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Para conter retrocessos democráticos e assegurar a garantia de direitos, entidades dos movimentos sociais, ecumênicas e parlamentares realizaram uma reunião na Câmara dos Deputados em favor da criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Democracia e dos Direitos Humanos. O ato de lançamento da Frente, realizado há um mês (12 de fevereiro), contou com a representação do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
 
"Numa lógica de reforçar históricos processos de desinformação, o governo se vale do desconhecimento de grande parte da população para, muitas vezes, desvirtuar o debate sobre o que realmente significam os direitos humanos, conceituando-os como sinônimo de impunidade e injustiça", diz um trecho da Carta da Sociedade Civil ao Congresso Nacional, assinada por mais de 40 entidades.
 
O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), enfatizou que a formação da Frente é uma iniciativa importante que fortalece a mobilização dos setores mais atingidos pela política do governo.
 
"Nós entendemos que essa Frente, nesse momento histórico que estamos vivendo, talvez seja a iniciativa política mais importante que esta Casa pode adotar no início dessa legislatura. Ela é uma frente capaz de organizar os diversos setores que são hoje, o alvo prioritário das políticas retrógradas, reacionárias e conservadoras representadas por esse projeto de poder que chegou ao Palácio do Planalto", observou Paulo Pimenta.
 
O deputado Orlando Silva (SP), líder do PCdoB, destacou: "Defender a democracia e os direitos humanos é chave na conjuntura do Brasil hoje. Direitos humanos e sociais elementares, que deveriam ser garantidos pelo Estado, estão sob ameaça [...]. A visão política e ideológica do Executivo é restritiva aos direitos humanos", declarou o parlamentar.
 
O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Alexandre Conceição, destacou a pluralidade representada na formação do colegiado. Para ele, pluralidade étnica, racial, de classe, de gênero é que vai permitir a unidade nesse momento histórico que o Brasil está vivendo.
 
"É a pluralidade de pensamento que vai fazer com que a gente saia do atoleiro, da lama que estamos vivendo com esse governo miliciano, corrupto e de entrega total do patrimônio público. Portanto, combater esse governo será tarefa fundamental de uma frente que nasce com essa amplitude e magnitude", frisou.
 
A representante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, Vera Lúcia Araújo, disse que a frente será capaz que constituir um "bloco compacto capaz de resistir e responder à sociedade toda essa avalanche que vem se colocando contra os interesses nacionais, contra a vida do povo brasileiro".
 
Leia abaixo a carta lançada em defesa da criação da Frente:
 
Carta da Sociedade Civil ao Congresso Nacional
 
“– Quem estará ao seu lado no fronte de batalha?
– E isso importa?
– Mais do que a própria guerra.”
(Ernest Hemingway)
 
 
Diante das concretas ameaças de retrocesso nos pilares democráticos e na garantia dos direitos humanos em nosso país, as organizações da sociedade civil e os movimentos sociais abaixo assinados entendem que o momento político requer a imediata formação de uma Frente Parlamentar Mista em Defesa da Democracia e dos Direitos Humanos.
 
A formação de uma Frente com tal caráter, se entende, teria papel de resistência mas também de proposições para o fortalecimento e aprimoramento da nossa jovem democracia brasileira.
 
Nossa história,  marcada por conquistas e pela defesa incondicional dos direitos humanos, dentro e fora do Congresso Nacional, faz com que nos preocupemos sobremaneira com medidas recém-adotadas pelo novo governo, como limitações impostas aos movimentos que trabalham com o direito à terra e à moradia, restrições indevidas ao direito ao protesto e à livre manifestação e expressão e tentativas de criminalização de ativistas, além do discurso moralista e punitivista, que sinaliza para um endurecimento na legislação penal e a retirada de direitos fundamentais. Numa lógica de reforçar os históricos processos de desinformação, o governo se vale do desconhecimento de grande parte da população para, muitas vezes, desvirtuar o debate sobre o que realmente significam os direitos humanos, conceituando-o como sinônimo de impunidade e injustiça.
 
A edição da Medida Provisória nº 870, já no primeiro dia do novo governo, criou a possibilidade de monitoramento e controle das atividades das ONGs e Organismos Internacionais pela Secretaria do Governo, afrontando dispositivos constitucionais. A medida, que cria uma categoria jurídica até então inexistente em nosso ordenamento jurídico, pode ser instrumento para “acabar como todo ativismo”[1], como declarado pelo Presidente da República ainda durante a campanha eleitoral, criando mecanismos para a desarticulação e enfraquecimento das organizações da sociedade civil e movimentos sociais, os principais atores de significativas mudanças sociais nas últimas décadas.
 
O impacto de tal medida será sentido sobretudo por organizações e movimentos que atuam nos territórios, na defesa de direitos indígenas e quilombolas, e por aqueles que defendem a diversidade e as liberdades individuais.
 
No caso dos primeiros, a luta será enfraquecida pela decisão do governo de transferir a função da demarcação de terras para o Ministério da Agricultura, criando uma brecha significativa para que seus territórios, inclusive os que estão no sensível bioma da Amazônia, sejam disponibilizados à exploração predatória do agronegócio e de grandes mineradoras nacionais e estrangeiras.
 
Já o cenário de intolerância e discriminação foi potencializado  pelas reformas estruturais nos órgãos internos do Estado, como as mudanças realizadas no Ministério dos Direitos Humanos, a retirada do ar de material exclusivo sobre saúde de homens transgêneros, os discursos que ferem a dignidade de mulheres e populações originárias e negra e a retirada do Brasil do Pacto Global de Migração – todas medidas que corroboram para a afronta da humanidade de todas as pessoas que não ocupam majoritariamente os espaços de poder.
 
Via decreto e sem levar em conta o consenso científico nacional e internacional que associa o aumento da circulação de armas de fogo ao aumento da violência letal, o presidente da República também  alterou as regras que regulamentam a posse de armas no país. O instrumento do decreto utilizado é preocupante,  considerando a profunda modificação causada em matéria amplamente discutida no Congresso, locus adequado para as discussões das propostas de reforma sobre o tema – que já estão sendo debatidas há anos com a sociedade. Há anos o Brasil tem consolidada uma política nacional de controle de armas de fogo e munições, que teve o efeito inequívoco de frear a escalada da taxa de homicídios no país. Agora, sob o argumento falacioso do “direito de defesa”, o governo atribui implicitamente ao cidadão comum uma responsabilidade que é do Estado. Age ainda de forma irresponsável em relação à integridade física e ao direito à vida de grupos já vulneráveis, como as mulheres em situação de violência doméstica.
 
Tais preocupações aumentam à luz das perspectivas de criminalização de movimentos sociais colocadas  em diversos projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional. Após um período eleitoral marcado por discursos de criminalização de movimentos tradicionais como o MST e o MTST, comparados a grupos terroristas, é fundamental lembrar: a perseguição por via da criminalização é estratégia conhecida de governos autoritários para enfraquecer oposições,  resistências e, por conseguinte, a própria experiência democrática.
 
Juntos, afirmamos que uma sociedade civil plural, ativa e diversa é um dos indicadores de uma democracia vibrante, que sabe lidar com o dissenso, com a disputa de ideias e a luta por ampliação de direitos. Com a certeza de que a democracia é o regime político que queremos garantir, aperfeiçoar e fortalecer, conclamamos os parlamentares da nova legislatura e se somarem na criação de uma Frente Parlamentar Mista em Defesa da Democracia e dos Direitos Humanos.
 
Assinam:
 
ABGLT
Ação Educativa
Aliança Nacional LGBTI
Artigo 19
ABRA – Associação Brasileira Pela Reforma Agrária
Abong
ABJD – Associação Brasileira de Juristas pela Democracia
Associação dos Advogados Públicos pela Democracia
BH em Ciclo – Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte
Cimi – Conselho Indigenista Missionário
COESUS Coalizão Não Fracking Brasil
CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
Ciclovida – Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza
Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo
Conectas Direitos Humanos
Coletivo Conviva Diferente
Desvelocidades.red
EDUCAFRO – Educação e cidadania de afrodescendentes e carentes
Fundação Avina
Geledés – Instituto da Mulher Negra.
IBCCrim – Instituto Brasileiro de Ciências Criminais
IDDD – Instituto de Defesa do Direito de Defesa
IMDH – instituto de Migração e Direitos Humanos.
INESC – Instituto de Estudos Socioeconômico
Instituto Ethos
INSTITUTO INTERNACIONAL ARAYARA
ITTC – Instituto Terra Trabalho e Cidadania
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
ISA – Instituto Socioambiental
Instituto Sou da Paz
Justiça Global
MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens
Missão Paz São Paulo
Movimento pela soberania popular na mineração.
Movimento Nossa BH
MST – Movimento Sem Terra
Pastoral Popular Luterana
PROLEG – Promotoras Legais de Santo André
Rede de Feministas Juristas DeFemDe
Rede GTA
RJC – Rede Justiça Criminal
SJMR – Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados
SMDH – Sociedade Maranhense de Direitos Humanos
Terra de Direitos
UNEAFRO – Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular
#MeRepresenta
350.org
350.org Brasil
 
Adesões posteriores:
 
Articulação para o Monitoramento de DHs
Associação Brasileira de Economistas pela Democracia – ABED
Cáritas Brasileira
CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil
FLD – Fundação Luterana de Diaconia
FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
Fórum Permanente de Igualdade Racial – FOPIR
Fundo Luterano de Diaconia
Frente de Mulheres Negras do DF e entorno
Grupo Candango de Criminologia GcCrim-Unb
IDS – Instituto Democracia e Sustentabilidade
MNDH  – Movimento Nacional dos Direitos Humanos
Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político
Visão Mundial
 
CONIC com agências
 
 

 
Investindo em fabricantes de armas para mudar suas práticas: esta é a aposta de muitas Igrejas estadunidenses após o massacre de Parkland, cuja comemoração do primeiro aniversário será nesta quinta-feira, 14 de fevereiro.
 
A reportagem é de Alexis Buisson, publicada por La Croix, 12-02-2019. A tradução é de André Langer.
 
A irmã Judy Byron não estudou finanças, mas ela sabe de cor as engrenagens do mercado de ações. Esta freira católica é a figura de proa de um movimento que está se desenvolvendo dentro das Igrejas americanas: o ativismo dos acionistas. Morando em Seattle, ela lidera a Coalizão Noroeste para o Investimento Responsável (NWCRI, sigla pelas suas iniciais em inglês), uma aliança que reúne uma dúzia de grupos cristãos em torno de um objetivo: entrar no capital de empresas para levá-las a agir sobre os males da sociedade, como as injustiças sociais e a degradação ambiental. “Nós nos damos conta de que poderíamos fazer muito mais estando presente na mesa das empresas”, disse Judy Byron.
 
Um ano após o massacre na Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland, Flórida, onde 17 pessoas morreram, esses investidores cristãos estão se concentrando na luta contra a violência ligada às armas. No final de dezembro, uma diocese da Igreja Episcopal de Massachusetts votou pela aquisição de ações da American Outdoor Brands, uma revendedora de armas que possui uma subsidiária na diocese.
 
Ela pretende comprar 200 ações, o que lhe dá o direito de fazer uma pergunta à administração na próxima assembleia geral. “Há um sentimento de frustração porque o governo não está fazendo nada quando 97 pessoas morrem todos os dias por causa de armas de fogo”, disse o bispo Douglas Fisher, líder da diocese. “Os fabricantes de armas precisam tomar como exemplo o que as montadoras fizeram para proteger seus produtos”.
 
Uma nova perspectiva
 
Outras dioceses devem seguir o exemplo: as autoridades nacionais da Igreja Episcopal decidiram, em sua convenção em julho de 2018, fazer da luta contra a violência armada uma prioridade de sua política de investimento. A Igreja dispõe de mais de US$ 400 milhões em ativos.
 
Essa perspectiva é nova nas Igrejas americanas. Até agora, os grupos religiosos engajados em ações corporativas privilegiavam estratégias de desinvestimento. A tradição remonta a 1971, quando a Igreja Episcopal dos Estados Unidos pediu à General Motors, da qual era acionista, a suspensão das suas atividades na África do Sul como forma de protesto contra o apartheid.
 
Nesse mesmo ano, nasceu o Centro Interconfessional de Responsabilidade Corporativa (ICCR, sigla pelas iniciais em inglês), um grupo de investidores religiosos que procura incentivar empresas a se envolverem em causas sociais. Os membros desse grupo, que inclui católicos, presbiterianos, ou ainda menonitas, investiram em vários setores, desde o tabaco até as grandes redes de supermercados, para influenciar várias questões, como a proteção do meio ambiente, o acesso a medicamentos e o respeito aos direitos humanos.
 
Assentar as bases para um diálogo construtivo
 
“Isso pode ser visto como uma compra de acesso”, admite o bispo Ian Douglas, presidente do grupo pró-controle de armas dos Bispos Unidos Contra a Violência de Armas e membro da Igreja Episcopal Americana. Ele vê nisso uma oportunidade para “assentar as bases para um diálogo construtivo”. “Para garantir que armas mais seguras sejam fabricadas, é preciso fazer parte da discussão”.
 
Os defensores dessa estratégia ganharam fôlego com algumas vitórias. Em maio de 2018, uma resolução apresentada pelos membros do ICCR, solicitando que a companhia fabricante de armas Sturm Ruger publicasse um relatório sobre suas ações para tornar seus produtos mais seguros, foi adotada por 69% dos acionistas, entre os quais está o principal investidor, a BlackRock, uma empresa líder em gerenciamento de ativos. “Eu vejo um crescente número de jovens se envolvendo nessa luta”, diz a irmã Judy Byron, “o que é animador em um momento em que as comunidades religiosas estão em declínio”.
 
Fonte: IHU Unisinos
Foto: Pixabay

 
A realidade e a atualidade dos direitos humanos no Brasil foi tema de reunião no Palácio das Nações Unidas, em Genebra. O evento aconteceu no Palácio das Nações Unidas e contou com participação de pelo menos 50 representantes de organizações brasileiras e internacionais.
 
A atividade foi organizada a partir de uma mesa de debates coordenada pela Conectas Direitos Humanas com participação: da Articulação para o Monitoramento dos DH no Brasil, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, Associação dos Indígenas Tupinambás/ BA; Terra de Direitos; ABGLT, Artigo 19.
 
A agenda tratou de vários temas sobre a realidade e a atualidade dos direitos humanos no Brasil, com especial atenção para ações que vêm sendo realizadas pelo atual governo, tais como: a MP 870, que ataca frontalmente o direito e a liberdade de organização e associação, tema este visto como uma grande ameaça no país neste momento.
 
Junto com este tema também está posto o processo de paralisação e extinção de espaços de participação social que são fundamentais para a consecução de políticas e o monitoramento destas políticas, como é o caso, por exemplo da extinção do CONSEA.
 
Temas como o avanço da violência contra os defensores/as de DH, contra as mulheres, contra a população LGBT, contra os povos e comunidades tradicionais e indígenas, o avanço das milícias nas periferias e também no campo.
 
A representante da comunidade indígena Tupinambá da Serra do Padeiro/Ba, fez um relato muito forte sobre a situação de ameaça que vive toda sua comunidade e as lideranças do seu povo.
 
Além de outros temas tratados pelos parceiros brasileiros a Articulação chamou a atenção para a proposta de Reforma da Previdência apresentada ao congresso pelo governo Bolsonaro, manifestando que os pontos centrais e críticos da proposta vão na linha da destruição da proposta de seguridade social prevista pela Constituição Federal de 1988. Para a Articulação, “a proposta de reforma do governo inaugura uma nova forma de previdência que não é de seguridade, mas de seguro social, numa perspectiva de capitalização e não de direitos. Esta proposta ataca profundamente os mais pobres pois se soma à reforma trabalhista já aprovada que flexibiliza e precariza de modo profundo as relações de trabalho”.
 
A agenda foi muito positiva porque marca o primeiro evento internacional no âmbito da ONU, onde a sociedade civil brasileira pode levar informações de forma conjunta e ampla sobre como está vendo a atuação em matéria de direitos humanos do atual governo.
 
A proposta é que possamos intensificar este tipo de eventos, ao menos semestralmente entre parceiros brasileiros, para que possamos também manter a comunidade internacional informada sobre o andamento da agenda de direitos humanos no Brasil, dando visibilidade sobretudo aos retrocessos em matéria de políticas, de legislação e de situações de violações pelas quais as povos, comunidades, grupos e defensores/as de direitos humanos sofrem cotidianamente.
 
A Reunião com as Igrejas aconteceu no Centro Ecumênico em Genebra, contou com a presença da Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil, a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, o Conselho Indigenista Missionário e com a Associação Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro/BA.
 
 
A comitiva foi recebido pelo Odair Pedroso Mateus, representante do Conselho Mundial de Igrejas — CMI, que acolheu as demandas levadas pela comitiva e assumiu o compromisso de levar as questões aos membros do Conselho Mundial de Igrejas, da Federação Luterana Internacional e a Aliance ACT.
 
A pauta central de temas que foram apresentados foram:
 
1. Pauta indígena no Brasil: realidade dos povos indígenas, num cenário de permanente violência e violações e do processo de desmonte de estruturas e políticas voltadas aos indígenas no país, e o papel das igrejas frente a esta situação. Sugeriu-se a possibilidade de que seria muito positivo no atual cenário ter algum tipo de ação direta das Igrejas junto ao governo Brasileiro para tratar da questão indígena.
 
Também sugeriu-se que as Igrejas em nível internacional façam algum tipo de ação junto as Igrejas no Brasil, no sentido da sensibilização e chamamento para envolvimento com a questão indígena de forma mais contundente.
 
2. Agenda construção da cultura de paz  —  com destaque para o papel das Igrejas neste tema.
 
- Foi pautada a questão do Decreto 9.685/19, de 15 de janeiro de 2019, que flexibiliza e facilita o porte de armas no Brasil.
 
Aliado a debate sobre a questão do armamento no país, destacou-se o desafio da construção da paz, num cenário de forte avanço dos crimes por conta do ódio e da intolerância no Brasil; do avanço da violência contra as mulheres (feminicídio); da violência contra população LGBT; da violência por parte das milícias (tanto no cenário urbano — atingindo sobretudo as periferias, a população jovem e negra, os defensores/as de DH e, também no cenário rural — atingindo fortemente os povos indígenas, as comunidades tradicionais e defensores/as de direitos humanos).
 
3. Por fim, tratamos do avanço da extrema direita cristã no Brasil  —  que manifesta-se em várias frentes:
 
- Na sociedade a agenda conservadora, de retrocessos no que se refere aos costumes está em alta, com sérias consequências as liberdades de expressão e opção — tendo a questão religiosa inclusive como uma questão central — muito fortemente marcado pela violência e perseguição aos povos e comunidades tradicionais e suas manifestações culturais e religiosas; violência de gênero; família tradicional etc.
 
- Foi enfatizado que esta agenda conservadora fortemente presente na sociedade ajudou a colocar o governo Bolsonaro no poder e encontra respaldo no atual governo para atacar as liberdades. Neste contexto urge ainda mais a necessidade de fazer o debate sobre a Laicidade do Estado no Brasil, um tema complexo mas que exige ser tratado de forma concreta e direta no diálogo entre as igrejas.
 
Frisamos de que há o entendimento de que tais temas difíceis e complexos de serem tratados, mas não se pode debruçar-se sobre o argumento de que a sociedade brasileira está polarizada, como motivação para não se posicionar… Neste sentido, entendemos inclusive, que justamente pelo fato das Igrejas terem autonomia no campo político partidário e também pelo seu compromisso teológico, é que elas devem se posicionai de forma mais efetiva. Há um silenciamento bastante forte, inclusive das Igrejas tradicionais cristãs no Brasil com relação a temas de direitos e interesses sociais no país.
 
A agenda foi muito importante para manter e fortalecer o diálogo com as igrejas em nível internacional e ficou a proposta de que temos que criar as condições para manter uma relação mais permanente e estratégica no campo internacional entre parceiros brasileiros e Igrejas.
 
AGENDAS DE INTERLOCUÇÃO COM PARCEIROS INTERNACIONAIS.
 
Na tarde do dia 13, a Comitiva das Organizações das Organizações da sociedade civil Brasileira, realizaram pelo menos dois momentos de interlocução política com parceiros internacionais.
 
Num primeiro momento reunimo-nos com representantes do Comitê Mundial Contra a Tortura e também com representante dos Franciscans International. A agenda deu-se centralmente acerca do desafio de construirmos um diálogo mais fluído e conectado entre as organizações e defensores/as de direitos humanos na América Latina. Temas como meio ambiente, migrações, dignidade humana, combate a tortura são temas comuns e que dialogam com agendas comuns entre outras.
 
Há o entendimento de que é preciso fazer um esforço no sentido de construir alguns espaços e referências acerca de temas estratégicos para fortalecer os laços de parceria e solidariedade entre as organizações no continente, no sentido de fazer o enfrentamento das violações de direitos humanos num perspectiva mais macro e regional.
 
Ficou como compromisso deste momento levar adiante os processos de diálogo com estes parceiros e incluir também outros parceiros que não puderam participar deste momento.
 
Relato de Enéias da Rosa, secretário executivo da Articulação para o Monitoramento dos DHs no Brasil
Fonte: Comunicação PAD
Fotos: Reprodução
 

 
Se estivesse viva, Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras e mais importantes escritoras brasileiras, completaria 105 anos nesta quinta-feira, 14 de março. Seu livro de estreia, Quarto de Despejo, quando lançado em 1960, vendeu 10 mil cópias em uma semana. Moradora da favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, por boa parte de sua vida, Carolina teve fama, foi traduzida em mais de duas dezenas de línguas, chegou a Europa, Ásia e América Latina, mas morreu em relativo esquecimento em 1977. Ainda hoje, a vida dela inspira escritores, jornalistas e até ilustradores à altura de grandes prêmios.
 
A história mais conhecida sobre a escritora é de que no final da década de 1950, o jornalista Audálio Dantas topou com ela na favela do Canindé e ficou sabendo que aquela mulher negra, que trabalhava na maior parte do tempo como catadora de papel, e que criava sozinha três filhos pequenos, era autora de dezenas de cadernos. Entre eles, um diário extensíssimo, que, editado por Dantas, virou o livro Quarto de Despejo, o primeiro documento que mostrou em primeira pessoa a desagradável realidade de ser mulher, negra e pobre neste país, e, ao mesmo tempo, com quanta dignidade era possível suportar tanta discriminação.
 
O cotidiano da vida no Canindé – o verdadeiro quarto de despejo do título do livro – narrado por Carolina de Jesus é esquálido, violento, permeado por doenças, alcoolismo e fome, a fome que, logo de início, é definida como a escravidão dos tempos modernos. Mas também é cheio de suas reflexões sobre o Brasil e a vida da mulher negra. O relato literário recebeu críticas e comentários de escritores e intelectuais como Sérgio Milliet, Rachel de Queiroz e Manuel Bandeira. No exterior, Carolina foi recebida com entusiasmo por Pablo Neruda e Octavio Paz
 
No ano passado, o jornalista Tom Farias lançou o livro Carolina: uma biografia, editado pela Malê, com o objetivo de humanizar a figura de Carolina de Jesus, tentando desvinculá-la do mito. Para ele, a escritora, ao contrário do que se pensa, não nasceu intelectualmente em 1960, com a publicação de seu livro. A biografia revela textos e matérias de jornais em que Carolina de Jesus já aparecia em 1940. “Ela fazia uma ronda pelas redações e rádios, apresentava-se como 'Carolina Maria, a poetisa negra', e ia oferecendo seus textos para publicação. Muitas vezes, era olhada de forma enviesada, tratada com desdém, mas teve alguns sucessos", conta.
 
Quadrinhos
 
 
Também em 2018, a vida da autora virou uma biografia em quadrinhos produzida por João Pinheiro e Sirlene Barbosa e publicado pela editora Veneta. O livro, que narra a infância pobre de Carolina de Jesus em Minas Gerais, sua vida sofrida em São Paulo, a fama, as ilusões, as decepções e o esquecimento, venceu o prêmio especial do Festival de Quadrinhos de Angoulême, o mais importante do mundo do gênero, uma espécie de Cannes do HQ.
 
Para o ilustrador e roteirista João Pinheiro, a palavra que define bem a obra é superação. “A história dela é muito triste, muito pesada muito para baixo. Mas ao mesmo tempo ela tem muita força. Então, apesar de ter essa miséria, fome, a situação degradante que ela vivia, por outro lado ela tem muita força e persistência. E supera tudo, mesmo diante daquelas dificuldades, ela consegue seguir em frente, levantar todos os dias e não desistir. Isso é o principal”, disse.
 
Fonte: El País
Imagens: Reprodução / El País

 
Quase 500 pessoas - muitas descendentes de iranianos - lotaram a Catedral de Wakefield, no norte da Inglaterra, para um “Culto de Celebração Persa” organizado para marcar o lançamento de uma tradução oficialmente autorizada do Culto da Santa Comunhão. A atividade foi no dia 2 de março.
 
O bispo de Loughborough, Guli Francis-Dehqani, ministrou o culto. Guli chegou ao Reino Unido em 1980, aos 14 anos de idade, após o assassinato de seu irmão Bahram e da tentativa de assassinato de seu pai, Hassan Dehqani-Tafti - bispo do Irã à época.
 
A congregação relembrou não apenas a morte de Bahram, mas também de outro mártir anglicano, Arastoo Sayyah, e orou pelos cristãos que vivem hoje no Irã.
 
A nova tradução reconhece “a presença de iranianos nas igrejas como um presente e demonstra o compromisso de recebê-los na vida da Igreja da Inglaterra”, disse a Igreja em um comunicado. Não se trata de uma nova liturgia, mas sim de uma tradução da Ordem I atual da Santa Comunhão do Culto Comum. A tradução foi concebida para ser usada junto com a liturgia em língua inglesa, permitindo que as pessoas sigam e participem dos cultos.
 
“Foi incrível ver (e ouvir falar sobre) o rápido e abrangente crescimento do número de cristãos falantes de Farsi em toda a nação”, disse o bispo de Durham, Paul Butler, em um sermão, acrescentando que parecia haver uma obra significativa de Deus entre os falantes de Farsi no Reino Unido.
 
Foto: Pixabay
 

 
ÉDITO PATRIARCAL PARA A QUARESMA DE 2019
 
EM NOME DO PODEROSO, AUTO EXISTENTE,
SEMPIETERNO DE NECESSÁRIA EXISTENCIA,
IGNATIUS, PATRIARCA DA SANTA CÁTEDRA DE ANTIOQUIA 
E DE TODO O ORIENTE,
SUMO PONTÍFICE DA IGREJA UNIVERSAL SIRIAN ORTODOXA, 
AFREM II.
 
Estendemos nossas bênçãos apostólicas, orações benevolentes e saudações aos nossos irmãos, Sua Beatitude Mor Baselios Thomas I, Católico (Maferiono) da Índia e Suas Eminências os Metropolitas; nossos filhos espirituais os reverendíssimos cura epíscopos, padres, monges, freiras, diáconos e diaconisas, e a todo o povo Sirian Ortodoxo em todo o mundo. A Divina Providencia vos envolva através da intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus, São Pedro o chefe dos apóstolos e todos os santos e mártires, amém.
 
“Quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu.”
(Mateus 5: 19)
 
I – Introdução – A Igreja, o Novo Povo de Deus.
 
Amados em Cristo, abrigada na misericórdia do Deus Todo Poderoso, medita sobre o Sermão da Montanha, aguardando o Noivo que virá com a aliança eterna afim de noivá-la para si. Ela lembra Moisés quando descia do Monte Sinai carregando em suas mãos a Lei escrita em dois tabletes de pedra e chamando o povo hebreu para ser o povo escolhido de Deus. O povo “cabeça-dura” (Êxodo 32: 9) não esperou Moisés retornar, ao invés, começaram a cantar e dançar diante do bezerro que fizeram para eles mesmos um deus. A Igreja, por outro lado, veio a ser o novo povo de Deus adorando o Senhor Crucificado para que Ele a torne digna da Sua Graça em ser a Sua Noiva, “Uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou qualquer outro defeito, mas santa e imaculada” (Efésios 5: 27). Ali, no Monte das Beatitudes, a Igreja recebe do seu Noivo os ensinamentos divinos de forma completa, pois, Ele não veio para destruir, mas para cumprir (cf. Mateus 5: 17). Lá também, o Senhor ordena-lhe dizendo: “portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu” (Mateus 5: 19). Assim Ele a convoca para a missão celestial em duas dimensões: ensinar e servir.
 
II - À Igreja são confiados os Ensinamentos Autênticos
 
À Igreja, o corpo de Cristo e templo do Espírito Santo é confiada a preservação da fé e sua transmissão através das gerações, pois, lá na montanha, os onze discípulos adoraram o Senhor ressuscitado e foram instruídos: “vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; e, ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo” (Mateus 28: 18 – 20).
 
Depois do envio do Consolador – o Espírito da Unidade pelo Filho (cf. João 15: 26), os discípulos seguiram adiante levando o Evangelho, as boas novas, para os confins da terra, como diz o salmo: “a toda a terra chegou o seu eco, aos confins do mundo a sua linguagem” (Salmo 19: 5). A Santa Igreja confirma isto no hino litúrgico entoado antes da leitura dos Atos dos Apóstolos na Santa Eucaristia: Xlihe gbayo dextadar men Aloho l´holmo kule... traduzindo, “os apóstolos escolhidos que Deus manda para todo o mundo, foram adiante pregando as boas novas do Filho entre as nações até os confins do mundo; pregaram o Reino do Céu dizendo, abençoados são os crentes”.
 
Realmente o ensino autêntico é recebido exclusivamente da Santa Igreja. Isto é o que São Paulo deixa bastante claro: “maldito aquele que anuncia a vocês um evangelho diferente daquele que anunciamos, ainda que sejamos nós mesmos ou algum anjo do céu” (Gálatas 1: 8). Além disso, desde que Cristo assegurou aos seus discípulos que não só estaria com eles, mas, também, com todos aqueles que creram no Seu Nome por causa deles até o fim dos tempos (cf. Mateus 28: 20); e, como é necessário garantir a continuidade do ministério apostólico na Igreja preservando a fé, os apóstolos tinham de escolher bispos para sucede-los e tomar conta da Igreja de Deus (cf. I Timóteo 3: 5) e, escolher entre os anciãos padres e diáconos para assisti-los.
 
III – O Bispo – o mestre da Igreja
 
“Onde o bispo estiver, lá estará a Igreja, assim como onde Cristo estiver lá estará a Igreja universal”. Com esta afirmação na sua carta ao povo de Esmirna (capítulo 8), Santo Inácio (Ignatius) de Antioquia, o segundo sucessor de São Pedro e terceiro patriarca de Antioquia define a estrutura das relações entre o bispo e sua congregação. Ele instrui o rebanho a reunir-se em torno do bispo juntamente com seus padres e diáconos. Santo Inácio enfatiza a responsabilidade confiada ao bispo garantindo que “nenhum homem fará qualquer coisa vinculada à Igreja sem o bispo” (ibid.)
 
São Paulo o apóstolo, diz o seguinte sobre o bispo: “o bispo deve ser irrepreensível, como ministro de Deus, não arrogante... fiel à fé verdadeira, conforme o ensinamento transmitido, que seja capaz de aconselhar segundo a sã doutrina e também de refutar quando a contradizem” (Tito 1: 7 – 9). De fato, São Paulo sabe muito bem que o ensinamento e pregação do bispo não pode ser eficiente se ele mesmo não for firme na palavra da verdade e experiente na sua própria vida. Como um mestre da Igreja, o bispo deve conhecer Cristo e experiênciado o poder da Sua ressurreição e ainda, seu companheiro nos Seus sofrimentos; ele deve pregar isto convocando seus paroquianos a aprender do Bom Mestre (cf. Filipenses 3: 10). Em verdade o bispo e o padre não podem ser mestres nem modelo para os fiéis exceto através de boas ações e sendo um bom exemplo, pois, “o homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração” (Lucas 6: 45).
 
IV – Ensino e Trabalho (préstimos)
 
Nosso Senhor Jesus Cristo chama a Igreja, todos, clero e laicato, a ensinar e servir, expressando seu amor ao Senhor e revelando sua fé nEle que opera através do amor (cf. Gálatas 5: 6). De fato, a Igreja aprende do seu Mestre e O segue, pois, Ele é o Mestre Divino Bom que “percorreu todas as cidades e vilarejos ensinando nas suas sinagogas, pregando a Boa Nova do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo” (Mateus 9: 35). Apesar de todas as tribulações, perseguições e rejeições. Ele tinha uma resposta clara: “Meu Pai continua trabalhando até agora e Eu também trabalho” (João 5: 17). Assim a Igreja é chamada a viver o Reino do Céu na Terra, onde cada fiel é chamado a ser um discípulo do Senhor, e, um mestre e guardião dos Seus mandamentos, porque “quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu” (Mateus 5: 19). Todos os préstimos ou trabalhos da nossa Igreja devem conduzir ao crescimento da Igreja e a realização do Reino de Deus entre o nosso povo.
 
Meus amados, este ano celebramos o quinquagésimo (50) aniversário da partida de dois arcebispos que estão entre os discípulos do Divino Mestre que ensinaram e trabalharam na Sua vindima: Mor Filoxinos Youhanon Dolabani, arcebispo de Mardin e Mor Gregorios Boulos Behnam, arcebispo de Bagdá (+ 1969 – 2019) de saudosa memória.
 
V – MOR FILOXINOS YOUHANON DOLABANI: Modelo de Ministro Apostólico
 
Mor Filoxinos Youhanon Dolabani nasceu em Mardin em 1885, levou uma vida monástica adorando o Senhor, asceta viveu em pobreza.
 
Confiou-se lhe muitos ministérios de mestrados e administração da Igreja. Era conhecido por cuidar dos órfãos, pobres e necessitados. Em 1933 o Patriarca Mor Ignatius Afrem I, Barsoum, de saudosa memória indicou-o para vigário patriarcal da diocese de Mardin, Mosteiro de Santo Ananias (Deir Zaafaran) e cercanias. Em 1947 consagrou-o Arcebispo de Mardin. O novo arcebispo desempenhou seu episcopado e obrigações pastorais fiel e diligentemente, tornando-se um modelo de santidade e virtude em tempos que os fiéis viviam as atrocidades das duas guerras mundiais. Escreveu vários livros sem negligenciar a vida asceta que tinha iniciado ainda jovem. Ele morreu em 1969 deixando um legado de mais de cinquenta livros em Siríaco, árabe e turco.
 
VI – MOR GREGORIOS BOULOS BEHNAM: Modelo de Mestre Apostólico
 
Mor Gregorios Boulos Behnam nasceu em Karakosh no Iraque em 1916, estudou teologia e filosofia; foi indicado responsável da Escola Teológica Santo Afrem em Mosul em 1945 onde se formaram diversos futuros prelados e padres da Igreja. Interessava-se pela educação e publicou dois jornais, “Al Mashriq” – O Oriente, e, “Lisan Al Mashriq” – A Língua do Oriente, nos quais publicou diversos artigos importantes de literatura, filosofia, teologia e história. Em 1951 o Patriarca Mor Ignatius Afrem I de saudosa memória conferiu-lhe o título de “Malfono” – Mestre – por defender a tese intitulada: “Psicologia nas obras do filósofo siríaco Mor Severios Moises Bar Kifo (+903 dC). No ano seguinte o Patriarca Afrem I consagrou-o bispo de Mosul. Em 1959 recebeu uma bolsa do Seminário da União Teológica em Nova York (EUA) onde permaneceu por um ano acadêmico.
 
Na sua volta ao Iraque, visitou várias bibliotecas bem como instituições acadêmicas e religiosas em diferentes países ocidentais. Em 1960 foi indicado Arcebispo de Bagdá, tornando-se o primeiro arcebispo de Bagdá desde o colapso da diocese no século treze. Faleceu em 1969 deixando um grande número de publicações no campo da história, literatura siríaca, teologia e filosofia.
 
Quando lembramos destas proeminentes figuras siríacas do vigésimo século, nós recomendamos a todos vocês oferecer orações e divinas liturgias por suas memórias. Também lembramos suas vidas e as circunstâncias em que viveram, pois, são muito semelhantes às condições em que vivemos hoje. Lembrando suas vidas e a boa luta que lutaram, encorajamos vocês a seguir os seus passos.
 
Pedimos ao Senhor Deus que nos conceda as virtudes e dádivas espirituais conferidas a eles de modo que todos nós sejamos ornamentados com sabedoria e zelo para que nossas Igrejas e países possam viver em paz especialmente no sofrido Oriente Médio. 
 
E, ainda, enquanto celebramos os dois grandes arcebispos Youhanon Dolabani e Boulos Behnam oramos, também, pelo retorno seguro dos nossos dois amados arcebispos de Alepo, Síria, sequestrados, Youhanon Ibrahim e Boulos Yazigi.
 
VI – Conclusão
 
No início da Quaresma, meditamos o chamado da Igreja, o servo do Evangelho da palavra e ação, oramos ao Senhor com o Mestre da Igreja, Santo Afrem o Siríaco dizendo: “Aloho hab yiulfono laino drohem yiulfono; uál rabo dmalef xafir h´bidoi rabo bmalkutho” traduzindo, Deus dê o conhecimento a quem ama a sabedoria e ao que bem ensina fazei-o grande no Teu Reino.
 
O Senhor aceite o vosso jejum, arrependimento, orações e caridade. Que Ele vos faça dignos de se alegrar na Festa da Sua Ressurreição, gozar de boa saúde espiritual, corpo e mente. Que Ele tenha misericórdia dos fiéis que partiram, pela intercessão da Virgem Maria a Mãe de Deus, São Pedro o líder dos apóstolos e todos os mártires e santos e,
 
Pai nosso...
 
Emitido em nosso Patriarcado, Damasco
Em 1 de março de 2019
Quinto ano do nosso Patriarcado
 
Tradução: Aniss Ibrahim Sowmy

 
Entre os dias 1º e 5 de março, na cidade de Anápolis, Goiás, foi celebrado o XVII Congresso Nacional Ordinário da Juventude Franciscana do Brasil. O Congresso contou com a participação de aproximadamente cem irmãos e irmãs representantes de todos os 18 Regionais. A temática principal foi assessorada por Roberto Malvezzi (Gogó), que apresentou um panorama da questão da água no Brasil e no mundo e, em seguida, os presentes partilharam suas experiências de infância e atuais com as águas. A secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, esteve presente.
 
Organizados em seis grupos, denominados com os nomes dos Rios Amazonas, São Francisco, Paraopeba, Paraguai, Iguaçu e Parnaíba, os participantes discutiram e apontaram desafios e propostas concretas com foco nas Fraternidades Locais nos eixos de Expansão, Comunicação e Novas Lideranças. Em plenária, também foram apresentados os “Bons ventos da IMMF”, trazendo o processo e as discussões em torno das Escolas de Formação e Infância, Micro e Mini Franciscanos.
 
Todos os Regionais apresentaram os seus Relatórios a partir dos avanços, dificuldades e perspectivas, demonstrando como foram trabalhadas as três prioridades do Triênio 2016/2019, o serviço de IMMF, a formação para a gestão econômica das Fraternidades e as propostas do Seminário Nacional em Ação Evangelizadora e DHJUPIC. Também o Secretariado Fraterno Nacional apresentou as atividades realizadas ao longo do Triênio a partir das Prioridades, Resoluções e Recomendações.
 
Um dos pontos mais importantes no CONJUFRA foi a Celebração dos 35 anos do Acordo de Anápolis (1984/2019), hoje Diretório das Mútuas Relações OFS/JUFRA, celebrando a Animação Fraterna como uma das grandes riquezas da JUFRA do Brasil. Em comemoração aos 800 anos do Encontro entre São Francisco e o Sultão, foi realizada uma bonita Celebração Inter-religiosa pela Superação da Violência, com representantes do Islã, da Umbanda, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana e da Igreja Católica, orando juntos pela Paz.
 
 
O Congresso também elegeu o novo Secretariado Fraterno Nacional da JUFRA do Brasil para o Triênio 2019/2021, que foram: Douglas Soares (Bom Conselho-PE) Secretário Fraterno Nacional, Adrielly Alves (Santarém-PA) Secretária Nacional para a Área Norte, Mayra Caroliny (Teresina-PI) Secretário Nacional para a Área Nordeste A, Patrick Martins (Vitória da Conquista-BA) Secretário Nacional para a Área Nordeste B, Débora Patrícia (Anápolis-GO) Secretária Nacional para a Área Centro-Oeste, Mateus Garcia (Franca-SP) Secretário Nacional para a Área Sudeste e Gabriela Consolaro (Florianópolis-SC) Secretária Nacional de Formação. Também foram indicados nomes para a Animação Fraterna e Assistência Espiritual. A Equipe nomeará os responsáveis pelas Secretarias de DHJUPIC, Ação Evangelizadora, Finanças, Comunicação Social/Registro/Arquivo e Infância, Micro e Mini Franciscanos.
 
A JUFRA do Brasil celebrou com muita festa e compromisso este XVII CONJUFRA, escolhendo como prioridades do Triênio 2019/2021: Expansão e fortalecimento das fraternidades locais da JUFRA e IMMF; Serviço de Comunicação Social, Registro e Arquivo; e Jubileu de Ouro da JUFRA do Brasil. Na mística das águas, à beira do poço, encontramos uma juventude comprometida com a profecia no hoje da história... e assim bebemos das “águas de março fechando o verão...”.
 
Emanuelson Matias de Lima, OFS/JUFRA
Assessor Nacional para Registro e Arquivo (Triênio 2016/2019)
Conselheiro Internacional da JUFRA América do Sul / CIOFS (2017/2020)
 
Fonte: JUFRA
Fotos: JUFRA
 

 
Estão abertos os Editais 2019 do Programa de Pequenos Projetos da FLD, que buscam fortalecer movimentos, redes e coletivos de mulheres, na defesa dos territórios tradicionais, dos bens comuns, da efetivação de políticas públicas e da defesa da democracia.
 
Objetivos
 
Justiça Econômica 
Apoiar ações de fortalecimento das mulheres de empreendimentos econômicos solidários por meio de atividades de formação e incidência, tendo em vista a justiça de gênero, o acesso às políticas públicas, e a participação plena e efetiva na gestão dos empreendimentos e nos espaços de controle social.
 
Justiça Socioambiental 
Fortalecer grupos da agricultura familiar agroecológica, de assentamentos da reforma agrária, de mulheres rurais e de Povos e Comunidades Tradicionais, para que atuem por uma justiça socioambiental no bioma Pampa, na perspectiva da gestão democrática com justiça de gênero.
 
Direitos
Fortalecer movimentos e redes que atuam na defesa de direitos e pela democracia.
 
Diaconia
Contribuir para o fortalecimento da atuação das instituições diaconais, da qualificação das equipes, da articulação em redes e da incidência.
 
Saiba mais aqui: www.fld.com.br

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