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Três idosos foram presos na Chechênia, território russo, por suspeitas de práticas de feitiçaria. Duas mulheres e um homem foram detidos em Urus-Martan, na Rússia. O atual governante da Chechênia, Ramzan Kadyrov, parte de sua interpretação da lei islâmica para esse atual “combate a feiticeiros e bruxas”. 
 
A polícia religiosa, vestindo as camisas negras do Instituto Médico Islâmico, tem informado a detenção de vários suspeitos dessa prática. Segundo o site Kavkazsky-Uzel Caucasus, os suspeitos mais recentes foram acusados pela experiência em medicina popular e vaticínio.
 
Na televisão, os acusados confessaram "se associarem com djins [demônios]" e uma delas declarou já ter realizado procedimentos contra mau-olhado. Retratado constantemente pela TV Grozny, o chefe do IIM Adam Elzhurkayev aponta diversas evidências de bruxarias nesse caso, envolvendo ossos de galinha, garrafas e outros objetos.
 
Quando começaram as campanhas de combate à feitiçaria, várias pessoas foram mortas ou desaparecidas na Chechênia. Vale lembrar que este mesmo território tem sido acusado de políticas que violam os Direitos Humanos da comunidade LGBTQ+. Especialistas da ONU chegaram a denunciar casos de tortura e assassinatos de pessoas suspeitas de serem gays, lésbicas ou bissexuais. 
 
Com informações das Nações Unidas/Aventuras na História
Foto: Reprodução

 
O número de assassinatos de indígenas no Brasil aumentou de 110, em 2017, para 135, em 2018, um crescimento de 22,7%. Os estados com mais registros no ano passado foram Roraima, onde ocorreram 62 homicídios, e Mato Grosso do Sul, onde foram contabilizadas 38 mortes. 
 
As informações, levantadas a partir de mapeamento de casos em todo o país feito pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), estão no relatório Violência contra os Povos Indígenas do Brasil – Dados 2018. O documento foi lançado nesta terça-feira (24/09) na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília.
 
Em episódios classificados como “violência contra a pessoa”, o levantamento listou no ano passado 22 tentativas de assassinato, 18 homicídios culposos, 15 episódios de violência sexual, 17 casos de racismo e discriminação étnico-racial, 14 ameaças diversas, 11 situações de abuso de poder e oito ameaças de morte.
 
“Os povos indígenas são, historicamente, vítimas do Estado brasileiro porque, através das instituições que representam e exercem os poderes político, administrativo, jurídico e legislativo, ele atua, quase sempre, tendo como referência interesses marcadamente econômicos, e não os direitos individuais, coletivos, culturais, sociais e ambientais. A gestão pública é parcial, pois toma como lógica a propriedade privada, contrapondo-se à vida, ao bem-estar e à dignidade humana”, avalia dom Roque Paloschi, presidente do Cimi e arcebispo de Porto Velho, no artigo de apresentação do Relatório.
 
Invasões
 
A pesquisa também mapeou invasões de terras indígenas, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio dessas populações. Em 2018, a equipe responsável contabilizou 111 situações como essas. O número foi maior do que o registrado em 2017, quando o Cimi reconheceu 96 situações semelhantes.
 
No lançamento do documento, foram apresentados dados parciais relativos a 2019 até o mês de setembro. Segundo a entidade, foram mapeados 160 casos de invasão de terra ou exploração ilegal de recursos em 153 terras indígenas.
 
Conforme os responsáveis pelo estudo, se essas formas de violação contra os territórios ocorrem há décadas, recentemente muitos invasores deixaram de somente explorar ilegalmente os recursos (como apenas retirada de madeira) e passaram a se apropriar das áreas, por meio de práticas de grilagem e loteamento de parte dos territórios, por exemplo. O documento cita as terras indígenas Arariboia, no Maranhão, e Karipuna e Uru Eu Wau Wau, em Rondônia. Outro problema é a implantação de garimpos ilegais. De acordo com o Cimi, um exemplo é a terra indígena Munduruku, no Pará.
 
“O madeireiro entra, limpa a terra, tira a madeira e a área passa a ser destinada à especulação imobiliária. É a prática do fato consumado. Retira da terra o que ela tem para oferecer e repassa para o grileiro, que vai lutar para que esta área seja legalizada. E o Estado desestrutura os órgãos que deveriam coibir as invasões de terra”, pontuou Roberto Liebgott, um dos autores da pesquisa.
 
Demarcação
 
O relatório lista 821 casos de “omissão e morosidade na regularização das terras” e 11 conflitos envolvendo direitos territoriais. De acordo com o Cimi, de 1.290 terras indígenas no Brasil, 821 (63%) teriam o que a organização chama de “alguma pendência do Estado para a finalização do processo demarcatório". 
 
O cacique Suruí, do povo Pataxó e aldeia Barra Velha, em Porto Seguro (BA), afirmou o caráter originário dos povos e pediu a demarcação de terras indígenas. “Estamos no Brasil desde muito antes de Cabral. Nós somos os primeiros brasileiros, não somos os últimos. Estamos lutando por demarcação.”
 
Os representantes do conselho comentaram o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Asssembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que, na ocasião, disse que não pretende demarcar novos territórios. “Os povos indígenas, ao reivindicarem a demarcação de seus territórios, tornam-se alvos a serem combatidos. Que as chagas da violência não sejam patrocinadas por aqueles que devem combatê-las. Que o Estado se coloque ao lado dos direitos humanos e da natureza”, disse dom Roque.
 
Com informações do Cimi/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 
Entre os dias 3 e 5 de outubro, o Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT) realiza a Missão Ecumênica pelas Águas dos Cerrados da Bahia no oeste do estado, estampando o lema: “Das nascentes ao São Francisco, águas para a vida!” Sob coordenação da CESE, a ação de incidência é realizada em parceria com diversas organizações sociais, movimentos populares e pastorais, entre elas, CONIC e Koinonia, além do apoio das agências internacionais HEKS/EPER; Christian Aid; Brot für die Welt e Misereor.
 
Desde 2015, o FEACT vem organizando missões com o objetivo de dar visibilidade nacional e internacional a situações de violação de direitos; fazer pressão a órgãos públicos na resolução dos conflitos; buscar uma maior aproximação das igrejas à realidade dos povos e reafirmar o compromisso ecumênico na defesa dos direitos humanos e ambientais.
 
Audiência pública, celebração ecumênica e visitas in loco irão compor a programação de atividades em comunidades dos municípios de Barreiras e Correntina.
 
Nesta região se encontram os rios das bacias do Carinhanha, Corrente e Grande, principais contribuintes das águas do rio São Francisco na Bahia, responsáveis por até 90% de suas águas no período seco. São elas que abastecem milhares de comunidades rurais e centenas de municípios baianos e dos outros estados do Sub médio e Baixo São Francisco. No entanto, as ações do agronegócio (que age sob a chancela do Estado) têm contribuído para uma das maiores crises hídricas da região.
 
Só para dar um exemplo, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – INEMA concedeu à Fazenda Igarashi, por meio da Portaria nº 9.159, de 27 de janeiro de 2015, o direito de retirar do rio Arrojado uma vazão de 182.203 m³/dia, durante 14 horas/dia, para a irrigação de 2.539,21 ha. Este volume de água retirada equivale a mais de 106 milhões de litros diários, suficientes para abastecer por dia mais de 6,6 mil cisternas domésticas de 16.000 litros na região do Semiárido. A água consumida pela população de Correntina, aproximadamente 3 milhões de litros por dia, equivale a apenas 2,8% da vazão retirada pela referida fazenda do rio Arrojado.
 
Tendo em vista esse panorama de violação de direitos, a Missão Ecumênica tem como objetivos denunciar o modelo predatório com que as águas da região vêm sendo utilizadas pelo agronegócio e pelas grandes empresas; cobrar que o Estado cumpra com o seu papel na resolução dos conflitos socioambientais, territoriais e hídricos no oeste da Bahia; e anunciar um outro modelo de convivência com o Cerrado, baseado na defesa da água como bem comum, na agroecologia e no respeito aos modos de vida das comunidades tradicionais.
 
PROGRAMAÇÃO
 
 Dia 03 de Outubro – Barreiras (Quinta-feira)
– Audiência Pública na Câmara de Vereadores – 14h
 
Dia 04 de outubro: Saída para visitas às comunidades
– Noite: Lançamento do Livro “Os pivôs da discórdia e a digna raiva: análise dos conflitos por terra, água e territórios em Correntina – Bahia” de Carlos Walter e Samuel Britto.
 
Dia 05 de outubro (Correntina)
– Ato Ecumênico
– Avaliação da Missão
 
MISSÃO ECUMÊNICA – OESTE BAIANO
 
Com realização do Fórum Ecumênico ACT Brasil e sob coordenação da CESE, a Missão Ecumênica pelas Águas dos Cerrados da Bahia no oeste do Estado conta com as seguintes parcerias: Comissão Pastoral da Terra-CPT; Instituto Padre André; Coletivo dos Fundos e Fechos de Pasto do Oeste da Bahia; Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais – AATR; Pastoral da Juventude do Meio Popular – PJMP; Pastoral do Meio Ambiente – PMA; Agência 10envolvimento; Movimento de Atingidos por Barragem-MAB; Escola Família Agrícola Pe. André – EFAPA; Movimento de Mulheres Unidas na Caminhada-MMUC; Conselho Indigenista Missionário – CIMI; Campanha Nacional em Defesa do Cerrado: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida; Fundação de Desenvolvimento Integrado do São Francisco-FUNDIFRAN; Associação Ambientalista Corrente Verde; Processo de Articulação e Diálogo-PAD; ACEFARCA, Articulação no Semiárido Brasileiro – ASA e Ministério Público da Bahia.
 
A ação é apoiada pelas agências internacionais HEKS/EPER; Christian Aid; Brot für die Welt e Misereor.
 
Fonte: CESE
Imagem: Reprodução

 
Em um vídeo gravado para uma recente conferência ambiental Anglicana, o Arcebispo de Canterbury, Justin Welby, transmitiu uma mensagem contundente sobre a importância da Igreja responder às mudanças climáticas.
 
No vídeo, o Arcebispo diz que as mudanças climáticas serão “uma parte central” das discussões da Lambeth Conference em 2020.
 
O tópico é um dos inúmeros assuntos de preocupação global que serão explorados na Conferência de Bispos(as) Anglicanos(as) de Lambeth (Lambeth Conference), a realizar-se no próximo ano em Canterbury.
 
Os comentários do Arcebispo foram feitos em uma mensagem de boa vontade compartilhada com os delegados presentes na conferência MOANA – Water of Life (“MOANA – Água da Vida”) em Lincoln (Reino Unido) no mês passado.
 
Organizada pela Diocese de Lincoln e pela Universidade de Lincoln, a conferência reuniu membros religiosos e da comunidade científica para discutir maneiras de cuidar do meio ambiente. Delegados vindos da Califórnia, Polinésia, Nova Zelândia e Lincoln participaram do evento. Os desafios do aumento do nível do mar e das diminuições no reservatórios de água apresentam sérias implicações em muitos desses locais.
 
No vídeo, o Arcebispo de Canterbury faz referência a um comentário feito durante uma visita oficial a Fiji no ano passado. Na visita, o Arcebispo ouviu o seguinte: ‘Para vocês, europeus, o clima é um problema para o futuro. Para nós, é uma questão de sobrevivência diária’.
 
Fiji, como muitas das ilhas do Pacífico Sul, é um dos menores contribuintes para as emissões globais de carbono, mas enfrenta algumas das consequências mais devastadoras dos eventos climáticos extremos. O país enfrenta ciclones regulares, causando morte, destruição, deslocamento de pessoas e dificuldades econômicas.
 
A conferência MOANA foi aberta por uma delegação da Polinésia, incluindo o Arcebispo-eleito Fereimi Cama. Como parte da Comunhão Anglicana, a Polinésia e a Diocese de Lincoln criaram uma Parceria de Companheirismo, uma iniciativa que promove o diálogo contínuo, a criação de redes e o compartilhamento mútuo de recursos e experiências. Antes da Lambeth Conference, a Diocese de Lincoln receberá uma delegação da Polinésia como parte de uma iniciativa nacional de hospitalidade.
 
Mais tarde, no vídeo, o Arcebispo diz:
 
“Como Cristão, creio nas palavras do Salmo 24. ‘Do Senhor é a terra e a sua plenitude.’ Nós somos os guardiões da criação de Deus. É nosso dever sagrado proteger o mundo natural que recebemos tão generosamente, bem como nossos vizinhos ao redor do mundo que serão os primeiros e os mais afetados.”
 
“Responder às mudanças climáticas é uma parte essencial dessa responsabilidade. Fico constantemente inspirado e encorajado ao ouvir sobre as maneiras apaixonadas, criativas e comprometidas pelas quais indivíduos e igrejas estão vivendo sua fé e respondendo a esse chamado à ação.”
 
“Trabalhando para enfrentar as causas das mudanças climáticas e reduzir seus efeitos. Está acontecendo em toda a nossa Comunhão Anglicana global, e certamente será uma parte central de nossas conversas na Lambeth Conference do ano que vem.”
 
Em toda a Comunhão Anglicana, há uma ampla gama de atividades implementadas para mobilizar as pessoas e responder às mudanças climáticas. Isso inclui, entre outras, iniciativas como os Anglicanos Verdes, a Rede Ambiental da Comunhão Anglicana (ACEN), o grupo Eco-Bispos(as), a presença da Comunhão Anglicana na ONU e o trabalho da Aliança Anglicana.
 
Também foram emitidas resoluções do Conselho Consultivo Anglicano (ACC) sobre o meio ambiente. As medidas aprovadas na ACC-17 em Hong Kong no início deste ano incluíram: reconhecimento da emergência climática global; incentivo para que a Comunhão venha a ‘sustentar e renovar a vida da terra’; promoção de um dia de arrependimento público durante a temporada da criação; desenvolvimento de planos de ação para uma vida sustentável; e realização de conferências de planejamento estratégico com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e as mudanças climáticas. Leia as resoluções na íntegra no site da Comunhão Anglicana.
 
Ainda há muito a ser feito. Neste sentido, as oportunidades oferecidas pela Lambeth Conference serão de grande importância.
 
Fonte: Lambeth Conference
Foto: Reprodução

 
A Comissão Justiça e Paz de Brasília publicou uma nota em solidariedade com o assassinato do Padre Kazimierz Wojno (Padre Casimiro), em Brasília, na noite de sábado, 21 de setembro. Padre Casimiro foi brutalmente assassinado por criminosos que roubaram a paróquia. A polícia trabalha com hipótese de latrocínio. 
 
Eis a nota.
 
A misericórdia é o critério para entender o agir cristão.
Ser cristão é “deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança:
não se ponha o sol sobre vossa ira (Ef 4, 26). Misericordiae Vultus, n. 9.
 
A notícia do assassinato brutal do Padre Kazimierz Wojno (Padre Casimiro), durante assalto a igreja na Asa Norte N. S. da Saúde 702 Brasília, na noite deste sábado (21/09/2019), com requintes de crueldade (foi espancado, amarrado e estrangulado com um arame farpado enrolado no pescoço) horroriza, não só pelo ato em si que pode alcançar qualquer pessoa. Mas porque revela uma sociedade conturbada, angustiada pela crescente desigualdade que a deixa desorientada em suas referências éticas e na possibilidade de respostas confiáveis no exercício oficial do sistema de segurança e justiça, nos dias em curso, também promotora de práticas violentas e redutoras da dignidade humana, das quais nem crianças são poupadas.
 
A morte do padre Casimiro choca pelo contraste entre a sua vida de doação à causa da misericórdia e da promoção da paz. O religioso havia celebrado uma missa no início da noite de sábado, às 18h30. Morreu no serviço de Deus e da partilha pastoral. Por isso, mais que deblaterar contra as causas de sua morte e de se deixar arrastar pelo ressentimento, pela raiva, pedindo mais violência e vingança, o infausto acontecimento nos convoca a refletir sobre o sentido de ser cristão em tempos tão conturbados.
 
Precisamos lembrar que a violência que permeia as condições agônicas dos tempos que estamos vivendo, sim exige de nós termos melhor compreensão de suas raízes, dos fatores que a induzem, da propagação que muitas vezes a espetacularizam, no plano institucional e no plano societal, não é só resultado de exercícios de forças bélicas, de ódios, desigualdades e intolerâncias, de injustiças, de corrupção dos costumes e das políticas públicas, mas é também consequência de fragilidades aninhadas em nossos corações e em nosso modo de orientar a nossa ação no serviço da misericórdia.
 
Este trágico acontecimento pode ser um sacrifício para despertar em nós, cristãos e todos que tenham boa vontade, a lição do Monte: “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer quem disser a seu irmão: ‘Racá’ [“Você não vale nada”], será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’ [“idiota”], corre o risco de ir para o fogo do inferno” (Mt 5:21-22).
 
A perda do padre Casimiro, sob a condição de martírio, traz a nossa reflexão o ensinamento de Jesus para a legítima atitude contra a violência: “Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9). Porque, como ensina Tiago (Ep.), precisamos plantar a justiça para criar a paz: “O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores!”.
 
A Comissão Justiça e Paz de Brasília, no seu mandato pastoral, se solidariza com a família do padre Casimiro, com seus paroquianos, com a grande fraternidade que forma a nossa assembleia arquidiocesana. Responde a esse clamor que a sua morte lança para o labor da pacificação, na sociabilidade e na cordialidade, e se compromete mais ainda com a causa da misericórdia.
 
Padre Casimiro é semente, ele permanece entre nós, seu ministério, seus valores, seu serviço pastoral. Como semente renasce, frutifica como exemplo, nos ensina a ser cristãos em tempos conturbados.
 
Por Comissão Justiça e Paz de Brasília,
22 de setembro de 2019.

 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu, na tarde desta quinta-feira, 19, uma nota sobre o enfraquecimento da participação da sociedade civil brasileira nos conselhos paritários, legítimos espaços de participação e controle social das políticas públicas.
 
Confira:
 
Nota sobre os Conselhos Paritários
 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acompanha, com apreensão, a postura que o Executivo Federal vem adotando em relação aos conselhos paritários, legítimos organismos de participação popular na gestão da sociedade brasileira.
 
A recente publicação do Decreto nº 10.003/19, que altera procedimentos no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), explicita esse modus operandi. A medida, de maneira abrupta, destituiu os conselheiros da sociedade civil, legitimamente eleitos e no exercício do mandato vigente. Além disso, violou o princípio da democracia participativa, oriundo da Constituição Federal, demonstrando uma equivocada compreensão dessa questão.
 
O governo não pode agir sozinho. A sociedade civil tem que participar. Não se pode desmontar as estruturas de participação social que exercem papel fundamental para nossa nação. Os clamores do povo, suas necessidades e a sensibilidade social, vêm exatamente dessa participação e impactam a formulação das políticas públicas.
 
Os bispos do Brasil exortam todos os conselheiros e conselheiras ligados às diversas instâncias governamentais do nosso país, a manterem a esperança. Acreditando na força do diálogo, esperam a revisão do decreto 10.003/19, bem como da postura em relação aos conselhos paritários. A cidadania e a democracia participativa contribuem para a construção de uma nação mais justa, fraterna, solidária e democrática.
 
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, continue intercedendo pelo nosso país.
 
Brasília-DF, 19 de setembro de 2019
 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB
 
Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente da CNBB
 
Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente da CNBB
 
Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar de S. Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB

 
Por Josias de Souza*
 
Wilson Witzel teve um domingo assombrosamente normal. Plugou-se às redes sociais antes do nascer do Sol. Às 5h, postou um "parabéns" à cidade de São Gonçalo, que faz aniversário de 129 anos. Celebrou o Dia Mundial Sem Carro. "Eu apoio essa iniciativa por um mundo sem poluição." E pendurou nas redes uma foto na qual aparece de costas ao lado de sua caçula. "Minha filha, Beatriz, faz hoje a prova de ingresso para o Colégio Militar", anotou na legenda.
 
Beatriz Witzel, 11, é apenas três anos mais velha do que Ágatha Félix, 8, a menina que foi morta por um tiro de fuzil, quando estava com sua mãe numa Kombi, durante operação policial no Complexo do Alemão. Executada na noite de sexta-feira, Ágatha foi sepultada neste domingo. Embora já fossem decorridos quase três dias da tragédia, o governador fluminense manteve em relação ao tema um silêncio tumular.
 
Por uma trapaça do destino, Ágatha foi conduzida à cova por sua família no mesmo dia em que o pai de Beatriz levou-a para a escola. Produziu-se um incômodo contraste entre o domingo normal de Witzel e a anormalidade decorrente da política de segurança baseada no lema do "tiro na cabecinha". A execução de mais uma alma inocente, de fulgurante jovialidade, é um acontecimento do tipo que fere a rotina como uma lâmina fria, fazendo o cotidiano escapar do controle.
 
Ignore-se por um instante o tiro que matou Ágatha, e fixe-se a atenção no que aconteceu antes e depois do disparo. Antes, Witzel consolidou-se como narrador de uma nova era. Disse coisas assim: "A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo!" Ou assim: "Cova, a gente cava." Ou ainda: "Criminosos serão combatidos e caçados nas comunidades." Depois, o silêncio.
 
Banalizou-se o noticiário sobre policiais entrando em bairros onde moram pessoas pobres, confrontando-se com bandidos e matando "suspeitos". Em três casos extremos, abateram-se, por exemplo, suspeitos de portar armas e drogas. Um carregava uma furadeira. Outro, um guarda-chuva. Um terceiro levava na mochila um par de chuteiras, uma sandália de dedo e R$ 85,00. Tudo isso antes do tiro que transfixou o corpo de Ágatha. Depois, o silêncio de Witzel.
 
Pode-se imaginar que o governador não tenha perdido a loquacidade no ambiente familiar. Cercada de guarda-costas, Beatriz chegou da escola. E o pai-governador decerto perguntou: "Como foi a prova, minha querida?" A menina talvez tenha respondido: "Acho que fui bem, papai". Esse é um tipo de diálogo banal que os familiares de Ágatha jamais poderão travar.
 
Se a normalidade reinante no cotidiano de Wilson Witzel tem alguma serventia é para demonstrar que algo de muito anormal precisa acontecer no Rio de Janeiro e no Brasil.
 
*Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército". 
 
Fonte: Uol
Foto: Reprodução das Redes Sociais

 
Em 2021 teremos mais uma edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE). 
 
Na última reunião da diretoria do CONIC, realizada no dia 4 de setembro, lideranças da CNBB, junto com o secretário-geral dom Joel Portella, e o bispo de Cornélio Procópio (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo, dom Manoel João Francisco, foram até o CONIC como gesto simbólico de início do processo de preparação da CFE.
 
O atual contexto, caracterizado pela banalização da violência, por intolerância religiosa e pelo racismo foi centro da conversa sobre o que as igrejas gostariam de abordar na CFE. 
 
A partir da análise do contexto, compreendeu-se que um desafio colocado para as igrejas no Brasil é ampliar a discussão e proposição de ações a partir do documento do CMI, Educação para a paz em um Mundo Multirreligioso
 
No entanto, gostaríamos de ouvir e conhecer as expectativas de vocês em relação a temas da CFE.
 
Por isso lançamos um processo de consulta que vai até 19 de outubro com igrejas, organismos ecumênicos, grupos de base, movimentos sociais sobre possíveis temas para a Campanha.
 
Se você acha que Educação para a paz e o diálogo é um tema importante, manifeste-se.
 
Caso considere que há outros temas que deveriam ser abordados, sugira.
 
A consulta prevê também sugestões de textos bíblicos para o LEMA da CFE.
 
Participe! Sua criatividade e opinião são muito importantes para nós.
 
Para enviar sua sugestão, basta encaminhar um e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.  (você receberá um e-mail de confirmação) 

 
O papa Francisco recebeu, na manhã do último domingo, 15 de setembro, na Casa Santa Marta, uma delegação da Fundação de direito Pontifício “Ajuda à Igreja que Sofre” (AIS), guiada pelo cardeal Mauro Piacenza, presidente internacional da entidade.
 
Na oportunidade, Francisco abençoou o ícone da “Virgem das Dores, consoladora dos Sírios”, criado por um artista greco-ortodoxo, por ocasião da campanha de oração “Consola meu povo”. No ícone, aparecem os dois arcebispos sírios sequestrados pelo Estado Islâmico em 2013, dom Gregorios Yohanna Ibrahim (Igreja Sírian Ortodoxa) e dom Paul Yazigi (Igreja Greco Ortodoxa).
 
Em 15 de agosto, o papa já havia demonstrado apoio à iniciativa (Consola meu povo), convidando excepcionalmente o diretor executivo internacional da AIS, Thomas Heine-Geldern, a aparecer na janela de seu escritório ao final do Angelus, para a bênção dos Rosários.
 
Um povo em oração
 
Esses rosários, feitos pelos artesãos cristãos de Belém e Damasco, foram distribuídos nas paróquias de todas as 34 dioceses sírias, tanto católicas como ortodoxas.
 
Além dos rosários, também foram distribuídas Bíblias em árabe, doadas pela AIS, e cruzes de madeira de oliveiras da Terra Santa, abençoadas pelo patriarca Mor Ignatius Aphrem II, da Igreja Sírian Ortodoxa.
 
Ecumenismo prático
 
Iniciativas como as que foram citadas acima demonstram um ecumenismo prático entre igrejas-irmãs que, unidas, ajudam a fortalecer a fé daqueles e daquelas que sofrem os traumas da guerra. #UnidadeNaDiversidade 
 
CONIC com agências
Foto: Reprodução

 
Por Rowan Williams*
 
É difícil compreender a escala da devastação provocada pelos incêndios que ainda assolam a Amazônia. Essa é uma floresta tropical que fornece um quinto do oxigênio do planeta. É difícil não sentir impotência e desespero diante do desastre que está acometendo a região.
 
Mas, por mais forte – e amargo – que seja o sentimento diante dessa catástrofe ambiental, não devemos jamais perder de vista o fato de que se trata, também, de uma tragédia humana.
 
Precisamos ouvir com atenção redobrada as vozes daquelas pessoas que chamam a floresta de lar – vozes, muitas vezes, deixadas de lado ou deliberadamente silenciadas, com histórias que figuram apenas na nota de rodapé das notícias nos meios internacionais. Não há desculpa para não escutá-las agora.
 
A preocupação com a sobrevivência e o bem-estar dessas comunidades deve vir antes da ânsia por “desenvolvimento” que só serve a uma sanha por consumo e conveniência. O fato de, aparentemente, isso não ser uma prioridade moral óbvia deveria nos encher de vergonha.
 
Há gerações, os povos indígenas da bacia amazônica são os guardiões das florestas. Alguns já pagaram por isso com a própria vida, literalmente, muito antes dos incêndios desta temporada de seca. Essas comunidades enfrentaram anos de ataques, invasões ilegais e desmatamento. Seus direitos foram ignorados diante da ganância de diferentes interesses econômicos, e suas histórias são um relato sobre a absoluta desigualdade econômica que contamina e corrompe tanto o nosso mundo, incluindo países como o Brasil.
 
A América Latina tem a mais alta concentração de terras do mundo. Apenas 1% dos proprietários de terras controlam metade da terra agricultável. Na Amazônia, a mineração e a exploração do petróleo estão expulsando comunidades da floresta onde elas vivem há séculos.
 
Existem cerca de 3 mil comunidades quilombolas, formadas por descendentes de pessoas escravizadas que fugiam, entre aquelas que mais sofrem com os interesses das grandes empresas. Poucas dessas comunidades conquistaram o reconhecimento e a posse clara da terra onde vivem. Aquelas que não conseguiram enfrentam a força total das políticas de desenvolvimento econômico do atual governo brasileiro, que incentiva ativamente a extração de madeira e a mineração em terras quilombolas.
 
Esse problema não é só do Brasil – nem só dos outros países amazônicos, como Bolívia e Colômbia, que também vêm sofrendo o impacto dos incêndios e da devastação ambiental. Todos nós temos responsabilidade sobre isso. Os padrões globais de crescimento econômico, incluindo os níveis inéditos de demanda por carne no mundo desenvolvido, representam muito da pressão sobre o uso da terra na região. E, com o desmatamento generalizado em outras partes do mundo, ficamos mais dependentes que nunca da região para garantir nosso equilíbrio ecológico global.
 
Os incêndios que estão assolando a Amazônia são uma metáfora visível para o efeito da nossa paixão desenfreada por um crescimento econômico ilimitado. É essa paixão que levou a grande parte do desmatamento registrado nos últimos anos. É a isso que se deve a maioria esmagadora dos incêndios que hoje acontecem na região. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil divulgou dados que mostram um aumento de 278%** no desmatamento em julho deste ano em comparação com o mesmo mês do ano passado.
 
Parece cada vez mais provável que tenhamos atingido ou estejamos próximos de atingir um ponto crítico irreversível na crise ecológica global, uma crise gerada pelo desejo de maximizar, indefinidamente, o que podemos extrair do nosso meio ambiente, como se ele não fosse nada mais que um armário de despensa a ser saqueado. O poeta canadense Robert Bringhurst escreve que o complexo mundo “selvagem” e indomado ao nosso redor “não é um portfólio de recursos para nós ou para nossa espécie comprar e vender ou administrar ou desperdiçar a nosso bel-prazer. A natureza selvagem é a Terra vivendo a própria vida em plenitude”.
 
A compulsão por consumo que leva a esse prejuízo extremo que estamos vendo nos desumaniza e destrói nosso meio ambiente. O incêndio também atinge nossa alma.
 
A beleza de pertencer a um mundo que nos nutre é a solidariedade que podemos desfrutar com outros seres vivos e também entre nós, como seres humanos.
 
A partir desse senso de solidariedade, a Christian Aid – cujo conselho presido – se uniu a outras mais de 100 organizações religiosas para declarar apoio ao Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que deve se reunir em Roma no próximo mês. Essa declaração, “Somos la Amazonia” (“Somos a Amazônia”), expressa o apoio pela visão do sínodo e delineia um caminho de ação para proteger tanto a floresta quanto as comunidades indígenas e ativistas de direitos humanos que arriscam a própria vida para preservar seu habitat.
 
O primeiro-ministro [britânico, Boris Johnson] vem pedindo “mais ambição” no tratamento à crise climática e à perda de biodiversidade. Aceitamos a palavra dele: a Christian Aid lançou uma petição exigindo que ele e outros líderes globais enfrentem a pobreza e a desigualdade que alimentaram a crise ambiental. É hora de mostrar solidariedade às comunidades que vivem na linha de frente dessa crise, na Amazônia e no mundo.
 
*Artigo originalmente publicado no The Guardian 
Dr. Rowan Williams é ex-arcebispo de Canterbury
e presidente do Conselho da Christian Aid
 
**Os últimos dados sobre desmatamento divulgados pelo Inpe
revelam um aumento ainda maior no mês de agosto de 2019
 
Fonte: Brasil de Fato
Foto: João Laet/AFP