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O debate de ideias é sempre salutar nas sociedades democráticas. A divergência, ao contrário de empobrecer estruturas, fortalece a democracia, amplia direitos e promove a diversidade. 
 
Nos últimos meses, porém, o Brasil tem visto uma onda de discursos de ódio tomar conta das redes sociais. Nesses ambientes, sobra intolerância e falta amor. Não é por acaso que o salmista aconselha: “Evite a ira e rejeite a fúria; não se irrite: isso só leva ao mal” (Salmos 37:8).
 
Nos noticiários acompanhamos situações cada vez mais assustadoras:
 
- MBL denuncia agressão em ato de SP;
- Manifestante que levantava faixa de Marielle é agredido; 
- PM quebra braço de dirigente do PT em delegacia de Atibaia;
- Motorista avança sobre manifestação do MST e mata homem de 72 anos; 
- Homem atira contra acampamento de manifestantes a favor do ex-presidente Lula.
 
O que ainda não compreendemos?
 
Parece que ainda não entendemos que vidas são colocadas em risco quando um líder religioso afirma orar para que Deus possa “remover opositores de Bolsonaro”, ou quando um pastor famoso chama pessoas que tem afinidade com a esquerda de “esquerdopatas” – uma junção entre a palavra esquerda e psicopata ou sociopata. Enquanto cristãs e cristãos, precisamos semear a paz e trabalhar para fortalecer o diálogo pacífico de ideias (Tiago 1:19-20).
 
De acordo com a pastora presbiteriana Sônia Mota, diretora executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), vivemos um estado de barbárie. “É a materialização do ódio aliado à licença para matar com a certeza da impunidade. No caso do manifestante do MST que foi propositalmente atropelado, temos o sangue de mais um trabalhador jorrando na terra e gritando por justiça. Como pastora, lembro do Cristo, morto e assassinado pelos poderes políticos, econômicos e religiosos da sua época e penso: muda o cenário, mudam os personagens, mas a situação é a mesma. O evangelho nos impele a não calarmos enquanto sangue inocente continuar sendo derramado”, declarou.
 
“O ódio que vemos contra pobres, mulheres, indígenas, quilombolas, LGBTQI+ não é isolado. Ele está articulado com questões econômicas. É um ódio construído e fortalecido por forças econômicas do agronegócio, da mineração e de empresas interessadas em nossa água, nosso petróleo, nossos recursos, sempre com vistas a acabar com nossa soberania nacional e nos destruir como país”, declarou a secretária-geral do CONIC, pastora Romi Bencke.

 
A Christian Aid vem trabalhando em uma ação global de solidariedade para proteger a Amazônia e seus habitantes. Para esta ação, vem reunindo igrejas, conselhos e organizações baseadas em fé para que se comprometam na luta por equidade e justiça na região. Portanto, lançamos a declaração em conjunto com parceiros, igrejas, organizações ecumênicas e Fóruns da ACT.
 
A ideia é que ela possa solidificar o apoio ecumênico do Norte e do Sul globais para que se trabalhe, juntas e juntos, em uma profunda expressão de solidariedade.
 
O documento será lançado pouco antes do Sínodo da Amazônia promovido pela Igreja Católica, que acontecerá em outubro de 2019. O Sínodo evidenciará a crise na floresta Amazônica, que desempenha um papel vital na saúde do planeta e a nossa declaração demonstrará o apoio e a força ecumênica na defesa da floresta e os povos que nela habitam.
 
Esta é uma oportunidade para o movimento ecumênico em todo o mundo se unir em defesa da Amazônia. Por isso, gostaríamos de convidar sua organização a endossar o documento como parte de uma ação de solidariedade.
 
Até o momento, assinam o documento:
 
Christian Aid - América Latina e Caribe
CONIC - Brasil
ISEAT - Bolívia
CJP - Colômbia
Fórum ACT - Brasil
 
O documento pode ser assinado por organizações aqui neste deste link.
 
Foto: Pixabay

 
A irmã Maria Inês Vieira Riberiro (mad) foi reeleita pela assembleia religiosa da Congregação das Mensageiras do Amor Divino como Presidente da CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil) para o triênio de 2019-2022.
 
A votação ocorreu durante a 25ª Assembleia Geral das Entidades, em Brasília. Em relato, a Diretora relatou que aceita assumir esta missão e agradece a confiança. Mencionou também que, em sua nova gestão, pretende dedicar-se mais à questão da Amazônia e da identidade dos presbíteros religiosos.
 
“Para que tenhamos uma vida consagrada, masculina e feminina, de acordo com o Espírito de Jesus. E também outra coisa que está muito no meu coração é a questão do abuso sexual na Igreja, o abuso de menores, o tráfico humano e a questão das políticas públicas, a nossa inserção, para que possamos amparar os pobres e os pequenos, dado que, como já vimos na aprovação da Previdência, nosso trabalho como igreja, como cristãos, é ainda maior. Vamos nos unir! Eu confio na graça de Deus e digo, diante de Deus, da Divina e Trina ternura, da Trindade Santa, e da minha Mãezinha, meu sim”, proferiu a religiosa.
 
Veja a lista completa dos membros da dDiretoria e Conselho Fiscal da CRB:
 
DIRETORIA
 
Ir. Olavo Dalvit, lassalista
Ir. Eliene de Oliveira, nsc Bom Pastor
ir. Ana Teresa Pinto, salesiana
Pe. Nivaldo Pessinatti, salesiano
Pe. Antônio Neto, oblato de São José
Ir. Maria José Barbosa, beneditas da Divina Providência
 
CONSELHO FISCAL
 
Ir. Jardelino Menegat
Ir. Verônica da Silva
Ir. Maria Soledade
Pe. João Geraldo
Ir. Hélia Inácia
 
Veja a entrevista completa com a irmã Maria Inês CRB: http://bit.ly/30AqJXQ
 
Fonte: ANEC/CRB
Foto: Reprodução

 
Por Fabrício Veliq*
 
A cada ano que passa, cresce o número de suicídios no país. Entre 2011 e 2016, para se ter uma ideia, foram registrados 62.804 casos com motivos diversos, segundo a Agência Brasil. Esses dados são preocupantes e geram diversos questionamentos relativos à saúde pública do país.
 
Não só à saúde, mas também à Teologia. Afinal, num país cristão como o Brasil, o tema ainda é visto como um enorme tabu por grande parte da população. O próprio catecismo da Igreja Católica condena o suicídio, afirmando que tal ato “contraria a inclinação natural do ser humano para conservar e perpetuar a própria vida” (catecismo 2281), ainda que também considere que Deus pode oferecer a quem o pratica “ocasião de um arrependimento salutar” (catecismo 2283).
 
As igrejas evangélicas, por sua vez, na maioria dos casos, têm uma posição bem mais radical quanto à temática. Condenam todo ato suicida como pecado digno do inferno, que Deus não perdoa. A ideia, seguindo na mesma linha do catolicismo, é que a vida é um dom de Deus e, por isso, somente ele pode retirá-la. Desse modo, não é da alçada humana dar fim à própria vida.
 
Como protestante que sou, sinto-me mais à vontade para falar dessa realidade no meio evangélico no qual cresci. Nesse meio a cobrança para a uma vida de santidade é imensa e o medo do inferno é quase sempre a moeda de troca em diversos ensinamentos. Em outras palavras, são várias as denominações que pregam que não se deve pecar a fim de não se ir para o inferno, ao mesmo tempo em que cobram de seus membros uma santidade quase angelical para que sejam vistos como agradáveis aos olhos de Deus.
 
Diante disso, não é de se espantar que o suicídio seja tão condenado no meio evangélico. Facilmente se compreende também o porquê de se afirmar que aquele que o comete vai para o inferno, justamente por não ter tido a oportunidade de pedir perdão. Essas teorias causam enorme sofrimento aos familiares que ficam e que, além de sofrerem a dor da perda do ente querido, ainda têm que pensar que ele estará para sempre longe da graça de Deus.
 
Do ponto de vista da Teologia cristã, porém, é importante lembrar que toda e qualquer situação da vida humana deve ser lida sempre a partir do ponto de vista de Cristo e da graça de Deus, que alcança a todos. Na cruz, conforme narrado pelos Evangelhos, encontra-se o crucificado que toma o sofrimento do mundo e com ele sofre a agonia e o desespero da morte. Da mesma forma, naquele momento, o próprio Pai se faz presente, sofrendo junto com seu Filho todo o abandono e dor, bem como o Espírito. Este floresce a partir daí para levar conforto e lembrar ao mundo que a morte e o sofrimento não têm a última palavra, pois Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos.
 
Esse evento trinitário por excelência deve ser o prisma pelo qual a questão do suicídio deve ser vista na teologia cristã. No sofrimento e na dor que o suicida geralmente carrega consigo, que acredita causar a seus familiares e que tenta dar fim por esse ato extremo, ali, juntamente com ele, está presente Jesus.
 
A graça de Deus alcança todo desespero humano em sua radicalidade, de maneira que condenar a pessoa que suicida ao inferno se revela como não compreensão dessa graça. Se Deus é amor, como afirma a fé cristã, então todo sofrimento e toda dor de seus filhos e filhas é assumido por ele a fim de que possam descansar em seus braços e encontrar conforto para o que os fizeram abandonar a vida.
 
*Fabrício Veliq é protestante e teólogo. Doutor em teologia pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte (FAJE) e Doctor of Theology pela Katholieke Universiteit Leuven (KU Leuven). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
Fonte: Dom Total
Imagem: Pixabay

 
O Brasil tem taxa de 30,5 homicídios a cada 100 mil pessoas, a segunda maior da América do Sul, depois da Venezuela, com 56,8. No total, cerca de 1,2 milhão de pessoas perderam a vida por homicídios dolosos no Brasil entre 1991 e 2017.
 
O país registrou taxas crescentes nos últimos anos, oscilando de 20 e 26 a cada 100 mil habitantes em 2012, para mais de 30 em 2017. No mesmo período, a Venezuela também viu aumento dramático, de uma taxa de 13 para 57 para cada 100 mil habitantes em 2017.
 
Um dos gráficos do estudo alertou para alto número de homicídios cometidos por policiais no Brasil na comparação com outros países das Américas. Segundo o UNODC, em 2015, a polícia brasileira assassinou 1.599 pessoas, na comparação com 218 em El Salvador, 442 nos Estados Unidos e 90 na Jamaica. No mesmo ano, 80 policiais foram mortos no Brasil, comparados com 33 em El Salvador, 41 nos Estados Unidos e oito na Jamaica.
 
Em torno de 464 mil pessoas foram vítimas de homicídios no mundo em 2017, mais de cinco vezes o número registrado em conflitos armados no mesmo período, afirmaram pesquisadores das Nações Unidas no início deste mês.
 
De acordo com um estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a América Central é a região mais perigosa para se viver, onde o número de homicídios cresce em alguns locais específicos para 62,1 a cada 100 mil habitantes, segundo dados de 2017.
 
O Brasil tem taxa de 30,5 homicídios a cada 100 mil habitantes, a segunda maior da América do Sul, depois da Venezuela, com 56,8. No total, cerca de 1,2 milhão de pessoas perderam a vida por homicídios dolosos no Brasil entre 1991 e 2017.
 
A Colômbia registrou uma dramática queda nas taxas de homicídio, de mais de 80 para cada 100 mil habitantes em 1991 para 25 a cada 100 mil em 2017. A baixa pode ser parcialmente atribuída à intensificação da ação estatal contra o tráfico de drogas no país, de acordo com o UNODC.
 
Por outro lado, o Brasil registrou taxas crescentes nos últimos anos, oscilando entre 20 e 26 a cada 100 mil habitantes em 2012, para mais de 30 em 2017. No mesmo período, a Venezuela também viu aumento dramático, de uma taxa de 13 para 57 para cada 100 mil habitantes naquele mesmo ano.
 
O relatório lembrou que, em números absolutos, Nigéria e Brasil, que respondem por cerca de 5% da população global, responderam por 28% dos homicídios no mundo.
 
Um dos gráficos alertou para alto número de homicídios cometidos por policiais no Brasil na comparação com outros países das Américas. Segundo o UNODC, em 2015, a polícia no Brasil assassinou 1.599 pessoas, na comparação com 218 em El Salvador, um dos países mais perigosos da América Central, 442 nos Estados Unidos e 90 na Jamaica. No mesmo ano, 80 policiais foram mortos no Brasil, comparados com 33 em El Salvador, 41 nos Estados Unidos e oito na Jamaica.
 
Regiões mais seguras
 
As regiões mais seguras estão em Ásia, Europa e Oceania, onde índices de homicídios são de 2,3; 3,0 e 2,8 para cada 100 mil pessoas, respectivamente. Os números são bem abaixo da média global de 6,1 para cada 100 mil habitantes, de acordo com o Estudo Global sobre Homicídios 2019, feito pelo UNODC.
 
A taxa de homicídios na África (13,0) é menor que nas Américas (17,2), que teve o maior índice em 2017 desde que coletas de dados confiáveis começaram, em 1990. No entanto, há lacunas significativas de dados para alguns países africanos.
 
Crime organizado representa quase um a cada cinco homicídios
 
Uma constante desde o começo do século é a ligação entre crime organizado e mortes violentas, de acordo com o relatório.
 
O crime organizado foi responsável por 19% de todos os homicídios em 2017 e “causou muito mais mortes em todo o mundo do que conflitos armados e terrorismo, combinados”, afirmou Yury Fedotov, diretor-executivo do UNODC.
 
Assim como conflitos violentos, o crime organizado “desestabiliza países, enfraquece desenvolvimento socioeconômico e corrói o Estado de Direito”, de acordo com o UNODC.
 
Segundo Fedotov, a não ser que a comunidade internacional adote medidas decisivas, “metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, de reduzir significativamente todas as formas violentas e taxas de homicídios relacionadas até 2030, não serão alcançadas”.
 
Homens jovens correm mais riscos em todas as regiões
 
A partir de uma análise de gênero, o relatório do UNODC também mostra que meninos e meninas com nove anos ou menos estão mais ou menos igualmente representados em termos de números de vítimas. Em todas as outras faixas etárias, porém, os homens representam mais de 50% das vítimas, de acordo com dados de 41 países.
 
Em todas as regiões, a possibilidade de meninos se tornarem vítimas de homicídios aumenta com a idade. Meninos e homens entre 15 e 29 anos são os que mais correm risco de homicídio globalmente.
 
Nas Américas, por exemplo, a taxa de vítimas entre 18 e 19 anos é de 46 a cada 100 mil pessoas – bem acima de outras regiões. Armas de fogo também estão envolvidas “bem mais frequentemente” em homicídios nas Américas do que em outras regiões, segundo o relatório.
 
“Altos níveis de violência estão fortemente associados a homens jovens, tanto como autores quanto como vítimas”, de acordo com o relatório. “Programas de prevenção à violência devem focar em fornecer apoio a homens jovens para impedir que sejam levados a uma subcultura de (…) gangues e tráfico de drogas”.
 
Feminicídio é “muitas vezes ignorado”
 
Embora mulheres e meninas representem uma porcentagem bem menor de vítimas em relação aos homens, elas continuam lidando com os homicídios cometidos por parceiros íntimos ou por familiares, segundo o relatório. Mais de nove a cada dez suspeitos em casos de homicídio são homens.
 
“Assassinatos cometidos por parceiros íntimos são raramente espontâneos ou aleatórios”, disse Fedotov, destacando que o fenômeno frequentemente não é relatado e é “muitas vezes ignorado”.
 
Em tentativa de ajudar governos a responderem a homicídios, o relatório do UNODC identifica diversos impulsionadores do problema, além do crime organizado. Entre eles, estão a disponibilidade de armas de fogo, drogas e álcool, a desigualdade, o desemprego, a instabilidade política e os estereótipos de gênero.
 
Políticas específicas anticorrupção são necessárias
 
O estudo também destaca a importância de respostas à corrupção, de fortalecer o Estado de Direito e de investir em serviços públicos – especialmente em educação. Segundo o relatório da agência da ONU, estas são medidas “críticas” para reduzir crimes violentos.
 
Destacando o escopo mais amplo do relatório, que cobre da violência letal de gangues envolvendo armas de fogo às ligações com desigualdade e assassinatos relacionados a gênero, Fedotov afirmou ser possível responder à ameaça de redes criminosas através de políticas específicas.
 
Entre elas, estão a participação da comunidade e patrulhas policiais, assim como reformas políticas para fortalecer a confiança da população local nas autoridades.
 
Para jovens que já estão em gangues criminosas, é preciso ajudá-los com trabalhos sociais, programas de reabilitação e conscientização sobre alternativas não violentas.
 
Estes esforços podem ser mais eficazes se acontecerem em “certos países na América do Sul e Central, África e Ásia”, e “até mesmo em países com altas taxas nacionais de homicídios”.
 
O relatório destaca que intervenções locais podem ajudar a reduzir o crime, com exemplos positivos em território brasileiro que incluem Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.
 
Nessas áreas foram implementadas medidas direcionadas de prevenção do crime que visam explicitamente lugares, pessoas e momentos associados a uma alta concentração de crimes.
 
Embora o estudo do UNODC mostre que o número de homicídios aumentou de quase 400 mil em 1992 para mais de 460 mil em 2017, o relatório explica que a taxa global real caiu (de 7,2 em 1992 para 6,1 em 2017) quando levado em conta o crescimento populacional.
 
Clique aqui para acessar o documento completo (em inglês).
 
Fonte: Nações Unidas
Imagem: Reprodução/TV Brasil

 
O CONIC realizou, no mês de maio, sua Assembleia Geral Ordinária em São Paulo. Na ocasião, foram escolhidos os novos membros da diretoria que ficarão à frente do Conselho até 2022. Anita Sue Wright foi eleita para a 1ª Vice-Presidência. 
 
Biografia
 
Anita nasceu na capital baiana, Salvador. Membro da Igreja Presbiteriana Unida (IPU), hoje ocupa o cargo de moderadora da IPU – cargo máximo na estrutura da Igreja. Formada em Educação Artística pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e com e especialização em Abordagens Contemporâneas em Arte-Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), trabalhou por 25 anos na rede de ensino da Prefeitura de Vitória. Hoje é aposentada.
 
Sua experiência eclesiástica vem de berço, já que é filha de pastor – aliás, filha de Jaime Wright, nome conhecido por todos que lutaram contra a Ditadura Militar no Brasil, já que foi um dos líderes mais destacados a combater as violações de Direitos Humanos por parte do Estado brasileiro. Desde cedo Anita aprendeu “o caminho em que deve andar” (Pv 22:6). Foi professora de Escola Dominical, diaconisa, presbítera; a primeira mulher a ser eleita Moderadora de sua igreja, bem como a única neste cargo a ser reconduzida pela segunda vez.
 
“Também já fui moderadora do Presbitério de Vitória por duas gestões, e nosso Conselho Coordenador era composto exclusivamente de mulheres, outro fato inédito na história do Presbitério e da IPU”, comenta Anita.
 
Vida pessoal
 
Do casamento de 28 anos com Wilson Lords Torres, também pastor da IPU, vieram duas filhas: Rebeca, formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), e Isabel, que cursa Direito pela Multivix, em Vitória.
 
O que pensa sobre o Ecumenismo?
 
“Ecumenismo para mim é seguir o conselho de Santo Agostinho: ‘No que é indiscutível, UNIDADE; na dúvida, LIBERDADE; acima de tudo que prevaleça o AMOR.’ É unir forças para uma caminhada de fé, onde o respeito e o diálogo marcam sempre presença, na busca dos valores do Reino de Deus”, disse.
 
E sobre o CONIC?
 
“O CONIC tem papel fundamental no fomento do diálogo, por exemplo, quando promove a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), mas não só isso; também na defesa de direitos humanos, da mulher, dos negros e indígenas, dos LGBT e demais minorias; defesa dos direitos trabalhistas e sociais, entre muitas outras frentes de atuação que coadunam com sua missão de “promover a interlocução com organizações da sociedade civil e governo para a incidência pública em favor de políticas que promovam a justiça e a paz”. 
 
Perguntada sobre como recebeu a notícia sobre o cargo que passaria a assumir, garantiu que foi com tranquilidade “por entender que o CONIC faz parte de minha trajetória ecumênica”. Para ela, o “maior desafio do movimento ecumênico nos dias de hoje é a fidelidade aos princípios que sempre nortearam o ecumenismo, quais sejam: a defesa de direitos; a luta ao lado daqueles e daquelas que sofrem; o compromisso com o diálogo, a justiça e a paz”.
 
“Também precisamos superar a polarização que tomou conta não só do país, mas também de nossas comunidades e igrejas; superar os obstáculos da indiferença presente em nossa sociedade com relação a temas tão caros para o movimento ecumênico, como a inclusão, a solidariedade às pessoas marginalizadas e oprimidas, aos imigrantes...”, ponderou.
 
Gratidão
 
“Sou grata a Deus por fazer parte da caminhada ecumênica desde minha adolescência, ao acompanhar a trajetória do meu pai na defesa dos direitos humanos e no exercício do ecumenismo muitas vezes de forma profética; Jaime Wright fez a diferença para muitas pessoas em sua trajetória como pastor, missionário, líder ecumênico; me espelho em seu exemplo para fazer minha própria caminhada como cristã, mulher, educadora e liderança eclesiástica”, finalizou.
 
 

 
São 450 famílias, que vivem há mais de 20 anos na usina falida Ariadnópolis, em Campo do Meio, Minas Gerais. Atualmente a área é chamada de Quilombo Campo Grande, possui vasta produção de alimentos e colhe 510 toneladas de café por ano. As famílias moram em casas de alvenaria, construídas sem qualquer apoio de políticas públicas. A usina encerrou suas atividades em 1996, porém ainda possui várias dívidas trabalhistas.
 
No lugar onde se produzia somente cana de açúcar e álcool e gerava renda para um único proprietário, hoje gera trabalho e renda para cerca de 2000 pessoas. As famílias produzem sem o uso de agrotóxico, como orienta o MST. São hortaliças, cereais, frutas, fitoterápicos, leite e derivados, produtos processados como doces e geleias. Tudo isso produzido de forma agroecológica ou em transição.
 
Amancio de Oliveira nasceu em Campo do Meio, trabalhou a vida toda na usina Ariadnópolis e foi demitido durante o processo de falência da empresa. Conseguiu receber seus direitos após 24 anos de disputa judicial. “Campo do meio faliu por causa dessa Usina. Hoje a Campo do Meio está reerguendo graças aos assentados que compram na cidade. Toda hortaliça vende na cidade, colhemos café, torra e vendemos na cidade. Antes eu vivia trabalhando para fazendeiro, trabalhava cedo para comer de tarde, só tinha uma calça e uma camisa”, conta o agricultor.
 
O decreto 356 de 2015 desapropriava 3.195 hectares das terras da Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo (CAPIA). No entanto, a pressão da bancada ruralista e latifundiários da região, junto ao judiciário fez com que esse documento fosse anulado, mesmo tendo passado por dois julgamentos que validaram a importante ação do governo de Minas Gerais.
 
“O avanço da ultra direita nessas eleições contra a classe trabalhadora, junto com a sanha do agronegócio, que apoiou a eleição do Bolsonaro, mostra o projeto que eles têm para o campo no Brasil. Essas ações de despejos que estão acontecendo em toda Minas Gerais vêm no sentido de criminalizar os lutadores populares e movimentos sociais. Querem acabar definitivamente com a pauta a Reforma Agrária, mas nossa história é resistir”, afirma Michele, da direção estadual do MST.
 
Fazendo da produção seu meio de contrapor as injustiças sociais e de denunciar os grandes latifúndios improdutivos, o Quilombo Campo Grande foi responsável pela produção de 55 mil sacas de milho, mais de 8 mil sacas de feijão e 8.500 sacas de café, na safra de 2017-2018. “O nosso grande proposito é produzir a partir da agroecologia, um alimento saudável e de qualidade, gerando segurança alimentar não só pra quem produz, mas para toda a população”, afirma Tuíra Tule, uma das responsáveis pela produção.
 
Uma das maiores riquezas do acampamento é justamente a sua produção de forma agroecológica, em especial do Guaií, café tipo arábica. Ele vem sendo comercializado para escolas, entidades públicas e através de feiras, lojas da reforma agrária, tudo com um preço justo para que o consumidor possa ter acesso a produtos de qualidade e sem veneno. Só em 2017 foram vendidos mais de 120 mil pacotes do café pela Cooperativa Camponesa.
 
Tendo em vista o risco iminente que as famílias correm de perder sua moradia e tudo o que foi conquistado até agora, os mesmos pedem quem aqueles que sabem a importância e reconhecem o valor da luta por dignidade assinem a moção de apoio e enviem um e-mail para vara agrária de MG pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., com cópia para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. (entidade que está acompanhando o caso).
 
Fonte: MST
Foto: Reprodução

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