fbpx

 
Representações de organizações ecumênicas, movimentos populares, a equipe da CESE e igrejas que a compõem visitaram na quinta (06/06) comunidades pesqueiras de São Félix (BA), que vivem às margens do Rio Paraguaçu. A imersão na realidade do Recôncavo baiano permitiu: vislumbrar os impactos que os moradores e moradoras da região (que são basicamente trabalhadores/as da pesca) sofrem, em razão da ação de megaempreendimentos; e concretizar uma das missões da Assembleia anual da Coordenadoria Ecumênica de Serviço, que consiste em sensibilizar e reunir confissões de fé para as lutas por direitos de grupos populares.
 
Nesta edição, a Assembleia se sintonizou com a agenda da Semana de Oração pela Unidade Cristã 2019, que chama a atenção para os crimes ambientais provocados pelos interesses econômicos de grupos financeiros que têm na mineração a sua geração de riquezas – e que ainda fizeram morrer o Rio Doce, o Rio Paraopeba e com ameaças ao Rio São Francisco.
 
Durante visita ao território e à roda de diálogo, a comunidade local relatou que a poluição das águas vem sendo ocasionada pela junção dos seguintes elementos: despejo de dejetos no rio pela ETE (Estação de Tratamento de Esgoto de Muritiba); liberação de resíduos da fábrica de curtume (a Mastrotto Reich); e represamento das águas pela Barragem de Pedra do Cavalo e ação da usina hidrelétrica
 
 
Moisés Borges, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), informa que, no Brasil, já existem 1 milhão de atingidos. “Essas empresas nos consideram como ‘afogados’, como se não tivéssemos história. Esse passivo [que elas acarretam] tem que ser pago. Não só o dinheiro, mas em políticas públicas também”, adverte Moisés. “Existe um padrão de violação de direitos na construção de barragens no Brasil. O MAB vem pra somar na luta que vocês fazem nessa região. Quando unificamos força e vamos pra cima, conseguimos arrancar o que nos é de direito, nossos direitos fundamentais”.
 
 
Romi Bencke, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), reforça que essa não é uma problemática que deve ser preocupação apenas das populações afetadas. “O Brasil, a América Latina tem muita água e esta será a guerra do século 21. Eu gostei muito da fala do companheiro do MAB, quando disse que se a pedra bateu num companheiro aqui da Bahia a pessoa lá do Sul precisa sentir, porque a água é o que nos une. Acho que também a água é o que vai abrir uma enxurrada contra o fundamentalismo que muitas igrejas têm sentido ultimamente”.
 
Ana Gualberto, de Koinonia, reflete sobre as saídas que vê para os problemas da comunidade. “Atuo nas comunidades do Baixo Sul, em Camamu, que estão sendo impactadas por três empresas de mineração. A gente precisa compartilhar experiências e unir forças, precisamos estar junto desses outros movimentos que estão na luta pelos seus territórios, unificar essa luta pela água e garanti-la como direito”.
 
Foi apresentada também, durante a roda, a campanha de conservação da Bacia Hidrográfica do Rio Paraguaçu, que nasceu diante da morte do rio Utinga, em 2015, quando dezenas de ribeirinhos ficaram sem água pela primeira vez por 45 dias.
 
A reunião foi permeada por diversas expressões culturais, como apresentação de roda de samba de grupo mirim, percussão do projeto Afro Descendente, cânticos e feirinha de artesanato e comidas típicas. Diante da riqueza das trocas e dos compromissos assumidos para o fortalecimento das lutas dos pescadores e pescadoras da região, Antonio Bastos de Oliveira Neto, mais conhecido como Taffarel, pondera: “a vinda de vocês aqui mostra que nós não estamos sozinhos e também para reverberar para o poder público. Mostra também para a comunidade que é possível a gente continuar sonhando”, avalia o representante do Instituto Afroamérica, concluindo a visita da Assembleia da CESE ao município de São Félix.
 
Colaboraram também com as discussões da tarde de quinta o Conselho dos Pescadores (CPP) e Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP).
 
PARECER SOBRE O RELATÓRIO
 
No segundo e último dia (07), o grupo se reuniu na CESE para avaliação do relatório de atividades e financeiro da CESE (2018) e análise das propostas de alteração do atual Estatuto. Todo material foi aprovado, sem ressalvas.
 
Uma mística que remete ao tema da água como bem comum congregou as representações das igrejas e organismos ecumênicos presentes, finalizando a Assembleia Geral 2019.
 
CARTA FINAL DA ASSEMBLEIA
 
“Procurarás a justiça, nada além da justiça” (Dt 16.11-20)
 
Provocados e provocadas pelo tema bíblico que anima a Semana de Oração pela Unidade Cristã, nós, igrejas, organizações ecumênicas e inter-religiosas, pastorais sociais e movimentos sociais fomos ao encontro da comunidade do Bairro 135, em São Félix, localizada no Recôncavo Baiano. Nosso objetivo foi buscar sinais de justiça junto a uma população que ainda sofre as consequências da escravização do povo negro e do racismo estrutural, um dos principais pilares da desigualdade social brasileira.
 
Depois de conhecer a história da Barragem e Hidroelétrica Pedra do Cavalo, ouvimos as histórias de vida de moradores e moradoras da comunidade do Bairro 135, no município de São Félix/ BA. Nesta escuta-ativa-dialogal compreendemos que na comunidade a construção e a permanência da Barragem Pedra do Cavalo trouxe e consolidou situações de injustiça. Não há justiça na comunidade do Bairro 135. Os moradores e as moradoras são os impactados pela distorção da justiça.  A falta de justiça se percebe na absolutização do “direito” de um grupo financeiro enriquecer com a exploração do Rio Paraguaçu, destruindo o complexo ecossistema criado no entorno do rio. 
 
Os principais impactos da injustiça percebidos na comunidade são a violência psicológica, pois existe constantemente medo de a barragem romper, inundando e destruindo o povoado; além não há áreas de lazer. O esgoto do município de Muritiba e os dejetos produzidos pela empresa Mastrotto Brasil são despejados no rio Paraguaçu, obrigando o povoado a viver em meio à poluição e ao mau cheiro e levando à destruição do bioma e à diminuição da pesca, uma das principais fontes de renda da população. Essa injustiça atinge também nossos valores sagrados, uma vez que a água é um elemento que está presente na maioria das tradições de fé. 
 
E o desmonte de políticas públicas - como o Minha Casa Minha Vida - gera desemprego e diminui as alternativas de renda, pois um número significativo de moradores trabalhava na construção civil.
 
Estes fortes sinais de injustiça colocam a população diante de outros desafios como o de lidar com o tráfico de drogas, que seduz as juventudes - que veem aí a possibilidade de ascensão social e econômica - e com o alcoolismo que impacta mulheres e homens que perderam sua principal fonte de renda: a pesca.
 
“Procurarás a justiça, nada além da justiça” é a provocação que nos desafiou a irmos ao encontro da mencionada comunidade em São Félix. Pois não nos cabe o direito de ficarmos calados e caladas. Juntamos, portanto, nossas vozes às vozes das crianças, jovens, mulheres e homens de São Félix para reivindicar:
 
• Que o município de Muritiba pare de escoar seu esgoto no rio Paraguaçu;
• Que o Ministério Público Estadual medeie ações de reparação e mitigação para com a comunidade;
• Que o Grupo Votorantim, que administra a Usina Hidroelétrica de Pedra do Cavalo, dialogue com a comunidade, mediado pelo Ministério Público, a fim de iniciar um processo de reversão e reparação dos impactos provocados;
• Revitalização do Rio Paraguaçu para que a pesca retorne e as manifestações do sagrado sobrevivam;
• Que a administração municipal de Cachoeira cobre imediatamente da empresa Mastrotto Brasil a implementação de um sistema de tratamento dos dejetos para que estes não sejam lançados in natura no Rio Paraguaçu.
 
Sinais de justiça somente são perceptíveis se seres humanos, ecossistemas e as manifestações dos sagrados tiverem o direito à plena existência. Por isso, declaramos que toda a violação de direitos provocada pela absolutização do lucro é idolatria e viola a justiça da graça de Deus.
 
Fonte: CESE
Fotos: Reprodução

 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) repudia a publicação do Decreto nº 9.831, de 10 de junho de 2019, que acaba com a autonomia e as condições de funcionamento do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) e altera a composição do Comitê Nacional de Prevenção e Combate a Tortura (CNPCT). Tal medida estabelece uma ruptura perigosa com os Direitos Humanos mais básicos de todas as pessoas.
 
Segundo o MNPCT, o Decreto é uma retaliação aos órgãos públicos e organizações da sociedade civil que denunciam práticas sistemáticas de tortura em locais de privação liberdade. Destacam-se o os relatórios recentes que denunciam práticas desumanas e de tortura em Comunidades Terapêuticas, os Massacres no Sistema Prisional do Rio Grande do Norte, Roraima, Amazonas, e de atuação irregular da Força Tarefa de Intervenção Federal (FTIP) do Ministério da Justiça no Ceará.
 
A publicação do Decreto nº 9.831/2019 também viola o Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes (OPCAT). Além disso, rompe com valores civilizatórios e com a dignidade humana.
 
Esperamos que o Congresso Nacional, ou mesmo o Supremo Tribunal Federal, reajam a este Decreto. Conclamamos que os órgãos competentes, seja nas esferas estaduais ou federal, não ignorem os impactos do conteúdo deste Decreto em relação à violência policial, à negação da dignidade e humanidade das pessoas em privação de liberdade e em situação análoga à escravidão. 
 
Como igrejas cristãs, temos sempre em mente que Jesus Cristo também foi um torturado pelos poderes políticos e religiosos de sua época (Isaías 53:7 e João 19:1). Também naquele tempo, o poder do Estado, aliado a poderes religiosos legalistas, era um violador dos direitos das pessoas.
 
Em um país como o Brasil, que ainda não enfrentou de forma profunda o genocídio indígena, as consequências da escravização, do colonialismo, que não assume de forma honesta os crimes da ditadura militar e que assassina diariamente trabalhadores e trabalhadoras, é inadmissível que um Decreto como esse vigore.
 
Jesus Cristo, o torturado, “...é a nossa paz...
destruiu o muro da separação: o ódio” (Cf.: Ef 2:14).
 
CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
 
Imagem: Pixabay

 
Que atire o primeiro professor de História quem nunca ouviu falar sobre a caça às bruxas há alguns séculos. Não que essas mulheres mortas fossem bruxas de fato – imagina! Ali, de meados do século 14 até o 18, qualquer mulher que não tivesse comportamentos fora dos tradicionais poderia ser acusada de bruxaria e levada à fogueira por isso. Pois é.
 
Outro período significativo quando o assunto envolve julgamento de bruxas é o ano entre 1692 e 1693, em Salém, Massachusetts, nos EUA. A coisa ficou tão famosa que dificilmente encontramos alguém que nunca tenha ouvido nada a respeito das Bruxas de Salém. Agora nos conte: você sabe qual foi a história dessas mulheres?
 
Para começar: guerra, pacto com o tinhoso e refugiados
 
 
Vamos lá: nesse período, mais de 200 mulheres foram acusadas de praticar bruxarias e de fazer pacto com o tinhoso. Dessas, 20 foram mortas. Depois de algum tempo, o governo admitiu que matar essas mulheres foi um engano e até buscou maneiras de recompensar as famílias das vítimas, mas essas execuções continuam a repercutir até hoje.
 
Assim como no início do Período Moderno, em 1692 uma onda cristã espalhou a ideia de que o demônio estava solto em Salém, fazendo acordo com bruxas em troca da lealdade dessas mulheres. Um pouco antes, em 1689, ingleses e franceses disputavam território em colônias norte-americanas na chamada Guerra dos Nove Anos ou, ainda, Guerra do Rei William.
 
O conflito deixou grandes estragos no norte do estado de Nova York, nos EUA, e em Nova Escócia e Quebec, no Canadá. Como é de se esperar em casos de guerra, muitos refugiados procuraram abrigo em outras cidades, sendo que várias pessoas foram para a então Salém Village, hoje Salém.
 
A culpa é do oculto
 
A chegada dos refugiados abalou a economia local, aumentando ainda mais a rivalidade entre as famílias ricas da cidade e as que dependiam da agricultura. Na época, o primeiro ministro de Salém Village era Samuel Parris, conhecido por ser rígido e ganancioso.
 
Pulando para janeiro de 1962, chegamos ao momento em que tanto a filha de Parris, Elizabeth, com nove anos, quanto a sobrinha dele, Abigail Williams, de 11 anos, começaram a apresentar comportamentos estranhos. As meninas se contorciam, gritavam, arremessavam objetos, faziam sons bizarros e, por causa disso, foram examinadas por um médico.
 
O veredito do especialista? Eventos sobrenaturais, é claro. Na mesma época, outra criança, Ann Putnam, de 11 anos de idade, teve os mesmos sintomas que as garotas avaliadas pelo médico. Pressionadas por Jonathan Corwin e John Hathorne, magistrados, as garotas acabaram acusando três mulheres de bruxaria: Tituba, que era escrava de Parris; Sarah Good, uma moradora de rua; e Sarah Osborne, uma idosa pobre.
 
Enforquem as bruxas!
 
A partir da acusação, as três foram interrogadas por vários dias – Tituba foi a única a dizer que tinha feito um pacto com o demônio, afirmando ter assinado um livro e garantindo que mais bruxas estavam espalhadas por Salém, com o objetivo de acabar com os puritanos. As três acusadas acabaram presas.
 
As declarações de Tituba causaram furor em toda a cidade. Ao mesmo tempo, outra acusada de bruxaria, Martha Corey, causou ainda mais pânico. O motivo? Ela era cristã e participava ativamente da igreja local, ou seja: se até ela era uma bruxa, qualquer uma poderia ser. Em abril do mesmo ano, os tribunais de Salém julgavam dezenas de acusadas de bruxaria – nessa época até mesmo a filha de Sarah Good, uma garotinha de apenas quatro anos de idade, serviu como testemunha.
 
O número de acusadas não parava de crescer e, no dia 27 de maio de 1692, o governador William Phipps criou um tribunal especialmente para os casos de bruxaria. O primeiro julgamento foi o de Bridget Bishop, acusada de bruxaria por ser fofoqueira e promíscua. Ainda que tenha dito que não tinha qualquer envolvimento com bruxaria, ela acabou sendo considerada culpada e se tornou, no dia 10 de junho, a primeira pessoa enforcada sob a acusação de bruxaria.
 
E só piora
 
 
No mês seguinte, mais cinco mulheres foram condenadas ao enforcamento; em agosto, foram mais cinco e, em setembro, oito. À época, tanto o ministro Cotton Mather quanto seu filho, Increase Mather, então presidente de Harvard, pediam ao Governo para que não considerasse sonhos e visões como evidências em testemunhos.
 
Os pedidos foram considerados pelo governador Phipps, que estava em um dilema depois de sua própria esposa ser acusada de bruxaria – aí a coisa muda, né? Com o passar do tempo, as condenações diminuíram, e, em outubro, de 56 acusadas, três foram condenadas, e as mulheres que estavam presas acabaram sendo liberadas em maio de 1693.
 
Ainda assim, o estrago já tinha sido feito. Ao todo, 19 mulheres foram enforcadas, diversas morreram na prisão, um homem de 71 anos foi morto a pedradas e cerca de 200 pessoas foram acusadas de praticar bruxaria e realizar pactos com o demônio.
 
Com o fim das acusações, dos julgamentos, das prisões e das sentenças, começou a série de mea culpa com declarações de pessoas como o juiz Samuel Sewall, que pediu perdão publicamente por ter errado em seus julgamentos. No dia 14 de janeiro de 1697, o Tribunal Geral de Salém promoveu um dia de jejum em respeito às almas das mulheres condenadas.
 
Retratações e repercussões
 
Em 1711, as famílias das vítimas receberam 600 libras como forma de indenização, mas o estado de Massachusetts só se desculpou formalmente pela atrocidade em 1957, 250 anos após os enforcamentos.
 
A história triste de Salém acabou servindo de inspiração para artistas e pesquisadores – um artigo publicado em 1976 pela psicóloga Linnda Caporael afirmava que o comportamento estranho das crianças, avaliado como uma atividade paranormal pelo médico que as examinou, era, na verdade, resultado de uma contaminação por um tipo de fungo encontrado em centeio, trigos e outros cereais, já que o contágio por esse tipo de fungo pode causar vômito, contrações musculares e alucinações.
 
Atualmente, a atração mais visitada da cidade é justamente o Museu das Bruxas de Salém, que exibe documentos da época em cenários idênticos aos tribunais que julgavam as mulheres de então. O lugar é conhecido também por explorar o universo das bruxas ao longo da História.
 
Tempos modernos
 
Hoje, bruxas não são mais enforcadas. Mas centros religiosos de religiões como Umbanda e Candomblé seguem sendo invadidos, depredados, e suas lideranças ameaçadas, hostilizadas, quando não espancadas ou expulsas de seus territórios. Mais uma vez: tudo culpa do oculto. Só que não!
 
Com informações do portal Mega Curioso
Imagens: Reprodução
Obs.: o título foi adaptado

 
Em 1427, o papa Martinho V ordenou que os ossos de John Wycliffe fossem exumados de seu túmulo, queimados e jogados em um rio. Ele estava morto há 40 anos, mas a fúria que causou sua ofensa ainda estava viva (uma tradução ousada da Bíblia).
 
John Wycliffe (que viveu entre os anos 1330 e 1384) foi um dos principais pensadores ingleses do século 14. Naquela época, a Igreja era todo-poderosa, e quanto mais contato Wycliffe tinha com Roma, mais indignado se sentia. O papado, ele pensou, cheirava a corrupção e egoísmo. E esse pensador estava determinado a fazer algo a respeito.
 
Wycliffe começou a publicar panfletos, argumentando que, em vez de buscar riqueza e poder, a Igreja deve cuidar dos pobres. Em uma ocasião, ele descreveu o papa como "o anticristo, o sacerdote mundano orgulhoso de Roma e o mais maldito dos tosquiadores".
 
Em 1377, o bispo de Londres exigiu que Wycliffe aparecesse perante sua corte para explicar as "coisas surpreendentes que brotaram de sua boca". A audiência era uma farsa.
 
Como explica o escritor britânico Harry Freedman, da BBC Mundo, especialista em história da religião e da cultura e autor de The murderous history of Bible translations (Bloomsbury, 2016), começou com uma briga violenta sobre se Wycliffe devia se sentar ou não. Juan de Gaunt, filho do rei e aliado de Wycliffe, insistiu em que o acusado permanecesse sentado; o bispo exigiu que ele se levantasse.
 
Quando o papa ouviu falar sobre o fiasco, ele emitiu uma bula papal (carta papal ou documento oficial) em que Wycliffe era acusado de "ter vomitado da cela suja de seu coração as heresias mais perversas e condenáveis". Wycliffe foi acusado de heresia e colocado sob prisão domiciliar e mais tarde forçado a se retirar de sua posição de mestre do Balliol College, em Oxford.
 
A Bíblia pela emancipação
 
Wycliffe acreditava firmemente que a Bíblia deveria estar disponível para todos. Ele via a alfabetização como a chave para a emancipação dos pobres.
 
Embora algumas partes da Bíblia tivessem sido traduzidas para o inglês, ainda não havia uma tradução completa. As pessoas comuns, que nem falavam latim nem podiam ler, só podiam aprender com o clero. E muito do que eles achavam que sabiam, ideias como o fogo do inferno e o purgatório, não faziam parte das Escrituras.
 
Assim, com a ajuda de seus assistentes, Wycliffe produziu uma Bíblia em inglês, em um período de 13 anos, começando em 1382. Era inevitável que isso produzisse uma reação e, em 1391, antes da tradução da Bíblia ser concluída, um projeto de lei no Parlamento foi introduzido para proibir a Bíblia em inglês e prender qualquer pessoa que possuísse uma cópia.
 
O projeto de lei não foi aprovado, John de Gaunt cuidou disso no Parlamento, mas a Igreja retomou a sua perseguição contra Wycliffe, apesar de ter falecido sete anos antes, em 1384. Sem outras alternativas, o melhor que podiam fazer era queimar seus ossos (em 1427), mesmo apenas para garantir que seu local de descanso não fosse venerado.
 
O arcebispo de Canterbury disse que Wycliffe tinha sido descrito como "aquele canalha pestilento da memória condenável, sim, o precursor e discípulo do anticristo, como um complemento para a sua iniquidade, inventou uma nova tradução das Escrituras em sua língua materna".
 
Em 1402, o recém-ordenado sacerdote tcheco, Jan Hus, foi nomeado para um púlpito em Praga para ministrar na igreja. Inspirado pelos escritos de Wycliffe, agora circulando na Europa, Hus usou seu púlpito para fazer campanha pela reforma administrativa e contra a corrupção na Igreja.
 
Como Wycliffe, Hus acreditava que a reforma social só poderia ser alcançada através da alfabetização. Dar às pessoas uma Bíblia escrita em tcheco, em vez de latim, era um imperativo.
 
Hus reuniu uma equipe de estudiosos e, em 1416, apareceu a primeira Bíblia tcheca. Foi um desafio direto para aqueles que ele chamou de "os discípulos do anticristo" e a consequência era previsível: Hus foi preso por heresia.
 
O julgamento de Jan Hus, que ocorreu na cidade de Constança, é um dos mais espetaculares da história. Foi mais como um carnaval: quase todos as principais figuras da Europa compareceram. Um arcebispo chegou com 600 cavalos; 700 prostitutas ofereceram seus serviços; 500 pessoas se afogaram no lago; e o papa caiu da carruagem em uma pilha de neve.
 
A atmosfera era tão estimulante que a eventual condenação e execução brutal de Hus deve ter parecido antitética. O condenado foi queimado na fogueira. Sua morte incentivou seus partidários a uma revolta. Sacerdotes e igrejas foram atacados, as autoridades retaliaram. Em poucos anos, a Bohemia entrou em guerra civil. Tudo porque Jan Hus teve a coragem de traduzir a Bíblia.
 
Em relação à Bíblia inglesa, o tradutor mais famoso que perdeu a vida por esse crime foi William Tyndale. O décimo sexto século estava em pleno auge e Henry VIII estava no trono. A tradução da Wycliffe ainda estava proibida e, embora as cópias dos manuscritos estivessem disponíveis no mercado negro, eram difíceis de encontrar e caras de adquirir. A maioria das pessoas ainda não tinha ideia do que a Bíblia realmente dizia.
 
Contudo, a impressão em papel estava se tornando mais comum, e Tyndale achou que era o momento certo para uma tradução acessível e atualizada. Ele sabia que poderia criar uma Bíblia. Tudo o que precisava era do financiamento e da bênção da Igreja.
 
No entanto, ele rapidamente percebeu que ninguém em Londres estava disposto a ajudá-lo. Nem mesmo seu amigo, o bispo de Londres, Cuthbert Tunstall. A política da Igreja assegurou isso por um bom tempo. Contudo, o clima religioso parecia menos opressivo na Alemanha.
 
A Reforma Protestante
 
Lutero já havia traduzido a Bíblia para o alemão; a Reforma Protestante estava se acelerando e Tyndale achava que teria uma chance melhor de fazer seu projeto lá. Então viajou para Colônia e começou a imprimir.
 
Isso acabou sendo um erro. Colônia ainda estava sob o controle de um arcebispo leal a Roma. Quando estava no meio da impressão do Evangelho de Mateus, descobriu que os seguidores do arcebispo estavam prestes a invadir a imprensa. Ele pegou seus papéis e fugiu.
 
Essa história se repetia várias vezes. Tyndale passou os anos seguintes evitando espiões ingleses e agentes romanos. Mas ele conseguiu completar sua Bíblia e as cópias logo inundaram a Inglaterra, ilegalmente, é claro. O projeto estava completo, mas Tyndale era um homem marcado... e ele não era o único.
 
O cardeal Wolsey estava fazendo campanha contra a Bíblia de Tyndale. Ninguém relacionado a este ou sua tradução estava seguro. Thomas Hitton, um padre que o conheceu na Europa, confessou ter contrabandeado duas cópias da Bíblia para a Inglaterra. Foi acusado de heresia e queimado vivo. Thomas Bilney, um advogado cuja conexão com Tyndale era tangencial, no máximo, também foi jogado nas chamas em 1531.
 
Richard Bayfield, um monge que havia sido um dos primeiros apoiadores de Tyndale, foi torturado incessantemente antes de ser amarrado e pendurado em uma estaca. E um grupo de estudantes em Oxford foi deixado em uma masmorra que fora usada para armazenar peixes salgados até eles apodrecessem.
 
O fim de Tyndale não foi menos trágico. Ele foi traído em 1535 por Henry Phillips, um jovem aristocrata dissoluto que roubara o dinheiro de seu pai e o perdera no jogo.
 
Tyndale estava escondido em Antuérpia, sob a proteção quase diplomática da comunidade mercantil inglesa. Phillips tornou-se seu amigo e o convidou para jantar. Quando deixaram a casa do comerciante inglês juntos, Phillips chamou alguns bandidos que pegaram Tyndale. Foi o último momento livre de sua vida.
 
Ele foi acusado de heresia em agosto de 1536 e queimado na fogueira algumas semanas depois. Em Antuérpia, a cidade onde Tyndale acreditava estar seguro, Jacob van Liesveldt produziu uma Bíblia em holandês. Como tantas traduções do século 16, seu ato foi tanto político quanto religioso.
 
Sua Bíblia foi ilustrada com xilogravuras: na quinta edição, ele representou Satanás com a aparência de um monge católico, com pés de cabra e um rosário. Foi um passo longe demais. Van Liesveldt foi preso, acusado de heresia e condenado à morte. Foi uma era de assassinatos.
 
O século 16 foi, de longe, o período mais sangrento para os tradutores da Bíblia. Não obstante, as traduções da Bíblia sempre geraram fortes emoções e continuam a fazê-lo.
 
Em 1960, os recrutas da Reserva da Força Aérea dos EUA advertiram contra o uso da Versão estândar revisada recém-publicada porque, como afirmaram, 30 pessoas em seu comitê de tradução tinham participado ou tinham sido "parte das frentes comunistas".
 
Em 1961, o estadunidense T. S. Eliot, um dos principais poetas do século 20, em oposição à Nova Bíblia em inglês, escreveu que ela "surpreende em sua combinação do vulgar, trivial e pedante".
 
E os tradutores da Bíblia ainda estão sendo mortos. Não necessariamente por causa da sua tradução, mas porque é uma das coisas que os missionários cristãos fazem.
 
Em 1993, Edmund Fabian foi assassinado na Papua Nova Guiné por um homem local que o ajudara a traduzir a Bíblia. Em março de 2016, uma evangélica dos EUA foi morta por militantes em um local não revelado no Oriente Médio. Traduzir a Bíblia pode parecer uma atividade inofensiva, mas a história mostra que é tudo menos isso.
 
Fonte: Periodista Digital
Tradução: Ramón Lara / Dom Total
Foto: Reprodução / John-Mark Smith / Unsplash
 

 
Em conferência da Organização Internacional do Trabalho, que teve início esta segunda-feira 10, o Brasil descobriu que estava prester a ser o próximo nome da ‘lista suja’ da OIT, que investiga países que violam direitos trabalhistas. A decisão do Comitê do órgão aponta irregularidades em relação a reforma trabalhista de Michel Temer, e foi concretizada nesta terça-feira 11 pela manhã, em Genebra.
 
No evento, estão previstas figuras internacionais como Angela Merkel (primeira-ministra da Alemanha), Emmanuel Macron (presidente da França) e outros líderes mundiais. O governo Bolsonaro, no entanto, não mandou nem um ministro e encarregou o secretário do Trabalho. Bruno Dalcomo, de tentar sugerir mudanças nas regras do processo da lista. A informação é da coluna do jornalista Jamil Chade.
 
Sem acatar à decisão, o Brasil e outros países da América Latina teriam defendido uma “revisão dos métodos de trabalho” do órgão, que mesmo assim incluiu o País em uma lista de 24 nações que mais violam direitos trabalhistas. A lista inclui Honduras, Uruguai, Egito, Turquia, Mianmar, Iraque, Yemen, Etiópia, entre outros.
 
Não é a primeira vez que o Brasil entra na mira da OIT – e as motivações são as mesmas. Em 2018, a Organização também incluiu o País na lista, informando acompanhar as tramitações da reforma trabalhista, mas não houve denúncia póstuma.
 
Ainda segundo a coluna de Jamil Chade, o governo enviou nota avisando que não aceitaria interferência da OIT no que chamou de “assuntos domésticos brasileiros”. Com um greve geral marcada para a próxima sexta-feira 14 e uma crise institucional propulsionada pelo ministro da Justiça Sergio Moro, a notícia não pode ser boa para Bolsonaro.
 
Com informações da Carta Capital
FOTO: CROZET/POUTEAU - OIT

 
Políticas Públicas para construção do Bem-Viver”. Este foi o tema do 3º Encontro Regional do Movimento Fé e Política do Planalto Central (Brasília e Região Metropolitana), que reuniu cerca de 40 participantes na tarde do sábado, dia 25 de maio, na Universidade Católica de Brasília, campus Taguatinga (DF).
 
A ciranda proposta na Vigília Nacional contra a Destruição da Previdência Pública e Solidária, ao ritmo da “Suíte do Pescador” (Dorival Caymmi), inaugurou a mística do 3º Encontro, que foi realizado em preparação ao 11º Encontro Nacional de Fé e Política, que será realizado de 12 a 14 de julho, em Natal (RN).
 
O auge do 3º Encontro Regional foi o debate - a partir da mesa temática - que contou com a participação de Gilberto Carvalho, trabalhando o tema da Conjuntura Internacional e Nacional e nossas tarefas no resgate da democracia; da pastora Romi Bencke, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), que abordou o tema do papel das religiões e os fundamentalismos utilizados na justificação do abuso do poder nos tempos atuais; e da deputada Distrital Arlete Sampaio, que falou sobre a conjuntura do DF no contexto nacional e o desafio do acesso às políticas públicas para o Bem-Viver a partir do contexto local.
 
 
Emergiram compromissos urgentes a partir do debate: a necessidade de um trabalho concreto e organizativo junto aos/às trabalhadores/as desempregados/as; o diálogo com vizinhos e colegas de trabalho sobre os riscos e danos que a Reforma da Previdência (EC nº 06/19) pode trazer; o retorno aos espaços eclesiais para fermentar uma reflexão bíblica popular libertadora e uma teologia “pé-no-chão”; o apoio às manifestações de rua contra: os cortes na Educação, o projeto de “autorização para matar”, apresentado pelo Ministério da Justiça; a liberação das armas e a Reforma da Previdência, entre tantos temas imperiosos.
 
Alimentar uma espiritualidade política que gere integralidade na luta pela vida humana, em defesa dos povos indígenas e comunidades tradicionais e seus territórios, e da mãe terra foi a tônica durante todo o encontro. Informações práticas sobre o 11º Encontro Nacional também foram partilhadas, além da indicação para realização das inscrições pela página na internet do Movimento Fé e Política.
 
Concluímos com a oração cantada do Pai-Nosso dos Mártires, a bênção da Pastora Romi e o Abraço da Paz, saindo com as esperanças renovadas, rumo à Natal (RN).
 
Texto: Daniel Seidel, com adaptações 
Fotos: Fred Brasiliense / Fé e Política.org

 
Reunidos no dia 28 de maio, os bispos do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) discutiram sobre as Campanhas da Fraternidade de 2020 e 2021. Para o próximo ano, com o trabalho iniciado, foi apresentado o andamento da preparação do texto-base. Para 2021, quando a Campanha será ecumênica (CFE), os bispos pensaram em sugestões de temas para apresentar ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), responsável por dinamizar a CFE.
 
Campanha da Fraternidade Ecumênica
 
Os bispos começaram tratando da CFE 2021, cuja realização foi aprovada em Assembleia Geral. O bispo de Cornélio Procópio (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB, dom Manoel João Francisco, retomou o histórico das CFEs, realizadas em 2000, 2005, 2010 e em 2016, sendo a primeira como sugestão da CNBB, inspirada na motivação de São João Paulo II, e as demais por solicitação do CONIC.
 
“A CNBB e outras igrejas sugerem temas, uma comissão elabora o texto base, o CONIC prepara e encaminha tudo”, explicou dom Manoel sobre o processo das CFEs.
 
O assessor da Comissão, padre Marcus Barbosa Guimarães, que é subsecretário adjunto de Pastoral da CNBB, complementou recordando o pedido da Assembleia Geral para que haja revisão do modelo, da gestão dos recursos e da composição da comissão que avalia os recursos.
 
Na sequência, os bispos discutiram sobre o possível tema que deve ser sugerido ao CONIC. A primeira sugestão, “Educar para o diálogo” foi bem acolhida, mas também recebeu sugestões de acréscimos em diferentes perspectivas. Os bispos ressaltaram a pertinência da temática no contexto de intolerância que marca a atualidade, a necessidade de refletir sobre a educação, a oportunidade de contribuir na reflexão à luz da Palavra de Deus e ainda promover ações para favorecer o ecumenismo dentro da Igreja, além de refletir sobre a situação da educação no país e educar para as virtudes.
 
CF 2020
 
O bispo auxiliar de Brasília (DF) dom Leonardo Steiner apresentou aos membros do Consep o trabalho de preparação do texto-base da CF 2020, iniciado ainda em 2018. Até o momento, já foram concluídas as duas primeiras partes do texto. Durante a apresentação, dom Leonardo colheu sugestões de acréscimos as três partes do texto, como falas de irmã Dulce, por exemplo. Além de indicações para a terceira e última parte do texto, o agir. A partir daí, o Conselho deve definir as próximas etapas de preparação da próxima CF.
 
“Ao invés de discutir uma realidade única, achamos por bem fazer uma abordagem ampla sobre o valor da vida, dada a banalização da vida como o suicídio e a automutilação”, ressaltou dom Leonardo.
 
Fonte: CNBB
Foto: CNBB

 
A Fundação Luterana de Diaconia (FLD) foi acolhida, como membro-fraterno do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), durante a XVIII Assembleia do CONIC realizada de 28 a 30 de maio, em São Paulo (SP). Iniciada com um debate sobre Diversidade Reconciliada na Mesa Comum, a Assembleia também teve apresentação de relatórios, mudança de regimento e eleição da nova Diretoria e Conselho Fiscal para o período 2019 a 2022.
 
“Como membro-fraterno, a FLD torna-se parceira do CONIC no exercício de sua missão que se expressa em testemunho diaconal ecumênico, resultando em ações de promoção da justiça e defesa de direitos”, disse o vice-presidente da Diretoria da FLD, pastor Fábio Rucks, que participou da Assembleia. Ele apresentou o trabalho da Fundação Luterana de Diaconia para as pessoas presentes, contando um pouco sobre como foi constituída, seus temas orientadores – diaconia transformadora e gestão democrática com justiça de gênero –, além de apresentar programas e projetos, como o Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN) e o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), recentemente incorporados à FLD, o Programa de Pequenos Projetos, a exposição Nem tão Doce Lar, a Rede de Diaconia – em parceria com a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – a Rede de Comércio Justo e Solidário e o projeto Educação para a Solidariedade e Paz – em parceria com a Rede Sinodal de Educação.
 
“O acolhimento representa o estreitamento de laços e cooperações que já vêm acontecendo”, avaliou pastor Fábio. “Por meio do CONIC, a FLD se soma a espaços para troca de experiências, diálogos e articulações, com outras organizações ecumênicas, favorecendo uma ação mais ampla e cooperada”.
 

 
No dia 30 de maio, em São Paulo, Christian Aid realizou o lançamento de sua Estratégia Global 2019-2026. Estiveram presentes organizações parceiras da Christian Aid no Brasil, equipe internacional da Christian Aid, representantes do governo irlandês e lideranças religiosas. O evento foi no Consulado da Irlanda.
 
O evento apresentou a estratégia e o compromisso da organização em fortalecer um movimento global por justiça e fortalecer parcerias pelo compromisso com a erradicação da pobreza extrema e suas causas estruturais, além da ampliação de vozes proféticas dos pobres e marginalizados.
 
“A crescente presença irlandesa na América Latina demonstra o compromisso do governo irlandês com essa parte do mundo. Parabéns à Christian Aid pelo lançamento dessa Estratégia Global!” – Barry Tumelty, cônsul da Irlanda em São Paulo.
 
“(…) A Christian Aid está lançando sua estratégia global no Brasil, e como secretário geral da Aliança ACT eu quero aproveitar essa ocasião para enviar uma saudação e ressaltar a importância dessa estratégia para a nossa Aliança. (…) Como uma organização baseada na fé, a estratégia reflete a nossa crença de que todos os seres humanos são criados à imagem e semelhança de Deus, e portanto agentes de direito. A estratégia articula o desejo de que todos tenham vida em abundância e o compromisso de fazer tudo que pudermos para garantir que a nossa contribuição seja focada em realizar essa visão. Parabéns Christian Aid e seus parceiros no Brasil! – Rudelmar Bueno, secretário-deral da Aliança ACT 
 
“O Brasil é o primeiro país a realizar um evento de lançamento da Estratégia Global. Em um momento de muitos desafios na America Latina e de crescente pobreza, essa é uma importante expressão de solidariedade.” - Mara Luz, chefe da Divisão América Latina e Caribe da Christian Aid
 
No atual contexto de aumento da pobreza e violência no país, a Christian Aid tem um importante papel a cumprir como organização global atuando localmente. Conectando atores de fé e comunidades locais com igrejas do Reino Unido, a organização permanece junto àqueles que lutam por justiça, por dignidade e por igualdade.
 
 
Texto e fotos: Assessoria Christian Aid

 
... como filhos do Reino de Deus, somos parte da rebelião dos tempos atuais. Devemos estar na vanguarda dos movimentos de transformação do mundo contemporâneo. (João Dias de Araújo - Conferência do Nordeste)
 
Nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre todos os povos, os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. (At 2.17) 
 
Por: Rev. Cláudio Márcio (IPU)*
 
A promessa do derramamento do Espírito proporciona outra relação com o divino, uma vez que, agora, não se trata de espaços geográficos, objetos sagrados e ou povos exclusivos, mas, a dimensão corpórea entra em cena e Deus faz morada em (e entre) nós. Esse deslocamento de percepção gera uma outra experiência de vida, pois, o corpo é sagrado. Como aponta Leonardo Boff em sua obra Igreja: Carisma e Poder, “o que há de mais sagrado do que a pessoa humana? O sagrado da pessoa é mais importante que o sagrado dos objetos e espaços sagrados” (BOFF, 2010, p.63).
 
De fato, o logos se encarnou e habitou entre nós e o sacramento eucarístico revela: “isto é o meu corpo dado por vós” (Lc 22.19). Ora, sabe-se que o fenômeno religioso é cheio de ambivalências, logo, tanto o corpo pode ser regularizado, isto é, castrado, controlado, docilizado, mas, também pode ser liberto, encorajado, empoderado.
 
O teólogo Rubem Alves, falando sobre a religião, aponta que: “Ela se presta a objetivos opostos, tudo dependendo daqueles que manipulam os símbolos sagrados. Ela pode ser usada para iluminar ou para cegar, para fazer voar ou paralisar, para dar coragem ou atemorizar, para libertar ou escravizar” (ALVES, 2003, p. 104). Neste sentido, a questão não é se o fenômeno religioso é “ópio” ou “suspiro do oprimido”. Não se trata de dicotomias e, muito menos, uma leitura fundamentalista da Bíblia. Minha sugestão como chave hermenêutica é pensar a dinâmica do Espírito Santo como ato de subversão, ou seja, de reorganização social em defesa da vida e justiça social diante das estruturas estruturadas e estruturantes da morte.
 
Com efeito, a relação Igreja e Sociedade, assim como, Fé e Política exige de nós (cristãos progressistas) uma tomada de posição. É preciso coragem e discernimento para perceber o sopro misterioso do Espírito para além das comunidades eclesiásticas. Aliás, cabe a provocação: diante da mercantilização da fé e da instrumentalização da Bíblia para manipular e oprimir, o Espírito Santo frequenta essas igrejas e instituições?
 
Honestamente, tenho encontrado sinais do Espírito Santo no meio de organizações sociais, no meio dos sindicatos, no chão das fábricas, nas praças da cidade e, não menos, no campo religioso. Como abaliza Rubem Alves sendo parafraseado, o pássaro encantado não pode ser capturado, o que se tem, por vezes, é um pássaro empalhado, isto é, um ídolo. Sabemos que o Espírito é dinâmico (Gn 1.2) e que gera vida onde só havia morte (Ez 37), desta forma, defendo e proponho um movimento pela vida em sua multiplicidade. 
 
Acredito que impulsionados pelo sopro do Espírito devemos assumir uma espiritualidade do serviço, pois, o maior é o que serve (Mt 23.11). A fé cristã celebra em pentecostes o sopro do Espírito Santo que (re)cria todas as coisas animando e capacitando todos(as) que estão no caminho para a grande missão. Desta maneira, é chegado um novo tempo de abertura, fraternidade, justiça e libertação. 
 
O Espírito Santo não pode ser controlado, silenciado, e não é propriedade exclusiva de nenhum grupo eclesiástico. O Espírito se movimenta no mundo! O Espírito é contra-hegemônico no que se refere à bancada da bíblia, do boi e da bala. Diante deste contexto caótico e complexo, é necessária a figura do profeta, logo, como abaliza Boff: “porque a Igreja vive esta contradição, sempre é possível nela a irrupção do profeta e do espírito libertário que a faz se encaminhar na direção daqueles grupos que buscam relações mais justas na História e se organizam nos marcos de uma prática revolucionária” (BOFF, 2010, p. 235).
 
É neste aspecto que o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) assumiu no Brasil a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) com o tema inspirado em Deuteronômio, "Procurarás a justiça, nada além da justiça" (Dt 16.11-20) conclamando cristãos e cristãs a celebrarem em comunhão e respeito a diversidade e, não menos, “acertar o tom” de uma voz profética e libertadora que não pode se calar e ou omitir, pois, é o Espírito que diz e quem tem ouvidos precisa ouvir.
 
Será que ao som da flauta tocada você não irá dançar? (Mt 11.17) Com efeito, você ainda tem sonhos e visões? Você acredita que outra realidade mais justa e equânime pode ser estabelecida? Se sim, o que efetivamente tem sido sua contribuição para que o Evangelho seja proclamado? Saiba que só teremos êxito e seremos felizes sendo capazes de perceber o agir misterioso do Espírito Santo. É preciso fé e sensibilidade para compreender os sinais do Senhor na caminhada, todavia, lembre-se: não sabemos de onde o vento vem e para onde vai. Que assim seja nossa disponibilidade, pois, nascemos do Espírito (Jo 3.8). 
 
Nossa oração neste dia: que o vento subversivo do Espírito Santo traga vida, consolo, esperança, libertação e cura existencial. Sopra Espírito e nos faz olhar para cima e ao redor livrando-nos da dicotomia e ou alienação. Que cada um(a) seja capaz de ouvir hoje: “tu és meu filho(a) amado(a)” (Mc 1.11).
 
*Cláudio Márcio é reverendo da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) de Muritiba - cidade serrana do Recôncavo da Bahia.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALVES, Rubem. O que é religião. 5° ed. São Paulo: Edições Loyola, 1999
BOFF, Leonardo. Igreja: Carisma e Poder. 2° ed. Rio de Janeiro. Record, 2010
 
Foto: Pixabay