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Na tarde desta terça-feira (12), o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de dezenas de entidades nacionais, lançaram na sede nacional da OAB, a campanha “Comitês Contra o Caixa Dois de Campanhas Eleitorais”.

A proposta visa denunciar candidatos que realizarem campanhas desproporcionais aos valores declarados legalmente, advindos do fundo partidário ou de pessoas físicas (únicos formatos de financiamento eleitoral aceitos atualmente).

Este trabalho será realizado a nível nacional, com a participação das centenas de comitês MCCE, seccionais da OAB, milhares de paróquias da Igreja, além do apoio de outras entidades colaboradoras.

Para o codiretor do MCCE, Luciano Santos, os trabalhos dos comitês MCCE e das entidades da Rede MCCE abarcarão, além da fiscalização pelo cumprimento da Lei “Contra a Compra de Votos” (Lei9840/99) e Lei da “Ficha Limpa” (LC 135/10), também o combate ao abuso do poder econômico pelo “Caixa Dois”. “Os comitês MCCE são de suma importância no levantamento de provas e no encaminhamento das possíveis reprovações das contas de campanhas que apresentarem irregularidades”, completou Santos.

Carlos Moura, também diretor do MCCE, afirmou que o sucesso desta campanha só será possível com a mobilização da sociedade, ação que deverá ser conduzida pelos ês. Para Moura, não basta que os candidatos tenham Ficha Limpa, é preciso saber se eles têm compromisso com sociedade, com o bem comum. “Combater o caixa dois e alertar o eleitor contra aqueles que não merecem o nosso voto é responsabilidade da sociedade civil”, disse Moura.

Para dom Joaquim Mol, presidente da Comissão pela Reforma Política da CNBB, a campanha pelas eleições e o combate ao “Caixa Dois” são lutas contra as impurezas das eleições no Brasil. Ele disse ser preciso pensar todos os comitês do Brasil, preparar as pessoas no exercício da cidadania. Completou: “A grandeza deste país não está definida pela podridão da corrupção, mas por brasileiros e brasileiras dispostos às coisas do bem.”

O presidente da OAB, Marcus Vinícius Furtado, afirmou ser a relação entre empresas doadoras de campanha e políticos, o “germe da corrupção” no país. Disse ainda que desvios de verbas para a saúde e educação são realizados para campanhas eleitorais, para “Caixas Dois” de campanhas. Finalizou: “O eleito não deve prestar contas para doadores de campanha, mas para a sociedade que o elegeu.”

Ascom MCCE
Imagem: Reprodução

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Nem todo o mundo cristão segue o mesmo calendário. Enquanto algumas tradições seguem o calendário gregoriano, outras seguem o juliano. Assim, nem todos os cristãos celebram o Nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro.

Veja como foram as celebrações de Natal em algumas dessas tradições neste começo de janeiro e como os seus fiéis conviveram entre si e com seus vizinhos não cristãos.

Cairo, Egito: cristãos coptas

O presidente Abdel Fattah al-Sisi participou da vigília de Natal celebrada na noite de 6 de janeiro pelo patriarca copta ortodoxo Tawadros II, na catedral de São Marcos, no Cairo. Al-Sisi pediu desculpas pelo atraso na reconstrução de igrejas destruídas por fanáticos islâmicos, em especial durante os protestos de agosto de 2013, quando vândalos ligados à Irmandade Muçulmana e a grupos salafistas atacaram cerca de 50 lugares cristãos.

É a segunda vez em toda a história que um presidente egípcio participa da solenidade litúrgica do nascimento de Jesus. A primeira foi no ano passado, com o mesmo al-Sisi presente nas celebrações da Igreja copta.

Bagdá, Iraque: cristãos caldeus

O patriarca caldeu Mar Louis Raphael Sako relatou à agência AsiaNews que as celebrações de Natal na capital iraquiana foram compartilhadas com os muçulmanos, que foram a maioria da população da cidade e do país. A Igreja caldeia tem 30 paróquias em Bagdá e mais 35 igrejas afiliadas à comunidade encabeçada pelo patriarca, que celebrou a missa de Natal “em sete igrejas diferentes” e encontrou as igrejas repletas “de gente de muita fé e muita esperança”.

“Muitas famílias muçulmanas participaram da missa de meia-noite. Muita gente simples, que nos deu flores e nos ofereceu suas saudações”. Nem tudo foi “doçura social”, no entanto: o patriarca de Bagdá foi bastante firme contra as hipocrisias e falsas promessas politiqueiras e recusou qualquer presente de “líderes religiosos e políticos” até que seja resolvida a cruel situação de crise que martiriza o país, em particular desde que famigerado grupo Estado Islâmico invadiu a cidade de Mossul e a planície de Nínive, em 2014. O episódio sanguinário assassinou ou expulsou famílias cristãs e yazidis; os sobreviventes continuam sendo alvo de violência, expropriações, sequestros, islamização forçada dos filhos e postura hostil de algumas vertentes do islã. “Precisamos de mudança real e concreta no Iraque: uma nova cultura, não só discursos e declarações de fachada”, declarou o patriarca.

A comunidade cristã iraquiana doou dinheiro para suprir as necessidades básicas de 2 mil famílias de Bagdá, não só cristãs, mas também muçulmanas e yazidis. “É uma forma de testemunhar com as obras que somos irmãos”, explica Mar Sako. “Estes atos concretos de misericórdia geram contato e ajudam de verdade a formar vínculos, partilha, desejo de encontro. É uma resposta à cultura de guerra e vingança, à falta de compaixão, de perdão e de reconciliação, que são males que afligem o Iraque há muito tempo e o lançam num redemoinho de violência e terror”.

Em entrevista a um popular programa de televisão iraquiano, o patriarca se pronunciou com grande firmeza contra um islã fechado e fundamentalista, fazendo votos de maior abertura. “Muitos me agradeceram”, conta ele, “especialmente entre os próprios muçulmanos”.

Moscou, Rússia: cristãos ortodoxos

O patriarca de Moscou, Kirill, perguntou aos fiéis em sua mensagem de Natal, também celebrado em 7 de janeiro: “O que é mais pobre do que uma gruta e mais humilde que os panos em que a riqueza divina resplandece? Ao escolher a pobreza extrema para o mistério da nossa redenção, Cristo renuncia a tudo o que este mundo considera importante: poder, riqueza, glória, origens nobres e status social. Ele propõe outra lei de vida: a lei da humildade e do amor, que vence o orgulho e a maldade”.

Kirill também falou da guerra na Ucrânia: “A luta fratricida na terra ucraniana não deve dividir os filhos da Igreja, semeando o ódio nos seus corações. Um cristão verdadeiro não pode odiar nem os próximos nem os distantes. ‘Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que sejais filhos do vosso Pai celeste, que faz nascer o seu sol sobre maus e bons e chover sobre justos e injustos’”.

Cidade do Vaticano: cristãos católicos

Em coincidência com as celebrações de Natal em várias tradições do mundo cristão, o papa Francisco anunciou em vídeo as suas intenções de oração para o mês de janeiro, esperando que “o diálogo sincero entre homens e mulheres de religiões diferentes dê frutos de paz e justiça”.

O diálogo inter-religioso, para ele, é “uma condição necessária para a paz no mundo. Não devemos parar de rezar por esta intenção. Temos de trabalhar juntos com quem pensa diferente. Só através do diálogo poderemos eliminar a intolerância e a discriminação. Eu confio em vocês para espalhar o meu pedido deste mês: que o diálogo sincero entre homens e mulheres de religiões diferentes dê frutos de paz e justiça”.

Fonte: Aleteia
Imagem: Divulgação

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A Convenção Batista do Espírito Santo resolveu criar uma ação no estado para conscientizar a população sobre os cuidados para combater o mosquito Aedes aegypti. O mosquito transmite a dengue, a febre chikungunya e o Zika vírus.

Membros da Igreja Batista em Vitória realizaram, em dezembro, um mutirão próximo à praça de pedágio da Terceira Ponte, distribuindo panfletos e orientando quem passava no local sobre a importância de evitar a proliferação do mosquito.

“Estamos nas comunidades e devemos nos unir nesse propósito. Promover a saúde e o bem-estar também é um compromisso cristão. Convido a todos a apoiarem essa causa e vamos combater, juntos, esse grave problema de saúde pública”, destacou o presidente da Convenção, pastor Doronésio Pedro.

O mutirão foi apenas uma das etapas dessa campanha, nos dias que se seguiram os membros das igrejas que fazem parte da convenção se uniram para limpar as igrejas e assim evitar o acúmulo de água que pode servir como base para a proliferação do mosquito.

Em todo o estado há 682 igrejas filiadas a Convenção Batista do Espírito Santo, somando mais de 80 mil membros divididos em 78 municípios, segundo dados do jornal Folha Vitória. A metade dos membros estão na capital capixaba.

As denúncias sobre possíveis focos de Aedes aegypti em Vitória subiram 2.650% em dezembro. Em novembro o Fala Vitória 156 registrou 28 ligações relacionadas a denúncias contra focos do mosquito da dengue, já neste mês o número subiu para 742.

Fonte: GospelPrime
Foto: Folha Vitória

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As luzes se apagaram e os cursistas colocaram nos olhos as vendas que receberam ao adentrarem o TUCA (Teatro da Universidade Católica) na PUC-SP. Uma voz contou a todos uma história que se parecia com a criação do mundo segundo o Gênesis, mas que falava sobre a destruição da natureza pelo homem. “E se ergueram prédios e as pradarias desapareceram. E ele (o ser humano) viu que era bom”. Foi com esta reflexão que se iniciou nesta quarta-feira, dia 6 de janeiro, a celebração de abertura do 29º Curso de Verão (CV), promovido pelo CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), na PUC-SP.

Os mais de 200 cursistas começaram a entrar no TUCA por volta das 14h e a dançar músicas como “Asa Branca”, do Gonzaguinha, e “Iluminação”, de Renato Teixiera, após já terem sido credenciados e recebido o material do curso na parte da manhã. A coordenadora do CV, Cecilia Franco, convidou todos a relembrar seus caminhos de vinda para São Paulo, de todas as regiões do Brasil e também de fora do país: “O que nos convocou? Sintam-se em casa, nós estamos no Curso de Verão!”

O palco do TUCA foi ambientado com tecidos e frutas e seguiu-se o momento de luzes apagadas enquanto a ambientação era desfeita. Os cursistas retiraram as vendas e assistiram, ao som de gritos de pessoas, imagens que mostravam a destruição do meio ambiente – como manchas de petróleo nos mares, o uso de agrotóxicos e o desmatamento – além de problemas relacionados como a fome e desastres naturais como o tsunami que devastou a costa da Indonésia e da Tailândia em 2004.

“Gostei da dinâmica de vendarem os nossos olhos e no vídeo tinha imagens que marcaram e me tocaram muito”, disse ao final da abertura a estudante Laura de Melo, 16, pertencente a um grupo da Pastoral da Juventude da Diocese de Araçatuba (SP) da Igreja Católica Apostólica Romana. Ela ficou na memória com a imagem do sofrimento de um homossexual caído no chão com uma bíblia nas mãos sob as cores do arco-íris. “A abertura chamou para uma reflexão, está muito na cara que caminho o curso vai ter”, disse Rodrigo Cosenza, 36, sobre o tema da “Economia promotora dos direitos humanos e ambientais”. O professor de história, que não possui nenhuma fé religiosa, é crítico à “relação que a gente tem de transformação do planeta em mercadoria”, que faz com que não entremos em “uma lógica de cuidar ao invés do que o planeta pode nos dar nesse instante”.

Temática

O tema da preservação do meio ambiente aproxima este ano o Curso de Verão da 4ª Campanha da Fraternidade Ecumênica, como observou na abertura aos cursistas o bispo da IEAB (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil) e presidente do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil) Dom Flávio Irala. “Nossos temas estão caminhando juntos, espero que sejam bem tratados, o amor, a justiça e a nossa mãe natureza”, disse ele antes de cantar e tocar uma música para os cursistas.

Também falou na abertura o professor da PUC-SP Wagner Sanchez em nome da diretoria do CESEEP. “O Curso de Verão é como uma grande mesa onde todos se sentam juntos para comer e compartilhar. Mais de 100 pessoas ajudaram na organização e vocês serão tocados pela mística do curso.”

O pró-reitor de cultura e relações comunitárias da PUC-SP, Jarbas Nascimento, ainda ressaltou a importância da união entre todos os participantes, sejam assessores, monitores e cursistas. “O mais importante é que todos nós estamos juntos e que possamos no dia a dia transformar o que aprendemos em realidade”.

O curso continua nesta quinta-feira (7), às 8h00 com um momento de espiritualidade e a palestra do economista Ladislau Dowbor, com o tema “Sistema Financeiro trava o desenvolvimento econômico do país”. Após a assessoria, os cursistas seguem para as “tendas” (oficinas) em que se dividiram para discutir a palestra sob espaços criativos como “Liderança de grupos populares” e “Retalhos da história do povo negro”.

Fonte: CESEEP
Foto: Reprodução

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Diz o evangelho de Mateus que os magos, “ao entrarem na casa onde o menino estava, “abriram seus cofres e ofereceram ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11). Crianças da comunidade católica São Vicente de Paulo, bairro Solo Sagrado, periferia de São José do Rio Preto/SP, repetiram o gesto neste último domingo, Festa da Epifania, popularmente conhecida como Festa dos Reis Magos.

Motivadas pela Campanha “Neste Natal, livre uma criança indígena da fome”, promovida pelo CEBI com apoio da CESE, as crianças do “Solo Sagrado” partilharam suas economias de uma maneira muito especial com outras crianças que sonham com seu “Solo Sagrado”, a terra de deixada por seus antepassados. Padre Calazans, que trabalha no bairro, lembrou: “Nossas crianças e adolescentes abriram os cofrinhos e ficaram muito felizes em participar da campanha. Quando precisar elas disseram que pode contar”.

Durante a celebração, na comunidade no Bairro Solo Sagrado (o nome é significativo), as próprias crianças e adolescentes deram seu depoimento. Nas palavras de Yara, "o dinheiro que gastamos com bobagem salva vidas quando doado com o coração". "Sinto-me, orgulhoso e feliz de realizar esta ação solidária", afirmou Alexandre. Nas palavras de Pollyana Federice, “foi uma experiência muito boa, ajudarei novamente se for preciso. Pois ao mesmo tempo aprendi a ajudar o próximo mesmo distante".

Isadora, por sua vez, destacou: “Fiquei feliz em participar desse projeto, ajudando essas crianças indígenas, é como uma simples semente, mas para que ela possa continuar precisamos regar e continuar com esse projeto para podermos levar um pouco de alegria para essas crianças".

Para a Ir. Hosana, que dedica sua vida às pessoas do Bairro Solo Sagrado, “é desde de pequenos, que crianças e adolescentes fazem a experiência do encontro com Jesus na pessoa do irmão”.

Ao todo, o grupo doou R$ 690,00. O valor foi destinado às crianças da comunidade Tey’i Juçú, em Caarapó, próximo a Dourados, no sul do Estado de Mato Grosso do Sul.

Em gurarani, Tey’i Juçu significa “onde já foi um grande lugar”. Na pequena área, hoje vivem mais de 25 famílias, com um elevado número de crianças de todas as idades. A área é legalmente reconhecida como território indígena, mas o governo federal não conclui o procedimento administrativo de demarcação.

Em 2015, por diversas vezes, pistoleiros cometeram ataques violentos contra as famílias. Um deles culminou com o assassinato da jovem Juliana. Seu corpo foi levado pelos pistoleiros. Além disso, latifundiários da região, interessados no lucro e na terra, lançam veneno (agrotóxicos) sobre as famílias, o que vem acarretando problemas de saúde para várias crianças e pessoas idosas. Os mesmos latifundiários dizem ter conseguido na justiça uma ordem de reintegração de posse. Além da fome, as crianças convivem com o temor do despejo e da perda de sua terra tradicional.

Você ainda pode colaborar

O CEBI continuará visitando comunidades indígenas em 2016. Se você ainda deseja colaborar, clique aqui e saiba mais.

Fonte: CEBI
Foto: Reprodução

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O Conselho Indigenista Missionário, Regional Sul, vem a público manifestar sua indignação com o cruel assassinato de Vítor Pinto, criança Kaingang de dois anos de idade. O crime ocorreu na rodoviária de Imbituba, município de Santa Catarina.

Vitor estava sendo amamentado pela mãe, Sônia da Silva, quando um homem se aproximou, acariciou seu rosto e, com um estilete, o degolou. Enquanto a mãe e o pai – Arcelino Pinto – desesperados tentavam socorrer a criança, o assassino seguiu caminhando pela rodoviária até desaparecer.

Vítor faleceu em um local que a família Kaingang imaginava ser seguro. As rodoviárias são espaços frequentemente escolhidos pelos Kaingang para descansar, quando estes se deslocam das aldeias para buscar locais de comercialização de seus produtos. A família de Vítor é originária da Aldeia Kondá, localizada no município de Chapecó, Oeste de Santa Catarina. Vítor estava na rodoviária com os pais e outros dois irmãos, um de seis anos e outro de 12.

Trata-se de um crime brutal, um ato covarde, praticado contra uma criança indefesa, que denota a desumanidade e o ódio contra outro ser humano. Um tipo de crime que se sustenta no desejo de banir e exterminar os povos indígenas.

A Polícia Militar da região deu por desvendado o fato em poucos minutos. Prendeu, num bairro pobre, um presidiário, que usufruía do benefício do indulto de Natal e Ano Novo. Aparentemente tudo estava solucionado. Mas na delegacia da Polícia Civil de Imbituba o delegado ouviu o pai e a mãe de Vítor, e ainda outra testemunha, um taxista que estava no local na hora do crime. O homem indicado pela Polícia Militar como autor do assassinato não foi reconhecido pelas três testemunhas.

Informações colhidas na delegacia por um advogado que acompanhou a família Kaingang dão conta de que esse cruel assassinato pode estar relacionado a ações de grupos neonazistas ou de outras correntes segregacionistas, que difundem o ódio e protagonizam a violência contra índios, negros, pobres, homossexuais e mulheres.

O Conselho Indigenista Missionário manifesta preocupação com o clima de intolerância que se propaga, na região sul do país, contra os povos indígenas. Um racismo – às vezes velado, às vezes explícito – é difundido através de meios de comunicação de massa e em redes sociais. Ocorrem, com certa frequência, manifestações públicas de parlamentares ligados ao latifúndio e ao agronegócio contrários aos direitos dos povos indígenas e que incitam a população contra estes povos. Em todo o país registram-se casos de violência e de intolerância contra indígenas e quilombolas, manifestadas concretamente nas perseguições, nas práticas de discriminação, na expulsão e no assassinato de indígenas. Nestes últimos dias pelo menos cinco indígenas foram assassinados no Maranhão, Tocantins, Paraná e Santa Catarina.

O Conselho Indigenista Missionário espera que esse crime hediondo seja efetivamente investigado e que, não se cometam erros ao tentar dar uma resposta imediata à sociedade, imputando a um inocente crime que não praticou.

Conselho Indigenista Missionário - Regional Sul

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O soldado da Polícia Militar de São Paulo Anderson Silva Silva, de 32 anos, estava com amigos em um bar de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, quando três homens se aproximaram em duas motos e anunciaram o assalto. Silva reagiu, sacou sua pistola e foi baleado duas vezes. Chegou morto ao hospital. O triste caso do jovem, PM experiente e treinado no manejo de armas de fogo, é uma gota em oceano de casos semelhantes -—o site de buscas Google registra mais de 500.000 ocorrências para os termos “policial morre após reagir a assalto”. No entanto é precisamente isso que os deputados da bancada da bala, nome dado ao grupo de parlamentares ligados aos interesses dos fabricantes de armamentos, querem que o cidadão comum – sem experiência em combate– faça: reaja e atire de volta. Ou morra tentando.

Em outubro deste ano uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou um relatório que na prática acaba com o Estatuto do Desarmamento, que entre outras coisas proibia o porte de armas para pessoas que não agentes da lei. O relator da matéria, Laudivio Carvalho (PMDB-MG), defendeu o texto, afirmando que a mudança - que ainda precisa ser aprovada no plenário da Câmara e no Senado - vai evitar que a população seja “refém de delinquentes”. No entanto, não existe nenhum estudo científico ou especialista da área que estabeleça a relação entre aumento no número de armas e queda do número de assaltos. “Até policiais treinados morrem reagindo", afirmou Bruno Langeani, coordenador de do Instituto Sou da Paz.

Na verdade, a literatura acadêmica produzida no país aponta no sentido contrário: menos armas, menos mortes. O Mapa da Violência, estudo mais completo sobre mortes por arma de fogo no país, produzido pela Falculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), apontou que o Estatuto do Desarmamento foi responsável por salvar 160.000 vidas desde que foi sancionado pelo então presidente Lula em 2003. O diretor de de Estudos e Políticas do Estado do Instituto de Pesquisa Econômica Avançada (Ipea), Daniel Cerqueira, disse perante a comissão especial da Câmara que o Estatuto “foi uma das leis mais importantes nas últimas décadas no Brasil”. “Há uma relação de causalidade entre a redução do número de armas com a queda dos homicídios. Onde se tem uma maior difusão de armas de fogo, a taxa de homicídios aumenta em 1% ou 2%”, afirmou perante uma plateia de deputados desinteressados em seus argumentos científicos. Já o relatório da ONU Global Study on Homicide, afirma que "o grande número de homicídios nas Américas mostra que, dependendo do contexto, o acesso facilitado às armas pode ter um efeito significativo no número de mortes".

Além do Ipea, da Flacso e da ONU, a produção acadêmica que aponta para uma relação entre aumento na quantidade de armas em circulação com um incremento na violência conta com teses de mestrado e doutorado da Universidade de São Paulo, Faculdade Getúlio Vargas e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Mas não são apenas acadêmicos que consideram o fim do estatuto ruim para a sociedade - policiais e secretários de Segurança Pública também engrossam o coro. José Mariano Beltrame, titular da pasta no Rio de Janeiro, e o coronel da PM Robson Rodrigues, chefe do Estado Maior Geral da PM do Rio, assinaram, ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de mais de 70 pesquisadores de dezenas de universidades, carta aberta ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pedindo a manutenção da legislação atual. Em entrevista, Beltrame chegou a dizer que é preciso “desarmar as pessoas e não armá-las”, e afirmou que “se os parlamentares querem efetivamente ajudar, que canalizem esta energia, este esforço no sentido de ampliar as condições para que a segurança pública no país possa é melhorar”.

Nada disso sensibilizou a comissão, que votou pela flexibilização do estatuto. Em suas fileiras, o colegiado conta com 11 parlamentares que já receberam doações de empresas de armas - entre eles o presidente do órgão, Marcos Montes (PSD-MG), que teve a campanha financiada pela Forjas Taurus, uma das maiores empresas do ramo de armamentos do país, e pela Companhia Brasileira de Cartuchos, fabricante de munições.

O professor da Universidade de Harvard David Hemenway realizou entrevistas com 150 pesquisadores que trabalham com a questão da violência e do controle de armas nos Estados Unidos. Assim como no caso brasileiro, houve praticamente um consenso com relação ao perigo de se ter uma arma. Dos acadêmicos entrevistados, 64% concordam que uma pistola ou revólver em casa torna o local mais perigoso (apenas 5% pensam que o lar fica mais seguro). 72% dos entrevistados também acreditam que ter armas no domicílio aumenta o risco de uma mulher residente ser vítima de homicídio. “Há consenso de que as armas não são usadas para autodefesa com muito mais frequência do que são usadas para crimes (73% contra 8%), e que a mudança para leis mais permissivas de porte de arma não reduziu as taxas de crime (62% ante 9%)”, escreve Hemenway, que conclui dizendo que “há consenso de que leis rígidas de controle de armas de fogo reduzem os homicídios (71% vs. 12%)”.

Praticamente a única literatura acadêmica citada pelo autor do projeto de lei que quer acabar com o Estatuto, o deputado Peninha Mendonça (PMDB-MG), é um relatório intitulado Would Banning Firearms Reduce Murder and Suicide? (Banir armas de fogo reduz homicídios e suicídios, em tradução livre), dos professores Don B. Kates e Gary Mauser. O texto foi parcialmente financiado pela National Rifle Association, a maior entidade ligada aos fabricantes de armas do mundo, o que, na visão de estudiosos, compromete sua imparcialidade.

No Brasil também parece haver consenso com relação à questão. Resta saber se os parlamentares irão prestar atenção a ele.

Fonte: ElPaís
Foto: Reprodução

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Os meios de comunicação precisam abrir mais espaço para histórias inspiradoras e positivas para contrabalançar a preponderância do mal, da violência e ódio no mundo, disse o papa Francisco nesta quinta-feira em sua mensagem de fim de ano.

Francisco recebeu cerca de 10 mil fiéis em uma solene cerimônia tradicional às vésperas do fim de ano, o “Te Deum” de ação de graças, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Em sua breve homilia, Francisco disse que o ano encerrado foi marcado por muitas tragédias.

“Violência, morte, sofrimento indizível de tantas pessoas inocentes, os refugiados forçados a deixar seus países, homens, mulheres e crianças sem lar, alimentos ou meios de subsistência”, afirmou.

Mas ele disse que também houve “muitos grandes gestos de bondade” para ajudar os necessitados “mesmo que eles não apareçam em programas noticiosos da televisão (porque) as coisas boas não fazem notícia”.

Ele disse que a mídia não deveria permitir que tais gestos de solidariedade sejam “ofuscados pela arrogância do mal”.

O papa argentino, em sua terceira cerimônia pelo ano-novo desde sua eleição em 2013, condenou a “sede insaciável de poder e a violência gratuita que o mundo viu em 2015”.

Fonte: Reuters
Fonte: Luca Zennaro/POOL/AFP

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Em Moçambique, as igrejas evangélicas estão em todos os cantos, e não param de atrair novos fiéis. As igrejas evangélicas brasileiras estão integradas à paisagem do país, seja em zonas rurais ou nos centros urbanos. Nos cultos, além de moçambicanos, há muitos pastores brasileiros.

O último censo, divulgado em 2007, revelou que os evangélicos representam 10% da população moçambicana. É a quarta religião mais praticada no país e tem atraído novos fiéis, principalmente por causa da forte presença das igrejas evangélicas brasileiras. Elas não param de crescer, nem de ganhar popularidade. Estão nas rádios e nos programas de televisão.

A Universal do Reino de Deus, por exemplo, é a mais influente de todas. Está em Moçambique há pouco mais de 20 anos. Tem uma estação de rádio, TV e um templo construído numa das principais avenidas de Maputo, capital do país. Sem falar nas pequenas igrejas espalhadas nas províncias.

A cozinheira Rosa Sumbana vai aos cultos todos os dias. “Tenho motivo de ficar em casa? Sem essa paz que eu achei aqui? Não há comparação”, diz Rosa.

Fiéis vão aos cultos em busca de esperança

Depois que o marido foi procurar trabalho na África do Sul e nunca mais deu notícias, a empregada doméstica Cristência Sebastião começou a frequentar uma igreja evangélica brasileira. Mãe de duas filhas, acredita que um dia pode ter uma vida feliz, promessa que costuma ouvir nos cultos. Vai sempre nas horas vagas. Foi o jeito que encontrou para não perder a esperança. “Cada vez que venho aqui, o meu coração se acalma”, diz ela.

De acordo com o sociólogo João Colaço, as igrejas podem ajudar os fiéis em algum sentido, mas "o empenho das pessoas, a crença de que é trabalhando que nós resolvemos problemas, que indo ao hospital, procurando profissionais especializados, é que nós resolvemos nossos problemas de saúde são fundamentais”. Caso contrário, finaliza, “acabaremos todos por ficarmos no meio do caminho, se apenas acreditarmos que a igreja pode resolver tudo”.

Com informações da RFI
Foto: Sponsorimpact

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As Igrejas de Inglaterra e da Escócia anunciaram nesta quinta-feira a assinatura de um "acordo histórico", que tem como objetivo reforçar os laços entre as duas regiões do Reino Unido e possibilitar um trabalho de maior união em especial nas questões sociais.

A "Declaração Columba", nome do acordo que deve ser apresentado no sínodo da Igreja da Inglaterra em fevereiro e na assembleia geral da Igreja da Escócia em maio, "reconhece a relação forte que já existe (entre as duas Igrejas) e vai ajudar a estimular e apoiar novas iniciativas", segundo um comunicado.

A declaração "afirma e reforça nossa relação em um momento particularmente crítico para a existência do Reino Unido", em referência aos referendos sobre a independência da Escócia, organizado em 2014, e sobre a permanência na União Europeia, que deve acontecer até o fim de 2017.

Além disso, permitirá aos pastores das duas Igrejas oficiar de maneira indistinta em seus locais de culto.

Este anúncio, considerado "histórico" pelos líderes das Igrejas, tem um forte caráter simbólico, já que as duas, frutos da Reforma mas com evoluções diferentes, travaram embates violentos no passado, que levaram inclusive à guerra civil inglesa no século XVII.

"É praticamente inimaginável em nosso mundo secular de hoje, mas a divisão entre o anglicanismo e o presbiterianismo constituiu um dos episódios mais violentos da história britânica", destaca o jornal Daily Telegraph.

Com informações da AFP
Foto: www.independent.co.uk