que, em junho de 2019, o governo filipino rejeitou o pedido das Nações Unidas de uma investigação sobre violações dos direitos humanos no país, resultante das políticas do governo contra o tráfico de drogas, argumentando que era uma “interferência”. Segundo dados oficiais, 5.300 suspeitos foram mortos pela polícia desde 2016, quando Rodrigo Duterte assumiu a Presidência da República. Mas, segundo os defensores dos direitos humanos, o número seria três vezes maior.
 
Na declaração oficial de 6 de novembro, o NCCP afirmou: “nos últimos dias, testemunhamos ataques contra organizações da sociedade civil que são críticas às políticas e programas do governo. Houve ataques, prisões ilegais e difamação. Antes disso, é claro, houve até assassinatos de ativistas e defensores dos direitos humanos. (…) O NCCP considera essas medidas como tentativas desesperadas das autoridades de criminalizar a oposição e armar a lei contra o povo”.
 
O Conselho Nacional de Igrejas das Filipinas
 
O NCCP é uma organização ecumênica formada por nove igrejas protestantes e uma católica não-romana – A Igreja Católica Apostólica, a Convenção de Igrejas Batistas das Filipinas, a Igreja Episcopal nas Filipinas, a Igreja Evangélica Metodista nas Ilhas Filipinas, a Igreja Filipina Independente, a Igreja Unida Ecumênica, a Igreja Luterana nas Filipinas, o Exército da Salvação, a Igreja Unida de Cristo nas Filipinas, a Igreja Metodista Unida.
 
Fundado em 1963, o NCCP afirma suas bases na missão de Cristo, e no oferecimento às igrejas oportunidades de testemunho comum como resposta conjunta às necessidades e preocupações das pessoas. O NCCP declara-se comprometido com a unidade e a reconciliação e a promoção e proteção dos direitos humanos, por isso trabalha com igrejas e comunidades, independentemente de sua religião ou crenças, a fim de fornecer ajuda humanitária digna e outros serviços sociais para as pessoas, especialmente para irmãs e irmãos considerados minorias.
 
Em sua declaração contra a acusação de “terrorismo” pelo governo filipino, o NCCP teme que tal situação possa atrasar ou até impedir a prestação de serviços tão necessários às comunidades marginalizadas, especialmente em meio a desastres.
 
O caso no contexto filipino
 
Em seu compromisso com a informação coerente e responsável, Bereia acrescenta que o caso do NCCP se dá no contexto da grave situação que envolve o atual governo das Filipinas.  Desde a posse de Rodrigo Duterte, em 2016, o país enfrenta extenso número de execuções sumárias de suspeitos de crimes e repressão política a opositores. A situação vem sendo acompanhada internacionalmente pela ONU e por organizações de defesa de direitos humanos, incluindo várias instituições cristãs, que têm pressionado o governo a uma mudança de atitude.
 
Clique aqui e confira o conteúdo Bereia na íntegra.

 
Um ano após a tragédia em Brumadinho, a manhã deste sábado (25) começou com homenagens aos 272 mortos na ruptura da barragem situada em Minas Gerais. Cerca de 300 pessoas, entre moradores locais, familiares e autoridades mineiras, inauguraram o memorial das vítimas, que foi instalado próximo a barragem do Córrego do Feijão.
 
Em 25 de janeiro de 2019, a barragem da gigante mineradora Vale rompeu, próximo ao meio dia, provocando uma catástrofe por causa do impacto dos 12 milhões de metros cúbicos de lama repletos de resíduos de minérios.
 
Em meio às lágrimas, milhares de pessoas fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas às 12h28, horário exato em que ocorreu a ruptura, na entrada de Brumadinho. No local, foram exibidas várias fotos dos falecidos na tragédia e centenas de balões vermelhos e brancos foram soltos, simbolicamente subindo em direção ao céu.
 
Pouco antes, ao chegar à entrada da cidade, os que prestavam homenagens penduraram no local uma grande faixa na qual estava escrita: "365 dias de sofrimento e impunidade". As marcas da tragédia continuam muito visíveis nas imediações de Brumadinho. Nesse espaço, os bombeiros mantêm incessantes buscas pelos 11 desaparecidos durante o incidente.
 
Diante de um cenário repleto de casas abandonadas, que resultou em uma população desalojada, soma-se o drama dos pescadores e pequenos agricultores que foram obrigados a interromper as suas atividades por causa da contaminação das águas dos rios Paraopeba e Alto do São Francisco, vitais para as suas atividades e para a região.
 
"Ao pecador, o perdão, mas a quem cometeu o crime, a pena"
 
“A mineração é uma atividade necessária, em Minas Gerais ela é uma das principais fontes de emprego. No entanto, a mineração de alto risco é criminosa. As empresas mineradoras têm tecnologia para diminuir radicalmente os riscos ambientais e humanos, mas não aplica essa tecnologia porque ela é mais cara. A presença das igrejas ecumênicas em Minas Gerais (através do CONIC-MG) tem demandado do governo estadual a aprovação de leis de mineração que exigem das empresas mineradoras o investimento em segurança. Os mares de lama, que tivemos em Mariana (2015) e em Brumadinho (2019) não devem acontecer nunca mais”, declarou o pastor Nilton Giese, da comunidade luterana (IECLB) de Belo Horizonte.
 
“Nós sofremos como Igreja o impacto da ganância pelo lucro, pelo dinheiro”, disse dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB, acrescentando que a Igreja está “trabalhando do ponto de vista jurídico estrutural, organizacional, de conscientização, levando junto nossa presença amorosa e solidária e o nosso empenho por um novo tempo e por uma nova ordem”.
 
O arcebispo de Belo Horizonte também afirmou que Brumadinho “significa para nós lições a serem aprendidas, compromisso com o novo tempo. Fácil não é [...]. No entanto, esperamos do Ministério Público que se posiciona nesta direção: a condenação dos responsáveis. É preciso, ao pecador, o perdão, mas a quem cometeu o crime, a pena”.
 
Lembrar para não esquecer
 
Em Salvador (BA), a Igreja Batista Nazareth organizou uma celebração, em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), pela memória das vítimas e solidariedade aos familiares. “Cada ação ou omissão nossa permite que as coisas sejam feitas de um jeito ou de outro. Se você vê uma situação de injustiça e fica calado diante dela, está sendo conivente com aquilo. Será que Deus legitima a ganância e o desejo desenfreado de lucro de umas poucas pessoas? Ao contrário, nós conhecemos um Deus que se incomoda com a injustiça”, lembrou o pastor Joel Jeferino em sua mensagem aos participantes, convidando todos e todas a estarem atentos para aquilo que depõe contra a vontade de Deus “em nome do poder e da opressão”. 
 
 
Marcha
 
Mais de 350 atingidos e atingidas organizados com o MAB percorreram cerca de 300 quilômetros em caravana, com ato de largada iniciado no dia 20 de janeiro.  A caravana, que durou seis dias, começou pelo município de Pompéu, no interior do estado, e chegou até a região metropolitana de Belo Horizonte, passando por Juatuba, Citrolândia, São Joaquim de Bicas e Betim. No sábado (25), data em que a tragédia completou um ano, houve atos e atividades de homenagem às vítimas durante todo o dia no Córrego do Feijão (comunidade onde houve o rompimento) e no centro da cidade de Brumadinho.
 
Projeto de Lei 2788\19
 
No final do ano passado foi aprovado pela Câmara Federal o Projeto de Lei 2788\19, que institui a Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens – PNAB para garantir os direitos dos atingidos a reparação integral, indenização e auxilio emergencial no caso de desastres. O PL ainda precisa ser aprovado no Senado e regulamentado.
 
CONIC com Dom Total, CESE, IECLB, CNBB e Igreja Batista Nazareth (Salvador-BA)
Fotos: CNBB (1) e Igreja Batista Nazareth (2)

 
A Igreja na Nigéria faz um forte apelo contra a violência anticristã vivida no país africano. Em um vídeo enviado à Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, o sacerdote nigeriano Joseph Bature Fidelis, denuncia a perseguição vivida pelos cristãos nigerianos. “Nós, cristãos na Nigéria, somos realmente perseguidos. Todos os dias nossos irmãos são mortos nas ruas”, afirmou.
 
Padre Fidelis manifestou sua dor e preocupação pelos cristãos de seu país e pelos quatro seminaristas do Seminário Maior Bom Pastor, em Kaduna, sequestrados, no último dia 8, por pessoas ainda não identificadas. Os seminaristas são Pius Kanwai, 19, Peter Umenukor, 23, Stephen Amos, 23, e Michael Nnadi, 18.
 
Segundo a Polícia local, o ataque durou cerca de meia hora. Os bandidos invadiram a casa de formação e tiveram acesso ao dormitório que abriga 268 estudantes.
 
EXECUÇÃO NO NATAL
 
A onda de violência teve início em 26 de dezembro de 2019, com a divulgação de um vídeo com a execução brutal de dez cristãos, reivindicada pelo Estado Islâmico da Província da África Ocidental.
 
“Desde então a situação se deteriorou”, denunciou Joseph, fazendo um forte apelo: “Peço ao governo da Itália, país onde estudei, e a todos os governos europeus para que pressionem o nosso governo a fazer algo para nos defender”.  
 
O sequestro de membros da Igreja com o objetivo de extorsão se tornou uma triste realidade na Nigéria, mesmo após a Conferência Episcopal local ter proibido o pagamento de resgates pela libertação de padres, religiosos e seminaristas sequestrados.
 
HITÓRICO DE MORTES
 
A Nigéria e outros países africanos têm sido palco de perseguições contra cristãos e assassinatos de religiosos. Segundo a Agência Fides, após oito anos consecutivos em que o número mais elevado de missionários assassinados foi registrado na América, a partir de 2018 tem sido a África a ocupar o primeiro lugar nesta classificação.
 
As agências humanitárias informam que somente na Nigéria pelo menos 30 mil civis foram mortos e 30 milhões foram deslocados desde o início da ofensiva jihadista em 2009.
 
‘AGENTES DAS TREVAS’
 
Após os assassinatos dos cristãos no Natal, o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, exortou a população a não cair na armadilha de se deixar dividir entre muçulmanos e cristãos por “assassinos de massa, sem consciência, sem Deus, que maculam o nome do Islã com suas atrocidades”. “Esses agentes das trevas são inimigos de nossa comum humanidade e não pouparão nenhuma vítima, sejam muçulmanos ou cristãos”, acrescentou o mandatário.
 
Os cristãos lamentaram várias vezes a falta de ação do governo local para garantir a segurança e prevenir a violência contínua e massacres anticristãos.
 
Segundo adre Fidelis, são necessários o apoio e a ação dos governos europeus. “Caso contrário, corremos o risco de extermínio. O nosso povo sofre muito. Por favor, ajude-nos. Não fiquem calados diante deste imenso extermínio que está ocorrendo em silêncio”, afirmou o Sacerdote.
 
APELO DO PAPA
 
O papa Francisco manifestou sua dor pelos “episódios de violência contra pessoas inocentes, entre as quais muitos cristãos perseguidos e mortos pela sua fidelidade ao Evangelho”. Durante seu discurso ao Corpo Diplomático, no dia 9, o Pontífice exortou a comunidade internacional a apoiar os esforços que estes países estão a fazer na luta para derrotar o flagelo do terrorismo, que está a cobrir de sangue partes cada vez mais extensas da África, bem como outras regiões do mundo.
 
“É necessário que se implementem estratégias que incluam intervenções não só no campo da segurança, mas também na redução da pobreza, na melhoria do sistema de saúde, no desenvolvimento e na assistência humanitária, na promoção da boa governança e dos direitos civis. Tais são os pilares para um real desenvolvimento social”, ressaltou Francisco.
 
Com informações de Vatican News, Agencia Fides e SIR
Foto: Christian Association of Nigeria

 
Tocados por tantos testemunhos e renovados pelo Espírito, voltamos enriquecidos para nossas famílias, comunidades e demais espaços de vida e trabalhos, depois da rica experiência ecumênica e inter-religiosa de acolhida, partilha, celebração, festa, encontro e compromisso, vivenciada no 33º Curso de Verão, de 08 a 16 de janeiro de 2020: ESPIRITUALIDADES NA CIDADE: POR UMA DIMENSÃO LIBERTADORA.
 
O Curso foi organizado pelo Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular – CESEEP, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o Teatro da Universidade Católica (TUCA) e com o apoio e colaboração de outras pessoas, entidades, movimentos sociais, Igrejas, comunidades e famílias. Cada qual contribuiu, de forma generosa e gratuita, para a formação de lideranças pastorais e sociais num grande mutirão.
 
Neste ano, o curso reuniu 479 pessoas entre participantes (341), 06 assessores/as, 132 voluntários/as, dos quais 71 eram monitores/as e 61 integrantes das equipes de serviço. Eram pessoas de diferentes Igrejas cristãs, religiões e filosofias de vida que vieram de todas as regiões do Brasil, de outros países latino-americanos, da África e da Europa. Além delas, passaram pelo TUCA mais de 200 visitantes, que chegaram a cada dia para as atividades das manhãs.
 
Os momentos orantes e as palestras da parte da manhã no TUCA, assim como as celebrações de abertura e encerramento foram transmitidas ao vivo pela equipe de comunicação do Curso no canal do YouTube e tiveram mais de 16 mil visualizações. Houve ainda a divulgação de boletins diários e publicações (notícias, vídeos, fotos, áudios...) na página do Facebook, que alcançaram mais de 30 mil pessoas, bem como interações nos sites oficiais do CESEEP e do Curso, no Instagram, no Flickr, no Whatsapp e por E-mail.
 
Estiveram na abertura do evento e saudaram as/os participantes a Reitora da PUC, Professora Maria Amália Pie Abib Andery, o Pró-reitor de Cultura e Relações Comunitárias da PUC, Prof. Antônio Carlos Malheiros, membros da diretoria da CESEEP, a pastora luterana Haidi Jarschel, sua vice-presidente representando o Presidente, Pe. Benedito Ferraro, o prof. Wagner Lopes Sanchez, seu secretário, o Prof. Luiz Eduardo W. Wanderley, que por mais de vinte e cinco anos foi seu vice-presidente, além do Pe. José Oscar Beozzo, coordenador geral do CESEEP e de Cecília Bernardete Franco, coordenadora do Curso de Verão.
 
Interpelados pela dura realidade dos mais pobres e movidos por testemunhos proféticos e comoventes, acerca das espiritualidades na cidade, trazidos pelos assessores/as e por participantes nas tendas, assumimos compromissos em relação:
 
1. À REALIDADE ECONÔMICO-SOCIAL, ÀS MÍDIAS E À PARTICIPAÇÃO POPULAR
 
- Repensar a realidade em conjunto; escutar com sensibilidade e simpatia o clamor das pessoas em situação de exclusão nas periferias reais e existenciais; assumir suas causas, mesmo tendo dúvidas, e fortalecer a luta popular, no combate às desigualdades.
 
- Conhecer as raízes da crise brasileira e mundial a partir da leitura do modelo econômico vigente.
 
- Comprometer-se com a partilha dos bens materiais e com seu consumo consciente e sóbrio, em busca de maior igualdade e justiça social.
 
- Promover a reflexão acerca da consciência de classe, do consumismo, da propaganda comercial e ideológica, da influência da mídia e da importância da participação popular.
 
- Promover nas comunidades a prática da análise de conjuntura, a partir do enfoque da realidade sofrida das grandes maiorias e de um olhar atento às minorias e às suas demandas.
 
- Buscar a informação em mídias confiáveis; produzir e espalhar apenas conteúdos verdadeiros, com responsabilidade ética em relação à informação e educar-se para um exame crítico do que é veiculado nas redes sociais.
 
- Democratizar a comunicação e valorizar as mídias alternativas para uma leitura crítica no mundo da informação.
 
- Garantir espaços coletivos de escuta que gerem uma articulação comunitária em vista de projetos sociais voltados para pessoas mais vulneráveis.
 
- Estar atentos para a construção das alianças e parcerias nas próximas eleições.
 
- Manter o diálogo com todos e cultivar sementes do pensamento crítico.
 
2. À ESPIRITUALIDADE MILITANTE E ESPERANÇADORA
 
- Assumir o Pacto das Catacumbas pelo cuidado da Casa Comum na busca por uma convivência ecológica integral, com a natureza e os demais humanos.
 
- Trabalhar com as novas lideranças para se alcançar um olhar mais amplo da realidade social e do campo religioso e para acolher a rica diversidade de pertenças religiosas e de caminhos espirituais.
 
- Cultivar, numa atitude de respeito para com a diversidade, a escuta atenta da realidade e das pessoas, sabendo que tudo está interligado.
 
- Aproximar-se uns dos outros, dialogando mais com a sociedade e levar para as pessoas do nosso convívio a experiência de que é possível quebrar paradigmas frutos de preconceitos, discriminação e exclusão e manter viva a esperança.
 
- Desenvolver o diálogo ecumênico e inter-religioso e lutar pela causa do bem comum e do bem viver.
 
- Caminhar para uma mística libertadora, sustentável e perseverante, identificando as belezas que existem para além de nossas comunidades, construindo pontes e unindo linguagens.
 
- Organizar redes de assessoria para movimentos populares, no campo da espiritualidade e da militância.
 
- Através da noite escura da fé, manter a confiança no Amado, em solidariedade com todos que trilham esse caminho.
 
- Sair da nossa zona de conforto para abraçar a espiritualidade de Jesus: ecumênica, samaritana e Madalena.
 
Encerramos nossa jornada, dando graças pelo caminho percorrido, com os olhos já voltados para o 34º. Curso de Verão, de 07 a 15 de janeiro de 2021, com o tema, CUIDAR DA CASA COMUM: POR UMA CIDADE SUSTENTÁVEL.
 
São Paulo, 16 de janeiro de 2020

Começou neste sábado, 18 de janeiro, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) no hemisfério Norte. Por lá, o período tradicional para a SOUC é de 18 a 25 de janeiro, de modo a coincidir com o tempo das festas de São Pedro e São Paulo. No hemisfério Sul, as Igrejas celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes, que este ano será de 24 a 31 de maio.
 
A reflexão proposta para as igrejas de todo o mundo foi preparada por comunidades cristãs do de Malta, a partir do relato bíblico do naufrágio de Paulo (Atos 28).
 
Contexto
 
A história começa com Paulo sendo levado a Roma como prisioneiro (At 27:1). Paulo está preso, mas mesmo numa viagem que se torna perigosa, a missão de Deus continua através dele.
 
A narrativa é um clássico drama da humanidade. O relato informa que os passageiros do navio estão expostos às forças dos mares e das poderosas tempestades que se erguem ao seu redor. Essas forças os levam a um território desconhecido, onde estão perdidos e sem esperança. 
 
As 276 pessoas a bordo são divididas em grupos distintos. 
 
O centurião e seus soldados têm poder e autoridade, mas dependem da perícia e da experiência dos marinheiros. Embora todos estejam assustados e vulneráveis, os prisioneiros são os mais vulneráveis de todos. Suas vidas são consideradas dispensáveis, eles estão em risco de uma execução sumária (At 27:42). À medida em que a história se desenvolve, sob pressão e temendo por suas vidas, vemos desconfiança e suspeita ampliando as divisões entre os diferentes grupos.
 
Notavelmente, porém, Paulo se ergue como um centro de paz no tumulto. Ele sabe que sua vida não é governada por forças indiferentes ao seu destino, mas está segura nas mãos do Deus a quem ele pertence e serve (At 27,23). Por causa de sua fé, ele está confiante de que se erguerá diante do imperador em Roma. É a força da fé que encoraja Paulo a se erguer diante de seus companheiros de viagem e dar graças a Deus. Todos passam a ficar encorajados. Seguindo o exemplo de Paulo, eles partilham pão, unidos numa nova esperança e confiando em suas palavras.
 
Atualidade
 
“Hoje, muitas pessoas enfrentam terrores semelhantes, nesses mesmos mares. Os lugares mencionados no texto também fazem parte das histórias de migrantes de tempos modernos”, lê-se na reflexão, publicada em conjunto pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Santa Sé) e a Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial das Igrejas.
 
Oriente Médio
 
 
No último domingo, 19, cristãos sírios ortodoxos, bizantinos, católicos romanos, entre outros, se reuniram com lideranças de diversas igrejas cristãs, em Beirute, no Líbano, para a abertura da SOUC naquele país. A cerimônia foi presidida pelo SS Inácio Aphren II Karin, Sumo Pontífice da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), igreja-membro do CONIC, e por SB Mor Ignatius Youssef III, da Igreja Católica. A solenidade foi na Catedral Ortodoxa de Beirute.
 
Europa
 
 
No dia 18, sábado, jovens de diferentes igrejas cristãs fizeram uma Vigília Ecumênica na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, Portugal, e desafiaram as sociedades a “acolher com humanidade” quem “confia a vida” a outra pessoa e decide emigrar ou procurar refúgio.
 
CONIC com Agência Ecclesia / ISOA
Fotos: ISOA / Agência Ecclesia

 
O Fórum Social das Resistências inicia as atividades nesta terça-feira, 21 de janeiro, abordando temas como o racismo e o meio ambiente, além da tradicional marcha de abertura. Embora a caminhada que abre o Fórum Social das Resistências, um desdobramento do Fórum Social Mundial, esteja marcada para o final do dia, desde a tarde acontecem atividades do evento.
 
A primeira é o seminário dos povos de terreiro na defesa do Estado laico, contra o racismo religioso, contra o genocídio da juventude negra, o feminicídios e o desmonte das políticas públicas, marcado para às 13h, no plenário Ana Terra, da Câmara Municipal de Porto Alegre. Às 14h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa, acontece o debate sobre Direito Ambiental e Agroecologia: iniciativas parlamentares de resistências.
 
Na quarta-feira (22), a programação é mais extensa: ocorrerão dezenas de assembleias de convergência, que acontecerão em vários locais de Porto Alegre e outras cidades metropolitanas. O objetivo é elencar questões sobre determinados temas e encaminhá-las à Assembleia dos Povos (marcada para acontecer sexta-feira, 24).
 
Entre as assembleia de convergência, está a que vai abordar o assunto "Comunicação, as Mídias Livres e as Lutas por Democracia", às 10h, no auditório do Camp (Centro de Assessoria Multiprofissional); e a que vai tratar da "Resistência no Estado mínimo: Perda de direitos, possibilidades e economia solidária", às 16h, no auditório do Cpers Sindicato.
 
Imagem: Divulgação

A Aliança de Batistas do Brasil emitiu uma nota na última sexta-feira, 17 de janeiro, repudiando o discurso do ex-Secretário Especial de Cultura Roberto Alvim. "O discurso do agora ex-Secretário Especial de Cultura Roberto Alvim, contendo uma paráfrase do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels [foto abaixo], causou intensa reação na sociedade brasileira", inicia o texto. "O discurso goebelliano de Roberto Alvim foi não apenas intencional como representativo de um governo liderado por políticos que menosprezam as liberdades democráticas, a laicidade do estado e a pluralidade sociocultural", afirma a nota.
 
 
Leia a íntegra:
 
Nota Pública em Repúdio ao Discurso do ex-Secretário Especial de Cultura Roberto Alvim
 
Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja, possuída de arrogância humana, poderia colocar a Palavra e a obra do Senhor a serviço de quaisquer desejos, propósitos e planos escolhidos arbitrariamente.
 
— Declaração Teológica de Barmen, Igreja Confessante, 31/05/1934
 
O discurso do agora ex-Secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim, contendo uma paráfrase do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, causou intensa reação na sociedade brasileira, com diversos pronunciamentos de lideranças nacionais de partidos e dos poderes constituídos. Também as organizações judaicas, intelectuais, teólogos e artistas têm se manifestado pela surpresa causada por uma emulação tão aberta dos princípios e estética da propaganda cultural do Nazismo alemão.
 
A Aliança de Batistas do Brasil não pode se furtar de se posicionar neste momento, ao acompanhar o modo como o Governo Bolsonaro tem tratado especialmente as políticas públicas de Educação e Cultura, como parte de um projeto que expressa um viés autoritário e antagônico à pluralidade social e cultural que caracteriza o País, sem diálogo com a sociedade, submetendo-as ao controle autoritário do Estado, e enviesado pelo desprezo ao princípio republicano da laicidade. O permanente ataque a educadores renomados no país e no exterior, como a Paulo Freire, assim como a artistas, intelectuais e agentes culturais, censurando seus projetos, exposições e obras simplesmente por seu caráter crítico ou temático (como é o caso de filmes, peças de propaganda de autarquias e exposições com conteúdo LGBTI), são exemplos emblemáticos e denuncia que um projeto nazifascista está em curso.
 
Entendemos que a demissão do secretário Roberto Alvim ao longo do dia não se deveu por destoar do governo, de seus ministros e secretários, mas por ter a coragem de dizer com todas as letras e performar o vínculo ideológico com o nazifascismo, tendência que muitos da sociedade civil, incluindo lideranças no âmbito das igrejas e organizações cristãs, têm apontado como estruturante nas decisões e discursos da Presidência da República e de vários de seus ministros. O elogio à tortura e a torturadores, a defesa do período autoritário, o ataque e o desprezo pelo trabalho de jornalistas e órgãos da imprensa, assim como o apoio tácito e muitas vezes aberto à criminalização e assassinato de ativistas de direitos humanos e à lideranças ambientais e indígenas, demonstra que não há apreço pela democracia nesse governo, mas um projeto de poder que se estrutura pela negação dos valores constitucionais que permitiu que Jair Bolsonaro fosse alçado ao cargo máximo da nação. O discurso goebelliano de Roberto Alvim foi não apenas intencional como representativo de um governo liderado por políticos que menosprezam as liberdades democráticas, a laicidade do estado e a pluralidade sociocultural. Assim, não basta demitir Roberto Alvim, é preciso destituir essa ideologia nefasta que governa hoje o País.
 
Não nos passa despercebido também que no discurso de Roberto Alvim se faz uso de símbolos e se evoca uma retórica deslaicizante, já abundante e escandalosamente presente no discurso bolsonarista, de exaltar a prevalência da hegemonia cristã formada neste governo com o apoio de lideranças dos segmentos evangélicos e católicos, cuja presença no governo em diversos escalões escancara o projeto de poder e sede de influência de parcelas do evangelicalismo pentecostal e histórico, assim como de conservadores nas fileiras do catolicismo brasileiro.
 
Trazemos a memória da resistência evangélica de Dietrich Bonhoeffer, Martin Niemöller, Karl Barth e da Igreja Confessante na Alemanha Nazista para denunciar que a capitulação e mesmo o silêncio diante de tal afronta ao projeto do Evangelho de Jesus de Nazaré, para auferir privilégios e influência, no apoio a um extremismo ideológico de viés nacionalista e nazifascista que constrói inimigos e empenha-se em sua aniquilação, é demoníaco e constitui-se como parte de um projeto de hegemonia branca, colonial, racista e elitista fundados numa estrutura social que lutamos tão duramente para superar como sociedade brasileira. Rejeitamos a ideologia excludente propagada por esse governo e por seus apoiadores do campo evangélico e católico, seja os que compõem diretamente através de cargos no governo ou ainda em organizações da sociedade civil ou nas igrejas, de que a família, a nação ou a religião cristã tal qual defendida pelo bolsonarismo sejam a base para construir uma sociedade plural, laica, democrática e justa que todos os brasileiros e brasileiras almejamos e nos empenhamos para alcançar.
 
No espírito de oração, mas com firmeza, instamos a nossos irmãos e irmãs de todas as igrejas, confissões e denominações que resistam na esperança de que o Senhor abrirá um caminho no deserto (Is 43.19b), e que decidam firmemente a não permanecer em silêncio, denunciando a capitulação, pragmática ou ideológica, de lideranças religiosas ao projeto de poder do bolsonarismo, e através de nossa fé viva na ressurreição, fortaleçam o testemunho da Igreja que resiste, junto a todas as forças democráticas pela igualdade e vida plena, até que “corra a justiça e o direito como um rio” (Am 5.24).
 
Aliança de Batistas do Brasil, 17 de janeiro de 2020
 
*Esta nota foi elaborada pelo Observatório de Incidência Pública da Aliança de Batistas, uma iniciativa que visa dialogar com a realidade brasileira através de análises e posicionamentos que permitam a seus membros uma participação construtiva e transformadora nos diversos espaços em que a sociedade civil, em diálogo com o Poder Público, constrói políticas na direção de um estado democrático, justo e igualitário. É formado atualmente por Aletuza Leite, Flávio Conrado, Henrique Vieira, Odja Barros, Raimundo Barreto Jr. e Ronilso Pacheco.

 
Raoni Metuktire não quer guerra. Aos 89 anos, o cacique caiapó deseja apenas ser ouvido pelo presidente Jair Bolsonaro. Diante de mais de 600 lideranças reunidas ao longo de uma semana na aldeia Piaraçu, no Mato Grosso, Raoni reforça a mensagem que desejam enviar a Brasília: os indígenas querem paz e respeito ao modo de vida que escolheram.
 
"Índio tem que respeitar o branco, branco tem que respeitar o índio. Todos que vieram até aqui disseram que não querem a destruição, não querem garimpeiros, madeireiros nas nossas terras. Isso traz violência, nós não aceitamos isso", declarou à DW Brasil nesta quinta-feira (16/01), um dia antes do fim da reunião.
 
Idealizado pelo cacique há anos como um encontro de diferentes etnias, o evento às margens do rio Xingu, próximo à divisa com o Pará, ocorre num momento de tensão, em meio a intenções de grandes empreendimentos em territórios indígenas e arrendamento de suas terras manifestadas por Bolsonaro. Alguns projetos nesse sentido já circulam pelo Congresso.
 
Ao mesmo tempo, lideranças na Amazônia relatam o aumento das invasões a seus territórios, do garimpo ilegal e da violência. Durante as sessões de debates sobre mineração, desmatamento, queimadas e expansão da fronteira agrícola, participantes do encontro no Xingu reforçaram sua posição contrária a essas atividades dentro de seus territórios.
 
Muitos deles viajaram dias até a aldeia, localizada a 240 quilômetros de Peixoto de Azevedo, a maior cidade nas proximidades. É época de chuvas na Amazônia, quando fica mais difícil se deslocar pelas estradas de terra, que já estão numa situação e podem ficar intransitáveis.
 
Lucinha Tremembé, por exemplo, veio da aldeia Passagem Rasa, em Itarema, no Ceará. Formada em Serviço Social, ela faz parte do grupo de jovens responsável por escrever o documento que Raoni quer entregar a Bolsonaro.
 
Na lista de pedidos, indígenas fazem exigências de serviços de saúde, educação, políticas públicas voltadas às mulheres e jovens. No topo das preocupações está o principal motivo que os levou ao maior encontro de lideranças numa aldeia de que já se teve notícia: o direito à terra.
 
Terra e promessa de dinheiro
 
Em Brasília, um projeto de lei em fase de finalização dá carta branca a atividades econômicas em terras indígenas, como mineração, extração de petróleo e gás, construção de hidrelétricas, pecuária e cultivo de transgênicos. Embora o texto estipule a consulta aos indígenas, eles não teriam poder para barrar as decisões, e seriam compensados financeiramente pela exploração das terras.
 
Apesar da promessa de compensação, a proposta é ruim, avalia Raoni. "Todos os parentes disseram que nunca vão aceitar, que nunca irão receber esse dinheiro que querem pagar para explorar nossas terras. Se alguém oferecer dinheiro para destruir, para invadir, nós nunca aceitaremos, porque isso não é nossa tradição", disse à DW Brasil.
 
Ao afirmar que a compensação financeira pela exploração ajudará no combate à pobreza, Bolsonaro tem a intenção de confundir, opina Sonia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
 
"Bolsonaro diz que quer melhorar a qualidade de vida, que as pessoas tenham produção própria, mas, na verdade, o agronegócio com produção da soja não vai resolver esse problema", afirma. "A gente não quer nada disso porque já sabe as consequências do garimpo, das hidrelétricas, do agronegócio. É destruição", acrescenta a líder.
 
Sonia afirma também que é preciso pensar a economia indígena sob o ponto de vista dessas populações. "Queremos uma economia que garanta a soberania alimentar, com a diversidade de alimentos com a qual estamos acostumados", complementa.
 
Por outro lado, projetos do atual governo têm dividido comunidades. Valdete Kayabi, 32 anos, conta que na Terra Indígena Kayabi, espalhada por Mato Grosso e Pará, fazendeiros tentam seduzir lideranças com promessas de energia elétrica e estrada.
 
"Somos contra e viemos pedir ajuda a Raoni", diz Valdete. "Os mais velhos já brigaram muito por nosso território. Não podemos dar tudo de mão beijada para a terra ser ocupada por boi. Daqui a pouco, os fazendeiros vão proibir que a gente passe até pelo rio", argumenta.
 
Legislação e apoio
 
Megaron Txucarramae, de 79 anos, é um dos caciques que participam do encontro no Xingu. Ao lado de Raoni, ele atuou durante as consultas para a redação da Constituição Federal, em 1988, após décadas de Ditadura Militar.
 
"Tem uma lei do próprio homem branco que diz que não pode arrendar terra indígena, não ter madeireiro, garimpeiro. Será que Bolsonaro não vê essa lei e quer passar por cima dos outros?", questiona o cacique, se referindo ao artigo 231 da Constituição.
 
Márcio Santilli, que já foi presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), atuou como consultor dos indígenas naquela época. "Poucos falavam português, os indígenas estavam muito 'longe' do Brasil. Hoje é muito diferente. Além de muitos terem formação acadêmica, eles estão muito mobilizados", avalia.
 
Mais de trinta anos depois de terem seus direitos declarados na Constituição, indígenas buscam apoio político para manter as terras demarcadas. Durante o encontro na aldeia, Ângela Mendes, filha do seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988, propôs uma nova edição da chamada Aliança dos Povos da Floresta. Esta foi idealizada pelo próprio Chico Mendes nos anos 1980.
 
Poucos meses depois da morte de Mendes e da promulgação da Constituição, extrativistas e indígenas se encontraram pela primeira em Rio Branco, para defender os interesses comuns.
 
"Novamente, estamos todos sob ameaça grave de perder as terras. E muitas pessoas derramaram sangue em sua defesa, como meu próprio pai e muitas lideranças indígenas. Vamos resistir", afirmou.
 
Segundo o presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Júlio Barbosa, o grupo deseja trabalhar em conjunto para combater as propostas de Bolsonaro. "Estamos pensando num segundo grande encontro da Aliança, 31 anos depois, para resistirmos juntos", ressalta.
 
Efeito na prática
 
O documento elaborado durante o encontro convocado por Raoni e que será enviado a Brasília pode pautar a Justiça, avalia Renan Sotto Mayor, secretário geral de articulação institucional da Defensoria Pública da União.
 
"Com o documento, as instituições podem ter mais clareza sobre a maneira como agir. As exigências deles [dos indígenas], que estão muito mobilizados, devem pressionar as instituições públicas", avalia Sotto Mayor.
 
Kokokange Metuktire, de 19 anos, está se preparando para assumir a linha de frente nessa batalha. Estudante de Direito na Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), ela quer seguir os passos de Raoni.
 
"Ele é uma liderança muito forte porque luta por todos nós. É uma referência para todos, e os jovens devem seguir a luta dele", declara.
 
A escolha do curso superior foi estratégica. "Eu quero ter conhecimento das leis para defender os povos indígenas. Vejo que muitos estão preocupados com as ameaças do governo. A gente quer viver em paz, sem as ameaças da sociedade não indígena, com as nossas florestas, com os nossos rios, que mantêm a gente vivo e é a garantia da nossa sobrevivência."
 
DW Brasil
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