fbpx

 
Reunidos no último dia 1º de dezembro, membros do CONIC do Agreste de Pernambuco celebraram mais um ano de atividades e parcerias ecumênicas com uma confraternização de fim de ano na residência do Bispo da Igreja Católica em Caruaru, Dom Bernardino Marchió.
 
No encontro, estiveram presentes representantes das Igrejas-Membros do CONIC do Agreste: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Também marcaram presença Sônia Mulsseman, da Igreja Menonita, e Pr. Marcos Quaresma, ligado à missão Sepal – Servindo aos Pastores e Líderes.
 
Na ocasião, o reverendo Claudio Linhares compartilhou informações sobre o Encontro dos Regionais do CONIC que ele participou em Brasília (saiba mais aqui: https://bit.ly/2qXq7vf). Os presentes também ouviram o relato do bispo Filadelfo Oliveira sobre o 37º Encontro Ecumênico dos Bispos Amigos dos Focolares, realizado no início de novembro, na Suécia.
 
Após os relatos, membros do Regional do CONIC receberam um modelo de Estatuto para análise e aprovação, e aprovaram a proposta do Movimento dos Focolares (Região Pernambuco) para ingressar ao CONIC do Agreste como Membro Fraterno. Também foram marcadas as primeiras atividades para o ano de 2019, incluindo uma proposta de Encontro de Juventude Ecumênica.
 
“As atividades foram encerradas com um almoço partilhado e com a certeza que em 2019 teremos muitas construções significativas para realizarmos juntos”, concluiu Claudio Linhares.
 
 
Fotos: Claudio Linhares

 
Cansadas de ver como os textos sagrados são usados para justificar a submissão da mulher, um grupo de teólogas feministas protestantes e católicas uniu forças para redigir uma "Bíblia das Mulheres". As mulheres apresentadas nas traduções e interpretações da Bíblia são subservientes, prostitutas, ou santas.
 
Mas, enquanto o movimento #MeToo continua expondo abusos sexuais em todas as culturas e indústrias, e muitas feministas pedem para que se deixe a religião de lado, um eclético grupo de teólogas insiste em que, se forem interpretadas adequadamente, as Sagradas Escrituras podem ser uma ferramenta para promover a emancipação da mulher.
 
"Os valores feministas e ler a Bíblia não são incompatíveis", insiste Lauriane Savoy, uma das duas catedráticas por trás de "Une Bible des Femmes" ("Uma Bíblia das Mulheres"), lançada em outubro passado.
 
Esta professora da Faculdade de Teologia em Genebra, estabelecida pelo próprio pai do Calvinismo em 1559, conta que a ideia surgiu quando ela e sua colega Elisabeth Parmentier se deram conta do pouco que as pessoas conhecem, ou entendem, dos textos bíblicos.
 
"Muita gente pensava que (os textos) estão totalmente defasados, que não têm relevância nos atuais valores de igualdade", diz a professora à AFP, sob as esculturas de Calvino e de outros fundadores do Protestantismo no campus da Universidade de Genebra.
 
Para rebater essas noções, Savoy, de 33, e Parmentier, de 57, uniram-se a outras 18 mulheres teólogas de vários países e correntes do Cristianismo e criaram uma coletânea de textos que põe em xeque as tradicionais interpretações da Bíblia que apresentam as mulheres como frágeis e subordinadas aos homens.
 
Parmentier cita como exemplo uma passagem do Evangelho de Lucas, na qual Jesus visita duas irmãs, Marta e Maria.
 
"Diz que Marta garanta o 'serviço', o que foi interpretado como que ela sirva a comida, mas a palavra grega 'diakonia' também tem outros significados. Poderia significar que fosse uma diaconisa", explica.
 
Acabar com a ortodoxia religiosa
 
Elas não são as primeiras a oferecer uma visão das Escrituras mais favorável às mulheres.
 
Já em 1898 a sufragista americana Elizabeth Cady Stanton e um comitê de outras 26 mulheres redigiu "A Bíblia da Mulher", que buscava acabar com a ortodoxia religiosa de que as mulheres deveriam ser servis aos homens.
 
Inspiradas nesse texto, as duas teólogas de Genebra pensaram, em um primeiro momento, em traduzi-lo para o francês. Depois, consideraram o material muito defasado e decidiram criar uma nova obra, em consonância com os novos tempos.
 
"Queríamos trabalhar de forma ecumênica", explica Parmentier, ressaltando que cerca de metade das participantes do projeto é católica, e as demais, de vários ramos do protestantismo.
 
Na introdução de "Uma Bíblia das Mulheres", as autoras apontam que os capítulos buscam "escrutinar (...) coisas que ficaram maquiadas, traduções tendenciosas, interpretações parciais" na tradição cristã.
 
Persistentes leituras patriarcais
 
As autoras também advertem para as "persistentes leituras patriarcais que justificaram inúmeras restrições e proibições às mulheres".
 
Savoy aponta Maria Madalena como exemplo: "Esteve ao lado de Jesus quando todos os discípulos masculinos estavam assustados. Foi a primeira que visitou seu túmulo e descobriu sua ressurreição", afirmou. "É um personagem fundamental, mas é descrita como uma prostituta (...) inclusive como a amante de Jesus em ficções recentes", lembra.
 
As acadêmicas também tentam contextualizar os textos. Algumas passagens de cartas enviadas por São Paulo às nascentes comunidades cristãs poderiam ser consideradas antifeministas e lê-las como instruções de como se deveria tratar as mulheres hoje é um contrassenso, defende Parmentier. "É como considerar uma carta que alguém envia para dar conselhos válida para toda eternidade", insiste.
 
As autoras consideram que seu trabalho é uma ferramenta útil em tempos de #MeToo. "Cada capítulo aborda questões existenciais para as mulheres, perguntas que elas mesmas se colocam atualmente", afirma Parmentier.
 
"Enquanto algumas dizem que, para ser feminista, é preciso tirar a Bíblia, nós acreditamos no contrário", completa.
 
Foto: Fabrice Cofrini/ AFP

 
 
O jurista francês René Cassin não queria proteger um ou outro grupo específico de pessoas quando disse: “Não haverá paz neste planeta enquanto os direitos humanos forem violados em alguma parte do mundo”. Um dos autores do texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, o ganhador do Nobel da Paz de 1968 incluiu todos os Homo sapiens naquela frase célebre. Morto em 1976, aos 88 anos, Cassin seria uma ótima pessoa para invocar diante de compreensões equivocadas sobre a expressão “direitos humanos”, quase 70 anos depois da adoção do texto pela comunidade internacional.
 
O respeito pelos direitos de todos os humanos, explícito na declaração, é o tema do Dia Internacional da Paz, celebrado nesta sexta-feira. Num texto sobre esta data divulgado em seu site, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) afirma que os direitos humanos “são um pré-requisito para uma sociedade pacífica”. Mas a mesma mensagem alerta para desafios no caminho dessa paz, como a desigualdade social, os conflitos gerados pelas mudanças climáticas e as visões extremistas que se espalham pelo mundo.
 
Segundo o coordenador do Setor de Ciências Naturais e Sociais da Unesco no Brasil, Fabio Eon, os direitos humanos estão sendo alvo de uma onda conservadora que trata a expressão como algo politizado.
 
— Existe hoje uma tendência a enxergar direitos humanos como algo ideológico, o que é um equívoco. Os direitos humanos não são algo da esquerda ou da direita. São de todos, independentemente de onde você nasceu ou da sua classe social. É importante enfatizar isso para frear essa onda conservadora — ressalta Eon, que sugere um remédio para o problema: — Precisamos promover uma cultura de direitos humanos. É muito bom celebrar o aniversário da declaração. Pouca gente conhece os artigos do texto. O tema poderia, por exemplo, estar dentro das escolas como um assunto transversal. Precisamos romper com esse ranço, essa mentalidade machista e retrógrada que age pela violação dos direitos humanos.
 
Dados divulgados no mês passado mostram a falta de entendimento sobre o assunto. De acordo com a pesquisa Pulso Brasil, do Instituto Ipsos, seis em cada dez brasileiros se dizem “a favor” dos direitos humanos. Mas, ao mesmo tempo, 63% dos entrevistados acham que os “direitos humanos defendem mais os bandidos que as vítimas”. A percepção chega a 79% na região Norte do Brasil. E alcança 76% entre as pessoas com ensino superior. Além disso, uma em cada cinco pessoas se declarou contra a própria existência dos direitos humanos.
 
Ainda de acordo com a pesquisa, 43% dos brasileiros evitam falar sobre o assunto com outras pessoas, com medo de serem vistas como alguém que defende bandidos.
 
Para o pesquisador Cézar Muñoz, da organização Humans Rights Watch no Brasil, a promoção dos direitos humanos gerou uma série de avanços na sociedade. Mas ele também vê com preocupação a deturpação de sentido que ocorre no Brasil.
 
— A percepção no país está distorcida por causa das pessoas que acham que os direitos humanos só protegem as minorias. Organizações como a nossa se dedicam a monitorar violações dos direitos humanos, o que ocorre frequentemente contra as minorias. Mas o último relatório que escrevi foi sobre violência doméstica, um problema que não afeta um grupo pequeno de pessoas. É generalizado, ocorre em todas as regiões do país — afirma o pesquisador.
 
Texto de 1948 embasou medidas contra a violência
 
Adotada na terceira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, ainda sob o trauma da Segunda Guerra Mundial, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é composta por 30 artigos que expressam garantias individuais que devem ser usufruídas por todas pessoas, como o direito à vida, à liberdade e à segurança.
 
Embora não seja vinculante, o documento serviu de inspiração para diferentes constituições federais e também embasou reações da comunidade internacional diante de violações de direitos humanos no mundo, como durante a guerra civil que eclodiu na Bósnia e Herzegovina, em 1992, o genocídio étnico ocorrido em Ruanda, em 1994, e os conflitos que assolam o Sudão do Sul, desde 2013, gerando desabrigados, fome e mortes.
 
A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, disse, no último sábado, que a declaração afirma os valores que devem guiar as democracias. “Vamos nos unir para assegurar que a promessa de paz e justiça apoiada pela democracia seja cumprida”.
 
Fonte: O Globo
Foto: DIBYANGSHU SARKAR / AFP

 
Todos os anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a Campanha da Fraternidade (CF) como caminho de conversão quaresmal. Fraternidade e Políticas Públicas é o tema da Campanha para 2019. O profeta Isaías inspira o lema: "Serás libertado pelo direito e pela justiça" (Is 1,27). 
 
Fundamentado em três importantes pilares (ver, julgar e agir), o Texto-Base da CF foi cuidadosamente pensado para despertar o desejo da "participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade".
 
A boa notícia de hoje é que você pode baixar gratuitamente o Kit Campanha da Fraternidade 2019.
 
Para isso, basta clicar aqui: https://bit.ly/2Uc2RaB
 
O kit contém:
• Áudio do Hino
• Caderno de Cifras e Partituras
• Slide para Data Show
• Cartaz da CF
• Vídeo do Hino da CF
 

 
Se alguém entrar na Igreja Bethel, em Haia, na Holanda, e perguntar há quanto tempo o culto começou, não vai nem acreditar na resposta. Foi há 29 dias. Pastores têm se revezado na condução de um mesmo culto, 24 horas por dia, desde o dia 26 de outubro. Isso porque essa comunidade está determinada a salvar uma família de imigrantes de ser deportada – e a lei holandesa proíbe oficiais de polícia de entrar em espaços de culto durante as liturgias.
 
A família é armena e está na Holanda há 9 anos. Sasun Tamrazyan fugiu do seu país de origem com a esposa Anousche e os três filhos, Hayarpi, Warduhi e Seyran (foto abaixo), depois que a sua atividade política lhe valeu ameaças de morte. Eles chegaram a conseguir asilo legal após alguns anos, mas o governo apelou da decisão do juiz e conseguiu revertê-la.
 
 
Eles decidiram então buscar asilo em uma igreja próxima, mas as dependências do local eram muito pequenas para a família. Entrando em contato com igrejas de Haia, conseguiram acolhida com a Igreja Bethel. Enquanto o culto decorre, os advogados da família tentam reivindicar uma autorização para que a família fique no país. A celebração já bateu o recorde mundial de culto mais longo.
 
“Dando hospitalidade a essa família, podemos dar tempo e espaço para demonstrar ao secretariado de Estado a importância da situação”, disse o presidente do Conselho Geral de Ministros Protestantes, Theo Hettema. Ele acredita que a prática de apelar de decisões de asilo é parte da estratégia do atual governo de restringir a imigração. Segundo Hettema, centenas de pessoas têm passado pela igreja para demonstrar apoio à família e mais de 300 pastores do país se voluntariaram para o revezamento na condução do culto.
 
Fonte: Sempre Família, com informações de Quartz

 
“Foi com o cabo da enxada embaixo de sol e de chuva que eu e meus filhos plantamos isso tudo aqui, aí vem um juiz e diz que não produzimos nada?” questionou Antônio Cândido Fernandes, morador do acampamento Girassol, um dos 11 que formam o Quilombo Campo Grande.
 
No município de Campo do Meio (Sul de Minas), o local reúne 450 famílias (cerca de duas mil pessoas) que ocuparam há cerca de 20 anos terras improdutivas de uma antiga usina de cana-de-açúcar, já declarada falida, em uma parte da antiga Fazenda Ariadinópolis, atualmente um complexo de ocupações e assentamentos coordenados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
 
Um mandado de reintegração de posse foi expedido pelo juiz substituto da Vara Agrária Walter Zwiches Esbaille Junior no dia 7 de novembro. Para verificar a situação dos moradores e dos acampamentos, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) esteve no local. Moradores e líderes do MST acompanharam os parlamentares e fizeram com eles o caminho que o juiz teria feito durante a vistoria realizada antes de assinar o mandado.
 
O dirigente nacional do MST em Minas Gerais, Sílvio Neto, contou que os membros do movimento ficaram felizes quando souberam da vistoria judicial, já que eles esperavam que o juiz verificasse o número de famílias, as estruturas de moradia e as amplas áreas produtivas do Quilombo Campo Grande.
 
Quando o magistrado publicou seu laudo, porém, ele teria reproduzido, segundo Sílvio Neto, os argumentos dos representantes da antiga usina, que dizem que no local estão poucas famílias que não produzem nada.
 
Parlamentares verificaram as amplas áreas produtivas dos acampamentos
 
Em um percurso que durou cerca de quatro horas, os parlamentares verificaram amplas plantações de café, milho, amendoim e árvores frutíferas. Os deputados Cristiano Silveira e Rogério Correia, ambos do PT, conversaram com muitos moradores.
 
Alguns, como Antônio Cândido Fernandes, relataram ter sido funcionários da antiga usina. Nos últimos meses antes da falência, ele e os colegas teriam trabalhado sem salário e, com a falência, eles ficaram sem emprego e não receberam nenhuma indenização.
 
 
A demanda por ocupar a terra começou, segundo os moradores, por esses antigos trabalhadores que não receberam seus pagamentos. Belchior Serafim de Morais (foto acima) também viveu essa situação. “Meu pai morreu sem receber o que a usina devia a ele”, lamentou.
 
Hoje, Antônio e seus filhos são responsáveis por uma área onde estão quase 30 mil pés de café, enquanto Belchior cuida de um viveiro com cerca de 100 mil mudas de café. Ao longo da visita, os moradores mostravam que se tratam de plantações agroecológicas, com outras culturas, em especial de frutas, em meio aos pés de café.
 
Em outros locais, as frutas tomam conta da paisagem. Vera Macedo mostra com orgulho suas goiabas, acerolas, bananas, amoras e abacates. Ela faz parte do grupo que chegou quando a ocupação já tinha sido iniciada. Há nove anos, veio morar no local com a filha recém-nascida nos braços.
 
Sílvio de Souza também não chegou no início, mas já está há cinco anos no local. Cria porcos, galinhas e também tem plantações de café. Ele está receoso com a ameaça de despejo: “Se nos mandarem embora, vamos para cidade fazer o quê?”.
 
Ocupação também resguarda área de proteção ambiental
 
A área ocupada pelo Quilombo Campo Grande é de cerca de quatro mil hectares. De acordo com Tuíra Tule, coordenadora regional do MST, 900 hectares são área de preservação. O restante, 3.100 hectares, tem 95% da terra transformada em área produtiva.
 
Segundo ela, são ao todo 1,8 milhão de pés de café, além de milho, feijão, amendoim, abóbora e frutas. São 418 casas de alvenaria, muitas das quais foram visitadas pela Comissão de Direitos Humanos. Algumas já têm ligação de luz feita pela Cemig, outras usam baterias de carro para iluminação.
 
Tuíra também falou da felicidade dos moradores ao saberem que o juiz iria até o local para verificar essas condições, das quais todos se orgulham, e que os antigos donos da usina negam em seus pedidos judiciais de reintegração de posse.
 
Segundo ela, porém, apesar do magistrado ter passado seis horas no local e entrevistado cerca de 30 pessoas, ele emitiu um laudo que nega a existência de produção e que diz não haver moradores no local. O juiz fez a vistoria acompanhado, segundo Tuíra, de 13 viaturas policiais.
 
Um dos entrevistados pelo juiz foi o morador Givanildo Francisco Silva. “Ele chegou aqui, conversou com a gente e depois escreveu o contrário de tudo o que viu”, disse, decepcionado. “A Justiça tem aquele símbolo com os olhos tampados para simbolizar que não tem lado, mas tem sim, é o lado dos empresários”, afirmou.
 
Usina que funcionava no local já teve falência transitada em julgado
 
A região pertenceu à Companhia Irmãos Azevedo e Capia, que faliu em 1996. A ocupação começou em 1998 e, segundo Michele Neves, do Centro de Referência de Direitos Humanos, órgão ligado ao governo estadual, já houve 11 despejos na área, mas apenas parciais. É a primeira vez que um mandado determina o despejo de toda a área. Em 2015, a usina teve essa falência transitada em julgado e, no mesmo ano, o governo estadual publicou um decreto que transformava o local em área de interesse social.
 
Por isso, os moradores já se consideravam mais próximos de conseguirem a propriedade da terra e terem afastadas as ameaças de despejo. Mas o decreto foi declarado nulo pelo Tribunal de Justiça e, em seguida, o juiz da Vara Agrária determinou a reintegração de posse. Os líderes do MST questionam a legalidade do processo.
 
Tuíra Tule explicou que, com a empresa declarada falida pela Justiça, seus antigos donos não teriam legitimidade para pedir a reintegração, apenas o síndico da massa falida poderia fazer isso. Esse síndico, porém, já abriu mão oficialmente desse pedido de reintegração.
 
Autoridades dizem que juiz mentiu em laudo
 
O deputado Cristiano Silveira, presidente da comissão, questionou a velocidade com que o processo de reintegração foi julgado e se mostrou impressionado com a organização e com a alta produtividade das terras ocupadas. “Nenhum pé de café fica daquele tamanho do dia para a noite, não é possível que o juiz não viu isso”, disse.
 
O deputado Rogério Correia (PT) completou dizendo que os moradores merecem agradecimentos por alimentarem toda a região com comida de qualidade sem nenhum subsídio ou ajuda governamental. Os comerciantes da região já entregaram à ALMG um abaixo-assinado no qual pedem que o MST permaneça na região, já que eles são importantes para abastecer escolas e residências com alimentação saudável.
 
O deputado federal Adelmo Carneiro Leão (PT- MG) elogiou a organização social e política do grupo. “O juiz está mentindo e isso é inaceitável”, disse. Também o procurador Afonso Henrique, do Ministério Público de Minas Gerais, esteve presente.
 
O reverendo Bernardino Ovelar, representando o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), também acompanhou a visita. “Há uma total incoerência entre a sentença do juiz e essa realidade que estamos vendo. Parece que há por trás alguma intenção de grandes cafeicultores que querem massacrar a vida, a esperança e o esforço dos pobres”, disse.
 
Reunião
 
Ao fim da visita, mais de 300 pessoas esperavam as autoridades em um antigo galpão da usina, utilizado anteriormente para armazenar açúcar. Os moradores se reuniram para ouvir o que os visitantes tinham a dizer e aplaudiram o reconhecimento das suas terras produtivas.
 
Uma das que se manifestaram na reunião foi a deputada estadual eleita Beatriz Cerqueira (PT), que também acompanhou a visita. Sem citar nomes, ela desafiou outros deputados, que têm se posicionado contra os acampamentos, a visitarem o local. “Que eles venham aqui, pisem nesse chão, conversem com todos vocês! Eles não têm coragem! Não vamos deixar que a luta e o trabalho de vocês sejam criminalizados”, disse.
 
Culto ecumênico
 
Ao fim da visita foi realizado um culto ecumênico com a presença de representantes de igrejas cristãs e fiéis de outras crenças religiosas. O momento foi marcado por muitos cantos, leitura de poesias e discursos em favor da reforma agrária, da alimentação saudável, da agricultura familiar e da justiça social.
 
Com informações do reverendo Bernardino e da ALMG
Fotos: Sarah Torres

 
 
Foi eleita no último sábado, 24 de novembro, a nova Diretoria do CONIC-MG para a gestão 2018-2020. A presidência ficou com o pastor presbiteriano (Igreja Presbiteriana Unida) Jorge Eduardo Diniz. "Minhas expectativas para o mandato desta nova diretoria contemplam o fortalecimento do testemunho ecumênico de cada irmã e irmão e um diálogo inter-religioso respeitoso, amoroso e tolerante, na capital mineira e em todo o interior do estado", declarou.
 
Veja como ficou o novo quadro:
 
Presidente: Reverendo Pastor Jorge Eduardo Diniz, da Igreja Presbiteriana Unida - IPU
Vice-Presidente: Pastor Nilton Giese, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB
1º secretário: Diácono Amauri Dias de Moura, da Igreja Católica Apostólica Romana - ICAR (diácono permanente, reeleito/reconduzido)
2º secretário: Reverendo Bernardino Ovelar Arzamendia, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - IEAB (anterior presidente)
1º tesoureiro: Luiz Ganabarino do Prado Filho, da Igreja Católica Apostólica Romana - ICAR (reeleito/reconduzido - ligado aos Focolares)
2º tesoureiro: Janett Alves Teixeira, da Igreja Católica Apostólica Romana - ICAR (ligada aos Focolares)
 
No Conselho Fiscal foram eleitos:
 
Titulares:
Reverendo Robert Delano de Souza da IEAB (reeleito/reconduzido)
Pastora Aneli Schwarz da IECLB (anterior vice-presidente) 
Reverendo Antônio Marcos de Souza da IPU (reeleito/reconduzido)
 
Suplentes: 
Tércia Mendes de Souza da IECLB (reeleita/reconduzida)
Reverendo Daflas Alexandre da Cruz da IPU
Maria de Fátima Cerqueira da ICAR.
 
A seguir, confira o primeiro artigo pelo Pr. Jorge Eduardo Diniz (foto abaixo) após a posse.
 
 
 
“Que Deus, que é quem dá paciência e coragem, ajude vocês a viverem bem uns com os outros,
seguindo o exemplo de Cristo Jesus! E isso para que vocês, todos juntos, como se fossem uma só pessoa,
louvem ao Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo.” Romanos 15.5-6 NTLH
 
Em um tempo opressor de polarizações, egoísmo, intolerância, injustiças e violência, recebo das minhas irmãs e irmãos, no último sábado (24/NOV/2018), um grato desafio, presidir o Conselho Nacional de Igrejas Cristã, regional Minas Gerais – CONIC-MG. 
 
Refletindo sobre o que registrar em uma primeira mensagem, fui tomado pelo óbvio: mais do que nunca necessitamos da paciente e corajosa promoção da unidade e tolerância. Só assim o Cristo, que escolheu habitar em seu povo, se fará presente em meio à nossa sociedade.
 
Quando há unidade todos e todas são beneficiados. Pessoas unidas conseguem fazer muito mais que cada pessoa sozinha. Nosso Deus, que é comunidade unida perfeitamente na trindade, nos criou para vivermos unidos com ele e uns com os outros. Em Cristo somos membros do mesmo corpo. Qualquer membro do corpo, sem a sua completude, morre! Assim somos Igreja Mística, uma só igreja, um só corpo, um só Cabeça. Mais do que nunca necessário se faz gerar verdadeira comunhão fraterna entre as tradições cristãs e um relacionamento inter-religioso tolerante, amoroso e doador. Em Cristo, em unidade, valorizando o que temos em comum, superaremos nossas diferenças, as respeitaremos e seremos um só povo na promoção da justiça e da paz.
 
Minhas expectativas para o mandato desta nova diretoria contemplam o fortalecimento do testemunho ecumênico de cada irmã e irmão e um diálogo inter-religioso respeitoso, amoroso e tolerante, na capital mineira e em todo o interior do estado, que possam iluminar mentes e corações daqueles e daquelas que ainda estão sob à influência da névoa turva do preconceito e do individualismo, do caminho cômodo de se fechar em sua própria tradição, fazendo-se limitado e aprisionado, não se permitindo movimentar na direção de seus próprios irmãos e irmãs, negligenciando o Divino que habita na humanidade.  
 
Penso que assim poderemos ousar em sonhar com um número maior de igrejas-membros, com um comprometimento delas nos movimentos sociais, na promoção e defesa dos direitos humanos, na promoção de uma cultura de paz, de bem estar e de mesmas oportunidades para todos e todas.
 
Que Deus, Senhor nosso e do universo, seja conosco, nos abençoe e nos surpreenda com os cuidados d’Ele nesta jornada! 
 
Belo Horizonte, 26 de novembro de 2018.
Rev. Jorge Diniz
Presidente do CONIC-MG

 
 
O CEBI Rio Grande do Norte realizou, no dia 17 de novembro, o Seminário sobre “Superação de fundamentalismos, intolerância e fundamentalismo Religioso”.
 
Definição e movimento
 
A reflexão comunitária abordou aspectos importantes como as formas de manifestações de práticas ultra-conservadoras, como também o surgimento do neo-fundamentalismo e sua proposta de retrocesso com viés neoliberal. Debatemos e interagimos sobre formas de enfrentá-lo.
 
O seminário contou com a participação de líderes religiosos da igreja Anglicana, Batista e cebianos/as das cidades de Natal, Parnamirim, João Câmara, Serra do Mel, Pureza e Brejinho.
 
A assessoria ficou por conta do biblista e bispo emérito da igreja Anglicana, dom Sebastião Gameleira.
 
Os próximos seminários abordarão as seguintes temáticas:
 
17/08/2019: “Fundamentalismo e Patriarcado”
15/08/2020: “Fundamentalismo Político-econômico”
14/08/2021: “Culminância”
 
Este relato é uma partilha de Marcos Aurélio, do CEBI-RN
Foto: Reprodução

 
Um grupo de entidades ligadas à educação e aos direitos humanos lançou um manual de defesa contra perseguições de docentes e contra a censura nas escolas. O material foi produzido em resposta aos ataques de partidários do movimento Escola Sem Partido. 
 
Assinado por 60 entidades, entre elas o CONIC, o manual oferece estratégia pedagógicas e jurídicas para enfrentar casos de perseguição, intimidação e assédio a professores e escolas. "O material privilegia o enfrentamento político-pedagógico dos problemas em vez de soluções judiciais individualizadas - das quais abusam os nossos censores", diz o documento. 
 
Segundo as entidades, o manual foi estruturado em torno de 11 casos reais de ataque contra professores ou unidades de ensino. Nesta segunda-feira, 26, O Ministério Público de Minas Gerais protocolou na Justiça pedido de suspensão da ação movida pela Promotoria de Defesa dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes contra Colégio Santo Agostinho, por suposta adoção da "ideologia de gênero" no currículo escolar de alunos do ensino fundamental.
 
O grupo também pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que haja o julgamento de uma lei estadual em Alagoas, inspirada pelo Escola Sem Partido. A análise está prevista para esta quarta-feira, 28, mas o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo, incluiu outro processo na pauta do dia, o que pode adiar o julgamento. 
 
O material é assinado por entidades como o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE), Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope), de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), entre outras. O manual ainda tem o apoio  Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal (MPF) e do Fundo Malala.
 
O projeto de lei Escola Sem Partido (PL 7180/14) pode ser votado em uma comissão especial na próxima semana. A iniciativa prevê a proibição do que chama de "prática de doutrinação política e ideológica" pelos professores, além de vetar atividades e a veiculação de conteúdos que não estejam de acordo com as convicções morais e religiosas dos pais do estudante. Define, ainda, os deveres dos professores, que devem ser exibidos em cartazes afixados nas salas de aula. O projeto de lei também esteve no centro do debate sobre a escolha do futuro ministro da Educação. 
 
Na semana passada, um grupo de mais de 150 entidades de 87 países adotaram uma moção de emergência contra o projeto Escola Sem Partido. O documento foi aprovado por unanimidade nesta semana, durante a 6a Assembleia Mundial da Campanha Global pela Educação, no Nepal. De acordo com a moção, "o ultraconservadorismo de governos e movimentos tem atacado a pluralidade pedagógica, a liberdade de cátedra, a perspectiva da igualdade das identidades de gênero e orientações sexuais, além das de minorias étnico-raciais, e ao mesmo tempo, promovendo a militarização na educação".
 
Foto : Wilson Dias / Agência Brasil